Capítulo XI

Meetings and Debts

Encontrei David, em um corredor escuro, pois pedi para que fossemos discretos, por mais que não estivéssemos mentindo, e escondendo o que estávamos sentindo.
- Finalmente você chegou! – Disse ele, olhando fixamente para mim, e abrindo um largo sorriso. – Eu estava contando os segundos.
- Acabei me atrasando um pouco por culpa da comemoração, foi praticamente impossível sair de lá sem que percebessem. – Falei sorrindo.
- Imagino... - Disse ele pensativo.
- Mas... Agora estou aqui, como tínhamos combinado. – Falei sem olhar em seus olhos, era tão difícil o encarar diretamente, era quase inevitável não tremer na companhia de David.
- Verdade... – Disse ele nervoso, fitando os próprios pés. – A propósito, eu queria parabeniza-la, o jogo foi ótimo! – Continuou David, levantando a cabeça, e conseguindo olhar em meus olhos por uma fração de segundos.
- Obrigada, mais uma vez. – Agradeci rindo.
- Eu já tinha a parabenizado? – Perguntou ele um pouco sem jeito.
- Sim. – Respondi, ao dizer isso David deu dois passos em minha direção, agora, estávamos muito perto um do outro, era possível sentir o calor do seu corpo, o barulho de sua respiração, o aroma de seu perfume, e até mesmo até mesmo a intensidade do nervosismo dele, as mãos trêmulas.
Ele colocou seus braços em volta de minha cintura, e, automaticamente eu coloquei minhas mãos sobre os ombros dele, agora estávamos abraçados, eu respirava com dificuldade. Minhas pernas ficaram bambas, minhas mãos frias, e meu estômago estava cheio de borboletas. Então, com o rosto muito perto do meu, ele perguntou baixinho:
- Posso dar o seu presente agora? – Eu movimentei minha cabeça positivamente, sorri e fixei meus olhos nos dele. Quando os lábios de David tocaram nos meus e o tão esperado beijo aconteceu, eu não estava mais com receio, e a minha insegurança havia desaparecido, eu estava ali, inteira para ele, e ele pertencia por completo a mim.

Naquele instante eu entendia o porquê de Victória se aventurar, arriscar até mesmo a minha reputação, para encontrar Malfoy. Exatamente como ela, não havia nada que eu não fizesse para estar ali, nos braços de David.
O beijo durou alguns minutos, que foram intensos e longos, era quase como estar nas nuvens. Foi mais especial e emocionante do que ganhar uma partida de Quadribol. Quando nossos lábios tornaram-se distantes, eu e David olhamos fixamente um para o outro, ofegantes, percebi que não existia mais vergonha e medo em nossos sentimentos, não havia dúvida de que estávamos apaixonados um pelo outro. David abriu sua boca para falar algo, mas um som estranho, vindo de algum lugar na escuridão fez com que ele permanecesse mudo.
- O que vocês estão fazendo no escuro? – Victória a rainha da inconveniência era a dona daquela voz. – Angel, porque você está na companhia dele? Bem, acredito que não preciso nem de uma resposta sua, ou dele, pois por experiência própria cheguei a uma conclusão, duas pessoas, escuro, momento legal, clima... - A essa altura minhas bochechas já estavam mais do que rosadas.
- Vic! – Lancei a ela o pior dos meus olhares, daqueles que eram capazes de fazer sair faíscas. Tinha a intenção de fazer com que ela parasse de falar, mas infelizmente Victória ignorou.
- Vocês estão namorando? – Perguntou ela ironicamente, voltando-se a David. – Ou ficando? – Ela cruzou os braços, escorou-se na parede úmida de pedras e nos encarou. - Smith você não é um menino de relacionamento sério, certo? - Vic provocou.
- Tuaska, porque você sempre chega nas piores horas, e faz as piores perguntas? – Perguntou David nitidamente irritado com as palavras de Victória.
- Piores momentos? – Perguntou ela com cara de deboche. – Só se for para você querido, pois eu sempre chego no momento correto!
- Momento correto de quê? – Perguntou David com um olhar ameaçador. – De atrapalhar os outros? – Disse ele irônicamente. - Porque é só isso que você faz, só nos atrapalha, é um estorvo!
- Eu o atrapalho no instante em que você está dando o bote, é disso você não gosta. - Ela continuou. - O estorvo aqui, não permite que você brinque com os sentimentos dela. – Disse Vic alterada, com o rosto pegando fogo. – Como você fez com todas as outras meninas! - Mas o que ela estava querendo dizer?
- VOCÊ ESTÁ FICANDO MALUCA SUA RUSSINHA NOJENTA? – David estava praticamente gritando. Eu me preparei para o pior. Eu melhor do que ninguém, sabia que para minha melhor amiga, essa frase era uma ofensa muito pior do que chamar um nascido trouxa ou de "sangue-ruim". Sem hesitar, Victória partiu para cima de David com incrível agilidade, com a varinha empunho. Já ele se esquivava e tentava evita-la.
- Acalmem-se, por favor, acalmem-se! – Interferi tentando mantê-los afastados. – David, você não devia ter dito isso! – Eu o repreendi, e empurrei Victória pra longe ele, me mantendo entre os dois. – Largue essa varinha Vic, por favor, vamos ser civilizados! – Eu tentei acalma-la. Permaneci no meio das desavenças na qual David, o menino por quem eu estava perdidamente apaixonada, meu namorado, e, minha melhor amiga de todos os tempos, participavam como oponentes. Embora eu ainda não compreendesse nem metade das acusações feitas pelos dois, sabia que tudo aquilo era por minha causa. Ambos estavam precipitados, um quanto ao outro. Eu encontrava-me neutra, não sairia em defesa de nenhum. Estava tentando afastar duas pessoas que eu amava, tentando impedir que se ferissem. Para minha infelicidade eles eram totalmente diferentes e o mais lamentável de tudo era que não respeitavam um ao outro. David e Victória juntos eram como dois polos magnéticos iguais, não se atraíam, quanto mais distantes ficassem era melhor.
- Me solta Angel, solta minha blusa! – Gritava Vic mexendo-se freneticamente. – Me solte, ou serei obrigada a usar a varinha! – Insistia ela se debatendo. Francamente, não sei de onde tirei tanta força, naquele momento havia prendido a melhor batedora de Hogwarts, e com certeza, uma das meninas mais fortes, e de alguma forma "grossas" da escola. David estava escorado na parede de pedras do castelo, segurando uma das minhas mãos com um sorriso no rosto, e incitava Victória, como que a chamasse para uma briga. Toda vez que ela forçava a barreira que eu havia feito com o meu corpo, e não conseguia passar, David mostrava uma expressão de desdém à Vic, enquanto ela o ameaçava de morte, e certamente o mataria se os dois não se acalmassem.
- Parem, por favor! – Eu voltei a insistir.
- Manda esse idiota parar primeiro! – Falou ela diminuindo a força contra mim. – Diga para o Smith parar de provocar, se ele parar eu não farei mais nada. – Eu olhei para David levantei as sobrancelhas e sacudi a cabeça, ele fez o mesmo. Fitei Victória, esta, soltou meu braço, e este soltou a blusa dela, a jovem corvinal colocou a sua varinha novamente em sua meia.
- Pronto? – Perguntei séria e de forma seca. – Vocês irão parar de briguinhas? – David respondeu um "sim" praticamente inaudível, e piscou para mim, já Victória, abaixou a cabeça, e virou de costas e começou a se mover com pequenos passos na direção contrária.
- O quê vocês estão fazendo aqui a essa hora da noite? – Perguntou um indivíduo de voz masculina, que se aproximava cada vez mais e saia da escuridão. Quando sua face se tornou visível, foi possível constatar que este, com pele pálida, nariz de gancho, e cabelos negros, compridos um pouco acima dos ombros e oleosos era o professor Snape.
Estávamos perdidos!
- Nada. – respondeu David amedrontado.
- É proibido andar pelos corredores á essa hora. - Ele nos encarou de forma arrogante, demorando mais seu olhar sobre David, que se encolheu. – A vitória de sua casa no jogo de hoje, não lhe dá o direito de sair pelos corredores para festejar. – Snape fixou seu olhar em mim.
- Senhor, não estou comemorando, nem mesmo pertenço a Corvinal. – Disse David querendo se defender.
- Mas como são medrosos esses grifinórios! – disse Victória de forma sarcástica. – Querendo se defender hein Smith? Onde está sua coragem? - Vic aproveitou o momento para alfineta-lo. - Acho que você não deveria ter entrado para a Grifinória, muito menos em Hogwarts!
- Sua mãe não lhe deu educação senhorita Tuaska? – Perguntou Severo Snape de forma seca. – Agora, respondam-me, o que vocês estão fazendo aqui?
- Namorar é que não é professor, pois se fosse isso, nem estaríamos conversando, e outra coisa, eu nem estaria aqui! - Minha vontade foi de matar Vic ali mesmo. Ela havia perdido a cabeça? Estávamos falando com Snape. Não era minha mãe ou Professor Flitwick, era o Snape.
- Menos cinquenta pontos para a Corvinal, pelo atrevimento, Senhorita Tuaska! - E lá se iam 50 pontos.
– Agora explique-me senhorita McGonagall, o que as senhoritas e o senhor estão fazendo nos corredores do castelo a essa hora? - Snape se voltou a mim, eu congelei. - Então? - Ele voltou a indagar.
- N-Nada.- Gaguejei, e amaldiçoei os céus por tê-lo feito. - Na verdade, eu estava me sentindo sufocada. - Lancei um rápido olhar a Vic, começou a balançar a cabeça de forma afirmativa. - Uma coisa estranha sabe? - Tentei soar convincente. - Como o senhor sabe, nós vencemos o jogo, está acontecendo uma comemoração em nossa sala comunal, consequentemente está abafando. - Continuei. - Tive um ligeiro mal-estar. Tuaska decidiu me levar á enfermaria e foi neste momento que o senhor Smith nos parou com essa mesma pergunta, "o que estávamos fazendo nos corredores...". - Snape nada disse apenas me encarou, como se estivesse prestes a invadir minha mente o que me fez fixar meus próprios pés.
- Mas veja bem, tudo o que ela precisava era de ar puro... então nós já vamos. - Vic acrescentou de forma apressada.
- Não tão rápido. - Disse Snape de forma lenta. Eu evitei encara-lo, mas tinha quase certeza de que ele me analisava. - Não estou certo de que seja isso o que acontece por aqui...
– Vai nos punir por tentar ir á enfermaria? - Vic se manifestou com certa indignação. - Se quer culpar alguém, culpe o Smith! - David me encarou assustado.
- Mas eu não... - David tentou se justificar, mas foi interrompido por passos que se aproximavam. Quem quer que fosse, estava tão perdido quanto nós. Logo o cabelo loiro quase branco e o rosto magro e pálido tornaram-se visíveis, revelando Draco Malfoy.
- Mas que droga! Parece que todo mundo resolveu passar por aqui essa noite! - Vic revirou os olhos, eu sabia bem porque ela estava tão irritada. Ainda não havia se reconciliado com Draco.
- Tuaska! - Disse Snape em tom de ameaça. - Acredito que o senhor Malfoy tenha um ótimo motivo para estar fora da cama. - Snape lançou um rapido olhar a Malfoy.
- M-Monitor. - Gaguejou Draco, ele mantinha seus olhos fixos em Victória.
- E quanto a vocês, não pensem que me convenceram! - Snape dirigiu-se a nós novamente, mas agora olhava de forma mais direta para David.
- Sente-se melhor McGonagall? - Draco interrompeu antes que Snape dissesse algo mais. Pisquei um pouco surpresa, ele sabia que estávamos mentindo, o que fez com que eu me perguntasse á quanto tempo ele estava ali.
- O quê disse? - Snape voltou-se a Draco.
- McGonagall e Tuaska passaram por mim em outro corredor, estava indo a enfermaria pois McGonagall não estava sentindo-se muito bem. - Draco estava sustentando nossa mentira. - Eu mesmo aconselhei-as que pegassem um atalho por esse corredor onde eu presumi que não houvesse monitores, mas vejo que estava errado. - Ele encarou David. - Como se sente? - Draco voltou-se a mim.
- Melhor. - Respondi rapidamente.
- Há algum problema professor? - Havia um tom de desrespeito na voz de Draco, mas como já era de se esperar, Snape estava disposto a deixar passar.
- O horário para ronda dos monitores acabou. - Disse Snape rispidamente. - Vocês, voltem para seus dormitórios. - Disse Snape de forma grosseira. - E não mudem de direção. Acreditem, vou saber se fizerem isso e quanto a você, vamos! – Fomos, na direção oposta a que Snape seguia, acompanhando por Draco.

Decidimos não perder tempo, Snape ainda podia mudar de ideia.
Draco acaba de nos livrar de detenções. Agora eu devia algo a ele, e eu não gostava de dever algo a quem quer que fosse.


N/A's

E ai gente linda e diva?
Demorou, mas chegou! Esperamos que gostem...
Em breve novo capítulo ;)
PS: Não deixem de expressar suas opiniões!