Capítulo 11 –Cólera.
Rin ficou sem entender o porque daquela aproximação e palavras tão mal educadas e provocantes, era ingênua, mas nem tanto, sabia que o rapaz tinha más intenções e isso a deixou um pouco confusa, porém alerta.
-O quê fez a senhorita vir morar aqui? Quer dizer... O quê fez para que Sesshoumaru a quisesse em seu castelo?
-Nada, somente teve que acontecer.
-É uma mocinha que possui muita sorte, talvez tenha encantado-o pela sua beleza.
-O senhor Sesshoumaru não é um yokai que se importa com essas coisas e também nos conhecemos quando eu era uma simples criança, não seja maldoso... –Disse o intimidando.
-Ora, mas não fique zangada. –sorriu. –Não foi minha intenção aborrece-la, não seja tão dura...
-Perdoe-me, mas não gosto quando desrespeitam a mim e ao senhor Sesshoumaru, não faça de novo, não foi educado.
-Ora, parece que tem mais coisas do que imaginei, mas desarme-se ao falar comigo, não será necessário.
-Espero que não.
-E também agora nos veremos todos os dias, não é mesmo?
-O quê? –indagou sem entender.
-Não lhe contaram? Eu irei morar aqui com minha irmãzinha, não vivo sem ela. –disse irônico a última frase. –Brincadeira, as circunstâncias fizeram com que eu morasse aqui por alguns dias.
-Eu não sabia. –Disse surpresa.
-Pois é, nem eu, soube agora pouco, entretanto não se preocupe não serei um incomodo, lhe garanto.
Rin preferiu ficar em silêncio, simplesmente suspirou ao dar uma olhadela naquele casal que estava há alguns metros de distância, não concordava, todavia era uma coisa a qual não podia evitar... Sentia-se totalmente impotente, contudo não poderia fazer nada.
-Está gostando da festa? –indagou Yashamaru querendo puxar assunto.
-Está tudo lindo, por que não gostaria? –suspirou entristecida. –Acho que vou dar uma volta, com licença...
-Tem toda.
Ela puxou um belíssimo leque azul com um cisne branco desenhado no delicado objeto. A bela humana pôs-se a abanar suavemente e ir em passos leves para outros arredores, a presença daquele ser a fazia ficar sufocada, mesmo que tenha sido aparentemente simpático ela sabia que o que ele queria não se restringia apenas a uma amizade.
Sesshoumaru estava entediado, provavelmente era o mais enfadado da festa. Aqueles seres o incomodavam, vários aromas, palavras, gestos se misturavam e passavam a ficar intragáveis. Aquelas misturas embrulhavam-lhe o estômago, como tantos poderiam ser tão falsos e puxa-saco daquela "princesinha" mimada e egocêntrica? Se a vida dele dependesse de bajulações daquela yokai com certeza preferiria a morte a ter que se humilhar de ante dos pés daquela...
Mas um estalo chegou em sua mente embaralhada: Já estava se humilhando, fazendo as vontades daquela mulher... Era estranha essa sensação de ter que ceder às vontades de outra pessoa totalmente inferior, aquilo o enojava.
- "Me pergunto quanto tempo irei agüentar tudo isso... Que inferno..." –pensou o senhor feudal.
Ele olhou para o outro lado e pode ver Rin que não o encarava, mas parecia bastante com ele naquela situação. Ela também estava perdida, tão avoada e enojada quanto ele. Naquele momento os dois eram praticamente o mesmo ser.
Ela estava tão bela, avassaladora, mas ao mesmo tempo tão proibida e distante... Estava bem centralizada em seus olhos, fixada como uma rocha impenetrável. Talvez ela sempre fosse encantadora e estonteante, porém só pode perceber isso tarde de mais.
Ela virou-se, o encarou e num momento aconteceu um choque visual tão grande que pode arrepiar ambos. Olhos chocolates e âmbar puderam se cruzar e penetrarem tão profundamente que poderiam até mesmo descobrir segredos mais ocultos, desejos, sensações...
Estavam há metros de distância, contudo parecia que havia uma linha imaginária que os juntavam e não os faziam parar de olharem um para o outro, mesmo que quisessem, era uma atração forte que ia muito mais além do que esperavam.
Ela então se virou para o outro lado e pode seguir em passos rápidos. Entrou dentro do castelo às pressas, tentava fugir de algo que praticamente era inevitável, todavia queria escapar pelo menos por alguns instantes daquele lugar.
A mortal passou por Oboru e Kuroichi rapidamente, os dois puderam ver uma aflição nos olhos dela mesmo em poucos segundos. O yokai iria a seguir, mas Oboru segurou seu braço firmemente:
-Deixa ela.
-Mas ela pode estar precisando de alguma coisa. –Disse preocupado.
-Precisa, mas é algo a qual você não pode oferecer. Deixe a senhorita Rin sozinha, não a incomode.
Kuroichi resolveu aceitar o conselho da yokai que se encontrava do seu lado. Ao perceber que ele não iria segui-la soltou o braço do jovem e os dois puderam seguir caminho.
Rin entrou no seu quarto, fechou a porta fortemente, virou-se de costas para a entrada e pode escorregar lentamente até chegar ao chão. Algumas lágrimas teimosas escorreram da face branca e macia que ela pode enxugar rapidamente, a última coisa que queria fazer naquele momento era chorar.
Sesshoumaru saiu de onde estava, tinha uma coisa a fazer. Saiu sem que ninguém o percebesse, foi rápido e minucioso. Logo estava dentro do castelo, andava agora mais lentamente, acabou parando na frente da porta daquela que mexia com seus sentidos.
Ele abriu sem pedir permissão e pode vê-la sentada no chão que ao ver quem entrara nos seus aposentos ficou estática. O Lord fechou a porta atrás dele e a ficou encarando por alguns instantes.
-Por que veio pro quarto? Aconteceu-lhe algo? Alguém te tratou mal?
-Não, não foi nada, somente quis me livrar um pouco desses seres, mas eu já irei voltar, não fica bem fazer uma coisa dessas. –sorriu querendo disfarçar.
-Creia que também na queria isso tudo. –Disse direto, sabendo o que realmente a incomodava.
-Eu sei que não. –suspirou melancólica.
-Acho que não serei capaz de agüentar por muito tempo, não é do meu feitio abaixar a cabeça... Mas não sei o que fazer...
-... Sinto que não posso ajuda-lo, se fosse por meu desejo não estaria se casando agora.
-Por que não desiste enquanto há tempo? Por que não manda toda essa gente embora daqui? –indagou quase que num sussurro aflito.
-Porque eu simplesmente não posso... Não agora. Mas queria lhe fazer um pedido.
-Sim?
-Pode me esperar?
-O quê? –indagou incrédula.
-Pode esperar que tudo acabe e ficar ao meu lado como deveria ser? –indagou rápido sem querer repetir.
Rin e Sesshoumaru puderam se encarar por um breve momento e nesse tempo tão curto, mas ao mesmo tempo tão intenso e longo pode-se criar um clímax pesado e de forte espera pela resposta.
Os olhos da bela menina puderam se encher das mais belas e puras lágrimas que escorreram não por tristeza, mas sim por emoção. E com um doce sorriso na face pode responder com convicção:
-Mas é claro que espero... Esperaria até o infinito se fosse possível.
-Sinto por não fazer nada nesse momento... Não queria que as coisas saíssem do meu controle. –Disse sentido.
-Não importa, não me importo, se promete que ficará comigo no futuro nada mais importa.
-Eu dou a minha palavra a você que irei lhe transformar na senhora feudal desse castelo.
-Não preciso ser nada disso, basta somente ser sua todos os dias da minha vida.
-E será. –sorriu discretamente.
Ela acabou por se levantar e o abraçou rapidamente como se fosse a última vez que fizesse isso. O abraço espontâneo foi correspondido milagrosamente pelo yokai que não recusou o carinho da jovem que ao sentir-se abraçada ficou muito feliz.
-Eu te amo... –Disse ela bem baixo.
Eles se soltaram e quando Sesshoumaru pode ver as lágrimas de Rin escorrerem, o yokai com seu polegar limpou-as e a encarou:
-Não chore, está deslumbrante de mais para isso.
-Obrigada.
-Agora se recomponha e volte para festa. Não me deixe sozinho nesse momento.
-Não o deixarei.
Ele saiu do quarto de Rin, foi em passos rápidos voltando à festa e ao chegar viu Setsuka e Jaken que o procuravam durante alguns minutos. Ela ao achar foi andando com bastante postura e classe até ele:
-Onde esteve? A cerimônia já vai começar!
-Então não podemos perder tempo, não é?
-Meu pai queria falar com você antes.
Jin veio por se aproximar calmamente, ao chegar ao lado de Sesshoumaru o encarou de uma maneira estranha, bastante rígida e severa. Mesmo com essa postura o senhor feudal não se intimidou em indagar:
-O quê o senhor deseja?
-Desejo que faça uma escolha certa, meu jovem, ainda há muito que aprender.
-A que se refere?
-Sabe muito bem do que falo... Cuidado, muito cuidado... Estou de olho em você.
-Por acaso isso é uma ameaça? –indagou ríspido.
-Papai, pare com isso! –disse Setsuka ao perceber a alteração dos dois. –Não vão brigar justo agora! Olha o vexame! Está tudo acertado.
-Setsuka, tome muito cuidado... Preste bastante atenção no que está fazendo, nunca quis essa união, mas resolvi ceder as suas vontades, porém não seja idiota.
-Isso com certeza é uma coisa a qual não sou.
-Pedi pra Yashamaru ficar aqui por uns tempos, então se precisar de alguma coisa fale com ele.
-Como se aquele idiota fosse ser de utilidade, pois bem, se o senhor se sente melhor com a presença dele aqui por mim não há problema.
-Então está na hora.
Rin apareceu perto dos noivos, ficou os olhando a distância, entretanto agora sentia-se mais leve e feliz, não sabia o quanto tempo tudo aquilo poderia durar, tinha muitas dúvidas, porém agora de uma coisa tinha certeza: Sesshoumaru também a amava.
A cerimônia foi linda, luxuosa e de um bom gosto indiscutível. Em algumas horas eles estavam definitivamente casados, a festa ainda continuava por algum tempo, contudo logo teve seu final quando o sol pode se esconder totalmente atrás da colina e frio intenso chegar.
Todos os convidados já haviam se retirado. Rin desfez a longa trança dos cabelos e ficou no jardim solitária, era engraçado pensar que ao mesmo tempo em que estava tendo um pesadelo teve um lindo e encantado sonho. Ela queria esquecer todo aquele mau presságio e fazer com que o seu dia tenha sido somente naquelas poucas palavras de Sesshoumaru que a deixaram definitivamente feliz.
No quarto do senhor feudal encontravam-se aqueles dois seres sentados um de frente para o outro no Futon. Ela com um sorriso largo e feliz no rosto enquanto ele completamente seco e nostálgico.
Ficaram se encarando por um longo tempo, tortuosos minutos... Ela se aproximou lentamente do corpo do yokai. Com a sua mão direita repousou sobre o ombro daquele que sentia uma forte atração:
-E então? O quê espera?
-... Quem sabe? Talvez um pouco de coragem.
-Coragem? Ora, não seja tímido, não sou um bicho de sete cabeças.
-Não é bem essa a coragem que me refiro...
-Então o quê é? Não deseja meu corpo? –indagou metida.
-Devo admitir que é perfeita, bela, talvez a yokai mais bela que já vi, sobretudo é tão superficial e comum... Não é somente isso a qual almejo. Agora entendo meu pai. –sorriu ao pronunciar a última frase.
-O quê quer dizer com isso? –Perguntou nervosa. –Não irá consumar nosso casamento?
-Não disse que não o farei, mas sim que estou sendo obrigado a tal coisa, não se faça de boba, sabe disso.
-Admita não será um esforço muito grande. –sorriu irônica.
-Pare de enrolar, vamos logo ao que interessa, o quanto antes acabar, mais rápido irei dormir.
-Como quiser.
Ela lentamente foi por se aproximar do grande senhor feudal, com toda aquela sensualidade era até envolvente e alguns diriam apaixonante, porém para ele era tão banal e singelo.
Ele fechou os olhos e quando os abriu pode ver outra imagem no lugar da Setsuka: viu Rin projetada naquela situação. Tocou-na, abraçou, beijou... sabia que só conseguiria fazer o que tinha se projetasse a imagem da amada naquele corpo maldoso e inescrupuloso. Mal sabia a mulher o que seu recente marido fazia.
Na varanda do castelo, Rin balançava os pés que não chegavam ao chão. Ela conversava anteriormente com Jaken, mas o yokai acabou sentindo-se cansado e resolveu deitar-se para um novo e agitado dia.
Ela ficou sozinha, presa em seus pensamentos. Quando iria para o quarto o jovem yokai sentou-se ao seu lado, era Yashamaru que a olhou com um pequeno sorriso:
-Não vá agora que cheguei.
-O quê deseja?
-Só queria conversar um pouco com a pequena mortal que tirou tantos olhares durante o casamento. –sorriu mais abertamente. –Parabéns, é difícil alguém roubar a cena da minha irmãzinha.
-Não tinha a intenção de chamar mais a atenção e também isso não me interessa de fato... E creio que me olhavam por outros motivos.
-Pode ser que sim como que não. Eu a admiro até agora.
-Agradeço pelo elogio.
-De nada... Ah! Acho que pode me ajudar.
-Com o quê? –indagou curiosa.
-A achar o meu quarto, não me acostumei com o castelo e estou perdido, os servos estão muito ocupados e pensei que poderia me levar até ele.
-Eu também não sei onde fica.
-Me disseram que fica na ala dos quartos de hóspede, mas não sei onde fica isso. Era no quarto onde Setsuka ficava.
-Ah, já sei onde é.
-Poderia me levar até lá? Me sinto cansado.
-Sim, claro. É caminho pro meu, então me acompanhe.
-Com muito prazer... –sorriu.
Os dois se levantaram, Rin ia na frente do rapaz que estava com um sorriso cínico e maldoso na face. Enquanto andava alguns passos atrás da menina pensava consigo:
- "Isso mesmo pequena libélula, me leve até meu quarto, quem sabe me farás companhia essa noite? Acharam mesmo que iria ficar aqui sem nenhuma recompensa? Estão muito enganados, meu prêmio está aqui, bem diante de meus olhos".
Os dois chegaram na frente de um quarto grande, ela abriu a porta e quando sairia da frente foi empurrada bruscamente caindo ao chão. Quando iria se levantar viu a porta sendo fechada e Yashamaru dizer:
-Não pense em fugir, linda humana...
-O quê pensa que está fazendo!?
-Você logo, logo irá ver.
NOTA DA AUTORA:
Ai ai acabei enfim esse capítulo! Nossa altas coisas acontecendo! To amando os comentários! Vocês são mto fofas como sempre !! Várias torcidas pra R&S! Mas td hora aparece um maldito né! Coitados !! Espero que tenham gostado desse capítulo! Porque eu amei escrever!! Atualização em breve!!
BJOS!
