N/A: Teve um atraso de quase 20 dias do costumeiro, mas tentei compensar ao fazer um capítulo um pouco maior que os outros. Espero que gostem. Não vou me alongar muito porque vocês querem ler logo.
Algumas pessoas me perguntaram sobre a história via e-mail , twitter ou inbox , façam isso mesmo! Não se acanhem!
Sintam-se à vontade de me perguntar sobre a fic aqui : ( )/www). /(Liznegrao) – tirem os parênteses. ( Nem precisa se identificar)
liznegrao ( twitter)
E também no group do facebook que está no meu perfil.
Obrigada sempre!
Reviews:
Dani Masen: Que bom você por aqui, desconhecida! Acho que nunca vou ser perdoada pelo Cliff. Acho que foi por isso que fiz esse capítulo assim, você sabe como. bjos
Ivis Cristiane: Pois é, acho que todo mundo pensou isso. Risos. Enganei todas. Risos. Espero que goste deste e compense a demora. Beijos
Priscila Siqueira: Priscila e seus CAPS LOCK. Eu corro pra montanha legal! Espero que goste dessa minha tentativa de compensar a demora. Obrigada pela força, pelas perguntas no forms. Aliás, a primeira pergunta que você fez será respondida agora. Bjoks
Priscila Louredo: Quem era na luz? Hum... isso é uma pergunta que vai ser respondida conforme a história. Qual é a do James? Eu te pergunto... O que você acha? Adorei te ver por aqui e quero vê-la todas os capítulos. Pode deixar que já vou lavar roupa no rio desde já.. bjoks.
Mylla Lino: Você falou tudo, Mylla. É verdade, às vezes é muito mais complicado que magoar, existem muitas coisas em jogo. É fácil julgar os outros, difícil é sentir na pele. Eles estão juntos, mas não pense que tudo serão flores. Obrigada por .
Cris: Só rindo com você. Acalme-se, você vai gostar deste! Amiga, obrigada por dar essa força, e em outras coisas da minha vida também, que você sabe o que é. Julieta está me ajudando demais. Quero terminar ele ainda, ainda não consegui! Amei o livro demais, era tudo que eu precisava. bjoks
Gabrielle Matos: Oin fofa! Eu corro mesmo. E corro muitoo! Carlisle é arrogante! Não há muito como penetrar na personalidade dele sem o julgamento do Edward, por ser pov dele, mas ainda sim Carlisle é mais complexo do que é exposto pelo Edward. Ele tem a impressão dele de filho, né? Acho que esse cap vai dar mais raiva. Adoro quando você diz que " sempre amará ler Liz Negrão" fico lisonjeada! Obrigada, flor! bjoks
Isabella Swan: Querida, como sempre adorei sua frase! Obrigada sempre! bjoks
Dani Flores: Obrigada, amore! Seja bem-vinda! Comente sempre, pergunte sempre e venha sempre! Obrigada pelos elogios. Sinta-se à vontade! Bjoks
Bia Studart: Ainn eu tenho quase um "orgasmo" literário quando vejo o seu review! Pois é ,Bia... Cadê as pastas de 1835? Risos. Eu soltei uma dica leve para a resposta dessa pergunta, mas acho que nem minha beta percebeu. E você também mencionou a dica. *lixa a unha* Será que o Charlie vai entender? Obrigada, flor! Bjoks
Julieide: Muitos mistérios para os seus neurônios, Dona Ju? Nope! Mas olha, a intenção da autora é confundir. Risos. Obrigada, flor! Bjoks
Rafaela Quitete: Oin amiga, isso não foi o Edward. Mas quem foi vai ser explicado mais para frente. Obrigada por você vir aqui comentar! Acho que esse capítulo vai compensar o corte do passado. Bjoks
Helenística: Ae foi a 101! Que bom que você ficou satisfeita e feliz, minha flor! Eu adoro quando você gosta, pq anseio sempre sua opinião. Adorei você dizendo que a história te prende e te envolve! Obrigada, amiga! Bjoks!
Karina: Minha linda, vamos lá ... 1835 é onde o mistério está, você acertou em cheio. Sério! Você é demais! Sobre a luz, não é exatamente isso, mas está perto. Sim, em 1835 Yan e Elizabeth morreram. Alguns flashes já mostraram isso, ou deram a entender. A luz a protegeu, mas não é isso que você disse. Obrigada, flor. Bjoks!
Tatiana Oliveira: Se eu vou mostrar eles juntos neste? Leia para você ver! Kkkk Acho que neste você não vai me , amore!
Daiane Rossi: Querida, adorei te ver por aqui. E também a nossa aproximação ! Obrigada pelos elogios e desculpe mais uma vez pelas lágrimas que fiz você derramar. Você é Leitora de Nikelen Witter e seja, você tem boas leituras. Considero ela como alguém que me inspira sempre, e você aqui já é um elogio sem palavras. É muito importante para o autor ter alguém que converse sobre as personagens e tal, obrigada pelas perguntas. Você me fez entender mais algumas questões! Obrigada, flor! Espero que goste do capítulo!
Obrigada a todas que comentaram, isso sempre faz o meu dia. A partir deste capítulo responderei TAMBÉM pela a MP aqui do site . Ou seja, quem tem perfil aqui, verifique se tem habilitado o MP. Para os que não têm conta no , responderei aqui mesmo!
Obrigada,
Capítulo 9 - Amantes
Réus confessos
Amor proibido, liberado a noite,
quando tudo em volta é você e eu.
Nossas atitudes derrubam paredes,
que impedem o contato entre a nobreza e o plebeu.
Durante o dia os olhos são grades,
são testemunhas de acusação.
Somos réus confessos de um tribunal ignorante,
que desconhecem os direitos do amor,
deixando de lado os motivos do coração.
Prendam meu corpo mas não me impeçam de pensar,
sendo assim não haverá prisão,
pois ainda que tranquem as celas,
aumentem os muros,
nunca poderão obstruir o acesso que existe entre o seu e o meu coração!
Mauro Mesquita
Minhas mãos espalmavam suas costas nuas com urgência. Eu queria que ele me tomasse, mas nunca seria suficiente. Edward beijava minha pele.
- Você é linda - ele suspendeu a barra da minha blusa.
Sua mão rapidamente encontrou o caminho até meu seio. Ele o acariciou, arrepiando-me. Então, levantei os braços para que suas mãos me ajudassem a se desfazer do tecido que nos separava. Era bom, ao mesmo tempo uma loucura. Por mais que me sentisse bem com ele assim, era estranho ser precipitada mesmo que meu corpo e minha mente dissessem o contrário.
Eu não sou este tipo de garota que sai com qualquer um, pulando na cama do primeiro homem que vê na frente. O desastre que eu chamo de minha vida sexual ativa faz com que eu tenha na minha lista quase inabitada apenas um cara da minha antiga faculdade, que mal eu lembrava o nome pelo estado deplorável de embriaguez.
Mas Edward era diferente.
Acariciei seu rosto. Ele tinha as bochechas vermelhas devido ao calor que crescia entre os nossos corpos. Uma nova descoberta sobre ele, uma forma particular de mostrar excitação.
- Você está corado - falei com a boca entre os lábios dele. Minha voz era fraca, e esta era a minha forma particular de mostrar excitação. Eu sentia meus poros arrepiados com o contato da pele dele; Sentia a parte mais quente de seu corpo despertando para o meu. Eu não queria parar nunca mais.
- Você quer parar? - ele perguntou com os olhos semi cerrados.
- Você quer? - devolvi a pergunta.
- Não. Mas se quiser... - ele afastou o rosto do meu como se quisesse ser cavalheiro numa hora tão inoportuna.
- Não quero. - agarrei novamente sua nuca - Você tem preservativo?
Os pêlos de seu pescoço também estavam eriçados. Nossas línguas dançavam em um ritmo que somente elas sabiam o compasso. Ainda era loucura, mas não existia no mundo loucura mais certa que aquela. Com o meu sinal verde, Edward não se fez de rogado ao avançar com sua mão quente sobre minha coxa direita. Eu sei, eu não era muito experiente, mas sabia reconhecer aquelas sensações únicas que só o toque de um amante pode fazer.
Eu gemi. Edward tinha um sorriso sacana no rosto.
Sua boca explorava meu corpo como se ele já soubesse o caminho há muito tempo. Talvez soubesse. Ou então, talvez ele tivesse nascido para isso. Não demorou muito minhas mãos agarraram seus cabelos. Ele tinha atingido o meu céu após fazer minha calcinha desaparecer.
Gemi alto dessa vez, presa em sensações jamais sentidas. Atingi o paraíso pouco tempo depois.
De repente sem eu me dar conta, nossos corpos estavam unidos. Nossas roupas estavam provavelmente no chão e somente o lençol quente embaixo dos nossos corpos acompanhava a temperatura alta que emanava do atrito feito por nós.
- Você é tudo que eu preciso - ele disse.
Eu sorri, mergulhada nos olhos verdes intensos focados em mim. Logo, a velha sensação de dèjá vu tomou minha mente como se eu já tivesse vivido aquilo. A única diferença era que, dessa vez, eu não tinha medo. Era como se fosse um caminho muito conhecido, uma estrada que já estive antes. Uma estrada para qual eu sempre continuava voltando.
Era Edward.
- Eu também preciso de você - murmurei sincera.
Adormeci em seus braços naquela noite. Não tive pesadelos, não sonhei nem com floresta, nem lagos. Eu me sentia bem como há muito tempo não sentia.
Era estranho dizer, mas de alguma forma, eu estava em casa.
…
POV Edward
Ela estava em meus braços. A claridade do pouco sol de Oxford entrava tímida pela janela. Era uma manhã gelada, como sempre, mas diferente porque ela estava comigo. Bella se mexeu em meu peito se aninhando mais ao meu corpo.
Sorri.
As minhas costas doíam, porém eu pouco me importava. Olhei para o chão do quarto com nossas roupas espalhadas assim como as embalagens usadas de preservativo. Parecia mentira, e era um tanto estranho nós estarmos ali juntos. Ao mesmo tempo que foi impulsivo, foi certo, apesar de todas as circunstâncias pregarem o contrário.
Eu continuava tentando ignorar os meus fantasmas. Continuava e estava conseguindo ignorar o fato de Bella ser quem era. Para mim neste momento, ela era somente Bella; uma menina doce, inteligente por quem hoje eu posso dizer que estou apaixonado. Aqui, comigo, ela não era filha de Charlie; Não havia acidente. Não havia culpados. Não havia a minha culpa. Só havia ela. Minha Bella.
Ela se mexeu novamente. Toquei suas costas nuas num suave carinho. Seus olhos se abriram devagar, um sorriso surgiu em seus lábios.
- Bom dia... - sussurrei.
Ela corou. Acho que Bella era o tipo de mulher que se envergonhava no dia seguinte. Quando beijei seus cabelos o corpo dela relaxou um pouco, mas as bochechas ainda estavam levemente coradas.
- Bom dia - ela tinha a voz fraca.
Seus olhos fecharam de forma delicada. O nariz inspirou levemente em minha pele. O corar foi embora num piscar de olhos quando se aninhou ainda mais em meu corpo. Ela havia adormecido novamente, em questão de segundos. Mais uma descoberta sobre Bella.
Minha Bella era preguiçosa.
Levantei-me calmo sem atrapalhar muito seu sono. Sem jeito, tropecei nas coisas que estavam no chão a caminho do banheiro. Eu juro que eu tentava ser mais galante nestas horas, mas a minha famosa natureza de anti-herói aparecia nos momentos mais inoportunos.
Muitos minutos depois eu estava na cozinha, já devidamente vestido para o frio, com o café de Bella na caneca e pãezinhos servidos numa bandeja. Eu só esperava duas coisas; que ela não reparasse o meu mau jeito com esse tipo de coisa e não ligasse para a falta de refinamento na bandeja e na caneca de homem solteiro.
- Isso é para mim? - ela perguntou sentando-se na cama puxando a colcha contra seu corpo ainda desnudo.
- E para quem eu faria café? Eu só bebo chá. - brinquei com a sua implicância com o hábito dos ingleses.
- Você é um Príncipe - ela disse aceitando as bandejas com os pãezinhos - Obrigada.
- Tudo pela minha convidada de honra - me sentei ao seu lado, já com minha caneca também cheia.
Ao mesmo tempo em que era natural, era estranho estarmos juntos assim; tão desconhecidos e íntimos.
- De honra? - ela deu um tapinha leve no meu ombro - Então quer dizer que existem outras convidadas e eu sou a de honra? Você é muito cara-de-pau. - ela disse sacana e por um segundo acreditei no bico emburrado que ela fazia.
- Você é única. - inclinei-me sobre o seu corpo quase fazendo-a derrubar a caneca de café
- É também desastrado.
Ri com sua observação. Sem hesitar dei-lhe um beijo. Ela correspondeu com fervor, seu corpo ainda um pouco longe por causa do café-da-manhã em seu colo, porém isso não impediu que ela me beijasse com vontade e despertasse o que até agora estava calmo e sereno. Dois minutos depois a bandeja e o café estavam esquecidos no chão. Se fosse outra circunstância eu até poderia ficar sentido por ela ter ignorado meus dotes culinários, mas este não era o caso. Eu só tive tempo de também ignorar o meu chá já frio no chão, e ao mesmo tempo em que a beijava com tamanha intensidade, estiquei o braço esquerdo para alcançar na gaveta um utensílio fundamental para o que queríamos fazer agora.
POV Bella
A luz já entrava mais forte pela janela do quarto. Meu corpo ainda nu descansava no peito de Edward como se fosse seu lugar perfeito. E era. Não trocávamos palavras, não era tão necessário no momento. Eu brincava com os poucos pelos do seu peito com uma intimidade que eu duvidava poder ter com alguém.
- Anjo... - ele sussurrou no meu ouvido.
Tudo era muito louco e íntimo demais, mas longe de ser desconfortável.
- Edward – sussurrei no mesmo tom. Leve e baixo.
Ele estava quente, ao contrário do ar gelado do quarto que eu respirava. O inverno viria em breve; rigoroso. Aninhei-me ainda mais contra seu peito na esperança que o frio passasse, mas minhas extremidades geladas contrariavam minha vontade. Edward tinha seu nariz passeando em meu pescoço, sua respiração pesada deixava rastros culminando nos arrepios que aqueciam minha espinha. Lembrei então de todas as sensações que ele me causava, todas as sensações proibidas que como tal eram mais intensas e vívidas. Olhei em seus olhos e o beijei. Edward era proibido, havia milhões de razões para isso, mas eu ignorava todas, eu precisava e queria ignorá-las.
- Edward , não faz isso.
- Isso o que? – ele mordia meu lóbulo. Cravei minhas unhas em sua pele.
- Ai! – ele exclamou, seu sorriso de lado aquecendo minha alma – Você é violenta – continuou.
- Não sou nada - também ri.
Ele me beijou mais uma vez. Era um beijo carinhoso.
- Eu sou do tipo que ligo no dia seguinte... - ele avisou, deslizando sua mão pelo meu pescoço.
Eu não estava acostumada com essas demonstrações românticas de carinho, mas não podia negar o gosto que eu tinha por elas naquele momento. Talvez a Bella cética estava dando espaço para a Bella romântica aparecer. Quem dissesse que um dia eu fosse para cama com um cara que mal conheço sem um pingo de álcool, poderia ser chamado de louco ou no mínimo retardado.
Crescendo numa família de pais separados, acusei tanto o amor que o tiro saiu pela culatra com alguns adicionais problemáticos.
- Nós somos Romeu e Julieta às avessas... – ele disse rindo, alisando minha cintura com seus dedos grossos.
- Completamente às avessas. – também zombei da nossa circunstância – Você não me pediu em casamento antes.
- Mas você não pode reclamar que eu não fui a sua janela.
- Eu jamais faria isso. Você tem todo o crédito de Romeo. Ainda mais depois do café da manhã na cama.
- Você é mais durona que a Julieta, Jane Eyre.
- Por quê? – perguntei divertida.
- Você nem me deixou tomar o meu chá – ele continuou rindo e me deu um estalinho.
- Isso é um defeito ou uma qualidade? – perguntei fingindo estar furiosa.
- A melhor das qualidades – ele respondeu voltando a me beijar.
Edward era carinhoso, às vezes até demais, o que me assustava. Eu não conseguia pensar direito quando estava com ele. Eu não conseguia ser eu mesma, o meu lado racional se reduzia ao mínimo, ao passo que outro eu aparecia me surpreendendo com reações e naturalidade. Eu tinha todas as razões do mundo para não desfrutar do que eu desfrutava agora, mas não queria pensar nisso.
Naquele momento não eram só as razões que eu ignorava, eu ignorava simplesmente tudo; inclusive o meu celular que vibrava sem cessar dentro da minha bolsa.
- Droga! - praguejei levantando da cama.
- Bella? - ele perguntou assustado.
Eu rodava o quarto como um peru tonto. Era embaraçoso. Corei no segundo seguinte quando lembrei que eu estava nua desfilando em sua frente. Era um tanto ridículo eu estar com vergonha agora, mas mesmo assim senti queimar minhas bochechas. Edward parecia gostar, seu sorriso denunciava certo entretenimento. Depois da quinta volta, finalmente achei a minha bolsa.
Merda. Agora eu praguejava mentalmente. Era Charlie. Junto com o desespero da sua ligação percebi a hora no celular. Eram sete e quarenta e cinco da manhã. Para completar, eu estava atrasada.
Minta. Minta. Saiba mentir. Você consegue, Bella.
- Bom dia, pai - disse tentando esconder o nervosismo.
Olhei para baixo do meu corpo, eu ainda estava nua. Certo, agora eu não estava mais vermelha de vergonha, eu estava roxa. Foi quase instintivo me cobrir com a minha bolsa. Não era só por Edward, mas também por Charlie. Uma infantilidade aguda me atingiu de repente deixando a impressão que Charlie me veria através do telefone. Não vacile, Bella. Não fraqueje.Minha mente brigava comigo quando imagens do meu pai furioso surgiram em minha mente. Ele tinha o rifle nas mãos, mero detalhe.
- Bella, está tudo bem? - ele perguntou. Charlie estava calmo, ou pelo menos fingia estar.
Óbvio. Ele não sabe o que você fez na noite passada, nem nesta manhã. A minha mente gritou me passando o sermão.
- Está tudo perfeito, pai – minha voz vacilou – Já vou para casa.
- Tudo bem, vou ao supermercado com a sua avó – ele disse, ele parecia chateado. Eu estava perdida – O almoço vai estar na geladeira mais tarde para você. Vou até a delegacia hoje e a sua avó também vai sair.
- Tudo bem, pai. Obrigada.
Eu tremia. Agora eu conhecia a sensação que era mentir para os pais nessas situações. Era engraçado e ao mesmo tempo assustador.
- Até mais, Bells.
Ele desligou. Minha mente trabalhava rápido nos motivos que fariam o meu pai estar chateado. Logo me lembrei do episodio do depoimento sobre Alice no dia anterior, talvez fosse isso. Ou então talvez fosse a mensagem que Edward mandou para ele do meu celular. Estaria ele preocupado por eu ter mandado apenas uma mensagem? Estaria ele incomodado porque eu era amiga de uma Cullen? Se a última pergunta for a certa espero que ele nunca desconfie sobre o que realmente aconteceu. Afinal como eu diria ao meu pai que estou apaixonada pelo filho de Carlisle, o mesmo cara que acabou com a vida profissional dele? E além disso, como eu diria que eu quase fui assaltada, e depois salva por Edward, indo para cama com ele?
- Você está bem? – Edward perguntou. Levantou da cama estendendo a minha roupa e vestindo sua calça.
Só então percebi que eu estava parada com o celular ainda na mão. Não que eu estivesse me sentindo culpada ou qualquer coisa do gênero por estar ali com Edward e consequentemente enganar o meu pai, porém era inevitável esse incomodo repentino. Afinal, ele era o meu pai e eu não gostava de mentir para ele não importasse o motivo.
Acho que o efeito da impulsividade que acometeu minha mente na noite passada estava começando a perder a eficácia. Será mesmo?
Não era. Era só medo. Era natural eu sentir isso.
- Estou, Edward – comecei a vestir minhas roupas também – estou bem.
- Tem certeza? – ele perguntou me abraçando.
Como se fosse a coisa mais natural do mundo, eu o abracei também. Edward era um misto de proibição e conforto, como se fosse normal os dois andarem juntos; como se fosse natural sentir ódio e amor pela mesma pessoa.
- Eu te levo em casa – ele continuou, beijando minha testa num jeito carinhoso.
- Não precisa, Edward. Eu não quero que a gente corra mais riscos.
- Eu sei que precisamos tomar cuidado, mas eu não quero deixar de te ver por causa disso.
- Você não vai deixar de me ver por causa disso – assegurei, acariciando seu pescoço. Sorri só para dar ênfase de que o que eu estava falando era verdade.
E era. Nem que eu quisesse fugir eu conseguiria ficar longe dele.
- Eu não quero que a gente se separe mais – ele disse.
- Eu também não quero – beijei-o espantando qualquer dúvida que ele tivesse em relação a minha certeza. Eu também não queria me separar dele e nem ia.
Eu tinha certeza que nós teríamos que enfrentar muita coisa ainda. Mas essa era a nossa escolha. E este era apenas o começo.
...
Quando cheguei em casa nem Charlie nem minha avó estavam. Agradeci aos céus por isso. Fui ao meu quarto de pronto para tomar um banho mesmo que contrariada pelo desejo de ter o cheiro de Edward por meu corpo pelo resto do dia. A minha vontade era de ficar em casa para reviver cada ponto de lembrança da noite anterior, mas a vida cotidiana é cruel e muito diferente dos filmes e livros, onde suas personagens retomam aquele minuto inesquecível vivido nas cenas ou páginas anteriores.
No momento que cheguei ao campus o sorriso arreganhado ainda estampava meu rosto, como se tivesse escrito em minha testa que eu estava apaixonada. Mas não era verdade? Então o mundo que se explodisse. Ri comigo mesma.
Era engraçado como o pavor causado ontem por aqueles caras esquisitos não significava mais nada perante o conforto que eu sentia agora. Aliás, eu poderia até arriscar a dizer que o mesmo vale para os meus pesadelos. Eu não me lembrava de tê-los tido essa noite.
Edward tinha aula de direito no primeiro tempo, mas tínhamos combinado de nos ver assim que tivéssemos um intervalo em comum. Acho que ele concordava comigo que esperar a aula de Shakespeare para nos vermos ainda hoje, era muito tempo. Bom, como nada vem de bandeja assim, não teríamos intervalos em comum e eu teria que ir até a biblioteca antes da minha aula de teoria; e aqui eu estava olhando para a cara da Cris colocando mais pilhas de arquivos em minha mesa a cada vinte minutos. Jacob não tinha aparecido ainda.
Como eu te disse, eu sou do tipo que liga no dia seguinte. Eu só não faço isso porque você deve estar ocupada.
Estou com saudades.
E.
Essa foi a mensagem que eu li quando o meu celular acendeu a luz. Claro, eu sorri como uma retardada para a tela. E naquele segundo, as pilhas que só cresciam na minha mesa não importavam mais. As mensagens tinham gosto diferente agora. Elas tinham um significado mais intenso que era difícil de definir.
Também estou com saudades. B.
Ele não mandou mais mensagens depois, o que me trouxe uma insegurança infantil sem propósito. Para não pensar mais besteiras, voltei ao trabalho. Era óbvio que toda hora eu espiava o celular em busca de mais uma mensagem dele, mas não havia nada. E a insegurança se instalou de novo.
Desculpe, anjo. Não vou poder ir à aula de Shakespeare hoje. Surgiu um imprevisto com o meu irmã te ligar mais tarde. Pensarei em você o tempo todo.
E você também pensará em mim. Não estou me gabando. Você vai saber por que da minha certeza.
E.
Franzi o cenho, curiosa pela mensagem. Eu não tinha entendido nada, a não ser o fato que ele faltaria a aula de William. Eu lamentava e minha saudade também, mas como eu já tinha dito, vida real não é livro. E eu não era a Julieta submissa que esperava o seu Romeo chegar como se sua vida dependesse disso.
Voltei rapidamente ao trabalho.
A aula de teoria foi diferente da anterior, graças a Deus. Eu não precisei aguentar aquelas meninas tagarelas a minha frente e nem encarar o professor roliço falando sobre florestas e seus significados. Afinal os nervos a flor da pele causados pela falta de notícias de Edward já bastava pelo dia todo, sem contar com a insegurança infantil que me visitava a cada cinco minutos me dizendo que a noite de ontem foi somente uma noite e mais nada. Edward estava sendo apenas gentil e ponto final.
Eu não era Julieta, mas era uma mulher comum como todas as outras.
POV Edward
Não bastasse Emmett me importunar para poder ajuda-lo com as últimas caixas no apartamento, agora ele me questionava sobre o que eu fazia com aquele objeto nas mãos.
- O que você vai fazer com isso aí nas mãos? – perguntou curioso.
Estávamos no campus. Não havia hora mais imprópria para Emmett me fazer aquele pedido, parecia que ele precisava pegar uma caixa, no somente meu apartamento, com certa urgência, alguma coisa relacionada à Rosalie. E eu como um bom irmão não pude negar seu pedido.
- Eu volto já – disse saindo correndo em direção à sala de aula.
Não demorei muito, foi preciso somente dois minutos para entrar na sala vazia e deixar o que eu queria no lugar certo. Pronto, acho que ela iria entender.
...
- Aquilo tem a ver com algum rabo de saia, não tem? – Emmett perguntou enquanto mexia nas caixas que ainda estavam na sala. Ele tinha uma taça de vinho nas mãos. Ele a analisava com cuidado. Nem sabia que tínhamos esse utensílio fino, se eu soubesse não teria servido o café de Bella numa caneca acabada.
Ele abriu a caixa com vários copos e canecas decentes. Droga.
- O que você quer saber? – perguntei não muito interessado no assunto. Nunca fui de me abrir para Emmett sobre esse tipo de coisa, menos ainda seria a chance diante da circunstância que Bella e eu vivíamos.
- Tudo, irmãozinho. Sei que tem um rabo de saia nessa história. E até arrisco quem é – ele disse dando um tapinha nas minhas costas – Já rolou beijo, amasso? Eu vi que ela é bem brava no dia da festa.
- O que você está dizendo?
- Da Bella, Isabella. Não é esse o nome dela? A americana. Está faturando, irmão. Ela é gostosinha.
- Ei, cara. Não fala assim – desisti de negar. Ele deve ter visto no dia da festa, e também antes quando peguei a chave do carro com ele para eu e Bella irmos para a campina.
- Ih, estou vendo que você já está de quatro.
- Não é bem assim.
- Como não é? Já vi que traçou a Tio Sam.
- Ela é importante. É diferente.
Emmett começou a rir e deu mais um tapinha do meu ombro.
- Só fiz para te irritar, irmãozinho. Ela é bonita. Eu aprovo – ele falou abrindo mais uma caixa – Estou sacando que ela é diferente. Não te vejo assim há anos. Acho que nunca te vi assim. Não era assim com Tanya.
- Tanya? – perguntei – Com Tanya nunca foi assim.
- Mas ela ainda é caída por você.
- Eu não quero nada com ela. Eu desgracei a vida dela.
- Ela não pensa isso – Emmett disse fechando a mesma caixa que tinha aberto minutos atrás – Você não desgraçou a vida de ninguém. Quero que você seja feliz. Você merece depois de tudo que aconteceu.
- Eu sei, mas ainda é difícil – falei tão baixo como se tivesse falando para mim mesmo – Eu não quero que minhas crises de culpa atrapalhem isso.
Não sabia Emmett que existia muito mais do que aquilo que eu reportava, era muito mais complexo que só minhas crises, era muito mais complexo que a minha culpa e a minha insegurança adquiridas depois do acidente.
- Não vai atrapalhar. Você só precisa entender de uma vez por todas que a culpa não foi sua. E também que você não está sozinho nessa, meu irmão.
Eu vi compaixão no olhar que Emmett lançou a mim. Ele nunca tinha me apoiado tão abertamente quanto agora. Ou talvez eu tivesse tão fechado que nunca prestei atenção aos seus cuidados de irmão.
Bella realmente estava me mudando.
...
POV Bella
Assistir a aula de William sem a perspectiva de ter Edward lá era muito ruim. Claro, tudo tinha mudado depois da noite de ontem. Mas a falta de notícias ainda me assombrava transformando algo pequeno em algo estrondoso. Eu estava sendo exagerada, eu sei. Isso surpreendia a mim mesma.
Entrei na sala sem muita animação, eu ia em direção a minha carteira cativa quando vi algo em cima. Era um livro, percebi isso à medida que me aproximava. Mas conforme eu chegava perto notava que não se tratava de somente um livro, era Jane Eyre, um livro antigo, a capa surrada, talvez muitas vezes lido.
Sorri me lembrando da última mensagem de Edward. Pensarei em você o tempo todo. Sorri ainda mais quando alisei a capa do livro. Eu não precisava de uma lembrança dele para pensar nele o tempo todo, mas recebi aquele livro como um carinho e também o cheiro que veio dele assim que o abri.
O cheiro de Edward.
Tinha uma rosa vermelha, sem espinhos, marcando a página de rosto. Lá estava uma data e o nome de Edward.
Setembro - 1998. Edward Cullen. E embaixo tinha uma nota, numa caneta de tinta recente.
Eu te dei um de bolso no seu aniversário. Agora que tudo mudou, te dou o meu livro de cabeceira para você sempre se lembrar de mim mesmo que eu não esteja presente.
Com carinho,
Edward.
Cheirei a rosa e sorri para o livro ainda com o cheiro da casa dele. Edward era um romântico incurável, eu diria até um pouco piegas se eu não estivesse apaixonada. E eu uma boba lutando contra mim mesma para não admitir que gostava dessa bajulação. Eu podia não ser Julieta, como já havia pregado, mas que eu tinha um quê de mulherzinha que assiste Jane Austen na BBC em um domingo chuvoso, isso eu tinha e não poderia nunca dizer o contrário.
Naquele mesmo minuto escrevi-lhe uma mensagem no celular.
Eu sempre vou me lembrar de você mesmo que você não esteja presente. B
...
Todas as minhas aulas já tinham terminado e mais uma vez eu estava na biblioteca cumprindo o meu horário e cobrindo Jacob que não tinha dado as caras hoje. Problemas pessoais, - ele alegou, - e pediu que eu ficasse até as oito. A pilha de documentos estava menor a cada hora e eu ansiava pelo o momento que eu pudesse sair dali para encontrar Edward. Tínhamos combinado via mensagem de nos encontrar após as oito da noite, horário combinado com Jacob da minha saída.
Meu pai ligou mais cedo para se certificar de que eu estava bem. Eu avisei que teria que ficar até mais tarde no campus já que Jacob não pôde vir trabalhar. Ele aceitou sem contestar, o que foi um alívio para a minha consciência que poderia adiar o que eu enfrentaria mais cedo ou mais tarde.
- Estou indo, Bella – Cris falou pegando a bolsa e acenando – Pode apagar as luzes hoje? Ainda tem dois estudantes nas salas privativas, eu acho. O senhor David virá fechar o relógio daqui a quarenta minutos.
- Tudo bem, já estou terminando também – falei teclando o último parágrafo da nota que eu reportava.
Meia hora depois eram oito horas em ponto. Fui até o corredor de obras clássicas para ver se tinha alguém ali, mas não havia ninguém. Passei em todos os corredores imensos, só havia o silêncio, no máximo um ruído ou dois de um folhear de alguém muito distante. Dava medo.
Respirei três vezes profundamente. Não deixaria o medo me levar dessa vez. Andei em passos largos até a minha saleta, ao olhar de novo a hora constatei que já havia passado dez minutos do meu horário estipulado. Será que os dois estudantes já tinham saído? Comecei a apagar as luzes, quando vi a luz acesa de uma das salas privativas. Olhei para o celular e não tinha nenhuma mensagem de Edward. Ele disse que viria me buscar, mas não disse onde, não falou horário certo, não disse nada. Ótimo.
Era melhor eu descer rápido então. Peguei minha bolsa e fui até a sala privativa que estava acesa. Torcendo que não fosse alguém problemático,eu abri a porta ainda receosa. Não queria passar pelo mesmo problema de ontem. Seria muita falta de sorte dar de cara com outro tarado em menos de vinte e quatro horas.
O que eu vi superou todas as minhas expectativas. Era Edward concentrado num livro, e ao escutar o barulho da porta e o meu tom educado de interrupção, vestiu um sorriso torto e travesso. Tudo me dizia que ele não estava ali inocente lendo ou estudando, ele estava ali para fazer traquinagem, ou zombar da minha cara da forma mais sexy e engraçada possível, e claro, sem qualquer esforço.
- Eu sairei sem problemas, senhorita – ele disse já rindo.
Levantou caminhando em minha direção.
- Você achava mesmo que eu correria o risco de deixá-la por aí sozinha nessa biblioteca deserta depois de ontem?
Eu fiz menção de retrucar, mas ele posicionou suas mãos nos lugares certos da minha cintura. Meu corpo levou choque com a quentura da sua mão na minha pele fria. Ele fazia desenhos em minha pele, ainda por cima da roupa, era inocente e carinhoso, mais ainda me deixava sem palavras.
- Você é louco de vir até aqui. Levei um susto! – briguei com ele com um sorriso na minha face que dizia exatamente o contrário.
Enlacei seu pescoço, cravando minha unha forte em sua pele e ele gemeu. Seu lábios roçaram nos meus, era engraçado. Eu sabia que a saudade era forte, mas beijá-lo assim estava fora do comum. Nossas línguas tomaram seu ritmo e nossas peles gritaram por mais contato.
- Amei o livro e amei a flor - falei sincera e totalmente derretida por ele.
Onde estava o piegas nisso? Quem era piegas agora?
- Não foi mais do que o meu dever, minha senhora - ele dizia numa voz diferente e num sotaque carregado de inglês antigo.
De repente o Edward galante do século dezenove deu lugar ao meu Edward, tradicional e romântico, porém intenso nos olhos e quente no corpo.
- Te adoro. - sua boca soprou na minha. Seu hálito quente me acalentava do frio. Beijei-o com toda minha paixão e minha alma conectados ao seu corpo.
Estávamos os dois, sozinhos, intensamente entregues. Se era amor mesmo o que eu sentia, ele tinha a virtude de me desnudar perante Edward. Desnudávamo-nos não só um em face do outro, mas cada um diante de si mesmo.
- Também te adoro. - respondi impregnada pela intensa paixão que arrepiava o meu corpo.
No segundo seguinte, nossas mãos passeavam pelos nossos corpos deixando as marcas da nossa vontade de um pelo outro. Eu não sei como isso aconteceu, mas Edward havia me levado até a mesa de estudo. As sensações da noite anterior tinham voltado. Seus lábios exploravam meu corpo como minhas mãos exploravam sua pele. Ardia. Queimava. Era pura dor. Uma dor que desaguava no prazer dos nossos poros.
O momento não durou muito. O barulho de passos do lado de fora nos despertou para o mundo real novamente. Era o Senhor David, o inglês grisalho que apagava o relógio da biblioteca.
Até então não tinha reparado que minhas roupas estavam amassadas. Eu poderia dizer o mesmo das de Edward.
- Rápido - eu disse a Edward me recompondo.
Ele ajeitou suas roupas rapidamente e rimos cúmplices. Saímos da sala como se nada tivesse acontecido e Sr. David pouco notou nossa presença. Ficamos de mãos dadas enquanto rumávamos para o corredor vazio do andar.
…
- Eu não deveria deixar você ser tão protetor assim... - disse a ele.
Estávamos na esquina da minha rua, namorando como um casal normal de namorados que se despede no final do dia, querendo sempre mais alguns minutos juntos. Eu não queria só mais alguns minutos, eu queria uma noite inteira.
- Você não tem direito de contestar, eu sou seu guarda-costas oficial. - ele retrucou me abraçando mais forte.
Minha mão repousava em seu peito e senti sua respiração e as batidas de seu coração ritmadas.
- É muito cruel termos que nos separar. - ele disse tocando minha boca com a ponta de seus dedos. - Se você ao menos aceitasse o meu convite de irmos para a minha casa de novo...
Bati em seu ombro de leve, sorrindo como se a alegria tivesse marcada em minha face como uma tatuagem.
- Se eu pudesse... - respondi. - Mas teria que ficar para sempre, já que meu pai me jogaria no relento. - continuei tentando fazer piada da nossa situação.
- Eu te abrigaria com o maior prazer. - ele roçou seus lábios nos meus novamente - garantia de café da manhã todos os dias.
- Na cama? - perguntei com um sorriso, já sabendo a resposta.
- Claro. - seu lábio desceu para a curva do meu pescoço.
Dei uma risadinha travessa e puxei seus cabelos para que seu rosto pudesse me encarar novamente.
- Já está tarde. - falei tentando ignorar os gritos do meu corpo pedindo pelo dele - Preciso ir. Charlie já está estranho, não posso arriscar você aqui.
- Vamos nos ver amanhã? - ele perguntou com seu sorriso de lado - Vou a Londres para começar no escritório do meu pai logo cedo, mas assim que eu for liberado virei para casa.
- Todos os dias, se você quiser - disse beijando seus lábios uma última vez antes que eu fosse levada pelo meu caráter inconsequente. - Me avise quando você chegar na cidade. E obrigada pelo presente e pela rosa mais uma vez. - continuei falando ao andar de costas em direção a minha casa.
- Eu te mando uma mensagem amanhã. Durma bem, anjo - ele disse sorrindo.
Sua figura desapareceu na escuridão da rua assim que rumei para a porta de casa. A última coisa que eu escutei foi o barulho do carro virando a esquina.
…
Nada me preparou para o que eu vi quando cheguei a casa. Charlie estava sentado no sofá como de costume, mas não encarava a televisão. Ele não estava assistindo seu costumeiro jogo de baseball depois do jantar.
- Boa noite, pai - falei, esperando que o mau pressentimento fosse somente impressão.
- Boa noite , Bells - ele disse, pelo menos seu tom era o normal - Como foi no trabalho? - ele perguntou.
Sentei no sofá o encarando. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, mas eu tinha medo de encarar nos olhos de Charlie agora. Era como se eu tivesse cometendo um pecado, do qual não me arrependia, mas ainda sim ele era o padre que tinha o poder da minha absolvição. Uma absolvição que nunca viria, porque eu nunca estaria pronta para confessar.
- Como foi na casa da Srta. Weber ? - ele perguntou se referindo à Angela.
- Tudo bem. Estudamos bastante - eu merecia ir para o inferno.
Por que eu tremia? Ordenei a mim mesma que parasse.
- Bella, sente aqui. - ele me pediu.
Eu fui até o sofá.
- Filha, eu vou te perguntar e quero que você me diga a verdade. - ele disse calmo.
Meu corpo borbulhava de nervoso, minha garganta fechava. Por pouco não ajoelhei e comecei a rezar para que toda aquela sensação fosse embora. E se ele havia descoberto sobre Edward e eu? E se nós não tomamos todos os cuidados? Respirei fundo para que a tremedeira fosse embora.
- Pode perguntar, pai - minha voz estava mais firme.
- Você é amiga de Alice Cullen? - Charlie perguntou ainda calmo, causando o frio na minha espinha que irradiava por todo o meu corpo. Minha mente mandava eu negar, mas meu ímpeto foi mais forte.
- Sou. - disse esperando uma explosão que não veio. Pensei seriamente que era melhor ter escutado a explosão.
- Você sabe quem são os Cullens? - ele perguntou. Queria eu poder responder sua pergunta sem mentir.
- Não - fingi.
- Eles são a razão de eu ter perdido o meu emprego. O acidente que te falei, o rapaz que morreu. O pai dele é Carlisle Cullen, foi ele quem me processou. Foi ele quem fudeu com a minha vida- ele disse abaixando a cabeça.
As palavras de Charlie entravam em mim como facas perfurando minha pele sem piedade. Meu cérebro queimava minha mente em culpa e medo. Sentia-me a pior das filhas diante do pai em dores, incapaz de estender-lhe a mão, e se o fizesse, era o mesmo que morrer de dor.
- Alice é uma dos irmãos. Tem mais dois, Edward... - ele disse e eu prendi minha respiração na hora estava dirigindo naquela noite, e Emmett. Sei que os dois também estudam aqui em Oxford.
- Pai … - eu disse com a esperança que ele olhasse para mim.
Eu queria aliviar sua dor. Queria tornar tudo menos doloroso para ele.
- Ela não é nem tão minha amiga assim, nos conhecemos da faculdade - disse tentando aliviar.
- Filha, de maneira alguma estou te... te cobrando - ele gaguejava - só quero que você saiba.
Meu pai era indigno de mim. Eu sabia qual era sua súplica, porém era difícil de aceitar. Ele não queria que eu fosse amiga de Alice, mas ele era decente demais para deixar seu egoísmo tão explícito. Odiei-me naqueles segundos, a minha pele com cheiro de Edward não tinha mais um significado doce.
Eu me sentia suja.
A realidade batia severamente à porta, ela era muito mais cruel de perto.
- Não tem nada com que se preocupar, pai - disse mentindo para mim mesma e para o meu pai. No fundo, eu só desejava outra realidade.
- Filha... - ele disse mais uma vez.
Minha vontade era de me enfiar num buraco, mas meu amor pelo meu pai era grande demais para eu lhe negar um conforto.
Nos abraçamos assim que eu cheguei mais perto. Eu não poderia dizer que estava dividida, porque eu não estava, mas mexida era o que me definia no momento.
Eu só queria fugir desta realidade.
…
POV Edward
Era fácil tolerar o primeiro dia no escritório de Carlisle devido às coisas boas que me aconteceram nas últimas horas. Eu tinha que enfrentar isso, e para falar a verdade, agora eu tinha forças para tolerar meu pai. O que um bom carinho de quem a gente gosta não faz.
Eu estava há uma hora sentado numa sala a qual eu não pertencia, esperando meu pai que ainda não havia chegado.
- Bom dia - ele disse entrando na sala que a secretária disse ser minha.
Sorri com a esperança que ele fizesse o mesmo, mas não me surpreendi quando isso não aconteceu.
- Você poderia ter vestido uma gravata pelo menos - ele me acusou. Eu estava só de terno. Eu não disse nada.
Os próximos vinte minutos foram só de orientação sobre como seria o meu dia no escritório, o que eu deveria fazer e, principalmente, o que eu não deveria fazer. Fiquei admirado por Carlisle ter conseguido focar vinte minutos do seu tempo comigo, isso não era comum se tratando de mim. Mas minha ponta de esperança foi embora quando reparei ele fazer o mesmo com os outros estagiários.
Era cômico, para não dizer trágico.
Eu odiava com toda minha força cada letra de cada processo que eu precisava analisar. A cada momento me vinha uma pergunta diferente. Para que mesmo eu fazia aquilo? Para suprir a falta que Terry fazia para o meu pai? Para pagar a dívida que meu inconsciente tratou com ele? Ou para diminuir minha culpa perante toda minha crise existencial em relação à repulsa do meu pai? Talvez não fossem nenhuma dessas perguntas, ou fossem todas. Eu nunca saberia.
Depois do almoço, com a carta diretamente feita ao reitor da faculdade pelo próprio Carlisle, eu estava pronto para sair. Não sem antes prometer que voltaria todas as quintas-feiras e outros dias que ele precisasse.
De repente uma pergunta veio até a minha mente. E se eu estiver fazendo isso não como um pagamento de dívida, mas como uma esperança antiga e infantil de agradar meu pai em alguma coisa?
Eu não queria responder essa pergunta.
Eu precisava sair dali o quanto antes. E era o que eu estava fazendo quando bati na porta do escritório de Carlisle. Não havia ninguém, mas entrei mesmo assim. Encarei o celular do meu pai em cima da mesa no mesmo momento que ele começou a tocar. Carlisle não estava por perto. E o celular não parava de tocar.
Olhei a tela, mas era número restrito. O barulho do toque me irritava, a pessoa era realmente insistente. Num impulso, atendi o telefone.
- Alô ? - falei esperando resposta do outro lado.
- Querido, você esqueceu sua jaqueta aqui ontem... - era voz de mulher e não era a minha mãe.
Eu quase respondi, mas meu estômago embrulhou instantaneamente. Desliguei o celular, saindo da sala o mais rápido que pude.
…
POV Bella
-Você tem certeza que ninguém te seguiu? - ele me perguntou desconfiado.
- Tenho certeza - eu disse.
Eu não sei porque Yan tinha medo. Estava tudo certo para o dia do baile no Christ Church. Não poderia haver erro, eu sabia. No entanto, ainda sim era mais do que certo que conseguiríamos fugir.
- Eu acho que Agatha está desconfiada. - ele disse novamente apreensivo olhando para as árvores em nossa volta. Abracei-o tocando levemente seus lábios tão meus.
- Eu tenho certeza que vai dar tudo certo. - rebati.
- Eu te amo. - ele disse. - E eu não vou aguentar se algo der errado, Elisa.
…
- Amanhã será um dia importante - minha mãe disse.
Eu não queria faltar o respeito com ela. Eu a amava, mas ao mesmo tempo não havia como abraçar aquele destino que eles tinham escolhido para mim.
- Ele pedirá a sua mão em casamento, filha - ela disse querendo me animar.
Mas a única coisa que eu conseguia pensar era na minha fuga com Yan. Ela tinha que dar certo.
Eu não queria me casar com Damion.
…
A última lembrança que eu tinha dos meus sonhos desconexos era o reflexo do lago. Mais uma vez eu estava à beira do lago, mas a pessoa refletida não era eu. Seria essa menina a Elizabeth, a personagem protagonista de todos esses pesadelos?
Eu não sabia. Graças à luz da manhã, acordei voltando para a minha realidade.
Meus movimentos ainda eram fracos pela sonolência. Eu queria esquecer a noite de ontem com meu pai, queria esquecer que o estava magoando. Pelo menos os pesadelos não eram reais. Isso era o que eu achava.
…
Ao entrar no quarto da vovó, a percebi falando sozinha. De repente ela parou.
- Aposto que essas olheiras são por causa daqueles pesadelos - minha vó afirmou sem nem olhar para mim.
- Bom, dia, vovó - eu disse brincalhona . Ela me abraçou.
- Bom dia, Bells - ela disse beijando minha testa.
- Venha cá, preciso te mostrar uma coisa.
Segui-a pelo quarto. Eu sentei na cadeira de balanço enquanto ela tirava uma caixa do armário.
- Olhe - ela estendeu um papel em minha direção.
Era um desenho infantil, muito colorido, mas havia rabiscos precisos. Era uma floresta com um lago atrás, mas claro, na perspectiva de uma criança. Meu corpo doeu em arrepio ao ver as mal rabiscadas linhas.
- Esse sonho não é algo da sua cabeça, querida. Isso é algo que você carrega há tempos. Sua alma carrega há tempos.
Eu nunca acreditei muito nas birutices da minha avó, mas naquele momento tudo parecia fazer sentido, ou pelo menos ter mais sentido que antes. Num pequeno segundo imaginei que toda a conturbação da minha vida poderia vir dali, porém, logo voltei ao meu juízo e encarei esse último pensamento como uma viagem da minha cabeça.
Para eu acreditar nessa última afirmação eu precisaria ignorar totalmente a realidade, fato que estava fora de cogitação.
- Você já ouviu falar em resgate ? - ela perguntou. Sabia que aquele era o tom para o começo de um papo totalmente fora de órbita.
Ela começaria divagar sobre o Espiritismo.
- Não - disse simplesmente.
- Resgate é quando alguém reencarna com uma missão grande para pagar aquilo que fez na outra vida. Por exemplo, uma filha e uma mãe que brigam o tempo todo, elas reencarnaram como tal na missão de resgate. Uma tentativa de redimir o que fez de errado. - ela disse convicta.
- A senhora acha que eu... - disse apreensiva, mas ela me cortou.
- Não acho nada, filha. É só uma suposição. A floresta é algo presente na sua vida desde novinha. Pode ser uma lembrança, uma lembrança que é necessária para você cumprir o que precisa.
- Então essa Elizabeth, esses personagens todos, fizeram parte da minha vida um dia?
- Eu não sei - ela falou baixo. - Mas se você quiser, nós podemos pedir ajuda a alguém que possa realmente ajudar.
- Como assim pedir ajuda, vó? - perguntei curiosa.
- Antes de mais nada, você quer ajuda? Porque se você realmente quiser, daremos um jeito. - ela disse tentando me convencer.
O que aconteceria se eu tentasse vencer o meu lado cético e aceitasse a ajuda? Tudo estava tão complexo na minha vida. Tentar solucionar um problema não seria mal nenhum.
- Quero sim.
- Ótimo, vou tentar falar com as pessoas certas.
…
Broken Angel – Boyce Avenue
Os dias que se seguiram foram como um sonho. Eu ainda estava mexida com a questão de Charlie, mas era Edward aparecer na minha frente e eu não conseguia resistir. Nós ficávamos juntos o tempo máximo que conseguíamos e sempre às escondidas. Era no intervalo de almoço, era no final do dia quando ele me pegava na biblioteca. Estávamos no processo de nos conhecermos cada vez mais. E a cada dia era uma descoberta diferente. Ainda não tínhamos transado novamente, e não foi por falta de vontade, mas quando se namora às escondidas é provável que sempre tenha um empata foda naquele momento crucial dos agarros.
Um dia íamos a uma exposição, outro ao teatro. Nada em Oxford, obviamente, já que Londres era mais confiável por ser uma cidade enorme e improvável de encontrar conhecidos por haver tantas opções de lazer.
Estávamos no cinema agora. Fora muitos beijos que tínhamos trocado, nossa cumplicidade e empatia estavam ao alcance de todos que nos observavam. Era engraçado compartilharmos coisas simples como a pipoca e o refrigerante. Era engraçado saber que ele preferia refrigerante de limão à coca-cola, que ele não mascava chiclete e que era alérgico a camarão. Era gostoso demais ignorar todos os nossos problemas e vivermos como um casal normal. Era bom ter com quem compartilhar as coisas do dia, ou os anseios do dia seguinte.
Eu me sentia confortável em seus braços, eu me sentia amada com os seus carinhos.
Poderia até ser coisa de filme romântico, mas agora estávamos os dois abraçados na sala de cinema escura discutindo sobre o filme que tínhamos acabado de assistir. A rede social. Foi nesse momento que descobri que tínhamos mais uma coisa em comum. Nós dois esperávamos os créditos do filme acabar em respeito às pessoas que o fizeram. Claro, dois nerds ,mas ainda sim dois loucos um pelo outro.
…
POV Edward
Eu me sentia confortável em seus braços, era fácil demais chegar de um dia louco e ligar para ela para me acalmar. Depois do episódio do celular de Carlisle eu fiquei muito estressado, mas foi Bella que me acalmou sem nem saber o motivo da minha inquietação. Ninguém sabia. Ela era carinhosa sem nenhuma intenção, ela era atenciosa sem exigir qualquer coisa em troca. E eu estava me apaixonando cada vez mais por ela.
- Por que você não vai para a casa da Angela hoje de novo? - perguntei quando saímos do cinema.
Não era segredo que nós nos desejávamos, nós expúnhamos isso sempre que possível. Vontade era o que não faltava, o que faltava era a oportunidade certa. Amassos aconteciam, mas eles não eram o suficiente.
- Posso avisar ao meu pai hoje que tenho um trabalho inadiável para fazer para amanhã - ela disse travessa, com um sorriso lindo.
Nós andávamos pelas ruas de Londres de mãos dadas. Era um domingo. Eu não iria até a casa dos meus pais hoje, fato que evitei ao máximo nesses últimos dias depois da desconfiança que eu tinha em relação à fidelidade do meu pai. Eu não queria encarar minha mãe, muito menos o meu pai além do contato obrigatório do escritório. E claro, levando em conta que eu precisaria comparecer no dia seguinte. Não faria qualquer esforço para ir até em casa.
Então, finalmente fomos para minha casa depois de um telefonema mentiroso de Bella a Charlie. Fato que a incomodava, eu sei, mas ela compartilhava da mesma necessidade que eu.
- Ai … - ela gritou quando a peguei no colo ao entrarmos no meu quarto - Você está quente. - ela espalmava suas delicadas mãos em meu peito já nu.
Estava frio, mas logo esquecemos o frio a nossa volta. Eu só queria ela. Eu só precisava dela. Beijei todo o seu corpo nu em adoração. Ela era linda, e tão minha quando em meio aos gemidos... Meu nome saía vezes sussurrado, vezes como um grito de liberdade. Nossos corpos dançavam a música já conhecida antes e embalavam outros ritmos conforme a necessidade aumentava. Tomei-a para mim de vários jeitos e formas. Cada hora de uma forma diferente, cada hora mais intensa que a outra.
- Edward … - ela gemeu mais uma vez quando atingiu o seu máximo.
- Meu anjo... - beijei-a delicadamente em contraste com as estocadas finais que eu lançava de encontro ao seu corpo.
Provoquei-a e amei-a milhares de vezes ainda naquela noite. Nossa saudade havia passado, mas nossa vontade estava longe de ser saciada. Ela dormiu em meus braços. Nua e calma. Linda e inocente. Um misto de tudo que a constituía. Meu peito queimava de vontade.
Se éramos amantes, eu não sei. Eu só sei que ela era a minha fortaleza e o meu ponto fraco.
Como um déjà vu acordei primeiro que ela na manhã seguinte de segunda- feira. Eu precisava estar no escritório em uma hora e meia, então entrei no banho e comecei a me arrumar rápido.
Eu estava vestindo um blazer olhando a beldade que repousava despreocupada na minha cama quando a campainha tocou. Achei estranho a chamada àquela hora da manhã, mas não hesitei em caminhar em direção à porta.
Quem poderia ser? Perguntei a mim mesmo.
Assim que eu abri, a surpresa e o pavor me tomaram com um todo.
Era Carlisle.
N/A: Então... Vou precisar correr desta vez? O que será que vai acontecer? Carlisle vai dar um flagra nos dois? Espero que tenham gostado! Não se esqueçam de comentar! E claro, vejam o grupo e as MPs!
Mandarei um spoiler especial por MP( para quem tem perfil aqui) e para o grupo.
Obrigada sempre.
Xoxo
Liz.
N/B:Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, esse capítulo foi o melhor de todos até agora! Amei a cumplicidade dos dois, a forma que o relacionamento deles está tomando... adorei a conversa do Charlie com a Bella e CHOQUEEEEI com o telefonema da mulher misteriosa para o celular do Carlisle... tadinho do Edward!
Beijocas da beta
