Disclaimer: Os personagens pertencem a Stephenie Meyer, eu só brinco com eles. Respeitem minha brincadeira e não roubem! :)

O título de hoje significa "Quando estou em casa", da música A hard day's night, e continua: "Tudo parece ficar certo/ Quando estou em casa sentindo você me abraçar forte."


Capítulo 11: When I'm home

Edward assistiu, um pouco em choque, a porta da casa de Alec Hills bater atrás do rastro que sua namorada deixou. Levou cinco segundos para que ele entendesse que Bella não iria voltar, e que ele deveria tomar uma atitude. Largando sobre a mesa a cerveja que segurava, o rapaz atravessou o mar de gente que deixava a sala menor do que era e partiu em busca de Bella.

Era tarde demais quando ele conseguiu sair da casa, a vista da rua turva pela forte chuva que caía. Ele viu a silhueta da jovem virando a esquina lá embaixo, porém ela não estava em lugar algum quando ele alcançou a esquina.

Como essa garota consegue ser tão rápida?

- Está procurando pela morena bonita que veio correndo? - uma senhora sentada no banco coberto do ponto de ônibus atrás dele perguntou. Edward aproximou-se, saindo da chuva torrencial por alguns instantes.

- Sim...

- Ela entrou no primeiro ônibus que parou, meu jovem. Você chegou tarde.

- A senhora viu o destino? - ele perguntou.

- Não tenho certeza, mas creio que era a zona norte.

Edward sabia que Bella morava naquele caminho, então só podia concluir que ela havia ido para casa. Ele virou-se e começou a andar em direção ao seu carro estacionado por perto.

- Certo. Obrigado! - gritou para a senhora, deixando-a para trás.

Seu coração batia acelerado enquanto dirigia. Ele precisava falar com Bella o quanto antes. Segurou firme o volante com uma mão, para com a outra tentar, sem sucesso, completar uma ligação para o celular da namorada.

- Bella, atende! - Pela terceira vez, ele ouviu a irritante voz automática da operadora lhe responder: O número que você discou não está disponível, tente mais tarde.

Havia algo lhe dizendo que ele estava encrencado com Bella, porque afinal ele a tinha levado para aquela festa que acabou daquele jeito. No entanto, não queria entrar em pânico ainda. Estava se preparando para ouvir a bronca que ela iria dar por deixá-la sozinha, mas só precisava entender o motivo de ela ter fugido assim. Não fazia muito sentido na sua mente. Por que mulheres eram tão complicadas, às vezes?

O rapaz chegou em pouco tempo na modesta casa amarela. Saltou do carro deixando para trás o banco molhado por suas roupas, mas nem se importou. Tocou a campainha com pressa, rezando para que atendessem logo.

Renee foi quem abriu a porta e o olhou com espanto.

- Edward? Está tudo bem?

Ele engoliu em seco antes de perguntar, tentando manter a calma.

- Sra. Swan, Bella está em casa?

- Não. Ela disse que estaria com você até a noite. O que está acontecendo? - ela franziu o cenho, dando uma olhada em Edward. - Por Deus, você está encharcado. Entre aqui, rapaz.

Se afastando para dar passagem, Renee deixou que ele adentrasse a casa, deixando um rastro por onde caminhava com suas botinas. Ela saiu de repente, andando depressa até o banheiro a fim de pegar uma toalha.

- Onde está minha filha, Edward? - ela perguntou ao voltar, estendendo-lhe a toalha. Ele aceitou com cautela, e começou a secar um pouco seus braços.

- Não faço ideia. Nós estávamos numa festa de uns amigos, e de repente ela saiu correndo, mas eu não consegui alcançá-la. Liguei para o celular dela, e nada... Pensei que ela tivesse vindo pra casa, porque viram que ela pegou um ônibus da zona norte.

- O que aconteceu, exatamente, pra ela sair correndo desse jeito?

- Não sei direito... Tinha deixado Bella na sala da casa, e quando voltei ela estava com um violão nas mãos. Vi um pessoal pedindo que ela cantasse alguma coisa. Eu não sei, Sra. Swan, ela parecia tão assustada. Tão perturbada...

- Você disse que ela entrou num ônibus pra zona norte?

Edward franziu o cenho para a escolha de palavras de Renee, sem saber onde ela iria chegar com aquilo, mas de qualquer forma, ele assentiu.

- Acho que sim.

A sra. Swan suspirou pesadamente, o ar de seriedade de sempre mais forte do que nunca. E respondeu.

- Então eu acho que eu sei onde minha filha está.

x-x-x

Estremecendo ao sentir uma corrente de vento, Bella pôs os braços ao redor de si mesma, buscando abastar o frio que gelava sua pele. Suas roupas estavam encharcadas, os sapatos enlameados. Vir para perto de Charlie não tinha lhe trazido nenhuma paz, muito pelo contrário.

Ela apenas sentia-se uma imbecil, molhada e sozinha naquele cemitério vazio e quase inundado. Ao menos a chuva havia parado há alguns minutos, e agora ela andava de um lado a outro em frente ao túmulo do pai, com uma enorme vontade de dar um soco na própria cara. Só agora estava tomando plena consciência de sua atitude brusca e impensada.

- Como você é patética, Isabella Swan! - ela exclamava, não pela primeira vez.

Por que ela tinha feito aquilo? Sair correndo tão covardemente, como se isso adiantasse alguma coisa. Céus. No meio de toda aquela gente, ainda por cima. Ela não fez nada além de ter envergonhado a si mesma e possivelmente a Edward também. Como iria encarar aquelas pessoas novamente? E por que tinha que ser tão estúpida, tão fraca?

Questões, questões... Sua mente estava a mil por hora, e uma sensação de insuficiência, uma frustração simplesmente emperravam em sua garganta, formando um nó. Ela não queria chorar, mas seria inevitável a qualquer momento deixar a raiva por si mesma sair.

- Por que isso é tão difícil pra mim, pai? - ela perguntou para o alto, buscando por uma resposta. - Por que eu não consigo? Eu não gosto de fugir... Mas não consigo evitar. O pânico me engole!

Ela estava cansada de ser tão impulsiva, e principalmente de agir como uma garotinha imatura sem saber brincar em terra de gente grande. Para piorar, um forte pressentimento a envolvia agora: o de que mais um ponto crucial na sua vida estava se aproximando. Se ela fechasse os olhos, poderia enxergar apenas uma longa estrada pela frente e um horizonte escuro, que deixavam-na com um enorme medo de cruzar e saltar no desconhecido.

Porém Bella não queria lidar com essas coisas no momento.

Ela só queria levar uma vida normal, como todas as garotas da sua idade. Para ser sincera, ela queria, apenas por um dia, poder não sentir o peso do mundo nas suas costas. Podia soar como ingratidão por todas as coisas boas que ela tinha, mas era assim que se sentia. Era como se houvesse uma tensão, e ela estivesse bem no meio, sendo exigida por vários lados, várias cordas a puxando com força. Havia nela uma necessidade natural de agradar a mãe, a irmã, o namorado, os amigos, o mundo inteiro, mas... e onde ficava ela própria nessa equação?

Deixar para trás o passado e todas as marcas que carregava consigo era o que Bella mais desejava no momento. Seria incrível poder ir em frente, viver sua fantasia e perseguir o sonho de ser uma cantora de sucesso. A jovem sabia que precisava disso para se libertar, mas também sabia que haveria muita mágoa e luta no processo. E para sua infelicidade, ainda não havia nenhum músculo em seu corpo que estivesse preparado para enfrentar mais uma responsabilidade agora: a de decisão.

Então ela fez o que mais costumava fazer nos últimos tempos. Varreu para debaixo do tapete as ideias sobre caminhos, sonhos e possibilidades, e desceu para a terra, fincando os pés no chão novamente.

- Bella? - ela ouviu, de repente, seu nome ser chamado no silêncio do local aberto.

Virou-se para encontrar Edward vindo depressa em sua direção, ziguezagueando entre as lápides e mórbidas estátuas de pedra.

- O que está fazendo aqui? - perguntou assustada.

- Eu é que te pergunto, o que está fazendo nesse cemitério? - ele chegou perto, segurando-a pelos braços gelados e úmidos, detestando ver a cor levemente arroxeada que os lábios dela se transformaram com o frio. - O que deu em você pra sair correndo no meio de um temporal desses? Você está congelando.

- Eu... Eu precisava de espaço, Edward. Só isso. - ela sibilou, se afastando de seu toque.

- Ei, o que está rolando? Por que está tão arredia comigo? - inquiriu, sem aceitar a forma como ela estava reagindo.

- Eu já disse que só precisava ficar sozinha e pensar um pouco!

- Está certo. Mas acho que já pensou o suficiente, né? Vamos embora logo, senão vamos acabar doentes com essa brincadeira sem graça.

Mas ela não iria ceder tão fácil.

- Não é brincadeira! E eu não sei se quero voltar com você.

Edward levou um instante para reagir, e então percebeu que ele estivera certo - estava mesmo encrencado com Bella.

- Eu sei que você está puta comigo. Mas, por favor, me escute antes de qualquer coisa. Olha, se eu soubesse que isso iria acontecer, eu nem teria...

- Nem teria o quê? - ela interrompeu. - Vai me dizer que você armou aquilo?

- Claro que não. Por que eu faria uma coisa dessas?

- Eu sei lá! Me diga você!

- Não, eu não tive nada a ver com aquilo na sala, Bella. Fui pego de surpresa tanto quanto você quando vi todo mundo ali! - ele explicou com a voz alterada, sem gostar nada de ser acusado sem motivos. - Rosalie que estava liderando aquele grupo, porra, você viu! Eu só ia dizer que nem teria te levado pra esse bendito churrasco, mas não tenho bola de cristal.

- Está bem, então como Rose soube? Como ela soube que eu canto? Eu nunca disse nada a ela. - Bella inquiriu, antes de ver a perfeita expressão de culpa tingir o rosto do namorado e ele esquivar do seu olhar. Sua ficha caiu no mesmo momento. - Ah, mas é claro, você contou a ela. Eu devia saber! Emmett nunca faria isso comigo, mas você já foi se intrometer!

Sim, ele havia mencionado, sem compromisso, numa conversa algum dia desses. Mas como ele iria imaginar que sua namorada teria essa reação? Achou que não havia problema algum, já que Rose era, tecnicamente, uma pessoa próxima a ela. Ele respirou fundo uma vez para controlar sua própria raiva. Sabia que deveria manter-se calmo se quisesse ao menos tentar entender o que estava se passando com Bella.

- Me desculpe, de verdade. Eu não fazia ideia que ela iria aprontar uma dessas. Mas qual foi, Bella, eu não podia contar? Isso é algum tipo de segredo obscuro que você tem ou o quê?

- Não é um segredo. É só... algo íntimo e que eu não gosto de sair divulgando por aí. Você devia saber disso, porra! - explicou ela, percebendo que nem mesmo para si as palavras faziam muito sentido.

O rapaz suspirou profundamente e aproximou-se devagar, parando para segurar delicadamente os ombros dela, obrigando-a a não desviar seu olhar.

- Bella, eu não tenho bola de cristal, já disse. E eu não consigo entender porque está agindo assim... Você é uma artista, não é? - ele perguntou, frustrado. - É isso que nós fazemos, nós compartilhamos nossa arte com as pessoas. Era só isso que eles estavam fazendo naquela festa, tocando e cantando por diversão... Não havia nada a temer. É tão simples.

- Bom, então talvez eu não seja uma artista. - ela sibilou, se desvencilhando de suas mãos e virando de costas. - Eu não preciso compartilhar nada pra me divertir!

- Ah é? Tem certeza? - Edward interpelou em um tom de ironia. - De toda aquela história que você me contou, do seu tempo estudando no Conservatório, você não me pareceu nem um pouco indiferente em relação à música. Pra dizer a verdade, acho que é bem o contrário. Duvido que você não tenha vontade de compartilhar suas composições, de pisar num palco, de ouvir as pessoas curtindo e gritando seu nome, de fazer o que você ama de verdade... Todos nós queremos isso. Duvido que não queir-

- Chega! - exclamou ela. - O que eu quero quanto a isso só eu sei, e... E a última coisa que eu quero hoje é brigar com você justo por esse assunto.

- Bella, eu quero saber o que você quer... Mas que merda, divida suas coisas comigo! Será que ainda não percebeu que estamos num relacionamento, e precisamos de cumplicidade, de parceria? Eu quero ser o seu parceiro. Quero que você conte comigo pra tudo. Não lembra que nós prometemos que não guardaríamos coisas íntimas tão importantes assim?

Ela sentiu o peso das lágrimas na garganta, pois a situação estava saindo muito além do seu controle do que ela podia suportar.

- Lembro, mas... - sussurrou, sem forças para continuar.

Edward suspirou com pesar.

- Mas o quê, hein? Se até hoje você não está disposta a se comprometer nisso comigo, então sinto muito, mas eu só vejo uma solução...

Aquilo fez o coração de Bella amolecer até quase quebrar, e com urgência, ela virou-se para calá-lo com um dedo antes que ele concluísse a frase.

- Shh, por favor, nem pense nisso. - ela implorou, antes de suspirar profundamente. - Edward, eu estou disposta, e você não tem noção do quanto você está sendo importante na minha vida. Também sei que posso contar com você sempre, é só que... Todo esse assunto é delicado pra mim, entende?

- E por que isso é delicado? - ele pressionou a pergunta, erguendo uma mão para acariciar o rosto frio dela, buscando enxergar respostas naqueles olhos profundos. - Por favor, me deixe saber.

Bella respirou uma vez, demorando alguns segundos para falar. Precisou de um momento para editar o que escolheria contar dentre milhares de desculpas que frequentemente dava a si própria para não cantar em público e muito menos perseguir uma carreira e, principalmente, pensou em como contar. Tentou apelar para o motivo menos racional, mas que não deixava de ser uma verdade.

- Está bem... Olha, o que eu vou dizer vai soar lugar-comum e cafona. Mas se você rir de mim vai levar um socão na cara.

Ele abriu um sorriso gentil, pois acreditava que Bella parecia estar deixando desmoronar, pouco a pouco, o muro teimoso que não permitia que ele a conhecesse por inteiro.

- Eu não vou rir de você, deixa de ser boba. Continue.

- É que... Existem muitas razões, mas há uma que sempre me deixa pra trás nesses momentos. É algo meio tolo, mas que pra mim tem um peso imenso. - ela falou, limpando a garganta. - E-eu considero a música como uma parte da minha alma, sabe... Uma parte que é muito... Como posso dizer? Preciosa pra mim. Às vezes, cantar e compor é a única coisa que me mantém sã. Eu pego meu violão e posso ficar horas concentrada, sem pensar em todos os problemas da minha vida. Então... Sei lá, acho que é por isso que pra mim é tão difícil deixar que outras pessoas participem disso, da minha bolha... Deixar que isso se torne uma cobrança, um trabalho.

Edward franziu o cenho, tentando compreender tudo que estava nas entrelinhas daquele discurso.

- É uma explicação razoável... - ele assentiu a cabeça. - Mas eu não consigo me identificar muito com isso, talvez porque eu não sinta quase nenhuma cobrança no que eu faço.

- É, só que eu criei um vínculo com a música de uma forma muito intensa, quase como um universo paralelo só meu. - ela prosseguiu. - Quando o meu pai morreu, a música foi o que ajudou a lidar com o meu luto. Quero dizer, acho que continua ajudando.

- Você ainda é muito ligada ao Charlie. - Edward reparou, olhando ao redor.

- Muito. Infelizmente. - Bella suspirou. - Ele era quem me dava todo o apoio para tentar uma carreira. Ele sempre estava presente... Quase nunca eu via minha mãe nos recitais e apresentações, mas meu pai... Ele estava sempre lá na primeira fileira, e ainda aplaudia de pé no final. Tenho certeza que agora ele está me olhando de cara feia pelo papelão que eu fiz na casa do Alec.

- Foi por isso que você veio pra cá?

- Talvez. Não sei, eu não pensei muito antes de sair correndo. - ela disse balançando a cabeça e pendendo-a para baixo em sinal de constrangimento. - Merda, estou imunda... Foi uma péssima ideia ter vindo até o cemitério. Hoje está sendo uma péssima ideia.

- Eu concordo. - ele ofereceu em simpatia. - Mas me diz só mais uma coisa. Por que você fugiu daquela forma? Poderia só ter se negado, seria muito mais simples.

- Primeiro porque eu, literalmente, entrei em pânico, sem saber o que fazer. Apesar de que antes de congelar de medo, eu considerei ir em frente e cantar pra eles, e isso já é uma grande coisa. - ela admitiu. - Segundo, porque toda a situação poderia fugir do meu controle, e talvez aconteceria algo que eu simplesmente não iria saber administrar.

- Como assim, fugir do seu controle?

- Edward, com tanta gente importante lá... Não sei no que poderia dar. Havia chances iguais de acontecer algo muito ruim ou algo muito bom. E eles estavam empolgados demais quando me encurralaram, então alguma reação eles teriam. Se fosse ruim, eu ficaria péssima, todos ali já estão acostumados com esse tipo de julgamento, mas eu não, não sei como lidaria.

- E se a reação fosse boa...? - Edward pressionou.

- Se fosse boa... Nem sei. O medo não me permite sequer cogitar essa possibilidade... - ela deixou as palavras no ar, sacudindo a cabeça, a fim de desembaralhar seus pensamentos. - Sei lá, Edward. Eu não quero me arriscar a elevar minhas esperanças e depois quebrar a cara de algum jeito. Eu não aguentaria a queda.

- Eu sei o quanto pode ser assustador lidar com julgamentos. Teve um tempo que eu sofri com isso, lá no início. Mas eu logo entendi que a pessoa que mais me criticava era eu mesmo. - ele suspirou, falando suavemente e limpando as lágrimas no rosto dela com ternura. - Bella, você pode superar isso. Eu posso te ajudar, você só precisa confiar em mim e se abrir comigo. Você pode até procurar alguma ajuda profissional, não sei...

- Ah, Edward. - ela lamuriou, sem saber como seguir no assunto. - Vamos deixar pra lá, por favor? Eu não quero mais falar sobre isso agora. Outro dia, quando eu estiver me odiando menos, eu te explico melhor todo o problema, tá?

O olhar assustado e perdido de Bella fez Edward dar um passo atrás. Ele sabia que não era o momento, então aquiesceu ao pedido da jovem, mesmo que relutantemente. Seria inútil insistir. Sua pobre garota já parecia atormentada o bastante para um dia só.

- Ok... Eu te dou essa colher de chá por hoje, porque acho que já tivemos um progresso desde aquela conversa na sua varanda. Mas você não vai me escapar tão fácil. Certo? - ele propôs.

- Certo. - ela respondeu com humildade. O momento em que ela sentiria-se confortável o bastante para se abrir com Edward e não mais guardar segredos estava próximo, ela sabia.

Ambos ficaram em silêncio por um tempo. Quase sem perceber, se escoraram em lápides de mármore opostas, e pararam em posições espelhadas, com os braços cruzados.

- Sinto muito pelo que aconteceu. - Edward suspirou, enfim. - Não foi justo Rose te pressionar daquele jeito, e todo o pessoal também. Pode deixar que eles vão escutar por causa disso.

- Não! - ela exclamou. - Não, esquece tudo aquilo. Vai ser pior se você brigar com seus amigos por minha causa, e eu vou ficar ainda mais constrangida. Eu que fui imatura e fiz papel de palhaça quando saí correndo. Esquece isso, por favor.

- Tem certeza? - ele perguntou sem se convencer. - Merda, agora você deve estar achando meus amigos uns babacas...

- Não estou, eu gostei deles. O problema é comigo. - ela disse com sinceridade, embora na sua mente já planejasse confrontar Rosalie sobre o ocorrido.

- Tudo bem.

Ela sorriu suavemente.

- Psiu. - tentou chamar a atenção dele com um chutinho no ar. - Obrigada.

O olhar esverdeado se voltou para ela.

- Pelo quê?

- Por ter vindo atrás de mim.

Ele riu com uma bufada.

- E como eu poderia não vir atrás? Você me assustou. O que houve com seu celular?

- Desliguei. - ela deu de ombros, e esticou os braços para frente. - Vem, agora eu só preciso de um abraço do meu namorado.

A distância curta foi extinguida rapidamente, e ele a tomou em seu abraço.

- Meu Deus, você precisa de um banho quente, isso sim. - o rapaz brincou.

Bella se aninhou em seu peito, feliz por caber tão perfeitamente naqueles braços; Feliz por sentir o calor de seu corpo. O batimento cadenciado do coração tocando forte no ouvido dela foi um calmante perfeito, e eles permaneceram por um tempo daquela forma, até que ela sentisse, finalmente, a paz que tanto precisava hoje.

Esse último pensamento recobriu seu corpo de uma sensação calorosa que Bella podia jurar que era nova para ela. Era acolhedor, e tão intenso que fez seu estômago revirar, sem saber de onde tinha vindo aquilo. Edward está aqui, ele existe na minha vida, ela se deu conta. Ele estava ali, e principalmente estava a compreendendo. E isso não se referia somente a essa tarde de domingo.

De repente, Bella se tocou de que não importava se ela ainda fosse completamente medrosa de arriscar-se e expor-se ao mundo, ela sabia que Edward não iria fugir para lugar algum, e jamais iria menosprezá-la por qualquer coisa que fosse, muito menos por suas dificuldades e falhas. Era uma dessas certezas que não careciam de muita explicação.

- Edward, eu quero te agradecer. - ela falou se afastando para olhar o belo rosto daquele que estava lhe fazendo sentir como uma menina esperançosa, descobrindo coisas novas.

- De novo?

- Não é isso, é... Obrigada por você estar ao meu lado. E por me aguentar mesmo com todos os meus defeitos, meus problemas... Tenho certeza que você já sacou que eu não sou a pessoa mais equilibrada do mundo, e ainda continua aqui.

- Está brincando? Aguentar? Pois então escuta essa: eu amo a sua companhia, amo estar com você, por mais boba e insegura que você seja às vezes... - ele disse arrancando um sorriso embaraçado da morena. - E se você não é a pessoa mais equilibrada, eu tenho certeza que posso ajudar a colocar um pouco de peso do outro lado dessa balança doida. Afinal, eu também não sou lá tão certo da cabeça como você imagina.

Bella riu, e Edward aproveitou para capturar a risada com um beijo doce em seus lábios.

- Nada disso me importa. - ele continuou ao separarem-se. - Porque apesar de você ser extraordinária, tem um lado seu que ainda é uma garota normal. Uma garota que é jovem demais pra tudo o que já passou, e ainda tem que lembrar de viver um pouco. Só isso.

- Sabe por que eu e Jasper terminamos? - ela perguntou do nada, pegando Edward de surpresa.

- Não...

- Primeiro porque ele é um babaca. Mas... Quando eu avisei que iria começar a trabalhar como bartender, ele foi muito generoso por me informar o quanto eu jamais seria alguém importante. Sabe como é, porque ele mesmo é tão importante que nunca seria capaz de ver nada além do próprio umbigo. - Bella explicou com a voz envolta por ironia, rolando os olhos. - E aí ele me disse... Ou melhor, berrou aos quatro ventos que eu estava desperdiçando meu talento, e que se eu escolhi desistir da música, então era porque eu realmente estava destinada a ser uma fracassada, porque, segundo ele, vai ver eu nem era tão boa de verdade.

- Uau. Ele é mesmo um babaca.

- Sim, ele é... Bem, o que eu estou querendo dizer é que eu nunca estive tão feliz de ter dado um pé na bunda do que hoje. - ela suspirou um pouco cansada. - Estou dando graças a Deus por te encontrar e poder ter você na minha vida. Me sinto com tanta sorte.

- Eu posso dizer o mesmo.

- Você me promete que sempre vai me apoiar, como agora? Promete que não vai desistir de mim, mesmo que eu faça umas coisas muito estúpidas de vez em quando?

Ele apertou seus braços entorno da cintura dela.

- Eu prometo. E não estou fazendo isso por obrigação, mas porque eu acredito em você, no seu potencial.

- Eu sei. - ela sorriu. - Ah, e eu prometo nunca mais mencionar o meu passado com esse canalha, porque em qualquer comparação entre vocês ele perderia tão feio que nem seria engraçado...

Foi a vez de Edward sorrir.

- Acho bom. Então, podemos agora ir pra casa e tomar aquele banho quente? Até minhas bolas estão geladas. - ele avisou, fazendo Bella gargalhar.

- Vamos.

Dando uma última olhada para trás, Bella despediu-se silenciosamente do túmulo de Charlie. Ela rezou para que agora seu pai estivesse vendo sua interação com Edward e, claro, aprovando-o como genro. Algo lhe dizia que seu namorado tinha essa aprovação.

O casal dirigiu em silêncio por muitos minutos, rumo à casa de Bella. Estavam quase chegando quando ela lembrou-se de um fato relevante.

- Ei, seu aniversário está chegando, não é? Precisamos fazer alguma coisa! - ela falou animada pela primeira vez em horas, porém Edward respondeu com um inesperado som de muxoxo.

- Ah, ainda não te contei...

- O quê?

- Tenho uma viagem marcada pro dia 19. Vamos tocar num festival de verão de San Diego, então devo ficar por lá pelo menos quatro dias.

- Legal, mas... e o seu aniversário?

- Bem, vamos ter que adiar a comemoração. - ele explicou meio sem graça, e foi a vez de Bella emitir sua decepção.

- Ah não. - ela lamentou. - Eu queria tanto ficar com você. O primeiro aniversário seu que a gente está junto.

- Bom, veja pelo lado positivo, é só o meu aniversário. Não é nada de mais.

- É claro que é! Precisamos celebrar sua vida, e mais ainda, o fato de você estar vivo. Depois de tanta aventura que você já viveu...

- É um milagre mesmo eu estar vivo. - ele concordou, pensativo por um instante.

- Espere aí... Estou lembrando que sua data vai coincidir com o nosso aniversário de um mês de namoro.

- Como você sabe disso? - Edward riu. - Eu não consigo me lembrar de ter te pedido em namoro em algum dia específico.

- Isso é porque você não pediu. Mas foi no dia 20 que eu me encontrei com Alice no restaurante, e na mesma manhã nós tínhamos decidido assumir o namoro.

Ele tirou os olhos da estrada por um segundo para olhar e sorrir para ela.

- Um mês já? Passou voando. Parece que te conheço há muito mais tempo...

- É mesmo, né? Nem parece que tem um mês que você atura as idiotices que eu faço, e um mês que eu aturo seu mau humor matinal... - ela provocou. - Por isso temos que ter ao menos alguma comemoração à altura.

- Fica tranquila, a gente dá um jeito. Vão ser só quatro dias. A gente celebra bastante quando eu voltar. - ele falou com uma piscadela.

- Hmm, eu gosto de celebrar bastante com você.

Ouvindo a entonação da voz da garota, Edward aproveitou o semáforo vermelho e escorregou a mão direita para alisar a coxa dela, ainda gelada e desnuda pela saia molhada que usava.

- Ah, eu sei o quanto você gosta. - ele sorriu cheio de malícia, aproximando a mão do centro dela.

- Amo, na verdade. - suspirou, sentindo a mão quente sobre a calcinha. - Não consigo viver sem.

- Se importa se dermos início às comemorações hoje mesmo?

- Nem um pouco. - respondeu Bella, sentindo-se leve por hoje, enfim.


N/A: Um capítulo de transição, porém necessário. No próximo capítulo teremos muitos acontecimentos!

Gostaram? Vejam a caixinha de comentário aqui em baixo como se fosse eu piscando os olhinhos pidões pra vocês.

Beijos!