Heart 2 heart

-décimo capítulo-


- Sinto muito. O senhor Lucius Malfoy acabou de chegar. E ele proibiu todas as visitas... - Papoula demonstrava grande piedade no olhar cansado - Proibiu sobretudo você, senhor Potter.

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- Não podem me proibir de vê-lo! Draco é... Draco é... Meu namorado! E está esperando o meu filho!

Madame Pomfrey ficou muito séria: - Sei disso melhor do que ninguém, senhor Potter. Mas tanto o senhor quando o senhor Malfoy são menores de idade. O responsável legal por Draco é o senhor Lucius Malfoy. É o único que responde em uma situação dessas.

- Mas...

- Ninguém sente mais do que eu, acredite. Albus e Severus estão tentando fazer alguma coisa...

- Essa enfermaria é da escola! Não pode impedir um aluno de entrar!

Madame Pomfrey respirou fundo antes de afirmar: - Se um aluno estiver passando mal, vai entrar. Caso contrário, não. Lucius Malfoy tem um pergaminho redigido por uma junta de Curandeiros de St. Mungo afirmando o quão delicada e perigosa é a situação de Draco Malfoy.

- Eu estou passando mal! Juro que...

- Desculpe, senhor Potter.

A enfermeira fechou a porta impedindo Harry de continuar a argumentar. Furioso, Harry chutou a folha de madeira, mas nada aconteceu. As emoções que o dominavam eram tão fortes que o moreno ficou tonto.

Sentiu frustração e raiva. Desespero e traição. Mas acima de tudo sentiu medo. Muito medo. Seu mundo estava desmoronando como uma frágil construção. Há poucos segundos tudo estava tão bem. Ele vencera um pesadelo e sentira-se seguro porque seu filho estava seguro também, assim como Draco.

E novamente as pessoas que amavam seriam tiradas de si?

Não! Não permitiria isso!

Tentou abrir a porta. Sem sucesso. Algum feitiço a mantinha bem trancada. Como poderia salvar as duas pessoas mais importantes para si? Como agir?

Antes que decidisse o que poderia fazer em seguida, ouviu o som de passos fugidios e apressados. Era Pansy Parkinson se aproximando.

-Bom dia, Potter. - ela vinha com uma expressão mais afável no rosto, porém se pôs em alerta ao ver a palidez do Gryffindor. - O que foi? Porque essa cara?

Harry engoliu em seco: - O pai de Draco... Está aqui.

- Aqui? Em Hogwarts? - imediatamente a garota ficou lívida: - Maldição! Quer dizer que o senhor Malfoy... Chegou...? Draco!

Fez menção de invadir a enfermaria.

- Não adianta. - A voz sombria de Harry a impediu. - Ele tem um papel de uns Curandeiros que impede qualquer pessoa de entrar, a não ser que esteja passando mal.

- Ele foi muito rápido... Realmente rápido... Quem será o desgraçado que o avisou?- Pansy passou a mão pelos fios negros. Podia ser qualquer pessoa, já que o segredo deixara de ser um segredo - Não nos deu nem chance... Pensei que poderíamos fazer alguma coisa... Pobre Draquinho... Deve estar tão assustado!

O moreno apertou as mãos e estalou os dedos. Seu coração pesava:

- Não tem nenhuma idéia sobre o que fazer?

Pansy olhou de forma aguda para Harry: - Não sou a garota das idéias, Potter. Não me confunda com Granger. - Parou por um segundo, parecendo pensar em algo. - O que está acontecendo exatamente?

- Nem eu sei! - Harry exclamou com pouca paciência. - Madame Pomfrey apenas me disse que Lucius Malfoy proibiu todas as visitas, disse que ele tem um papel dizendo que Draco está numa situação delicada. Droga! Tenho que entrar ali!

- Tsc. Não pode romper a magia. Não é como se não esperássemos isso. Eu só... Acreditei que vocês conseguiriam se vincular antes.

- Você não perde a chance de me jogar isso na cara, não é?

- Claro. - afirmou petulante - Se estivessem vinculados, você seria o responsável por Draco. Ou, no caso, os seus responsáveis seriam responsáveis por Draco também.

Pensando naquilo, Harry franziu as sobrancelhas: - E porque não o contrário? Porque Lucius não seria o responsável por nós dois, caso nós lançássemos o vínculo?

- Que imbecil! Você não conhece mesmo nada de vínculos, não é? - Pansy encostou-se na parede de pedra cruzando os braços - Alguns vínculos são muito detalhados e específicos. As contrapartes podem deixar claro quem é o responsável mor do casal. Claro que o diretor iria usar um desses, e garantir que você se comprometesse a cuidar de Draco e do bebê. Assim o senhor Malfoy não poderia fazer nada a respeito.

- Oh. Será que ainda dá tempo?

Pansy deu de ombros: - Espero que sim. O senhor Malfoy terá que sair daí mais cedo ou mais tarde... Temos que dar um jeito de entrar e aproveitar a oportunidade...

- Pedirei que o diretor lance o vínculo de uma vez por todas! Eu devia ter feito isso há muito tempo!

- Não foi por falta de aviso. - Pansy alfinetou em tom de voz seco. - Ou foi?

Harry não respondeu à provocação. Respirou fundo, os olhos verdes brilharam decididos, ele cruzou os braços e começou a andar de um lado para o outro.

- Tenho que vigiar a enfermaria, pra saber quando Lucius Malfoy sair daqui... - pensava na capa da invisibilidade - Assim que ele se for, poderei me vincular a Draco e eles ficarão seguros.

- Como você vai entrar?

- Precisamos de alguém doente! Algum aluno que esteja passando mal.

- Não pode ser qualquer um. - Pansy passou a mão pelo queixo e olhou um ponto na parede - Feitiços de Bloqueio podem ser chatos. Tem que ser alguém que esteja realmente passando mal e que possa fazer algo lá dentro. Duvido que acompanhantes possam entrar.

- O ideal seria que eu invadisse.

- Beba algum tipo de poção. Algo que crie uma doença falsa, mas verdadeira.

O moreno pensou na sugestão. - Algo dos gêmeos seria perfeito. Ron teria alguma coisa...

- Ah, claro. Ele terá muita boa vontade em ajudar a salvar Draco...

Harry olhou torto: - Ele é meu amigo. Vai entender.

- Então pare de enrolar e faça alguma coisa!

- Não vou sair daqui! Você tem que ajudar. Ache Hermione e a traga aqui... Diga que vou precisar de algo pra ver sem ser visto. Ela sabe do que eu falo.

- Hn... - a Slytherin ficou mal humorada pelas ordens recebidas. - Só dessa vez, Potter. Pelo Draco...

Harry balançou a cabeça.

Pansy deu as costas e começou a se afastar, quando ouviu Harry falar em tom baixo:

- Isso está estranho... Muito estranho...

Sem parar de andar, Pansy riu debochando: - Estranho, Potter? Você tinha tudo nas mãos e deixou escapar. Não há nada de estranho nisso, se pensar bem.

Harry fechou os olhos e respirou fundo.

HPDM

Pansy foi em direção às escadas. Se conhecia bem a jovem Gryffindor, ela não devia ter saído do dormitório ainda, ou já estaria na Ala Hospitalar...

Ficou parada no fim da longa escadaria esperando até que Hermione pareceu surgir do nada, descendo os degraus de dois em dois, temendo que elas mudassem de direção. Pansy desconfiava saber onde ficava a entrada da casa rival, mas não tinha certeza. Observou a garota caminhar em sua direção, sorridente e animada.

- Bom dia, Pansy! Está me esperando para ir à enfermaria?

- Talvez não seja um dia tão bom assim, Granger. Na verdade estou vindo de lá.

O sorriso morreu nos lábios da Gryffindor: - Aconteceu alguma coisa com Malfoy? - hesitou - Ou com o bebê?

- Acho que ainda não...

- O que quer dizer, Pansy? Está me assustando, pare com isso.

Pansy suspirou e deu de ombros: - O senhor Malfoy está aqui, em Hogwarts, na Ala Hospitalar e proibiu qualquer pessoa de entrar na enfermaria alegando que o estado de Draco é delicado. Foi Potter quem me disse.

- O que? - Hermione ficou lívida.

- Potter não me deu detalhes. Ele disse que 'precisa ver sem ser visto'... Sei lá o que isso quer dizer, mas acredito que você saiba. Eu... - antes que a Slytherin terminasse de falar, Hermione já dava meia volta e corria em direção a escadaria. - espero aqui...

Menos de cinco minutos depois a Gryffindor voltava, com a mochila de Harry na mão. Dentro guardara a capa da invisibilidade do amigo. Ron, que não gostara nem um pouco de ver a namorada invadir o dormitório masculino, principalmente porque Seamus estava no meio do ato de tirar as calças do pijama (o irlandês ficara com as orelhas tão vermelhas quanto as de Ron), no entanto o ruivo ficara intrigado ao vê-la vasculhar as coisas de Harry e sair com a mochila e a capa da invisibilidade.

Hermione não parara pra dar explicações. Cada segundo poderia ser fatal. Praticamente voou pelas escadas. Agarrou o braço da Slytherin e a obrigou a correr com ela.

- Ei! - protestou a morena - O que você pegou?

- Uma coisa de Harry. - Hermione já confiava em Pansy para algumas coisas, mas entregar um dos preciosos segredos de seu amigo estava fora de questão. A capa era importante para Harry, e só o moreno podia decidir a quem revelaria - Como Lucius Malfoy descobriu tão rápido?

Pansy bufou impaciente: - Me poupe, Granger. Ele teve praticamente vinte e quatro horas pra tomar providências. Nada que algumas ameaças via Pó de Flu e algumas Corujas não resolvam. Um homem com as influências e os galeões do senhor Malfoy pode resolver muita coisa em poucas horas.

- Harry já falou com o diretor?

- Não sei. Não conversamos direito.

- Como ele está?

- Deve estar assustado, sozinho na enfermaria... - a moreninha deixou a raiva transparecer no tom de voz seco.

Pansy sentiu a mão de Hermione estremecer.

- Eu... Eu... Perguntei de Harry...

- Ah, sei... - a Slytherin fez um muxoxo - Acho que ele não compreendeu bem a situação. Mas concordou comigo em uma idéia: tomar uma poção que o faça passar mal, assim ele poderá entrar na enfermaria. Pelo que entendi Madame Pomfrey foi obrigada a lançar um Feitiço de Bloqueio.

- Feitiço de Bloqueio? - a Gryffindor perguntou animada - Eu nunca vi um desses, mas já li a respeito. Ele impede que pessoas com ou sem determinadas características entrem ou saiam de locais específicos.

- Não se anime tanto. Um dos meus amigos está enrascado por um desses...

- Eu sei... - Mione ficou sem graça - Mas ainda assim é fascinante. Aposto que só alunos realmente doentes podem entrar na Enfermaria...

- Potter falou algo sobre os Weasley... os gêmeos e Ron ajudar.

Hermione rolou os olhos pensando em todos os produtos que confiscara de Fred e George no ano passado. Ainda tinha muitos deles guardados. Não entregara para Filch pra não colocá-los em apuros. Respirou fundo tentando manter o fôlego na corrida.

- Talvez alguma coisa do kit Mata-Aula... - Hermione considerou de forma pensativa - É... Pode ser...

Pansy franziu as sobrancelhas finalmente entendendo do que os Gryffindors estavam falando. Vários Slytherins haviam recorrido aquele estratagema em mais de uma ocasião. Ela nunca usara, pois não queria dar crédito a nenhum Gryffindor pobretão, e sabia que Draco também nunca usara, porém ambos conheciam os produtos do submundo de Hogwarts.

- Tem razão, Granger. Potter pode beber alguma coisa e entrar lá. - Pansy apertou o passo e começou a correr a frente de Hermione - Vocês dois devem tomar algo, apenas pra garantir! Melhor entrar os dois do que apenas um.

Hermione balançou a cabeça concordando. Estava completamente sem ar quando chegou à Ala Hospitalar e viu o Garoto Que Viveu andando de um lado para o outro, mantendo na face uma expressão extremamente preocupada.

- Oh, Harry. - avançou até o amigo e tomou-lhe as mãos entre as suas - Como você está?

- Preocupado. - Harry soltou as mãos e pegou a mochila - Você trouxe?

- Sim. Pansy me falou a respeito da sua idéia de...

A garota de cabelos castanhos calou-se ao notar Ron se aproximando. Ele estava cansado, provavelmente correra até ali. O clima ficou um tanto pesado e o ruivo apenas corou ao ser observado intensamente pelos outros três estudantes.

Abriu e fechou a boca duas vezes sem conseguir dizer nada. Imediatamente Hermione veio ajudá-lo.

- Ron...

Naquele momento a porta da enfermaria abriu, pegando os quatro de surpresa. Quem saiu de lá, foi o professor de Poções, com uma expressão das mais carrancudas. Sua face estava tão tensa e carregada, que fazia a cara de sempre parecer alegre e gentil...

Ele mirou os quatro com extremo desagrado e começou a se afastar, fechando a porta atrás de si.

- Professor...? - foi Pansy quem teve a coragem de se dirigir a ele. Até Potter fora pego de surpresa pela carranca - Professor Snape?

- O que foi, senhorita Parkinson? Talvez não se importe em chegar atrasada para a aula, no entanto eu me importo.

- Mas... O Draco professor... Ele está bem?

Snape deu as costas e começou a se afastar: - Não se preocupe com assuntos que não lhe dizem respeito.

- Temos que vê-lo! - gritou Hermione vencendo o medo - Temos que entrar na Enfermaria.

- Que entrem. O que os impede? - Perguntou com voz desdenhosa. - Pomfrey já retirou o Feitiço de Bloqueio.

Imediatamente dois dos estudantes ficaram aliviados. Mas Pansy, desconfiada por natureza, indagou em voz esganiçada:

- Porque, Professor?

- Porque Lucius Malfoy já foi embora. - afirmou com voz enfadada. Antes que alguém pudesse comemorar, completou: - E levou Draco com ele.

Hermione e Pansy perderam a voz, mas Harry reagiu por puro instinto: - Mentira! Nenhum deles passou por aqui! Eu teria visto!

Snape parou de andar e voltou-se, olhando ameaçador para Harry: - Mentira? Quer dizer que o venerável Harry Potter acha que sou mentiroso? Detenção, Potter, por desacato a um professor. Amanhã na minha sala após as aulas. - Fez menção de ir embora, mas pareceu lembrar-se de algo e parou para informar - Essa não é a única passagem, Potter. A Enfermaria tem uma lareira. E ela está ligada a rede de Flu.

Foi embora, deixando Harry, Hermione e Pansy em choque. O Garoto Que Viveu olhou para a amiga. Lembrou-se que, no ano passado, Dolores Umbridge monitorara todas as lareiras com acesso a rede de Flu de Hogwarts. Nem lhe passara pela cabeça que Lucius Malfoy arriscaria tirar o filho do colégio por uma passagem tão perigosa! Principalmente depois de escapar de um aborto por um triz.

- Oh, Harry...! Malfoy não está mais em Hogwarts!

Antes que o moreno respondesse, Pansy gritou com voz histérica:

- Parabéns, Weasley! Agora você conseguiu o que queria... Draco e o bebê saíram do caminho e você pode ter seus adorados amiguinhos de volta! Espero que esteja feliz!

Saiu correndo, tentando inutilmente esconder as lágrimas que já escorriam por seu rosto.

Harry encostou-se na parede e colocou a mão na garganta, como se tivesse dificuldades de respirar. Hermione olhou Pansy que virava o corredor. Sentiu-se dividida entre a vontade de ir atrás dela e ficar ali, consolando o amigo. Acabou ficando.

- Harry... - sussurrou.

Ron engoliu em seco e também se foi, arrependido de ter ido até ali.

- Hermione... Porque... Porque essas coisas sempre acontecem comigo?

A garota encostou-se ao lado dele e começou a soluçar. Tinha a forte impressão de que as coisas não terminariam bem...

- Talvez o professor Snape tenha sido cruel... Quem sabe não foi bem assim?

- Temo que isso não esteja correto, senhorita Granger.

Harry e Mione viraram-se, para observar Albus Dumbledore, o diretor de Hogwarts, encostado na porta da enfermaria, o maior de todos os pesares expresso na face velha. Os olhinhos iam de Harry para Hermione, por cima dos óculos de meia lua, analisando-os cuidadosamente.

- Diretor... - começou a garota, em voz trêmula.

- Algumas coisas estão fora do meu alcance. Garanto, Harry, que fiz o que foi possível.

- Mas... Como Lucius Malfoy pôde fazer isso? Levá-lo através da lareira? - A irritação fez os olhos verdes brilharem como chamas.

- St. Mungo providenciou o meio de transporte mais seguro que possuem. Não é isso que me preocupa, Harry. Lucius Malfoy deixou uma forte impressão de que pretende levar o jovem Malfoy de volta para a Mansão...

- E onde fica? - quase gritou Harry. - O senhor sabe?

- Infelizmente não. Severus sabe, mas não pode dizer. Pelo que sei a Mansão Malfoy está protegida por muitos encantamentos. Apenas um pergaminho especial do Ministério nos daria acesso.

- E o que vamos fazer? - O Garoto Que Viveu perguntou desanimado - Deixar as coisas como estão? O pai de Draco vai matá-lo!

- Não acredito que isso seja verdade, Harry. Lucius Malfoy estava consternado, creio ter uma verdadeira afeição pelo filho.

Harry passou a língua pelos lábios enquanto considerava a afirmação. Tentou se convencer de que não precisava temer, até que Hermione levantou outra questão, que era mais importante do que tudo:

- Essa 'afeição' se estende ao bebê?

Dumbledore passou a mão de dedos finos pela longa barba branca.

- Infelizmente não creio que se estenda, senhorita Granger. Eu me arriscaria a dizer que é justamente o contrário.

Harry apertou as mãos e Mione ofegou:

- Oh, não!

- Temos que fazer alguma coisa! Todos vão apenas ficar olhando Lucius Malfoy assassinar o meu filho?

- Nossas leis nem sempre são justas, Harry. Supostamente Lucius Malfoy sabe o que é melhor para o filho, como seu representante legal. Agir contra ele é agir contra a lei.

- Eu não vou ficar esperando algo acontecer! - Harry disse em voz baixa pra logo em seguida virar as costas e afastar-se dali.

A garota lançou um olhar suplicante para o diretor e saiu correndo atrás do Gryffindor. Assim que ficou sozinho, o Diretor enfiou a mão no bolo e pegou um caramelo. Enquanto o descascava, suspirou.

- Ande logo, Severus. Você sabe que não temos muito tempo...

HPDM

Harry invadiu o dormitório masculino e jogou-se na cama. Não tinha a menor vontade de assistir aulas ou compartilhar a presença de outros seres humanos. Sentia-se como se estivesse em um pesadelo confuso. Não devia estar acontecendo.

Não devia!

- Harry...

O moreno abriu os olhos e fitou seu melhor amigo. Ron estava sentado na própria cama. Harry entrara tão consternado que nem o vira.

- Ron...

- Eu...

Harry olhou dentro dos olhos azuis do garoto que julgava seu melhor amigo. Tentava desvendar a verdade oculta por trás do rosto sardento: - Ron... O meu filho... Você não pode se sentir feliz com isso...

Ron não desviou os olhos em momento algum: - Não consigo compreender você. Porque, de todos nessa merda de escola, tinha que ser o Malfoy? O Malfoy, Harry, lembra? O bastardo que quase me ferrou o ano passado... Que ia entregá-lo de bandeja para Umbridge... Como é que conseguiu esquecer disso tão rápido?

Harry piscou. Ron tinha razão. Ele conseguira esquecer todos aqueles anos de perseguição que Draco lhes proporcionara. Na verdade, parecia tudo tão distante, como se fosse com outras pessoas, num outro mundo.

Agora ele olhava para o Slytherin e via apenas o garoto que amava, o garoto que carregava o filho de ambos no ventre. O garoto que, por aceitar seus sentimentos, corria um grande risco naquele minuto...

Realmente apagara todos os incidentes da memória, e preenchera os espaços vazios com sonhos do futuro, com esperança de que a vida finalmente lhe reservara algo bom, de que o revés acabara, e a sorte viera lhe permear o caminho.

Ledo engano. Já doía bastante. Já sentia falta do loiro, dos dramas, dos exageros e mau humor quase crônico. Estava tão acostumado com a presença de Draco, que era quase como se nunca houvesse existido a rivalidade entre ambos.

- Aconteceu... - Harry deixou escapar um suspiro enquanto sussurrava para Ron que o encarava ansioso de uma resposta - Você gosta da Mione, não é, Ronie?

O ruivo balançou a cabeça aborrecido com a pergunta: - Muito! Mas é totalmente diferente.

- Diferente porquê? Porque ela é uma garota? Por que eu deveria ter me apaixonado por uma garota?

- Não, Harry. Não é por isso. É porque ela esteve do nosso lado desde sempre. Ela é das nossas.

- Ah, então se eu tivesse me apaixonado pelo Seamus ou pelo Neville estaria tudo bem?

- É... Mais ou menos isso...

- O problema, Ron, é que no coração a gente não manda. Você não disse pra si mesmo "apaixone-se pela Hermione porque ela é uma moça bacana" ou "não se apaixone pela Bones porque ela é meio melosa". O sentimento vem. E você não escolhe gostar de algo porque é conveniente.

- Mas... Você tentou não gostar dele? Não sentir isso, pelo menos?

Harry finalmente desviou os olhos. Talvez aquela fosse outra batalha perdida. - Sabe, eu até tentei. Você só descobriu porque Draco engravidou e eu assumi. Já gosto dele tem algum tempo... Acho que desde o final do quarto ano...

- Por isso você esteve tão paciente com a Doninha ano passado... Só perdeu a pose quando ele ofendeu sua mãe... - Ron ficou um tanto ofendido - É... Se gosta dele desde essa época então as coisas fazem mais sentido...

Harry sorriu um pouco: - Ele tem um jeito estranho de chamar a atenção...

Ron ficou vermelho: - Pará! É demais pra mim. Olha, Harry... Eu considero você como um irmão... É o meu melhor amigo, mas não me peça para aceitar Draco Malfoy. Nunca poderei aceitá-lo...

Harry balançou a cabeça concordando. Pelo menos estavam conversando, o que era um grande avanço. Quem sabe algum dia... Se todos saíssem ilesos daquela droga toda...

- Mas... - continuou o ruivo, chamando a atenção do moreno para si - Hermione está coberta de razão. Eu estou sendo idiota, o seu... Seu... O seu filho não tem culpa de nada. Não quero que... Hum... Malfoy perca a criança... É... É isso, eu disse, pronto.

Emocionado, Harry apenas balançou a cabeça. Ron não tinha noção da força que seu incentivo estava dando. Era tosco e rude, mas sincero. E a sinceridade era o que importava. Ron era um grande amigo, e conservar a amizade do ruivo o fazia muito feliz.

Com o tempo poderia fazê-lo se acostumar a Draco.

- Acho que devia conversar com a Mione, Ron. Ela está muito preocupada com você. Ela está meio brava também...

Ron ficou ainda mais vermelho. Tanto que as sardas pareceram sumir em seu rosto: - Muito?

- Muito...

- Sabe onde ela está?

- Ela me deixou aqui e disse que ia atrás de Parkinson, ver se estava tudo bem... Eu, se fosse você, ia atrás dela nesse minuto.

- Valeu amigão... - O ruivo levantou-se da cama e antes de sair do dormitório ainda incentivou: - Vai ficar tudo bem com o... O Malfoy... Er... Hum... Se precisar de algo...

Harry acenou com a cabeça. O apoio de Ron lhe dera um ânimo a mais, e ele sentia que tinha que fazer algo... Só não saia por onde começar...

HPDM

Draco relutou em abrir os olhos. As coisas estavam tão confusas em sua mente... Lembrava-se de ter passado mal no café da manhã. Dessa memória, o mais forte era o gosto de sangue em seus lábios. Estava tudo tão nítido em sua mente. Recordava-se também de Pansy gritando sobre aborto. Aborto...

E depois disso não se lembrava de mais nada.

Estaria tudo bem com seu filho? Temia abrir os olhos e descobrir que a criança não crescia mais protegida dentro de si. Se tivesse perdido aquela criança! Seria pior que a própria morte...

Tateou com a mão até tocar o próprio ventre. Ali estava! O barrigão de cinco meses! Feliz, abriu os olhos. Então a alegria foi substituída pela surpresa e em seguida o pânico. Reconheceu imediatamente o local: estava no seu quarto, na Mansão de seus pais. Mas como?!

Guiado pelo instinto, olhou para o lado e seu coração quase parou de choque.

Sentado em uma cadeira ao lado da cabeceira da cama estava Lucius Malfoy. A bengala preta descansava apoiada ao lado da perna esquerda. As mãos seguravam um livro pequeno, de capa de couro escuro.

- Pai...

Imediatamente os olhos desviaram-se das páginas do livro e fixaram-se sobre o adolescente. A expressão séria fez Draco engolir em seco.

- Draco.

- Eu... Eu...

- Tem idéia do quanto me decepcionou, garoto?

Draco desviou os olhos, com medo de encarar o pai. Pelo visto tudo chegara ao fim...


Harry & Draco


N/A: Pessoas, pessoas, pessoas... o que posso dizer? Essa fic entrou em sua reta final. Previsão: mais 02 capítulos e um epílogo. Estamos quase lá, meus amigos!


Agradecimentos aos reviews: Samantha, Dryade, Nicolle Snape, Scheila Potter Malfoy, Kuro Yama Izumi, Hanna Snape, Tetty Potter Malfoy, Moony Ju, Ge Black, Tixa chan, Anna Luthien, Condessa Oluha, Neko Kurai, Makie, Hina's, Chris Ann, Dark Angel Sly, XL Sant'Anna, Bibiss, Maah, Alis Clow, Lady Anubis (valeu mesmo, moça!), Aleera Black (que mudou de nick, mas eu ainda não decorei!), Karla Malfoy, Tonks Black e Nanda.