Better Together.
Capítulo X – I don't believe.
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And can't you see that you are stuck,
in this poor world where life is luck,
and no one really gives a damn,
what you want or who I am.
And, oh I think I've had enough,
Your attitude is really rough.
stop getting high on all this shit,
you can't hide in the corner to escape,
from it
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Nessie apertou minha mão com um pouco mais de força quando paramos em frente ás portas de vidro da creche. Seu corpinho de repente ficou mais pesado, e quando finalmente avancei mais um passo, percebi que ela havia parado onde estava, com o braço que segurava minha mão um pouco alongado demais.
- Nessie, nós vamos nos atrasar, minha filha – Falei no tom de voz um pouco mais fino que o normal. A manhã já estava sendo longa sem nem mesmo começar, e depois de todo o processo que enfrentei apenas para acordar minha filha, eu não achava que fosse ser possível ocorrer mais ''eventos''.
- Não posso i com voucê vê tia Eme? – Ela perguntou fazendo aquele biquinho que acelerava meu coração.
Suas bochechas estavam coradas, e as Maria-chiquinhas que ela havia insistido em usar hoje davam a ela aquele aspecto mais inocente que o normal. Seu olhar implorava para uma resposta positiva, e ficava cada vez mais difícil encontrar forças para simplesmente não a pegar no colo e a levar para o trabalho comigo.
- Nessie, você sabe que não. Eu prometo que vou te levar para o trabalho um dia desses, mas não hoje, ok?
- Pou quê? – Perguntou dando um passo para trás quando soltei sua mão. Eu voltei a segurá-la imediatamente com medo de que ela saísse correndo pelo estacionamento da creche.
Suspirei fundo.
Aquela não era exatamente a primeira vez que estávamos discutindo tal questão naquela manhã. Assim que acordara hoje, ela perguntou se não poderia ficar em casa; durante o café da manhã ela quis saber se não poderia ficar com a ''Titia Lice'', e quando estávamos vindo para a creche Nessie de repente estava interessada em passar um dia inteiro comigo no trabalho.
Eu sabia o que estava acontecendo.
Ela estava com medo da menininha que conversamos na noite anterior.
Ajoelhei-me a sua frente logo depois de arrastá-la para um canto mais afastado em frente à creche, pois não queria chamar a atenção de outras mães que chegassem para deixar seus filhos. Assim que fiquei mais ou menos da altura de Nessie, ela baixou o queixo e me olhou por baixo de seus cílios longos. O olhar me lembrava o que Edward me daria caso eu fosse contra algo que ele quisesse...
- Nessie...
- Eu quelo filcá com voucê – Ela falou antes que eu terminasse, seus olhos brilhavam evidenciando que mais uma vez ela choraria.
- Eu também quero ficar com você, princesinha da mamãe – Respondi lhe dando um sorriso bem aberto, e então apertei suas bochechas para que ela pudesse se animar um pouco. Funcionou tanto quanto poderia – Mas a mamãe tem que trabalhar, e você tem que ficar com seus amiguinhos e com a tia Ângela por enquanto.
- Mas eu não quelo eles e ela.
- Nessie, olha para mim – Pedi, não tendo muito sucesso, então toquei seu queixo para que ela finalmente me encarasse – Eu te amo meu amor, e é isso o que você precisa saber e acreditar. Você não se lembra da conversa que tivemos ontem a noite?
- Leumbo? – Ela respondeu forçando um sorriso.
- Então, eu não disse a você que não queria que você ficasse pensando no que ela te falou?
- Mas e se ela fala de nouvo? – Perguntou curiosa.
- Ela não vai. Eu vou falar com a tia Ângela, e vou pedir que ela não deixe a Maggie fazer nada com você, eu prometo.
- Mas e quaundo a tia Ang sai?
- Confia em mim, Nessie – Dei-lhe um beijo na testa, ganhando um sorriso enorme de presente. Eu não conseguia entender como coisas tão simples e pequenas conseguiam render um sorriso tão grande e lindo no rosto de Nessie, mas seria um grande engano dizer que eu não estava disposta a fazer de tudo para vê-lo sempre ali, iluminando suas feições.
- Ta boum – Ela afirmou balançando a cabeça em um exagerado gesto de afirmação, e eu mesma ri da maneira como seu cabelo fazia um movimento engraçado. Nessie não tinha cabelos longos, eles eram bem curtos e cacheados, então quando fazíamos um penteado como o que ela usava hoje, seu rostinho redondo e fofo ganhava um brilho quase diferente.
- Hey, você sabe que eu jamais deixaria você em um lugar que você não estivesse segura, certo? – Perguntei antes de me levantar. Ela balançou a cabeça e suspirou fundo.
Quando me levantei, Nessie apertou minha mão, e caminhamos sem mais problemas pela creche, vendo as salas com as portas abertas e cheias de crianças ganhando energia para descarregar nas próximas horas.
De vez em quando eu me perguntava como as professoras de creches conseguem fazer o trabalho que têm. Quando criança eu sempre quis trabalhar em uma creche, achava que talvez fosse o trabalho perfeito, mas agora, com meus vinte e cinco anos de idade e com uma criança em minha responsabilidade, eu poderia afirmar sem duvida que ser professora de criança não deve chegar nem perto do trabalho mais perfeito do mundo.
Não que eu não amasse minha filha, pelo contrário, Renesme significava o mundo para mim, mas às vezes ela conseguia ser bem estressante sozinha, imagina multiplicado por dez?
Quando finalmente chegamos à sala dela, percebi uma quantidade maior que o normal de crianças. Havia três novos integrantes na turma, e eu sabia disso pelo simples fato de conhecer muito bem os coleguinhas de Nessie.
Ângela estava na porta, com uma aparência mais leve que da última mais que a tinha visto. O sorriso em seu rosto brilhava quase tanto quanto o sol.
- Bom dia princesa Nessie – Ela falou quando nos viu.
- Boum Dia tia Ang – Nessie respondeu acenando com a mão livre, o aperto em minha mão nunca cessava.
- Como você está hoje? Eu espero que esteja de bom humor. Eu lhe falei ontem que teríamos integrantes novos na nossa turma, não? Então, eles já chegaram e só falta você.
- Vedade? – Nessie perguntou com o olhar maior que o normal.
- Sim, porque você não entra e pede para Nancy lhes apresentar, eu tenho certeza que você vai adorá-los.
Não foi preciso nada além daquilo para que minha mão fosse solta. Nessie deu um beijo em minha mão e murmurou algo como uma despedida antes de correr dentro da sala para encontrar a novidade. Aí estava algo sobre minha filha, ela adorava algo novo.
Ângela suspirou pesado, recuperando o ar que perdeu ao gargalhar de Nessie. Nós duas estávamos presas na sequência de movimentos que minha filha fazia, até que a assistente de Ângela finalmente fez as apresentações entre Nessie e as três crianças novas.
As crianças novas eram duas meninas e um menino, que pareciam ter a mesma idade de Nessie. Os três tinham cabelos loiros e pele um pouco bronzeada, com olhos de um castanho meio azulado.
-Renesme com certeza é algo. Ela uma graça – Ângela comentou depois de alguns segundos quando Nessie passou a mão no cabelo de uma das meninas.
- Eu sei – Respondi com um suspiro. Perguntava-me se era só minha a sensação de orgulho no olhar quando assistia Nessie fazer qualquer coisa – E então, três novos ''monstrinhos''?
- Nem me fale. São trigêmeos, os pais acabaram de se mudar para Seattle e nós tivemos que aceitá-los, aliás, a mãe das crianças é sobrinha de Charlotte e tudo mais – Ângela explicou, finalmente deixando as crianças de lado para prestar atenção apenas em mim. Com mais um suspiro, sua expressão animada mudou para uma mais séria e questionativa – E então, você descobriu o que aconteceu ontem?
Eu apenas concordei com a cabeça, procurando por palavras que parecessem justas na explicação.
- Algo que devo saber? – Ela perguntou cuidadosa. Ângela era o tipo de pessoa que qualquer um gostaria de ter como amiga. E ela era isso para mim, uma amiga distante, aliás, no final de tudo, era ela quem estava cuidando da minha filha.
- Ao que parece uma garotinha falou coisas a Nessie que a chatearam além do normal – Respondi séria, esperando que ela perguntasse.
- Como? Mas eu não vi briga alguma?
- Nessie não brigaria, você sabe disso. Além de tudo, ela ficou tão abalada que nem pensou em responder, eu acho.
- O que aconteceu? – Ângela perguntou, dessa vez ela estava deixando claro que queria algo mais profundo.
- Ok – Suspirei, olhando para os dois lados para descobrir se estávamos sozinhas – Ao que parece uma garotinha chamada Maggie falou para Renesme que ela não tinha pai, e que por causa disso, eu iria embora e nunca mais a veria. Eu não sei as exatas palavras, Nessie estavam muito abalada para que eu pedisse tanto, mas eu conheço minha filha e sei que ela não mentiria sobre uma coisa dessas, muito menos inventaria.
- Maggie?
- Nessie disse que ela era da turma da professora Mia...
- Oh... Margareth Spencer, claro... Tinha que ser – O tom irônico não me passou despercebido. Mas o que me chamou a atenção foi o sobrenome, eu não lembrava alguém que o usasse, mas com certeza já tinha ouvido falar.
- Ela já deu problemas antes? – Perguntei curiosa.
- Não, ela é uma criança adorável, de verdade. Uma coisa fofa de se ter por perto, mas ela tem apenas quatros anos de idade, os pais estão se separando e ao que parece estão brigando muito. Ela é filha única e sempre teve toda a atenção para si, com a separação dos pais, ela está se sentindo um pouco fora de foco... Uma longa história. Mas eu não entendo porque ela brigou com Nessie, as duas quase nunca ficam juntas.
Meu coração se apertou. Eu não fazia a mínima idéia do que era viver a separação dos pais. Tudo bem que eu vivi sem o meu pai por anos, mas pelo eu nunca vi uma briga entre ele e minha mãe. Quanto a Nessie, ela não estava vivendo uma situação muito diferente da minha. Mas essa garotinha, de apenas quatro anos, com certeza estava passando por uma fase difícil.
- Nessie me disse que foi a mãe de Maggie que disse as coisas que Nessie escutou ontem. Eu não faço idéia de quem seja essa mulher, e de como ela conhece a minha vida, mas eu realmente estou intrigada com a história, então eu queria pedir um favor.
- Claro. Eu vou ter certeza de que a professora Amélia tenha uma conversa com Margareth, e vou fazer o possível para manter Nessie longe dela...
- Obrigada, Ângela. Mas eu queria pedir que você me conseguisse pelo menos o telefone da mãe de Margareth...
- Eu não acho que eu possa fazer tal coisa... Mas acho que posso relatar o caso para Charlotte, ela pode marcar uma hora com a mãe de Margareth e ter uma conversa com ela, e talvez vocês duas possam se entender...
- Ângela, essa mulher fez uma absurda acusação sobre mim e acabou afetando minha filha. Eu não posso ficar de braços cruzados.
- Eu sei, mamãe coruja. Mas eu não posso lhe dar informações sobre os outros pais, não sem consentimento – Ângela respondeu me dando um olhar que não permitia uma resposta.
Suspirei fundo, cansada. A última noite havia sido longa e de pouco sono. Eu passei a maior parte da madrugada tentando descobrir quem era a mulher que havia falado tal coisa de mim, e a razão disso, mas eu estava sem pistas, apenas com uma urgente vontade de tirar satisfações com ela.
- Ok, fale com Charlotte assim que você puder. Se for preciso diga a ela pra me ligar. Eu faria isso eu mesma, mas já estou super atrasada – Falei. Eu sabia que não faria sentido algum contestar o que Ângela havia falado, ao todo ela tinha razão.
- Pode deixar. Eu vou ter certeza de Maggie vai escutar pelo o que aconteceu, e que Charlotte vai entrar em contato com a mãe da menina.
Ângela e eu nos despedimos logo em seguida. Nessie apenas acenou de longe, mandando um beijo em minha direção quando fiz o mesmo.
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Minha manhã não estava sendo absolutamente nada prazerosa.
Meus olhos estavam fixos no celular esperando por qualquer ligação que eu pudesse receber da creche. Meus pés não paravam de bater contra o linóleo, e meus dedos estavam digitando como nunca uma das mil cartas de rejeições que eu tinha que digitar naquela manhã.
Eu odiava mandar cartas aos escritores e lhes dar a notícia de que não publicaríamos seus livros, mas o que eu poderia fazer?
Era mais ou menos nove e meia da manhã quando me ligaram da oficina para avisar que meu carro estava pronto e em perfeito estado, apenas no ponto que fossem buscá-lo. Mas é claro que não existia a mínima chance de eu sair do trabalho àquela hora para ir buscá-lo, até mesmo pelo fato de eu está usando o carro de Emmet. o problema não demorou nem mesmo cinco minutos para ter uma solução, uma vez que assim que me livre do gerente da oficina, Emmet ligou para perguntar como estavam as coisas. O acordo de que ele pegaria meu carro e nós trocaríamos de veiculo no fim do dia foi feito em um piscar de olhos.
Eu estava analisando um dos projetos de capas para uma publicação quando meu interfone começou a tocar freneticamente.
- Bella? – A voz de Jéssica sempre ficava mais fina quando ela falava ao telefone.
- Sim Jéssica? – Pergunte sem tirar meus olhos dos dois modelos que eu teria que escolher até as três horas daquela tarde.
- Eu estou com a senhorita Denali na linha um, ela é a secretária da Corporação Platt que eu lhe falei ontem. Está querendo confirmar o encontro entre você e o chefe dela.
- Oh – exclamei surpresa, me lembrando de dar uma resposta hoje. Eu havia esquecido completamente daquele almoço.
- Sim, e então, o que digo? – Jéssica perguntou na expectativa.
- Passe a ligação para mim – Respondi, deixando de lado o material que eu analisava para poder entrar na internet e pesquisar que corporação era aquela enquanto conversava com a secretária.
- Tudo bem, vou passar para linha um – Ela respondeu antes de eu ouvir a transferência da linha.
Eu apertei o botão da linha e um e ouvi um barulho estranho do outro lado.
- Senhorita Swan? – Uma voz rouca perguntou do outro lado.
- Sim, sou eu – Respondi sem muitas idéias do que dizer em diante – Em que posso ajudá-la?
- Meu chefe pediu que eu marcasse um almoço entre a senhorita e ele para essa tarde. Sua secretária avisou-me que confirmaria hoje nesse horário.
- Claro. Você se importa de me esclarecer quem é seu chefe e o que poderíamos ter de interesse em almoço? – Perguntei quando a página do Google finalmente abriu por completo. Digitei sem jeito o nome da corporação e apertei enter, e logo uma página cheia de links apareceu na tela de meu computador.
- Bom... Ele me disse que eram assuntos pessoais quando perguntei o que poderia ser o assunto – Ela respondeu quando apertei no que parecia ser uma biografia da corporação.
- O nome dele, por favor.
Ela limpou a garganta, eu podia ouvir por causa da maneira tensa como aquilo soou. Algo em mim avisou de que talvez eu não quisesse saber quem era o chefe daquela mulher, mas a curiosidade era muito grande.
- Senhorita Denali? – Chamei depois de alguns segundos em silêncio. A página que abriu era de um blog todo colorido com um texto enorme e várias fotos ao longo da extensa página. Eu lia alguns nomes que pareciam se destacar, nunca encontrando nada que me revelasse algo, até que resolvi analisar toda a página.
- Meu chefe chamasse Edward Anthony Masen, senhorita Swan – Sua voz sussurrou baixinho, quase como se eu não tivesse que escutar.
Meus dedos pararam de mexer no mouse do computado, e dessa vez eu que engoli em seco enquanto processava o nome que acabava de escutar.
O que ele queria? Céus, como ele havia me encontrado? E o que diabos estava ele fazendo em Seattle? Ele não deveria está em Chicago vivendo mais um ano como se eu não existisse, enquanto eu fazia o mesmo aqui?
Minha voz se perdeu em minha garganta quando finalmente pensei em responder algo. Eu sentia um frio em minha barriga fazer meu corpo ficar tenso. De repente era como se eu estivesse prestes a desmaiar...
- Senhorita Swan – A voz da secretária chamou do outro lado. Ela parecia entender o que se passava comigo.
- Sim? – Foi tudo o que consegui dizer. Minha voz estava seca.
- O que a senhorita me respondi? Eu preciso confirmar com o restaurante e avisar ao senhor Masen...
- Eu não acho que eu e ele tenhamos algo a conversar. A resposta é não, e diga a ele que me deixe em paz – Respondi sem nem mesmo pensar no que estava fazendo. A surpresa se misturava com o medo e aquela não era a melhor combinação.
- Senhorita...
- Eu já lhe dei a resposta – Falei quando percebi que ela estava prestes a argumentar – Eu tenho que trabalhar. Tenha um bom dia senhorita Denali.
Desliguei o telefone sem nem mesmo pensar duas vezes.
Arfei sem saber o fazer, ficar sentada não era uma boa idéia e então eu estava de pé, andando de um lado para o outro enquanto bagunçava meus cabelos ao passar meus dedos entre os fios. Os pensamentos que eu tinha não eram nem um pouco coerentes, e de repente até mesmo respirar não estava sendo fácil.
Eu não sabia exatamente quando havia desenvolvido aquela de espécie de fobia a simples menção do nome dele, só sabia que desde que saí de Tacoma, a única vez que escutava aquele nome era em meus pensamentos e sonhos, e que geralmente rendiam noites sem dormir apenas para ficar pensando nele.
E então, como se foi algo completamente normal, eu recebo a ligação da secretária dele para me chamar a um almoço? O que estava acontecendo?
Suspirei fundo quando meu salto escorregou no tapete que ficava no centro da minha sala. Eu senti uma dor ínfima no tornozelo, mas desisti de andar de um lado para o outro para poder me sentar no sofá vermelho ao lado da porta.
Apoiei meus cotovelos nos joelhos e continue bagunçando meu cabelo.
O que ele poderia querer comigo depois de tanto tempo? O que? Eu tentava encontrar uma resposta decente, algo que talvez chegasse próximo ao possível, mas nada vinha. Minha mente trabalhava nos piores cenários, que eram justamente aqueles em que ele aparecia para mostrar como estava bem melhor sem mim, ou pior...
Balancei minha cabeça negando apenas pensar na possibilidade dele, de alguma maneira, ter descoberto sobre Renesme. Era impossível aquilo. Ela não tinha o mesmo sobrenome que ele, ela não tinha muitas semelhanças físicas dele, e a única pessoa que sabia quem era o pai dela era Lauren...
Lauren. Pensei. Ela não contaria a ninguém, contaria?
Sem pensar duas vezes eu já estava esvaziando minha bolsa a procura de meu celular, quando o encontrei apenas procurei por um dos números gravados na memória, e logo apertei o botão de chamada quando encontrei o nome dela.
Eu e Lauren não nos víamos há muito tempo, para ser mais exata há dois anos, quando ela veio para o primeiro aniversario de vida de Nessie. Hoje em dia Lauren era uma mulher casada e estava morando na Califórnia, trabalhando como conselheira de casais.
- Alô? – A voz dela parecia diferente do que costumava ser, mas ainda assim era dela.
- Por favor, me promete que você nunca disse a ninguém sobre o pai de Renesme – Falei com a voz surpreendentemente apelativa. Parecia que eu estava chorando.
- O que? Como? Renesme? – Ela perguntou apressada, provavelmente sem entender o que estava acontecendo – Bella? É você?
- Sim, sou eu. Lauren me diz que você nunca contou a ninguém sobre o pai de Renesme.
- Claro que não contei – Ela respondeu rápido – Como se eu fosse divulgar ao mundo que o pior homem do mundo é o pai da criança mais linda do universo.
Não era mentira que Lauren tinha aversão ás crianças, mas Renesme havia conseguido um espaço no coração dela.
- Você tem certeza? Tyler, talvez?
- Eu tenho certeza, Bella. Eu nunca abri minha boca para falar sobre sua vida para alguém, com exceção de você, é claro. Mas o que aconteceu?
- Eu não sei. Edward mandou a secretária dele marcar um almoço comigo para hoje. Eu não faço idéia do que ele pode querer comigo, ou o que ele está fazendo aqui em Seattle. Ele deveria está em Chicago, Lauren.
- Oh, espera aí. Você está me deixando tonta – Ela falou um pouco mais alto – Ele procurou por você depois de tanto tempo?
- Sim, é o que parece não? – Perguntei tentando ser sarcástica.
- Você vai nesse almoço?
- Eu estava tão surpresa que respondi que não iria, e pedi que ela avisasse a ele que me deixasse em paz. Mas eu conheço Edward, pelo menos eu acho que conheço. Ele não vai me deixar em paz tão facilmente... Especialmente se ele descobriu sobre Nessie.
Eu podia quase imaginar os olhos de Lauren rolando em chateação.
- Talvez ele não saiba sobre Nessie. Talvez ele esteja procurando por seus serviços de menina bobinha para mais uma rodada de sexo, amor e traição. Não caia nessa novamente, Isabella.
- Lauren...
- Okay, eu sei que você não é mais a mesma. Mas eu também sei que você nunca o esqueceu.
- Lauren, isso não é o que eu preciso escutar agora – Respondi suspirando fundo, resolvendo voltar a me sentar no sofá.
- Eu sei. Desculpa – Ela pediu também suspirando – Olha, você fez a coisa certa em não aceitar o almoço, e pediu que ele não a procurasse novamente. Vai que isso funciona? Para falar a verdade esse é um grande sinal de que você não vai aceitar a proposta que ele quiser lhe oferecer, mesmo que seja um pedido de desculpas. Esquece isso, se acalme um pouco, e depois, se ele aparecer de novo, você aceita se encontrar com ele e deixa as coisas claras. Eu acho muito pequena a chance dele saber sobre Nessie. Eu e você somos as únicas que sabem sobre a paternidade dela...
Suspirei fundo. Lauren tinha razão, ao final de contas. Se ela realmente havia ficado de boca fechada, não havia como Edward saber sobre Nessie. Não é?
Eu senti meu corpo aliviar um pouco a tensão depois daquilo, e finalmente consegui respirar novamente. O maior medo que eu tinha na vida era que Edward descobrisse sobre Nessie, quanto ao resto eu sabia que conseguiria lidar.
- Você ainda está aí? – Escutei a voz de Lauren, e só então me toquei do silêncio que permaneceu entre nós duas.
- Estou, me perdoa pelo silêncio, e por ter ligado assim para você.
- Não tem problema – Ela respondeu – E então, como está Nessie? A última foto que você me mandou dela já está velha, eu acho que preciso de novas. Ela ainda está fofa como sempre?
- E vai ter algum dia que ela não será fofa? – Perguntei em resposta. A conversa de segundos atrás havia sido colocada de lado.
Conversamos por mais alguns segundos até que Lauren precisou desligar por causa de dois pacientes. Eu me sentia muito melhor depois de jogar o telefone de volta em minha bolsa, e beber um grande copo de água, voltei ao trabalho tentando pensar o mínimo que conseguia sobre ele.
Minha sala mais parecia um santuário em adoração a meus amigos e Nessie. Era um lugar que supostamente deveria ser minha segunda casa, e ao longo dos anos que trabalhei ali, apenas fiquei adicionando pequenas coisinhas que acreditava serem importantes. Haviam fotos de todos meus novos e velhos amigos, do meu pai com Nessie quando ela era um bebê, e de Nessie em todos os momentos de sua vida, desde que ainda estava em minha barriga até a foto mais atual que eu havia revelado.
Eu demorei alguns minutos apenas observando uma das fotos que eu mais amava, uma que eu havia tirado em uma tarde de domingo quando ela estava toda lambuzada de brigadeiro e com os cabelos cheios de fivelas coloridas. Meu coração se apertava toda vez que me sentia egoísta demais por saber que Edward estava perdendo tudo o que eu tinha com ela, mas a parte rancorosa de meu ser ficava estranhamente satisfeita com aquela silenciosa vingança que eu tinha.
Depois de voltar a me concentrar de verdade em meu trabalho, acabei por decidi que capa seria usada, e se Deus quisesse a autora concordaria comigo.
Por volta das onze da manhã eu me vi presa na sala de reuniões, mostrando uma séria de slides sobre um livro que eu estava trabalhando. O autor desde era bem mais agradável, e sua urgência de lançar seu trabalho era tão grande, que ele concordaria comigo até se eu dissesse que deveríamos publicar o livro em folha de papel higiênico.
A reunião não demorou, graças a alguém que havia resolvido me escutar. Não era comum reuniões terminarem em menos de uma hora, e hoje o milagre havia acontecido. Eu me demorei organizando alguns papéis depois que o autor do livro foi embora, e quando finalmente entrei no corredor para seguir de volta a minha sala, encontrei Jéssica correndo em minha direção.
- Qual é o seu segredo? O que você tem de tão importante? – Ela pergunta com a voz baixa, presa em sua própria respiração. O sorriso exibido em seu rosto um pouco redondo, era algo que se assemelhava ao que você via nas menininhas de quinze anos que se encontravam com seus ídolos.
- Perdão? O que eu fiz? – Perguntei desnorteada.
- O que você fez? Deixa eu explicar. Ontem vem aquele bonitão de quase dois metros com flores para você, e ainda por cima lhe dar o carro pelo dia...
- Emmet, você está falando de Emmet. Ele está aqui?
- Não... Ele é seu namorado por algum acaso?
Rolei meus olhos.
- O que está acontecendo, Jessica? – Perguntei já irritada por aquela conversa que não ia a lugar algum. Jessica era o tipo perfeito de pessoa que faria você passar o dia conversando sobre a vida dos outros.
Ela me agarrou pela mão e começamos a andar em direção ao hall do andar.
- Outro homem gatão veio ver você hoje. Em particular eu acho o de hoje mais lindo, mas gosto é gosto...
- Quem é? – Perguntei com a mente sendo levada a Jasper.
Ele era marido de Alice e um dos mais homens mais lindos que alguém conseguia imaginar existir.
- Não sei, eu não perguntei o nome. Mas quem liga para um nome quando está em frente a tanta beleza? – Ela de sua própria piada, mas controlou-se quando chegamos ao hall.
Lá, perto do elevadores e de costas para mim, estava um homem alto e de cabelos curtos em um tom de castanho avermelhado. Ele usava um terno cinza, sapatos pretos que brilhavam de longe, e suas mãos estava no bolso das calças.
Meu coração me alertou quem era antes que minha mente pudesse tirar a conclusão sozinha, e eu simplesmente sairia correndo de volta para minha sala caso ele não tivesse se virado tão repentinamente.
Olhos verdes escuros e brilhantes encontraram os meus. Suas feições não haviam mudado em absoltamente nada, e o sorriso estampado em seu rosto com certeza não era o reflexo de minha face.
- O... – As palavras ficaram presas em minha garganta, mas seu olhar demonstrava que ele havia entendido.
- Eu vim lhe buscar para nosso almoço, Isabella.
Fim do Capítulo.
Ok, o que acharam do capítulo?
Ele voltou... Afinal de contas, e ao que parece está tão teimoso quanto ela.
Será se ele sabe sobre a Nessie? Ou ele vai descobrir no próximo cap?
O que acharam da Nessie nos últimos caps?
Bom, algumas de vocês odiaram Emmet/Bella como um casal, mas porque não esperar os próximos capítulos?
Beijos e até semana que vem.
