Ele conduziu-a até o quarto dele, fechou a porta com um chute e a deitou sobre a cama. Ficou contemplando-a por um longo tempo, depois inclinou o corpo, e rasgou seu decote com ambas as mãos.

Ela ofegou; os olhos dilatados.

Ele disse suavemente:

— Não fique assustada, caríssima. Desejo isso há tanto tempo, mas vou ser delicado, prometo.

Ele libertou-a do tecido, atirando-o no chão antes de arrancar a própria roupa. E depois deitou-se a seu lado, acariciando seu rosto e beijando-lhe a boca. Os lábios dele moveram-se nos dela até que sentisse que seu corpo relaxava em seus braços.

Sasuke aprofundou o beijo, abrindo a boca para que a língua dele pudesse encontrar seu úmido calor à medida que os dedos acariciavam o rosto e os ombros de Hinata num toque suave.

Ele sentiu o descompasso da respiração dela quando começou acariciar seus seios.

Os mamilos rosados já estavam rígidos de desejo quando se curvou para saboreá-los com os lábios e a língua. Ela soltou um pequeno gemido, a cabeça movendo de um lado para o outro; o brilho cintilando no rosto.

A mãos trêmulas dela alcançaram seu corpo, buscando sua ereção, levadas pela força de seu desejo Mas Sasuke parou-a, agarrando os dedos dela e levando-os aos seus lábios.

— Ainda não — sussurrou ele. — É cedo demais para nos divertirmos como dois amantes. Dessa vez, mia cara, esses primeiros momentos têm de ser só seus.

As mãos dele percorreram o corpo dela até retirarem sua última vestimenta. E onde suas mãos tocavam, os lábios seguiam, dizendo para ela que dessa vez ele não voltaria atrás.

A respiração de Hinata estava entrecortada; seus sentidos excitados reagiam com deleite aos carinhos dele.

A boca retornou aos seios dela, sugando-os ternamente, enquanto as mãos deslizavam para sua intimidade. Ela arfou com a mistura de excitação e apreensão.

Ela sentiu-se mergulhando em um estado de relaxamento, consciente de nada além dos movimentos dos dedos dele, que acariciavam sua minúscula e sedosa penugem e, ao mesmo tempo, longos e habilidosos abriam caminho por seu úmido e quente interior, forçando-a a suspirar de prazer.

Os lábios dele voltaram aos dela, beijando-a sem pressa, a língua roçando na dela, acompanhando os movimentos sensuais de suas mãos.

O langor inicial de Hinata tinha-se esvaído. Havia pequenas flamas dançantes em seus olhos fechados. Ela não conseguia escutar, ou emitir algum som, todo o seu ser mantinha-se concentrado nesse crescente de prazer que ele estava lhe proporcionando.

O corpo dela contorcia-se ao toque dele, implorando por um final para esse incrível e insuportável espiral de deleite, que se tornava quase uma agonia.

Ela escutou uma voz que mal reconheceu como seu grito quando ele finalmente conduziu-a ao ápice de uma consumação que parecia sem fim, antes de libertá-la para que tremesse com os primeiros e incontroláveis espasmos de prazer. Um prazer que devastava para sempre a sua inocência e a fazia se confrontar, pela primeira vez, com a própria sexualidade e o poder que ele tinha de provocá-la.

Havia lágrimas no rosto dela. Sasuke puxou-a para perto dele e beijou as lágrimas, murmurando palavras carinhosas.

Ela finalmente disse:

— Você deveria ter me avisado.

— Avisado do quê, caríssima?

— Do que você ia me fazer sentir. Ela sentiu-o estremecer com a risada.

— Você não acha que soaria pretensioso, mia bella?

Ela sorriu nos ombros dele.

— Bem... talvez um pouco. — Ela hesitou. — Mas eu não esperava que você tivesse cometendo muitos fracassos — acrescentou ela com um toque de ansiedade.

Houve um silêncio e então ele disse gentilmente:

— Vamos deixar o passado onde deve ficar, amore. — Ele fez uma pausa. — O futuro imediato deve nos preocupar mais. — Ele deslizou a mão sob o corpo dela, puxando-a em direção a ele. — Você não acha?

O olhar dele era interrogativo, o sorriso quase irônico. E ela sentiu a ereção dele entre suas pernas, pressionando a entrada de seu corpo receptivo.

Hinata ficou ciente da aflição do desejo físico tão forte — tão incrível — que quase gritou. De repente, percebeu que não podia pensar, não podia sentir medo.

Em vez disso, esqueceu sua timidez instintiva e começou a acariciar a rigidez poderosa com dedos trêmulos, mas que o fez gemer levemente. E, então, com uma certeza absoluta que mal entendia, guiou-o até ela. E ultrapassou o obstáculo inicial do primeiro impulso dele, desafiando qualquer desconforto que pudesse persistir na completa união de seus corpos.

Mas dessa vez não houve dor, somente um calor que a possuía completamente.

E, a fez perceber, surpresa, que seus quadris acompanhavam o ritmo dele, que seu corpo ainda não estava saciado.

E então, o que restava de realidade estilhaçou-se, deixando apenas uma agonia primitiva. E quando gemeu alto, ela ouviu a voz de Sasuke, rouca e trêmula, dizendo seu nome conforme seu corpo saciado relaxava sobre o dela exausto.

A água quente perfumada era como um bálsamo sobre sua pele sensível, relaxando seus músculos doloridos. Hinata estava deitada nos braços de Sasuke dentro da banheira, a cabeça apoiada no ombro dele.

Não havia sentido, pensou ela, em tentar racionalizar o que acabara de acontecer entre eles. Desafiava a razão ou o pensamento coerente. Simplesmente acontecera.

E agora nada seria como antes. Pelo menos, não para ela.

Para ele, pensou ela com infelicidade, era provavelmente apenas rotina. Mais uma garota ansiando que um homem experiente lhe ensinasse a arte do sexo.

Ele disse:

— Aonde você foi?

Ela olhou para ele, surpresa.

— Não sei o que você está querendo dizer com isso — defendeu-se ela.

— Há um minuto você estava aqui comigo, e feliz. Mas não está mais. O que aconteceu?

— Estou bem. — Ela lançou-lhe um olhar provocativo. — Talvez você leia melhor corpos do que mentes, signore.

Mas o olhar dele foi pensativo.

— E talvez você nem sempre diga a verdade, signorina.

Ela virou-se, pressionando os lábios na pele macia do ombro dele.

— Sasuke, estou feliz. Juro. Nunca pensei que pudesse me sentir assim. Talvez esteja um pouco... maravilhada.

— E talvez também precise de comida. — Ele estava sorrindo quando esticou os braços para a saída da água da banheira. — Acho que devemos esquecer o jantar, mia bella, mas talvez consiga convencer Emilia a preparar uma pequena ceia para nós, hein?

— Oh, Deus. O que ela vai pensar? Ele sorriu.

— Que temos o restante da noite para aproveitar, caríssima, e precisamos de toda a nossa força.

E assim ela o fez. Mas para o alívio de Hinata, foi Sasuke quem trouxe a bandeja com comida da cozinha.

Hinata vestiu a camisa dele. Ela deu meia-volta para que ele a contemplasse.

— O que você acha?

— Acho que a comida pode esperar. Ela deu risada.

— Mas estou morrendo de fome, signore. Você não aprovaria se eu desmaiasse.

A bandeja continha frango, queijo, vinho tinto e pão quente, que eles saborearam no pátio, com a deusa Diana olhando-os com seu sorriso frio e remoto.

Hinata disse:

— Não acho que ela nos aprova. Sasuke disse enchendo a taça.

— Meu avô encomendou a estátua, mas acho. que ficou desapontado com o resultado e sei que meus pais estavam planejando substituí-la.

— Mas não o fizeram?

Ele ficou em silêncio por um momento.

— Não tiveram tempo — disse ele finalmente, a voz sem expressão. — Minha mãe morreu em um acidente de carro quando eu tinha 16 anos. Um caminhoneiro dormiu ao volante. Meu pai nunca se recuperou da morte dela. Em um ano sofreu um infarto fulminante, que os médicos acreditavam ter sido provocado pela tristeza.

— Oh, meu Deus. Sinto muito. Não devia ter dito nada.

Ele tocou no rosto dela gentilmente.

— Caríssima, não tenho 16 anos há muito tempo. E fui criado com um carinho infinito pelo meu padrinho e sua maravilhosa esposa. Não fui abandonado como um órfão solitário.

Mas acho que isso explica algumas contradições que sinto em você. Ele disse:

— Você me deixou novamente.

— Estava pensando no meu avô. Ele também morreu de um ataque cardíaco.

Sasuke colocou-a em seus braços. Depois de um tempo, ele disse:

— Você gostaria de dormir um pouco, mia cara?

Ela percebeu que os olhos estavam embaçados.

— Sim, Sasuke, por favor — disse ela trêmula. — Isso seria bom.

Ele pegou-lhe a mão e levou-a de volta para o quarto. Ele desabotoou-lhe a camisa delicadamente retirando-a, depois a colocou na cama e cobriu-a com o lençol.

Quando foi juntar-se a Hinata, ela virou-se em seus braços, e ouviu-o murmurar-lhe algo em italiano até que a sonolência o dominasse.

Estava muito escuro quando Hinata acordou com a boca de Sasuke movendo-se na dela, chamando seus sentidos de volta à vida.

Ela rendeu-se, suspirando e esperando ser novamente levada pela força da paixão dele.

Mas logo percebeu que ele não tinha pressa de penetrá-la.

Seu corpo estava tremendo — queimando em resposta aos carinhos dos dedos dele, despertando desejos que, até a noite passada, ela não sabia existirem.

Os lábios dele acariciaram seus seios, puxando delicadamente os mamilos intumescidos até fazê-la gemer levemente. Depois percorreu seu corpo com beijos até chegar às suas pernas para obrigá-la a outro tipo de rendição.

Hinata era incapaz de resistir a ele, então experimentou a intimidade das magias de sua língua.

O corpo dela contorcia-se indefeso contra o toque dividida entre vergonha e excitação.

Ele estava sorrindo, implorando que dissesse d que ela gostava — do que queria que ele fizesse, era isso? E isso? E... mais importante de tudo... isso? E quando foi arrebatada para o turbilhão de prazer que ele proporcionara nela, ela escutou a própria voz sussurrando "Sim."

Já estava quase amanhecendo quando eles finalmente pegaram no sono nos braços um do outro. Quando Hinata abriu os olhos novamente, a luz do sol já entrava através das persianas. Por um momento, ela ficou imóvel, saboreando as lembranças, depois virou para o homem dormindo ao lado dela. Mas a cama estava vazia.

Ela sentou-se confusa a tempo de ver Sasuke saindo do banheiro, enfiando uma camisa branca para dentro dos jeans.

Ela disse:

— Você está vestido — e ficou envergonhada pela clara decepção em sua voz.

Ele estava rindo quando se ajoelhou na cama ao lado dela e beijou-lhe a boca.

— Às vezes tenho de vestir roupas, caríssima. Além disso, tenho de sair. Parece que Fredo recobrou a consciência e está chamando por mim.

Ela esticou o corpo, percebendo a repentina luz nos olhos dele quando o lençol deslizou de seu corpo.

— Quer que eu vá com você?

Ele olhou rapidamente para o relógio.

— Na próxima vez, caríssima. Agora realmente tenho de ir. — As mãos dele entrelaçaram-se no cabelo dela, puxando-a para um outro beijo, mais longo, mais lento, mais intenso que o último, e ela colocou-lhe o braço em volta do pescoço, segurando-o contra ela.

— Fique aqui e descanse — ele disse, separando-se dela com relutância. — Porque você vai precisar quando eu voltar. — Ele fez uma pausa. — Vou dizer aos empregados para que não a incomodem. Hinata suspirou.

— Não acho que vou conseguir encará-los novamente.

Ele sorriu-lhe.

— Ah, mas vai, Madonna. Agora volte a dormir e sonhe comigo. Volto logo. — Quando estava à porta, ele virou-se. — E também teremos de conversar. — Ele mandou-lhe um beijo e saiu.

Ficou deitada por um tempo. Nunca pensara muito sobre seu corpo, exceto como algo que devia vestir e alimentar. Achava o fato de estar,na cama com um homem — submetendo-se a ele — estranho e constrangedor.

E também nunca se imaginara como o objeto sexual de alguém. Sempre se achava gorda demais; os seios desproporcionais demais, para ser o foco do desejo de um homem.

E, no entanto, em uma noite de êxtase, todas as suas idéias tinham sido derrubadas e seus princípios deixados de lado.

Pertencia a Sasuke Uchiha de corpo e alma. E cada terminação nervosa que possuía, cada músculo, cada centímetro de sua pele, provocavam lembranças do total domínio que ele tinha sobre ela.

Percebeu que estava ficando enrubescida e tirou as cobertas do corpo, colocando os pés no chão. Tarde demais para se envergonhar — ou mesmo se lembrar de seus tabus sobre sexo casual. Embora aquelas horas de sexo não pudessem ser descritas como casuais.

E, pensou ela, não se arrependia de nada. Como poderia?

Em seguida foi tomar um banho demorado. Enquanto se ensaboava, lembrou-se de outras mãos tocando-a e sentiu a batida de seu coração aumentarem descontroladamente.

Quero Sasuke aqui, pensou ela. Agora.

Quando saiu do chuveiro e pegou a toalha, olhou-se em um dos muitos espelhos e parou, todas as suas dúvidas anteriores sobre sua falta de sensualidade vieram à tona.

Ela virou-se, suspirando. Não tinha nada para vestir e, francamente, não pensava em atravessar a casa para pegar roupas em seu quarto, então pegou o robe preto de seda de Sasuke, dobrando as mangas e enlaçando-o duplamente na cintura.

A fragrância da colônia que ele usava permanecia no tecido. Podia até mesmo fingir que ele estava ali, os braços à sua volta.

E a fantasia tornou-se ainda mais real quando fechou os olhos. Não tinha a intenção de cochilar, mas o quarto estava quente, a cama macia, e o banho a relaxara, então cedeu à tentação.

Foi o latido de um cachorro que a acordou.

Hinata levantou-se e olhou à sua volta, momentaneamente desorientada. Caio, pensou ela tentando clarear a mente. Caio na porta do quarto, querendo que ela saísse e o encontrasse. Mas ele não estava aqui — estava em Trasimeno com a signora. E — esse não era o quarto dela. Era o de Sasuke.

E de repente ficou ciente de algo mais. O som dê vozes femininas discutindo, não muito longe. Uma das vozes era de Emilia. Mas a outra...

Oh, Deus, pensou Hinata, horrorizada. É a signora. Ela está de volta. Tenho de sair daqui.

Mas era tarde demais. A porta estava se abrindo e a signora entrou, ignorando os protestos de Emilia como se ela fosse um inseto incômodo.

— Então. — Ela encarou Hinata, ainda enroscada na cama, e deu um sorriso maldoso. — Exatamente como eu esperava. — Ela virou-se. — Naruto, meu pobre filho, lamento por você, mas precisa vir aqui ver a desmazelada que você trouxe pára cá. Essa putana a quem pretendia dar o nosso nome.

Naruto seguiu-a para dentro do quarto, a expressão mal-humorada e hostil. O olhar que ele lançou para Hinata foi suficiente para congelar seu sangue.

— Si, mammina — disse ele. — Você estava certa e eu, errado. Ela me traiu e não consigo suportar olhar para ela. Então, livre-se dela. Mande-a embora.

Ainda estou sonolenta, pensou Hinata. E isso é um pesadelo. Ele não pode estar querendo manter a farsa.

A situação estava saindo do controle. Era difícil ser digna quando vestia apenas o robe de um homem vários números acima do seu, mas ela tinha de tentar, pensou ela, levantando-se da cama e encarando os dois de cabeça erguida.

Ela disse friamente:

— Naruto, não gosto de ter a minha privacidade invadida ou de ser insultada dessa forma. Então, por favor, pare com essa loucura e conte a verdade para sua mãe.

— E que verdade é essa? — inquiriu a signora.

Hinata lançou um olhar fulminante para Naruto.

— Que seu filho e eu não estamos envolvidos, e nunca estivemos.

— A única coisa que sei é que quero colocar você para fora dessa casa. — Ele virou-se para a mãe. — Providencie isso, mammina. Não quero vê-la de novo.

Ele saiu do quarto, batendo a porta.

— Você escutou o que o meu filho disse. Arrume as suas coisas e vá embora. Como trata-se de uma situação de emergência, meu carro vai levá-la ao aeroporto de Roma.

Hinata engoliu em seco.

— Essa casa não é sua, signora. Aqui você não dá ordens. E não vou a lugar algum até que Sasuke retorne.

— Está com muita intimidade, signorina. — O tom de voz da signora era gélido. — Ou acha que uma travessura sórdida dá a você, uma mulher qualquer, o direito de se referir ao conte Uchiha pelo primeiro nome?

A signora fez uma pausa.

— Você acabou de falar a verdade. Então, escute. Fui eu que preparei essa pequena comédia, e estou terminando com ela agora. Porque consegui o que queria. Separei você de meu filho. Com a ajuda, é claro, de meu querido sobrinho.

Houve um silêncio, e Hinata perguntou:

— Do... do que você está falando?

— Estou falando de você e de seu anfitrião. — Ela bufou. — A signorina acha que meu sobrinho encostaria um dedo em você por vontade própria? Não e não. Simplesmente fiz com que fosse necessário que ele fizesse a minha vontade. E ele fez.

Hinata permaneceu imóvel.

— Não estou entendendo.

A signora deu uma risada.

— Mas é claro que não. Você não poderia imaginar que meu sobrinho tinha um caso com uma mulher casada, que é nora de uma velha amiga. — Ela suspirou. — Tão escandaloso. Mas concordei em não levar o episódio a público se Sasuke usasse seus poderes de sedução para afastar-se de meu filho.

"A princípio, ficou relutante. Você não é o tipo por quem ele naturalmente se sentiria atraído. Mas ele decidiu que a honra de sua amante tinha de ser preservada a todo custo." — Ela pegou o vestido rasgado de Hinata do chão e examinou-o. — "E parece que, no fim das contas, tomou gosto pela tarefa."

O sorriso malicioso dela era como pregos enferrujados penetrando os sentidos de Hinata.

— Ele prometeu-me que mandaria você para casa com uma linda lembrança, signorina. Parece que a habilidade dele em fazer isso é quase legendária. Espero que tenha cumprido a promessa.

— A signora quer dizer que isso foi uma armadilha? Você está mentindo.

— Pergunte a ele — disse a signora. — Se você ainda estiver aqui quando ele voltar. — Ela bocejou.

— Aconselho que vá logo e poupe-o das recriminações óbvias. Não vão adiantar nada. Além disso — acrescentou ela, sacudindo os ombros —, está claro que quer evitar um confronto. Como pode ver, assim que soube que eu estava voltando, imediatamente deu um jeito de ausentar-se.

— Ele... ele sabia? — Às palavras ficaram presas em sua garganta.

— Claro. Telefonei mais cedo. — Ela parecia surpresa. — Queria que ele tivesse certeza de que eu a encontraria em sua cama. Esse foi o nosso acordo.

Ela balançou a cabeça e sorriu.

— Sasuke cumpriu a sua parte. Seus serviços não são mais necessários, signorina.

Eu fantasiei isso? Hinata perguntou a si mesma. Eu imaginei os murmúrios e as risadas? A paz e a sensação de pertencer a ele? Era apenas sexo?

A signora virou-se e abriu a porta:

— Então, por favor, saia sem fazer cenas.

Hinata disse calmamente:

— Realmente acha que eu iria querer ficar? — Ela passou pela senhora e seguiu rapidamente para o seu quarto. Dirigiu-se ao banheiro e começou a vomitar violentamente, o mundo girando a sua volta.

Finalmente ela conseguiu levantar-se, enxaguar a boca e lavar o rosto. Seus olhos pareciam buracos vazios.

E em seu cérebro as palavras retumbavam.

— Tenho de sair daqui. Tenho de ir embora. Antes que ele volte.

Sasuke estacionou o jipe em frente à casa e desceu do veículo cantarolando. Queria correr para os braços de sua linda garota.

Sentia-se completamente relaxado e sereno. Entrou em casa e seguiu direto para o quarto, mas estava vazio. Desapontado por não encontrar Hinata esperando por ele, saiu à sua procura.

Quando chegou ao corredor, Caio saiu da sala latindo agressivamente. Ele franziu a testa quando se deu conta do que a presença do cachorro implicava e, como se tivesse sido combinado, a tia apareceu à porta.

— Caro — disse ela. — Não o esperava tão cedo.

— Eu é que não esperava por vocês, Zia Kushina. A estrada acabou de ser liberada.

— Guillermo me avisou quando telefonei. Sugeriu que eu não deveria correr o risco, mas meu motorista é prudente.

Ela fez uma pausa.

— Você vai ficar contente em saber que nossa pequena conspiração foi um sucesso. Naruto curou-se da cegueira assim que viu a inglesa esparramada na sua cama. — Ela acrescentou radiante. — E logo vai estar a caminho do aeroporto e fora das nossas vidas para sempre. Bravo, sobrinho.

Sasuke teve a sensação de que não conseguiria respirar.

Ele disse asperamente:

— O que você fez? O que disse para a minha Hinata?

Ela sacudiu os ombros.

— Simplesmente deixei clara a verdadeira razão da presença dela aqui, e o motivo de ela ser honrada com suas atenções. Fiz errado? — Ela sorriu maliciosamente, acrescentando: — Ela pareceu ter aceitado bem a situação. Não chorou e nem ficou histérica. Apenas surpresa.

Ele disse com um gemido:

— Santa Madonna — e saiu apressado.

Hinata separara as roupas para ir ao aeroporto e colocou-as na cama. Ela voltou ao banheiro para pegar a escova de dentes e, quando, saiu Sasuke estava esperando por ela.

Ele disse trêmulo:

— Hinata, caríssima. Você tem de deixar eu falar. Explicar.

— Não é necessário, signore. — Havia uma terrível animação em sua voz. — Sua tia já me disse tudo.

— Não — disse ele. — Nem tudo.

— Então, pelo menos, tudo o que eu precisava saber — disse ela em um rompante. — Isto é, que eu fui sacaneada. De diversas maneiras.

Ele disse friamente:

— Como você ousa descrever o que aconteceu entre nós nesses termos?

— Vulgar demais para o senhor, lorde? — Ela fez um gesto de reverência. — Eu realmente sinto muito. Culpe minha inferioridade social.

Ele respirou fundo.

— Não vamos chegar a lugar algum dessa forma.

— Eu vou — disse ela. — Ao aeroporto de Roma, para ser mais precisa. E depois disso nunca mais vou ver ninguém da sua mentirosa e traiçoeira família. E isso inclui você, seu canalha.

Houve um silêncio incômodo e então Sasuke disse calmamente:

— Não a culpo por estar brava comigo.

— Obrigada pela admissão — disse ela. — E agora talvez você deva ir embora. Tenho de terminar de me arrumar. O motorista da sua tia está esperando.

— Minha tia vai precisar do motorista. Ela e Naruto estão indo embora.

Ela ergueu o rosto.

— A sua tia não me disse isso.

— Ela ainda não sabe. Se você quer ir para o aeroporto, vou levar você.

— Não — ela quase gritou. — Não, não vai. Não entende? Não quero respirar o mesmo ar que você.

Ele olhou-a aborrecido.

— Dio, Hinata. Você não pode acreditar no que está dizendo.

— Oh, acredito — disse ela. — E também acredito na sua tia. Ou vai negar que me trouxe aqui para me seduzir?

— Mia cara, pode ter começado assim, mas...

— Mas foi assim que terminou — ela interrompeu-o. — Agora, por favor, poderia sair do quarto?

— Não até que tenhamos conversado. Até que eu faça você entender...

— Mas eu entendo. Está tudo muito claro. Você tem uma amante casada. Sua tia ameaçou tornar o romance público. Você me levou para a cama para que ela ficasse quieta. — O olhar dela continha desprezo.

— Realmente não precisava ir tão longe, signore. Se achava que eu estava namorando seu primo asqueroso, era só me pedir para acabar o namoro.

— Hinata, me ouça. Eu... eu queria você.

— Por favor, não espere que eu fique lisonjeada. O que signifiquei? Seu exercício? Para você ficar em forma para a sua amante casada?

— Parece que a sua memória não está muito boa

— disse ele. — Sabe que não é assim.

— Minha mais recente lembrança — disse ela — é ter sido encontrada no seu quarto por aquele casal medonho e ter escutado insultos. Porque você armou tudo. Sua tia telefonou e disse que estava a caminho.

— Não recebi esse telefonema — disse ele. — Se tivesse, eu a teria levado comigo. — Ele fez uma pausa. — Se insistir em ir para Roma, Guillermo leva você. Mas fique comigo, bella mia, eu imploro. Deixe-me tentar consertar as coisas.

— Não há nada que possa dizer ou fazer. Você me sacaneou e vou odiá-lo para sempre. Quero ir embora e nunca mais vê-lo.

Houve um outro terrível silêncio e depois ele disse, lenta e cuidadosamente:

— Infelizmente pode não ser tão simples para nenhum de nós. Na noite anterior, não protegi você como deveria ter feito; um crime estúpido pelo qual devo pedir seu perdão. No entanto, você pode estar carregando um filho meu.

— Bem, não se preocupe, signore. Se estiver, vou fazer o que for preciso, e não vai lhe custar um centavo. Então poderá voltar para sua amante sem olhar para trás.

— Ino não é minha amante. — Ele levantou o tom de voz com exasperação. — Nunca foi. Estava errado, admito. Mas foi apenas uma noite... nada mais.

— Como foi comigo — retrucou. — Elas parecem ser a sua especialidade, signore. E, agora, se não tem mais nada a dizer, deixe-me em paz.

Ela podia sentir a raiva dele.

— Tem uma coisa. Meu robe. Eu gostaria de tê-lo de volta. Por favor.

— Claro. Vou devolvê-lo. Ele esticou os braços.

— Agora.

Houve um silêncio. Finalmente, ela disse:

— Por favor, não faça isso. Ele ergueu as sobrancelhas.

— Qual é a sua objeção, signorina? — O tom de voz era implicante. — Não peço além daquilo que é meu. Ou quer que o tire para você?

Os lábios dela formaram a palavra "não". Ela desfez o laço, depois tirou o robe, que enrolou e atirou contra ele. Caiu sobre seus pés. Ela permaneceu de pé, sem fazer tentativa alguma de cobrir-se com as mãos. Tentando dizer a si mesma que não importava. Que ele já tinha visto tudo.

E, ao mesmo tempo, estava desesperadamente consciente de que importava. Porque o amante que a adorara na noite anterior tinha partido para sempre, e em seu lugar havia um estranho que não tinha o direito de olhar para ela.

Mas Sasuke não estava olhando para seu corpo. O olhar impenetrável mantinha-se fixo nos olhos dela.

Ele disse calmamente:

— Você sabe, não sabe, que era só eu tocar em você?

Sim, ela sabia, e a vergonha por causa disso era como uma ferida aberta.

Ela disse, imitando a entonação dele:

— E você sabe, não sabe, que eu preferiria morrer? — Ela fez uma pausa. — Então, por favor, saia da minha vida? Agora.

— Naturalmente. E vou dar as instruções a Guillermo. Addio, signorina. Desejo-lhe felicidade.

E então ele saiu, deixando o robe no chão.

Hinata abaixou-se para pegá-lo, e levou-o ao rosto. Sentindo o cheiro da pele dele pela última vez.

Acabou, sussurrou ela. Acabou. E nunca mais vou vê-lo.