Em seu escritório Wilson analisava uns laudos de biópsia quando a porta abre e se fecha rapidamente, nem é preciso retirar os olhos dos papéis, James Wilson já sabia de quem se tratava. House entra se jogando no sofá em silencio, Wilson franzi as sobrancelhas e fala:

"Eu estava pensando em chamar a polícia, três dias sem dar nenhum sinal de vida, é muito até para você."

"Era só ter me ligado, ou ter ido até meu apartamento, você tem a chave." House diz como se fosse obvio.

"Eu liguei, mais de uma vez inclusive, e também estive lá, mas acho que você trocou a fechadura da porta." Largando os papéis na mesa o amigo fala indignado.

"Ah tinha esquecido, e também não estava a fim de atender telefone." House fala sem nenhum remorso.

"Você tinha um caso, a Cuddy ficou muito brava, ela é mãe da sua filha mais pode te demitir a hora que quiser." Wilson avisa

"Muita culpa, Jimmy, muita culpa." O outro médico fala enquanto se ajeita melhor no sofá.

Wilson fica sem entender as palavras de House cerra os lábios e balança a cabeça em sinal de reprovação. "Ela esteve aqui ontem procurando por você." Ele diz

"Ela quem?" House pergunta displicente.

"Branca de neve House."

House dá um meio sorriso "Sarcasmo não combina com você Jimmy."

"Você sabe bem de quem eu estou falando, sua filha House, a Audrey apareceu aqui ontem procurando por você, ela ficou decepcionada quando soube que você não veio trabalhar."

House não fala nada fica encarando o chão por um bom tempo. Os três dias que ele tinha ficado em casa ele usou para pensar, e o fez, refletiu sobre muitas coisas, sobre seu passado com Cuddy, sobre a novidade em sua vida, ser pai e ter alguém sob sua responsabilidade. Todos falavam que Gregory House era um misantropo, egoísta e frio, na verdade todos achavam que o conheciam, mas só alguns sabiam que ele não era um total cretino, ele era formado por sentimentos também. Ele não precisava provar isso para todo mundo, as pessoas certas sabiam que ele se importava, do jeito dele, mas se importava.

"Eu reparei melhor, e achei que ela é bem parecida com você." Wilson fala como quem não quer nada.

"Seriously?" House pergunta esperançoso.

"Não, ela é bem mais bonita, acho que puxou a mãe." O oncologista fala rindo da cara do amigo.

"Cala boca Wilson." House fala fazendo uma careta.

"Tudo bem, tenho que admitir que você fez um bom trabalho, ela tem os seus olhos." Fala Wilson sem querer deixar o amigo mais convencido que já é.

"Eu sei, eu tinha que passar meus genes perfeitos para alguém." House fala se levantando para sair.

"Não foi isso que eu quis dizer House" Wilson fala dando um leve suspiro.

"Ta bom. Pôquer lá em casa hoje à noite?" House pergunta já na porta do escritório.

Wilson acena afirmativamente com a cabeça "Até mais House." E o infectologista deixa a sala.

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House segue para seu escritório e permanece a manhã inteira lá trabalhando em um caso. Estava sentado em frente ao quadro branco, tinha acabado de mandar os duckilngs realizarem alguns exames, ouve o barulho da sua porta, se vira e dá de cara com Lisa Cuddy. Ela ainda não conseguia encara-lo, fica olhando para os próprios sapatos por um tempo como tomasse coragem para dirigir alguma palavra a ele.

"Audrey pediu para que eu viesse aqui, ela estava preocupada, queria saber se está tudo bem com você, e..." Antes que Cuddy pudesse terminar a frase House responde rispidamente.

"Estou ótimo."

Cuddy não se ofende com a grosseria dele, sem muita certeza ela diz para si mesma que só estava fazendo aquilo por sua filha, e segue, "Ela quer te ver, se você quiser eu posso levá-la até sua casa, ou ela pode vir até o hospital se você estiver muito ocupado e fazem um lanche aqui mesmo, ou..." de novo é cortada.

"Minha casa está bom, eu a pego às seis."

Cuddy faz que sim com a cabeça e deixa a sala tentando não chorar, aliás, era uma das coisas que ela mais fazia nos últimos dias, por um lado ela estava aliviada por ter retirado um peso grande das costas, mas por outro, toda essa história trouxe à tona muitas lembranças dela com House, o que mais doía é que eram lembranças boas de uma Lisa Cuddy que se perdeu no tempo assim como o relacionamento deles. O que os uniu, os separou: a medicina, e agora, a mesma estava os aproximando de novo, podia ser uma segunda chance, ou só o pedacinho que falta para o fundo do poço de sua vida amorosa que sempre fora assombrada pela lembrança dele. Ela mal percebe que chegou em seu escritório, até ser abordada por sua assistente.

"Dra. Cuddy, sua filha já ligou duas vezes desde que a Sra. deixou sua sala."

"Obrigada." Ela fala rapidamente enquanto entra na sala.

Ela senta pega o celular e liga para Audrey avisando que está tudo combinado, para estar pronta as seis, do outro lado da linha ela ouve uma empolgada Audrey divagando sobre que roupa ela deveria usar.

"Use qualquer coisa querida, o Greg não liga pra isso."

"Ok, bye." E Audrey desliga antes mesmo de sua mãe ter a chance de também dizer tchau.

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Cuddy chega em casa uns minutos antes da seis, com quase certeza que House iria se atrasar, só que dessa vez ela estava engana, ele chegou no horario. Quando ele aperta a campainha Audrey atende a porta rapidamente. Despede-se de Cuddy e sai montando na garupa de House, que segundos depois já está em movimento.

House e Audrey chegam ao apartamento de House em poucos minutos, ela abriu a porta e segurou esperando a garota passar. Audrey foi entrando devagar, seus olhos observando cada parte da sala, House mancou até o sofá e sentou, ele não era daqueles anfitriões de 'fazer sala' ele esperava que a menina entendesse isso e ficasse a vontade, porém Audrey se manteve em pé como se esperasse o convite para poder sentar. House revirou os olhos.

"Você foi mesmo criada pela Cuddy, vai ficar aí em pé até eu dizer que você pode sentar? Ok, pode se sentar."

A menina fez um gesto com a cabeça e sentou no banquinho do piano. House balançou a cabeça em negação, "Eu não disse que você podia sentar aí."

"Mas também não disse que não podia." Ela retruca, quando se dá conta ele esta sorrindo o que provoca uma resposta instantânea de Audrey que também sorri.

"Toma alguma coisa?" House se levantou e foi indo na direção da cozinha.

"O mesmo que você." Respondeu a menina o seguindo com os olhos.


N/A. Lici, valeu por betar.
Desculpem a demora, vou tentar postar mais rápido agora.