Bella soltou uma gargalhada quando jogou uma pipoca para Jamie pegar como se ele fosse um cachorrinho e o garoto estava se divertindo. Quando pensei em trazê-los para conhecer a minha casa mais cedo, imaginei que poderíamos ter uma noite divertida, somente nós, principalmente depois de duas semanas com ela me ignorando veemente – foi irritante nos primeiros dias, depois engraçado, por fim ficou irritante de novo, mas acho que ela não fará mais algo do tipo porque não vou deixar. Se estiver com raiva que grite, mas não me ignore. Foi muito esquisito. Fazer as pazes, no entanto, nos levou a esse momento. Não aguento mais e preciso ficar sozinha com ela, sem interrupções, sem ninguém no andar debaixo podendo ouvir e comentar alguma coisa. Não que eu me importe, mas ela se importa.

- Precisa de ajuda aí, velhote? – Jamie provocou e eu revirei os olhos. Ainda estava me entendendo com o painel que colocava o filme em 3D.

- Consegui, espertinho. Escolha um lugar.

A minha surpresa para Jamie era inaugurar o cinema da minha nova casa. Quando a comprei, imaginei que nós dois poderíamos assistir filmes juntos, só não considerei que seria porque não podemos correr o risco de estar em um cinema quando algo pudesse acontecer a qualquer momento. Estou caçando Laurent e irei pegá-lo. Enquanto Bella é uma gerenciadora de crises, eu sou um caçador. Normalmente sou eu quem causa a crise. Não posso deixar que ele passe entre meus dedos novamente. Dessa vez, ele vai ter o que merece. Uma pipoca jogada no meu rosto me tirou dos pensamentos sombrios. Peguei um óculos 3D e tirei do meu bolso os tampões, colocando em meus ouvidos, porque não queria ter que sair da sala por estar morrendo de dor de cabeça.

Jamie sentou na poltrona da frente, ficando esparramado entre duas almofadas, com um balde de pipoca do lado e refrigerante. Bella estava com as pernas para o alto, de óculos e me deu um beijo quando sentei ao seu lado, já que o pequeno não tinha visão nenhuma de onde estávamos sentados. Ela me ofereceu pipoca e eu ignorei o refrigerante. Não bebo há anos. Comi um pouco, tentando me concentrar no filme, mas as imagens não pareciam tão engraçadas pra mim quanto eram para Jamie. Virei um pouco e observei Bella de olhos fechados, não estava dormindo, apenas quieta, provavelmente pensando e tudo que conseguia me concentrar era o quanto queria beijar seus lábios carnudos.

O filme estava baixo pra mim, o que significava que eu não podia ouvir o que ela estava falando comigo. Apontei para o tampão e ela ficou me olhando, puxou minha cabeça para perto e analisou, me soltando e fazendo um beicinho. Meia hora depois, aquela poltrona estava fodendo com minhas costas, provavelmente porque não foi feita para alguém do meu tamanho. Eu me estiquei um pouco e vi que Jamie estava dormindo, todo esparramado, com a boca aberta e os braços jogados. Levantei com cuidado e o peguei no colo, levando-o para seu quarto. Eu queria que ele gostasse da casa. Queria que ela gostasse também. Não vou pensar sobre isso. Assim que o cobri, deixei-o sozinho. Pensei que Bella viria atrás de mim, mas ela estava na sala de cinema ainda, mexendo no painel, então o ruído ficou bem baixo. Ela veio até a mim e puxou os tampões.

- Você quer terminar de assistir o filme? – perguntei não entendo porque ainda estávamos ali dentro e não indo para o quarto foder até amanhã.

- Não vamos assistir ao filme. – disse e sentou onde estava antes. – Edward? É um cinema particular. – completou e eu continuei confuso. – Nunca deu uns amassos no cinema?

- Não. – encolhi os ombros.

- Sério?

- Você já?

- É claro que sim, não o tipo de amasso que pretendo dar com você agora, mas já dei muitos beijos e mãos bobas em salas de cinema... Antes de o Jamie nascer. – riu e bateu na poltrona. – Vem aqui.

Ignorei totalmente que aquela poltrona não me comportava e sentei ao seu lado, sendo surpreendido com a sua pulada para meu colo. Puxei seus joelhos para frente e escorreguei meu corpo de modo que ficou bem encaixada, em contato direto com o tecido fino da minha calça de linho. Bella beijou meu pescoço e eu enfiei as mãos na sua calça, apertando sua bunda e sentindo a renda fina da sua calcinha muito pequena.

- Tivemos dois meses de preliminares. – grunhi querendo levá-la para cama agora mesmo.

- Eu sei disso. – murmurou e se afastou, dando-me um sorriso safado. - Mas eu ainda não comecei. – disse sedutoramente, mas isso era ela, como sempre, querendo me dominar. Suas mãozinhas ágeis e pequenas puxaram a minha camisa branca e ajudei tirando, ela jogou longe. Sentada na ponta das minhas pernas, inclinou-se para frente, beijando e lambendo do meu pescoço para baixo, me provocando e enlouquecendo. Segurei sua cintura, para puxá-la de volta e ela bateu em minhas mãos, concentrada em me deixar arrepiado. – Quando você está malhando sem camisa, tenho vontade de te interromper e lamber todo. – sussurrou e eu sorri. Sempre que estou malhando, ela dá um jeito de ficar sentada e descaradamente me observa por quase todo tempo. Ela me distrai quando resolve malhar no mesmo horário. É difícil erguer pesos quando Bella está praticamente de quatro a minha frente, fazendo exercícios de glúteo.

Observei o seu interesse e cuidado em desfazer o nó da minha calça. Meu pau está muito duro e propositalmente, deixa os nós dos seus dedos encostar-se a ele, suavemente, só pra me fazer prender a respiração. Livrando-se do laço, abaixou minha calça o suficiente para libertar meu membro ereto e eu gemi ao sentir o ar frio do ambiente nele e também seu olhar fixo. Sei que meu pau não é pequeno, ele é proporcional ao tamanho do meu corpo, não de forma grotesca, mas o fato que Bella sempre parece vibrada e faminta quando o vê me deixa realmente louco e ainda mais duro. Segurei sua nuca e beijei sua boca quando senti sua mão pressionando, me apertando e começando a bombear lentamente, subindo e descendo, me acariciando para me fazer explodir. Relaxei e deixei que me tocasse a vontade, deixando-a achar que estava no controle, até porque eu precisava de forças para simplesmente não gozar como um adolescente.

Com cuidado, ergui sua blusa o suficiente para minhas mãos chegarem até seus seios. Passei meus indicadores pelos seus mamilos eretos e ela gemeu contra a minha boca, querendo um pouco de fricção entre suas pernas, mas não me movi, continuei deixando que brincasse com meu pau por um tempo. Eu ia fazê-la gritar aqui mesmo, onde ninguém mais poderia ouvir. Suguei seu pescoço, para deixar marca, ela não me parou e eu continuei até que pra mim, estava o suficiente de brincar. Se ela gosta de me torturar, vai provar do próprio remédio.

- Está gostando de brincar comigo? – perguntei observando seu rosto me dando um sorriso esperto.

- Quando teremos a oportunidade de ficarmos sozinhos?

- Muitas. – respondi e a ergui rápido. – Esse jogo, você não dá as cartas. – disse abaixando sua calça bruscamente e dei um tapa na sua bunda. Ela me chamou de filho da puta. – Incline-se. – ordenei e a tela iluminada me permitiu ver a sua calcinha pequena e bonitinha, mas prefiro a sua bunda nua. Puxei a sua calcinha para baixo e ela tentou sair da minha frente. – Não mesmo, querida. É melhor ficar paradinha. – murmurei e segurei suas mãos juntas, amarrando seus pulsos com a sua calcinha. – Coloque seu joelho bem aqui. – instrui e ela me deu um olhar que era melhor que eu ir à merda. Dobrei seu joelho a força.

- Edward. – grunhiu.

- Não está acostumada a alguém mandando em você, amor? – brinquei deslizando minhas mãos pelas suas nádegas cheias e apertei com força. Ela gemeu. – Você pode gritar a vontade aqui. Ninguém vai te ouvir. – bati do lado oposto que bati antes e saiu um som estalado, mas sei que não doeu tanto. Não sou louco de machucá-la. Quero apenas dar-lhe todo prazer com o tesão acumulado que estamos segurando.

- Edward, você vai fazer o que acho que vai fazer? – perguntou meio alardeada.

- Te chupar aqui por trás? Sim. – respondi descendo minha mão pela sua bunda, tocando seu clitóris. – Não quer.

- Eu quero. É que ninguém nunca fez isso antes... – murmurou e saltou com o leve belisco que dei em seus lábios inferiores. – Eu só queria brincar um pouquinho. Você está sendo... – suspirou pensando nas palavras. – Você mesmo.

- Eu não sou ruim. – beijei suas covinhas acima do bumbum e apertei duas coxas. – Só muito apaixonado pela sua bunda. – disse mais baixo, mas ela ouviu e riu. Ajoelhei admirado com a linda visão a minha frente e mergulhei na minha tarefa deliciosa de fazê-la gritar.

E ela gritou e gozou forte. Beijei suavemente suas costas, seu corpo estava tão quente quanto o meu. Eu estava necessitado por ela.

- Vamos para o quarto.

- Não. Aqui. – disse virando de frente. Segurei seu rosto, gemendo com as suas ministrações. – Quero aqui primeiro e depois lá no quarto, na cama. Acho que depois na mesa do escritório. – murmurou entre beijos e a ergui no colo, sem perder tempo e ela me guiou para dentro. Tomei minha cabeça no seu ombro. – Deus, eu amo seu tamanho. – deixou escapar e riu, apertando-me completamente.

- Poorra. Sem rir. Fique parada. – pedi beijando seu pescoço. Nove fodidos anos. Porra. E eu nunca mais me senti assim com alguém.

Bella segurou meu rosto e nossos olhares ficarem presos, enquanto entrava e saia, saboreando seu corpo, seu calor e toda sua energia. Segurei sua bunda, indo ainda mais fundo, com seus arranhões e gritos, pedindo mais.

- Tão gostoso. – gemeu contra meus lábios.

- Você me enlouquece.

Dobrei seus joelhos, soltando suas pernas que estavam seguramente presas no meu quadril e a puxei mais para frente. Ela se equilibrou no encosto da poltrona da frente, rebolando, subindo e descendo, olhando-me, me tomando, me enchendo.

- Toque-se pra mim. – pedi antes de rasgar sua blusa do pijama e abaixar seu sutiã, expondo seus mamilos para minha boca. Bella agarrou meus cabelos, com os movimentos mais irregulares, gemendo alto e eu precisava que ela gozasse antes de continuar. – Sim, de novo. – mordi seu pescoço sentindo-a apertar bem forte.

- Me beija. Quero te beijar o tempo todo, até você gozar.

Eu odeio beijar, mas nada importa quando a tenho em meus braços. Quero a sua boca, a sua bunda, sua buceta, seu corpo por inteiro o tempo todo. Sua boca estava exigente na minha e mudando de posição, mais fundo e mais rápido.

- Quero você gozando dentro de mim. – sussurrou mordendo a minha orelha e foi o suficiente para gozar forte. Bella envolveu as pernas e os braços ao redor do meu corpo, me dando um beijo lento e eu sentei de volta na poltrona, ainda segurando-a. – Isso foi muito bom. – sorriu.

- Bom é eufemismo. – beijei seu queixo. – E eu ainda estou excitado.

- Vamos para o quarto. – disse com os olhos brilhando. – Acho que é a minha vez de te amarrar na cama. – sorriu ficando de pé e pegou a venda que usei em Jamie mais cedo. – Ou vou te vendar?

- Eu sou todo seu, baby. Use e abuse.

No meio da noite, eu ainda estava acordado, lendo o e-mail sobre a verificação do possível lugar onde Laurent se encontrava, mas também observava Bella dormir completamente nua ao meu lado. Eu queria acordá-la de novo, porém não podia deixar todo meu tesão me dominar. Eu tinha que ter algum controle sobre os anseios do meu pênis, ainda mais quando se tratava dela. Li o e-mail até o final, não satisfeito com o resultado e decidi descer para beber um pouco de água. Eu estava sedento por Laurent, mas no momento, no meio dessa madrugada, não há nada que eu possa fazer sem encontrá-lo. Eu me dei um prazo para terminar essa história e vou cumprir.

Félix trouxe várias coisas do mercado, para um jantar simples ou um lanche mais elaborado. Ele encheu a geladeira de cerveja e pelas caixas de pizza, parece que teve uma festa na sala de monitoramento. Peguei duas garrafas de água e enchi um copo de suco de laranja para ela, bem fresco. Olhei Jamie em seu quarto, completamente adormecido e voltei para meu quarto e ela estava acordada, mexendo no celular, com uma expressão meio confusa.

- Lauren disse que chegou mais um depoimento. – murmurou sonolenta. – E que o Senador Weller convocou uma reunião de urgência na casa dele amanhã cedo.

- Eu vou com você. – beijei sua bochecha e lhe entreguei o copo de suco. – O que ele quer?

- Não faço ideia. – disse e bebeu quase todo o suco. – Jamie está bem?

- Dormindo como um anjo que ele não é acordado. – respondi recostando-me.

- Sem querer, muito querendo, invadi a sua privacidade, mas eu não resisti. – disse sentando-se na cama e senti meu bom humor escorrendo entre meus dedos. – Você está monitorando as atividades de Laurent e não me falou nada, Edward. – acusou em tom suave, mas eu sabia que ela queria explodir.

- Nós agimos de formas diferentes. – disse tentando ficar calmo. Ela leu meu e-mail? Louca. – Você está fazendo um excelente trabalho e minha equipe está confiante nos seus resultados, mas Bella, eu sou um caçador e não uso as leis para isso. – completei e ela balançou a cabeça para continuar. – É admirável o que está fazendo, todo acesso a agências federais, mas isso só está fazendo o tempo passar. Laurent não está brincando. Enquanto concordo que todos os homens da lista devem ser presos, eu também acho que não posso deixar aquele francês filho da puta fugir novamente. E é isso que eu estou fazendo. Caçando-o. Não sou um bom jogador.

- Conte-me o que está fazendo. – ela parecia empolgada.

- Laurent tem um padrão e ele precisa de determinado espaço para agir conforme. Ele deve ter um local fixo ou dois. Um grande para guardar a quantidade de armamento que está sendo alimentado. – disse e peguei meu Ipad, conectando em uma pasta. – Bill Sanders, o cara que você disse que ia te comprar? Ele é da indústria bélica. Tem ações em uma empresa que fornece armas para o governo. Dois dias antes de Laurent nos atacar, Bill enviou de trem para a cidade um bloco de inteiro de cargas. Não precisamos descobrir o que tinha lá dentro...

- Como conseguiu essas informações e como passou despercebido por Mike? – perguntou meio irritada.

- Mike é um homem só e não dez. – revirei os olhos. – Ele não vai conseguir manter todos os seus alertas em dia, então, Emmett está tomando conta dos alertas e me alimentando. Isso não foi captador, porque eles usaram uma antiga linha do trem, eu não sei como conseguiram a ativação ou como passaram sem qualquer autoridade ou denuncia ter sido feita, mas de fato, eles chegaram do outro lado da cidade, no meio da madrugada e com muitas armas. O que levou Félix à pesquisa de lugares que poderiam esconder todo esse equipamento.

- Não podemos invadir esses lugares? – perguntou olhando para o mapa e onde estava marcado.

- Não se ele estiver nos monitorando. Então eu coloquei pessoas analisando cada movimento nesses galpões, mas até agora nada. Recebi um alerta que essa mesma linha do trem foi ativada ontem à noite, a qualquer momento um carregamento chegará a cidade e é essa a minha oportunidade.

- O que vai fazer? – perguntou aproximando-se ainda mais. Ela acha que pode me seduzir para arrancar informações? Não mesmo.

- Matá-lo. – respondi e desliguei meu Ipad. – Isso é tudo, Isabella. – disse seu nome mais firme. – Continue trabalhando com o QG para derrubar cada cliente, deixe que com Laurent, eu me viro.

- Não. – disse firme e eu ri. Como se eu fosse Jamie para obedecê-la. – Edward, nós não vamos brigar por isso. Eu sei como as coisas funcionam para você, mas teremos que encontrar um meio termo. Tem muitas agencias de olho em Laurent e elas vão lavar as mãos se ele desaparecer, mas Garrett não e ele vai fazer de tudo para te prender.

- Ele não vai me pegar.

- Acredito que pode não ser pego, mas é muito arriscado. Você tem Jamie agora. – disse mais suavemente e suspirei. – Por favor, quando pegá-lo, entregue para polícia. Vamos fazer o certo. – disse suplicante e odiei não pensar em Jamie nesse momento. Bella subiu no meu colo, aproveitando a oportunidade que relaxei meus músculos. – Além do mais, pense na publicidade que o escritório teria com um caçador eficiente. Essa função nunca existiu e quantos políticos iriam te contratar para caçar seus inimigos ou esconder seus problemas?

- Eu já pensei nisso...

- Não com tanto carinho.

Eu bufei.

- Pareço carinhoso para você?

- Mas é ambicioso ou não estaria aqui. Não fique agindo como uma criança só porque não quer concordar comigo.

- Seu ponto é totalmente válido, mas não vou deixar Laurent impune. – disse firme e ela suspirou, cruzando os braços e eu me distraí com seu seio. Ela disse algo que não ouvi. – O quê?

- Não me deixou nenhuma alternativa a não ser te impedir de fazer essa estupidez. Eu vou te impedir.

- Vamos entrar em mais uma competição?

- Todas as outras chegamos a um acordo antes da corrida louca começar, tem certeza que quer fazer isso justo com essa, Edward? – perguntou e grunhi. Insistente. – Não está pensando na nossa família?

- É justamente por causa do que esse bastardo fez com a minha irmã que eu vou fazer isso. – rebati bruscamente e ela bateu na minha cabeça, puxando meu cabelo e me beijando. – A única coisa que vai conseguir com essa conversa é que a gente acabe transando novamente.

- Estou falando da nossa família... Eu, você e Jamie. – disse baixinho.

- Nós realmente somos uma família, Bella?

- Eu e você? Não temos nada, mas sim, nós somos uma família por ele. Aquele garotinho precisa de nós dois, com a cabeça no lugar e tentando agir de forma mais coerente possível. Se não concordar comigo, tudo bem, mas não suje suas mãos de sangue. – suplicou e eu estava odiando o fato que ela realmente sentia necessidade de implorar.

- O que você sabe que eu não sei? Porra, Bella. Você está escondendo algo.

- Ei! Você também estava! – gritou me empurrando nos ombros, mas não saiu do meu colo.

- Eu estava te protegendo, é bem diferente. Prometi que iria te proteger, por Jamie, por você e até mesmo por mim, cacete. E qual a sua desculpa?

- Omissão? – murmurou encolhendo os ombros. Apertei suas costelas, esperando que falasse. – Não estou tão avançada assim como você, mas eu meio que descobri que existe um espião do governo entre os homens de Laurent. Não tenho acesso, está muito acima de mim e não posso me expor muito, então estou comendo pelas beiradas. O fato é, que desde que invadimos o local, que me infiltrei lá, ele não se comunica com a sua sede. Ninguém sabe se ele foi corrompido ou se resolveu agir sozinho, que é um protocolo quando há risco de ser descoberto. Se você matar Laurent, terá que matar todos eles, mas aí uma agência inteira estará atrás de você.

- E por que nesse mundo você não falou isso antes? Acha que eu fico no escritório o dia inteiro lendo processo? – reclamei e ela deu os ombros.

- Você não falou nada pra mim.

- Você também não! – rebati muito puto, porque porra, isso mudava todos os meus planos. Minha mente foi mergulhando em pensamentos muitos sombrios e eu queria quebrar algo.

- Edward, presta atenção em mim, saia da escuridão. – disse e virei-a na cama, apenas para nos dar um pouco de espaço, mas ela me segurou com as pernas. – Não. Vamos fazer um acordo com dedos mindinhos. – propôs e eu bufei. – Isso funciona com o pequeno, vai funcionar com o grande. – disse e não ergui meu dedo. – Vamos lá, cabeça dura. Quanto antes terminar, mais rápido vamos transar. – ofereceu e fui obrigado a rir. – Faça tudo nos seus termos. Cace-o, o apavore, provoque, cause o caos que está acostumado, mas não o mate. – ofereceu e eu cruzei seu dedinho. - E não faz parte do nosso projeto de confiar no outro esconder as coisas.

- Diga isso pra si mesma. Eu confio em você. É você que não confia em mim.

- Eu não estaria nua na sua cama se não confiasse, Edward.

Arqueei minha sobrancelha.

- Talvez eu seja hesitante com algumas informações porque você é uma bomba.

- Só vou explodir se não me contar as coisas.

- Tudo bem, vou me esforçar mais. – disse baixinho e raspou as unhas no meu couro cabeludo. – Vai me contar seus passos em relação a ele?

- Algumas coisas. – murmurei beijando seu pescoço e nós deixamos aquela conversa de lado, parcialmente entendidos, meio compreendidos e ainda mais unidos, o que estava dando nós na minha cabeça e eu não fazia ideia como proceder em relação a isso. Nós não estamos juntos, mas temos um relacionamento e concordamos ser uma família, o que não significa que estamos juntos e é aí que fico completamente louco, mas esqueço de debater sobre isso no momento que deslizo para dentro dela e recomeçamos a nossa maratona sexual.

De manhã cedo, saímos do quarto e decidimos fazer um café da manhã caprichado, ambos com muita fome. Na cozinha, abrimos todas as portas até encontrar acessórios.

- Essas bananas estão lindas, dá pra fazer um bolo. – disse pensativa e me olhou. – Seus olhos brilharam. O que foi?

- Eu amo bolo de banana, só isso. – respondi como se fosse nada demais. A minha avó fazia muito quando eu era criança. Bella ficou esperando que eu contasse alguma história sentimental por trás daquilo e eu fiquei olhando de volta. Ela não desistia. – Eu comia quando criança, só isso. Não tem nada que possa colocar em um livro.

- Não seja grosseiro... – revirou os olhos. – Só quero te conhecer. – bateu na minha bunda e eu engoli uma resposta mal criada quando vi Jamie andar em nossa direção, sonolento. – Bom dia, meu amor. – ele foi direto para os braços da mãe, receber seu dengo matinal. – O menino mais lindo do mundo acordou para iluminar meu dia. – ele beijou sua bochecha e sorriu pra mim, logo bocejando. – Dormiu bem?

- Dormi e estou com fome.

- Seu pai e eu faremos bolo de banana.

- Hum, que delícia. Posso ajudar? – perguntou e eu o coloquei sentado no balcão.

- Sua mãe vai te dar algo para fazer, mas fique longe do fogão, vou fritar algumas coisas.

Comecei a fritar os ovos, quase uma cartela inteira com presunto e depois tostei as tiras de bacon. Bella estava instruindo Jamie com a massa do bolo enquanto ela cuidava das bananas. Eu ri do entusiasmo dele em usar minha nova batedeira e então, Félix entrou na cozinha, com pão fresco e pastilhas para máquina de café.

- A Srta. Brandon está no portão principal com dois funcionários para colocar os quadros que ficaram pendentes ontem. Jared está revistando o carro e os funcionários. – Félix disse e comecei a preparar o café. – Trouxe isso para você, carinha. – ele deu a Jamie um brinquedo de montar. Ele abandonou o bolo na hora.

- Ei, volta aqui, garoto! O bolo pode solar! – Bella gritou com ele, que riu e sentou em uma das cadeiras. – James!

- Ah mãe, eu adoro esse brinquedo! Olha só a perna desse! Obrigada Tio Félix!

Coloquei os bacons e os ovos fritos para aquecer no forno, pegando a massa do bolo, mas eu não sabia muito que fazer ali, então ela me ajudou dizendo como bater e o que colocar. Alice passou pela porta da cozinha, parando logo que reconheceu Bella de pijama e toda bagunçada do meu lado. Jamie estava muito distraído, então sem perceber a presença de Alice, Bella entrou entre meus braços, me dando uma mordida no braço e rindo do meu mau jeito com a batedeira.

- Oi, quem é você? – Jamie perguntou simpaticamente e Bella olhou em direção à porta, mas continuou onde estava. – Sou James. E você?

- Alice. Estou decorando a casa do seu pai.

- Legal, eu gostei do meu quarto. – ele respondeu fazendo conversa.

- Isso é maravilhoso pra mim. – Alice respondeu.

- Você não tem quadros para colocar? – Bella perguntou calmamente, mas só um idiota não perceberia que foi cortante como uma faca afiada dividindo um pedaço de bife. - Nós temos que sair, então, faça-o o quanto antes. – completou e voltou a bater o bolo.

- Ixi... – Jamie disse e eu escondi meu rosto no cabelo dela para não rir descaradamente.

Alice foi até outro corredor acompanhada de dois homens. Bella untou a forma, colocou bananas no fundo e virou a massa em cima, levando ao forno. Enquanto o bolo estava assando, subimos para nos arrumar, ela tinha que ir até a casa do Senador Weller e eu queria analisar o babaca de perto. Enquanto auxiliei Jamie com o banho e suas roupas, ela se arrumou e logo deixou o banheiro livre para meu uso. Quando desci, não havia sinal de Alice pela casa, apenas os quadros bem colocados e Bella desinformando o bolo, batendo palminhas quando ele saiu inteiro, mesmo um pouco quente.

- Melhor bolo do mundo. – Jamie cantarolou, dançando na cadeira e então, o celular dele começou a tocar. – Oi Vic! – disse e ela começou a gritar, falando um monte de coisa ao mesmo tempo. – Não entendi!

- VAMOS VOLTAR PARA D.C! – Victória gritou – Mamãe acabou de me contar, estou tão feliz! – disse mais calma e Jamie estava congelado. – James Alexander.

Meu Deus, que garota autoritária.

- Quando? Como assim? – Jamie parou até de comer.

- Ela foi contratada para ser chefe da neurologia, não sei em qual hospital, não perguntei! Nós vamos voltar! Estou tão feliz! – disse e ouvimos alguém falando com ela. – Tenho que ir para natação, o motorista chegou, quando eu chegar em casa, eu te ligo de novo!

- Puxa vida, ela vai voltar. – Jamie disse colocando seu celular de lado. – Tomara que a gente estude na mesma escola. Quando vou voltar para escola, mãe? – perguntou com os olhos cheios de expectativas.

- Iremos resolver isso em breve. – respondi quando vi que Bella congelou com o garfo na metade do caminho. – Agora, coma tudo. Nós temos que sair em breve.

Jamie falou o caminho inteiro de volta sobre a casa que estávamos, listando os motivos que eles deveriam morar no apartamento, porque assim ele estaria só a alguns andares de distância da sua amiga e não precisariam de ninguém para olhá-los enquanto ficassem na casa do outro. Bella estava revirando os olhos e ficando irritada com a insistência dele, mas não falou nada. A volta da sua amiga me fez entender que ele abortou a crise sobre morarmos todos na mesma casa. Por mais que o sexo tenha sido incrível, eu não estou tendo um relacionamento com a mãe dele e morar junto vai causar a nossa morte precoce ou um de nós preso por tentativa de homicídio. Além do mais, eu não quero estar em um relacionamento, só não vejo problemas em ter uma vida sexual com ela. Combinamos nessa madrugada, que devido ao não uso da camisinha, não iriamos estar com mais ninguém, não sem falar com o outro sobre. Não sou um cara de muitas mulheres. Não tenho paciência. E ela está regular em seu remédio.

- Pensa bem, mãe. Não foi divertido ficar nós três juntos? No apartamento também tem um quarto para o papai.

A crise não foi abortada, ele está apenas sendo nosso filho e contornando caminhos para chegar ao seu objetivo. Ela me deu uma rápida olhada, por sorte, chegamos na casa.

- Jamie, comporte-se. Nós iremos ver um cliente. – Bella disse virando para olhar para seu rosto e eu ajustei o retrovisor para observar sua expressão. – Seu pai pediu ao seu Tio Emmett para ficar com você e ele planejou um monte de coisas legais enquanto estamos fora.

- Vocês vão sair juntos?

- Tenho trabalho a fazer e seu pai gosta de me seguir. – ela disse brincando e Félix abriu a porta dele. – Venha aqui me dar um beijo e dizer que me ama. – pediu e ele se jogou nela, dando vários beijos. E para minha completa surpresa, ele quase pulou no meu colo, me dando um beijo também e dizendo que me amava, então saiu correndo e entrou em casa com um aceno. Emmett apareceu na porta e eu liguei o carro novamente.

- Pensei que o retorno da Victória seria bom para ele esquecer a crise de ontem. – comentei suavemente, seguindo o GPS para casa do Senador Weller, que não era muito longe dali.

- Ela só dará gás a ele. Os dois juntos diariamente são uma força da natureza, acho que faz parte do fato que eles aprenderam a andar, falar, comer e até estudar juntos. – disse e coloquei minha mão na sua coxa coberta pela sua calça jeans. – Não seja grosseiro com o Weller. – disse quando fomos autorizados a entrar na casa do engomadinho.

- É só ele manter as mãos para si mesmo e ficaremos bem. – murmurei saindo do carro, dei a volta e abri a sua porta. Olhei para frente e suspirei. – Ele está usando um casaco amarrado nos ombros. Eu não posso acreditar que isso ainda existe. De onde esse merdinha saiu?

- Seja simpático.

- Eu não sou simpático. Não força.

- Oi Weller! O que aconteceu? – perguntou aproximando-se e ele parecia meio irritado.

- Trouxe o cão de guarda de novo? – perguntou e eu me contive para não rosnar.

- Edward é meu sócio.

- Ouvi dizer que ele é pai do seu filho. Jacob não fala sobre outra coisa e seu irmão deu um soco nele. Foi um show no escritório essa semana. – disse e eu fiz a anotação mental de ter uma conversinha com esse babaca do Jacob.

- Ele é meu sócio e pai do meu filho, mas isso não é da sua conta. O que aconteceu?

- Meu irmão está desaparecido. – disse com um suspiro cansado e não era bem isso que eu esperava que ele falasse, então me interessei. – Ele é muito rotineiro, sabe? Elias tem autismo, então ele faz a sua rotina completa. A última vez que falei com ele foi ontem, após o almoço e a polícia disse que ele tem vinte e três anos e pode estar com uma garota, e que não se passaram vinte quatro horas ainda. A questão é que eu conheço meu irmão e sei que ele não faria algo do tipo. Ele me liga sempre. O tempo todo. – esfregou o rosto cansado. – Passei a noite indo na casa de todas as pessoas que conhecemos e ninguém o viu depois que ele saiu do seu clube do livro.

- Por que nesse mundo você não disse que era tão urgente? – Bella perguntou pegando seu telefone.

- Eu realmente tinha esperanças de encontrá-lo, mas estou ficando apavorado. Meus pais já morreram, só temos um ao outro. – disse e eu tirei meu celular do bolso.

- Qual foi o último lugar que ele foi visto? – perguntei e ele me deu um olhar meio irritado.

- Weller... Edward é um caçador. Ele é a melhor pessoa para rastrear seu irmão agora. – Bella disse suavemente.

Contrariado e meio desconfiado, ele me deu o nome da rua e o horário que ele foi visto, assim como encaminhou uma foto com a roupa que estava usando. Enviei para Félix, que logo informou que começaria a busca.

- Você tem que ficar em casa. – disse quando levantei. – Nós iremos encontrar seu irmão, de acordo com essas informações, mas você tem que estar preparado para o fato de que podemos encontrá-lo de outra forma ou que, infelizmente, alguém passa tê-lo sequestrado. Tenho certeza que você tem inimigos.

- Andou irritando quem ultimamente?

- Minha ex-mulher e o grupo LGBT. – disse quase arrancando os cabelos. – Eles sequestrariam meu irmão?

- Tudo é possível no momento. Nós entraremos em contato em breve.

Bella me seguiu para fora da casa, tentando ouvir minha conversa com Félix no telefone. Em menos de dez minutos Emmett descobriu que o Weller era beneficiário de um seguro de dois milhões de dólares do irmão dele. Eu percebi que ele estava nos olhando pela janela quando saímos de sua casa. Mike conseguiu vídeos do garoto na rua que foi visto a última vez e dirigi bem rápido enquanto Bella dava ordens no telefone para o grupo se dividir a fim de encontrarmos o garoto.

- Ele pode ter mandado sequestrar o irmão. – disse no silêncio do carro.

- Estou considerando essa possibilidade. Ele vem tendo dificuldades financeiras desde que se divorciou da Lisa, ano passado. E precisa de dinheiro para manter seu padrão de vida além de injetar na sua campanha no próximo ano. – respondeu ainda digitando freneticamente.

- Coloque o cinto. – pedi ao notar que o mesmo veículo que estava em nosso caminho na ida, permanecia na volta. Bella fez o que pedi. Não escolho carros da hummer apenas porque comportam meu tamanho, mas sim porque ninguém fica na frente quando piso no acelerador. – Querida, estamos sendo seguidos. Informe a Félix, por favor. – pedi suave, não queria deixá-la histérica. Ela pegou meu telefone, desbloqueou com a senha que ditei e ligou para Félix. – Informe o seguinte sobre o veículo. – ditei todos os detalhes e ela repetiu, pausadamente, aparentando calma, mas a sua voz tremia.

Abaixei a minha mão e tirei a minha arma, seguindo para um conjunto de ruas vazias antes do bairro que estávamos. Entrei uma área meio abandonada, com casas residenciais, mas sem ninguém andando pelas calçadas. Bella me deu um olhar nervoso quando virei bruscamente o carro e abri meu vidro, segurei sua nuca e empurrei seu corpo para baixo e atirei nos pneus do veículo. Ele rodopiou e parou alguns metros, batendo com força contra um poste. Girei o carro no sentido oposto e continuei dirigindo.

- Está bem? Eu te machuquei? – perguntei olhando-a rapidamente.

- Não. Só fiquei surpresa. Não sabia o que ia fazer. – respondeu segurando minha perna. Peguei a sua mão e beijei. – Ainda estamos sendo seguidos?

- Não. Vamos chegar em casa e resolver uma coisa por vez.

Eu tinha a ligeira sensação de que sabia quem estava nos seguindo e isso só me dava certeza que Laurent estava vindo em nossa direção novamente, mas dessa vez, irei pegá-lo.