*Obrigado pelo review deixado, vou tentar mudar um pouco a escrita, e obrigado pelo elogio, de verdade.


Santana arrumava suas coisas. Ela tinha que aproveitar esse tempo que Quinn estaria ocupada para ir embora dali e se livrar daquela problema de uma vez por todas, Brittany ficaria bem, ela ficaria bem, ela repetiu em pensamento para si mesma, mas no fundo ela sabia que aquilo não era verdade, Quinn já sabia onde ela estava, e ela iria conseguir colocar as mãos nela, e ela nem gostava de imaginar o que aconteceria depois. Isso seria sua culpa, ela nunca deveria ter aceitado a maldita proposta.

Com as malas prontas, ela sentou-se na cama e colocou a mão na cabeça. Ela estava entre a cruz e a espada, e infelizmente não conseguia encontrar uma saída para aquilo, e ela não queria mais sangue em suas mãos.

A melhor saída era avisar Brittany, mas como fazer aquilo? Como olhar diretamente naqueles olhos azuis e dizer que ele estava ali para lhe pegar e entregar nas mãos de alguém que queria lhe matar de uma forma extremamente sanguinária e violenta, como? Ela não conseguia se imaginar decepcionando aquela que parecia confiar nela de uma forma diferente de quase todas as pessoas que ela conhecia.

Ela era covarde, vingativa e agressiva, e podia se defender sozinha, mas Brittany não era assim, ela era frágil e indefesa, não restava dúvida de que Quinn a trucidaria.

Se sentia como uma jovem confusa de novo, perdida sem saber o que fazer, assim como quando se tornou uma policial, e vivera um intenso conflito, guiados pelo ódio e o bom senso, e infelizmente ou não, ela ainda se dividia ao pensar nisso, o primeiro vencera a briga.

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FLASHBACK SETE ANOS ATRÁS.

Era o primeiro dia de Santana em seu novo emprego, e ela estava ansiosa e apreensiva. Com apenas vinte anos, e muita determinação ela não estava ali por acaso, ela sabia bem o que deveria fazer.

"Santana Lopez, seja bem-vinda à corporação." Era o delegado Rutherford que a recebera. "Me acompanhe, irei te apresentar o seu parceiro de ronda." A jovem seguiu calada o corpulento senhor até a uma sala no final do corredor, e quando entraram haviam ali dois homens, um conhecido da jovem. Seus batimentos cardíacos aceleraram e seus pensamentos ficaram a mil por hora. Treze anos haviam se passado, treze longos anos de tristeza e amargura para ela e sua mãe, e ela sabia que era ele, ali diante de seus olhos, porque ela fora atrás, ela investigara, ela escolhera aquele caminho, ela jurara diante do túmulo, ir até o caminho do homem que há treze anos tirara de sua vida seu herói, e ela jamais se esqueceria do rosto daquele assassino, do assassino de seu pai.

"Esses são o Sargento Nixon e oficial Michael Chang Jr., o seu parceiro." Santana nem olhou direito para o rapaz que seria seu parceiro, seus olhos estavam vidrados naquele homem, naquele maldito homem, e quando ele abriu um sorrisinho nojento, ela se lembrou das inúmeras lágrimas que rolaram por seu rosto e pelo rosto de sua mãe durante os últimos treze anos, a cada Natal, a cada dia dos pais e outras datas especiais que enquanto outras crianças sorriam e abraçavam seus pais, ela ia ao cemitério levando uma flor, e fora lá diante de sua lápide, que ela jurou, que nem que se fosse a última coisa em sua vida, mas ela iria se vingar, iria mandar para o inferno o homem que destruira a vida de sua família. "A oficial Lopez passou pelos seis meses de teste com êxito, uma profissional excepcional." Rutherford completou.

"Isso é porque eu sempre soube onde eu queria chegar." Ela falou e olhou fixamente, sem certeza de que conseguia esconder o ódio que estava sentindo naquele momento.

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Dois meses se passaram desde que Santana se tornara uma policial, e seu dia era simplesmente patrulhar a cidade, prender alguns noiados, alguns ladrõezinhos, fazer alguma apreensão de drogas entre outras coisas menores com o seu parceiro e agora amigo, que ela chamava de Mike, e que também era um cara bastante decente comparado aos outros cachorros que ali trabalhavam, e o maior deles era Nixon. Arrogante, autoritário, soberbo e definitivamente, intragável, muitas pessoas ali tinham uma enorme aversão a ele, o que seria bom para ela, na execução de sua vingança, mas ela ainda precisava de um aliado, e parece que naquele dia, ela encontrara.

Já era inicio de noite, e o turno de Santana e Mike havia se encerrado, mas ela acabara ficando para trás para resolver umas papeladas, e foi quando ela ouviu gritos, e logo ela julgou serem de Nixon. Ela foi até a janela, e teve a sua confirmação, o homem empurrara Mike contra uma parede, ofendia-o com diversos palavrões e agora ameaçava agredi-lo. Santana ficou observando a cena calada, com um sorriso. Mike deveria odiar aquele homem, e nada poderia ser melhor do que isso para ela naquele momento. Era como se Deus estivesse do seu lado para lhe ajudar em sua vingança.

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"Mike, eu preciso te dizer uma coisa." Santana falou para o rapaz durante o horário de almoço no dia seguinte. Ele estivera calado durante toda a manhã, e toda vez que passavam por Nixon ele baixava os olhos. "Na verdade te perguntar uma coisa, eu posso?"

"Manda ver." Ele respondeu meio desinteressado.

"O que aconteceu entre você e o Nixon ontem?" Os olhos do rapaz se arregalaram, e ele pareceu nervoso.

"Santana, fique longe disso, é pelo seu próprio bem, é uma merda pesada e perigosa, eu estou te avisando."

"Mike, eu sei que o Nixon é um bosta, e que ele ameaça as pessoas, mas eu não tenho medo, e eu quero saber o que está acontecendo." Ela falou com a voz e a expressão firme.

"Santana..."

"Somos amigos Mike, confie em mim." Ela insistiu.

"Eu não quero que ele faça nada com você, você não o conhece, ele não tem escrúpulos." Mike lhe disse com aflição, mas Santana sacudiu a cabeça e sorriu.

"Sim eu conheço." Ela falou e o sorriso desapareceu de seu rosto.

"O quê?" Mike estava perguntou confuso, com medo de que Nixon já tivesse feito algo de ruim com sua parceira. "O que ele fez para você Santana?" A garota crispou os lábios, ainda em dúvida sobre contar a verdade para o amigo, mas ela decidiu que deveria seguir em frente.

"Faz muito tempo, eu conheço esse desgraçado desde os meus sete anos, e ele é o monstro que habitou meus pesadelos desde então." Ela falou tentando segurar as lágrimas, enquanto Mike tinha medo de ouvir o que estava por vir. "Ele matou o meu pai."

"Ele matou o seu pai? Mas, na sua certidão de nascimento não diz que você é filha de pai desconhecido?" Ele estava confuso. "Você mesma disse que não conhecia seu pai."

"Eu menti, porque eu conheci meu pai sim, ele era o meu mundo, mas então, o desgraçado do Nixon e outro cara que eu ainda vou descobrir quem é, mataram ele, quatro tiros a queima roupa, na rua de casa, enquanto eu estava atrás de um murinho, que ele mandou eu me esconder." Mike ficou surpreso com a história.

"Caramba..." Ele murmurou. "Mas... Por que ele fez isso?" Santana enxugou uma lágrima de seu rosto.

"Meu pai era um traficante de drogas, o maior do nosso bairro, por isso o nome dele não estava em minha certidão, ele queria evitar que eu sofresse represálias, mas ele sempre esteve presente em minha vida, mas eu não sabia disso na época, mas ele ainda era meu pai." Ele abaixou a cabeça. "Ele destruiu a minha vida, e eu só uso esse uniforme sujo porque eu quero me vingar desse cara, ele vai pagar na mesma moeda, quatro tiros a queima roupa naquele corpo de baleia dele." Mike nunca vira sua amiga tão sombria assim, então ela só virara policial para matar o assassino de seu pai?

"Santana, você não pode estar falando sério, esse cara é um sargento, se você matá-lo eles vão te jogar na cadeia ou sei lá o quê, você é quem vai se dar mal no final." Mike alertou-a, mas ela sacudiu a cabeça.

"Mike, eu sei que você o odeia também, o que ele fez com você ontem foi um absurdo..." Ela argumentou, esperançosa, precisava de Mike para sua vingança.

"Ele tinha razão de fazer aquilo na verdade." Mike respondeu, e Santana levantou uma sobrancelha. "Eu não sou o bom policial que você acha que eu sou."

"O que você fez?" Ela perguntou intrigada. Ele suspirou e mordeu o lábio inferior, antes de olhar fixamente em seus olhos.

"Eu tenho feito uns negócios com Quinn Fabray." Ele disse, e Santana surpreendeu-se. Nunca esperava que seu parceiro estivesse envolvido com uma traficante. "Eu tenho aliviado uns pontos, dando cobertura, fazendo um serviço extra, entende?" A garota apenas concordou com a cabeça. "E o Nixon descobriu."

"E o que ele vai fazer agora?" Ela perguntou.

"Ele disse que vai me vigiar de perto, como um verdadeiro cão de guarda, e que se isso continuar ele mesmo vai dar um fim em mim." O rapaz respondeu com pesar, mas Santana sorriu.

"Acho que isso é excelente." Mike levantou uma sobrancelha. "Não estou falando sobre o Nixon te ameaçando, mas sim sobre o seu negócio com Fabray."

"Sim, é um ótimo, nesse espaço de tempo 'trabalhando' para ela eu ganhei muito mais dinheiro do que todos esses anos na policia, mas agora, foi tudo por água abaixo." Ele se lamentou.

"Não, Mike, ainda temos uma chance." Santana disse animada.

"Temos?" Santana assentiu com a cabeça.

"Eu tenho um plano, e ele é perfeito para a gente dar cabo da vida do Nixon e então você pode continuar com o seu negócio lucrativo." Ela disse com extrema confiança.

"Que plano é esse Santana?" O rapaz perguntou num misto de apreensão, curiosidade, e esperança.

"Calma, você já vai saber, mas para isso vamos precisar da ajuda de sua amiguinha Quinn Fabray." Santana falou. "Eu quero conhecê-la."

"Santana, minha amiga, Quinn Fabray é uma das pessoas mais difíceis de lidar que eu conheci, ela é arrogante, cheia de si e muito sarcástica, se não fosse pela grana alta eu jamais faria qualquer negócio com ela." O sorriso de Santana não podia ser maior.

"Mike, eu cresci em Lima Heights, meu pai foi assassinado na minha frente, eu vi policiais entrarem lá atirando sem perguntar em quem, pessoas sendo presas injustamente, discriminação e racismo contra latinos e negros, nada é mais sujo do que um policial para mim, eu tenho ,menos motivos para temer uma traficante do que meus colegas de trabalho, entende?" Mike assentiu com a cabeça. "Além do mais ele está ameaçando a sua vida, não?"

"Sim."

"Então, você não pode deixar isso acontecer."

"Tudo bem, então estamos juntos nessa e vamos até o final?" Ele perguntou.

"Exatamente." O ódio dentro dela era incontrolável, e a cada passo mais próximo de sua vingança fazia seu coração pular de alegria. Ele ia sentir a mesma dor que ela sentira durante todos esse anos.

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Já era noite quando Santana deixou o seu quarto pela primeira vez, imaginando que naquele momento estaria livre de Brittany, para sempre, porque no dia seguinte ela iria embora dali, e tentaria de uma vez por todas esquecer aquela história e seguir com sua vida, em um outro lugar, longe de todo aquele sentimento ruim que habitou seu peito durante tanto tempo.

Foi até a porta da frente da pousada onde ficou admirando o mar e sua imensidão, estava sentindo algo tão ruim que a deixava inquieta e insone, e ela realmente não queria mais aquilo. O choro foi inevitável, primeiramente as lágrimas silenciosas, mas depois a emoção tomou conta, ela não se conteve precisava colocar aquilo para fora. Chorou para valer, soluçando alto e tão absorvida em seus próprios sentimentos e emoções que nem notou a presença de Brittany há poucos metros atrás dela.

Oh, why you look so sad?

(Oh, por que você parece tão triste?)

Tears are in your eyes

(Há lágrimas nos seus olhos)

Come on and come to me now

(Venha aqui e venha comigo agora)

Don't be ashamed to cry

(Não tenha vergonha de chorar)

Let me see you through

(Deixe-me ver você por inteiro)

Cause I've seen the dark side too.

(Porque eu já vi o lado escuro também)

When the night falls on you

(Quando a noite cai sobre você)

You don't know what to do

(Você não sabe o que fazer)

Nothing you confess

(Nada do que você confesse)

Could make me love you less

(Pode me fazer te amar menos)

Santana sentiu a mão quente repousando em seu ombro, e ela nem precisou olhar para trás para saber que era Brittany ali, lhe dando forças no mesmo momento em que ela pensava em abandoná-la e deixá-la morrer.

"Eu não sei quais são os seus problemas, o que está te deixando assim, mas você pode contar comigo, eu vou estar ao seu lado." Sem pensar em mais nada, naquele momento, ele apenas se virou, segurou a outra firme pela cintura e a beijou, de forma apaixonada, voraz e impensada. Seus passos sempre foram tão calculados, tão frios e sem emoção alguma na maioria das vezes. Nunca se prendera a ninguém, nunca quisera, mas agora, tudo tinha mudado.

Aquela garota que ela mal conhecia havia feito uma grande mudança nela, virado seu mundo de cabeça para baixo, fora algo tão forte que quase que instantaneamente mudou sua forma de agir, de pensar, e agora, já não tinha mais volta, as conseqüências viriam, e ela as enfrentaria, de cabeça erguida. Ela acabaria com aquilo.

I'll stand by you

(Eu estarei com você)

I'll stand by you

(Eu estarei com você)

Won't let nobody hurt you

(Não deixarei ninguém te machucar )

I'll stand by you

(Eu estarei com você)

Take me in into your darkest hour

(Me deixe entrar na sua escuridão momentânea)

And I'll never desert you

(Eu nunca irei abandonar você)

I'll stand by you

(Eu estarei com você)

And when,

(E quando,)

When the night falls on you baby

(Quando a noite cair sobre você, baby)

Your feeling all alone

(Você se sente completamente só)

Walking on your own

(Caminhando com você mesmo)

I'll stand by you

(Eu estarei com você)

"Me diga como você está se sentindo, o que eu posso fazer para te ajudar." Brittany murmurou, então ela apenas sorriu.

"Está tudo bem agora, você já está me ajudando, e nem pode fazer idéia do quanto." Ela respondeu, bem próximo ao ouvido da outra. "Eu quero ficar com você, e agora eu tenho certeza disso."

"Eu não pensei que eu pudesse me sentir tão segura assim perto de alguém outra vez." Mais um beijo apaixonado aconteceu ali, e os abraço ficou mais forte e quente.

Santana sentiu seu corpo todo arrepiar e estremecer enquanto as mãos de Brittany passeavam pelo corpo, ávidas, em busca de prazer.

"Quer ir para o meu quarto?" Brittany sussurrou no ouvido da latina, de uma forma tão sedutora que chegava a ser criminosa, e claro, com seu sangue quente Santana jamais poderia lhe negar aquilo.

"Sim, eu quero muito, estou quase explodindo de tanto tesão." As palavras da latina fizeram o calor no meio das pernas da loira se intensificar, assim como seus batimentos cardíacos e sua respiração. Ela sorriu, segurou na mão da latina e as duas seguiram para o quarto onde a loira estava.


Música: I´ll stand by you (The Pretenders)

Bom no próximo teremos o resto da noite Brittana, o primeiro encontro Quinntana e a vingança de Santana.

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