Track 11 - Destino
- Como assim Thomas?
- É exatamente o que ouviram...Tenho duas noticias: uma boa e a outra ruim.
- Então fala logo... – Disse Steve já curioso.
- Vou falar primeiro a boa...Vou me casar. – Ele disse meio desanimado.
- Que legal mano! Parabéns! – Disse Steve lhe abraçando.
- Você pediu a mão dela?
- Sim, ontem à noite.
- Ah, e qual a má noticia?
- Bom...Eu sempre morei com você Steve...Mas sabe vou ter que vender a casa...
- Essa era a má noticia? – Ele perguntou sorrindo
- E vou vender a oficina...
- O que?!
- Porque? – Eu perguntei também surpreso.
- Ashley está grávida...E quer morar na mesma cidade que a mãe dela...
- Ta mais... É mesmo necessário vender tudo?!
- Sim Brian...
Steve permaneceu calado, fazendo uma cara de pensativo.
- Bom, então eu e Brian vamos ter que alem de procurar casa também um emprego? Porque você engravidou sua namorada, quer se casar e sair da cidade?
- Sim.
- E só por isso você ferra a minha vida?! Você nem me consultou! A oficina não é só sua, eu lutei cada dia ao seu lado e...
- Eu sei disso Steve...Mas Ashley...
- A Ashley não faz parte da nossa família!
- E o Brian faz?
- Hã?
- Desculpe Steve, mas veja...Esses anos todos vocês dependeram muito de mim...
Assim foi se iniciando uma grande discussão a qual eu passei quieto a maior parte enquanto Thomas falava calmamente com Steve, e já ele indignava-se com o comportamento do irmão. Confesso que nem mesmo eu entendia Thomas, ele estava agindo de maneira muito estranha, não parecia a mesma pessoa. Depois de alguns minutos discutindo Steve apenas subiu as escadas para o quarto, ele estava muito furioso. Quando eu estava prestes a subir Thomas se virou dizendo:
- Conto com você Brian...Você é o único que consegue acalmá-lo.
Eu não respondi, apenas subi e encontrei Steve arrumando as malas.
- Faça a sua mala também Brian, vamos embora!
- Mas...Steve vamos embora pra onde? Alias você esta se precipitando e...
- Brian, presta atenção! Você viveu aqui por anos deve conhecer meu irmão. Não percebe que ele esta diferente? Não só hoje, mas nos últimos dias? Parece um robô e sempre cumpri com todas as vontades da namorada dele.
- Ele esta apaixonada Steve...
- Não Brian! Ele esta cego.
Steve estava muito irritado, e por mais que eu tentasse acalmá-lo parecia impossível.
- Mas Steve não podemos simplesmente sair e ficar hospedados em algum lugar...Vamos fazer isso, mas de forma planejada.
Ele parou de arrumar as malas, e permaneceu de cabeça baixa por alguns segundos.
- Vamos fazer como então Brian?
- Vamos...Já sei! Vamos vender nossos carros! Eu tenho um dinheiro guardado e você também deve ter. Assim podemos logo de cara comprar uma casa.
- Vender meu carro Brian? Eu trabalhei três anos sofridos para conseguir comprar um carro zero...Mal faz um mês que comprei e já...Já vou ter que vendê-lo?
- Sei que é difícil Steve...Mas...
Costumo-me a convencê-lo. Decidimos permanecer na casa até nos estabelecermos. Porem, não eram só os problemas financeiros que estavam irritando Steve, mas também o mudado comportamento de Thomas.
Os dias foram se passando e eu logo consegui vender meu carro, e Steve com muito custo o dele. Decidimos que seria melhor pegar um carro bem barato e usar o restante do dinheiro para comprar um apartamento, mas ainda não era o suficiente precisávamos de mais. Durante todo esse tempo Steve e Thomas não se falaram, não trocavam nem se quer uma palavra e não permaneciam no mesmo ambiente. Apesar disso Steve sofria com a perda da amizade do irmão, sempre foram tão amigos e de repente se tornaram inimigos mortais. Então me restou conversar com Thomas sobre a metade dos bens. Steve não queria vender a oficina, era uma herança de sua família, porem sem Thomas ficaria impossível de comandar, afinal só entendíamos de carro e nada de negócios. Logo vendemos tudo, a casa e a empresa. O dinheiro foi bem maior do que eu e Steve esperávamos e compramos um apartamento no centro bem espaçoso. Apesar da triste mudança era bom sair daquele bairro o qual me trazia muitas lembranças ruins, e principalmente a inconveniência de ter de encontrar meu pai sempre que sai dar uma volta. Sentíamos mais à vontade e depois de muito tempo de estresse e mau humor Steve parecia mais calmo. Após arrumarmos tudo eu estava cansado, deite-me no sofá esparramado.
- Ufa, pensei que não ia ter fim!
- Nossa, mas esta tão...Tão lindo. – Disse Steve olhando para todo o apartamento.
- É esta sim, e é todo nosso.
- Puxa, nos casamos.
- Hã?
- Bem, estamos morando juntos, só eu e você... É como se fossemos casados. – Ele disse me puxando para ficar de pé.
- Ca...Ca...Casados?
- Haha...Eu to brincando. – Ele disse me abraçando e me puxando até ele.
- Ai como você é bobo! – Eu disse lhe mostrando a língua.
- Bobo porque te amo!
Céus, eu estava perdidamente apaixonado. Dei-me conta que sempre gostei de Steve, esses anos todos, apenas nunca tive coragem de expressar o que eu sentia por medo de que Steve nunca me aceitasse pela traição que cometi no passado. Mas estávamos vivendo os melhores dias de nossas vidas, era sempre tudo maravilhoso. Steve conversou com alguns antigos sócios da oficina que tínhamos e conseguiu um emprego para nos dois numa fabrica de automóveis. O salário não era muito, mas o suficiente para pagar a faculdade e passar bem o mês. Tínhamos em mente que aos poucos conquistaríamos tudo aquilo que fomos obrigados a abrir mão, um carro zero e um negocio só nosso.
Alguns dias se passaram e apesar de toda aquela felicidade em que eu estava vivendo eu mal via Steve, nosso emprego era em horários opostos e nos víamos apenas na faculdade e depois em casa. Numa manhã de terça-feira eu acordei ainda cansado, dei uma varrida no apartamento e desci para levar o lixo para fora. Quando eu estava subindo vi um dos empregados conversando com alguém na porta de um apartamento vizinho, o qual o rosto me parecia conhecido.
- Quem bom que voltou senhor! Passou muitos anos fora.
- É...Eu estava estudando.
- Conseguiu a formação que tanto queria?!
- Sim.
- Puxa que bom! E pra onde o senhor viajou?
- Para o Japão.
Era Akemi, meu professor de Matemática do colegial.
