Suellen – Muitos mistérios rondavam o Mu e a Rosa, mas com a morte deles os mistérios não acabaram, acompanhe as falas do Miro. Diego e Atena são o casal da vez (quando Shion descobrir...) Kamus terá uma grande surpresa nesse capitulo.

Mabel – Diego e Saori têm futuro, e eu pensei a mesma coisa, coitada ela sempre fica sozinha nas fics, deuses também amam! rsrssr

Rodrigo – Digamos que ela teve um affair pelo Seiya, mas entre ele e o Diego... (sou mais o Diego (autora puxando saco da cria))

Pure-Petit-Cat – Kamus nem sabe o que lhe aguarda, Diego e Saori são o casal da vez, e eles tem futuro!

Tenshi – O passado do Kamus começa a surgir e com ele problemas. Diego e Atena terão um encontro a escondidas.

Mabel – Eles vão sim ao cinema e Atena vai cobrar o convite.

Capitulo 10

Passé

O dia estava particularmente quente, não havia nenhuma nuvem no céu e nem vento o que deixava o ar sufocante.

Quando disseram-lhe que tinha aptidão para ser um cavaleiro no primeiro momento adorou a idéia, mas agora que iniciara o treinamento via que as coisas seriam mais difíceis que imaginara. Prova disso que estava caído no chão com o corpo todo dolorido.

- Levanta Diego.

- Você quer me matar. – disse o garoto fitando o céu azul sobre si.

- Estou ate pegando leve.

- Me explica uma coisa. – tomou impulso sentando-se. – vocês se movem na velocidade da luz, certo?

- Sim.

- Eu ainda não entendo como te soquei, você poderia ter evitado.

Shura coçou a cabeça sentando no chão, que digamos, estava quente.

- É... Atena disse que seu cosmo é desperto, talvez seja por isso. Eu também não estava atento, foi num momento de distração.

- Talvez... – Diego pensou em Atena. – vamos treinar. – deu um pulo.

- Animou?

- Preciso ficar forte.

O capricorniano arqueou a sobrancelha.

- Por que está me olhando assim...?

- Esse seu súbito animo.

- Não tenho que treinar? Pois então, vamos logo com isso.

- Tudo bem. – ele também levantou. – você que manda.

Diego deu um sorriso confiante, em breve ficaria forte e protegeria Atena de qualquer mal.

X.x.X.x.X.x.X

Kamus esperava o embrulho ficar pronto, infelizmente a moça que havia atendido anteriormente não se encontrava na loja. Ate fez hora, mas ela não apareceu.

- "Deve está no horário do almoço." – pensou.

Olhando para o balcão viu cartões da loja, quando foi para pega-los escutou uma risada atrás de si. Seu corpo arrepiou-se na hora, só existia uma pessoa que ria daquela maneira.

- Você voltou.

O cavaleiro virou-se lentamente, ainda surpreso pela familiaridade da voz.

- Resolveu levar o tapete? – sorriu, havia conquistado um cliente.

- Na verdade... – voltou à postura séria. – um tabuleiro de jogo... – desviou a atenção para um rapaz que estava atrás dela. Deveria ser o namorado, pois o encarava de forma pouca amistosa.

Foi tirado de seus devaneios pela vibração de seu celular. Pedindo licença afastou-se para atender.

A atenção dos três voltaram para Kamus, mas não entenderam nada do que ele dizia, devido ao tom de voz baixo, contudo o rapaz que tentava ouvir escutara muito bem o nome "Saori Kido" e isso o interessou.

Kamus desligou rapidamente reaproximando do grupo.

- Desculpe.

- Senhor seu embrulho. – disse a atendente.

- Obrigado.

- Senhor... – iniciou o rapaz.

- Deville. – respondeu.

- Desculpe a intromissão, mas conhece a senhorita Kido?

- Trabalho para ela.

- Na fundação?

- Não diretamente.

O rosto outrora serio suavizou. Kamus não imaginava o motivo dessa mudança, mas a garota sabia. O irmão pensava em negócios.

- Gostaria de almoçar conosco?

Tanto a moça quanto o cavaleiro ficaram surpresos.

- Creio...

- Será rápido, tenho a certeza que irá apreciar a culinária árabe.

- Eu acho... – tentava se esquivar, tudo que não queria era almoçar, uma comida estrangeira e na companhia de estranhos, contudo... fitou a moça, que também olhava o outro surpresa, desde que a vira pela primeira vez tinha a impressão de conhecê-la. – eu aceito.

- Venha, por favor.

O rapaz subiu na frente, seguida pela moça e depois por Kamus. O local onde era o restaurante tinha um ambiente sofisticado e fino.

- Vamos nos sentar na varanda.

Algumas mesas estavam dispostas numa ampla varanda com uma esplendida vista para a avenida.

Sentaram, logo veio o garçom trazendo o cardápio. Kamus que não entendia nada aceitou a sugestão da moça.

- Com licença. – pediu o garçom.

- Eu acho essa avenida um charme. – disse a moça olhando o vai e vem dos trausentes. – alias Paris é um encanto.

- Não gosto daqui. – disse o rapaz.

- Eu também não. – Kamus respondeu no automático.

- Temos a mesma opinião. – sorriu o rapaz. – meu nome é Ibrahim. Ibrahim Richard e ela minha irmã Farah.

- Prazer conhecê-los.

Ibrahim não perdeu tempo começando a perguntar para Kamus sobre a fundação, os tipos de negócios que Saori gostava, seus empreendimentos, o que deixava o cavaleiro numa situação desconfortável já que não sabia nada dos negócios. Farah ouvia tudo calada, apenas lamentava o excesso de perguntas do irmão que via naquele almoço apenas interesse.

- Tenho certeza que minha organização e a fundação Kido têm muito a ganhar senhor Deville.

- Não tenho a menor duvida. – Kamus queria congelá-lo.

- Vamos almoçar. – disse Farah respirando aliviada com a chegada dos pratos.

- Ouvi dizer que vocês árabes tem o comercio nas veias. – disse mais por consideração a moça do que ao rapaz.

- Temos.

- Vocês são atípicos, são alvos ao contrario do biótipo da região. – serviu-se.

- Somos franceses de nascimento, mas moramos nos Emirados Árabes. – Farah se servia.

- Interessante.

- Você também tem um leve sotaque. – observou a garota.

- Nasci aqui, mas ainda criança fui levado para a Grécia.

- Deve ser um lugar excepcional. – Ibrahim queria entrar no assunto.

- É sim.

O almoço transcorria normalmente. Apesar de não querer almoçar Kamus estava gostando da companhia dos dois. Mas a conversa tomaria outros rumos... rumos que mudaria a vida deles novamente...

- Seus pais sentem falta daqui?

- Na verdade... – Farah hesitou e Ibrahim fechou a cara. – eles não são daqui.

- Compreendo.

- Passamos grande parte da nossa vida fora daqui.

- Também havia muitos anos que não pisava nessa cidade.

- Não tem família aqui?

- Não. – respondeu seco. – sou órfão. – disse para se arrepender, eles não tinham nada com isso.

- Você sentiu muita diferença da Grécia para aqui? – Farah quis mudar de assunto.

- Fora o calor, não. É um lugar como outro qualquer.

- Pois para nós foi bastante difícil, local diferente, religião diferente, tivemos sorte por sermos adotados por um paciente casal.

Ibrahim olhou feio para a irmã.

- Farah. – disse sério.

- Desculpe.

- Não tem porque achar mal em ser adotado Ibrahim. Isso é normal. – o cavaleiro disse de maneira tranqüila.

Mesmo com as palavras do aquariano o jovem continuou com expressão séria.

- Agora as coisas fazem sentido. – Kamus voltou a falar, o que estranhou, não era muito de papo ainda mais com estranhos e assunto tão delicado. – então foram adotados ainda pequenos.

- Sim. – disse Farah.

- Não. – disse o rapaz.

- Sim ou não? – indagou Kamus.

O rapaz não queria que o assunto de seu passado viesse a tona ainda mais para um estranho, mas não queria ser indelicado, pois o sucesso de futuras negociações dependia daquele primeiro contato, tanto que silenciou-se.

- Nossos pais morreram quando éramos crianças. – iniciou a jovem. – eu e meus irmãos fomos levados para um orfanato e alguns meses depois fomos adotados por um casal dos Emirados Árabes. Como disse tem apenas dois anos que voltamos para a França para cuidar dos negócios que eles têm aqui.

- Tiveram sorte, é tão comum separar irmãos e vocês ficaram juntos. Você é a única mulher?

- Sou a caçula, tenho mais dois irmãos.

- Um irmão você quer dizer. – disse frio.

- Não fale assim.

- Falo como eu quiser. – bradou. - Há muitos anos ele deixou de ser meu irmão. Fugiu e nos deixou para trás.

- Ele teve seus motivos.

- Deixa de ser sonhadora Antonietta! – deu um tapa na mesa.

Kamus assustou-se com o tapa, tanto que nem prestou atenção no nome que o rapaz tinha falado.

- É um covarde isso sim. Para mim ele está morto.

- Está vivo.

- Desculpe por ter perguntado. – disse mais recomposto, - não era a minha intenção.

- Nós que fomos indelicados, senhor Deville. – disse Ibrahim. – não sei por que brigamos por causa daquele infeliz. – olhou a irmã.

- Não fale assim dele.

O cavaleiro ficou em silencio, o ódio que aquele rapaz tinha para com o irmão deveria ser o mesmo que Henry teria com ele, talvez ate pior, pois eles poderiam não ter sido adotados e passado dificuldades, isso se estivem vivos.

- Entendo seu ódio Ibrahim, mas acho que toda historia tem dois lados. Eu não sei o que aconteceu, mas talvez seu irmão não tenha fugido, pode ter acontecido alguma coisa. – disse tentando conforta-se a si mesmo.

- Duvido. Ele nos abandonou isso sim.

O clima estava pesado, ao ver a expressão entristecida de Farah, Kamus se arrependeu por ter perguntado. Deveria ser muito difícil para eles conviver com esse sentimento de abandono, chegou a odiar o suposto irmão por tê-los feito passar por isso. Não bastasse ele, outros ainda repetiam o mesmo gesto?

- Tenho que admitir que a culinária árabe ganhou um fã. – disse querendo mudar o assunto.

- Gostou mesmo? – o rosto da garota iluminou. – senhor...

- Kamyu.

A garota levou um susto, havia anos que não escutava tal nome e agora olhando-o achou parecido com o irmão, pelo menos o cabelo, já que não tinha muitas lembranças daquela época.

- Sempre que vier a Paris virei aqui e vou recomendá-la a senhorita Kido. – disse o ultimo comentário para alegrar o jovem.

O que funcionou pouco importando-se com o significado do nome.

- Vou deixar os nossos cartões com você. – Ibrahim tirou do bolso um e pegou o outro com a irmã. – tem o nosso endereço daqui e de Dubai.

- Entregarei em mãos. – pegou os dois cartões, no avesso tinha o endereço e quando virou o lado da frente... – "Ibrahim H.S.." – leu.

O rosto que já era alvo empalideceu, pegou o outro cartão e leu "Farah A.S.R. Muhad."

- Algum problema senhor Deville? – indagou Farah vendo a palidez do rosto dele.

Kamus a fitou, não era possível que era ela, não era possível que depois de tantos anos estava cara a cara com os irmãos. Fitou o rapaz, que também o olhava preocupado. Sempre achou o rosto dele familiar, agora sabia de onde. Estava diante dos irmãos. A mente dava voltas, sua vida passava como um filme em câmera lenta.

- Senhor Deville? – insistiu a moça. – o senhor está bem?

- Eu preciso ir. – levantou as pressas. – obrigado pelo almoço. – tentava permanecer firme. – entregarei os cartões a Saori. Adeus.

Saiu em disparada, os dois irmãos trocaram olhares sem entender.

- Nem pegamos um cartão dele. – disse Ibrahim. – para mantermos o contato.

- É... – Antonietta deixou escapar.

Chegou ao hotel subindo direto para o quarto, andava de um lado para o outro desnorteado, aquilo só poderia ser um equivoco, não eram seus iramos, aqueles dois não poderiam ser seus irmãos.

- Não são... não são! – num ataque de fúria quebrou o quarto inteiro. - Não são! – estava abalado, jamais imaginou que os encontraria e de uma forma tão simples e amistosa. Lembrou do rosto da irmã. Ele era infantil quando saiu daquele orfanato e hoje ela estava tão bonita e Henry? Já era um homem feito.

- Eles... Eu não preciso de vocês! Nunca precisei! Não quero vê-los nunca mais! Nunca mais...

A voz saiu embargada, os olhos marejaram, aos poucos foi caindo de joelhos, apoiou-se na cama escondendo o rosto na colcha.

- Nunca mais...

O choro veio compulsivo que só foi interrompido pelo tocar insiste do celular. Kamus não tinha a menor pretensão de atender, mas o aparelho tocou três vezes seguidas.

- Alo...

- "Ate que enfim! Achei que tivesse morrido."

- O que quer Miro?

- "Só... o que foi? – havia percebido o tom de voz. – Kamus o que foi?"

- Nada...

- "Como nada? Fala logo Kamus!" – praticamente berrou no telefone.

- Eu os encontrei. – disse seco.

- "O que?"

- Não vou falar por telefone. Volto hoje para Atenas. Adeus.

- "Kamus..."

Miro nem terminou a frase, o francês havia desligado o aparelho, jogando-o longe. De forma silenciosa deixou o quarto, não agüentaria ficar ali.

X.x.X.x.X.x.X

Miro ficou um bom tempo olhando o celular nas mãos. Pelo tom de voz dele o encontro com os irmãos não deve ter sido agradável. Estava preocupado, Kamus era centrado demais e temia qualquer reação vinda dele.

- Espere que volte logo. – disse seguindo para o treino.

X.x.X.x.X.x.X

Shaka descia lentamente em direção a arena apesar de está um pouco atrasado. Ate a pouco estava no telefone com Shati e a garota adorava falar.

- "Ate imagino a conta de telefone..." – deu um suspiro desanimado. – "Não imagina quanto foi a conta do celular da Raissa." – lembrou se de uma conversa tida com Miro, ele e a irmã conversavam muito tempo pelo celular. – mal das mulheres. – disse dando um pequeno sorriso.

Apesar de reclamar estava feliz, não só por ele, mas por Miro e Shura terem reencontrado seus irmãos, principalmente pelo escorpião. Se Raissa não estivesse ao lado dele talvez a perda de Rosa seria ainda mais desastrosa. Subitamente lembrou-se da briga que ela intercedera entre ele e Mu. Nunca sentira receio em separar um briga, tão comuns entre os amigos, mas aquele dia tivera medo do cosmo de Miro. As outras vezes que aquela energia manifestara não indicava uma preocupação latente, contudo...

- "Aquilo não é normal." – pensou.

Desde aquele dia observava atentamente o cavaleiro e em suas meditações tentava entender porque ele possuía uma cosmo energia tão grande. Na guerra santa ou nas guerras anteriores, ate mesmo contra os titãs seu cosmo não alcançou aquela magnitude e agora em momentos de paz parecia três vezes maior que o normal. Tinha uma leve desconfiança, suposições da origem de tanto poder, eram apenas suposições, mas que se estivessem certas traria enormes problemas.

- "Miro... o que você é na verdade?"

- Está atrasado. – disse Kanon que não perderia a chance.

- Eu sei. Sinto muito.

- Shaka se atrasando não é normal. – MM entrou na conversa. – algum problema?

- Nenhum. Estão todos aqui?

- Falta o Miro. – disse Aiolos. – como sempre.

- Estou aqui. – o rosto estava em brasas e a respiração entrecortada. Estava atrasado o que o obrigou a descer correndo.

- Comecem. – ordenou Shion.

X.x.X.x.X.x.X

Depois do ocorrido na hora do almoço os irmãos Muhad voltaram para casa. Ficaram um tempo, mas compromissos solicitavam a volta para o escritório.

Farah saia da portaria do prédio, num bairro nobre de Paris, vasculhando a bolsa em busca das chaves de seu carro parado a frente do prédio. Seu irmão que estava descendo com ela voltou ao apartamento, pois havia esquecido algo.

- Onde coloquei... – murmurou enquanto dirigia-se para a rua.

Estava tão distraída que não notou a aproximação de um homem, na rua que estava deserta.

- Ah que ótimo... – disse zombeteira. – a chave está com o Henry.

Mal acabou de falar sentiu algo frio nas suas costas.

- A bolsa.

- O que? – assustou-se não gritando por pouco.

- A bolsa. – ele estava armado.

- Calma moço. Vou te entregar.

- O carro também.

- Não estou com a chave.

- Não brinque comigo. – pressionou a arma. – passa logo.

- Está bem. – os olhos estavam marejados.

Na portaria...

- Cabeça de vento. - Henry brincava com as chaves. – uma hora vai perder essas chaves.

Levou o olhar para frente do prédio ficando pálido.

- Antonietta.

- Parado. – o assaltante apontou a arma para ele. – se mexer ela morre. – voltou com a arma mirando na cabeça dela. – as chaves. – havia visto o objeto com ele.

- Vou te entregar, mas solta ela.

- As chaves!

- Ta.

- Joga elas! Anda! – pressionou a arma.

Antonietta estava tão assustada que se quer tinha voz para gritar, apenas chorava baixinho.

- Está bem. – Henry não tirava o olhar da irmã. – vou jogar ali. – atirou as chaves. – agora solta ela.

O ladrão ignorou o pedido e ainda com a arma apontada para a cabeça da francesa caminhou ate as chaves. Henry permaneceu quieto tinha medo que ao menor gesto o homem se assustasse e uma tragédia acontecesse.

O bandido pegou as chaves.

- Já está com as chaves, agora solta ela, pode ir, não vamos chamar a policia.

- Ela vem comigo.

- Já tem o que queria. – disse desesperado. – solta ela.

- Só quando estiver seguro. – com brutalidade a puxou.

A garota fechou os olhos apavorada.

-FB-

Arredores de Paris...

- Dá logo o doce!

- Não... – Antonietta com lagrimas nos olhos segurava firme o pacote.

- Dá logo!

- Solta a minha irmã. – Henry gritou com um dos meninos, cinco no total e todos maiores que ele.

- Lá vem o tampinha. – disse um dos meninos. – tampinha. – o empurrou.

- Henry.

- Me dá isso. – o garoto, que parecia ser o líder tomou o pacote da garota.

- É meu. – no impulso tentou pegar, mas ele a segurou pelo braço. – ai.

- Solta ela! – Henry estava sendo segurado.

- E se eu não quiser. – apertou com mais força.

- Se eu fosse você a soltava. – disse uma voz infantil porem firme.

- Myu... - sorriu a garotinha.

- Chegou o herói. Vai encarar?

Kamus fitou o grupo de maneira fria intimidando alguns deles.

- Já mandei soltar. – mesmo sendo mais novo que a "turma" era mais alto e devido a isso já impunha medo.

Três deles saíram correndo, o quarto, que segurava Henry, foi logo em seguida.

- Saia daqui. – a voz saiu mais fria.

O "líder", ao se ver sozinho não pensou duas vezes saindo correndo.

Antonietta agachou começando a chorar.

- Eu...

- Esta tudo bem. – Kamus agachou diante dela brincando com os cabelos loiros.

- Eu... muito medo.

- Não vai acontecer nada. – levantou carinhosamente o rostinho dela enxugando as lagrimas. – prometo que vou sempre te proteger Nie.

- Plomete?

- Prometo. – sorriu.

-FFB-

A garota continuava com os olhos cerrados.

- "Você prometeu...você prometeu..." Myu... – deixou escapar.

A mesma lembrança era revista pelo rapaz. Estava com ódio de si por não ter como agir naquele caso e por Kamus não está ali.

- Se eu fosse você a soltava. – disse uma voz fria.

Antonietta abriu os olhos imediatamente, virou-os vendo apenas mechas azuis tremulando com o vento. O coração disparou e nem se importando com a arma apontada virou o rosto. Rezava para ser o irmão, mas não era. Era o rapaz que tinha comprado o jogo.

- Solte-a. – Kamus o fitou de forma fria.

- Saia daqui. - o ladrão apontou-lhe a arma. – se bancar o espertinho a princesa morre. – voltou com a arma para a cabeça de Antonietta que soltou um gemido de dor.

- Patife... – deu um único passo.

- Se aproximar ela morre.

Apontou-lhe a arma, contudo...

- Minha mão... – ele sentia a mão congelar. – minha mão! – olhou para a arma. – congelada? Ah...

A arma havia congelado e sua mão também.

- O que você fez?

O ladrão nem viu Kamus aproximando-se e dando-lhe um golpe na altura do pescoço, ele deu um cambaleada saindo correndo. Antonietta soltou um grito de medo e Henry assustado olhava o ladrão correndo.

- Eu... – a garota tampou o rosto com as mãos começando a chorar.

- Está tudo bem. – Kamus a abraçou.

- Fiquei com tanto medo. – ela nem se importou por está abraçada a um estranho, sentia-se confortada.

- Não vai acontecer nada. – o cavaleiro brincou com os cabelos loiros. – não prometi que iria te proteger sempre Nie?

A garota ergueu o rosto na hora, percebendo o vacilo que dera Kamus a soltou imediatamente, afastando-se. Henry que escutara o fitou na hora.

- O que disse? – a garota o encarou.

- Na-da. Vou chamar a policia.

Estava prestes a afastar quando teve seu braço retido.

- Me chamou de "Nie" não foi? Eu ouvi.

- Esta equivocada. – Kamus não a encarava.

- Só uma pessoa me chamava assim... – levou as mãos a boca sufocando a voz. – Ka-myu...?

Henry arregalou os olhos.

- Myu... – murmurou a francesa.

O cavaleiro continuou com o rosto virado.

Antonietta aproximou e delicadamente tocou a face do aquariano fazendo-o encará-la. Kamus não conseguia sustentar o olhar, contudo num dado momento a olhou. Os olhos azuis cruzaram-se. As lagrimas desceram mais abundantes pelo rosto dela ao constatar que aqueles olhos que a fitava de maneira fria era os mesmos olhos que tanto gostava.

- Kamyu... você voltou...

Ela o abraçou com força chorando copiosamente. Kamus ainda tentou permanecer frio, mas ansiava por aquele contato, como desejou abraçar a irmã. Cedendo correspondeu ao gesto, envolvendo-a fortemente.

- Antonietta...

Henry observava a cena chocado, não poderia ser, aquele homem não poderia ser seu irmão, não poderia.

- Afaste-se da minha irmã!

Kamus pego de surpresa levou um empurrão.

- Não chegue perto dela! – Henry puxou a Antonietta para perto dele.

- Henry?

- Seu canalha! Desgraçado!

O cavaleiro o fitava assustado assim como a garota.

- O que pensa que esta fazendo? – soltou-se do irmão indo ate Kamus. – você esta bem?

- Fique longe dele! – novamente a puxou. – e você desapareça ou eu chamo a policia! Some!

- Henry... – murmurou o cavaleiro.

- Não me chame assim! – estava com ódio. - Não tem o direito de chamar meu nome!

- Já chega Henry, não devemos brigar agora que nos reencontramos.

- Eu não reencontrei ninguém. – disse frio. – esse que está na minha frente não passa de um estranho!

Kamus continuava no chão, ainda assustado pela reação do irmão mais novo.

- Pensei que estava morto, mas vaso ruim não quebra. – sorriu com desdém.

- Henry!

- Tudo bem Antontietta. – disse levantando-se. – ele tem o direito.

- Mas Kamyu...

- Você já está bem, adeus. – deu as costas.

- Kamus espera.

- Não vai a lugar algum. – Henry segurava a irmã.

- Me solta Henry! Kamus volta aqui! Kamus para!

O cavaleiro parou, mas não se virou.

- Não pode ir embora... – murmurou a garota. – não agora que...

- Ele sempre vai embora Farah. – o desprezo ficou mais evidente. – é a natureza dele. Não se importou quando éramos crianças porque se importaria agora?

- Não é nada disso. – fitou-os. – eu não os abandonei.

- Ah não? Então aquilo foi o que? Um passeio que durou mais de quinze anos? – deu um sorriso. – patético. – o garoto tirou do bolso a carteira e abrindo-a tirou algumas notas de euro.

Caminhou ate o cavaleiro parando próximo a ele.

- Meus pais me ensinaram a ser generoso com que nos ajuda. – pegou as notas e colocou no bolso da camisa de Kamus. – por ter se livrado do ladrão. – deu as costas.

Kamus olhava atônico para as notas.

- Não fiz por dinheiro. A vida dela...

- É mais importante? – indagou irônico. – não pensou nisso ao nos deixar. Alias... – pegou novamente a carteira, destacando uma folha de cheque. Assinou e aproximou dele. – coloque a quantia que quiser, em troca quero que esqueça que nos viu. Apague da sua memória que teve irmãos.

- Henry... – Antonietta estava chocada.

- Por que o choque Nie, - disse. – aposto que quando ficou sabendo que tínhamos dinheiro aproximou, não duvido que este ladrão seja comparsa. Por acha que ele saiu as pressas do restaurante? Tudo premeditado.

Kamus sentiu o coração doer, jamais imaginou que Henry falaria daquele jeito.

- Jamais colocaria a vida dela em risco. – disse frio.

- Então o dinheiro não te interessa? – a voz saiu cínica. – cinco milhões de euros, -preencheu o cheque. – dá para refazer sua vida em qualquer lugar, é uma boa quantia.

O cavaleiro engolia as lagrimas.

- Pegue e some. – disse frio. – já fez uma vez pode fazer de novo.

Todo o auto controle que ele possuía não demoraria em desabar, o corpo todo tremia, sempre esteve preparado por uma possível rejeição mas não pensou que doesse tanto e como doía.

- Pegue. – estendeu a mão. – e suma.

A primeira lagrima desceu contra sua vontade, para em seguida outra e mais outra.

- Não preciso do seu dinheiro. – a voz saia tremida. – farei a sua vontade. – desviou o olhar para a irmã que chorava baixinho. – você ficou muito parecida com a mamãe. – deu um sorriso, voltando o olhar para o irmão. – não nos veremos mais. Adeus.

Deu as costas e saiu.

- Kamus!

Antonietta tentou correr, mas Henry a segurou com força.

- Me solta Henry! Me solta! Kamus! Kamus! Volta... por favor... Kamus!

O aquariano escutava os gritos, mas continuou o seu trajeto.

- Kamus... – começou a chorar.

- Vamos entrar.

- Por que você fez isso? Idiota. – batia no peito dele. – agora ele se foi para sempre!

- Foi tarde. – disse seco.

- Seu idiota! Eu te odeio! Odeio!

Gritou saindo correndo para o prédio. Henry ainda continuou parado por um tempo.

- Desgraçado... – amassou o cheque.

O que era passos tornou-se uma corrida, queria sair daquele local o mais rápido possível, a cabeça completamente confusa não via o perigo em atravessar as ruas.

Kamus passava por entre os carros sem a menor atenção...

... primeiro foi ouvido o som de uma buzina e depois o atrito dos pneus com o asfalto...

O cavaleiro apenas sentiu o impacto...

X.x.X.x.X.x.X

Antonietta entrou no apartamento batendo todas as portas. Andava de um lado para o outro desnorteada.

- Não bata as portas. – Henry que acabara de entrar fechou a porta de forma mais branda.

- Por que fez aquilo? – bradou. – por que disse aquilo?

- Já chega Farah. – sentou no sofá. – esqueça esse episodio.

- Esperei por quinze anos para vê-lo e o que você faz? O manda embora!

- Queria que eu fizesse o que? – gritou. – que o abraçasse e dissesse "seja bem vindo" e apagasse tudo que aconteceu?

- Sim! O importante era ter ele de volta!

- Depois de tudo? Ele nos deixou naquele orfanato! Esqueceu?

- Teve seus motivos.

- Motivos? – riu. – que motivos? Um garoto de oito anos? Que motivo a mais seria em deixar dois estorvos? Pensa Farah!Ele teria mais chance sem nós a tira colo!

- Não é verdade... ele não faria isso...

- FEZ! E A PROVA ESTA AÍ! Deve ter descoberto que fomos adotados por um homem rico e voltou por dinheiro.

- Não é verdade! Kamus jamais faria isso!

- Fez. – disse seco. – não quero brigar com você por causa daquele traste.

- Não o chame assim!

- Chamo como quiser! Vá para seu quarto. Agora!

- Ele nunca gritou comigo...

- Eu grito e estou aqui, ele nunca gritou, no entanto...

Antonietta engoliu o choro.

- Não crie falsas esperanças Nie... – disse mais calmamente. – aquele Kamus que conhecemos morreu... aquele que encontramos não é o nosso irmão.

- Não é verdade... não é...

A garota saiu correndo trancando-se em seu quarto.

Henry soltou um suspiro desanimado e num ataque de fúria jogou um vaso longe.

- Não vai nos machucar de novo.

X.x.X.x.X.x.X

Miro fazia alguns exercícios quando parou de repente.

- Não falei que podia parar. – disse Shion.

- Desculpe... – voltou a fazer os movimentos, mas estava preocupado. – "sensação esquisita... não faça besteira Kamus."

X.x.X.x.X.x.X

Depois da discussão Henry resolveu voltar para a loja, no meu do caminho seu celular tocou. Procurou por um lugar onde pudesse estacionar.

- Alo.

- "Senhor Muhad?"

- Sim.

- "Conhece o senhor Kamyu Saunierre?"

Henry silenciou-se, novamente ele? Pensou em dizer não, mas escutou o som de sirene ao fundo o que deixou intrigado.

- Conheço.

- "Ele sofreu um acidente e foi levado para o hospital de Paris, será que pode dirigir ate lá?"

- Acidente? – indagou preocupado. – o que aconteceu?

- "Atropelamento, por favor, venha o mais rápido."

A outra pessoa desligou o aparelho. Henry ainda ficou muito tempo parado pensando no que fazer. Jogou o aparelho no banco ao lado, virando o carro na direção contraria.

Em menos de vinte minutos Ibrahim estava diante do médico de plantão. Felizmente não fora grave, mas o medico decidiu manter o aquariano em coma induzido por precaução.

- Foi um milagre. – disse a enfermeira conduzindo o jovem ate o quarto onde Kamus estava. – só esta com o braço quebrado.

Ele não disse nada.

- Fique a vontade. – abriu a porta. – com licença.

Henry apenas meneou com a cabeça. Lentamente entrou olhando fixamente para o homem deitado. Não podia deixar de sentir uma sensação desconfortável, mas lembrando-se de tudo que aconteceu endureceu o rosto.

- Só me trás problemas. – disse caminhando ate uma mesa próxima, onde tinha alguns pertences do cavaleiro.

Não era nada demais apenas o que restou de um relógio e uma carteira. Sem cerimônia abriu o objeto feito de couro. Alguns euros, o cartão do hotel onde estava, a cédula de identificação francesa e outra, que julgou ser grega pela escrita. Reparou na data escrita do lado esquerdo bem abaixo "14/07/1993" (n/a: data fictícia inventada para a fic)

- Essa data... – murmurou. – foi quando mudamos para os Emirados... – fitou o irmão. – está na Grécia desde essa época?

Ficou com ódio, aquilo era sinal que ele realmente tinha os abandonado.

- Seu idiota! Realmente... não vale nada! Deveria tê-lo deixado a própria sorte.

Durante todos esses anos nutriu um ódio terrível contra o irmão, admirava-o muito, mas depois do que aconteceu só conseguia sentir raiva. Tinha raiva ate quando Antonietta falava dele com esperança de reencontrá-lo e agora depois de tantos anos ele estava ali, como um fantasma para assombrá-lo.

Henry olhou para o tubo de oxigênio que mantinha a respiração dele. Deu a volta parando perto do aparelho.

- "Destruiu nossas vidas uma vez... não vai fazer de novo."

Sem pensar duas vezes, apertou o botão "off".

Passou apenas alguns segundos e Kamus soltou um longo suspiro. Henry o fitava de maneira fria, aquela historia chegaria ao fim, com a morte do causador de tudo, entretanto... levou o dedo ao botão "on", Kamus soltou novamente um suspiro passando a respirar normalmente. De forma silenciosa Henry saiu do quarto.

X.x.X.x.X.x.X

Logo após o ocorrido com Miro, Shion subiu rapidamente ao templo. Haviam solicitado sua presença e parecia grave, minutos depois voltou para a arena com o rosto tenso.

- Os treinos estão encerrados.

- Por quê? – Shura, que treinava com Diego, estranhou.

- Miro quero que me acompanhe.

- Eu não fiz nada! – escondeu-se atrás de Kanon. – juro que não fiz nada.

- Recebi uma ligação de Paris, Kamus está no hospital.

- O que? – exclamaram todos.

- Parece que sofreu um acidente de carro, o médico não entrou em detalhes. Já comuniquei a Athena, vamos no jato da fundação.

- Sim. – disse sério.

Rapidamente o cavaleiro juntou algumas roupas e em apenas uma hora voava em direção a Paris. Estava preocupado, não sabia o teor do acidente e estava com medo que tivesse acontecido algo mais grave. Não suportaria uma terceira perda.

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Voltando para a casa, Henry encontrou a irmã sentada na sala.

- Onde esteve?

- Por aí. – respondeu, não contaria nada para ela. – recebi um telefonema do papai, ele quer que volte para Dubai hoje ainda, parece que surgiu um problema na firma. – disse, em certa parte era verdade, pois existia mesmo esse problema, mas nada que precisasse da presença dela e tão rapidamente, mas se era para mante-la longe de Kamus o faria.

- Vou depois de achar o meu irmão.

- Onde? - indagou irônico. – nem sabe em que hotel ele está.

- Procuro o endereço da fundação.

- Do jeito que ele saiu daqui, mesmo que você ligasse ele mandaria mentir para você.

- Mentira!

- Verdade! Arrume logo suas coisas, o jato está esperando. Mamãe vai te esperar no aeroporto.

- Jamais vou te perdoar. – levantou. – jamais.

Henry não se importou.

- "Nunca mais vai vê-lo."

Duas horas depois Antonietta rumava para Dubai enquanto Miro e Shion chegavam a Paris.

Foram rapidamente para o hospital. Tiveram que esperar um pouco pelo medico que cuidava de Kamus, espera essa que deixava o escorpião ainda mais angustiado.

- Boa tarde. – um homem de branco aproximou.

- Doutor Pierre?

- Sim, creio que são os parentes de Kamus?

- Amigos. Como ele está? – Miro quase avançou nele.

- Era para ser um acidente muito grave, felizmente apenas quebrou o braço. Deixei-o em como induzido pois não sabia se havia sofrido alguma lesão já que bateu com a cabeça, mas pelos exames está tudo bem.

- Posso vê-lo?

- Ele continua dormindo, mas poderá vê-lo.

- Ele tem condições de voltar para a Grécia? – indagou Shion igualmente aliviado, se perdesse outro cavaleiro... – vamos de jato.

- Acredito que sim. Só preciso que me acompanhe.

- Claro.

Enquanto Shion acompanhava o doutor, Miro era levado ate o quarto de Kamus, não havia ninguém no corredor com exceção de um rapaz que estava sentado num banco próximo ao quarto. Nem o olhou, pois sua preocupação maior era com o amigo.

O rapaz que estava distraído não viu quando Miro entrou no cômodo.

Miro fechou a porta atrás de si sentindo um nó na garganta ao ver o amigo incubado. Aproximou parando em frente a cama.

- O que aconteceu com você? – indagou.

- Sofri um acidente. – a voz saiu bem fraca.

- E depois eu que sou o irresponsável. – sorriu ainda mais aliviado. – como você esta?

- Vivo. – abriu os olhos.

- Nos deu um grande susto. – aproximou parando do lado. – me deu um grande susto.

- Não foi nada...

- Já perdi a Rosa, perder você...

Kamus o fitou surpreso, para em seguida virar o rosto.

- Não soou muito bem essas palavras.

- Sabe que o considero muito. Você também é minha família.

O aquariano ao escutar aquilo ainda tentou segurar, mas... deixou uma lagrima escapar. Lembrou dos irmãos.

- Me leva embora daqui. Por favor.

- Está bem. – Miro sorriu. – como o senhor Ice desejar.

Depois de resolvido a parte burocrática, Shion foi para o quarto onde Kamus estava, acabou encontrando Miro na porta.

- Como ele está?

- Reclamando do calor. – brincou. – está bem.

- O medico permitiu a viagem dele. No principio da noite vamos levá-lo para Athenas.

- Perfeito.

- Estou aliviado. Ficaria desnorteado se perdesse mais um.

- Kamus está bem mestre. Em breve estará cem por cento recuperado e pegando no meu pé.

- Como se você não gostasse.

- É duro admitir, mas é verdade. – cruzou os braços sobre o peito. – gosto muito dele, no bom sentido, - tratou de esclarecer. – Kamus sempre foi a família que nunca tive, o considero como um irmão. O considero muito. Graças a ele, estou suportando a perda da Rosa.

O rapaz, que ainda estava ali, escutava atentamente o dialogo. Discretamente olhou para os dois demorando o olhar no de cabelo azul. Ele falava de um jeito como se conhecesse o amigo há muitos anos.

- Desde pequeno ele me livrava das encrencas... – sorriu. – e sempre me entendeu... acho que isso nos tornou próximos.

- A amizade de vocês é algo curioso. – disse Shion. – " engraçado, Kárdia e Dégel também eram assim." – sorriu. - venha, vamos providenciar a volta dele.

- Sim.

O rapaz abaixou o rosto ao vê-los aproximar, quando Miro ia passar por ele, propositalmente esticou a perna.

- Me desculpe. – pediu o escorpião.

- Não foi nada.

Os dois fitaram-se por um tempo e Miro continuou o seu caminho.

Henry o acompanhou com os olhos ate sumir no corredor, "considero como um irmão" martelava em sua mente e o ódio cresceu.

- "Não bastasse nos deixar, ainda colocou outro no meu lugar...canalha."

Levantou indignado e decido a apagar de vez qualquer lembrança de Kamus.

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Naquela mesma noite Kamus já estava em seu templo rodeado por seus amigos.

- Você nos assustou Kamus. – disse Dite.

- Desculpe.

- Se fosse o cabeça de vento do Miro ate entenderia mas você... – MM apoiava-se no marco da porta.

- Fui distraído.

- Bom... – iniciou Aldebaran. – já esta em casa e bem, vamos deixá-lo descansar. Todo mundo para fora.

Um a um foram saindo, restando apenas ele e o escorpião. Desde a saída de Paris não haviam trocado nenhuma palavra. De maneira silenciosa Miro ajeitava o travesseiro para ele.

- Se precisar de mim... – disse na intenção de sair.

- Espera. – a voz saiu baixa.

Miro olhou para trás.

- Senta.

O grego fechou a porta e sentou numa poltrona.

- Não quer saber o que aconteceu?

- Só se quiser me contar.

- Trouxeram todas as minhas coisas do hotel?

- Sim.

- Comprei algo para a Raissa, é um tabuleiro de jogo árabe. Acho que ela vai gostar.

- Ela gosta de tudo que você gosta. – torceu o nariz. – ela parece ser mais irmã sua do que minha.

- Ela tem bom gosto só isso.

- É...

- Encontrei meus irmãos. – fez silencio. – não acreditava em acaso, sorte, milagre, nesses tipos de coisas, mas hoje vi que as Moiras realmente comandam nossas vidas.

- O encontro foi por acaso.

- Completamente. Estava andando, ajudei uma senhora a encontrar um endereço e acabei parando na loja deles. Foram adotados por árabes e possuem uma loja e um restaurante em Paris. – Kamus começou a contar como foi o encontro. – aquela hora que me ligou tinha acabado de encontrá-los.

- E eles...

- Não me reconheceram...

- E o que sentiu?

Kamus o fitou.

- Antes de saber me senti muito a vontade com eles, foi um almoço agradável, mas quando li os nomes... entrei em desespero, varias coisas passaram pela minha mente, ainda mais depois que o Henry falou, me senti ainda mais culpado e a Antonietta... – sorriu. – ela ficou a cara da mamãe. E tão doce... e a risada, a mesma! – riu.

Miro observava-o, Kamus sempre fora reservado com seus sentimentos e raramente demonstrava-os, mas agora ao falar da irmã viu o quanto eles eram importante para ele, mas havia acontecido algo, Kamus não era de se distrair tão facilmente e tinha certeza que aquele acidente tinha algo haver.

- Fico feliz que tenha reencontrado-os, o senhor Deville serviu para alguma coisa. Bom, agora tem a sua família de volta.

O rosto outrora alegre ficou entristecido.

- Não tenho. Você não faz idéia do que aconteceu depois.

O aquariano contou com detalhes todo o ocorrido, Miro ouvia atentamente sem interrompê-lo uma única vez.

- Ele me odeia Miro. Henry me odeia. E com toda razão. Eu fui canalha com eles, deveria ter voltado, deveria ter permanecido naquele orfanato, deveria...

- Não teve culpa e sabe disso.

- Tive sim. Eu não deveria ter saído daquele lugar, eu... eu... – abaixou o rosto. – todos esses anos me escondi atrás dessa parede de gelo achando que eu estava certo, que eles deveriam ficar no passado e que deveria seguir minha vida, coloquei uma pedra de gelo aqui. – apontou para o peito - na tentativa... mas... eu não passo de um mentiroso sem escrúpulos que não teve coragem de enfrentar os erros.

- Já chega Kamus. – a voz de Miro saiu fria. – eu sei e você sabe que tudo foi uma fatalidade. Que não teve culpa pelo o que aconteceu.

- Não sabe de nada! Mas não me importo mais, vou continuar vivendo minha vida.

- Deixe de ser idiota! Você era um garoto! Não conseguia carregar o mundo nas costas, e ainda não consegue. Você foi tão vitima como seus irmãos. Se você fosse o canalha que pensa que é, não teria feito tudo o que fez para salvar Athena e o mundo. Não faria o que fez para tentar ajudar o Hyoga e não daria sua vida naquele muro. Não estou certo? Diz que naquela hora não pensou neles.

O francês ficou calado.

- Pare de fugir e assuma de uma vez que se importa com eles. Esqueça esse seu orgulho besta que tem e vai atrás deles, vá conversar com eles, conte tudo o que aconteceu se mesmo assim ele continuar te odiando pelo menos tentou. Espelhe-se no exemplo de Shura, de Afrodite.

- Você não entende, acha que as coisas são tão simples, que tudo vai resolver num passe de mágica. O mundo não é um conto de fadas!

- Realmente não é, mas cabe a nós torná-lo o mais próximo possível disso.

- Agora que tem uma família acha que tudo é perfeito.

- Acho. Tenho eles e meus amigos, não é o bastante?

- Pois o mundo não é perfeito, eu não tenho meus irmãos e você não tem mais a Rosa! – gritou.

Miro recuou.

- Viu só? Seu mundo perfeito não existe! Pare de achar que só um pedido de desculpas resolve o problema, pois sabe muito bem que não resolve! O Mu era uma prova disso!

O escorpião abaixou o rosto, Kamus tinha razão, mesmo com os inúmeros pedidos de desculpa Mu havia morrido sem lhe dá o perdão.

O aquariano que o fitava por alguns momentos arrependeu-se, mas logo abafou essa sensação.

- Não me venha com lições de moral. Sai daqui.

Miro o fitou.

- Quero ficar sozinho. Sai daqui! Agora.

O grego levantou e saiu.

- Droga! – Kamus atirou o travesseiro longe. – eu não preciso de vocês, nunca precisei, não vai ser agora.

Dois dias se passaram desde então, Kamus recuperava-se, mas não recebera mais a visita de Miro. O escorpião decidira não procurá-lo mais. Os demais cavaleiros estranharam a mudança dos dois, mas preferiram não comentar nada. Alem do mais desconfiavam que algo havia acontecido com o cavaleiro de aquário na França. As coisas tomavam seu rumo.

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Atena tinha acabado de regressar do Japão, só colocou as malas em seu quarto seguindo para o templo de Aquário. Shion tinha lhe comunicado o ocorrido e mesmo ele dizendo que Kamus estava bem queria ver com os próprios olhos. Não agüentaria se perdesse mais um cavaleiro. Ela permaneceu por algum tempo e depois retirou-se para que ele descansasse.

Caminhava lentamente para a saída de Aquário. Estava aliviada por Kamus está bem, mas sua volta, antecipada, não foi só por ele, havia mais um motivo.

- Atena?

Virou-se ao escutar seu nome.

- Dohko.

- Que surpresa, pensei que voltaria só no final da semana.

- Kamus me deu um susto.

- Assustou a todos nós. Chegou agora?

- Sim. Vim direto para cá. Como estão as coisas?

- Tranqüilas e os meninos?

- Estão bem. Shunrei e Shiryu mandaram lembranças.

- Obrigado.

- Ah... Dohko...

- Sim?

- Shura está em Capricórnio? – o coração estava disparado.

- Não. Foi para a casa da Rita. Nem o Diego. Há essa hora costuma treinar na arena destinada aos aspirantes.

- Hum... e como ele esta? Digo, seu treinamento.

- Muito bem. Ele é dedicado, dará um bom cavaleiro.

- Fico satisfeita em ouvir isso. – deu um sorriso discreto. – tenho um assunto a tratar com o Shaka.

- E eu com o Shion.

- Ele o aguarda mesmo. Com licença.

- Toda. – fez uma leve reverencia.

Atena atravessou Aquário, mas não seguiu para Virgem, olhando para ver se não havia ninguém usou a sua telecinese parando próximo ao conjunto de arenas.

Naquele horário apenas uma pessoa treinava. Diego seguindo as orientações que Shura havia passado realizava alguns exercícios. Estava tão compenetrado na tarefa que nem reparou na aproximação de alguém.

- Bom dia.

O garoto virou-se assustado.

- A-tena? – ajoelhou colando a cabeça no chão. – perdoe-me senhorita, não a vi aproximando.

Saori abafou o riso achando graça.

- Eu que peço desculpas.

- De maneira alguma. – continuava com o rosto no chão.

- Diego.

- Sim. – não levou o rosto.

A garota balançou a cabeça negativamente e sem cerimônias agachou diante dele.

- Quer me olhar?

- Mas senhorita...

- É uma ordem. – disse enérgica.

O garoto levantou o rosto na hora, piscando algumas vezes, por ver a garota com trajes simples e o cabelo preso num rabo de cavalo.

- Assim está melhor, e pare de me chamar de senhorita ou Atena, é Saori.

- Mas...

- Quero que continue me tratando como me tratava antes de saber quem eu era. Isso vale em qualquer situação.

- Mas você é a deusa e eu...

- Nós somos amigos. Só a Saori e Diego aqui.

- Sim...

- Agora me conte - sentou no chão. – como...

- Vai sujar sua roupa.

- Lavadouras servem para isso. Senta e me conta como vai o treinamento.

O garoto ainda meio arredio sentou. Desde que soubera quem ela era, não tivera um contato próximo como aquele, sempre que a via era em situações que exigiam um certo protocolo.

- Acho que estou indo bem... tenho me esforçado muito.

- Fico feliz em ouvir isso.

- Shura pega no meu pé, mas sei que é para o meu bem.

- É sim.

Os dois começaram um papo descontraído, aos poucos o garoto foi saindo da defensiva e conversava com ela como antigamente. Atena estava adorando, sentira falta do jeito como ele a tratava.

- Já deve ser tarde. – olhou no relógio. – eu preciso ir.

- Desculpe tomei seu tempo. – pediu o garoto.

- Conversar com você é sempre agradável. – ruborizou um pouco.

- Nos vemos tão pouco... – disse envergonhado.

- Seu convite ainda está de pé?

- Convite?

- Não me diga que esqueceu. – colocou a mão na cintura fingindo indignação. – o cinema.

- Ainda se lembra? Desculpe Atena, foi muita pretensão a minha, imagine a senhorita sair comigo... – abaixou o rosto.

- Pois eu quero ir ao cinema com você. Hoje a noite as sete, eu deixo você escolher o filme.

Diego a fitou assustado.

- Está falando sério?

- Estou. – levantou. – te espero as sete na porta do shopping Pathernon. Quero ter o gostinho de sair sozinha. – sorriu. – Shion vai enfartar.

- "Não antes de me matar." – pensou.

- Combinado?

- Sim... – ainda estava surpreso.

- Então ate mais tarde.

Sem que ele esperasse, ela deu-lhe um beijo na testa, saindo. Diego ainda ficou um bom tempo fitando o nada, não acreditava que tinha um encontro com ela.

- Eu vou sair com a Saori? – disse dando um grande sorriso. – eu vou sair com a Atena. – o rosto ficou apavorado ao se lembrar dos doze cavaleiros de ouro mais Shion. – sou um homem morto.

Pessoas, perdão pela demora. Final de semestre é um tumulto só. Espero que com as minhas férias eu possa agilizar as fics (Temporits e Reencontro II). Obrigada pelos comentários. Aproveitando desejando a todos um feliz Natal e Um prospero Ano Novo!

n/a: Passé – Passado em francês