– Não deveríamos estar fazendo isso – falei pela milésima vez naquele dia e como sempre eles me ignoraram.

– Estamos perto tio Ed? – Louise perguntou e ele sorriu.

– Sim, logo estaremos lá.

Ryan e Louise estavam animados, quero dizer muito animados. Ninguém adivinharia que Edward Cullen nos sequestraria por um dia para algum lugar.

Droga, eu também estava animada.

– Não faça essa cara Bella – o bandido sorriu para mim e piscou um olho – Você vai gostar.

Sim, eu não tinha dúvidas que iria gostar. E eu o amo um pouco mais por isso, eu amo a forma que olha pra mim, amo a forma que ele me toca enquanto dirige e faz delicados movimentos na minha coxa. Eu o amo por tudo isso e mais. Mas amo principalmente como ele inclui os pequenos em nossas vidas. Eu simplesmente amo-o.

Então por que eu não conseguia dizer-lhe?

– Ela vai me matar – suspirei resignada fazendo-o rir.

– Alice vai entender. E vamos voltar amanhã de qualquer modo – ele não estaria tão tranquilo se realmente conhecesse minha amiga como eu a conheço.

Faltavam poucos dias para o seu casamento, e ela estava literalmente uma pilha de nervos, tanto que me fez prometer que iria ajuda-la hoje, por isso minha preocupação. Alice definitivamente vai me matar.

– Bom... – suspirei – E para onde estamos indo então?

Ele deu aquele sorriso que sempre me trazia borboletas ao estomago. Ele sabia o que aquilo fazia comigo?

– Estamos perto, logo você irá descobrir – piscou antes de voltar sua atenção a estrada.

Sim, definitivamente ele sabia.

Não era fácil esquecer momentos importantes da sua vida, não que eu tentasse, pelo contrario, eu valorizava muito minhas lembranças. Mas, as vezes é muito difícil reviver aquele momento e perceber que já não é mais como era antes, as vezes é difícil lembrar das palavras doces de Renée, lembrar do modo como o bigode de Charlie torcia enquanto ele tentava conter o sorriso, ou de como Angela ficava vermelha facilmente, era difícil lembrar disso e perceber que eu nunca mais viveria esses momentos, que eles nunca mais estariam ao meu lado.

Era por isso que não pude impedir que as lembranças que passavam na minha cabeça naquele momento, quando Edward parou o carro em frente a pequena casa de madeira. Foi ali que ele me pediu em casamento, foi ali que vivi os melhores momentos da nossa vida.

– Edward... – sussurrei emocionada – A nossa cabana.

– Pensei que gostaria de voltar aqui e mostrar as crianças – disse passando os braços em volta de mim.

– Eu adorei – disse olhando em seu olhos e não pude impedir meu impulso por beija-lo.

– Ew – Ryan e Louise resmungaram e rimos nos separando.

– Bom, vamos entrar?

Logo quando entramos as crianças sumiram rapidamente, correndo pela casa e não pode deixar de rir com a empolgação deles.

A principio pensei em fazer o mesmo, explorar a casa e matar as saudades, mas meus pés me guiaram para o andar de cima, especialmente ao segundo quarto do corredor.

– Uau – digo ao entrar no quarto e ele ri.

– Eu sei. Continua tudo igual.

– Então... – me viro sorrindo – Por que nos trouxe aqui?

– Bom eu lembro que fiz uma promessa aos gêmeos sobre algumas cartas – sorriu me puxando para mais perto – E eu sou muito bom em manter minhas promessas.

Me inclino e beijo-o levemente.

– Então eu deveria ajuda-los.

– Não, eu posso fazer isso – disse – Você vai ficar aqui e escrever uma carta também – apertou levemente meu ombro – Sei que ainda sente falta da sua irmã

– O que você quer dizer? – sorrio, sem muita confiança – Eu estou perfeitamente bem.

– Não Bella... – ele tocou em meu rosto com delicadeza – Você ainda não falou tudo que quis. Sei que ainda há mais, você se sente culpada por tudo que aconteceu, se sente culpada por não ter sido presenta na vida da Angela. É por isso que precisa desse momento.

Sei que ele tem razão, sei que precisava disso, mas somente fiquei em silencio absorvendo suas palavras, sentindo seu toque suave em meu rosto e tudo que eu queria nesse momento era poder desabafar em seus braços e chorar como nunca. Mas por algum motivo não... Não conseguia.

– Eu vou deixar você sozinha. Pense com cuidado e escreva, fale com sua irmã, você precisa disso – sorri fracamente e ele depositou um pequeno beijo em meu rosto antes de sair.

Conversar com Angela?

Eu nunca havia pensado nisso, sempre pensei que depois da morte tudo acabaria. Será que poderia ser verdade? Angela poderia me escutar? Poderia me perdoar?

– Tia Bella? – uma voz baixa chamou-me e sorri ao ver Louise na porta com algo em mãos.

– Sim pequena?

– Tio Ed pediu para te entregar isso – disse me entregando uma folha, lápis e envelope.

– Obrigada – peguei, mas percebi que ela carregava mais um envelope consigo – O que é isso?

– Minha carta para a mamãe e o papai – apertou o papel em seus braços e me olhou – Será que... Eles vão conseguir ler ela?

Eu olho-a e não consigo dizer não, seus olhos brilham com esperança e tudo que eu desejo é que isso seja verdade, que Angela possa ler nossas palavras e ficar em paz.

– Tenho certeza que sim – disse e ela abriu um lindo sorriso.

– Vou descer, Tio Ed disse que ia fazer uma fogueira.

– Certo querida.

A observei sair e suspirei sentando-me na escrivaninha. Olhei para o papel em mãos e decidida comecei a escrever.

" Angela

Como você está? Está tudo bem ai no céu? Você está olhando pra nós dai?

Não está sendo fácil. Eu sabia que criar uma criança não era fácil, mas nunca pensei que fosse tão complicado. Todos os dias são uma luta, todos os dias eu me vejo confusa, cansada e as vezes até desesperada. O que eu faço? Eu me pergunto isso todos os dias. Como posso fazer isso? Eu não posso fazer sozinha!

Será que isso é normal? Você também era assim?

Eu queria que estivesse aqui, queria que me dissesse o que fazer e o que não fazer, mas sei que não é possível. O que você faria se estivesse em meu lugar? O que você faria se estivesse aqui?

Eu amo aquelas acrianças, eu os amo com todo meu coração, mas não posso negar que as vezes eles me enlouquecem. Eu me sinto culpada admitindo isso as vezes, eu queria que fosse como nas histórias, mas essa é a realidade, a minha realidade e eu não trocaria isso por nada. Não somos perfeitos, há algumas discursões, as vezes eu tenho que repreendê-los e eles também fazem isso comigo. Eles são a minha família e eu aceito tudo que eles tem para oferecer, até mesmo suas imperfeições.

Por isso não se preocupe, eu vou cuidar deles para sempre, não importa o que acontecer, sempre estarei ao lado deles.

Sei que não mereço seu perdão, não depois de tudo que fiz, mas por favor, me desculpe, me desculpe por não estar ao seu lado quando precisou de mim, me desculpe por te abandonar quando nossos pais morreram, por não estar presente na sua vida ou perder momentos especiais, sei que sempre sentiu minha falta, me desculpe por isso também, mas principalmente me desculpe por ser essa irmã tão... Eu.

Me desculpe Angela e... Obrigada, obrigada por ter sido somente você.

Da sua louca irmã, Isabella Swan."

Terminei de escrever a carta e a coloquei cuidadosamente no envelope. Dirigi-me para o andar de baixo, as crianças e Edward já me esperavam do lado de fora, não pude evitar o sorriso ao ver o que eles seguravam.

– Balões? – olhei para Edward que deu de ombros enquanto sorria.

– Eles tinham que chegar ao céu.

Rindo entreguei minha carta a ele, que a amarrou a um balão e entregou-o para mim logo em seguida.

– Que tal dizermos algumas palavras antes? – sugeriu Edward e os gêmeos sorriram assentindo.

– Para minha mamãe e meu papai que estão no céu – disse Louise beijando levemente a carta – Eu amo vocês.

– Mãe, pai – a voz de Ryan estava embargada – Sinto saudades de vocês... E obrigado por nos deixarem com a tia Bella.

Sorri com os olhos lacrimejando. Edward sorria nos olhando antes de falar.

– Angela, Erick. Vocês foram umas das melhores pessoas que conheci. Obrigado por colocarem esses pequenos em minha vida e... – me olhou sorrindo – Obrigado por trazerem minha Bella de volta.

Funguei limpando rapidamente as lágrimas traiçoeiras, fazendo todos rirem, e respirei fundo antes de começar.

– Erick, você sempre foi uma das pessoas mais gentis que eu conheci, obrigado por ter estado ao lado de Angela todos esses anos – fechei os olhos segurando aquela carta como a minha vida – Angela, minha irmã, eu não tenho palavras para te dizer tudo que sinto agora, mas tudo que quero te dizer nesse momento é obrigada. Obrigada por nunca desistir de mim, obrigada por colocar os seus pequenos em minha vida e... Obrigada por me trazer de volta, por me fazer voltar a ser a pessoa que eu era. Obrigada.

Assim que eu terminei de falar senti braços a minha volta, não somente de um, mas de todos e finalmente, finalmente eu pude chorar, finalmente eu me permiti ser abraçada.

Obrigada Angela, obrigada por ter sido minha irmã.

– Tia Bella, você é mesmo uma chorona – disse Ryan nos fazendo rir.

– Acho que não posso mais manter segredo, não é pequeno? – ele sorriu negando e nos afastamos.

– Bom... Estão prontos? – Edward perguntou e assentimos sorrindo – No três.

– Um, dois... Três! – Louise gritou e juntos soltamos os balões.

Ficamos observando nossas cartas voarem, voando cada vez mais alto em direção ao céu, levando nossas esperanças, levando nossos sentimentos...

...

– Como você se sente? – ele perguntou sentando ao meu lado, enquanto passava o braço em volta da minha cintura, puxando-me para mais perto, e eu não pude evitar encostar-me em seu ombro.

– Muito bem – sorrio enquanto o olho nos olhos.

Deus... Ele parecia ainda mais lindo sob a luz do fogo. Estava ficando cada vez mais difícil não tocá-lo, eu queria que ele me tocasse, queria me perder em seus olhos, nos seus toques, nos seus beijos...

Vê? Não posso me controlar.

Isso é o que ele faz comigo.

– Bella... – sussurra antes de inclinar para me beijar, e eu correspondo, claro que corresponderia. Mas não podemos continuar, não agora.

Olhos em seus olhos e percebo que ele pensa o mesmo que eu.

Hora das crianças irem para cama.

Não foi difícil colocar Ryan e Louise para dormir. Edward teve a tarefa de cansá-los o dia todo, eles brincaram tanto que eu simplesmente não sabia quem estava mais cansado.

Depois de coloca-los para dormir fomos para nosso quarto. Não existiam palavras para falar naquele momento, ali não existiam problemas, nem complicações, somente eu e ele. Sua mãos – minhas mãos – estavam por toda parte. A cada toque, a cada beijo, eu tentava mostrar tudo que sentia, minha gratidão, meu arrependimento e meu amor.

Ele se esforçava pra ser gentil, mas eu podia perceber o fogo em seus olhos, aquele mesmo fogo que me consumia. Havia uma urgência em nós, uma urgência que só seria aplacada quando nos unirmos.

Eu queria tudo dele. Tudo.

– Dê-me tudo – implorei puxando-o para mais perto – Não se controle. Dê-me tudo.

Aquilo pareceu despertar algo nele, seu rosnado feroz que assustaria até mesmo um urso só me fez deseja-lo mais. Seus beijos ficaram mais ferozes, suas mãos descontroladas, minhas roupas foram rapidamente arrancadas de mim, eu tentava fazer o mesmo, mas estava difícil me concentrar em algo que não fosse nele, que não fossem suas mãos em mim.

Era difícil me controlar, eu tinha que lembrar que Ryan e Louise estavam a alguns metros de nós, que não podíamos fazer barulho, mas pensar estava difícil, nos controlar parecia impossível.

Talvez fossem pelos últimos acontecimentos ou talvez fosse esse lugar, eu não sei. Mas naquela noite tudo parecia diferente, a maneira que nos olhávamos, a maneira que nos tocávamos, tudo parecia mais intenso, mais vivo, mais especial...

Essa foi provavelmente a primeira vez que nos amamos de verdade, não somente o desejo carnal, era algo mais, como se nossas almas se unissem e se tornassem um só. E talvez mais tarde eu poderia não acreditar que pensei nisso, mas era verdade, era assim que me sentia. Foi a primeira vez que não sabia meu nome ou quem eu era, e as próximas palavras ditas talvez foram ditas por mim, ou talvez por ele, isso não importava, erámos um novamente e eu não precisava mais de nada.

– Eu te amo.

E então, finalmente, eu voltei a viver.


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