Capítulo 11
Sara e Nick chegaram ao laboratório, quase ao mesmo tempo. Foram à sala de Grissom contar das suas descobertas. Nick contou, que o filho de Don fora muito receptivo; lhe mostrara os talões antigos de cheque, onde ele vira nos canhotos, que todo dia 25 ou 26, ele assinava um cheque de cinco mil, em nome de Julia Chen. O designer gráfico vivia bem, mas não era rico.
- E isso estava estourando suas economias, certo?
Nick concordou e falou que conversou com a viúva, e soube que Don era um ótimo marido e excelente pai. E muito esforçado também: logo que casaram, ele fez o curso noturno, para designer gráfico.
-O que ele fazia antes?
- Não sei, Grissom, e acho que a Sra. Cornell também não: ela disse que estranhou quando ele comprou a casa e mobiliou, mesmo vindo de um bairro pobre e sendo ainda novo. Ele disse que foi uma herança e ela não fez mais perguntas.
- Entendo... E há quanto tempo estão casados?
- Em março, completariam vinte anos!
- O mesmo tempo, que Julia e Joe vieram pra cá e montaram seu estabelecimento... - pensou alto Grissom. – E o dinheiro de Elizabeth mais o de Don, perfazem dez mil... Boa quantia, para uma chantagem!
- Acha que Julia chantageava os dois? – Indagou Sara, - Por que só agora? Não sei quanto a Elizabeth, mas Don morou aqui, a vida toda.
- Pode ser, que só recentemente os tenha encontrado. Talvez fortuitamente... Um golpe de sorte, possivelmente! Difícil saber... – Comentou Grissom.
- De qualquer forma, se pudermos provar qualquer coisa, o chinês não se livra tão fácil de ser cúmplice.
- Mas não se livra mesmo, Nick. Nunca fui com a cara dele... – Disse Sara, franzindo todo o rosto.
Enquanto ela contava sobre sua visita, ao padre O'Rourke, Grissom ficava olhando para ela. "Sempre tão emotiva... Tão cheia de paixão e indignação", pensava ele.
Nessas horas era difícil resistir à idéia de pegá-la no colo, enchê-la de beijos e, acariciá-la, como se faz com um bebê. Mas é claro que não faria nada disso. Ele nunca fazia nada.
- É hora de fazermos uma visita a Dave Hamlish, Nick. – Falou Sara resoluta.
Interrogando o viúvo, souberam que Elizabeth e ele estavam em Vegas, a cerca de dois anos e foi nessa época, que ela comprou a butique. –
- Você comprou para ela?
- Não, Srta. Sidle. Ela era muito independente! Pagou com suas próprias economias.
- Onde viviam antes? – Perguntou Nick.
- Los Angeles, desde que nos casamos. Voltamos para Las Vegas, porque fui transferido para cá – declarou o doutor.
- A conheceu em Los Angeles? – Indagou Sara.
- Não! A conheci, durante um simpósio, realizado aqui.
- Sabe onde ela trabalhava?
- Não, mas quem poderá ajudá-la é Maisie Scott, uma amizade daquela época, que Elizabeth retomou, ao voltar a Vegas, Srta. Sidle.
Logo mais, Sara teria de levar o tecido para a costureira, então Nick tirou o papel com o endereço de Maisie de suas mãos e se encarregou de investigá-la.
Sara ficou muito feliz com isso, porque queria muito mesmo, ir àquela comemoração de ano-novo.
Nick estava tocando a campainha da casa dos Scott, e reparou que era uma bela casa, situada num bairro de gente de dinheiro, em Las Vegas. Pensou que na mocidade, Elizabeth deve ter sido, alguém de posses. Foi atendido por uma empregada de uniforme, e esperou um pouco, pela dona da casa.
A empregada o pôs sentado no sofá da sala, de onde ele podia ver os enfeites caros, o tapete fofo, as cortinas de renda e as almofadas de seda pintadas. Os lustres que ele podia ver eram de cristal, e o aparador, sobre a lareira, era uma peça de mármore carrara.
Dez minutos depois, Maisie desceu a escada da sala de jantar muito altiva e aprumada. Era uma senhora de sessenta anos, bem jeitosa e bonitona, com os cabelos acaju presos num coque, os olhos de um azul claro inspiravam simpatia e o sorriso era claro, leal e bonito, via-se que eram uns dentes, bem tratados.
Nick, assim que a viu, lembrou-se de onde a conhecia: ela era a mulher do Senador Robert B. Scott. Nick tinha votado nele, e ficara muito satisfeito com sua vitória. Por um instante empacou: como a gente se refere à esposa de um senador?
- É Maisie Scott, amiga de Elizabeth Hamlish? – Decidou ir por cima, das convenções sociais e ser direto.
Maisie tocou uma sineta, chamando a empregada.
- Me acompanha num chá, não? senhor...Senhor...
- Stokes. Nick Stokes. Sou do laboratório de criminalística...Estamos investigando o tiroteio, que vitimou a Sra. Hamlish. E sim, aceito o chá, obrigado! - Manifestou-se o sorridente CSI.
A empregada apareceu, e Maisie deu suas ordens a ela. Virou-se em seguida para Nick e manifestou seu horror ao que havia acontecido à amiga.
- A senhora conhecia, ou ouviu falar de Don Cornell e Julia Chen?
- Não. E francamente, acho esta história, que está correndo de chantagem, muito grosseira!
- Ah, então já soube?
- Dave telefonou contando. Ele me informa de tudo que se passa – explicou a senhora.
- Infelizmente, é para onde as evidências estão nos levando, senhora!
- Certo que uma parte do passado dela, é um mistério, mas..
- Como assim? Indagou curioso, o perito.
