O Aniquilador
Capítulo 11

Invasão

"Tão fácil, tão fácil. Eu aqui com a Master Emerald e não movi um dedo sequer. Sonic não faz a mínima idéia de onde estou escondido e eu tenho um robô superpoderoso totalmente sob meu controle. Ah, aquele robô! Não sei o que fiz diferente, mas parece que acertei dessa vez. HOHOHO! Isso está tão bom que eu já posso pôr em prática meu próximo plano sem me preocupar. As férias acabaram, dessa vez o mundo será meu!"

Robotnik começou a pressionar furiosamente as teclas de seu computador principal, à procura de seus esquemas, com um largo sorriso no rosto.


Annihilator se aproximou voando silenciosamente do local, tomando cuidado para não ser notado pelos seguranças de plantão. Pousou sobre o teto e analisou as várias camadas de materiais que compunham a parede. Fora construída de forma a exatamente evitar obtenção de informações por meios exteriores. Raios X não a ultrapassavam nem ondas de qualquer tipo atravessavam aquela barreira. Annihilator calculou as durezas dos materiais e a força necessária para abrir um buraco de bom tamanho naquela espessa parede. Retraiu o braço e desferiu um soco que fez um grande pedaço do teto afundar. Com um rangido, esse pedaço se destacou do resto da estrutura e caiu dentro do local, em cima de um carro blindado que sofreu grandes danos pela densidade do bloco.

O lugar era um enorme galpão onde se encontravam diversos veículos de guerra, um enorme vão preenchido por vários automóveis, desde pequenos jipes a grandes tanques de guerra. As centrais de operações deveriam estar localizadas em níveis subterrâneos. Vários soldados que se encontravam no local instantaneamente se viraram, com suas variadas armas apontando do carro para o buraco no teto, de onde Annihilator descendia lentamente. Ele pousou no chão, cercado por homens armados que disparariam a qualquer movimento suspeito que ele fizesse, e falou calmamente com sua voz grave que ecoou por todo o local:

- E-123 Omega. Eu o procuro.

Os soldados pareceram não entender o que ele queria dizer com isso e não se moveram, se limitando a pedir uma identificação do intruso. Annihilator tornou a repetir:

- E-123 Omega. Eu o procuro.

Sem obter respostas, todos os homens começaram a disparar contra Annihilator. Ele não se moveu, de certa forma havia previsto que fariam aquilo. Diminuiu a resistência da sua camada mais exterior de metal e permitiu que os tiros disparados penetrassem seu corpo, acumulando as munições dentro dele. Vendo que os tiros não surtiam efeito, os soldados pararam de atirar. Annihilator apontou um dedo para a cabeça do homem que estava à sua frente e da ponta dele ele expeliu uma das munições, com força suficiente para abrir um grande buraco no crânio do homem e o fazer cair morto instantaneamente.

- E-123 Omega. Apenas ele.

Os soldados pareciam não querer entender o que ele dizia, pois começaram a recarregar as armas e se preparar para atirar novamente. Com o que poderia ter sido um suspiro, Annihilator abriu vários poros ao redor de seu corpo, por onde enviou de volta todos os tiros que havia recebido. Uma explosão de pequenos balaços partindo de Annihilator que atingiram todos os soldados próximos. Logo se formou uma pequena roda de cadáveres ainda sangrando ao redor de Annihilator, mortos pela força incrível com que Annihilator devolvia os tiros.

Só então os homens restantes perceberam o perigo e começaram a correr, a maioria deixando cair sua arma enquanto o fazia. Muitos foram em direção aos grandes veículos blindados, que se espalhavam por todo o pavilhão. Logo não havia mais um exército de homens, mas uma frota de tanques de guerra ao redor de Annihilator, que permaneceu imóvel. Ele apenas falou:

- E-123 Omega. Eu o procuro. Caso não o tragam a mim, usarei meios violentos para que o façam. É o último aviso.

Mal ele terminou de pronunciar essas palavras, um alto disparo foi ouvido. Uma grande bola de metal havia sido disparada por um dos canhões. Annihilator se moveu rápido e parou a bala com as duas mãos. Virou-se e a arremessou contra um outro tanque, mas com muito mais força do que teria sido possível a qualquer daqueles veículos disparar. A bola de metal penetrou o aço blindado, envergando e deformando toda a estrutura do tanque até que ele explodiu em chamas. Os pilotos dos demais carros de guerra ficaram estarrecidos com esse feito e imóveis por um momento, momento que Annihilator aproveitou. Ele agarrou o proeminente cano de um dos canhões e o extraiu do tanque, usando-o para bater com força nele até destruí-lo. Ainda antes que os pilotos pudessem reagir, ergueu um dos tanques com os dois braços e o arremessou sobre outro.

Os demais tanques começaram então a voltar seus canhões para Annihilator, mas ele começou a correr velozmente ao redor e entre os veículos, de forma a se tornar impossível de mirar, enquanto modificava seu braço. Transformou-o na habitual lâmina de dois gumes, afiada ao máximo, sua espada. Com o membro modificado, continuou correndo entre os tanques enquanto destruía todos rapidamente. Explosões começaram a ocorrer enquanto os veículos desmoronavam no chão. Quando Annihilator finalmente terminou, sobrou apenas uma grande pilha de metal em chamas que expeliam grossos rolos de fumaça.

Annihilator olhou em volta e viu que ainda havia soldados no lugar, mas eles pareciam aterrorizados demais para fazerem o que ele queria. Teria que procurar por Omega sozinho e isso significaria ir para os andares inferiores. Depois daquela confusão toda ele achou que não precisaria ser discreto, bastaria apenas sair destruindo tudo até eventualmente encontrar Omega para destruí-lo também. Quando ia preparar-se para abrir um buraco no chão e descer um nível, no entanto, ouviu uma voz baixa ao seu lado:

- E o que te faz pensar que pode vir aqui e simplesmente arranjar confusão?

Era um ouriço de pêlo negro com os espinhos dorsais erguidos. Ele estava de olhos fechados e braços cruzados, encostado em uma parede ao lado de um grande elevador, de onde chegavam mais soldados.

- Fui incumbido de uma missão, estou aqui para cumpri-la. Desejo encontrar E-123 Omega. – respondeu Annihilator, impassível, enquanto um novo grupo de soldados se reunia ao seu redor.

- Mas isso não te dá o direito de fazer o que quiser! – disse uma morcega branca que saía por último do elevador. Ela encarou Annihilator por um tempo e então se virou para o ouriço negro, com uma expressão de dúvida – Shadow...?

- Sim, - respondeu o ouriço, cujo nome era Shadow, abrindo os olhos – até já sei quem deve estar por trás disso.

Apesar de Annihilator não ter revertido à sua cor original – continuava negro – sua aparência continuava muito parecida com a de Metal Sonic. Shadow rapidamente associou tudo aquilo a Dr. Robotnik, mas não comentou mais nada sobre isso, disse apenas para os soldados:

- Acho melhor vocês se afastarem. Considerando o estrago que ele causou aqui, vocês não seriam páreos. Deixem isso comigo.

Os soldados assentiram e se afastaram enquanto Shadow se aproximava. Ele entrou em posição de luta e acenou para a morcega atrás de si:

- Rouge, talvez eu precise de você.

A morcega jogou uma pedra brilhante de cor azul escura para Shadow, que a pegou no ar. Era uma das Chaos Emeralds.

- Já que você acha que vai ser coisa séria, melhor ficar logo com isso. – falou ela.

Annihilator pensava seriamente em ignorar esses dois que se achavam fortes o suficiente para enfrentá-lo, mas a visão da esmeralda o fez mudar de idéia. Sabia que Robotnik já estava bastante satisfeito com a Master Emerald, mas talvez ele ficasse ainda mais se conseguisse outra Chaos Emerald. Além de que se ele reunisse todas as sete...

Poder

... ele poderia utilizar sua Super Forma.

- Muito bem, - disse ele, decidido – vamos lutar, se é o que querem.


- Devo ir, senhor? – falou uma voz metálica para um homem sentado no centro de uma ampla e movimentada sala que monitorava o que estava acontecendo no resto do prédio.

- Não, agora que enviamos Shadow a situação deve normalizar. E não deixaremos ele vir aqui e pegar o que desejar só porque quer, pode ficar tranqüilo, Omega. – e então ele girou na cadeira e falou para um subordinado - Não enviem mais reforços até segunda ordem. Os homens que estão lá e Shadow podem cuidar disso.

Pelo seu modo de falar e sua posição de destaque na sala, aquele deveria ser o capitão daquela base. Ele parecia um tanto quanto nervoso e ao mesmo tempo tentando relaxar, como se afirmasse para si mesmo que estava tudo sob controle mas ele próprio duvidasse disso. Omega permaneceu esse nervosismo nele e se voltou para observar as imagens da luta no grande monitor que tinha à sua frente. Se fosse realmente necessário, iria lá ele mesmo e lutaria com o invasor, se era isso que ele queria.


Shadow chutou um pequeno pedaço de metal que estava no meio da sujeira do chão na direção de Annihilator e em seguida avançou também. Annihilator rebateu o pedaço de metal e defendeu o golpe de Shadow que se seguiu. Não iria cair numa finta tão simples. Shadow girou o corpo e numa velocidade incrível passou para trás de Annihilator com os punhos fechados para atacar. Annihilator se liquefez imediatamente e as mãos de Shadow atravessaram apenas a cortina de metal líquido que se formou. Annihilator escorreu pelo chão entre as pernas de Shadow e se reintegrou atrás dele com os dois braços em forma de lâminas apontando para o pescoço dele.

Shadow saiu de sua posição rapidamente, mas não o suficiente. As lâminas arrancaram dois nacos de carne de seus ombros. As feridas começaram a emanar sangue que cobriram as costas de Shadow como um manto rubro. Ele gemeu, mas os cortes haviam sido apenas superficiais e tão logo o sangue começou a sair, ele estancou. Nesse meio tempo, Annihilator iria partir para cima de Shadow e acabar com ele de uma vez, mas Rouge se adiantou e cruzou o caminho de Annihilator com um chute em direção à sua cabeça. O golpe acertou em cheio e fez com que Annihilator perdesse o equilíbrio, caindo no chão por causa da velocidade com que arrancara. Rouge se aproveitou dos instantes para acudir Shadow.

- Você está bem!?

- Sim, não foi nada. Preste atenção na batalha! – respondeu ele, rispidamente.

Annihilator se ergueu, com uma das mãos transformada num capacitor em forma de garra. Dela ele lançou um fio que atingiu as costas de Rouge. Shadow tentou jogá-la para o lado para que ela escapasse, mas não conseguiu fazê-lo a tempo. No instante seguinte, Annihilator transferiu uma quantidade maciça de eletricidade para o corpo da morcega pelo fio. Ela gritou alto enquanto a eletricidade percorria seu corpo. As pontas de seus pêlos queimaram e adquiriram um tom cinza e ela acabou por perder a consciência e desabar no chão.

Shadow a apanhou nos braços e a recostou numa parede. Ergueu-se e se virou para Annihilator, enxugando o pouco sangue que ainda escorria dos ferimentos nos ombros.

- É, essa vai ser uma batalha séria. – falou ele antes de disparar em direção a Annihilator.

Quando se aproximou, no entanto, não completou a investida, rolou para o lado no chão e agarrou uma arma que estava caída no chão e imediatamente começou a disparar contra Annhilator. Ele, por sua vez, começou a avançar rápido na direção de Shadow, absorvendo e devolvendo os disparos. Shadow esquivou de todos, era muito rápido e ágil. Percebendo que a arma era inútil, devolveu-a ao chão e retornou para o combate corpo a corpo, porém mais atento agora sabia que ele podia moldar o corpo em qualquer forma.

Ambos entraram em contato, desferindo e esquivando dos golpes mutuamente. Annihilator transformou seus dois braços em afiadas lâminas, o que dificultou a batalha para Shadow. Ele se agachava e dava voltas para escapar das espadas que podiam cortar sua vida se o tocassem. Annihilator então estendeu os dois braços e começou a girar em vota de si mesmo rapidamente, transformando-se num borrão negro que cortaria tudo o que se aproximasse. Shadow saltou para trás quando ele começou a fazer isso, mas ainda recebeu um fino corte no peito que manchou de vermelho os pêlos alvos que possuía ali.

Ainda rodopiando, Annihilator moveu-se na direção de Shadow, que não pôde fazer nada além de desviar. Não havia brechas... Ou havia? As lâminas estavam localizadas mais acima, as pernas de Annihilator estavam desprotegidas enquanto ele girava. Um golpe bem posicionado poderia fazer com que ele caísse. Ele se agachou, se preparou e então fez um Spindash no momento certo. Quando Shadow atingiu as pernas de Annihilator, em vez de se chocar com algo sólido, ele as atravessou. Annihilator havia se liquefeito no último momento e agora o metal envolvia todo o corpo de Shadow. Ele tentou se levantar, mas o líquido o puxou para baixo como se possuísse força própria. Annihilator poderia esmagá-lo como uma serpente constritora faria com sua presa agora, mas Shadow não deixaria isso acontecer. Ele agarrou firme sua esmeralda com os movimentos que ainda lhe eram possíveis e gritou alto:

- Chaos Blast!

Uma energia forte começou a emanar da esmeralda azul escura e do próprio corpo de Shadow. A energia fez com que Annihilator se desprendesse do corpo de Shadow e ele logo teve que se solidificar para se manter firme. A isso se seguiu uma imensa explosão que arremessou Annihilator com força contra uma parede e o pressionou contra ela até ela se despedaçar. O chão sob eles ruiu, jogando todos os destroços no andar de baixo, que deveria ser o alojamento dos soldados. Rouge recobrou a consciência com a queda a tempo de escapar dos blocos de concreto e metal que caíam. O andar superior todo se desfez, matando muitos dos soldados que estavam nele e dos que estavam no andar de baixo, pela queda dos destroços.

Annihilator estava soterrado sob uma grande quantidade de pedras, imóvel, sem compreender o que havia acontecido. Ele tinha a batalha ganha e então aconteceu... Aquilo. Escutou gritos e tentou ouvi-los:

- Você está louco, por acaso?! Usar isso aqui dentro?! Olhe os estragos que você causou! Olhe quantas pessoas você matou apenas por causa disso! – era Rouge, provavelmente criticando Shadow por causa daquele ataque devastador.

- Fique calada, ele ia me matar. Foi necessário, pelo menos eu consegui derrotá-lo.

- Não, não conseguiu. – Annihilator surgiu em meio aos destroços, arremessando as pedras que o cobriam – E agora sim eu vou matá-lo.

Annihilator estava novamente tomado por uma espécie de cegueira, queria apenas descontar aquele devastador dano e destruir aquele maldito ouriço antes que ele causasse mais algum. Não queria ter que voltar para mais uma sessão de reparos depois daquilo, isso seria assumir que era fraco. Ele começou a modificar seus dois braços, que se uniram e formaram um único grande canhão. Shadow ergueu sua esmeralda e murmurou:

- Acho que ainda me resta energia para mais um...

- NÃO! Shadow, você vai matar muito mais gente se repetir isso! – gritou Rouge, se agarrando ao braço dele.

- Esqueça, não tem outro jeito. Chaos...


- CHEGA! A situação está saindo de controle! Enviem o Projeto Darwin! – disse o capitão em sua sala de comando, ao ver Annihilator se erguer dos escombros.

- Mas chefe, o projeto ainda não está concluído e...

- Envie de qualquer modo! Se nem Shadow está sendo páreo para esse maldito, Darwin é nosso último recurso. Envie-o agora!

- Sim, senhor! – respondeu o subordinado e se virou de volta para o monitor para enviar as ordens ao centro de pesquisas biomecânicas.

- Senhor, talvez eu devesse ir e poupar esse problema. – falou a voz arrastada e metálica de Omega.

- Agora não é mais apenas por você, Omega, é uma questão pessoal limpar esse invasor da minha base. Quero ele destruído!

Omega assentiu, ainda incomodado com aquilo.


- Chaos...

Shadow foi interrompido quando o enorme portão de acesso aos elevadores foi explodido, arremessando migalhas de metal por todo o pavilhão. Em meio à fumaça surgiu uma enorme criatura, meio animal, meio máquina, do porte de um grande touro, pisando pesadamente no chão, indo em direção a eles.

- Mas... Darwin? – Rouge deixou escapar baixinho.