Ihhhh ahahah tem gente aqui que me reencontrou, espero ainda fazer jus as coisas que eu escrevia (nós não temos jeito, verdade?kkk) ... a falta de pratica me deixou meio receosa de voltar a fazer isso, mas cá estamos, verdade? Bom, obrigada pelas 'reviews'... :)))))) vocês são umas lindas!
Ps: Concordo, RIB devia me contratar, eu dava um jeito bem lindo naquela série e ainda mandava o Burrinho do Shrek ir pastar beeeem longe :D
11.
E a noite chegou. Havíamos passados minutos, horas conversando, relembrando, mas por outro lado tudo ainda estava na mesma. Ninguém tomava uma atitude, nossas mãos se roçavam e eu podia sentir uma certa onde de eletricidade percorrer todo o meu ser. Enquanto o sol se escondia lá fora, aqui dentro do apartamento eu me oferecia para lhe preparar um bom jantar. Enquanto ele falava com sua mãe ao telefone, termino de fazer o bolo, coloco-o no forno e decidi fazer o sanduíche que ele tanto gostava. Eu sabia que as coisas ainda demorariam a se ajeitar, ainda mais agora, que provavelmente teríamos que reviver a nossa relação conciliando com toda essa novidade de morar juntos.
"Hm... que cheirinho bom de bolo..." – ele me abraça por trás e me acorda dos meus devaneios.
"Acho que em uns 10 minutos ele já vai estar pronto..." – me viro sorrindo e ele prende o meu corpo entre os seus braços sem deixar escapatória.
Sorrindo ele abaixa o seu rosto e eu fico na ponta dos meus pés, jogando os meus braços ao redor do seu pescoço. Silenciosamente ele pergunta se pode e eu apenas confirmo com a cabeça. Fecho os olhos e finalmente a sua boca encontra a minha.
~.
Tudo agora parecia que finalmente estava entrando no seu eixo certo. Trocamos um beijo rápido e ela, nervosamente me levou até a mesa onde sanduíches e suco nos esperava. Agradeci com um selinho e dei uma mordida, meu estomago logo deu um pequeno salto de felicidade.
"Você emagreceu tanto..." – torço a boca enquanto ainda mastigava.
"Eu sei..." – sorri dando outra mordida.
"Menos de um ano se passou e nós mudamos tanto..." – ela pega um guardanapo e limpa o canto da minha boca.
"Eu sei..." – sorrio – "eu bem que gostava dos suéters de rena, mas consigo me acostumar com essa nova Rachel..." – timidamente ela sorri.
~.
"Ainda guardei um ou outro..." – confesso. Não consegui me livrar de tudo. Minhas antigas roupas me faziam lembrar dos meus sonhos e aspirações.
De repente ele para de mastigar. Levanta a sobrancelha de leve e eu noto que seu olhar fixa nos meus seios. Baixo o olhar sem entender o 'por quê' disso e de repente me dou conta que esqueci completamente o que estava pendurado no meu pescoço. Deve ter escapado de dentro da roupa enquanto eu preparava a comida. Fico sem reação, ele levanta o seu olhar e continua me encarando.
"Eu não sabia qu-e voc-ê ainda..." – ele leva seus longos dedos e toca a aliança.
"Vou tirar..." – falei sem pensar, fui me levantando e ele segura meu braço.
"Não..." – eu não entendia o que se passava na sua mente. Ele já não sorria, estava sério e involuntariamente o meu coração começar a bater mais rápido, será que agora seria sempre assim? Seus dedos alcançam a aliança e ele torna a sorrir – "eu estava tão nervoso... eu..."
"Melhor eu depois guardá-la..." - eu sabia que era muito cedo pra falar de novo em casamento, ainda nem sabíamos direito o que éramos agora.
"Certo..." – noto a confusão no seu olhar. Coloco a minha não sobre a sua tentando demonstrar que eu não esperava que tomasse alguma decisão com relação a isso, bom, pelo menos não agora.
~.
Terminamos de comer, lavei a louça enquanto ela secava, nós sempre fomos um bom time. Tornamos a nos aconchegar no sofá só vendo a hora passar e distraidamente encarando a televisão.
"Vou precisar voltar pra Ohio em dois dias..." - suspiro enquanto ela me encarava – "ainda tenho muito o que resolver por lá... você sabe.. e não posso deixar o Will assim na mão de uma hora pra outra..."
"Entendo..." – mas eu noto que ela não entendia.
"Eu vou voltar Rachel..." – pego sua mão e a beijo. Ela morde o lábio de leve e eu a abraço forte.
"Espero que sim..." – sua mão repousa em cima do meu peito.
E os minutos continuaram passando, as horas também, ficamos abraçados por um longo tempo até que ela começa a bocejar sem parar. Ela parecia não querer sair dali, dos meus braços, do meu abraço, de perto de mim.
"Pode ir dormir Rachel..." – digo beijando o topo de sua cabeça – "eu me arranjo aqui no sofá mesmo..."
~.
"Não..." – protesto de imediato. Pra falar a verdade eu acho que estava com medo dele escapar de novo no meio da noite sem ao menos me dizer adeus.
"Eu não vou embora." – ele é bem direto – "não se preocupe..."
Mas aquele sofá era muito pequeno pra ele... eu sei que tem a cama do Kurt... mas...
"Você pode dormir comigo..." – sugiro com certo temor. Eu não queria acelerar as coisas, eu só queria dormir entre os seus braços.
Ele vacila por um longo instante. Pisca forte, olha pros lados e logo se levanta pegando sua mochila colocando-a sobre seu ombro. Por um instante juro que ele vai sair por aquela porta, mas ele faz o seu caminho até o meu quarto. Acompanho os seus passos e o vejo colocar a mochila em um canto do lado da cama. Me agacho e pego-a e coloco sobre uma cadeira.
"Pra não correr o risco de tropeçar se acordar de madrugada..." – sorrio.
"Posso usar o banheiro?"
"Não precisa perguntar Finn..." – e logo me lembro do seu desleixo – "você trouxe toalha, sabonete, shampoo?"
"Hm..." – é provavelmente não. Eu nem sabia como ele tinha sobrevivido todo aquele tempo sozinho enquanto perambulava pela Georgia quando saiu do exercito. Acho que certas coisas é melhor ficar mesmo na ignorância.
Pego uma toalha limpa e coloco-a sobre a cama. Enquanto isso o levo até o banheiro e aponto para as minhas coisas.
"Esse shampoo você pode usar... também meu sabonete liquido, não tem problema... tem escova de dentes nova dentro do armário e enfim... se sinta em casa..."
~.
"Tentarei..."
Ela me conhecia tão bem que eu nem sei porque eu ainda me impressionava com isso. Volto ao quarto, separo uma roupa de dormir, pego a toalha que ela havia separado e faço meu caminho ao banheiro. Encosto a porta sem trancar, me desfaço das minhas roupas e por um segundo me encaro no espelho. Sorrio. Encontro o seu perfume abro o frasco aspirando o seu aroma. Com cuidado, coloco-o no mesmo lugar que achei. Entro no Box e leio o rotulo de vários produtos enquanto deixava a água quente bater nas minhas costas.
Mil coisas se passavam pela minha cabeça nesse instante. Meus dias no exercito, minhas andanças sem rumo, a volta pra casa. A viagem para NY cheia de sonhos e expectativas, a frustração que logo surgiu quando tive que voltar pra Lima com o coração vazio. A luta interna, as incertezas, a frustração. Todas as lágrimas silenciosas que deslizaram pelo rosto enquanto no meu quarto quando eu lutava pela insônia nas longas madrugadas. Todas as dúvidas, os temores, até o desprezo que senti por mim enquanto não me achava merecedor de nada. E nem parece que isso tudo aconteceu há apenas uns meses atrás. Agora a vida me trazia uma nova perspectiva, agora eu parecia finalmente entender o que era isso de sonhos, o que seria lutar por eles.
Por um certo momento na minha vida eu só tinha um sonho e esse sonho se reduzia a ela. A somente ela, a sua felicidade, ao seu sucesso. Talvez o problema da nossa relação tenha sido esse. Enquanto ela tinha milhões de sonhos guardados eu levava a minha vida seguindo o caminho que ela vinha trilhando e sempre andando a mil passos atrás, sem sentido, sem rumo, sem perspectiva. Como uma sombra. E eu sabia que de certa maneira, agindo desse jeito, a nossa relação estaria fadada ao fracasso.
~.
Até ignoro a minha rotina antes de dormir por sua causa. Não queria perder mais nenhum instante ao seu lado. Espero-o sair do banheiro para apenas tomar um banho rápido, fazer minha higiene bucal e logo, já vestida com o meu melhor pijama, encontrá-lo deitado na cama folheando um livro.
"Oi..." – olho para as suas coisas cuidadosamente dobradas em cima da cadeira e até sinto uma leve estranheza pela organização, deve ser coisa do exercito.
"Você foi rápida hoje..." – ele abandona o livro em cima do criado-mudo e eu me aproximo puxando o edredom fazendo meu espaço na cama. Ajeito o travesseiro e deito de lado para poder vê-lo melhor.
"Sim..." – eu não precisava dizer que eu queria aproveitar todo o tempo possível que eu pudesse para ficar ao seu lado.
"Você estava ensaiando para algum papel?" – ele aponta pro livro.
"Um trabalho de classe..." – digo orgulhosa – "vamos apresentá-lo semana que vem... se você tivesse aqui até poderia ir..." – e logo a realidade reaparece. Suspiro. Afinal, quando ele voltaria? Eu sei que ainda demoraria um tempo para as suas aulas começarem... e...
"Hey..." – sinto seus braços tocarem minha cintura. – "eu sei o que você está pensando..."
"Eu..." – pondero por um segundo e logo falo – "sinto sua falta..." – suspiro novamente sentindo o meu coração apertadinho dentro do meu peito.
Ele não responde, puxa o meu corpo pra mais perto do seu e beija o topo da minha cabeça.
"Eu estou aqui, não estou?" – sim, ele estava ali, eu sabia que ele estava fazendo o seu melhor, mas eu queria mais.
~.
"Rachel.." – levanto o seu rosto.
"Desculpa..." – e de repente ela começa a chorar.
"Não chore..." – desesperadamente tento enxugar as suas lagrimas.
"E quanto a nós Finn?" – ela finalmente pergunta. Cedo ou tarde teríamos que falar de nós dois.
"Vamos acreditar no universo Rachel... ele está cheio de oportunidades... cheio de encontros e despedidas... se nós tivermos que ficar juntos, vamos ficar juntos, isso sempre foi muito claro pra mim... se o universo conspirar para que eu permaneça na sua vida, então vamos nos permitir..." – sentia seus soluços enquanto a acolhia entre os meus braços. – "você consegue entender o que eu estou dizendo?"
"Não..." – a abraço ainda mais forte – "não quero entender.. eu só quero ficar contigo.. eu cansei de ter que fingir que entendo que a vida quis assim, que devemos ficar separados pra nos encontramos antes de voltamos.. mas eu não quero mais isso.. eu não quero mais me render Finn.. eu estou cansada... eu não consigo tirar esse amor de dentro do meu coração... eu não consigo esquecê-lo. Eu tentei de todas as maneiras possíveis mas quanto mais eu tento te esquecer, mais eu me lembro de você.. parece uma tatuagem que penetrou na minha pele e não exista tratamento ou tempo que cure, que remova... Finn..."
Ela me encarava com aqueles olhos castanhos cheios de lágrimas. Eu tento permanecer forte, tento ficar calmo, tento explicar pra ela que eu já não iria mais a lugar algum, mas as palavras me escapavam. Eu não conseguia pensar em nada para convencê-la que o meu amor por ela era eterno. Noto que ela ainda usava o colar, que não havia tirado-o do pescoço. Com delicadeza abro-o e pego a aliança entre os meus dedos.
Ela soluçava ainda mais forte. Procuro a sua mão direita e sem dizer nada coloco o anel de volta ao lugar que ele jamais deveria ter saído. Entrelaço os seus dedos com os meus e torno a abraçá-la forte. Seu corpo parecia relaxar, ela parecia finalmente compreender o propósito de eu ter batido na sua porta pedindo pelo menos por um pouco de esperança. Que era ali que o seu corpo deveria estar: no final do de um longo dia entre os meus braços.
~.
E foi entre os seus braços, escutando as batidas do seu coração que eu fecho meus olhos e deixo o sono me levar.
