Spoiler: Atenção, contém SPOILER de HBP. Não leia se você não quer saber o que se passa no sexto livro. Esse capítulo, aliás, tem um spoiler imenso sobre a morte de um dos personagens.
Disclaimer: Nunca mais jogo pôquer na minha vida. Já eram todos meus. Mas aí a JK ofereceu um tudo ou nada: o bicho-papão e o patrono do Snape contra todos os personagens. Eu topei. Mas como eu ia adivinhar que ela iria transfigurar as cartas? Buááááá. Perdi tudo e o universo Harry Potter ainda é da loira. Mas ela não sabe que eu peguei todos emprestados para brincar. Como estou só brincando, não terei fins lucrativos e nem vou ganhar nada. A não ser o prazer de me divertir. Ah, a música também não é minha.
XI. Um presente esquecido
Durante várias semanas após a morte de Voldemort, Hermione continuava na sede da Ordem, ajudando seus amigos e os aurores a localizar e prender em Azkaban os últimos Comensais da Morte que não haviam se entregado aos guardas do Ministério da Magia. Mas por mais ocupada que estivesse, a jovem bruxa ainda perdia horas e horas tentando decifrar o mistério: quem era a pessoa que havia ajudado ela e Harry a matar Voldemort? Hermione já estava convencida de que sem a raiva que pressentira na voz que pronunciara a palavra final do feitiço, a morte do Lord das Trevas não teria sido fulminante e eles não teriam encerrado a luta tão rapidamente.
A cada vez que rememorava o breve instante em que vira o "seu herói", Hermione mais e mais se convencia de que o misterioso atacante era um homem. E que esse homem era o temido, e por muitos odiado, Mestre de Poções de Hogwarts. "Mas isso não se encaixa. Afinal, Snape matou Dumbledore, não foi? Harry não mentiria sobre uma coisa tão grave assim. E ele desapareceu após a invasão da escola. Se fosse inocente, iria dar um jeito de se defender", pensava ela.
E várias noites passou a jovem bruxa, pensando e pensando, até que o sono a vencesse. Mas numa dessas noites, quando martelava pela milésima vez a idéia de que se Snape fosse inocente da morte de Dumbledore teria procurado uma forma de se defender das acusações, foi que ela lembrou-se daquela manhã, na casa de seus pais, quando o Mestre de Poções a procurou.
"Por Merlim, ele me procurou logo depois da morte de Dumbledore. E eu o expulsei sem lhe dar chance de falar por que estava ali. E eu desmaiei. Se ele estivesse a serviço de Voldemort, o que o impediria de me atacar e matar ali mesmo? Vários motivos o levariam a isso: o fato de seu ser filha de trouxas, o fato de eu ser amiga do Harry. O que o impediu?", questionou-se Hermione.
Pela primeira vez desde que soube da morte do diretor de Hogwarts, a jovem bruxa começou a considerar uma possibilidade que a deixava aliviada: a de que Severo Snape realmente fosse inocente no caso do assassinato da única pessoa que confiara nele.
Como se esse pensamento despertasse uma outra lembrança na mente de Hermione, a jovem bruxa sente uma imagem invadir seu cérebro: uma grande coruja negra bicando o vidro da janela de seu quarto. Ela corre ao armário onde guardara um embrulho há muito tempo entregue e ignorado, e segurando o pacote, volta e senta-se na sua cama. Usando um feitiço simples para selar a porta do quarto, Hermione examina detidamente o embrulho.
Ela volta a ler o pergaminho amarrado à fita que atava o pacote:
"Senhorita Hermione,
O conteúdo dentro desse embrulho lhe pertence. No entanto, o pacote foi encantado e somente será aberto no dia em que a senhorita, no fundo de sua alma, acreditar que o professor Snape pode ser inocente e que nem sempre aquilo que vemos é a verdadeira expressão da verdade."
Concentrando-se, ela afirma em voz alta, enquanto tenta desatar o laço e abrir o pacote.
- Eu acredito que o professor Snape pode ser inocente e espero encontrar provas que possam trazer a verdade à tona.
Foi o suficiente para quebrar o encantamento. O papel que envolvia o objeto lentamente se abre, para revelar uma penseira em seu interior. Ao lado da bacia com a borda incrustada de runas, que Hermione reconhece como sendo a mesma que Dumbledore usava no gabinete de diretor em Hogwarts, há um pequeno frasco de cristal, ornado com prata finamente trabalhada, onde Hermione percebe que estão aprisionadas algumas memórias, que se revolvem como fios prateados.
Ao pegar o frasco, a jovem bruxa percebe que há um segundo pergaminho amarrado a ele. Curiosa, ela devolve o frasco com memórias para o pacote e começa a ler.
"Prezada Hermione Granger,
Se a senhorita está lendo este pergaminho, é porque ainda há esperança de que a verdade seja restabelecida. A senhorita sempre foi conhecida por todos em Hogwarts e por parte da comunidade bruxa como uma pessoa inteligente, dedicada, esforçada, mas, acima de tudo, muito justa. Tenho certeza de que nada vai mudar esse seu traço de caráter e que, diante das provas que irá encontrar, não medirá esforços para que a verdade venha à tona. As memórias que a senhorita está prestes a conhecer (se a conheço bem, a senhorita iria ler o pergaminho primeiro) foram extraídas depois que o proprietário delas ingeriu uma dose generosa de Veritasserum e, portanto, tudo que está nesse frasco representa a mais pura verdade.
Com apreço
Um amigo fiel".
Hermione sente-se confusa. Aquela letra não lhe é estranha, mas ela não consegue identificar de onde a conhece. A impressão da jovem bruxa é a de que a letra foi disfarçada por algum tipo de encanto, que ela não soube identificar, mas que mesmo assim deixou rastros suficientes para que ela pudesse encontrar alguma semelhança.
Sem querer perder mais tempo, a grifinória coloca o pergaminho de lado e pega o frasco onde estavam guardadas as memórias do tal "amigo fiel". Ela abre a tampa e derruba o conteúdo do frasco na penseira, que logo toma o tom esfumaçado das lembranças. Hermione respira fundo e enfia o rosto na bruma.
Sugada pelas lembranças, ela se encontra na torre de Hogwarts, na cena onde Dumbledore, caído no chão, se encontra cercado pelos Comensais da Morte e por Draco Malfoy. Ela olha ao redor, e se esconde em um dos cantos, a tempo de ver que a porta para as muralhas foi escancarada.
Olhando para a porta, ela vê o professor Snape entrar no local, com a varinha apertada na mão. Ela presta mais atenção e percebe que Snape observa toda a situação e fixa o olhar em Dumbledore - que afundou contra a parede – antes de conceder atenção aos quatro Comensais da Morte, inclusive o lobisomem e Malfoy.
- Nós temos um problema, Snape, disse Amycus, em tom de voz grosseiro, mantendo os olhos e a varinha apontada para Dumbledore.
- O menino não parece capaz, complementa o comensal.
Nesse mesmo instante, Hermione ouve alguém falando o nome de Snape, bastante suavemente.
- Severo...
Identificando a voz, a jovem bruxa percebe que se trata de Dumbledore e parecia que ele estava suplicando. Como num passe de mágica, ela passou a ouvir palavras como se elas viessem do fundo de sua mente.
- Eu acabei me envenenando, Severo. Para destruir um dos horcrux de Tom Riddle, tive que beber uma poção que, tenho certeza, está provocando a minha morte. A dor é forte demais, sei que se trata de um veneno. Eu preciso que você me mate.
- Jamais, Dumbledore, responde Snape. Não tente resistir mais, eu vou arrumar um jeito de salvá-lo.
Hermione fica confusa. Tem a impressão que ouviu esse diálogo, mas não consegue ver os lábios do diretor da escola e do Professor de Poções se movendo. Raciocinando rápido, ela deduz que a conversa ocorreu entre as mentes, afinal, tanto Snape quanto Dumbledore são ótimos legilimentes e oclumentes. Não seria difícil a ambos travarem esse diálogo mental, enquanto as demais pessoas presentes na sala ignorassem completamente o que estava se passando.
Snape caminhou adiante e empurrou Malfoy asperamente para fora. Os três comensais da morte se retiraram sem uma palavra. Até mesmo o lobisomem pareceu se acovardar. Snape contemplou por um momento a Dumbledore, e havia resolução e ódio marcados nas linhas rígidas do rosto dele.
- Mate-me Severus... lembre-se do que você prometeu.
- Eu não farei isso, Dumbledore. Peça-me qualquer coisa, mas não me faça parecer seu assassino aos olhos de todos. Eu não poderia resistir a ser chamado do homem que traiu a única pessoa que confiou nele. Nada vale esse sacrifício, afirma Snape.
- Severo... por favor..., diz Dumbledore, em voz alta.
- Você precisa fazer o que estou pedindo, para salvar Draco de uma maldição pior do que a morte, para não morrer por causa do voto inquebrantável e para manter seu lugar junto ao Voldemort. Eu sei que você está em condições de ajudar a eliminar o chamado Lord das Trevas, e eu vou morrer de qualquer maneira. Faça o que eu estou te pedindo, em nome de tudo que eu já fiz pela causa. E em nome de tudo que fiz por você. Lembre-se, você jurou me obedecer, ainda que os motivos para as minhas determinações não ficassem sempre claros para você.
- Diretor, eu sei que isso será o meu fim, mas se for para te satisfazer, se for para cumprir o juramento que lhe fiz há tantos anos, que seja assim, diz, amargurado, o Professor de Poções. O diálogo, mais uma vez, foi mental.
Snape elevou a varinha e apontou diretamente para Dumbledore:
- Avada Kedavra!.
Um jato de luz verde saiu da ponta da varinha de Snape e acertou diretamente Dumbledore no peito. O diretor foi lançado no ar: durante um segundo onde ele pareceu ficar suspenso em baixo do crânio brilhante, e então ele caiu lentamente para trás, como uma grande boneca de trapo, em cima das ameias e longe da vista.
Hermione quer gritar, mas não consegue. Ela foi arrastada rapidamente a uma nova lembrança, a uma memória do momento em que Snape arrastava Draco Malfoy em sua fuga alucinada de Hogwarts. Como se aparatasse na área externa da escola, a jovem bruxa assiste o momento em que Harry, ao tentar atacar o professor de Poções com um feitiço, é atingido por uma azaração e cai na grama.
Nesse momento, Hermione vê Snape voltar-se e ouve a frase:
- Isso não pode acontecer. Tenho que impedir a morte de Potter. Mas novamente a grifinória não vê a boca de Snape se mover. Ela sente como se estivesse lendo a mente do professor de Poções.
- Não! Soou a voz de Snape. E ele continuou a gritar:
- Você se esqueceu de nossas ordens? O Potter pertence ao Lord das Trevas. Nós devemos deixá-lo! Vamos! Vamos!
Além dessa frase, Hermione ouviu uma complementação: "Eu sempre soube que a única coisa que esses imbecis temem é a ira de Voldemort. Bom, funcionou".
As imagens começam a rodopiar e Hermione se sentiu puxada. Aos poucos, viu a luz machucando seus olhos e se deu conta de que estava de volta ao seu quarto na mansão Black. A penseira em frente a ela, apoiada sobre a cama, não a deixava acreditar que se tratava de um sonho. Sim, aquilo que vira era a realidade, não apenas aquilo que passara pelos olhos de Harry Potter na noite em que Alvo Dumbledore morrera.
Aos poucos, a realidade que vira na penseira, naqueles pensamentos e memórias guardados por quase um ano e meio no armário de seu quarto, tomaram conta de seu ser. Trêmula, ela guarda cuidadosamente a penseira e o frasco com as memórias. Naquele momento, Hermione se conscientizava de que tinha sido extremamente injusta com o professor Severo Snape no dia em que este fora à casa de seus pais, tentar explicar-se. A única coisa que a impedia de se martirizar pelo erro é a certeza de que todos os fatos apontavam para a culpa do Mestre de Poções e a esperança de que o erro pudesse ser consertado.
Essa era a missão de Hermione. Restabelecer a honra de Severo Snape e mostrar ao mundo bruxo que ele não era um traidor, que apenas agiu sob um juramento feito há muitos anos. Tinha certeza de que as memórias que ela viu na penseira eram legítimas. Mesmo que o autor do pergaminho não tivesse falado sobre a Veritasserum, ela já havia ouvido de Harry que as memórias adulteradas ficam cobertas por uma névoa branca, como se fumaça tomasse conta do ambiente.
É por isso que Hermione acredita no diálogo silencioso e mental que viu na penseira. Convicta de que foi Alvo Dumbledore que, de alguma forma, fez com que o embrulho chegasse até as suas mãos, a jovem bruxa começa a se preparar para a missão, que acredita, foi-lhe incumbida pelo antigo diretor.
Mas antes de confrontar o mundo bruxo com sua descoberta, ela precisava localizar o antigo professor e lhe pedir desculpas. Pedir perdão por não ter acreditado nele, por ter sido tão irônica quando ele lhe pedira para acreditar na própria intuição. Mas para isso, teria que agir em segredo.
A única maneira que conhecia para localizar alguém era através da legilimência. Pois bem, ela iria engolir o apelido de Sabe-Tudo Granger e pediria a Harry Potter para lhe ensinar oclumência. "Ora", pensava ela, "quem sabe se defender pode muito bem inverter o processo e atacar".
Ao receber o pedido de Hermione, para ter aulas de oclumência, Aquele-que-sobreviveu tomou um susto.
- Ora, Mione, para que isso agora? A guerra acabou.
- A principal guerra sim, Harry, mas ainda existem comensais que ainda não foram presos e eu te ajudei a matar Voldemort. Portanto, se eles tentarem nos localizar, será por legilimência, exatamente como encontramos o Tom Riddle. E eu preciso me defender. E você deveria praticar também, disse a garota.
- É, como sempre você tem razão, Mione. Vamos começar amanhã à noite e treinar todos os dias, concordou Potter.
Nota da autora: Obrigada de coração a Miss H.Granger e a Nathsnape, pelas reviews deixadas. Pode deixar, Miss Granger, que a inocência de Severus será provada logo. Mas ainda tem história para rolar debaixo dessa ponte, rs. E Nathsnape, obrigada pelos elogios. Vou demorar um pouquinho para atualizar, pois estou saindo de férias e devo ficar alguns dias longe do PC. Mas, por favor, não abandonem a fic e continuem me dizendo o que vocês estão achando, rs. Façam uma autora feliz e deixe sua opinião.
