Faltam cinco capítulos Já estou ficando triste...
Muito obrigada a todos que leram e deixaram reviews, aqueles que não deixaram, sei que estão lendo e agradeço da mesma forma. O apoio de vocês é inestimável.
Agradecimentos especiais:
A Sadie – Por entender as dificuldades do coração de escritora, inspirar e encorajar os escritores de fanfic. Ainda me sinto honrada por esta história estar entre suas favoritas. O Destino de Muitos é uma dessas histórias que a gente aguarda ansiosamente para ver o desfecho e ao terminar, sabe que vai deixar imensas saudades.
Nimrodel. – Pelo espírito forte e compreensivo, mesmo quando eu apronto terrivelmente com o seu amado Faramir. Continuo viciada em Crônicas Aragornianas e acho que devo sofrer tanto quanto você.
Dani de Rohan – Poderia repetir as mesmas palavras, mas eu sei que você está adorando vê-lo perverso! Rs. Sem rosas de Se Você Partir, mas com um pouco de elegância do Mistério do Rei, não? Ok, não.
Kiannah – Acompanha esta escritora, empresta seu warg de estimação e me deslumbra com sua fantástica fanfic Estrela Solitária.
Ranique, seqüestradora de plantão, criativa e sensível! Giby, doce hobbit que escreve a intrigante e adorável A Medalha. Aninha, quinzenalmente, como uma estrela cadente, pode se distanciar, mas sempre presente.
Letícia - Companheira incansável destas aventuras, voz da consciência e "cabuladora" de aula, em busca de um certo professor, que também desperta minhas faltas.
A todo grupo Tolkien e aqueles que responderam a Lista de Presença.
I&I&I&I&I&I&II&I&&I
Take a breath
just take a
seat
you're falling apart
and tearing at the seams
Respire fundo
Apenas descanse
Você está desmoronando
e parece que está se
rasgando ao meio
Heaven
forbid
you end up alone
you dont know why
hold on
tight
wait for tomorrow
you'll be alright
Os céus impeçam
Que você termine sozinho
Sem saber o motivo
Segure firme
Espere pelo amanhã
Você ficará bem
it's on your face
is it
on your mind
would you care to build
a house of your own
Está na sua face
Está na sua mente
Você se importa
De construir um lar para si?
How
much longer
How long can you wait
It's like you wanted to
go
and give yourself away
Quanto tempo mais?
Até quando você pode esperar?
É como se você quisesse partir
E desistir de viver
Heaven forbid
you end up
alone
you dont know why
hold on tight
wait for tomorrow
you'll be alright
Que os Céus impeçam
Que você termine sozinho
Sem saber o motivo
Segure firme
Espere pelo amanhã
Você ficará bem
Out of this one
Don´t know why to get to you
Além disso
Eu não sei como chegar até você
I&I&I&I&II&I&
Evite Atalhos
Morghan conferiu se o carro de polícia ainda o seguia e teve que admirar a tenacidade do Comissário. Por breves instantes, ele tivera a certeza que teria que matar Sorin Rávo, mas a promotora o conteve com palavras que Morghan não pôde ouvir e que o Minotauro não se importara. Era como se uma voz repetisse dentro da sua cabeça que ele não precisava se preocupar. O Comissário já estava morto, não seria uma ameaça.
Aumentou a velocidade e aspirou o perfume da Dama, trazido pela janela aberta. Ela também dissera que o acompanharia, em silêncio, entrara no sedan prata e permanecia quieta, os olhos cintilando de fúria, o rosto tenso atenta a estrada.
Toda aquela cooperação o deixava intrigado. O celular tocou e Morghan atendeu a chamada, conduzindo o veículo para a saída da via-expressa. Ouviu as notícias e ficou em silêncio, atento agora, ao fato que a Dama estava tão interessada no assunto quanto ele.
--- Eu estou a caminho. – avisou, sério e riu alto com ironia. Fitou o perfil da Dama com um sorriso malvado. – É uma pena, lástima. Minos está morto? Não creio, preste atenção sobre seu ombro. Ele pode estar mais perto do que imagina. Ah, bem, o importante é fechar o Beco, os mendigos da Sete vão querer dominar rapidamente a situação. Às armas! Nada de perder escravos, eles esperam há meses por uma oportunidade. – após outro hiato estudado, Morghan encarou a Dama por um segundo e adicionou – Fique de olho no Ilusionista. Depois do que descobri hoje, ele tentará liderar a salvação dos estropiados e prostitutas. – o semblante de Morghan se fechou e por um instante, a luz se extinguiu dentro do carro, encerrando uma densa escuridão. – O filho do prefeito? – ele contraiu a face, zangado - Não será uma publicidade das melhores se o filho do prefeito tiver morrido, mas se salvar e contar a história, também não vai nos servir. O quê? – virou-se para a Dama, rosnando furioso – Estou cercado de idiotas. – abaixou o tom, perigosamente. – Vocês não vão fazer nada disso, imbecis. Não discuta. – a voz de Morghan se desdobrou com um tom frio e chamas eternas. - Certifique-se que ele tenha uma concussão, mas apareça no hospital. Eu os encontro na Vala do Cnossos.
Éowyn acompanhava aquele diálogo com arrepios de medo subindo sua espinha. Um formigamento crescente desenhava os traços da Marca em suas costas. Ela podia sentir que seu poder estava fraco, mas ainda estava ali. Não podia saber o que significa tudo aquilo, mas precisava de tempo para descobrir e tentar despertar a essência de Faramir, mais uma vez dentro daquele monstro.
--- Eu tenho péssimas notícias para você, Dama. – informou Morghan, manobrando o volante com perícia e reduzindo a velocidade. – Acho que vai ter que escolher outro brinquedo. O seu Arqueiro está soterrado no que restou do Solar. – indiferente, Morghan completou. – Parece que eu preciso de uma casa nova. – riu. – Mulher já tenho.
Éowyn digeriu a fileira de absurdos respirando profundamente. Sua falta de reação despertou a curiosidade de Morghan.
--- Sem objeções? – ele estalou os dentes, decepcionado. – Que pena, e eu achando que você gostava dele. – maneou a cabeça e apertou o volante com mais força, a rua estranha, cheia de muros desmoronando estalava com cascalhos e pedras soltas. Suspirou – Mulheres.
--- O Arqueiro está vivo. – falou Éowyn, por fim, atenta ao caminho escolhido por Morghan. Não conhecia aquele atalho. – E não cante vitória antes do tempo. – rosnou, rilhando os dentes. – Não sou sua mulher.
O sedan parou lentamente em um ambiente completamente desconhecido para Éowyn. De fato, ela até conhecia, mas não conseguia compreender o destino.
--- Mas já foi, não é isso? – questionou Morghan, retirando os óculos. Ostentou as órbitas negras para desgosto de Éowyn. – Não minha. – explicou Morghan e um fio vermelho contornou rapidamente as órbitas escuras, entrando como um rastro de sangue na pupila. – Acha que vai salvá-lo? – ele se inclinou um pouco e apanhou o queixo dela. – E quem vai salvar você?
Éowyn conteve o fôlego e então, soprou, suavemente.
--- Faramir.
Morghan largou o rosto dela deixando uma marca dos dedos em vergões esbranquiçados. O véu vermelho sobre seus olhos impedia de definir o tom da íris dilatada, e tudo que ele enxergava agora era uma cortina rubra, com poucos efeitos brancos e negros. Mas sabia, ela estava furiosa e estranhamente triste.
--- Para encontrá-lo, você pode perder a si mesma. – sentenciou, com uma expressão indiferente.
Éowyn abriu a boca, o coração aos saltos, sua mente gritando o alarme que seus olhos já havia identificado.
Cinza. Fios cinzentos percorreram a íris negra, cintilaram como prata líquida, seguidas por uma rajada rápida de nuances esverdeadas.
Ela estendeu a mão lentamente.
Morghan fitava a face à sua frente inexpressivo, mas suas órbitas negras eram entrecortadas por inúmeros fios cinzentos e timbres de um verde puro, nuances douradas, como se algo tentasse desesperadamente enviar um sinal de aviso.
Morghan piscou e pela primeira vez, em longo tempo de existência com o Minotauro, o homem recuou as costas, afastando-se do toque da mulher, no mesmo compasso que ela se inclinava na sua direção.
--- Faramir. – sussurrou Éowyn inclinando-se, a mão ainda estendida. Sua voz endureceu, ressonando com a lâmina de uma espada. – Não desista. Lute.
Foi um momento breve. Poucos minutos efêmeros. Poderia ter sido uma confusão de sonho com a realidade, a vã esperança ou o ardente desejo de ver com seus olhos, aquilo que seu coração ansiava.
Mas aconteceu.
Morghan estava inclinado, afastando-se do seu toque conforme Éowyn avançava, tentando encurralar aquela criatura de qualquer maneira possível. E o momento se congelou, Morghan ficou estático por alguns segundos, sua face se contraindo de confusão e desespero, como uma fera acuada que não vê formas de sair.
E seus olhos...
Órbitas negras açoitadas por rajadas cinza-metálica, tão brilhante como o mithril.
Éowyn aproximou a mão trêmula do rosto dele, um pequeno centímetro e tocaria na sua face. E a outrora Senhora de Ithilien deixou escapar um suspiro, quando o próprio Morghan venceu a pequena distância e encostou sua face na palma da mulher.
Ele fechou os olhos, os músculos da sua face se distendendo em uma expressão terna. Até mesmo sua respiração, praticamente inaudível no Minotauro, voltou a soar nos ouvidos de Éowyn. A pele macia sobre a sua palma ganhou calor, antes gelada, como se não houvesse vida atrás de seus músculos. Uma mera máscara de humanidade para algo sombrio.
Éowyn não ousou pronunciar uma única palavra e aguardou longos micro-segundos que se arrastaram como Eras inteiras de expectativa.
O homem a sua frente suspendeu os cílios devagar e o mundo pareceu explodir em cores, aromas e emoções.
Porém, nada disso tinha importância. Só ela importava.
--- Faramir! – exclamou Éowyn, ao reconhecer a totalidade das órbitas cinzentas, o semblante tranqüilo na face nobre. O brilho de reconhecimento nos olhos dele.
Faramir respirou o ar e o perfume que chegava com ondas de memórias fragmentadas. Ele franziu o cenho, confuso ao ver que Éowyn estava chorando.
--- Por que chora, Éowyn? – murmurou, segurando a mão dela contra a sua face. – Eu prometi que não a faria chorar mais.
Existiam milhares de fatos importantes para serem discutidos. Como lutar contra o Minotauro, o que acontecera com Minos, como recuperar a essência em sua totalidade. Mas aquela afirmação capturou Éowyn em sua rede de tramas finas e ela se aproximou de Faramir.
--- Você prometeu. – concordou, as lágrimas correndo livremente. – E partiu, sem nenhuma palavra. Acha que deixei de chorar por isso?
Faramir maneou a cabeça em anuência, mas ainda parecia confuso. E estava. Algo em seu corpo e na sua mente não estavam certas, como se ele estivesse desencaixado, grande demais em um espaço pequeno. Algo o empurrava para as valas de inconsciência em que dormia até aquele instante, porém, as brumas nevoadas de esquecimento haviam desaparecido.
E como se alguma memória importante estivesse estalado em sua mente, Faramir afastou a mão de Éowyn bruscamente, arregalando os olhos cinzentos.
--- Você precisa ir embora. – replicou em tom de urgência.
--- Não!
--- Agora! Éowyn, você não entende. – ele agarrou os pulsos dela com energia, porém, sem machucá-la. Uma tempestade de desespero estava vagando atrás de suas órbitas, apagando o brilho anterior. – Precisa ficar longe de mim! – ele quase gritava agora, todo seu corpo se contraindo de uma avalanche de emoções sombrias que ria e zombava do seu esforço. – Esse caminho não há volta! Você não pode vencê-lo!
--- Eu não vou desistir! – Éowyn gritou ainda mais alto e sentiu os pulsos livres, mas agarrou os ombros dele, enquanto Faramir se curvava para frente. Uma densa névoa sombria e escura pareceu escapar de seus poros e Éowyn precisou de toda sua coragem para conter o impulso automático de soltá-lo ou abraçá-lo. – Você não pode desistir agora!
E ele gritou, empurrando-a para longe e curvando-se para trás, sentindo uma lâmina em fogo cortando algo em suas costas. Éowyn afastou-se dele ganhando distância. E mesmo sem ver, ela sabia o que estava acontecendo. A Marca.
Seu nome estava sendo gravado ali.
Éowyn não teve tempo de pensar como, nem porquê. Em questão de minutos, ele relaxou o corpo, como se não houvesse mais dor e confusão.
Morghan alinhou a coluna e ergueu o rosto sem encarar a mulher a sua frente. Só então, ergueu os olhos, lentamente, até pousar as órbitas escuras em seu rosto.
--- Teve sua chance. – avisou, em tom gélido e abriu a porta.
Morghan desceu, confiante que a mulher loira e altiva não sairia correndo. Espiou a expressão de ira no rosto pálido ao contornar o automóvel e abriu, galantemente, a porta dos passageiros.
O tempo foi precioso para Éowyn se recuperar aquela visão que fizera seu estômago se revirar, mas uma importante conclusão chegara na mente da Senhora de Ithilien e ela precisava testar sua teoria.
"Ilúvatar, dá-me coragem", rezou, colocando para fora do carro as longas pernas e alçando-se para fora do veículo.
Morghan fechou a porta e então, sua cabeça deu uma leve guinada para esquerda, sua mente registrando tardiamente a dor no maxilar pelo forte soco da Dama.
--- Está melhor para você agora? – rosnou Éowyn, escondendo um ricto de dor. Testou os dedos flexionando-os sem conseguir continuar o movimento. A dor avassaladora cortou a sensibilidade e ela percebeu que havia quebrado dois dedos.
Ele limitou-se a massagear o maxilar e observar o rosto corado da Dama, a expressão contraída para ocultar a dor.
--- É tarde demais. – sibilou, envolvendo-a com uma escuridão densa, sem precisar sequer tocá-la. – Você poderá fazer o que quiser e ainda assim, tudo que vai conseguir é destroçar mais a essência dele. A mim, não importa. – ele sorriu lentamente. – Posso vir a gostar, mas não sou egoísta, e a minha retribuição pode acabar com você. Não sou tão gentil como seu Arqueiro.
Éowyn quis gritar a plenos pulmões, mas conteve-se. Ela tinha certeza que Legolas estava vivo.
Morghan ofereceu o braço para ela. Sua pele parecia ainda mais gelada do que antes, ultrapassando os tecidos negros que o envolviam, tanto quanto sua alma e seus olhos.
Seja como Faramir havia conseguido, pensou Éowyn, agora estava mais fraco e o Minotauro levava a melhor. Ela tinha que pensar calculadamente suas próximas jogadas ou perderia tudo.
--- Venha, eu vou cuidar da sua mão. – algumas figuras estranhas surgiram entre os muros, correndo rapidamente e saindo fora de visão. – Em breve, você não vai sentir mais nada. – prometeu.
--- Aonde vamos? – perguntou, ignorando a oferta dele e os arrepios de medo com a promessa. Não parecia bom. – Pensei que voltaríamos ao Beco.
--- Estou sem casa, minha querida. Além do que, o Beco está cercado. – Morghan puxou a Dama pela cintura. – Não se preocupe, nós teremos tempo para nos divertirmos um pouco até percorrer o labirinto. – ela tentou se soltar e Morghan suspirou irritado. – Não me provoque, estou tentando ser gentil com você.
Éowyn empurrou o corpo com toda força que podia contra o chão, forçando-o a parar abruptamente, para não ser obrigado a arrastá-la pelos cabelos.
--- Por que? – perguntou, a queima-roupa, atenta ao rosto dele. – Por que está tentando ser gentil?
Por um breve instante, Morghan não respondeu e forçou a Dama a continuar o passo.
--- Eu não sei.
Éowyn não lutou mais contra ele. Seus testes comprovavam a sua teoria. Morghan já falava nos termos de divisão, como se houvesse uma ruptura entre o Minotauro e a essência de Faramir. Com a tentativa de salvar Lothíriel, Morghan permitira que Faramir respirasse por alguns instantes e a explosão do irmão ao tentar matá-lo, trouxera o Minotauro de volta completando a ruptura.
Toda a sua atitude fria e desdenhosa, a demonstração de poder do Minotauro era uma forma de esconder a força que a essência ainda possuía. Ele conseguira uma pequena vitória, pensou Éowyn com o primeiro vestígio de esperança, Faramir conseguira se separar do Minotauro. Tudo que precisava, era de um pouco de memórias.
--- Seja o que for que estiver tramando, não vai funcionar. – soprou Morghan inclinando-se contra o ouvido da Dama.
Ela ergueu o rosto e ao invés de fitá-lo nos olhos negros, pousou a atenção nos lábios do homem. E sorriu.
--- Que pena. – murmurou, desviando o rosto.
Ele estava certo, podia não funcionar e ela podia se perder tentando. Seria tudo mais fácil se ela pudesse contar com alguma ajuda. Não sabia se teria coragem de chegar tão longe. Mas os seus pesadelos estavam de volta. Era uma figura de sombras ameaçando a vida daqueles que ela amava.
Éowyn tornou a pensar em Éomer. O irmão ficara desolado e ela sabia o quanto custou a Éomer deixá-la partir com Morghan. Verificou sobre o ombro, mas não viu mais nenhum sinal da viatura. Ela quase sorriu, preocupada. Tinha certeza que o irmão estaria por perto.
Os dois alcançaram uma livraria abandonada,cheia de cartazes deteriorados e cheirando a mofo. Éowyn levou a mão ao rosto quando Morghan abriu a porta, comprimindo os lábios num susto quando um rato passou atrapalhando, batendo-se nas suas botas.
--- Não diga que é esse o nosso ninho de amor. – ironizou, a voz abafada pela mão rente ao nariz.
Morghan esboçou um pequeno sorriso, agarrou o braço dela e continuaram andando pelas prateleiras destruídas até a porta no final do corredor, que não combinava com o ambiente decrépito. Éowyn notou que se enganara quanto a natureza do local. Livraria, por certo, para os adultos.
Ela se sentiu deprimida ao extremo.
Como que adivinhando seus pensamentos, Morghan executou uma série de batidas na porta.
--- Isso é a passagem para o inferno, querida Dama. Melhor, um atalho. – informou e sorriu de maneira oblíqua. – Eu disse que iríamos dar um passeio pelo labirinto. – ele apanhou um dos cachos dourados entre os dedos, empurrando-a sem muita gentileza para dentro. Seus olhos negros cintilaram e o seu segurança fechou a porta. Por um instante, tudo ficou escuro.
Ela sentiu apenas os dedos se fechando contra seu braço com mais força, a sensação de que sua pele estava em chamas e ergueu o rosto para fitá-lo.
Desta vez, Éowyn não conteve o grito.
Seu grito se combinou com os sussurros de aflição e medo do segurança.
No escuro, tudo que ela podia ver, era uma sombra imensa com órbitas vazias sugando o espaço ao redor. As chamas estalavam em volta da figura e toda sua pele, alma e pensamentos arderam.
Houve o tempo para Faramir.
Agora era ela e o Minotauro.
II&I&I&&II&&I&I&I&I&I&I&I&II
Aquilo que não pode ser mesurado com Palavras
Os dois homens estavam combinando quando ia ser a troca e o marido ignorou a súplica da mulher, fechando o negócio.
--- Não acho uma boa idéia. – replicou Lothíriel, pela quinta vez.
Éomer apertou a mão do amigo e apanhou as chaves do corvette preto. Colocou uma das mãos nas costas de Lothíriel obrigando-a acompanhá-lo até o automóvel. A viatura ficaria ali, sobre os cuidados do bom e velho irmão de Motley. Sem dizer uma única palavra, Éomer abriu a porta para Lothíriel e atendeu o celular.
Lothíriel respirou profundamente brigando com a impaciência. Estava se sentindo ótima, cansara de repetir, mas o marido era teimoso. Uma verdadeira mula. Acompanhou o perfil de Éomer contornar mais uma vez o corvette e parar próximo à porta do motorista. Sua expressão estava concentrada e dava para sentir que ele estava muito, muito. Muito zangado.
A porta abriu e Éomer se colocou atrás do volante. Deu a partida e avisou, em poucas palavras, a expressão fechada com cara de poucos amigos. Aliás, nenhum.
--- Zahrin está aproveitando a morte de Minos e a ausência do Minotauro para tentar tomar o Beco. – avisou em tom quase ríspido, o braço sobre o banco, fitando o movimento da rua enquanto retirava o automóvel do estacionamento. – Aragorn tem certeza que vão matar todos que não aceitarem e tomar posse do Fantasma. – após a síntese sombria, notificou - Tenho que voltar para a Sete. Eu vou deixá-la em casa.
--- Claro que não vai. – falou Lothíriel, docemente. Não o encarou, cruzou os braços olhando para frente. – Eu vou com você. Todos temos que estar lá.
O corvette parou entre a calça e a rua.
Éomer ignorou a reclamação dos pedestres e dos motoristas que haviam cedido passagem para o veículo. Não era a intenção de Éomer pegar justo o corvette, era bem possível que tivesse que gastar uma pequena fortuna para restituir um automóvel daqueles. Mas Talach deduzira que era o dia do passeio combinado com a esposa e queria emprestar o seu melhor carro. Não que não pudessem comprar o danado do corvette, mas aquele carro era para correr e levar Lothíriel para um lugar particular. Não para travar mais uma guerra.
Aquilo o deixou ainda mais puto da vida.
Ele falou, muito baixo, como sempre o fazia, quando estava profundamente zangado.
--- Todos? – questionou, cravando os olhos na figura da esposa. – Seríamos todos se Éowyn estivesse aqui, Faramir não tivesse se transformado no Minotauro, Legolas e Gimli não estivessem soterrados sobre escombros e Gandalf não tivesse sido tragado pelas forças do inferno! – ao notar que sua voz encorpada ganhara um tom maior e atraía atenção, Éomer suspirou e fez um sinal para o motorista na rua. Ele cedeu passagem para o magnífico corvette e o rohirrim ganhou a avenida. Ante o silêncio da esposa, prosseguiu. – Já que faltam tantos, eu não vejo o motivo porque você tenha que estar lá.
--- Eu vejo motivo e você sabe bem qual é. – revidou Lothíriel, a voz modulada no timbre que usara para cantar para Elfwine dormir. – Pode ser que só tenhamos a alternativa do capítulo IV e...
--- Já chega, Lothíriel. – cortou Éomer, avançando as marchas e a velocidade. – Eu não vou permitir que vá.
Lothíriel estudou o perfil do marido e fechou a cara.
--- Você nunca conseguiu me impedir antes, não vai começar agora. – retrucou, erguendo o queixo em desafio e seus olhos cinzentos brilharam em determinação. – Gandalf foi claro. Não vamos ter outra escolha. Vão precisar de mim.
--- Sim, claro, Gandalf – Éomer fechou a via ao manobrar para a direita com a curva fechada. Ignorou as buzinas e os insultos, concentrado em reconhecer no caminho. – Só existe um motivo para tê-lo visto. Você quase morreu! – Éomer corrigiu-se, nervoso. – Não, você morreu!
Lothíriel pousou os olhos prateados no rosto do marido.
--- Quase não conta. – tornou, docemente. – E voltei. – convicta, ajuntou – Por um bom motivo. Por favor...
Éomer continuou olhando para frente, mas apertou a mão que Lothíriel pousara em sua perna.
--- Não posso, Lothíriel. Não me peça isso.
--- Reconsidere, Éomer. – ela suplicou, aproximando-se, gentilmente. – O que vou fazer sem você? Sei que é teimoso e não vai querer ajudá-los nisso. – tornou a implorar, arrancando um suspiro pesaroso do marido. – Vai se condenar, é isso? Acabará condenando a mim também. – Lothíriel abaixou a cabeça, sentindo a determinação de Éomer se manter intacta. – Talvez, eu seja a única que não possa ficar sem você...
--- Você sabe que isso não é verdade. – protestou Éomer, cansado da discussão. Ele estava preocupado com os rumos que as coisas tomavam no Beco. Aragorn precisava de armas, reforço, eles precisavam resgatar Legolas e Gimli e ainda havia a moeda.
Ele havia alertado Aragorn quanto a possibilidade de virem atrás dele para apanhar a moeda. Ao seu conhecimento, ele estava sozinho no Beco naquele instante.
Lothíriel largou a mão do marido e olhou para fora. Ela vinha desejando passear no corvette até o litoral, então, os dois teriam algum tempo a beira do Mar, algo que sempre a acalentava. Talvez comerem frutos do mar e fazer amor até o pôr do sol. No entanto, a missão dos Valar estava quase perdida, pendia por um fio tênue e era possível que somente o capítulo IV evitasse o pior. Ela fechou os olhos com força. Ilúvatar, por que justamente o IV? Justo o que Éomer recusara terminantemente a participar de qualquer forma que fosse!
O carro parou seu trajeto, mas Lothíriel sequer notara. Piscou confusa e voltou o rosto para o marido. Sua expressão era tão grave e seus olhos estavam tão tristes que ela sentiu a disposição para brigar com ele desaparecer.
--- Por quê você não entende, Lothy? Eu não posso.
--- Ah, Éomer. – ela suspirou, vencida. – Não vou forçá-lo, nem tenho como, mas não pode impedir que eu faça a minha escolha. Eu respeitarei sua decisão, mas preciso que respeite a minha.
Éomer abaixou o rosto, imerso em pensamentos e então, procurou a visão da cidade ao seu redor. Eles já haviam alcançado a parte velha da cidade, com suas vias deterioradas, as ruelas e becos decrépitos. Um pouco mais e chegariam a Treze, a Treze sitiada. Uma situação longe de ser incomum a seu espírito, acostumado as inúmeras guerras travadas na Arda antiga. E mais uma vez, ele correria para lutar junto com Elessar, como se o juramento que haviam proferido houvesse ligado seus destinos eternamente.
Mas Lothíriel, ele não queria arriscar.
Adivinhando o rumo dos pensamentos dele, Lothíriel tornou – Arwen estará lá também. Éowyn está enfrentando perigos maiores. – ela insistiu – Não posso ficar para trás, não quero. Mesmo que isso signifique...
Éomer interrompeu a esposa com um único gesto. Inclinou-se e agarrou Lothíriel pela cintura trazendo-a para seu colo e envolvendo-a num longo abraço. Ela apoiou a cabeça em seu ombro e Éomer encontrou um instante de paz aninhando o rosto contra os cabelos dela.
--- Eu levarei você comigo... – garantiu, arrancando as palavras como quem houvesse travado uma batalha árdua. – Mas não vou desistir de impedi-la.
Lothíriel sorriu e se afastou devagar.
--- Eu não esperava que o fizesse. – proferiu, abrindo mais o sorriso, contudo, seus olhos transmitiam seriedade. – E não espere que eu desista de salvá-lo.
Éomer arriscou um sorriso apesar de preocupado.
--- Eu não esperava que o fizesse. – repetiu, ternamente. Sua boca procurando os lábios da esposa.
&I&I&I
A verdade era que ele tivera pequenos obstáculos no caminho. O pneu do carro havia furado, um malandro tentara assaltá-lo e no final, correram ambos, vítima e vilão, fugindo da polícia. O vilão para não ser preso, a vítima para não perder tempo na delegacia. Ele tinha pressa.
E como Meriadoc tinha pressa!
Pippin havia ligado mais uma vez, avisando que estava subindo a Treze com Aragorn e eles iam a Guerra. "Não era emocionante?"
Meriadoc parou na esquina, recuperou o fôlego e embicou logo a quinta marcha na corrida. Como diria o Arqueiro, era de foder, bem na hora da ação, um hobbit ter que correr praticamente sete quilômetros e justo, justinho, depois de ter devorado uns salgados oleosos na cantina do hospital.
Não era emocionante?. A-há. Emocionante??
Como foi que Gandalf dissera a Pippin quando ele olhava para o uniforme de guarda da Cidadela?
Ah, sim. Hobbit ridículo.
Bem, Meriadoc sentia-se bastante ridículo, correndo feito um lunático, as duas malas de couro balançando contra suas pernas e os lanches balançando dentro do estômago. Chegaria sem o menor fôlego para lutar e se bobeasse, acabaria vomitando o almoço aos pés de Aragorn.
Erü, dá uma forcinha, pensou Merry, exausto, apoiando o corpo no muro de cartazes descascados. Apertou os olhos e largou as malas de couro no chão. Ergueu o braço para secar o suor que desfizera os cachos dourados em fios embaraçados na sua fronte. Seus claros pousaram em uma bela máquina preta estacionada no quarteirão em frente.
Um c-o-r-v-e-t-t-e.
Merry assoviou e apanhou as malas. Aquilo era carro para uma missão clássica. Ls2, 6 litros. É, aquela versão tinha inovações no motor. 400 cavalos furiosos e atingia 100km por hora em 3,9 segundos. Os olhos de Merry se iluminaram e ele reiniciou a caminhada, os olhos fixos na traseira do corvette preto, puro, lindo, conversível. Uma maquina para ninguém botar defeito e botar uma boa mulher no banco de passageiros e fazer coisas melhores ainda.
Com um sorriso largo no rosto, Merry começou as passadas mais largas, já esquecido do lanche. Então, estavam pensando que ele gostava só de baleias e comida, hum?
Merry franziu o cenho e estreitou os olhos. Afinal, não é que o casal tinha pensado o mesmo que ele? Ora, ora, mundinho sem-vergonha. Ele com certeza escolheria um lugar mais bonito e privativo para aquilo.
Finalmente, o hobbit deu-se conta que as duas figuras eram bastante familiares. Um sorriso de felicidade e alivio veio iluminar seu rosto.
Ele correu como nunca havia corrido, saltou, pulou e foi quase uma aterrisagem, escorregando e resfolegando contra o corvette. Ele ouviu a exclamação de Lothíriel e Merry nunca tinha visto a moça saltar tão rápido antes saindo do colo do marido, Éomer já abrindo a porta do corvette, lançando-se como uma montanha de fúria para fora do automóvel.
--- É o Merry! – gritou Lothíriel.
--- Hei...Eu... Amigo! – resfolegou Merry, completamente sem fôlego. Jogou as malas no chão, suando em bicas, o rosto em chamas. As palavras mal saíam da respiração entrecortada e ainda vinha o riso, tão natural para o hobbit. – Vocês...hein?... Eu... na maior enrascada... e vocês...se enroscando... – Merry riu, tossiu um pouco e alinhou a coluna. Éomer dardejou um olhar flamejante na direção do hobbit, que encolheu os ombros. – Foi mal.
O preparo de guerra de Éomer se resfriou em uma expressão de dúvida e surpresa.
--- O que está fazendo aqui, mestre Meriadoc?
--- Ah, sim, mestre, hum? Faz tempo que não me chama assim, Éomer, meu senhor. – gracejou Merry, um olhar de cobiça para o corvette. Uma piscadela para Lothíriel. – Estou indo para o Beco.
--- O que aconteceu? – perguntou Lothíriel, ajoelhada no banco da frente, as mãos apoiadas no estofado do carro.
--- Foi o seguinte. – começou Merry e jogou uma das malas na direção de Éomer. – Eu estava na minha, dentro do meu carro depois de ter liberado o moleque da Treze, por falar nisso, que mulher mais incompetente a tal espaguete, hein Éomer? – Merry apanhou a outra mala, contornou o corvette, acariciou a máquina e se curvou, para ganhar um beijinho de Lothíriel. Não deu tempo, o marido da moça já lançara a mala de volta na sua direção. Era apanhar ou levar o peso na cabeça. – Uff! Eu mirei o rosto!
--- Você tinha que perguntar Lothíriel? – lembrou Éomer, ignorando a defesa de Merry e entrando no carro. – Sabe o que Gandalf diz sobre perguntar coisas simples para os hobbits.
--- Muito engraçado. Gostarão de saber que os gêmeos já estão lá. Reforços a caminho.
Éomer ficou satisfeito e deu a partida no carro.
--- Ótimo, nos vemos lá. – falou o rohirrim, sério, colocando o carro em movimento.
--- Éomer! – protestou Lothíriel e Merry em uníssono.
O corvette acelerou e embicou com um ruído suave pulando os ponteiros de velocidade, deixando para o hobbit no meio da rua, uma mala no colo a outra no chão.
O automóvel parou abruptamente e sem tempo de piscar, o barulhinho de ronronado seguiu a marcha ré. Estacionando perfeitamente ao lado do hobbit.
"Exibido", pensou Merry.
--- Foi mal, Merry. – devolveu Éomer, contendo o riso com a expressão do outro. – Mas é um carro para dois, nós vamos ter que improvisar. – olhou para esposa. – Ele não é mais pequeno, você sabe...
--- Caso contrário, eu colocaria no meu colo. – pensou Lothíriel, concordando. As malas vieram na sua direção e a jovem franziu a fronte. – O que está fazendo?
--- Cuidado com isso, são armas especiais. Aragorn não me perdoaria. – satisfeito, Merry bateu as mãos umas nas outras.
--- O que vamos fazer?
Um largo sorriso se abriu no rosto de Merry.
--- Eu tive uma idéia.
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O corvette chegou a cem e depois a cento e cinqüenta, cruzando a distância das ruas decrépitas até o Beco sitiado em cinco minutos.
E quem havia assistido a passagem do formidável automóvel, muito estranhou a figura de um homem e seus gritos, verdadeiros urros de empolgação, agarrado a capota do corvette.
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Glossário
Musica – Hevean Forbid, The Fray.
Próximos Capítulos:
O Ilusionista.
Liberdade Vigiada
O Capítulo IV.
Extra! Extra! Extra!
Epílogo.
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Vejo vocês em breve. Por favor, não sejam tímidos! Review, por favor?!
