Cap. 11 – Destino
Leon andou pelas ruas da cidade e viu a porta de uma casa aberta. Entrou naquela casa estranha, com poucos móveis. De repente, sentiu uma coisa encostar no meio de suas costas.
- Coloque as mãos onde eu possa ver. – disse uma voz de mulher
- Desculpa, mas seguir as ordens de uma mulher não é meu estilo.
– Levante as mãos agora!
E então, Leon segurou no braço da mulher, logo depois o girou e rapidamente colocou o braço atrás dela. A mulher tinha cabelos pretos e curtos. Leon segurou sua arma, mas a mulher deu um chute que fez com que a arma voasse alto; e então ela se apoiou com a mão no chão para fazer seu corpo girar para frente. Leon puxou a faca que estava guardada perto do peito e correu em direção à mulher. Ela conseguiu pegar a arma ainda no ar, girar nos dedos e apontar para Leon. Porém, foi interrompida pela faca de Leon, que já estava bem posicionada na garganta dela, fazendo-a ficar sem ação.
- Um conselho: use facas na próxima vez; funciona melhor com encontros próximos.
E então ele tomou a arma dela, tirou o pente e jogou a arma longe enquanto se afastava dela.
- Leon – a mulher tirou os óculos escuros – Quanto tempo que não te vejo.
- Ada... – Leon olhou bem para ela. Estava com algum tipo de vestido vermelho que não conseguia dizer direito como era o modelo. – Então é verdade...
- Verdade? Sobre o que? – disse Ada
- Você trabalhando com Wesker.
- Vejo que você tem feito seu dever de casa – ela largou sutilmente os óculos escuros, e eles caíram no chão.
- Por que, Ada?
- O que isso te importa?
- Por que você está aqui? Por que você apareceu assim?
Ada virou o pescoço para o lado direito com um sorriso debochado, desconsiderando qualquer importância que tinha aquela pergunta para Leon.
Neste momento, o óculos explodiu, causando um imenso clarão. Leon colocou os dois braços na frente do rosto, como instinto de proteção. Ada se jogou, deu uma cambalhota e pegou sua arma no chão.
- Vejo você por aí – então ela fugiu pela janela que estava à sua frente.
- Ada! – Leon disse, mas isso não foi o suficiente para fazê-la ficar.
E então, Leon abriu os olhos e olhou ao seu redor. Todo aquele cenário da casa, de Ada... estava se desfazendo, transformando-se em memória e fazendo que Leon perceba que aquilo não era a realidade, mas sim um sonho. Apertou os dedos nos olhos para conseguir enxergar melhor. Olhou mais uma vez ao redor e só viu cama, paredes, tapetes, televisão... Estava no hotel que havia se hospedado.
Ele sentou na cama e ficou parado, olhando para um ponto fixo no chão. Estava reprisando toda a cena do sonho em sua mente. "Trabalhando com Wesker? Isso não faz sentido algum" ele pensou. "Por que Ada conheceria Wesker? É tão aleatório. E por que ela disse 'Vejo que você tem feito seu dever de casa'? É completamente sem sentido. E 'seguir as ordens de uma mulher não é meu estilo' foi algo tão... sem noção" pensou.
E então, ele refletiu de por que tinha sonhado com aquilo. Achou que o fato de nunca ter aceitado bem o trabalho sujo de Ada com Han foi um motivo de ter sonhado tendo um diálogo louco como este e vendo-a fugir novamente dele, sem dar explicações!
Ele se levantou e pensou "que seja! Isso foi há um milhão de anos atrás. Tenho mais é que seguir em frente". E então, ele foi tomar um banho e se preparar para as coisas que iria fazer naquela cidade.
Leon visitou a catedral de Sevilha logo de primeira. Aproveitou a pausa entre uma missa e outra para tirar fotos daquele lugar lindo. Logo depois, visitou uma praça enorme que era o ponto turístico principal daquela cidade. Almoçou num restaurantezinho com decorações de mosaicos de ladrilho, andou mais pelas ruas apertadas daquela cidade, ruas que nem se comparavam às ruas de Nova York.
No dia seguinte, mais passeios, mais museus para visitar, bares para ir e encher a cara, e claro, avaliar mentalmente a beleza das mulheres locais.
À noite, lá estava Ada Wong trabalhando como bartender numa boate chique em Sevilha. Lá estava ela de calça preta, uma camisa cinza e um blazer preto. Estava preparando um Alexander para uma mulher um pouco mais velha que ela, que estava ali, em frente de Ada, fumando como uma pessoa triste. A boate era um lugar muito chique, com uma decoração bem moderninha, que fugia muito da decoração da cidade, que sempre há elementos católicos, elementos árabes, elementos de subúrbio espanhol antiquado.
Como em Nova York, disfarçava sua vida tendo um emprego mais simples, enquanto focava em outras coisas... Há pouco tempo, Ada havia trabalhado num museu de arte em Sevilha. Não havia homens que resistiam conversar com ela. Sua voz sempre sensual, quase todos seus movimentos são sempre tão sexy. Infelizmente, Ada caiu na tentação de tentar roubar dois leques antiguíssimos que estavam guardados no museu onde trabalhava. Infelizmente, sem Han e seus homens, não havia suporte para fazê-la roubar algo tão bem guardado. E, também, como ela venderia algo tão valioso no mercado negro simplesmente sozinha? Porém, no dia em que tentava abrir uma das salas da diretoria, foi abordada por um dos seguranças do lugar, Luis Sera. Um homem bonito, com olhos pequenos, cabelo grandes pretos até o ombro. Pela surpresa de Ada, Luis não a entregou logo em seguida, simplesmente conversou com ela, até achando graça naquela situação toda.
Luis não era nenhum santo. Já havia trabalhado com tráfico de drogas, mas antes que as coisas desmoronassem em cima dele, conseguiu sair do ramo, digamos assim. E então Luís agora trabalhava no museu de arte de Sevilha. Ele e Ada firmaram uma amizade, sendo uma das poucas pessoas que conversava com ela em inglês.
Ada agora tentava aceitar que a vida normal era uma coisa boa. Tentava ver que, apesar de não ter sempre sua adrenalina disparada enquanto trabalhava em algo que envolvia vida ou morte, ser presa ou não, ter uma vida pacata era melhor. Mas algo a prendia em pensamentos negativos. Não sabia dizer se era medo de ver os pais sendo reféns novamente de alguém e esse isolamento desencadeava mais vontade ainda de ter aquela vida de ladra, ou não sabia dizer se precisa de uma outra pessoa que a ajudasse nisso. Uma pessoa mais especial...
Às vezes, Ada não sabia dizer se sentia falta de Leon, ou se sentia falta dos momentos que passaram com ele. Era um troço que a confundia muito. Mas uma coisa tinha certeza: sentia tanta vergonha de Leon, que não sentia o mínimo de vontade de voltar para Nova York e ir até o único endereço que sabia dele até então.
Ada entregou o Alexander para a mulher que estava na sua frente, do outro lado do balcão. Dia de Open Bar sempre fazia pessoas tristes aparecerem e desabafarem sobre suas vidas. E Ada estava rezando para que não aparecesse um bando de gente choramingando no balcão. Mas ainda era cedo, e estava quase vazio. E quando ela se sentou na cadeira que ficava sempre perto do telefone de parede do bar, ela descansou um pouco sua mente dos pensamentos. E então, ela prestou atenção na música que estava tocando naquele momento. Era "Romeo and Juliet" do Dire Straits. E o Mark Knopfler cantava "… You shouldn't come around here, singing up to people like that. Anyway, what you gonna do about it? Juliet, the dice was loaded from the start. And I bet then you exploded in my heart. And I forget, the movie song. When you gonna realize it was just that the time was wrong, Juliet?"
De repente, Ada lembrou de Leon, pois havia sonhado com ele. O sonho não fazia sentido, mas ela e ele estavam numa casa, e ela apontava uma arma para as costas dele, ele tentava desarmá-la... Eles conversavam sobre coisas doidas do tipo "Ada trabalhar com Wesker", e então Ada tinha um óculos que explodia... Achou que aquele sonho todo era um sinal de remorso e se arrependeu das atitudes que teve perante a Leon. Teve seus pensamentos interrompidos quando a tal mulher triste e fumante pediu à Ada outro drink. Dessa vez, sex on the beach. Começou a preparar o suco de laranja, mas tentou não se desconectar da música. E o Mark Knopfler cantava agora "How can you look at me as if I was just another one of your deals? You can fall for chains of silver, you can fall for chains of gold. You can fall for pretty strangers and the promises they hold. You promised me everything, you promised me thick and thin, yeah. Now you just say "Oh Romeo, yeah, you know, I used to have a scene with him" Aí Ada já preparava aquele drink completamente de forma lenta e reflexiva.
- Esta canción es hermosa, no? (Essa música é linda, não?) – disse a mulher com o cigarro na mão,
- Sí, si – disse Ada enquanto afirmava com a cabeça. - Si no te importa, podría poner el cigarrillo? (Se não se importa, poderia apagar o cigarro?)
- Esa canción me deprime (Essa música me deprime) – disse a mulher enquanto apagava o cigarro no balcão.
As duas estavam quietas de novo. E agora a música dizia: "And all I do is miss you, and the way we used to be. All I do is keep the beat, the bad company. All I do is kiss you through the bars of a rhyme. Juliet, I'd do the stars with you any time."
Fez o drink Sex on the beach para a mulher e entregou devidamente decorado com pedaços de frutas na borda do copo. Novamente, estava ali sem ter o que fazer. Prestou atenção na música de novo, mas já estava no fim, e apenas ouviu Mark dizer "... you and me, babe, how about it?"
Terceiro dia, e lá estava Leon em outro ponto turístico. Ele estava na praça enorme. Leon estava apreciando aquela paisagem daquele ponto turístico. Estava sentindo a ressaca indo embora aos poucos. Havia bebido a noite toda e beijou alguma garota que não fazia a mínima idéia do nome dela, ou do rosto dela direito. Decidiu que não iria ficar se recuperando da sua ressaca o dia todo no hotel. Então, lá estava ele naquela praça enorme, onde havia passado alguns dias atrás. Havia uma construção enorme com uma curvatura do local que fazia parecer o formato de uma enseada. Havia um lago e várias pontes bem curvada que davam para uma parte de concreto no meio daquele lugar.
Leon estava ali, apoiado num certo tipo de balaustrada, observando o lugar e as pessoas. Não muito longe dele, estava a filha do presidente dos Estados Unidos, Ashley Graham, ali numa das pontes daquela praça. Ashley vestia uma blusa de manga que ia até os cotovelos, usava uma saia preta curta. Estava ali sozinha, pois havia brigado com seu pai no hotel, alegando que era grande o suficiente para sair sem um guarda-costas.
Ali na parte central da praça, tinha uma equipe de televisão filmando um pintor, que estava cedendo a uma entrevista. Mas não demorou muito para que toda aquela atenção da entrevista fosse mudada para Ashley. Numa tentativa falha de sentar no corrimão da ponte, Ashley caiu diretamente para o lago. Havia caído de mau jeito, com o corpo encurvado, de forma que entrasse muita água pelo nariz. Ela ficou desesperada e começou a gritar "Help!".
Leon percebeu o desespero da garota naquele lago e então, sem pensar muito, subiu na balaustrada e se jogou no lago para nadar até ela. A equipe de filmagem interrompeu a entrevista com o pintor na hora, e o cinegrafista correu para perto da borda da parte central, a fim de filmar a pessoa que caiu na água.
- Parece que alguien cayó en el agua! (Parece que alguém caiu na água) – disse a repórter.
E então, Leon se aproximou de Ashley e a colocou em seus braços. Ela não havia parado para olhar o rosto dele, já que estava o tempo todo tossindo e tentando tirar a água do nariz. Já estava acostumada com tantos guarda-costas, que não se espantaria se a pessoa que a havia salvado fosse um dos seus seguranças à paisana. Mas quando Ashley parou de tossir e olhou para o rosto do seu salvador, quase perdeu o ar. Ela achou Leon um dos caras mais bonitos que ela já viu. Ele era completamente o tipo dela.
- Agüenta firme, meu amor – Leon disse. E Ashley quase gritou de animação.
Leon conseguiu levar Ashley até a borda da parte central da praça. Ele sabia que havia alguns curiosos olhando para aquela cena, mas quando ele olhou para cima, logo após Ashley conseguir subir no chão firme, viu que havia uma repórter e um cinegrafista filmando toda aquela cena.
O pintor que estava sendo entrevistado resolveu ajudar Leon e Ashley a subirem para o chão firme, e então, lá estava Ashley e Leon sentados no meio daquela praça, com um cinegrafista filmando tudo e um grupo de pessoas ao redor assistindo a tudo, e aplaudindo Leon. As pessoas estavam felizes por ver um exemplo de que um ser humano pode se importar com um ser humano que nem conhece, mas mais felizes que aquele povo estava era Ashley, que parecia que havia ganhado um presente de Deus em pouquíssimos segundos.
"Um homem acabou de salvar uma garota! Meu Deus! Como vocês estão? Meu Deus… Acho que é a filha do presidente!" disse a repórter em espanhol, sem saber se narrava tudo aquilo que estava acontecendo para o seu cinegrafista, ou se colocava o microfone na frente de alguém.
- Minha nossa! – disse Ashley logo depois de segurar com firmeza o braço da repórter para perto de sua boca, para poder dar aquela entrevista - Eu estou tão em choque! – dizia em inglês, sem se importar se alguém dali iria entender o que estava falando. Começou a pentear a franja e o resto do cabelo com os dedos, a fim de parecer mais bonita – Eu nem sei muito o que dizer! Acho que devo minha vida para este homem aqui – e ela apontou para Leon, que nessa hora estava em pé, parado, sem saber muito o que fazer – Ele foi como um anjo na minha vida. Se ele não tivesse agido tão rápido para me ajudar, não sei o que teria acontecido! Acho que estou obrigada a fazer algo por ele – ela dizia animada, com um sorriso no rosto, como se fosse uma garota californiana patricinha de Beverly Hills.
Neste momento, a repórter se aproximou de Leon dizendo em espanhol "Senhor, conte-me mais do seu ato heróico. Como se sente em ter salvado a vida de alguém?". Porém, Leon não entendeu muito bem aquele espanhol Ficou tentando reprisar aquela frase que havia acabado de ouvir para saber se conseguia captar alguma tradução. Ele olhou para cima, começou a gaguejar um "Yo... Yo...". Seu cabelo estava completamente colado na testa e ao redor da cabeça. Sua camisa estava transparente, e todo seu abdômen podia ser visto, o que fazia Ashley olhar sem nenhum pudor.
- Yo no sé hablar español muy bien. Yo soy americano – concluiu Leon.
- Me conta sobre seu ato heróico. Como se sente em ter salvado a vida de alguém? – perguntou a reporter exatamente a mesma pergunta que havia feito em espanhol, mas agora em inglês.
- Bom, eu vi a cena toda. E a vi caindo e achei que tinha a responsabilidade de salvá-la. Bom... – Leon estava um pouco tímido com aquela entrevista – Acredito que todo mundo faria o mesmo que eu. Além disso, eu sou policial. É meu trabalho salvar vidas.
E então, a repórter deu as costas para Leon, e começou a repetir toda a frase de Leon, mas em espanhol para a câmera.
Antes que a repórter encerrasse a matéria, Ashley pediu o microfone. A repórter estendeu a mão segurando o microfone para Ashley, que disse:
- Bom, como filha do presidente, e como cidadã americana, quero dizer uma coisa boba. Pra quem acha que a policia dos Estados Unidos não é boa, este é um exemplo de que é assim! Caí num lago em Sevilha e fui salva por um americano! – ela disse completamente exaltada – De onde você é? – ela perguntou olhando para Leon, sem se importar com o microfone que estava perto de sua boca.
- Nova York – Leon respondeu quase resmungando.
Ada estava em casa, escrevendo uma carta em chinês para seu pai. Havia escrito na primeira linha "我 正在写 因为" (Eu estou escrevendo porque...) quando começou a se distrair com a televisão. Ada morava numa casa pitoresca e pequena junto com uma senhora de idade. A tal senhora, que se chamava Luzia, não tinha filhos, e quase todos seus parentes não moravam em Sevilha. As duas estavam na sala. Luzia sentada no sofá de frente para a televisão, e Ada sentada numa cadeira de descanso de frente para uma minúscula sacada, com portas para serem fechadas durante à noite. Ada segurava o caderno num braço e uma lápis com uma borracha na ponta com a outra mão.
A mulher na televisão começava a dar a notícia peculiar de que a filha do presidente dos Estados Unidos havia caído no lago da praça de Sevilha e foi resgatada também por um americano. Ada olhou de relance para a televisão, mas na hora que olhou, a reportagem estava no momento inicial, quando a repórter estava conversando ainda com o pintor. Mas agora estava olhando para o caderno de novo, para aqueles caracteres chineses. O homem que estava narrando aquela matéria dizia coisas como "a filha do presidente, Ashley Graham, de 20 anos, caiu da ponte da praça hoje e quase se afogou!" e "Mas por sorte, um jovem pulou na água logo em seguida para salvá-la" em espanhol.
Na televisão, começou a passar a filmagem do momento em que Leon nadava até Ashley. Ela gritava e se mexia muito, parecendo até a Olívia Palito se afogando e esperando pelo Popeye. Ashley tossiu, tentou tirar a água do nariz ao mesmo tempo que Leon a ajeitava nos braços. O pintor ficava ali perto da borda, no aguardo dos dois se aproximarem. As pessoas ao redor chegavam perto para ver, outras do outro lado do lago ficaram encostadas na balaustrada para ter uma visão melhor daquela cena toda. Ada não estava com a mínima vontade de olhar para aquela reportagem, sabendo que reportagens com presidente dos Estados Unidos, ou com algum parente do Presidente, eram tipos de reportagem que reprisavam em todos os canais e o dia todo.
Quando Ada escrevia os caracteres "我想" na folha de caderno, ouviu Luzia falar:
- Que hermoso!
E antes que Ashley parasse de falar, Ada olhou para a televisão e sentiu os olhos se arregalarem, o coração bater mais rápido e a boca abrir. Ou era Leon Kennedy que estava naquela reportagem ou era alguém muito parecido com ele. Havia se passado 6 anos, então ela não fazia a menor idéia de como Leon estaria agora.
Ada largou o caderno e o lápis em cima da cadeira que estava e se sentou no sofá, ao lado de Luzia. Esperou todo aquele blábláblá da Ashley, todo aquele blábláblá da repórter até chegar o momento em que Leon falaria. E quando Leon disse "Yo no sé hablar español muy bien. Yo soy americano" sentiu o coração gelar. Involuntariamente disse "Leon", fazendo com que Luzia percebesse que Ada o conhecia.
- Lo conoces? (Conhece ele?) perguntou Luzia, mas Ada ignorou completamente a pergunta dela.
Ouvir a voz de Leon naquela reportagem a fez perceber que aquele era o mesmo Leon que a conhecia. 100% Leon Scott Kennedy. E quando a reportagem estava no fim, ouviu Leon falar "Nova York" para Ashley. Quando a imagem voltou para o estúdio do programa, os repórteres apenas faziam piada daquela situação engraçada. E falavam de como aquilo seria o assunto do mês... ou do ano.
Ada esperou ansiosa por mais imagens do acontecimento, mas nada foi passado. Pegou o controle remoto e começou a trocar de canal a fim de procurar mais daquela reportagem, mas foi em vão. O único registro daquele acontecimento foi filmado pela câmera daquele cinegrafista. E então, Ada se levantou, foi até a cozinha, abriu a geladeira e pegou uma garrafa de água. Pegou um copo de vidro de cor marrom e o encheu de água. Bebeu daquela água pensando na probabilidade das coisas. Estava em Sevilha e, de repente, Leon aparecia em Sevilha também. Leon salvou a filha do presidente, fazendo com que aquela reportagem fosse passada no mundo inteiro. Se aquilo não houvesse acontecido, como ela saberia que Leon estava na mesma cidade que ela? Será que ele iria até o trabalho dela? Será que ela esbarraria com ele na rua?
Ada Wong só pensava em como iria se encontrar com ele.
