Título: Ironia do Destino
Autora: Mary Spn
Beta: TaXXTi
Gênero: Wincest / AU
Sinopse: Quando resolveu atender ao pedido do seu pai e ir à procura do seu meio-irmão, Dean não podia imaginar o que o destino lhe reservara...
Avisos: Trata-se de Universo Alternativo, Sam e Dean não são caçadores. É Wincest, portanto, contém cenas de relações sexuais entre dois irmãos.
Ironia do Destino
Capítulo 11
Ao ouvir a conversa de John ao telefone, Sam ficara completamente sem ação. Só conseguira reagir quando viu que seu pai havia notado a sua presença ali, mas não disse nada...
Num ato de desespero, correra para longe daquela casa, o quanto suas pernas aguentaram. As palavras de John ainda martelavam na sua cabeça, sem piedade. Tinham atingido o seu peito como facas afiadas, fazendo seu coração sangrar.
Sempre desconfiara das intenções de John, simplesmente não conseguira confiar nele, mas lá no fundo, sempre tivera esperanças de que fosse apenas uma cisma sua. Sempre quis acreditar que aquilo tudo era real, que fazia parte daquela família e que talvez tivesse uma nova chance de ser feliz.
A verdade o tinha atingido como um tapa na cara. Sua única utilidade ali era ser o doador de medula óssea para o seu irmão. E isso podia ser considerado uma bênção, mas ao mesmo tempo uma maldição.
Sam continuou vagando pela rua, sem rumo, e quando se deu conta estava próximo ao hospital. Sem pensar duas vezes, foi até lá e, depois de colocar as vestes necessárias, a máscara, e esterilizar as mãos, entrou no quarto, pedindo a Ellen que o deixasse ficar um pouco sozinho com seu irmão.
Parou ao lado da cama, observando Dean, que dormia profundamente. Sua pele pálida demais, seu rosto magro e com profundas olheiras... Sam fechou os olhos, tentando imaginar o Dean que conhecera em Chicago, aquele loiro com aparência saudável e sorriso safado. Faria qualquer coisa para poder vê-lo bem novamente. Jamais hesitaria em doar sua medula, se isso fosse realmente possível; doaria seu próprio coração, se pudesse salvá-lo.
Não conseguiu deixar de pensar se Dean tinha conhecimento daquilo tudo. Mas algo dentro de si lhe dizia que não, que o seu irmão era completamente inocente naquela história toda. E por mais raiva e desprezo que sentisse por John naquele momento, sabia que, no lugar dele, talvez fizesse a mesma coisa, se a vida de Dean estivesse em jogo.
A porta do quarto se abriu, fazendo Sam se assustar. Era John. Sam sentiu vontade de sair correndo novamente, mas conteve-se, afinal, tinha muita coisa que queria esclarecer com aquele homem, e de nada adiantava fugir.
John se aproximou da cama e Sam não conseguiu deixar de se comover com o olhar dele para o seu filho doente. A dor estava estampada em seus olhos, e o mais novo percebeu quando ele secou rapidamente uma lágrima que teimou em cair.
- Sam, nós...
- Precisamos conversar. Eu sei.
- Você pode voltar comigo para casa, por favor? – A voz de John era baixa e cansada.
Sam saiu do quarto por primeiro, e John ainda fez um leve carinho nos cabelos de Dean antes de sair atrás dele. Pediu a Ellen que voltasse a ficar no quarto com Dean e levou Sam de volta em seu carro até a sua casa. O percurso foi feito em total silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos.
Ao chegarem em casa, Sam se sentou no sofá da sala e passou as mãos pelos cabelos, sabendo o quanto aquela conversa seria difícil.
- Sam, eu... – John não sabia como começar.
- Não precisa se preocupar, o senhor vai ter o que quer. – Sam foi direto ao ponto - Basta me dizer com quem eu tenho que falar para fazer a doação.
- Não é só isso, eu... – John suspirou - Aquilo que você ouviu, você deve ter interpretado errado, eu sei que...
- Eu tenho certeza que entendi muito bem o que o senhor estava dizendo. Na verdade, eu sempre desconfiei que houvesse algum motivo por trás disso tudo, mas... Constatar a verdade é bem mais difícil do que eu pensava.
- Não, eu não vou negar que todas as minhas ações tenham sido de caso pensado, mas... O que você ouviu... Sam, eu só queria que soubesse que eu estava num momento de muito estresse. Eu não estava pensando, só estava desesperado atrás de alguma saída, será que você me entende?
- Sim, eu entendo. Até penso que talvez, no seu lugar, eu faria a mesma coisa. Faria tudo o que estivesse ao meu alcance para salvá-lo, mas... Mas não desse jeito. E essa é a grande diferença entre nós dois.
- Sam...
- O senhor achou que me oferecendo uma vida confortável, um carro de luxo, ou até fazendo as minhas vontades e pagando a cirurgia da irmã do Adam, eu iria ficar deslumbrado e não iria questionar... Porque se eu não tivesse ouvido por acaso a sua conversa ao telefone, eu jamais saberia a verdade, não é? O senhor inventaria mais uma mentira e depois... Depois que eu não tivesse mais utilidade, eu seria chutado de volta pro buraco de onde me tiraram.
- Não! Você pode me julgar por ter planejado tudo, até por ter mentido pra você. Mas as coisas mudaram depois que você veio morar aqui.
- Mudaram?
- Sim. Eu jamais te mandaria de volta, porque o seu lugar é aqui. Você faz parte desta família agora, Sam!
- Claro. – Sam ironizou. – Só me responda uma coisa... O Dean sabia disso tudo?
- Não. O Dean não sabe de nada. Ele está sabendo que precisa de um transplante, mas sequer faz ideia que vocês são compatíveis. E tem coisas que... Que seria melhor se ele continuasse sem saber, se é que você me entende... – John pediu, constrangido, pois sabia que Dean poderia não autorizar o transplante, caso soubesse de toda a verdade.
- Pode ficar tranquilo. Da minha parte ele não vai saber de nada.
- Obrigado.
- Eu só vou fazer isso por ele. Que fique bem claro.
- Eu sei. – John abaixou a cabeça.
- Então, o senhor contratou alguém para descobrir o meu paradeiro, mandou o Dean ir atrás de mim, já sabendo que eu e ele éramos compatíveis e que eu seria um possível doador, não é?
- Sim. - John mordeu o lábio inferior, com medo da próxima pergunta.
- Como?
- Quando o detetive te localizou, você já estava em Chicago. E quando ele me informou que você começaria a trabalhar naquele armazém, eu paguei ao seu patrão para que ele incluísse alguns exames a mais na sua contratação.
- Muito esperto. Eu tenho que admitir. - Sam forçou uma risada. - E há quanto tempo o senhor sabia da minha existência?
- Sam...
- Desde sempre, não é? A minha mãe estava falando a verdade quando disse que o meu pai sequer quis me conhecer.
- Ela me contatou quando soube que estava grávida, e... Eu dei dinheiro a ela para que... – John mexia as mãos, em sinal de nervosismo.
- Para que ela se livrasse de mim?
- Eu tinha uma família aqui, Sam! E a Mary... Ela jamais me perdoaria se soubesse do meu envolvimento com sua mãe. Eu sei que isso não é desculpa, sei que eu fui um covarde, mas... Na época, me parecia ser a melhor saída.
- E por que ela não fez o aborto?
- Eu não sei, deve ter usado o dinheiro para comprar drogas, ou algo assim. Alguns anos depois ela me ligou dizendo que teve o bebê, e... Me pediu mais dinheiro. Eu enviei e depois nunca mais ouvi falar dela. Quando o Dean ficou doente, eu me informei sobre todas as possibilidades de recuperação. Pesquisei sobre alguns casos e, mesmo sabendo que a possibilidade era muito remota, ou praticamente um milagre, isso me levou a procurar por você. Eu contratei um detetive que seguiu o seu rastro desde que você saiu do reformatório. Levou meses até que ele te encontrasse.
- E aqui estou eu... – Sam sorriu triste - Mas sabe de uma coisa? Eu teria doado a minha medula pra qualquer desconhecido que me pedisse na rua, se eu soubesse que isso salvaria a vida de alguém. O senhor podia ter poupado esforços.
- Te conhecendo do jeito que eu conheço agora, eu tenho certeza que sim. Sam, eu sinto muito por...
- Sente muito? – Sam forçou uma risada. – Sente muito pelos anos que eu passei em um orfanato? Ou pelos que eu fiquei nas ruas, muitas vezes sem ter onde dormir? Ou quem sabe pelo tempo que eu passei em um reformatório?
- Sam...
- Eu já fiz muita coisa errada na minha vida, já roubei, já vendi o meu corpo, mas o que eu fiz foi pra conseguir sobreviver nas ruas... Agora, usar as pessoas e mentir desse jeito em benefício próprio... O senhor até fez eu me sentir uma pessoa melhor.
- Me desculpe, Sam. Por favor? – John implorava com os olhos.
- Com quem eu devo falar sobre a doação? - Sam não queria saber de desculpas.
- Com o doutor Cezar. – John sequer conseguiu encarar o filho.
- Certo. Amanhã mesmo eu falo com ele, e... Eu só espero que eu possa mesmo salvá-lo e que isso tudo não tenha sido em vão.
- Sam, eu sei que fiz tudo errado, mas... Eu espero que nós possamos consertar isso. Depois que o Dean estiver curado, nós teremos muito tempo pra nos conhecermos melhor, e...
- Depois que o Dean estiver curado, eu não terei mais nada pra fazer aqui.
- Como eu já disse antes, nós somos a sua família, Sam! O seu lugar é aqui, conosco!
- Não. O senhor bem sabe que eu não faço parte desta família. Foi tudo uma ilusão. - Sam tinha mágoa na voz. - Eu só quero me certificar de que o Dean fique bem antes de ir embora.
- x -
A saúde de Dean não havia tido melhoras nos dias seguintes e, após a equipe médica responsável pelo seu tratamento se reunir para discutir a possibilidade do transplante, John fora contatado.
Enquanto isso, Sam fora submetido a rigorosos exames clínicos, necessários para se certificarem que estava saudável e apto a fazer a doação. Foram alguns dias de pura agonia, mas finalmente, tudo estava certo.
Dean também fora avaliado, e após a confirmação de que o transplante seria possível, ele finalmente fora informado de todo o procedimento, recebendo os esclarecimentos necessários, pois teria que assinar o termo de consentimento, para que o transplante pudesse ser realizado. O transplante era sua última chance de cura, mas também representava um novo risco, como todo transplante, ainda mais com o seu corpo debilitado pelas sucessivas sessões de quimioterapia.
Apenas doutor Cezar e John estavam presentes neste momento, enquanto Sam aguardava na sala de espera.
Era difícil definir a reação de Dean... Quando já não mais acreditava que havia alguma esperança, quando o que mais desejava era que a sua agonia terminasse logo, essa notícia chegava como uma bomba, dando um nó em seus sentimentos.
Tinha medo de se agarrar àquela esperança e acabar se decepcionando mais uma vez. Fora assim a cada nova medicação que tomava, ou cada nova droga administrada nas sessões de quimioterapia. Já estava cansado de tudo aquilo.
Não tinha prestado atenção em tudo o que o médico falava, pois quando lhe disseram que Sam seria o doador, tudo o que mais queria era vê-lo. Mesmo com o doutor garantindo que isso não traria nenhum risco para a saúde do seu irmão – a não ser o risco que há para qualquer procedimento com anestesia - queria ter certeza que ele estava fazendo isso por livre e espontânea vontade.
Assim que os dois homens deixaram seu quarto, finalmente Sam pode entrar. O moreno segurou a mão de Dean e ambos ficaram apenas se olhando por um instante.
- Sam... – Dean desviou o olhar. – Você sabe que não precisa fazer isso...
- Não fale bobagens, Dean! Você não imagina o quanto isso me deixa feliz.
- Eu estou com medo. – Dean apertou mais a mão do moreno. – E se não der certo? E se... Se for mais uma falsa esperança?
- Nós temos que tentar, Dean. Você precisa se agarrar a esta chance com todas as suas forças. Eu preciso que você faça isso, por mim... Por favor?
- Obrigado por tudo, Sam.
- Não, você não precisa me agradecer por isso.
- Não só por isso. Obrigado por existir na minha vida. Eu te amo tanto, Sam! – Dean tinha os olhos marejados.
- Eu também te amo muito! – Agora você precisa descansar. Sabe que as coisas não vão ser fáceis daqui pra frente, não é? Você vai ter que fazer muita quimioterapia e precisa ser forte.
- O médico me explicou sobre o condicionamento, isso me assusta um pouco, mas... Se eu já passei por tantas, posso aguentar mais um pouco, não é? – Dean forçou um sorriso.
- Vai dar tudo certo. Falta só mais um pouquinho agora.
- Você é um anjo que apareceu na minha vida, Sam. – Dean tocou o rosto do moreno, fazendo um com carinho com sua mão trêmula.
- Não. Você é que é um anjo que apareceu na minha, Dean!
Assim que Sam saiu do quarto, foi encaminhado para os procedimentos pré-operatórios no centro cirúrgico. Já tinham lhe colocado à par de todos os detalhes; sabia que o procedimento demoraria em torno de duas horas, que seria anestesiado e seriam realizadas múltiplas punções, com agulhas, nos ossos posteriores da sua bacia, de onde a medula seria aspirada.
Estaria mentindo se dissesse que não estava com medo. Antes de iniciar os procedimentos, Sam havia sido informado sobre o outro método de doação, por aférese, no entanto, o doutor Cezar indicou o método por punção, devido ao estágio da doença de Dean, visando o maior benefício ao paciente. Mas pensar que um gesto tão simples, fosse da forma que fosse, talvez pudesse salvar a vida de alguém, o fazia criar coragem. Ainda mais quando esse alguém era a única pessoa que amara de verdade, era alguém por quem valia à pena lutar.
Ellen lhe fez companhia até que, vestindo apenas uma camisola do hospital, Sam fora colocado em uma maca e levado para o centro cirúrgico. Acordou algumas horas depois e ficou algum tempo em observação, até que o efeito da anestesia cessasse, então foi liberado para voltar para casa.
- x -
Depois de passar pelo condicionamento, Dean estava pronto para receber o transplante, que seria feito através do catéter, como uma transfusão de sangue.
Seu organismo continuava debilitado, porque a quimioterapia agressiva tinha lhe causado náuseas, vômito e perda de apetite. Mesmo assim era forçado a se alimentar, para evitar que seu corpo enfraquecesse ainda mais.
O procedimento do transplante não demorou mais do que duas horas, onde Dean permaneceu com todos os seus sinais vitais sendo monitorados.
Como apenas uma pessoa podia acompanhá-lo, John ficou ao seu lado o tempo inteiro. Era sofrido demais ver seu filho naquele estado, tendo que lutar pela própria vida aos vinte e seis anos de idade. Ele ainda era jovem demais. Dean deveria estar aproveitando a vida, namorando, sorrindo... Aquilo tudo era injusto demais.
John tinha certeza que tinha feito tudo o que estava ao seu alcance, mas agora só podia torcer para que Dean se recuperasse, e que aquele pesadelo acabasse de uma vez por todas.
Continua...
*Condicionamento: É a fase que o paciente preparará o seu corpo para receber as células sadias da medula óssea (transplante). Isso é feito com altas doses de quimioterapia e em alguns casos também radioterapia e tem a finalidade de destruir todas as células imunes para que o paciente possa receber a nova medula óssea.
*Aférese: antes de realizar este procedimento, o doador precisa tomar um medicamento por 5 dias, que estimulará a multiplicação das células-mãe. As células mãe do sangue migram da medula para as veias e são filtradas. O processo de filtração dura em média 4 horas, até que se obtenha o número adequado de células. O medicamento aplicado antes da doação pode causar dores no corpo e fadiga, sintomas parecidos com o de uma gripe.
Nota da beta (Particularidades de IDD): Não sei se muitos sabem, mas a mãe de um dos meus melhores amigos teve leucemia e não resistiu ao segundo transplante de medula. Ela me tratava como uma filha, então foi como perder um ente querido, logo, senti muito a perda. A Mary me deu a opção de betar ou não essa fic, por estar a par do acontecido - como podem ver, eu aceitei o desafio. Não nego que em algumas partes é bem doloroso, mas esse capítulo teve um gostinho diferente, pois ele é muito mais informativo, principalmente no que diz respeito ao doador de medula. Toda a informação colocada na fic está sendo muito cuidadosa e o mais fiel possível a realidade, pois apesar de estarmos no mundo ficcional, algumas mensagens importantes podem ser passadas. Uma delas é doação de meluda óssea, que possui alguns tabus. Muitas pessoas deixam de se cadastrar no REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) por falta de informação e medo do transplante, quando um simples gesto, mínimo se for comparado a todo o tratamento de quem necessita, pode salvar uma vida. A chance de encontrar uma medula compatível no REDOME é em média de 1 para 100.000, então quanto mais pessoas cadastradas, melhor. Recomendo que acessem o site a AMEO, ou outros sites especializados para mais informações: (www . ameo . org . br/).
"Uma atitude por uma vida"
