Chapter 11
Raining
Draco´s POV
Aparatei silenciosamente no quarto.
Ginevra estava de pé, em frente à janela.
Através do vidro, eu podia ver sua imagem. Ela estava maravilhosa. Um anjo não teria para mim imagem mais gloriosa que aquela. Nunca.
Seus olhos estavam perdidos na imensidão das luzes de Paris – minha vista favorita. Ela parecia longe; como muitas vezes parecia, imersa em sua reveriè. Ela vestia uma camisola clara de seda, e seus cabelos pareciam uma cascata de fogo, caindo em largas ondas a sua volta.
Mais uma vez me perguntei como eu nunca havia notado toda a sua beleza antes.
Subitamente, um relâmpago cortou o céu a nossa frente. Isso a tirou de sua reflexão silenciosa, e ela deu um passo atrás, sobressaltada. Me aproximei silenciosamente, e coloquei as mãos em seus ombros.
Através do vidro, pude ver seu sorriso.
-Esse lugar é maravilhoso – ela disse.
-É meu lugar favorito. Em todo o mundo – disse, e notei que minha voz estava áspera, a garganta seca.
-Posso ver porque– ela respondeu.
Ela se virou lentamente para mim, e seus olhos encontraram os meus. Percebi o quanto estava ansioso. Na verdade, eu estava assustado com sua calma.
Eu já havia dormido com mais garotas do que podia me lembrar. Era a única forma que eu tinha encontrado de sentir alguma coisa. Sentir de verdade.
Mas agora, diante de Ginevra – diante da minha esposa – percebi que minhas mãos tremiam, e que eu não tinha coragem.
Eu tinha medo de machucá-la. Tinha medo que ela fizesse isso contrariada, ou pior, por obrigação. Eu não queria forçá-la.
Não queria obrigá-la.
Ela pareceu perceber minha hesitação, e um vinco se formou em sua testa. Ela colocou a mão em meu rosto, parecendo preocupada.
-O que houve? – perguntou.
Nesse momento ouvi um trovão, e ela se assustou novamente. Coloquei a mão em sua cintura, e a puxei para mais perto de mim.
-O que houve? – ela repetiu.
Hesitei por um momento. – Sabe... que não precisa fazer isso, se não quiser.
Por aquela frase para fora foi como expelir minha bílis. Nojento.
-Sim – respondeu.
Esperei que ela dissesse mais alguma coisa, mas ela apenas me olhava. Serena.
-Não precisa ser hoje. Nós...temos tempo e...
-Nós não sabemos se temos tempo – ela interrompeu.
-Não vou morrer amanhã.
-Mas eu posso morrer amanhã – respondeu, com firmeza.
-Não vai – retruquei.
-Como sabe? – ela indagou, levantando uma sobrancelha. E depois, lentamente sorriu, quando viu que eu não tinha resposta para ela.
Segurei sua mão, que ainda estava na minha bochecha, e beijei sua palma.
-Não quero que se sinta forçada – pronto, eu havia dito. Me senti incrivelmente fraco, e patético, mas ao menos ela sabia agora. Sabia que ela tinha o poder de decidir.
-Eu estou pronta – respondeu, simplesmente.
A sua convicção me pegou despreparado. Percebi que eu estava congelado no lugar.
Eu não podia tocá-la.
Grandes gotas d'água começaram a bater nas janelas, e logo estava chovendo torrencialmente. As luzes da cidade se tornaram um borrão colorido, filtrado pela água, os reflexos criando desenhos na pele clara de Ginevra.
Ela soltou sua mão da minha e, com um gesto delicado, puxou a alça de sua camisola.
Vi a seda deslizando pelo seu corpo como se eu estivesse enfeitiçado. Ela era linda.
Apesar da minha clara resistência, eu ainda era um homem. E aquele gesto havia desperto o meu... instinto. Devagar, me aproximei dela, sentindo sua respiração quente, quase ouvindo seu coração bater.
Quando meus lábios encostaram nos dela, percebi o quanto eu queria aquilo. O quanto estava sedento por ela.
Ginevra´s PoV
Enquanto Draco me beijava, tudo o que eu conseguia pensar era que ele era a única pessoa que eu beijara além de Harry.
Era um progresso.
Eu podia sentir suas mãos tremendo. Mas isso me fez me sentir importante. Não era segredo algum que Draco era um conquistador – a maioria das garotas de Hogwarts disputavam vigorosamente o lugar ao lado de sua cama.
Bastante irônico ser eu a ocupá-lo.
Ele me tocava como seu eu fosse algum cristal raro. Pronto para partir ao menor sopro do vento. Qualquer mulher se sentiria honrada, e eu não era diferente.
Sem que eu notasse, ele me pegou no colo e me colocou sobre a cama. Senti meu estômago afundar – mas não havia sido eu a começar com tudo aquilo?
Seus lábios eram macios e gentis, e suas mãos estavam uma de cada lado da minha cabeça, enquanto seu corpo cobria o meu. Por algum tempo ficamos assim, nos beijando, enquanto eu sentia o gosto da sua boca na minha.
Me senti constrangida por não saber o que fazer, mas Draco havia assumido o controle. Eu mal o havia sentido mover quando percebi que ele estava sem camisa, sua pele em atrito com a minha, gerando arrepios.
E então, aconteceu: algo que eu não sabia que tinha estado silencioso até aquele momento pareceu acordar dentro de mim.
Cada vez mais, eu buscava a boca de Draco, minhas mãos se entrelaçando aos fios de seu cabelo, enquanto seu toque ficava mais forte e mais exigente.
Mais de uma vez tivemos que nos separar em busca de oxigênio.
Aquilo era estranho, como eu nunca havia perdido o controle daquela forma. Talvez meus hormônios adolescentes tivessem escolhido esse momento para sair da hibernação. O fato era que, mais de uma vez, me peguei puxando-o com força para mim. E isso era algo sobre o que eu não iria pensar agora.
Mas, a todo momento, eu estava ciente do olhar de Draco sobre mim. Pedindo permissão, esperando...acho que ele esperava que eu o parasse. Eu também esperava pará-lo. Mas não fiz.
Com cuidado, ele retirou a única peça de tecido entre nós. Seus olhos não desgrudaram dos meus, todo o tempo me alertando sobre o que ele estava fazendo, esperando por um sinal meu.
Um sinal que não veio.
Quando ele voltou a se posicionar sobre mim, tive a maior consciência que já havia tido sobre o meu corpo.
Draco começou a me beijar devagar; formando trilhas de beijos no meu pescoço e clavícula. Senti uma fisgada de medo no estômago. E, para impedir que ele visse em meus olhos qualquer sinal que o fizesse mudar de idéia, levantei a cabeça e capturei os seus lábios.
Eu podia sentir seu coração batendo junto ao meu, numa freqüência mais rápida, entretanto. Mantive meus olhos fechados, mas eu sabia que ele estava me inspecionando. Mas ele também, ao que parecia, já não tinha tanto controle sobre si mesmo, suas mãos pressionando com força minhas pernas. E então eu senti.
Lentamente, eu o senti penetrar em mim.
Foi a sensação mais estranha que eu já havia experimentado. Foi como se eu estivesse sendo invadida, violada; mas ao mesmo tempo foi como ser preenchida, completa.
Eu tinha consciência da pequena dor que se instalara e avisava meu cérebro, mas estava tentando evitar pensar nela.
-Abra os olhos, Ginevra – e sua voz estava rouca, muito diferente do tom calmo que ele usara comigo a noite toda.
Eu não queria enfrentar o seu olhar, porque não sabia ao certo o que ele veria; mas também sabia que não haveria outra forma de tranqüilizá-lo. Senti sua mão acariciando minha bochecha, e seu corpo se manteve imóvel sobre mim.
-Abra os olhos, por favor- ele repetiu.
Olhei em seus olhos, esperando pela sua reação. Seus olhos estavam escuros, sólidos como mármore, cor de mercúrio.
-Machuquei você? – ele perguntou, e sua voz parecia estrangulada.
-Não – eu disse, mas minha voz também estava diferente. – Eu estou bem –tentei fazer com que minha voz soasse melhor.
E ele me beijou de novo.
E eu o beijei de novo, e de novo. E quando ele começou a se movimentar, eu o beijei mais forte ainda, para que ele não percebesse que eu ainda não havia me acostumado àquela sensação.
Mas, à medida que eu aprofundava o beijo, mais ele correspondia, como se estivesse se afogando, e eu fosse o oxigênio. Sua boca estava em toda parte, nos meus lábios, no meu pescoço, nos meus seios; e eu comecei a ficar embriagada, um tanto zonza.
Deu para perceber quando mudou. Eu não sabia bem como, mas eu senti. Ele colou sua testa na minha, e seus olhos não deixaram os meus, enquanto ia ficando mais rápido e mais rápido, até que, com um estremecimento, Draco soltou seu peso pela primeira vez sobre mim, sua respiração ofegante no meu pescoço. E ele disse meu nome.
Não como ele dizia o tempo todo, com reverência. Mas com a respiração entrecortada, como um último suspiro.
Subitamente, senti todo o cansaço das últimas horas cair sobre mim, a tensão agora aliviada. Draco me puxou para si, e me recostei em seu peito, seu coração retumbando em meus ouvidos.
Ele me cobriu, mas eu já estava pensando em outra coisa.
Eu quase havia adormecido, quando o senti beijando o topo da minha cabeça. Quis perguntar a ele, mas eu estava à beira da inconsciência.
Ele preferia um menino ou uma menina?
N/A: Eu sou uma vaca. Não vou dizer mais nada!
Kisses,
Angel.
