Título: Muito Bem Acompanhada

Autoras: Tati Cullen Hopkins e Nina Rickman

Beta Reader: Dany Fabra

Personagens: Severus Snape/Marlene McKinnon

Rated: T/M – Cenas de Sexo (NC)

Quando: Sétimo Ano – Época dos Marotos.

Disclaimer: Severus Snape, Marlene McKinnon e cia são personagens de JKR. E "Muito Bem Acompanhada" pertence a Universal Pictures. Ou seja:

Não vamos ganhar nenhum dinheiro com isso, essas humildes irmãs autoras de fic só querem reviews!

"REVIEWS, ASSIM COMO SEVERUS, FAZEM MILAGRES!"

Avisos: Como citado acima, os personagens são de JKR e o filme pertence à Universal Pictures. Mas a fanfic Muito Bem Acompanhada, sua temática, seu enredo, e tudo mais que a compreende, é de autoria única e exclusivamente nossa. Lembrando que, se existem algumas passagens aqui que não nos pertencem, essas foram postadas com autorização dos respectivos autores. Portanto, qualquer cópia – integral ou parcial –, adaptação, tradução, postagem ou afins sem a nossa autorização será denunciado sem piedade. Agradecemos pela atenção.

Agradecimentos: Às nossas queridas leitoras (e leitor!) que revisaram o Capítulo 10 e nos presentearam com suas reviews: Florence D. P. Snape, Moe Greenishrage, Olg'Austen, BCM, Suh Campbell, KaoriH, Audrey W. Gailey, Fernando, Ana Paula Prince, Emily Farias, Leather00Jacket, Bab's90 (bem-vinda!) e Gisele Weasley Potter.

Resumo do Capítulo: Numa festa cheia de imprevistos, onde tudo parece estar fora de controle, qualquer coisa pode acontecer...


– CAPÍTULO ONZE –

A FESTA

Uma semana se passou e finalmente o tão esperado dia da festa chegara. Já eram quase dezenove horas daquele sábado e Marlene ainda estava jogada na cama, escondendo de todos suas verdadeiras intenções para aquela noite. Nem Emmeline, sua melhor amiga, não sabia que ela e Severus pretendiam ir à festa.

Marlene viu a amiga saindo do banheiro timidamente, vestindo um lindo vestido rosa queimado estilo princesa, que realçava sua pele clara e tendo nos pés uma lindíssima sandália preta delicada que conferia ainda mais requinte ao traje.

– E então? – Emmeline perguntou receosa.

– Está linda! – Marlene respondeu com sinceridade. – E se depois de hoje o Benjy não te pedir em namoro, ele vai se ver comigo!

Emmeline enrubesceu.

– Você acha mesmo, Lene? – ela indagou esperançosa. – Ele disse que queria conversar comigo... Mas e se de repente ele disser que somos apenas bons amigos?

Bons amigos? – Marlene debochou, e se levantou para abraçar a amiga. – Me poupe! Não é de hoje que eu percebo esse clima de vocês!

– Tomara que você esteja certa então – respondeu a loira num sorriso, mas logo ficou séria. – É uma pena mesmo que você não vai...

– É uma pena mesmo – a morena concordou sem ênfase.

– Lene... – Emmeline começou em jeito. – Quando você permite que Snape te trate desse jeito... é porque você gosta dele?

Era incrível como essa pergunta ainda pegava Marlene de surpresa. E ela continuava negando.

– Claro que não, Emme – afirmou ela, justificando-se: – Severus não queria ir... e eu nem tenho nada pra fazer lá... Mas vá e aproveite a festa por mim!

– Tudo bem! – Emmeline assentiu, e depois de mais um abraço, saiu para encontrar Benjy na sala comunal.

Assim que Marlene se certificou de que a amiga já estava distante da Torre Corvinal, ela foi correndo tomar um banho e se arrumar meticulosamente para a festa. Como Severus lhe dissera, aqueles grifinórios teriam uma grande surpresa essa noite.

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Mais tarde, na sala comunal da Sonserina, Severus aguardava o momento de encontrar Marlene. Sim, ela mesma ficou de encontrá-lo para irem juntos à festa, pois a corvinal só poderia sair de sua Torre depois que Emmeline não estivesse mais por perto e eles não queriam que nada desse errado.

Próximo à hora combinada, Severus se dirigiu até a porta da sala comunal para sair. Mas quando abriu a porta, ele quase não acreditou no que viu à sua frente: Marlene tinha parte dos cabelos presos para trás e embaixo de uma capa, ele percebeu que sua "namorada" estava vestida apenas com um vestido preto muito decotado – os seios quase saltavam de tão expostos – e curtíssimos, que lhe deixavam as coxas expostas, terminando em botas pretas de cano alto com saltos finíssimos. Mesmo assim, Severus tentou esconder um pouco de entusiasmo ao vê-la naquela roupa e a olhou de cima a baixo com desprezo.

– Acho melhor você dar o fora daqui, garota – disse ele, e Marlene piscou chocada. – Daqui a pouco a minha namorada vai chegar e ela é muito ciumenta e muito desequilibrada também.

Ele fez menção de fechar a porta, mas Marlene colocou o pé no batente a tempo de impedi-lo.

– Você está louco, Severus? Sou eu, MARLENE, você não está me reconhecendo? – ela perguntou, e disse num grito quase desesperado: – EU sou a sua namorada!

– Não – ele debochou, mas falava tão sério que Marlene quase acreditou. – Mas talvez você volte a ser, quando resolver usar algo decente – e acrescentou uma ameaça: – Porque vestida assim, você não vai comigo a lugar nenhum!

– Mas o que é que tem de errado com a minha roupa? – insistiu ela, sem entender.

"Vestida como uma p..." – Severus refreou a palavra, até mesmo em pensamento. Nunca tinha visto Marlene com roupas que não fossem as da escola, e por um momento teve dúvidas de que aquilo que ela vestia realmente era uma roupa, já que parecia muito vulgar em sua opinião e a maquiagem forte que sujava o rosto dela não o contradizia quanto a isso. E quanto ao que estava errado... Para ele, estava tudo errado.

– Tudo bem – ele disse cínico. – Se não quiser trocar de roupa, não vai precisar. Eu não queria mesmo ir a essa festa... É um favor que você me faz!

E outra vez Severus fez que iria fechar a porta em sua cara, mas Marlene lançou o próprio corpo para frente, ficando entre ele e a porta entreaberta.

– Espera! – pediu ela, desesperada com a possibilidade. – Se você me deixar entrar e usar o seu banheiro, eu dou um jeito nisso!

Ele deu um suspiro impaciente e abriu a porta, dando passagem para Marlene.

– Obrigada – ela disse cínica ao passar por ele.

Marlene nem reparou muito onde estava, pois Severus logo tomou seu braço e a conduziu para o fundo da sala, onde ficavam as entradas para os dormitórios. O que a deixou surpresa mesmo, era o silêncio daquele lugar. Onde estavam todos aqueles sonserinos que ela via diariamente? Mas Marlene não teve tempo de pensar muito nisso, já que quando finalmente chegaram ao dormitório de Severus, ele a indicou o banheiro.

– Espero que você dê um jeito decente nessa... roupa – advertiu ele. – E não se preocupe – disse cínico –, eu não estou com pressa.

Marlene nem deu ouvidos; ele poderia não estar com pressa, mas ela estava e entrou no banheiro. Tirou apressadamente as botas e transfigurou o vestido, outrora preto, curto e decotado, num tomara-que-caia de seda azul royal, mais comportado, até a altura dos joelhos e com um decote não tão chamativo. Ela abriu a porta e viu Severus sentado na cama, então deu um passo à frente para se mostrar.

– Está melhor agora? – perguntou ela.

Severus deu-lhe uma olhada rápida, e ficou um pouco mais satisfeito com o que viu.

– Razoável – foi o que ele respondeu, desinteressado.

– Eu poderia devorá-la todinha se você deixasse... – disse uma terceira voz, vinda da porta.

Marlene se virou para ver: Regulus tinha aparecido ali de repente, e estava encostado ao batente da porta observando a cena. Com um movimento de varinha, Severus fez a porta bater na cara de Regulus literalmente, e envergonhada, ela correu de volta para dentro do banheiro.

Lá dentro, Marlene transfigurou as botas em sandálias altas e prateadas, de tiras muito finas ornadas com pequenas pedrarias e as colocou nos pés delicados. Ela deu uma rápida olhada no espelho e modificou a maquiagem também: as cores pesadas deram lugar a cores leves e sóbrias que ressaltavam sem exagero a pele pálida do seu rosto. A corvinal se olhou mais uma vez no espelho e o reflexo a deixara satisfeita. Atirando a capa às suas costas, ela finalmente saiu do banheiro.

Severus a olhou de novo, mas não disse nada.

– Pronto. Hm... – disse Marlene, como se temesse despertar Severus de um mantra silencioso. – Estou pronta e bem... Vamos?

De novo, ele nada respondeu; limitou-se a enlaçar seu braço ao dela e finalmente saíram para ir à festa.

Silêncio. Silêncio enquanto saíam da sala. Silêncio enquanto andavam pelos corredores. Aquilo definitivamente estava deixando Marlene incomodada.

Mas ela não entendia porque Severus estava agindo assim. Desde que Regulus aparecera momentos atrás, fazendo aquele comentário impróprio, ela percebeu que seu "namorado" ficara estranho. Agia como se... Não. Aquilo não era humanamente possível, não fazia sentido algum, pensou Marlene, emitindo um suspiro angustiado e impaciente.

Severus estava agindo como... Como um namorado ciumento? Com ciúme da sua roupa – que agora até ela concordava que havia exagerado no tamanho, ou melhor, na falta dele – e até da presença de um... amigo?, Marlene indagou-se para depois balançar a cabeça freneticamente e por um momento até temeu por Regulus. Mas depois, pensou que aquilo não fazia sentido algum; eles mantinham um plano pré-traçado, um teatro. Nada mais. No entanto, de fato a atitude dele estava deixando-a confusa e para se livrar daquele silêncio sepulcral, ela resolveu perguntar:

– Acha que Regulus percebeu?

Severus então voltou-se a ela.

– Sobre? – indagou ele.

– Sobre nós – disse ela num sussurro. – Sobre o nosso namoro ser de mentira...

– Creio que não – respondeu ele com sinceridade. – Ele não ouviu nada que pudesse levá-lo a qualquer conclusão.

Marlene então percebeu que, com essa resposta, o que quer que fosse que Regulus havia dito, já havia passado. Ou ao menos, Severus estava fingindo não ligar, pois sabia que ela não gostaria que ele tomasse nenhuma atitude mais extrema – se assim poderia chamar – em relação àquilo. Então olhou atenta para seu "namorado", só agora observando o que ele vestia: estava todo de preto, um pouco sombrio na opinião dela, e exalava aquele mesmo perfume amadeirado que a inebriava... Enfim, estava perfeito, e ela teve certeza que com ele ao seu lado, os dois estavam perfeitos para arrasar Sirius Black.

Severus notou que ela o olhava.

– Que foi? – ele quis saber o que tanto ela olhava nele.

– Nada – disse Marlene. – Eu não tinha reparado antes... Mas sabia que você até que é bonitinho?

Severus a olhou como se Marlene estivesse louca, e ela mesma ficou preocupada com as palavras que dissera, temendo que ele pudesse entender aquele comentário inocente de maneira errada. Mas ele só revirou os olhos e perguntou com deboche:

– A festa nem começou ainda e você já está de porre?

– Ah, é sério – disse Marlene. – Eu tenho alguns problemas quando bebo em excesso, mas até o momento, não há nenhuma gota de álcool no meu sangue – ela assegurou.

Ele riu sem humor.

– Nesse caso, eu agradeço – disse ele, por fim.

Ela sorriu.

– Por nada.

Quando ela terminou de falar, já estavam em frente à sala dos monitores, onde estava acontecendo a festa. De novo, Marlene foi apoderada por uma hesitação repentina, sem saber o que ia acontecer depois que entrassem ali. Ela olhou para Severus e disse temerosa:

– Severus... acho que eu não vou conseguir – ela disse nervosa. – Talvez fosse melhor se nós...

– ... fôssemos embora? – ele completou cínico. – Não. Já chegamos até aqui, relaxe – disse ele, segurando-a pelos ombros; ela tremia um pouco. – Senão, como vai conseguir mostrar ao cachorro que está tudo bem?

– Mas está tudo bem! – Marlene exaltou-se.

– Eu sei – ele concordou debochado, e sem esperar, abriu a porta.

Logo que entraram, Marlene percebeu que a sala dos monitores não era mais a mesma das reuniões: tinha sido magicamente ampliada, tinha ares de boate e a música alta e animada preenchia o ambiente.

– Acho que podemos ir embora então – Severus debochou. – Parece que Black já foi...

– Ou ainda não chegou – Marlene devolveu o deboche.

Ela relanceou a sua volta, constatando que Sirius não estava mesmo presente. Observando o que seria uma pista de dança improvisada, ela sequer reconheceu metade dos que estavam lá. Ao meio, ela vislumbrou Emmeline saindo com Benjy. Marlene sorriu para o casal, e a loira pareceu surpresa e curiosa com sua chegada, mas não interrompeu o que fazia e voltou novamente seu olhar para o loiro que a acompanhava. Enquanto perdia a amiga de vista, ela sentiu que Severus colocava uma de suas mãos em sua cintura e a puxou para mais próximo dele.

Conforme eles iam andando lado a lado, Marlene olhou para o fundo da sala e também reconheceu os amigos grifinórios sentados numa grande mesa: James e Remus impecáveis em vestes de gala, com Lily e Dorcas. Ela viu quando sua prima imediatamente se levantou, vindo em sua direção.

Dorcas desfilava pelo salão; estava estonteante num vestido preto de seda com decotes e transparências, bem sexy e ousado, mas isso não surpreendeu Marlene: conhecendo sua prima como conhecia, não podia esperar outra coisa.

A grifinória logo se atirou em cima de Marlene num caloroso abraço, ignorando fortemente o "namorado" da mesma. Depois de encher o rosto da prima de beijos, ela disse quase histérica:

– Ai Lene! Não acredito que você veio! – Dorcas exclamava abraçada a prima, e arrastando Marlene um passo a frente, longe de Severus, ela cochichou maliciosa: – Mas e aí, me conta: o que você teve que fazer pra convencer Snape a vir? Não responda. De qualquer forma – ela voltou a falar alto, olhando para trás –, parece que alguém aqui está aprendendo a te respeitar...

Severus ignorou; era hipocrisia demais em sua opinião.

– Digamos que milagres acontecem às vezes... – foi o que Marlene conseguiu responder.

Dorcas então mudou de assunto.

– A decoração é da Lily... – disse ela, baixando a voz com desprezo enquanto apontava para as toalhas de renda e cetim. – Mas eu achei uma pobreza! – e riu-se. – Ai, por favor, concorde comigo!

Marlene riu. Ela percebeu que a prima estava levando-a na direção da mesa onde estavam os seus amigos grifinórios e viu que Severus parou de repente. Ela também parou e Dorcas a indagou preocupada:

– O que houve? Vocês não querem se sentar com a gente?

Marlene só olhou para Severus antes de responder.

– Eu acho melhor não, prima – ela disse com sinceridade.

– Algum problema? – a grifinória indagou em desafio, e Severus lhe lançou um olhar mordaz.

– Nós vamos ficar por aqui mesmo – disse ele, indicando a Dorcas um balcão que parecia um barzinho improvisado.

A grifinória então se voltou para Marlene.

– Mas prima, eu insisto!

Marlene olhou novamente para Severus, pedindo respaldo para o que iria responder e ele assentiu discretamente. Ela então suspirou fundo e disse:

– Obrigada mesmo, mas é que... – ela hesitou, mas conseguiu concluir: – ... a gente quer um pouco de privacidade, entende?

– Ah, privacidade... – respondeu Dorcas com desdém. – Divirtam-se, então – ela acrescentou, como se tivesse certeza absoluta de que a prima jamais conseguiria se divertir ao lado de Severus.

Assim que Dorcas se afastou, eles se encostaram à bancada; Marlene ficou de costas para o grupo de grifinórios e de frente a porta. Próximo a eles, vários elfos domésticos arrumavam bandejas onde bebidas de todo o tipo, trouxas, bruxas e até algumas misturas das duas, surgiam nos copos.

– Eu odeio tratar a minha prima desse jeito... – Marlene murmurou contrariada.

Quando um dos elfos se aproximou, ela pegou uma taça de champanhe e viu Severus pegar um copo cujo líquido verde-esmeralda ela não reconheceu.

– O que é isso que você está bebendo? – ela perguntou curiosa.

– Absyntho – ele respondeu.

Marlene não resistiu.

– Me dá um pouquinho? – pediu ela.

A sobrancelha dele se ergueu.

– É um pouco... forte – advertiu ele. – Tem certeza?

Marlene não respondeu verbalmente; tomou o copo da mão de Severus com delicadeza e o levou a própria boca, experimentando aquele líquido hipnotizante, que agora lhe arranhava a garganta como fogo em brasa. Era forte sim, como ele lhe advertira, mais até do que Firewhisky, que ela raramente havia consumido. Depois de uma última saboreada nos lábios, ela lhe devolveu o copo com um divertido comentário:

– Agora eu vou descobrir todos os seus segredos.

– Eu não tenho segredos para você – assegurou ele, embora não fosse verdade.

Marlene riu, mas ficou séria de repente. Ela viu a porta abrir e Sirius Black surgindo por detrás dela. Ele vestia um sobretudo preto de couro, e à medida que ele ia se aproximando, ela sentiu o rosto esquentar. E foi nesse momento que ela notou: ele estava acompanhado. Duplamente acompanhado.

– Ah – meu – Merlin! – exclamou ela.

– O que houve? – indagou Severus, já tendo certeza de que alguém havia chegado. Ele fez menção de se voltar para trás, mas ela o deteve.

– NÃO! – ela se exasperou antes que ele completasse o ato; ele se voltou surpreso para Marlene, para não dizer assustado com a angústia repentina que viu naqueles olhos castanhos.

Marlene só conseguiu pensar em uma coisa. Suspirou. Não havia alternativa. Era questão de vida ou morte. Por um instante baixou os olhos, sentindo o ardor no rosto aumentar, mas tinha que ter coragem; era a sua dignidade que estava em jogo.

– Severus, me beija – ela pediu urgentemente.

– Como? – ele indagou distraído.

– Me beija – ela insistiu quase que numa súplica.

Sirius estava se aproximando e Marlene ficou desesperada. Será que teria mesmo que suplicar?

Por favor – ela pediu num sussurro fraco e quase inaudível, porém alto o suficiente para que seu "namorado" ouvisse e acrescentou desesperada: – Me beija logo!

Mas não foi necessário pedir uma quarta vez, pois logo Severus a puxou pela cintura, segurando-a com força e a beijou alucinadamente. Mas Marlene percebeu que aquele beijo foi diferente de todos os outros, e meio surpresa – para não dizer decepcionada –, ela constatou que foi mesmo um beijo falso e exibicionista, como toda aquela situação. Ainda assim, aquilo tudo quase a fazia se esquecer de si mesma, esquecer Sirius, esquecer a angústia que afligia o seu coração e...

A pergunta de Sirius os interrompeu.

– Então Marlene McKinnon resolveu dar o ar da sua graça? – ele indagou e sua voz era suave, linda, quase melodiosa.

– Se fosse o contrário, não estaríamos aqui – foi Severus quem respondeu por ela.

Sirius cumprimentou Severus com um aceno de cabeça, e depois encarou intensamente os olhos de Marlene. Ela não conseguiu se desviar daquele olhar; era intenso e cheio de segundas, terceiras, quartas, quintas intenções...

– Acho que já conhecem as minhas amigas, não? – o grifinório indagou, passando cada um dos braços em torno da cintura das garotas ao seu lado.

Como não conheceria aquelas "sereias"? Marlene cerrou os punhos sentindo o sangue ferver, reparando nos dois pares de olhos incrivelmente azuis que a fitavam. Rever uma "rival" era tudo o que ela menos desejava agora, porém duas já era demais.

Jane e June McGuire. As gêmeas da Lufa-Lufa que estavam no sexto ano. Marlene pensou que elas sim eram as garotas mais lindas da escola, mais até que sua prima; dispunham de uma beleza magnânima, era altas, com um corpo que qualquer modelo trouxa morreria de inveja. Os cabelos loiros formavam cachos no fim, deixando-as ainda mais lindas. E eram populares porque, segundo os boatos, faziam tudo juntas e dividiam tudo, tudo mesmo.

Marlene não soube dizer se a intenção delas era dividir Sirius naquela noite, mas foi o que pareceu, com Jane em um vestido preto de couro, e June num cor vinho, ambos colados ao corpo, marcando todas suas curvas; as longas pernas envoltas por botas pretas até os joelhos, terminando num longo salto fino. Vestidas para matar, além de lindas, Jane e June realmente encantavam a todos com a sua beleza. Tanto, que fizeram Marlene se sentir ainda mais inferior do que já estava se sentindo.

Perfeitas. O trio perfeito, ela pensou, pondo-se a analisar Sirius. Como ele podia estar tão... lindo? E pior: como ela podia estar pensando naquele idiota daquela forma?

– Marlene? – ela ouviu Severus murmurar, enquanto a envolvia num meio abraço com o intuito de sutilmente lhe trazer de volta ao mundo real.

Marlene suspirou; ainda bem que tinha Severus ao seu lado, pois agora, mais do que nunca, precisava do seu apoio.

– Ah, sim, claro – a corvinal respondeu por fim, ao ver que Sirius apenas a observava em silêncio como se aguardasse uma resposta e acrescentou venenosa: – Então você já está agarrando as gêmeas mais populares de Hogwarts?

Severus lhe lançou um olhar incomodado, mas não disse nada. Sirius riu.

– Bem, estas são Jane – ele apontou com a cabeça para a garota do vestido vinho – e June – e depois a que vestia preto.

– Eu sou a Jane! – a do vestido preto reclamou, apoiada pela irmã.

– E eu a June!

– Claro, claro – Sirius concordou rindo – Mas o que importa o nome? Eu amo vocês duas!

As garotas riram enquanto Marlene piscava chocada, indignada, e tudo mais que poderia ter direito. Como Sirius podia dizer que as amava? Há quanto tempo eles estavam juntos para que ele pudesse afirmar, quanto mais ter certeza disso?

– Vocês já se conhecem, então? – Sirius voltou a falar.

– É mais fácil perguntar quem não as conhece, Black – Severus respondeu venenoso e se dirigiu as garotas lançando-lhes um olhar sugestivo: – Como vão?

Agora foi a vez de Marlene lançar a ele um olhar incomodado. Antes que as garotas pudessem dar qualquer resposta, um suspiro sequer, ela puxou o "namorado" para si com um desespero aparente. As duas irmãs pareceram ter percebido isso e mudaram de assunto:

– Six, onde estão os seus amigos? – indagou Jane.

– É... – reclamou June, fazendo beicinho. – Você disse que ia nos apresentar ao James Potter...

O grifinório deu mais uma gargalhada.

– É, eu vou... – ele garantiu, ainda rindo. – Mas vamos com calma, meus amores, que a namorada dele está aí...

Mais gargalhadas. Mas Marlene sequer prestou atenção. Sua mente estava num universo à parte, digerindo as palavras do ex: "... vamos com calma..." O que aquilo significava? Elas queriam que a noite terminasse em sexo a três, a quatro, a cinco... e até James ia entrar na dança? E mais: como aquela fulana de quem Sirius mal tinha certeza do nome, se atrevia a chamá-lo de "Six"? Somente ela e apenas ela o chamava assim! Porém, antes mesmo que pudesse pular no pescoço de uma delas, ou quem sabe das duas, o grifinório voltou a falar:

– Venham comigo queridas – ele meneou com a cabeça para o fundo da sala, onde os grifinórios estavam. – A noite está apenas começando – e se virou para Marlene e Severus novamente: – Com licença.

Quando o trio se afastou, Marlene se voltou para Severus sem disfarçar a contrariedade.

– Posso vomitar agora?

– À vontade – respondeu Severus, indicando-lhe o chão e ela percebeu que ele também estava contrariado.

– É impressão minha ou você não gostou do que eu fiz? – ela arriscou perguntar.

Adorei – ele respondeu sem convicção.

– Achei que seria legal se Sirius entrasse aqui e nos visse aos beijos... – interpôs ela.

– Seria mesmo – concordou ele, numa voz seca e sem ênfase. – Desde que Black não tivesse a certeza de que você só fez isso porque ficou morrendo de ciúme ao vê-lo com as McGuire.

Ciúme? – Marlene indagou, fazendo pouco caso. – Eu?

– E não estava? – Severus insistiu.

– Então você quer brigar comigo? – ela perguntou.

– Não – ele assegurou. – Mas da próxima vez que você tiver um desses arroubos de ciúme, podia, ao menos, me avisar. Eu não permitirei que você faça novamente o papel ridículo que acabou de fazer – e imitou a voz dela em falsete: – Então você já está agarrando as gêmeas mais populares de Hogwarts? Ridícula – concluiu ele.

Mas Marlene não engoliu a provocação.

– Mais ridículo foi você! – ela disse séria, também imitando seu tom de voz: – É mais fácil perguntar quem não as conhece, Black. O que quis dizer com isso? Por acaso você as conhece?

Severus nada respondeu; apenas deu um sorrisinho infame que deixou a corvinal furiosa.

– O quê? – ela perguntou quase num grito.

– Não – ele respondeu finalmente. – E faça o favor de se acalmar, já que com isso você só conseguiu atrair a atenção dos seus amigos...

Marlene suspirou fundo e virou-se para ver: mesmo sentada à grande mesa ao fundo, Dorcas dirigia olhares feios a ela e a Severus. Sem conseguir encarar a prima, ela virou o rosto e voltou a falar com o "namorado".

– Podemos falar de outra coisa então? – ela quis mudar de assunto.

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Sentados à grande mesa ao fundo, todos comiam e bebiam, davam risadas e conversavam sobre o campeonato de Quadribol e NIEMs.

De repente, Dorcas se levantou da mesa.

– Dorcas querida, aonde você vai? – Remus perguntou preocupado.

– Só preciso tomar um ar fresco – ela respondeu incomodada. – Eu odeio o jeito como o Snape está tratando a Lene e... eu não consigo mais olhar pra isso! Mas não se preocupe que eu já volto – ela concluiu dando um beijo suave nos lábios do namorado e se afastou depressa.

Alguns minutos depois, Sirius abraçou suas loiras, deu um beijo no pescoço de Jane e apertou June pela cintura.

– Eu não demoro – comunicou ele, se levantando da mesa.

– Aonde você vai, Six? – perguntaram em uníssono.

Arrumar a nossa cama – sussurrou ele, piscando para as garotas que sorriram animadíssimas e sem mais palavras, também saiu.

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Marlene notou que a festa a sua volta parecia bem interessante. Severus não saia de perto dela por nada, com isso ocasionando que nenhum dos grifinórios se aproximasse. Porém, do nada aconteceu algo: Severus havia percebido a movimentação na outra mesa, então se voltou a Marlene:

– Fique um pouco com eles – disse ele e indicou a mesa grifinória com a cabeça.

– O quê? – Marlene não entendeu. Ele queria que ela fosse para a mesa onde os grifinórios estavam? Era isso mesmo?

– Fique com os grifinórios – Severus repetiu. – Eu vou sair um pouco para que você possa conversar com eles – e advertiu: – Mas não vou demorar, então aproveite.

Marlene sorriu, mesmo sem entender o aparente lapso de bondade de seu "namorado". Mas antes mesmo que pudesse sequer agradecer, Severus se despediu dela com um beijo rápido; enquanto ele saía, ela caminhou até a mesa grifinória, ao fundo da sala.

– Lene! – Lily exclamou ao ver a amiga se aproximando. Ela e James ficaram de pé e a ruiva então abraçou Marlene com força. – Ah, que saudade...!

Marlene riu.

– Até parece que eu fiquei um ano longe de você! – debochou ela, e viu que Lily ficou séria.

– Pareceu até mais, na verdade – disse a ruiva, um tanto constrangida, olhando para o namorado ao lado. – Eu estava falando sobre isso com o James agora...

James entendeu. Ele se aproximou de Marlene e tomou as mãos dela com um pouco de receio.

– Me desculpe, Lene – ele pediu com sinceridade. – Não importa que Padfoot queira me matar depois do que eu vou fazer agora, mas eu queria que você me desculpasse pelo que tem acontecido nas últimas semanas...

– James...! – Marlene exclamou, percebendo que ele realmente estava se sentindo mal com aquela situação. – Não precisa...!

Lily sorriu e James continuou:

– Precisa sim – garantiu o grifinório. – Você sempre foi nossa amiga e é claro que eu não ia deixar de gostar de você só porque você está namorando um sonserino filho-da-puta...

– James! – Lily o repreendeu.

– Enfim – ele continuou, dirigindo-se a Marlene: – Desculpe se pareceu isso. Mas o que importa quem você está namorando? – indagou ele, respondendo depois: – Eu não tenho nada a ver com isso, não vou me intrometer. Lily me fez perceber o quanto eu estava sendo idiota com essa atitude.

A corvinal olhou para chão, mas o silêncio durou menos de um segundo.

– Obrigada, James! – ela disse abraçando o amigo e Lily entrou junto no abraço. Depois disso, eles se sentaram à mesa e Marlene cumprimentou Remus que estava à sua frente.

Mas parecia que a paz estava longe de Marlene naquela noite. Ela se virou quando as duas "sereias" surgiram não se sabia de onde e se sentaram justamente ao seu lado. Sua vontade foi sair correndo dali, mas agora que até James havia lhe pedido desculpa, decidiu não fazer desfeita e aguentar as loiras.

– Gente, o Six não voltou ainda? – perguntou Jane.

– Acho que ele foi até o dormitório pra se trocar – James respondeu entre dentes.

Marlene achou aquela situação cheia de subentendidos, mas não conseguiu se concentrar no que Sirius tinha ido fazer, já que Severus também estava lá fora e... Pronto. Instalou-se o pânico. E se acontecesse alguma coisa?

Uma pergunta impertinente a despertou.

– Então... Você é a ex dele, não é? – perguntou June, voltando-se para Marlene. – Do Six?

– É, sou – a corvinal respondeu nada simpática.

– E você gosta de garotas também? – indagou Jane, curiosa.

– Não! – Marlene respondeu quase num grito, pega de surpresa com a pergunta. – Por quê?

June respondeu direta:

– Porque o Six disse que adora ver duas garotas se beijando, depois se tocando e ambas dormindo com ele...

E diante do ar de surpresa de Marlene, Jane perguntou:

– O relacionamento de vocês não era abertíssimo...?

Marlene nada respondeu. Como se não pudesse acreditar no que aquelas garotas estavam dizendo, ela gritou:

– Me dá mais um desse aqui! – pediu ela, pegando mais uma dose de Absyntho que um elfo estava servindo.

###

Severus passava por um corredor vazio não muito longe da sala dos monitores. Assim que viu Dorcas saindo da mesa, quase seguida por Sirius, teve certeza de que haviam combinado algo. Mas ele prometeu a si mesmo, que se soubesse que aqueles grifinórios estavam tramando qualquer coisa para ver quem faria Marlene chorar primeiro, eles iam se arrepender amargamente.

Ele parou quando ouviu vozes vindas de uma sala adjacente.

Já faz uma semana que eu estou tentando falar com você! – ele reconheceu a voz de Dorcas. – Eu estou desesperada!

Você está histérica! – disse a segunda voz, Sirius. – O que é que está acontecendo?

Snape! Ele sabe... sobre nós! – a grifinória disse.

Aquele DESGRAÇADO! – berrou Sirius, nervoso. – Mas como foi isso, ele disse a você que sabia, Dorcas? O que ele te disse?

Não sei – Dorcas disse entre um soluço, parecia chorar. – Ele insinuou que sabia e que poderia contar tudo pra Lene!

Mas Snivellus não vai fazer isso. Mas não vai MESMO! – Sirius garantiu. – Porque eu estou indo contar tudo pra Lene AGORA!

NÃO! – berrou Dorcas, desesperada. – Pense no Remus, ele não merece isso! Por favor!

Isso foi antes de vocês namorarem! – insistiu Sirius, encorajado. – Eu não vejo outra alternativa, Dorcas: nós temos que contar a verdade pra Marlene!

E você acha que é fácil? – Dorcas continuava em meio ao choro. – O que eu ia dizer? Que depois daquele jogo, nós ficamos nos encontrando o verão inteiro? O que os meus tios e os meus pais vão pensar? O que Remus vai pensar? Por favor!

Nós temos que contar – Sirius impusera seu tom. – Eu não admito que Snivellus fique usando isso contra você, contra nós! Eu estou indo contar tudo pra Lene agora!

Nesse momento, Severus não resistiu e entrou na sala, mostrando-se.

– Você não vai fazer isso – disse ele, e Dorcas sobressaltou-se.

– Isso! – ela teve que concordar, virando-se desesperada para Sirius: – Pense no Remus, Sirius. Na Lene. Ela não merece isso, ele não merece; vai estragar a amizade de vocês pra sempre!

Sirius voltou-se para Severus:

– Então costuma escutar conversas alheias, Snivellus? – indagou o grifinório.

– Só as que me interessam – Severus respondeu cínico.

– Eu vou contar tudo pra Marlene! – Sirius repetiu. – E duvido muito que ela continue com você, depois de saber que você quis usar isso pra nos chantagear!

– CHEGA! – Dorcas berrou. – Vocês não podem contar! Ninguém pode contar nada!

– Não era minha intenção contar – Severus disse com sinceridade. – Por mais que eu não concorde, também acho que Marlene não merece ter uma decepção tão grande.

Sirius analisou aquelas palavras e olhou para Dorcas. Ela parecia desolada, talvez fosse melhor não contar nada a Marlene agora. O mais importante naquele momento era impedir que ela ficasse sabendo disso pelo seu maior inimigo.

– Então prometa que não vai contar nada – Sirius pediu a Severus e Dorcas suspirou aliviada.

– Não posso prometer algo tão grave – o sonserino respondeu, e era verdade. – Um dia, Marlene irá descobrir mesmo...

– É melhor você não usar isso pra magoar a Lene, entendeu? – Sirius ameaçou, a varinha apontada para o rosto de Severus.

– Mais do que vocês já magoaram? – Severus o indagou sem se preocupar em pegar a varinha, sabendo que o rival tremeria apenas com aquelas palavras. – Eu acho impossível.

Dorcas não aguentou aquelas palavras e saiu da sala chorando. Sirius então abaixou a varinha e seguiu a amiga.

SSMMSSMMSSMM


Notas das Autoras

– TATI –

1. Oi pessoal! Tivemos um segredinho revelado, era mais ou menos isso o que vocês já esperavam... ou não? RSRSR Aguardem que tem mais "festa" no próximo!

2.Sabem aquele aviso sobre a fic ser única e exclusivamente nossa, um pouquinho antes dos agradecimentos no início do cap? Então, por favor, não o ignorem! Lembrando que, se existem algumas passagens aqui que não nos pertencem, essas foram postadas com autorização dos respectivos autores. Então, sobre o aviso, volto a repetir: não o ignorem!

3. E aqui, eu gostaria de pedir aos leitores fantasmas e a todos que colocaram a fic nos alertas e nos favoritos e que ainda não comentaram, por favor comentem! Afinal, as reviews podem sobreviver sem os favoritos e os alertas, mas não o contrário! E, quem tem tempo pra ler e favoritar, ou colocar nos alertas, também tem tempo pra comentar, né?

4. Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no balãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!

– NINA –

Gentee! Esse cap tb tá muito digno de reviews, não tá? HAHA

GENTILEZA GERA GENTILEZA

REVIEWS GERAM CAPÍTULO NOVO!

O BALÃOZINHO DO REVIEW THIS CHAPTER É LINDO, NÉ?

ENTÃO CLICA NELE E DIZ PRA GENTE O QUE ACHOU! ;)

III

II

I