12 Março 1997
Na semana a seguir Hermione preferiu manter as visitas entre ela e os Slytherins ao mínimo, para além de estar a tecer aquela fita com o pelo da crina de unicórnio, Harry andava cada vez mais a seguir o Draco com o Mapa Salteador.
A parte positiva foi perceber que o Quartel não aparecia no mapa, Dumbledore deve ter conhecimento daquele mapa e conseguiu protegê-lo. Hermione estava tão feliz por estar novamente com o Draco que não conseguia estar mais chateada com o Ron, o facto de ele ter sido envenenado ajudava, mas a boa disposição dela incentivou imenso as suas escolhas.
Estavam na sala comum, Harry estava novamente a ter uma das suas ideias que o Draco Malfoy estava a preparar alguma coisa de má, quando o Kreacher apareceu seguido de imediato pelo Dobby. Apesar de ela ter construído a BABE, o Kreacher conseguia ser tão esquisito, especialmente quando começou a descrever a maneira como o Draco Malfoy, e Hermione tinha de discordar com o Elfo, Draco não tinha semelhança nenhuma com Bellatrix Lestrange, mas ficou calada.
Escondeu-se atrás do pergaminho do Ron, enquanto escutava os dois elfos, ficou horrorizada por descobrir, o que o Harry tinha-lhes pedido, eles tinham estado a seguir o Draco.
Quando se encontrou sozinha na casa de banho, suspirou de alivio, tinha sido uma semana difícil, mas devido ao seu tempo a pesquisar sobre o Armário, a tecer a fita, a passar algum tempo com os seus amigos, Hermione não tinha tido tempo para estar com o Draco, dando apenas as suas pesquisas ao Theo quando o via de passagem no Quartel.
A mão dela estava a arder, tinha recebido uma mensagem do Draco:
Quartel?
Como Hermione desejava poder dizer que sim, poder estar com ele, mas enquanto Harry insistisse em pedir aos elfos para o seguirem, e não encontrassem outra solução, não havia maneira de estarem juntos.
Estão a seguir-te.
Quem? O Potter?
É tão mais fácil lidar com pessoas com alto poder de dedução, tanto o Draco como o Theo percebiam imediatamente o que ela queria dizer ou percebiam quando ela lhes mandava mensagens com os olhos durante as aulas, algo que acontecia com imensa frequência desde que tinham resolvido as coisas entre eles. Muito diferente do Ron e do Harry que precisavam sempre de uma palestra para lhes explicar o que se estava a passar.
Sim.
Vou arranjar uma maneira.
O corpo da Hermione aqueceu ao ver aquelas palavras, ele iria arranjar uma maneira. Ele queria estar com ela.
08 Abril 1997
Come mais.
Pediu a Hermione usando o anel ao ver o quanto o Draco estava mais pálido e magro no Salão Nobre. Theo respondeu-lhe, e Hermione teve de conter a sua raiva, pelos vistos o Lord Voldemort atacava-o cada vez mais mostrando imagens da mãe a ser torturada.
Faz bolachas.
D prefere muffins.
Faz para mim.
Arranja uma para ti.
Receber mensagens do Draco pelo anel já não era o suficiente, ela estava a morrer de saudades. Animou-se um pouco ao reparar que ele se servia um bocado de empadão, não a primeira escolha da Hermione para alguém que não andava a comer muito mas não poderia mandar vir, afinal ele estava a comer.
Harry continuava a insistir que o Draco estava a tramar alguma coisa na Sala das Necessidades, Hermione já não conseguia ouvir aquelas conversas, já não suportava as suspeitas do Harry, já não suportava a mania da perseguição do Harry contra o Malfoy desde que entraram na escola, e cada vez que o Harry começava com as suas teorias, Hermione era relembrada que não podia estar com o Draco.
Ignorou os dois amigos e refugiou-se no Quartel. Avisou o Draco e o Theo que estava no Quartel e para evitarem virem ter com ela.
Para Draco era difícil ver a Hermione a afastar-se dos seus amigos e tudo por culpa dele, cada vez que ela ia para o Quartel, Draco queria pedir ao Theo para ir ter com ela, para não a deixar sozinha, para ele ter novidades dela para além das mensagens da pulseira ou dos olhares roubados nas aulas, corredores, e Salão Nobre.
Esses momentos em que a saudade era tanta que parecia insuportável, levavam-no a reflectir. O quanto fez sofrer a única rapariga que o estava a ajudar de tantas maneiras, odiava não lhe ter contado toda a tarefa que lhe tinha sido incumbida pelo Senhor das Trevas, mas o Director tinha achado que era melhor ela ficar ignorante em certos aspectos, Draco só não queria começar sem mentiras a única relação não planeada pelo seu pai.
Quando chegou ao seu dormitório, havia um cesto com sandes, muffins, brownies e uma carta. O desapontamento foi enorme ao ver que era a letra do Theo:
Come tudo, ordens da Teimosa, ela sabe perfeitamente que só comeste aquela garfada de empadão, e ela fez tudo menos o pão, até a manteiga de alho foi ela que fez, demasiado tempo livre para o meu gosto. Às vezes penso que ela está na tua cabeça e sabe como pensas. Medo. Roubei-te umas coisas, apesar de ela ter dito para não tirar nada e fez-me uma caixa inteira de bolachas.
Draco queimou o bilhete para não dar hipótese aos elfos guardarem a carta e entregaram-na ao Potty, seria demasiado simples para um imbecil como o Weasel e o Scarface de perceberem que a única pessoa neste castelo todo que se daria ao trabalho de cozinhar seria a melhor amiga dos dois trolls.
05 de Maio 1997
O verão estava a aproximar-se, Hermione dava grandes passeios pelos campos da escola só para poder usufruir momentos de sossego do Harry assim como do Quartel, ainda não tinham conseguido arranjar o Armário.
Draco estava cada vez mais magro, apesar de lhe deixar várias vezes comida era incrível como ela se sentia na pele de Molly Weasley quando o Harry chega a Toca depois de te estado com os seus tios. O Theo dizia-lhe cada vez que o Draco era atacado, o número de ataques tinham aumentado imenso, agora chegavam a três vezes por semana. Harry não se calava, e agora que Hermione voltou a falar com o Ron, este decidiu juntar o Harry na sua cruzada com o Draco.
A fita que Hermione teceu a partir do pêlo de unicórnio já estava pronta, e ela já tinha incluído todos os feitiços que achava úteis para o que viriam. Deixou a fita banhar na essência do seu Patronus, a lontra que tinha sido invocada usando as memórias com o Draco, brincou com a fita durante uns momentos, apesar de não poder segura-la fisicamente, a lontra andava a volta da fita e por vezes passava através dessa. Aplicou o encantamento impervius esta vai evitar que a fita fique manchada, afinal ela tinha de lutar contra um feitiço imposto pelo Lord Voldemort, Hermione não sabia o que esperar, mas tinha uma ideia que sofrimento e sangue iriam fazer parte do processo. Juntou-se um encantamento Protego Horribilis, como indica o nome protege de Artes Negras.
Agora era só preciso ela se encontrar com o Draco e enrolar o braço dele na fita e esperar que funciona, essencialmente ter esperança que ela consiga fazer a sua parte correctamente. Hermione tinha dúvidas acerca da resistência da fita, mas como era feita a partir da crina de unicórnios, tinha esperança que valesse a pena, a brancura que a fita emanava não cegavam a Hermione levavam-na apenas a desejar tocar nesta. A fita andava sempre ao pescoço da jovem feiticeira, o medo deste ser perdido ou pior era aterrador.
Hermione tinha acabado de voltar do Quartel, tinha conseguido encontrar mais umas quantas maneiras de ajudar o Draco com o armário, quando viu o Harry, o Ron e a Ginny próximos da lareira, contaram-lhe de imediato o que tinha acontecido.
Assim que ouviu aquelas palavras Hermione estava pronta a saltar ao pescoço do seu melhor, esquece anos de amizade, o que ele tinha feito era pior do que a aborrecer com as suas teorias idiotas. Harry tinha quase morto Draco. E tudo isso por causa daquele livro estúpido, aquele livro irritante que o Harry defendia mais que uma pessoa viva, ele tinha usado um feitiço desconhecido no Draco.
Antes de se esconder no dormitório, Hermione avisou o Harry que seria melhor ele pedir aos elfos para deixarem de perseguir o Draco, ele já tinha causado danos suficientes para um só dia. Estranhamente concordou plenamente com a sua ideia.
A torre estava silenciosa, todos os alunos tinham ido para a cama, apenas Hermione se mantinha acordada, ela tinha de ir visitar o Draco, confirmar que ele estava bem. Bateu levemente na cabeça e tornou-se invisível, a Dama Gorda resmungou por ter sido acordada, mas a Gryffindor não queria saber.
Chegou a ala hospitalar ofegante. Lançou um encantamento imperturbável a volta do escritório de Madame Pomfrey, e depois de fechar as cortinas a volta da cama do Draco voltou a lançar o encantamento, antes prevenir do que remediar.
Draco acordou ao som de alguém a remexer nas suas cortinas, levantou-se o mais silenciosamente da sua cama, e pegou na Hermione que ainda estava invisível nos braços. Esta gritou em surpresa, mas ao ver que era apenas o Draco retirou o feitiço de Desilusão, e os seus lábios foram de imediato capturados nos do loiro.
- Pensei que nunca mais te iria ver. – Disse o Draco entre beijos no pescoço.
- Não deveria ser eu a dizer isso? Afinal, TU é que foste atacado. – Retorquiu a Hermione com um sorriso nos lábios.
- Isso não é interessante, o que importa é que estás aqui, comigo, e que não te vou largar durante muito tempo.
- Quero ver a cara da Madame Pomfrey quando ela te vier ver de manhã e estás a abraçar-me.
- Não te armes em esperta. – Avisou com um tom sério, mas o sorriso não desaparecia da cara dele.
Hermione revirou os olhos, e arrastou-o para a cama, obrigou-o a deitar-se e sentou-se na cadeira ao lado. Draco não gosto da distancia que os separava, por isso pegou na mão da Hermione e obrigou-a a deitar-se ao lado dele enrolada nos seus braços. O corpo dela cabia na perfeição contra o dele, a cabeça dela ficava no pescoço dele enviando cócegas ligeiras no seu pescoço a cada respiração dela.
Acariciava o cabelo da morena, amando a suavidade deste nos seus dedos, sentiu-a a adormecer. Ganhando alguma coragem disse:
- Amo-te.
Aquela simples palavra acordou Hermione de imediato, esta levantou a cabeça do seu lugar onde ela estava sentir o delicioso perfume do Draco, e procurou sinais que lhe explicassem aquelas palavras, e Draco em vez de virar a cara de embaraço, como o Ron fazia cada vez que tentava dizer alguma coisa de íntimo, encarava a Hermione com toda a sua coragem e com o olhar desafiadora, desafiando-a a gozar com ele. A Gryffindor apaixonou-se ainda mais pelo seu Slytherin.
- Amo-te tanto, é impossível explicar como é que vivi esses anos fingindo que não te queria. É como se tivesse nascido para te amar. – Acrescentou o Draco sem nunca vacilar.
- O meu amor é como uma chama, para queimar precisa de oxigénio, e tu és o meu oxigénio. Amo-te, sem ti a minha vida não tem sentido.
- És mesmo uma sabichona, sabes sempre a resposta certa. – Disse o Draco depois de uns minutos a observar a Hermione.
Agora sim, Hermione podia por em pratica o seu plano para se livrar da Marca dos Devoradores da Morte.
Beijos a todos! Até ao próximo capitulo :D
