Disclaimer:Inuyasha não me pertence.

Ainda.


Férias, por Mari Moon


Bem, duvido que muitas garotas (não as normais, pelo menos) já estiveram na mesma situação que eu. Jogadas sem cerimônia sobre a poeira que se acumula debaixo de uma cama masculina (graças a deus, apenas poeira), olhando para pés molhados que faziam poças de água gelada a centímetros de mim. Pés que pertenciam a corpos seminus de garotos (muito gatos, diga-se de passagem), e que tais garotos NÃO, eu repito, DE MENEIRA NENHUMA, deviam descobrir que havia meninas embaixo de suas respectivas camas.

Uops.Uma toalha acabou de cair, amontoando-se nos pés de um certo hanyou a centímetros de mim.

Tá.Reformulando.Os garotos não estão mais seminus.

Estão nus.

Sabe, peladinhos, assim como vieram ao mundo.

O que piora a minha situação em alguns significativos graus.

(Meu deus, o Inuyasha precisa urgentemente aparar as unhas dos pés).

Bem, acho que Sangô não compartilha da minha opinião, já que ela tentava tirar os olhos sorrateiramente de debaixo da cama e olhar, com interesse "científico", para cima, uma alegria quase insana em seus olhos pervertidos.

-Sangô!

Eu sussurrei o mais alto que a situação permitia, e Sangô olhou para mim com cara indignada de "o que?!".

Porém, acho que já, por natureza, eu já falo meio alto. E ai não deu muito certo, já que eu ouvi a voz do Inuyasha resmungado para o Mirok algo do tipo "você ouviu alguma coisa?", o que fez meu sangue gelar dentro da veia que nem picolé.

Eu não queria nem pensar em o que iria acontecer se eles descobrissem que havia garotas embaixo de suas respectivas camas. Talvez algum comentário irônico do tipo "Você vem sempre aqui?", ou talvez uma perversão sem precedentes, ou mesmo um grito indignado clamando pela fiscal do corredor. Só sei que, decididamente, não ia ser nada agradável ¬¬.

Perai, algo está me desconcentrando.

Seria isso uma fungada... uma fungada canina?!

-Mirok, você não ta sentindo um cheiro estranho?

&Gela&

-Não seria o seu novo shampoo para pulgas?

Bem, eu não teria certeza, mas acho que esse som foi de um nariz quebrando.

É, foi sim, a julgar pelo sangue pingando pelo assoalho.

-Não, é sério, não ta sentindo esse cheiro de chocolate e shampoo de bebê?

Droga.Não me julguem, meu pai só tinha shampoo de bebê naquele reservatório inútil (mas, e o chocolate?SANGO, MINHA VINGANÇA SERÁ MALIGNA!)

Peeerai um segundo... Ele está nos farejando?!

Morri.

-É, Inu, acho que talvez você tenha razão, esse é o cheiro do shampoo de bebê dos reservatórios...

-Mirok, você anda usando shampoo de bebê?Meu amigo, eu esperava mais de você... E é feminino, ainda por cima...

-Inuyasha sua anta mor, eu usei o seu shampoo, se era de bebê e feminino, então você também está usando!!!

-SEU IDIOTA, EU NÃO DEIXEI VOCÊ USAR O MEU SHAMPOO!!

Uau, não achei que homens fossem tão parecidos com mulheres...

Inuyasha (ou melhor, os pés dele, de onde eu podia ver) deu um salto maligno pra cima do Mirok, a qual esse se moveu e Inuyasha acabou caindo, com todo o seu peso, na cama de Mirok, esmagando Sangô com as molas e as madeiras da cama.

Bem feito. Não quis dividir o chocolate...

Nossa, como eu sou perversa.

-Bem, eu ainda estou sentindo o cheiro de shampoo de bebê...

Funk Funk

-Não dá pra saber direito de onde vêm, com todo esse cheiro de sabão pelo quarto...

Graças ao bom Deus do Sabão (se ele existe, óbvio).

-Inuyasha, para de inventar coisa e bota logo uma roupa, você não é exatamente o que eu chamaria de visão do paraíso.

Desculpe Mirok, mas eu discordo totalmente de você.

Meu Bom Deus, eu pensei isso?

-Mirok, segure sua inveja, sim?Só porque eu sou o mais sexy num raio de quilômetros,você não precisa ficar com ciúmes.Afinal, apesar de 99 das garotas serem minha, ainda sobra 1 pra você.

-De que adianta, se você nunca gosta delas?

-Mirok, mulheres só servem para se pegar e passar a mão.E você sabe disso melhor que eu.

Seguiu-se um silêncio mórbido, com o qual eu tentava arranjar jeitos de estrangular Inuyasha pela opinião machista, e os dois habitantes do quarto (imagino) trocavam sorrisos maliciosos.

-Se bem que você está na seca há quase um mês, Inuyasha.

-Mirok, eu estou no meio de um internato para as minhas tendências são estritamente heterossexuais, você não espera que eu agarre você ou qualquer outro menino no meio da noite, não?

-Mas e as professoras, ou mesmo a Sangô?

Há, eu acho que nem tenho a honra de entrar para a lista de seres femininos da escola.Que honra.

-Bem, digamos que eu já peguei esses ai tantas vezes que enjoei.

Lancei meu fulminante olhar ciumento para Sangô, que corava violentamente a alguns metros de mim, sob a cama de Mirok.

Por que de repente eu estou com tantos ciúmes do Inuyasha?!

Ah, não me respondam. Eu sei exatamente a besteira que vocês diriam.

-Mentira, Inuyasha.Tem algo que você não quer me contar e está cheirando.E a garota nova, a Kagome?

-A dos peitões?

-Ela.

-Ela é gostosa, cara.Mas é a filha do diretor, sabe como é. E meio tontinha também, essas ai dão trabalho demais. E mais teimosa impossível. Quem sabe eu não dou uns pega nela.

Peitões?

Oh my.Devo dizer o estado da minha cara agora, depois que fui rotulada como "a dos peitões"?Bem, espero que a imaginação de vocês seja suficiente.

¬¬

-Inuyasha, você ta gostando dessa guria.

-Até parece.

-Sei sei, você é o pior mentiroso do mundo.

-Droga Mirok, onde estão as minhas cuecas?

O.o''

-As que você usou semana passada obviamente estão sujas!Que tal procurar as reservas na sua mala, ô anta?

-Boa idéia...

As unhas de Inuyasha por pouquíssimos milímetros não roçaram no meu braço, e eu instintivamente fui mais para o fundo da cama, varrendo a poeira com a minha roupa (¬¬), e tendo uma visão hilária da Sangô olhando para cima de soslaio, um sorrisinho meio bobo no rosto.

Oh my.Isso DEFINITIVAMENTE não é o Inuyasha.

Como o Inuyasha estaria fazendo cócegas nas minhas costas...?

-AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH, UMA BARATAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!

Sai voada de debaixo da cama, sem nenhum pensamento racional na cabeça diferente de "VÁ O MAIS LONGE POSSÍVEL DA BARATA!", e pulei para cima do objeto alto mais próximo: O Inuyasha (só de cuecas).

Depois que a adrenalina no meu sangue baixou e as sinapses do meu cérebro começaram a funcionar normalmente (...), eu notei a interessante situação em que me encontrava.

Totalmente coberta de poeira da cabeça aos pés, os cabelos arruinados por detritos que se encontravam debaixo da cama há possivelmente mais de cinqüenta anos, abraçada firmemente ao tronco do Inuyasha, as pernas o mais longe possível do chão fazendo aquela saia grotesca do uniforme voar em todas as direções, no colo do Inuyasha com uma cara que ia entre a surpresa, o riso e a malícia, vestindo (GRAÇAS AO BOM DEUS ele estava vestindo alguma coisa) uma samba-canção de ursinhos (se eu não estivesse em tão indecorosa situação, eu riria dos ursinhos azuis que povoavam a cuca do Inuyasha), o Mirok a um canto do quarto petrificado, Sangô sufocando risinhos sob a cama, e para completar, uma barata que dançava tonta no assoalho, a me assustar.

Com uma chinelada hostil, Inuyasha transformou a barata em uma massa marrom-acastanhada pegajosa e nojenta no chão.

Depois da morte da barata, houve um silêncio constrangedor, quebrado por Inuyasha.

-E então, ser, você vem sempre aqui?

Só então me dei conta da posição promíscua em que me encontrava.

Rapidamente me desvencilhei dos braços perfumados de Inuyasha, me desequilibrando e caindo sentada na cama dele, hipnotizada em seu sorriso perfeito de anúncio de pasta de dentes.

-Ora ora ora, uma espiã... e com cabelo com cheiro de shampoo de bebê... eu sempre te disse mirok, que as meninas vinham aqui para analisar meu corpo depois do banho...

¬¬

Convencido...

-Bem, Kagomezinha, você invadiu um local masculino um pouco, digamos, proibido para seres que não se chamem Inuyasha e Mirok.

-E...?

-E que ninguém sai impune.

E eu fiquei lá, de boca abrida.Ops, aberta.E não pelo que ele falava.Mas sim por seu tórax.Meu Deus, acho que o Apolo ia parecer um menininho mirrado se comparado com aquele tórax.Era...

-Kagome!

-Anh...?

Uau, eu acho que estava babando. Realmente, parabéns Kagome, você é sensacional, babando assim na presença de um menino que por acaso comentou a segundos atrás que você não passa de um pedaço de carne. Você realmente quer arruinar TODAS as suas chances de ser sociável, não?

-Kagome, você está sentenciada a passar a noite aqui.

-Aqui?No seu quarto?Acho que não...

-Ah, é? E quem vai impedir?

-Am, bem, sabe como é, um, a, já sei, a Sangô!

-A Sangô está bem longe, no refeitório para ser mais exato, ela nada pode fazer por você...

Eu estava prestes a revelar que Sangô se encontrava sob a cama a menos de um metro de mim, mas ela desesperadamente botou o dedo sobre os lábios, pedindo silêncio.

-Ah é, pois é, que coisa não... Enfim, dormir aqui? Sabe, acho que não dá não, to sem meus pijamas e tal...

-Isso não é problema!Muitas garotas dormem sem roupa, sabia?!

O.O''

Ai meu deusinho, me proteja dos males divinos desse corpo de Deus grego e dessa mente maliciosamente pervertida!

-Inuyasha, será que não dá para ser menos irritante e me deixar sai logo!Eu vou dormir na minha cama e ponto final!

Nossa, to ficando cada vez mais decidida ao longo dessa temporada num castelo masculino!

-Hey, gata, você sabe que quer ficar nesse quarto comigo...

-Cara, chamavam a minha avó de gata no tempo em que ela era gostosa...

Ele não ouviu o insulto que eu fiz à cantada dele,ele não parava de avançar lentamente para a cama onde eu estava sentada, como em um filme de terror. Lentamente ele ia me inebriando com aquele cheiro de banho recém tomado, as unhas passeando indiscretamente e muito de leve pelo meu braço, me causando arrepios maravilhosamente indesejáveis... Ai meu Deus, lá se vão anos de dedicação ao convento...

Então, ouviu-se um espirro violento e terrível, tão alto quanto uma campanhinha de celular, que teve o incrível poder de quebrar todo o clima entre mim e o Inuyasha. Mirok lançou um olhar inocente ao Hanyou, que levantou uma sobrancelha, atônito.Se Mirok não tinha espirrado, quem...?

Inuyasha forçou o olhar na direção do vão da cama de Mirok, onde só se via poeira remexida e uma faixa limpa de chão se destacando do resto do assoalho empoeirado.

-Mirok, é impressão minha ou tem alguém debaixo da sua cama?

Mirok, que tinha resgatado a sua toalha ao me ver, olhou incrédulo debaixo de sua cama, mas sua cabeça foi expulsa do vão da cama por um soco extremamente violento, deixando uma marca bem roxa em volta do olho do pobre menino.

É, parece que ela já evoluiu do tapa para o soco.

Mirok começou a lacrimejar como um bebê, uma mão sobre o olho marcado pelo soco violento de Sangô, que saiu elegantemente de debaixo da cama.

Eu gostaria de conseguir sair elegantemente de debaixo de uma cama, mesmo com fiapos de sujeira pendendo do corpo (como a Sangô), mas acho que isso seria meio impossível.

-Seu idiota. O que pensava que ia fazer com meu colar de bumerangue?Guardar de recordação, é?

Não sei como Mirok conseguiu responder, contando que ainda estava se recuperando tanto do soco como do susto que tinha acabado de levar.

-Nossa, Sangô, como você é implicante! Eu só peguei emprestado, mas eu ia devolver!

-Pegue isso emprestado e não devolva mais!

Dizendo isso, ela levou a mão espalmada contra face do garoto que ainda não estava roxa, mas Mirok segurou o pulso dela bem a tempo num perfeito movimento de luta marcial que não combinava nadinha com ele.

-Guria, não brinque com um homem que acabou de tomar um banho estupidamente gelado.

Nós três arregalamos os olhos para Mirok, que bufava exasperado, ainda com o pulso de Sangô preso entre as mãos, sua respiração saindo como uma fumacinha de seu nariz.

-Ele costuma dar medo assim?

Sussurrei para Inuyasha, bem baixinho para que apenas ele ouvisse, mas acho que ele estava mais assustado que eu.

Acho que o soco da Sangô conseguiu afetar o cérebro dele.

-Na verdade, essas crises que dão medo são raras...

Ele sussurrou numa voz sumida que me fez perceber que era melhor não falar nada enquanto Mirok começava seu discurso inflamado.

-Mi... Mirok...?

Sangô olhava escandalizada para ele, tentando muito suavemente livrar a mão do aperto do rapaz, seus olhos esbugalhados em terror por estar tão próxima daquela fera.

Mirok então levantou os olhos e a encarou-a tão fundo, uma raiva contida se revelando naquele olhar.

Decididamente eu não queria estar na pele da Sangô.

Parecia que a Sangô estava pensando o mesmo que eu.

Mirok abriu a boca para falar mais alguma coisa, mas desistiu, e, ao invés disso, puxou Sangô mais para perto, a lá Zorro, e a beijou.

Ai.Meu.Deus.

Esse momento ganha o prêmio Awards para os momentos mais inusitados da minha vida.

Recapitulando: Eu estou no quarto de um dos garotos mais gatos do mundo, que por acaso está de cuecas, me fazendo ficar da cor de um tomate toda vez que meu olhar se desvia pra lá, encolhida em um canto da cama dele, olhando uma cena em que a minha amiga Sangô é agarrada por um dos meninos que ela mais odeia no mundo.

Bem, eu não acho que muitas meninas do mundo já tenham presenciado cenas como essa.

Do nada, Sangô pareceu perceber o que estava fazendo (se agarrando com o Mirok, O MIROK, estando ele apenas de toalha, o que tornava tudo um pouco mais desagradável) e se desprendeu dele (com grande dificuldade moral, devo acrescentar), e me agarrou pelo pulso antes de voar porta afora.

-Vem, Kagome!

Ela disse de maneira bem assassina, quase deixando meu pulso roxo.Inuyasha, porém, me puxou pelo outro braço, com um olhar de cachorro pidão naqueles olhos irresistíveis.

Ah meu deus, aquela carinha... Me fazia querer ficar naquele quarto por toda a eternidade!Os olhos enormes, as orelhinhas caídas, a boca num biquinho digno de um nenê, além do corpo, que não lembrava em nada o de um nenê!

Mas o puxão da Sangô foi mais resoluto e logo eu estava longe das garras e olhos hipnóticos do Inuyasha, correndo corredor abaixo até o nosso próprio quarto.

Aquilo eram... Lágrimas?

Sangô passou pela porta do quarto como o furacão Katrina, e simplesmente me jogou dentro do cômodo, batendo a porta com tanta força que deve ter assustado os passarinhos a Kilômetros de distância.

Pobres passarinhos.

-Ai, Kagome... O que foi que eu fiz?

-Beijou o Mirok, horas.

Pelo olhar raivoso que ela me mandou, eu descobri que era uma pergunta retórica.

E que eu sou uma péssima conselheira.

Blah.

-Kagome, que besteira foi esse coisa enorme que eu fiz?!Meu deus, eu não acredito... Mas, mesmo que eu devesse, eu não me arrependo... Ai, foi tão perfeito, tão não-Mirok!

-Sangô, você gosta dele?

Ah, não me culpem, eu sou iniciante nesse troço de dar conselhos...

-Às vezes, sim. Mas às vezes eu odeio tanto que é difícil me suportar...

-Mas eu sei que eu não posso ter esperanças, por que logo depois ele aparece com mais uma vadia da vida desfilando só de lingerie, por que é nisso que ele está interessado!

-Em Lingeries?

Mais um olhar fatal e amedrontador.

-Não, Kagome, mulheres!No plural!É por isso que eu não posso simplesmente dizer que eu gosto dele, por que no minuto seguinte ele ia reduzir meu coração a pedaços!

-Se ele não gosta de você, por que ele te beijou então?

Ah, não me culpem.Eu estava confusa!

-Porqueelegostademulheres!

Tah, tah, já entendi!

-Ai, Kagome, nunca seja idiota o bastante para se apaixonar por um... daqueles.

Não se preocupe... esse é um conselho que eu vou seguir a risca.

E vocês, leitores, nem pensem em rir da minha cara!Eu realmente NÃO vou me apaixonar por ele!

Enfim, com enorme espanto, eu constatei que passavam das onze horas da noite, e que amanhã teríamos aula bem cedo.

E que eu ainda estava com fome, pois nem tinha jantado com toda essa história de quarto-de-garoto-seminu.

Oh, beleza de dia!


Quando eu acordei, já era quase sete horas, portanto, estávamos oficialmente atrasadas.Beleza.

Sangô já estava de pé, o uniforme muito bem adaptado ao corpo perfeito dela, com uma cara de "bom dia".Sinceramente, levando em conta que são seis e cinqüenta da manhã, quando o sol ainda nem despontou, e que ontem ela foi praticamente violentada pelo Mirok, ela está até de ótimo humor.

-Umm, qual o horário para hoje?

-Bem, hoje temos matemática, história, artes, educação física e dupla de Japonês. Beleza. Melhor dia da semana ¬¬.

-Perai, a aula de Educação Física não tinha algo de importante...?

-Ahh, é!Bem lembrado Kagome!Hoje é dia de piscina!Graças de Deus! \o/

-Mas, eu não tenho roupa de banho, a aliás, eu to menstruada...

Era só uma desculpa, por que, como minha mãe dizia, eu tenho alma de gato. Detesto água fria.Sério mesmo. É quase uma fobia. Lembra daquele banho demoníaco no chuveiro dos garotos?É, foi um suplício.

Enfim, que pena, sabe, que eu não vou poder nadar...

-Ah, não se preocupe.Você pode usar a minha roupa de banho do ano passado, e nessas escolas internas eles não consideram "aqueles dias" como uma desculpa.

É impressão minha ou eu ando usando muito as roupas da Sangô?

-Ah, que massa, vou nadar deixando um rastro vermelho por onde passo.Beleza.

O.Ô

-Não se preocupe, o sangramento costuma parar quando se entra na piscina... Tá aqui.Não são do uniforme por que eu estudava em um outro colégio ano passado, e bem, eu nem acredito que eu estou com ele já que a gente deveria estar de férias, e não indo para as aulas (¬¬), mas como você é mais ou menos do meu tamanho, acho que vai caber.

Meti o embrulho plástico de roupa de banho que sangô meu deu na mochila com um muxoxo, pegando o resto do material que meu pai tinha me emprestado temporariamente e rumando para o corredor.O dia prometia ser uma "beleza".

¬¬


-Kagome!

-Ah?

A sala toda olhava para mim, os rostos masculinos quase rindo da minha cara.Aparentemente eu andava desenhando florzinhas deformadas no caderno ao invés de prestar atenção nas palavras do professor de matemática e seus gigantescos óculos cor-de-vômito.

-Eu ia explicando para a turma a fórmula de Bhaskara para resolução de equações do segundo grau, mas como a senhora parece muito compenetrada, que tal explicar a senhora mesma?

-Com prazer! A fórmula é x² -b mais ou menos raiz de b²-4ac sobre 2a.

Não só o professor como a turma toda arregalou os olhos para mim. Sério, com se ninguém no mundo soubesse a fórmula de Bhaskara.

Bem, talvez, não nessa sala.

Perai, eu estudei isso esse ano na oitava série. Não é como se eu fosse um crânio em matemática ou coisa assim.

Ai então eu comecei a prestar atenção no assunto em pauta, e é a mesma matéria do ano que tinha acabado de acabar! Olha que sorte!

Pelo menos uma coisa boa nesse ano: eu não vou precisar estudar matemática!!!

No resto da aula, eu consegui entender tudo o que o professor disse (pela primeira vez um professor não estava falando o antigo dialeto russo por meio de hieróglifos) e ainda consegui fazer colocações interessantes!

Mas, como tudo que é bom acaba (T-T), e depois do doce vem o amargo (TT) no final da aula, o professor me chamou para falar com ele.

Eu não sei vocês, mas eu sou do tipo de aluna que acha bem possível o professor de repente decidir te morder e fazer churrasco com você.Eu não entendo aqueles alunos que conseguem abraçar os professores, falar com eles sobre outros assuntos que não a aula, ou até mesmo o extremo (repugnante, horroroso, terrível, infernal) fato de encontrá-los num shopping.

Sério, qualquer coisa, QUALQUER COISA, menos encontrar um professor num shopping.

Por esse interessante fato, quando o professor me chamou, como de costume, eu esperei o pior, tipo mais uma detenção ou uma advertência ou mesmo a expulsão por não estar prestando atenção na aula ou por sei lá, estar mascando chicletes (mesmo que eu nem estivesse mascando chicletes).

Mas o que ele me disse foi muito, MUITO pior.

-Senhorita Higurashi, notei durante as duas aulas que tivemos juntos que a senhorita tem uma certa aptidão para matemática.Bem, como alguns alunos não possuem a sua inclinação, a senhorita aceitaria dar um pequeno reforço, nada muito intensivo, em alguns nomes que eu tenho aqui?

Há.Kagome Higurashi.Monitora de matemática de baderneiros masculinos.

Por que as duas coisas não combinam?

Mas dizer não a um professor é algo que o faria assumir sua forma Hulk e me desintegrar em pedacinhos, o que decididamente não seria agradável.

-Mas é claro, professor, nada me daria mais prazer.

"Mas é claro, professor, nada me traria mais prazer"?

Sua hipócrita nojenta.

-Ok então, senhorita Higurashi.Hoje os meninos se reunirão na biblioteca a meu mando para estudar, seria ótimo se a senhorita aparecesse.Às oito e meia, na biblioteca do colégio.Muito obrigada pela colaboração.

-Eu é que agradeço professor, por essa oportunidade acadêmica. Vou ser pontual.

Hipócrita nojenta, ainda por cima ainda diz que vai ser pontual!Será que um dia eu posso tomar jeito?

Rumei então para a aula de Educação Física, que alguma coisa me dizia que ia ser a pior do dia...

Caramba, se ela conseguir superar a aula de matemática, eu realmente me aposento.


A piscina do colégio ficava na área externa, e era realmente grande, com uma água meio amarelada que dava a impressão de que a piscina estava implorando por um bom banho de cloro e ao lado dela, um corredor extenso com vários chuveiros. A turma toda se sentou nos azulejos azul-sabão (¬¬) que ladeavam a piscina, onde esperávamos que o nosso tutor nos desse as primeiras instruções.

Sentei-me ao lado de Sangô, esperando pelo ser sem sexo definido que nos dava aula de Educação Física. Logo ele saiu de um cubículo fedorento e começou a cuspir palavras em nossos pobres ouvidos.

-Alunos!Com a proximidade do recesso de verão, vejo que ainda falta o componente curricular da natação para vocês!Então, decidi dar essa matéria com urgência para vocês. Porém, eu me encontro impossibilitado de dar aulas aquáticas por um pequeno problema de odem, anh, pessoal...

Rápido como fogo, começou a rolar um boato de que o professor estava com um problema nos testículos.

Isso já é um progresso.Eu não sabia que esse ser sem sexo (agora aparentemente um homem, já que eu estava mais inclinada a achar que era uma mulher) possuía testículos.

-...então, eu lhes apresento sua professora substituta, a senhorita Hayshi.

De dentro do cubículo então irrompeu uma forma magra e esguia, com um maiô preto que cabia perfeitamente. Tinha longos cabelos muito negros presos em um rabo no alto da cabeça e os olhos negro-acastanhados.

A julgar pela opinião dos meninos, ela era bonita.

A julgar pelos comentários de ordem indecente (minhas bochechas ficaram vermelhas), ela tinha um corpo bonito.

Em outras palavras (segundo os meninos), gostosa.

Deixando de lado os comentários maldosos, vamos ouvir a professora.

-Bom dia alunos, sou Hayshi Kikyou, sua nova professora de natação. Gostaria de lembrá-los que não é permitido entrar na piscina sem touca, e que o óculos é um apetrecho muito bom para usar numa piscina.Brincadeiras de afogar não serão permitidas, e devo lembrar isso a alguns alunos em especial (ela fuzilou os olhos em algumas pessoas), além de coisas como briga de galo e aquilo que vocês chamam de "caldo" (muitos alunos falaram "aaaaaaaaaaaaaaa" depois que ela falou essa parte).Os avisos estão dados.Podem ir todos se trocar no vestiário.

A bagunça foi geral. Também me levantei e peguei minha mochila, em direção ao vestiário feminino.

Vestiário feminino?

Todos os garotos se dirigiam para um vestiário, e esse era o que chamamos de vestiário comunitário de TODOS os alunos.

Sabe, sem distinção de sexo.

E você ainda quer saber por quê?

Ta, eu explico por que.

POR QUE ESSA BUDEGA AQUI É UM COLÉGIO INTERNO EXCLUDIVO PARA GAROTOS!

Entendeu ou quer que eu desenhe?

Isso me dá mais um problema básico.

ONDE, cargas D'água, eu vou me trocar?

Graças a Deus a professora foi gentil e nos cedeu o seu cubículo fedorento cheio de privacidade (e de baratas nojentas também, para o meu profundo desgosto).

-Sangô. O. Que. É. Isso?

-Lá vem você com a sua neurose com roupas pequenas...

Pequenas?Só dá pra ver isso com um microscópio, CARAMBA!

Fui devagarinho pro espelho.

Sabe, dá medo se ver com uma coisa microscópica.

Oh my.

-Sangô, tem certeza que isso é um Maiô escolar?

Sangô nem se deu ao trabalho de responder.

Sacana.

Pois isso ta parecendo o maiô daquelas meninas de bar de strip-tease, quando elas ainda estão vestindo alguma coisa, claro. (¬¬).

Então, inesperadamente, algo borrachento verde-vômito acertou minha cara como um tapa violento, me cegando por alguns segundos. Quando retomei minha consciência, tirei aquela joça do meu rosto com as pontas dos dedos.

Uma touca.

Uma verde-vômito e surrada touca. Daquelas feitas de látex, que quando você a bota fica arrancando dolorosamente os cabelinhos da sua nuca como se fosse uma pinça.

Uma pinça do mal.

-Toma ai a touca da escola. É realmente uma coisa feia não?

Sangô já se apressava em vestir a sua, e definitivamente, a touca deformava a cabeça dela como se fosse a de um E.T., os cabelos se arrumando em um tumor bizarro no alto da cabeça.

-Caracas Kagome, depois dos coletes-salva-vidas, a touca com certeza é o maior inimigo da sensualidade feminina.

Nisso eu devo concordar com ela.

Lá fora se ouviu o apito da professora cortar o ar com um som agudo e irritante, indicando o atraso em que nos encontrávamos (novidade...). Sangô saiu com retrucando e me puxando pelo pulso, e mal deu tempo de enrolar meu pobre corpo semi desnudo na minha toalha de piscina (tinha um enorme pateta nela xD ), antes que eu fosse literalmente arremessada na área da piscina.

Era um set de filmagens perfeito para Baywatch.

Garotos de shorts de banho até quase os joelhos até onde a visão alcançava, era uma espécie de paraíso. Todos eles com as toucas em mãos e os abdomens bem a vista, onde eu e Sangô poderíamos analisar com os olhos. Meu deus, nunca vi tantas barrigas de quadradinhos na vida! Nossa, a rotina de exercícios dessa escola deve ser realmente puxada, pelo alto índice de garotos malhados a cada dez habitantes dessa escola. Eu e Sangô estávamos tão ocupadas nos deliciando com al visão (discretamente, claro), que não percebemos que éramos tão cobiçadas quanto eles.

Caracas, até me senti mais magra com aqueles olhares secantes vindos principalmente do Kouga.

Até que eu encontrei a barriga em quem eu daria o prêmio Nobel da malhação.Aquele abdome sarado eu reconheceria em qualquer lugar, seja aqui ou na lua.

Mas, quando subi o olhar para analisar sua face quase angelical, quase gargalhei de rir.

Inuyasha. De touca verde-vômito.TOOOOOOOOOOODO aquele cabelo prateado escondido dentro daquele pequeno embrulho de borracha?Era quase demais para se acreditar.

-Ei, garota, pare de rir, você também não é um colírio para os olhos de touca!

Parei de rir imediatamente. Como ele OUSA?

-Pelo menos eu não pareço com um Black Power verde quando uso uma touca!

Todos se aproximaram para analisar a briga. Pelo jeito Inuyasha era u tipo de líder respeitado e que tipicamente não deixaria um ser como eu (em outras palavras machistas, uma garota... ¬¬) o acusar de usar um Black Power verde.

Então ele começou a rir descontroladamente, uma risada que me dava medo (cite uma coisa que não me dá medo ¬¬), e chegou mais perto.

-Você vai se arrepender...

Ele disse muito baixinho, bem perto do meu ouvido, de modo que eu pudesse sentir seu hálito quente bem na minha nuca, me arrepiando e me deixando sem ação.

No segundo seguinte, ele segurou-me pela cintura e fez força para trás, me desequilibrando seriamente e me fazendo cair para trás, e quando faltavam apenas alguns poucos centímetros para que a superfície do meu corpo tocasse a gelada camada de água, eu parei.

Inuyasha me segurava pela cintura, se ele simplesmente soltasse lá ia eu por água abaixo.

Literalmente.

-Peça desculpas ou caia na água.

Um sorriso divertido se formou em seus lábios.

-Nunca.

Sorri igualmente um sorriso maldoso.

-Teimosa.

-Você nem tem idéia de como.

Nem o melhor médico do mundo poderia esclarecer com certeza o que estava havendo comigo, muito menos eu, tão pouco. Só o que eu sabia é que, num surto de falta de consciência (novidaaaade...), eu simplesmente tomei um impulso, indo para frente e depois com tudo para trás, indo em direção à piscina.

Com ele junto.

Não, nem tentem justificar tal ato de insanidade mórbida. Provavelmente um distúrbio cerebral grave provocado de uma queda de cima de um prédio quando criança, apenas isso.

Ai vocês se perguntam: Como uma quedinha de digamos, oito metros de altura, poderia afetar TANTO uma garota, a ponto de a mesma se derrubar em uma piscina com alguém como o Inuyasha, ser que não precisa de apresentações?

Ai eu respondo: Eu não sei!E realmente gostaria de saber, muito obrigada!

Só o que eu sei é que de repente todos os sons tinham desaparecido, todas as vozes, os cheiros, tudo. Vi-me então engolfada pela água da piscina, quase batendo nos ladrilhos que revestiam o chão, e uma nuvem incerta vindo como um turbilhão para cima de mim, seu rosto envolvido pelo azul-esverdeado opaco da água, apenas os olhos dourados cintilando com exatidão, como duas luzes guia brilhando no meio daquele cenário confuso cheio de bolhas fantasmagóricas, me fazendo ficar hipnotizada, sem falta de ar alguma, quase enfeitiçada.

Então, a falta de ar que não poderia ser atrasada nem mesmo por um par de olhos tão impressionantes se apossou do meu corpo e eu voltei para a superfície, ávida por entender o porquê do meu comportamento bizarro.

Quando emergi, todos os meninos me olhavam com admiração e divertimento. Ergui as sobrancelhas. Será que nunca tinham visto uma menina emergir de uma piscina?

Segundos depois, Inuyasha apareceu ao meu lado, retirando a touca com violência e fazendo todos aqueles fios prateados se espalharem à sua volta, boiando lindamente na piscina como uma aura prateada.

-Guria, você anda brincando muito com o fogo.

Ele fez menção de sair da piscina, mas quando a maioria se dispersou, ele me lançou um sorriso, um sorriso estranho, diferente dos sorrisos irônicos ou maliciosos de sempre. Era um sorriso... Verdadeiro.

O apito agudo e estridente da professora acabou com toda a magia como um balde de água gelada. Sai da piscina a muito contragosto, me juntando com o resto dos seres secos que esperavam as próximas instruções da professora Kikyo, esperando ávidos que ela tirasse o roupão de banho branco, que, juntando-se a seu maiô preto, dava a ela uma aparência de Cruela.

-Alunos, calma, por favor!Senhor Inuyasha, sabe muito bem que não pode entrar na piscina antes de passar no chuveiro! Senhorita Kagome, a senhorita não sabia das normas, apenas dessa vez está perdoada. Bem, depois do aquecimento padrão, passem no corredor dos chuveiros e se organizem nas raias, apenas duas pessoas por raia! As meninas fiquem juntas, por favor!

Depois do alongamento, foi um pandemônio quando, além de mim e Sangô, os vinte e quatro alunos da turma 8ªC (é, as turmas nos internatos são menores, para evitar bagunça demais, segundo o meu pai) se espremeram para passar entre o corredor dos chuveiros alagado, e depois pular, numa enorme algazarra e folia, dentro da piscina, retirando quase metade da água com o impulso.

Vi Kikyo soprar uma mecha que caia dos seus olhos com certa descrença.

-Okay, okay, organizem-se em suas raias!

Aulas de natação.

Sempre fui meio sedentária para aulas de natação. Mistura de água fria e exercícios físicos não é o que eu chamaria de paraíso, se é que me entende.

Então, digamos que a aula foi meio tediosa, sabe, chegadas de crawl e peito, os tiros, corridas que sempre ficavam entre Inuyasha e Kouga, além de alguns que não prestavam atenção quando a professora explicava o exercício de fora d'água só porque o maiô dela subia um pouco (e ela parecia bem consciente disso, embora não fizesse nada para impedir ¬¬ Hum, ninguém merece essas vacas... ops xD ).

-Kagome, você nada muito mal até mesmo para uma menina!

Senti minhas boxexas queimarem de raiva.Não que eu fosse uma boa nadadadora, muito longe disso, mas eu não ia deixar que um moleque como o Inuyasha falasse isso.

-Oras Inuyasha, aposto que ganho um tiro contra você!

-Então, que tal uma aposta?

-Pode mandar.

-Se você ganhar, eu te compro um chocolate.

-Certo.E se eu perder?

-Ai você vai ter de me comprar um chocolate.

-Feito.

Nem preciso dizer o resultado, né?

Perdi feio, eu ainda tava na metade na piscina quando ele chegou do outro lado.

Droga.Eu não acredito que estou devendo um chocolate para esse inútil.

Depois disso, a aula transcorreu tediosamente.

Meu deus, como eu odeio natação.

Mas então, eu percebi que todos caminhavam, ou nadavam, para um único propósito no fim da aula.

Jogo de Pólo.

-Dez minutos pessoal!Dividam-se em times de treze e NADA DE AFOGAMENTOS!

Todos tiraram a as toucas em gestos de violência oprimida (O.O) e começaram a escolher os times e se dividiram no canto raso da piscina, começando a disputar a bola com unhas e dentes (MUITO literalmente).

Sangô e eu ficamos em times opostos, e fomos para o gol, por que, segundo os líderes de nossos respectivos times, "éramos muito vulneráveis para permanecer no ataque".

Por um segundo eu fiquei realmente indignada, mas depois que vi a violência com que brigavam por causa daquela bola azul fiquei realmente grata que eu não estivesse no meio daquele furacão de bola, cabelos e água para todo lado.

Vez ou outra alguém conseguia driblar a defesa do meu time e vinha para cima de mim, a bola em punho e uma expressão assassina no rosto, mirando a mim e a gol com aquela maça de plástico duro.Nessas horas terríveis eu apenas abaixava na água, sob constantes protestos (muitas vezes baixos e vulgares ¬¬) do meu time, mas nunquinha que eu ia encarar aquela bola voando na velocidade do som na minha direção.

Pelo menos o nosso time estava ganhando de cinco a três, e esses antas não têm do que reclamar ¬¬.

Foi respondendo malcriadamente um desses protestos sobre os meus afogamentos repentinos quando a bola chegava perto que eu não percebi que um atacante do outro time chegava pelo lado oposto ao que eu estava virada, e foi tarde demais quando eu me virei para prestar atenção.

Basicamente, como as bolas de esportes têm paixão por mim, essa bola, lançado por algum ser que eu decididamente não quero saber quem, por que se eu souber quem, ele estará em maus lençóis ¬¬, veio na minha direção, onde a minha honorável cabeça se interpunha entre ela o buraco do golzinho de ferro que tinham colocado.

Tudo aconteceu em menos de um segundo.

Como manda aquela velha e maldita física, a bola simplesmente me acertou com toda a força que ela resguardava, que, além do mico que eu paguei, ainda me faz bater com mais força ainda na trave do gol, e de repente tudo começou a girar, como se eu tivesse acabado de beber um litro inteiro de Vodka, então começou a ficar preto...

Adeus, mundo cruel!

Pensando isso, senti os meus sentidos fugirem de mim como o Diabo foge da Cruz, e a última coisa que senti foi meu corpo afundando à lá Jack (de Titanic, naquela hora que ele congela e a Rose solta ele) e tudo de repente apagou-se.

Há!Tudo isso por causa de uma bola de pólo idiota.


-Nossa, será que uma bolada é o suficiente para fazer alguém desmaiar?

-Oras, julgando que foi o Kouga que lançou com a sua força Yokai maligna, eu não duvido nada...

-Eu só espero que ela esteja bem...

-Ora, quem não estaria?Ela já ta dormindo há quase quatro horas, perdeu as primeiras aulas da tarde e o almoço, e só tem alta à noite!

-Não seja tão invejosa, Sangô... Se quiser, eu posso te fazer desmaiar de amor...

TAP!

Anh... de quem estão falando?Onde eu estou...

Ai, minha cabeça!O que foi que aconteceu?Por que diabos tem um bando de seres olhando para mim...?

-Kagome, que bom que acordou!Está se sentindo bem? Ai meu Deus ficamos tão preocupados...

-Quem são vocês?E quem raios é essa Kagome?

-Ai Meu Deus, ela ficou com amnésia...

-Não estou com amnésia não, eu lembro perfeitamente de quem sou!Sou Napoleão Bonaparte e exijo que tragam meus súditos já!

Por algum motivo todos fizeram cara de taxo. Não é assim que se respeita um alto oficial do exército francês!

Foi quando um deles, talvez o mais bizarro, que tinha longos cabelos prateados brilhantes escorrendo pelo tronco, simplesmente ergueu a sobrancelha e meteu um tapa com toda a força na minha testa.

De repente, não sou mais Napoleão Bonaparte.

Acho que sou só Kagome Higurashi mesmo.

-Inuyasha! A menina está se recuperando de um trauma e você desce a mão nela?

-É. Isso fez bem à memória dela quer ver?

Ele se virou para mim.

-Quem ser você, ó ser bizarro?

Agora foi a vez dele levar um sopapo de mim. Quem é ele para me chamar de bizarra?Napoleão Bonaparte?

¬¬

-Viu?Ela já sabe quem é!

-Será que alguém pode me explicar o que me aconteceu?

Até agora eu só me lembrava de um monte de bolhas me rodeando enquanto eu me afundava naquela água opaca.

-Bem, basicamente você desmaiou no meio da piscina, e ninguém tinha ficado preocupado até o momento que quase meio minuto depois você ainda não tinha voltado para a superfície. Ai então te pescaram de lá e te levaram até a borda e fizeram boca-a-boca...

-QUEEEEEEEEEEE?

-Fica calma Kagome, foi só brincadeira do Inuyasha, ninguém fez boca-a-boca nenhum, eu não deixaria, calma. Enfim. Ai o senhor Inuyasha aqui se ofereceu para te levar à enfermaria por que você não acordava de jeito nenhum, já tava todo mundo meio preocupado, e sem perder tempo te pegou no colo e te trouxe até aqui. É claro que eu vim junto, eu não perderia essa oportunidade de perder aula por nada desse mundo.Ai então apareceu essa enfermeira com cara de cavalo pra dizer que só um poderia ficar aqui com você, e mesmo assim só até a hora do almoço, e faltava apenas alguns minutos, então

tivemos que voltar para a aula, e agora que acabaram as aulas do período da tarde...

-Meu deus!Eu fiquei dormindo aqui até às quatro horas da tarde?

Os três fizeram um sinal afirmativo.

-Caramba... Ai meu deus, ainda tem aquela $&$#& (para obter o efeito desejado, substitua por nomes feios) do reforço de matemática!

-Dês de quando você precisa de reforço de matemática?Você já é ótima!

-Não, eu não irei no reforça, eu darei o reforço!

Logo Sangô teve um ataque histérico de risos, o quer não foi muito caridoso da parte dela, se querem saber a minha opinião. Inuyasha levantou uma das sobrancelhas (por que todo mundo sabe levantar uma sobrancelha, menos eu? T-T), e suspirou. E eu nem quero saber o que isso significa.

A enfermeira cavalar (é, essa mesmo, a que lembrava um diabo ao avesso) então invadiu a enfermaria, que era um cubículo não muito grande, em que só cabiam cinco camas mais a maca de observação, relinchando com sua voz irritante que só era permitido um visitante por vez.

-Quando vou poder ser liberada?

-Bem, senhorita Higurashi, a julgar que não foi nada muito sério, e que a senhorita dormiu tanto não pelo desmaio, mas sim pelo calmante que eu lhe injetei, eu te liberarei logo na hora do jantar, daqui a umas três horas.

Nesse meio tempo, entre o fim das aulas da tarde e o jantar, era o tempo que os alunos usavam para tomar banho e fazer os deveres, pelo menos os menos irresponsáveis (duvido que haja alguém realmente responsável num internato para garotos), e eu estarei aqui, morgando sozinha aqui nessa ala hospitalar com cheiro de desinfetante e antibiótico.

Oh beleza.

Todos se retiraram, menos o Inuyasha, que ajudou a me alimentar quando a enfermeira trouxe o meu almoço, um copinho

-Ah, enfermeira, não posso ser liberada não? Já me sinto muito bem \o/

Ele me lançou um olhar que me fez murchar que nem planta sem água, e eu deitei novamente a cabeça no travesseiro, desanimada com a perspectiva do "dia perfeito" que viria pela frente ¬¬.

A enfermeira (lembrar de perguntar o nome dela) saiu da ala, recomendando-me que eu ficasse quietinha e já voltava, pois ia buscar mais xarope de milho verde pra mim, que, segundo ela, é excelente para vítimas de afogamento.

O único detalhe é que eu não sou vítima de afogamento.

Beleza.

As horas arrastavam-se lentas e doloridas, ainda mais para quem via o tempo passar de dentro de uma enfermaria, olhando o sol mudar de posição pela janela no gramado de jardim, sendo fielmente vigiada por uma enfermeira que tinha um parentesco direto com eqüinos, interrompidas por uns poucos alunos que invadiam a sala com mínimos arranhões, dizendo que por isso não podiam assistir mais às aulas, prontamente expulsos pela Srta.Cara de Cavalo (enquanto ela não tem um nome, vou chamá-la assim xD).

Foi então que eu decidi me rebelar contra o sistema.Sério mesmo.Nenhum mortal merece ficar trancafiado numa enfermaria nas mesmas condições que eu, esperando três mil anos pela hora do jantar!Sério, aquela cavala vai ter de se contentar em ter uma paciente fugitiva.

Enquanto ela ia arranjar xarope de milho verde não sei onde, eu desci rapidamente da cama, arrumando os lençóis e retirando de debaixo do travesseiro todos os comprimidos que eu não tomara (to me sentindo uma garota má xP) e jogando-os pela janela (agora mais ainda huhuhuhuhu), para que ela não descobrisse.

Mas para fugir porta afora, ainda havia um empecilho: minhas roupas. Eu tava usando um daqueles uniformes de enfermaria que não têm pano nenhum atrás, e eu não via absolutamente nada mais para vestir, a não ser...

O maiô escolar que estava pendurado do lado de fora da janela da enfermaria, e era a única outra coisa que dava para vestir, pelo menos provisoriamente, até que eu conseguisse alcançar o meu dormitório. Depois de ponderar por uns dois segundos, decidi que era a melhor coisa a fazer, e em menos de um segundo roubei o maiô que descansava na sacada, vestindo-o por trás do biombo que estava ali.

Depois de verificar se estava tudo normal no corredor, sai, fechando cuidadosamente a porta trás de mim.Não queria ser pega no flagra logo nessa hora de dificuldade mórbida, em que me tornava oficialmente uma fugitiva da enfermaria.Me esgueirando pelo corredor principal, consegui não ser vista por ninguém trajando aquele Maiô terrivelmente feioso e mínimo.

Quando virei no segundo corredor, ouvi passos e risadas alegres. Alunos!Isso mesmo, no masculino! (Não, jura... ¬¬). Olhei em volta. Só havia algumas portas com aparência trancada e uma armário de casacos com portas duplas de madeira. Não demorei por me decidir (Por que SEMPRE o armário de casacos...?) e me joguei lá dentro, ficando espremida entre capas de chuvas e peles falsas com cheiro forte de naftalina, analisando o exterior pela fechadura monstruosa daquele armário milenar.

Um pequeno grupo de alunos da sétima passou rindo, os cadernos e livros em punho, provavelmente rumando para a biblioteca. Suspirei aliviada que nenhum desejasse um casaco naquele momento.

Porém, quando eu ia ranger a porta devagarzinho para abri-la, o ruído suave de passos leves me fez gelar no lugar em que estava (entre uma pele falsa de dálmata e um casaco de couro de algo que parecia morcego), e fechar rapidamente a porta.Quem vinha era Sesshoumaru (para a minha extrema e notável sorte...), mas graças a todos os deuses e heróis que habitam esse plano da existência, ele vinha acompanhado, conversando normalmente (?) com ninguém menos que Rin, a professora de artes!

Sabe o absurdo do uso da palavra "normalmente" quando ela é empregada na mesma frase em que haja a palavra "Sesshoumaru"? Ainda mais quando a palavra "Rin" também povoa a mesma sentença?

Parei de exclamar comigo mesma e pus-me a observar os dois adultos que conversavam calmamente sobre algo que não tinha nada a ver com a escola (sabe como é incomum dois funcionários de uma mesma escola conseguirem conversar sobre algo que não tenha nada envolvido com essa mesma instituição?), e Rin ria alegremente, fazendo balançar a mechas de chocolate, e mesmo que Sesshoumaru tentasse fazer a pose fria e sombria de sempre, ele não conseguia evitar o ato de sorrir.

Sorrir.

Estamos vendo Sesshoumaru sorrindo.

Sério.O que diabos está acontecendo com o mundo?

Foi então que a porta do armário se abriu bruscamente, o sol queimando meus olhos com sua radiação repentina. Vi que o dono das mãos que abriram o armário era ele mesmo, o senhor da tortura e do inferno, Matzuyama Sesshoumaru.

Fechei os olhos, esperando ser agarrada pelas alcinhas ridículas do meu maiô e ser questionada brutalmente sobre meus atos, enquanto aqueles olhos dourados liam a minha pobre mente insana.

Por algum motivo, minhas melodramáticas expectativas não se concretizaram.

Experimentei abrir um pouquinho só dos olhos, e só puder ver a espessa cabeleira do Yokai, o que dizia que ele estava de costas para mim, enquanto tentava pegar um casaco com as garras.

Ele olhava para Rin, ao invés de prestar atenção ao que estava fazendo.

Definitivamente isso é muito estranho.

Antes que ele botasse as garras em mim, no intuito de procurar casacos, peguei um cabide com um casaco preto e marrom confortável e de um aspecto um pouco melhor do que o resto de casacos que ali se encontravam, e dei um jeito de Sesshoumaru escolher aquele cabide.

Sesshoumaru, satisfeito com a escolha "dele", tirou o casaco do cabide e ofereceu à moça, dizendo que ela poderia sentir frio, pois estava começando a esfriar.

Fiquei de cara no chão, ou deveria dizer de cara na porta de madeira que quase quebrou meu nariz quando Sesshoumaru a fechou com violência na minha fuça.

Sesshoumaru? Estou profundamente decepcionada com você.

Primeiro, você abre um armário que abriga uma fugitiva fora da lei e simplesmente NÃO A NOTA!Depois, você ainda pega um casaco e o oferece a uma outra pessoa que não você, ainda por cima sorrindo!

Há há.Onde o mundo vai parar?

Minha vontade foi de sair daquele armário e esbravejar com todas as minhas forças, fazendo aquele míope me notar, não importando como, e me dar uma detenção que eu mereço, ao invés de sair atrás de um rabo de saia... Isso me deu uma profunda descrença nos educadores de hoje em dia, sabia?

Ops. Acho que meu pai não vai ficar muito feliz se souber que seu "namoradinho" anda enamorado por outra...

Enfim, quando eu saí do armário, e ia começar a pular e gritar, senti uma mão envolver minha boca e a outra envolver minhas mãos, me segurando firmemente.

-Você perdeu o restinho de cabeça que você tinha antes do desmaio, é?

Sangô perguntou abismada.

-Oras...

-Nada de mas.Vamos, eu ia agora te libertar daquela prisão cheirando a xarope, mas vejo (e não sei como) que você fez isso sozinha.Então vamos para o quarto, já são quase seis horas e ainda tem dever para amanhã.


É realmente humilhante como a vida de uma colegial num internato para garotos pode ser infeliz. Sério. Agora eu acabei de reunir minhas coisas de matemática e botei-as na minha mochila, enquanto me arrasto pelo corredor morbidamente escuro e silencioso em direção à biblioteca, onde um bando de ignorantes me espera para dar alguma luz em seu caminha matemático.

Blah. Patético.

Quando entrei na sala de estudos, um bando de garotos já me esperava.

Bem, esperava não é bem a palavra.

Eles estavam tentando se matar com bolinhas de papel jogadas por canudos e avãozinhos aerodinâmicos feitos de rascunho, deixando a biblioteca coalhada de papel.

Não sei se foi por causa da perda de consciência que eu tive horas antes ou se foi o meu mau-humor extremo, mas de repente eu não estava nem um pouco a fim de ter rascunho no meu cabelo ao invés de dar aula.

-ESCUTEM AQUI, SEU BANDO DE BADERNEIROS, É MELHOR TODOS VOCÊS FICAREM QUIETINHOS AI, POR QUE VOCÊS ESTÃO AQUI PARA TER AULA DE MATEMÁTICA, E É EXATAMENTE ISSO QUE VOCÊS VÃO TER!

Todos me olharam estáticos, os olhos arregalados de medo enquanto eu bufava impaciente, tirando os resquícios de papel que ainda havia no meu cabelo e vestes. Ainda ouvi a bibliotecária sibilar pro meu lado, mas nem dei muita atenção, e sentei-me numa grande mesa redonda, abrindo os livros e analisando cada um daqueles baderneiros com os olhos em fogo.

Nunca brinque com uma menina de mau humor.

Pode ser perigoso.

Muito.

-Bem, como eu ia dizendo, você nunca deve esquecer de racionalizar uma fração quando o seu denominador é uma raiz...

Já fazia mais de uma hora que eu tirava a dúvidas daqueles seres acéfalos, e eu já começava a ficar exausta, mas acho que o relógio estava mais cansado do que eu, pela lentidão em que ele andava.

Foi nessa hora que a porta se abriu com violência, e Inuyasha entrou resfolegando como um rinoceronte.

Pronto. Acabou-se a paz.

-Inuyasha, achei que você não vinha.

Eu sibilei num sorriso falso, que ele nem notou.

-Desculpas a todos, mas eu estava um pouco ocupado.Será que podemos começar a aula? Tenho sérios problemas com matemática...

-Mas é claro, Inu querido.

Eu o fuzilei com olhar, por que sabia que ele ia tocar o terror ali, e eu poderia controlar todos, menos ele.

Ele sentou-se na cadeira vaga ao meu lado, visivelmente desinteressado com o conteúdo que eu estava tentando explicar a duras penas.

-Inuyasha, será que dá para prestar atenção em alguma coisa que eu digo?

-Não?

-Ah, obrigada.

Eu repliquei com sarcasmo. Não disse que ele era a única peste que eu não conseguia controlar?

Uma peste muito gata, diga-se de passagem.

Mas também, esse é a única qualidade que ele tem, por que no resto, ninguém merece.

-Tudo bem, mas só porque a prova é depois de amanhã.

Então ele se debruçou em mim, prestando atenção no papel que eu tinha logo abaixo de mim na mesa.

-Comece a explicar logo, o CDF.

Como explicar a ele que eu não consigo explicar nada direito se tem um hálito arrepiando o meu pescoço...

-Olha, Inuyasha, é até bem fácil, é só trazer esse número para cá e trocar o x de lugar...

De repente, parece que o relógio tomou algo fortificante e começou a correr bem rápido, e eu nem notei que chegaram 11 horas.

-Gente, olha só a hora!Já ta quase na hora do toque de recolher e a gente ta aqui na biblioteca...

-Isso me dá uma idéia...

Um dos meninos, o mais pentelho deles, que fazia a sétima ´serie, fez uma cara maquiavélica ou dizer isso.Tanto que me deu medo.

Todos os outros garotos se viraram para ele, ávidos por diversão.

Meu deus.

-Que tal alguma histórias de terror?

Lá vamos nós.


Sentamo-nos todos em um círculo, logo atrás das últimas prateleiras daquela biblioteca enrome². Algum dos garotos, não faço a mínima idéia de por que, trazia uma lanterna na mochila, e, aproveitando-se da pouca claridade naquela região, ficou decidido que quem tivesse a lanterna podia falar, iluminando de debaixo o rosto com ela, de modo que ficasse aquela aparência misteriosa.

-Posso começar?

O Kouga replicou de onde estava sentado.

-Eu vou contar uma história real, que não tem nada de fantástica, que aconteceu com o amigo de um amigo meu.

¬¬

"Era uma noite escura e fria, e a pobre menininha, Suzie, tinha ficado sozinha em casa, pois os pais tinham saído para jantar.Suzie era uma meiga menininha de oito anos, cachinhos dourados como o sol e olhos azuis bem claros, como uma os pais de Suzie saiam muito, e Suzie era filha única, eles decidiram dar a Suzie o Robbie, um belo pastor alemão castanho muito fiel a sua doce dona.Nesse dia, Suzie ficou vendo tevê com Robbie ao seu lado, quando barulhos a assustaram.Robbie levantou as orelhas, mas continuou fiel onde estava.Suzie decidiu que não teria mais tanto medo se fosse dormir, então como de costume, Robbie entrou debaixo da cama dela e ficou lá até que durmisse.
"No meio da noite, Suzie acordou com um ruído qualquer, e como fazia toda vez que sentia medo, botou os dedos embaixo da cama para que Robbie os lambesse, então quando senti sua língua úmida entre seus dedos ela se sentiu mais segura, então levantou-se pêra ir ao banheiro.
"Porém , quando entrou no cômodo, viu seu amado Robbie esquartejado no chão e uma mensagem no espelho, escrito com o sangue do próprio cão: 'Quem lhe lambeu por baixo da cama fui eu, seus pais estão mortos, seu cão está morto, e agora será você'."

-Kouga, isso era para assustar?

-Era. Não assustou?

-Não.

-Vocês não entendem o sentido de medo, seu bando de babosos.

-Babosos?

Ele continuou de bico fechado, por que tava de mal.

Enfim, não posso dizer nada da história, por que ela me deu medo O.O

Huahuahua, Inuyasha me chamaria de covarde se soubesse...

-Ei, garota, por que você ta tremendo?

Ah não...

-Não fica assim, ta?

E ele me deu um abraço. Eu nem tive como pensar que isso não era nem um pouco típico dele simplesmente por que eu já não tinha pensamentos quando o corpo dele me envolveu.

Golpe baixo.

Foi meio que abraçada com ele (MEIO QUE , viu? Eu não tava agarrada com ele ta!?) que eu ouvi mais duas histórias terrivelmente apavorantes (a do exorcister e uma de vampiros).

Mas a gota d'água foi quando um moleque tirou um boneco Chuck em tamanho natural da mochila.

Sério, eu já não sei mais por que esses moleques carregam essas coisas na mochila.

E bem, se tem uma coisa que eu tenho medo é do chuck. Esse bonequinho do mal foi o principal atuante dos meus pesadelos quando pequena. Eu lembro dele quando ele botou um funcionário dentro da máquina de botar olhos nos bonecos, e a imagem daquele funcionário de olhos falsos saindo de dentro da máquina nunca saiu da minha mente.

Por isso, não me culpem pelo grito que eu dei quando aquele moleque sem-vergonha e ¬¢£¢³¢¢¬7 (novamente, para ter o efeito desejado, substitua por nomes feios) ligou aquele mini-chuck (que aliás, parecia muito real) e ele começou a dar passinhos de boneco, avançando na minha direção com aquela faquinha (que eu rezo a deus para que seja de plástico) e falando a frase " MAIS SANGUE" de maneira assustadoramente robótica.

-AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

Eu dei um chute mal angulado no boneco, que acabou acertando o nariz do Kouga MUITO sem querer, fazendo do nariz dele sagrar um pouco, e eu acabei no colo do Inuyasha (isso já está virando rotina ¬¬), e para completar o pandemônio, a bibliotecária acabou descobrindo que estávamos escondidos ali, o que foi ruim, pois já passava da meia noite e estávamos ali muito clandestinamente a mais ou menos uma hora depois do toque de recolher.

Sem contar que a visão dela não deve ter sido nada agradável, um bando de moleques sentados em círculo parecendo uma daquelas macumbas, uma menina no colo do Inuyasha, um menino praticamente menstruando pelo nariz e, para botar a cereja no topo do sorvete, uma réplica em tamanho natural do Chuck, o boneco assassino, se contorcendo no chão e dizendo "MAIS SANGUE" de uma maneira assustadora.

-Vocês todos!O que estão fazendo aqui?Voltem AGORA para os seus respectivos quartos ou serei obrigada a chamar Sesshoumaru! E você, venha comigo, te levarei para a enfermaria, ou temo que você acabe com o sangue do corpo...

T-T

Eu não acredito que eu deixei o ser sem nariz.

E eu também não acredito que o Inuyasha está me levando para o meu quarto no colo.

Ta, essa frase não ficou muito legal.

Eu espero que a mente de vocês não seja poluída O.O.

Por que não é nada disso que vocês estão pensando.

Ele ta me levando meio que a força.

-Inuyasha, me solta!

Nós tínhamos chegado a um corredor vazio meio longe da biblioteca, e todos já haviam se dispersado, o silêncio era absoluto e estava tudo meio escuro.

-Inuyasha, seu Baka, para onde você me trouxe?

Ele deu de ombros e continuou andando, não me dando atenção e me esquecendo no meio do corredor.

Por que é que Murphy me marca tanto?

Eu poderia muito bem achar o caminho do meu quarto sozinha, muito obrigada.

Mas havia um pequeno problema.

Estava escuro.

Não que eu tenha medo do escuro, muito pelo contrário.

Ta, não tão pelo contrário assim.

Enfim, não fuja do assunto!O assunto é que, bem, eu tinha acabado de ouvir umas histórias realmente assustadoras e não queria ficar andando por ai sozinha.

Olhei para os dois lados do corredor.

Em um dos lados, as paredes desapareciam dentro da escuridão de um modo que eu não podia ver mais nada depois de alguns metros.

Sabe-se lá o que se escondia no meio daquela escuridão...

Do outro lado do corredor, a cabeleira cor de prata do Inuyasha brilhava como um farol no meio daquele breu todo, refletindo a luz da lua que entrava por algumas janelinhas bem no alto das paredes.

Olhei novamente para o "dark side" do corredor e depois para a luz que se desprendia do Inuyasha, e nem preciso dizer pra que lado eu me decidi.

É OBVIO que pelo lado escuro, né povo?

Brincadeirinha.

Mas quando eu olhei para o lado em que o Inuyasha deveria estar, notei que ele havia desaparecido, deixando o corredor num total breu, apenas com algumas nesgas de luz que vinham daquelas janelinhas do mal lá em cima.

Ah, é agora que eu me desespero mesmo T-T to sozinha no meio de um corredor escuro, de onde o Chuck pode sair a qualquer momento...

Comecei a correr descontroladamente para o lado em que o Inuyasha tinha desaparecido, que por acaso era o lado menos sombrio daquele corredor do mal, o que mesmo assim não fazia muito diferença, por que eu só conseguia identificar alguma coisa a no máximo dois metros de distância.

Foi quando e bati em algo extremamente perfumado e macio, que me fez esquecer meu medo do escuro.

-Hei, moça, não consegue ver por onde anda?

Ele disse isso de um modo bastante carinhoso, mas mesmo assim irônico, e eu fiquei grata de ele existir, por que senão eu estar sozinha naquele breu.

-Eu não tenho culpa se você fica me assustando a noite toda...

¬¬

Baka.

De repente, num acesso de estranheza, ele parou de andar e se virou, me abraçou forte, como se eu nunca mais fosse voltar a viver depois de aquele momento.

Eu não pude fazer nada senão passar os braços pelas costas dele, e inconscientemente me pus nas pontas dos pés para alcançá-lo, e conseguir sentir direito o aroma inebriante que vinha do pescoço dele e que eu não conseguia identificar.

-Nunca mais me deixe sozinha, ouviu?

Eu senti o seu riso na minha nuca, então ele me encarou de volta. Engraçado. Por mais que eu procurasse eu não conseguia encontrar nenhum brilho sarcástico em seus olhos.

Ele tirou uma mecha daquela coisa que eu chamo de cabelo do meu olho, e sorriu quando eu enrubeci ao toque.

Um sorriso que me fez ficar mais vermelha ainda.

Eu já não tinha mais nenhum controle da situação. Eu só sei que eu enlouqueci totalmente quando o Inuyasha beijou a minha testa, eu não agüentei mais, eu simplesmente levantei a cabeça e deixei que ele colocasse os lábios sobre os meus.

A partir daquele momento, o mundo parou de existir, e só existia eu e ele. Sério. Quando ele mordiscou meu lábio, pedindo passagem, eu simplesmente enlouqueci e perdi toda a razão, e deixei que ele fizesse o que bem entendesse comigo. Toda a insegurança e o medo de fazer alguma besteira haviam desaparecido, só havia sobrado o arrepio em todo o corpo. Então eu botei suavemente as mãos em seu pescoço, correspondendo com ardor a tudo o que ele fazia comigo. Ele botou as mãos por baixo da minha camiseta nada feminina e começou a subir e descer as mãos nas minhas costas, deixando um rastro de fogo no meu corpo. Com a outra mão ele tirou a liga que mantinha os meus cabelos sob controle, e afundou-se neles, quase me matando. Eu não deixei barato, e comecei a sentir seus fios prateados entre meus dedos, e senti suas orelhinhas estremecerem ao meu toque. Mas ele simplesmente me fez tremer nas bases quando ele coçou a arranhar meu pescoço muito de leve com suas garras.

Esse menino conseguiu me tirar do sério.

E de uma maneira perfeita.

E ambos temos sorte de a minha consciência estar fora dessa galáxia.


Oi pessouinhas!!!

Ok ok, no desculpas no meu caso, não é?Mas mesmo assim eu tento xD

Digamos que a falta de inspiração se uniu às provas de oitava série e a uma vida pessoal um tanto remexida.Enfim. Eu devo pedir Mil perdoes ainda por outro motivo: Como eu viajarei para bem longe em bem pouco tempo, não terei tempo para responder devidamente aos Reviews, mas muitíssimo obrigada a todooos que comentaram, e espero que perdoem a minha negligência T-T eu realmente peço desculpas, por que eu adoooooooooro responder aos Reviews, mas era isso ou vocês só recebiam os cap em fevereiro do ano que vêm Muahahahahahha

Enfim, espero que me perdoem T-T mas não foi por querer!Mas eu fiquei super feliz com todos os comentários, vocês não imaginam como é gratificante e como me deixa extasiada ( e a todos os writters imagino) receber reviews \o/

Enfim, é a minha primeira cena de Beijo, então espero que relevem, por que eu sei que beijos não são exatamente o meu forte. ¬¬

Enfim, não sei se ainda postarei esse ano, em todo casa, feliz natal e um maravilhoso ano novo!!!

Mil beijos!

Mari Moon