Capítulo 10 – Parte 2.
Esta noite meu coração está frio
Perdido em suas mentiras, mentiras superficiais
Esta noite eu vou apenas deixar rolar
Perdido em seus olhos, transparentes choros
Me acalme com suas mentiras, sua tragédia simples
Isso é tudo o que eu peço para ouvir esta noite
E seu é tudo o que peço para ser
E assim é como todos nós caímos.
Glass to the Arson – Anberlin.
Eu engasguei quando a compreensão me completou. Claro, Carlisle conhecia os antepassados de Jacob; foi ele que tinha assinado o tratado com o bisavô de Jacob, Ephriam Black, em primeiro lugar – o mesmo tratado que tinha permitido que os Cullens e a tribo coexistissem pacificamente por todos esses anos. Carlisle deve conhecer tudo sobre os trabalhos da matilha e das linhagens da tribo de lobisomem. Eu percebi com um arrepio de ansiedade que à minha menção dos 'irmãos' de Jacob, Carlisle deve ter apenas realizado o que eles eram. E se Carlisle sabia, então não duraria muito antes-.
"LOBISOMENS?!" Houve uma queda estrondosa de acordes ásperos quando a música de Edward cessava e ele batia a tampa do piano com uma força de estilhaçar a madeira. Antes que eu tivesse tempo de piscar, ele tinha entrado na sala e estava agarrando meus ombros, seu rosto a centímetros do meu, as feições retorcidas com raiva. "VOCÊ NAMOROU UM LOBISOMEM?! QUE INFERNO DEU EM VOCÊ?! PRIMEIRO MOTOS, AGORA LOBISOMENS! VOCÊ ESTÁ TENTANDO SE MATAR?"
Eu estava tão surpresa pela ferocidade de seu ataque que eu cambaleei alguns passos, caindo em Carlisle. "Edward," ele disse em uma voz calma para o seu filho, deixando-me de pé e ereta novamente.
"Não Carlisle," Edward berrou, "você não OUVIU o que ela acabou de dizer? LOBISOMENS!" ele cuspiu a palavra como se ela fosse profana, seus olhos ardendo em chamas. Eu assisti alarmada quando o seu corpo todo tremeu com raiva. Isto foi pior do que o encontro da noite passada, pior até mesmo do que a sua reação em relação a moto. Eu nunca tinha visto-o tão lívido, nem mesmo com James.
"E-edward," Eu gaguejei levemente, assustada, "por que você está tão instigado? Está tudo bem-"
"Não, Bella, NÃO está tudo bem. Eu pensei que você pilotar uma moto era além da imprudência, mas aquilo não era nada – nada – comparado a isso-".
Eu revirei os olhos. Isso de novo não; eu tinha tido o suficiente do 'Edward controlador' noite passada. "Olha, eu não tenho tempo para isso de novo, eu preciso contar a Jacob sobre o meu voo-" Eu me virei de costas para Edward e me dirigi em direção a porta, mas ele se lançou na minha frente e bloqueou o meu caminho ainda na metade de seu discurso.
"- de todas as imundas, perigosas, voláteis, abomináveis criaturas para você confiar, você escolhe logo lobisomens?! Que diabos você estava PENSANDO?!"
Eu arrepiei com o comentário. "Esses são os meus amigos de quem você está falando!" Eu disse com violência, fitando-o.
"AMIGOS?! Alguns amigos!" ele gritou, "Isso me deixa com nojo só de pensar em você associada com tais criaturas vis. Você não faz ideia que tipo de perigo você se colocou-"
"Oh, e eu suponho que você faça?" Eu estourei, gritando de volta para ele, dando um passo na sua direção. "Você sabe, porque você estava comigo, cada passo no caminho, não estava? Você estava lá quando pela primeira vez eu percebi que Jake era um lobisomem, você estava lá quando eu namorei com ele pela primeira vez, e você estava lá quando... quando..." quando Brady sofreu um destino pior do que a morte na tentativa de me proteger. Fiquei em silêncio por um momento enquanto eu ferozmente impedia minhas lágrimas de caírem, antes de fitar Edward de novo. "Então você estava lá o tempo todo, não é? Oh, não, eu acho que você não estava. Você estava ocupado demais com suas distrações". Houve um silêncio vibrante com as minhas palavras. Note como ele nem ao menos nega isso, eu pensei amargamente. Eu levantei meus olhos para encontrar com os de Edward e esperei que ele pudesse ver todo o tamanho de traição, raiva e dor que eu sentia em relação a ele. Ele não disse nada, parecendo surpreso demais com minhas palavras. "Estou indo embora," Eu murmurei calmamente, passando por debaixo dos seus braços e pela porta da sala para o corredor. "Obrigada por tudo Carlisle, Esme". Então, suspeitando que Edward me seguiria, eu corri para a porta da frente, vacilando um pouco enquanto eu a abria e saia para a noite fria e congelante. A neve estava realmente caindo a sério agora, quase três centímetros já tinham acumulado. Passei meus olhos pela minha moto; eu não fazia ideia de como eu iria para casa com esse tempo, mas eu tinha que tentar. Eu tinha apenas dado o segundo passo na varanda, contudo, quando eu ouvi a voz de Edward atrás de mim.
"Bella, não vá, eu não quis dizer daquela forma. Eu sei que eu não estava lá e eu eternamente sinto muito por aquilo, mas você não pode ser tão descuidada com sua segurança-".
Eu tinha apenas prestado atenção no final de sua frase e eu me virei, fervendo. "Vamos direto ao ponto de uma vez por todas, Edward, depende de mim como eu me comporto. Você não é meu dono, você não me controla, você não desempenha papel algum na minha vida; é assim como você queria; então não se atreva a me dizer o que eu posso e não posso fazer". Eu comecei a fugir de novo, tentando o meu melhor para não escorregar nos degraus frios quando eu deixei a coberta da varanda e fui para as camadas de neve. Mesmo se eu tentasse correr, eu sabia que isso era inútil; eu pude senti-lo me seguir. Ele segurou meu ombro e me puxou para encará-lo, até que nós estávamos de pés juntos, nossos pés praticamente tocando na neve profunda. Atrás dele pude decifrar as figuras de pessoas paradas na varanda e eu sabia que sua família deveria ter vindo para assistir o show. Enrola, enrola, primeira fila para ver o coração de Bella Swan partindo-se. Eu já estava tremendo, estava tão frio, e eu senti que a neve que tinha acumulado ao redor da gola da minha camisa começou a derreter contra a minha pele, mandando gotas úmidas pela minha costa. Eu olhei para Edward e de novo eu fui golpeado com o quão perfeito ele era. Como podia ser que, embora cada palavra que eu estava dizendo a ele veio direto do coração, eu ainda estivesse desesperadamente apaixonada por ele? Meu peito estava doendo com desejo e perda quando eu dei um passo para longe dele. Eu não queria prolongar mais essa agonia. "Esta conversa está acabada Edward, não tenho nada a mais para falar a você," Eu sussurrei, tentando me virar.
"Você não se lembra do que você me disse na floresta?" Edward de repente disse enquanto ele me puxava de novo, seus olhos implorando e cheios de emoção. "Você não lembra da promessa que fez? Você prometeu se manter a salvo! Você prometeu não fazer nada perigoso, ou imprudente-".
Eu arfei e todo o meu corpo ficou tenso. Como ele podia usar aquela noite contra mim? Como ele podia torcer isso para que eu fosse a única que tivesse errado? "E sobre a sua promessa para mim?!" Eu respondi, as lágrimas transbordando das minhas pálpebras e começando a cair dos meus cílios. "Você me disse que me amava, você me disse 'para sempre'! Você me prometeu nunca ir embora, você lembra disso?! Você revogou seus direitos para comigo quando você quebrou essas promessas!" Eu limpei as lágrimas raivosamente das minhas bochechas, disposta a não deixar minha voz falhar, "Quando você vai finalmente entender isso, Edward? Você não pode ter tudo em ambos sentidos-".
"Mas-"
"Mas NADA!" Eu gritei com ele, "Você não pode me ABANDONAR e depois me dizer o que fazer, isso não FUNCIONA assim!"
"Bella, me escuta!"
"NÃO Edward, você me escuta!" Meu corpo todo estava tremendo agora; eu podia sentir me desfazer na frente dele. As pernas do meu jeans estavam encharcadas com a neve derretida e meu cabelo estava emaranhado e pingando; havia lágrimas caindo pelas minhas bochechas e eu sabia que eu deveria parecer uma maluca, mas de repente eu não me importava. Lembranças de todas as vezes que eu tinha chorado por Edward, todas as horas que eu tinha gastado ansiando por ele e todos os anos que eu tinha perdido esperando que ele retornasse, estavam tomando conta da minha mente, fazendo que cada pensamento amargo que eu nunca tinha tido em relação a ele, virem como vômito pela minha boca. "Você não é mais parte da minha vida! Não tem nada a ver com você, se eu piloto motos, pulo de penhascos ou se me amasso com lobisomens!".
"Mas você poderia ser morta,".
"POR QUE VOCÊ SE IMPORTA?" Eu explodi com ele, gritando com o ápice da minha voz, "POR QUE VOCÊ AINDA DÁ A MÍNIMA?! Você me ABANDONOU, você me REJEITOU; você disse que não me queria, você me deixou na floresta!" Eu me virei para encarar a casa e através da parede violenta de neve caindo, eu pude perceber a silhueta da família de Edward. "ELE ME ABANDONOU!" Eu gritei para a noite, sabendo que eles me ouviriam, mesmo com o uivo do vento congelante, "Depois de todas as vezes que ele me disse que me amava, ele me DEU O FORA, disse que estava ENTEDIADO comigo!".
"EU MENTI!" Edward berrou, "BELLA, EU MENTI! EU TE AMO!"
Meu coração parou.
Não.
Como ele podia?
Como ele podia brincar comigo desse jeito, quando ele sabia como eu me sentia em relação a ele? "N-não," Eu resmunguei, tirando meus olhos de seu rosto e tentando me distrair com minhas mãos, "não minta para mim assim, não é justo!" Minha voz quebrou quando mais lágrimas caiam pelas minhas bochechas. Eu o amava tanto e aqui ele estava, brincando comigo para o seu próprio divertimento. Senti meu coração despedaçar e o buraco no meu peito se abrir; eu tinha que brigar para não gritar de dor ou cair. "Isso deve ser uma p-piada para você Edward, mas n-não é para mim!" Eu engasguei com ele, "Como você p-pode ser tão c-cruel?" Eu cambaleei para longe dele, meus braços procurando cegamente atrás de mim pela minha moto, minha única chance de escapar.
"Não Bella, eu não estou mentindo!" Ele me seguiu, um olhar de desespero em seu rosto enquanto ele falava. "Eu te amo com todo o meu coração; você é minha vida, minha alma, minha razão para existir-".
"P-PARE!" Eu gritei, apertando minhas mãos sobre os meus ouvidos, "PARE de f-falar isso! Você já não me m-magoou o suficiente?" Eu tentei fugir dele, mas eu não conseguia me mexer na neve e eu cai pesadamente no chão. Fiquei deitada lá, tremendo e soluçando, e enrolei todo o meu corpo em uma bola protetora. A dor estava passando por mim, eletrocutando minhas veias e fazendo minha cabeça doer enquanto eu me balançava para trás e para frente, tentando o máximo em me manter junto. Senti a neve afundar levemente, quando Edward ajoelhou-se próximo a mim. Lentamente, hesitantemente, ele envolveu seus braços ao meu redor. "Você me abandonou," Eu sussurrei fracamente, várias e várias vezes, agarrando-me a ele com todas as minhas forças "você me deixou sozinha, você disse que não me amava".
"Eu sei," ele murmurou em meu ouvido, afagando meu cabelo, "Deus, eu sei, Bella, sinto muito. Eu desejo com todo o meu coração que eu pudesse desfazer o que eu fiz. Eu venho gastando cada segundo me arrependendo disso, desde que proferi aquelas mentiras, desde que eu te deixei naquela floresta". Eu podia sentir seu corpo tremer – ou era o meu próprio? De qualquer maneira, nós dois estávamos mexendo-nos como árvores em uma monção, desesperadamente tentando nos manter abraçados. O mundo poderia acabar, o universo poderia explodir e nada disso importaria, porque ao menos eu estava com ele, tocando-o. Edward me virou para que assim ele estivesse me olhando diretamente nos olhos. "Bella Swan, eu te amo mais do que tudo no mundo. Sem você, a vida não tem sentido; como uma tela em branco em um mar de branco. Todos os dias desde que eu te deixei, eu desejo que eu pudesse retornar, ansiando para te ver, para te tocar, para te beijar". Eu desviei o olhar dele, incapaz de compreender suas palavras. Ele devia estar mentindo... e ainda, era ele? Ele parecia tão sincero; eu não poderia detectar um fantasma de uma mentira em seus olhos, mas suas palavras não faziam sentido algum. Se ele me amava, então por que ele foi embora? Por que ele não voltou logo?
"Você...me ama?" Eu perguntei em descrença, testando as palavras em uma ordem que se tornara tão desconhecida ao longo dos anos.
"Sim," ele disse, apertando-me como se não quisesse nunca me soltar.
ELE ESTÁ MENTINDO, minha mente gritava, não escute, ele apenas quer te magoar de novo! Isso não podia ser verdade. Apenas não podia. "Se você me ama, então por que… então por que você foi embora?!" Eu sussurrei, meus olhos arregalados e cheios de lágrimas.
"Eu queria que você ficasse segura," ele murmurou, "Eu queria que você tivesse a chance de ter uma vida normal, feliz e humana. Eu podia ver que eu estava arriscando a sua vida a cada momento que eu estava com você, que eu estava constantemente te colocando em perigo e impedindo você de viver no mundo o qual você pertencia. Depois do que aconteceu com James, eu sabia que eu tinha que fazer alguma coisa para te proteger do horror da minha espécie... ainda que eu fosse egoísta demais, fraco demais para te deixar". Ele parou, enquanto ele afagava minha bochecha. Eu estava absorvida demais em suas palavras para até mesmo reagir. "Mas então depois do que aconteceu no seu aniversario, depois que o seu sangue foi derramado mais uma vez por minha conta... Eu sabia que eu não tinha escolha. Abandonar foi a única maneira de te deixar segura – a única maneira de você viver a vida que você deveria ter, como se você nunca tivesse cruzado com minha espécie".
Eu estava sem fala. Ele foi embora para me manter segura? "Você mentiu?" Eu perguntei, ainda incapaz de registrar suas palavras.
"Sim, meu amor. Eu pensei que seria melhor daquela maneira – um rompimento claro para você. Eu pensei que talvez fosse mais fácil para você seguir em frente, para curar...".
"O que?" Eu perguntei, de repente me contorcendo de seu abraço enquanto eu o fitava com incredulidade. Eu não podia acreditar no que eu estava ouvindo! Ele era doido? "Você tem alguma ideia do que a sua mentira fez para mim?" Eu perguntei a ele, minha voz inconscientemente tornando-se levemente mais alta. De repente eu percebi que eu ainda estava sentada na neve e eu fiquei de pé, meus olhos ainda fixos em Edward.
Ele parecia surpreso, como se ele não tivesse antecipado essa resposta. "Eu..."
"Você partiu meu coração, Edward!" Eu gritei. Eu pude sentir a raiva de antes borbulhar dentro de mim de novo. Eu tinha perdido seis anos da minha vida, e para quê? Para assim Edward me manter 'segura, feliz e normal'?
Ele aparentava com dor por causa de minha acusação. "Bella, me desculpe!" ele exclamou, saltando de pé e dando um passo na minha direção. "Eu estava tentando fazer o que era o melhor para você-"
"Oh, então eu não tinha que dar uma opinião sobre isso?" Eu retorqui, olhando para ele. Como ele se atreve? Ele nunca pararia de me tratar como uma criança?
"Eu queria proteger você, eu queria que você ficasse segura," ele repetiu novamente, sua voz enfraquecida; era óbvio que ele sabia que a sua desculpa estava soando fraca por causa da segunda. Ele parecia decidir em mudar de tática e deu passos na minha direção, baixando sua voz para um murmúrio, seus olhos como ouro líquido. "Bella," ele murmurou com a voz aveludada que sempre conseguia me deixar louca com luxúria, "Eu te amo". Ele me olhou, esperando. Por um momento, eu fiquei como uma cobra capturada por seu encantador, petrificada pela sua beleza. Então, eu notei um pequeno sorriso formando ao redor do canto dos seus lábios. Era como se algo tivesse estalado na minha mente, ajustando minha perspectiva. Eu amava Edward, claro que sim, mas eu não iria permiti-lo a encantar para sair dessa situação. Nenhuma quantidade de 'deslumbramento' da sua parte poderia me fazer esquecer do que ele tinha feito, ou da dor que ele tinha causado a mim. Eu não seria tão generosa quanto eu teria sido aos dezoito; de verdade, mais eu pensava em suas razões para ir embora, mais raivosa eu me tornava.
"Você queria que eu fosse feliz, Edward?" Eu gritei para ele, dando passos atrás na neve, "Você queria que eu fosse normal? Bem, aqui eu estou!" Eu estava chorando de novo agora, grandes soluços trêmulos estavam se desenvolvendo em meu peito, ameaçando me consumir. "Aqui eu estou, vivendo minha normal, feliz, saudável vida. Não é ótimo? Não parece perfeito?" A neve ainda estava caindo densa e rápida, me matando de frio. Eu estava toda encharcada por todo o meu corpo de onde eu tinha caído no chão e eu pude sentir meu cabelo agarrando na minha costa e a água caindo por meu rosto, os restos derretidos da neve misturando com o sal quente das minhas lágrimas. A nevasca estava tão pesada que eu não podia mais ver os Cullens parados na varanda, mas eu sabia que eles seria capazes de me ver. Eu poderia imaginar os olhares de pena em seus rostos belos e eu sabia que eu parecia ridícula, patética e fraca, mas eu não conseguia me importar. Isso não importava, nada disso importava mais. "É isso que você queria Edward?" Eu gritei com ele de novo, "Que eu ainda sentisse essa dor depois de seis anos? Você está feliz agora?! Eu espero, porque um de nós deve estar feliz com a maneira que as coisas têm mudado e é certo como INFERNO que não sou eu". Eu tremi enquanto eu olhava ferozmente para os seus olhos, minha emoção em tal nível que eu não conseguia nem mesmo ser confortada pela angústia que eu vi ali.
"Eu nunca quis te magoar, tudo o que eu sempre quis foi que você fosse feliz-" ele meio sufocou para mim, seu rosto desesperado.
"Eu era feliz antes!" Eu chorei, meus ombros pesando. "Eu era feliz com você, com minha vida do jeito que era. Por que você teve que arruinar isso? Você pegou tudo de mim. Eu não posso viver sem ser lembrada de você. Eu te vejo em todo lugar, em meus sonhos, minhas lembranças e meus pesadelos. Eu durmo e tudo o que eu penso, tudo o que eu sonho, é sobre você. Eu não posso nem olhar dentro dos olhos de outro homem, sem pensar que estou traindo você!" Deixei escapar um amargo e triste riso, "quão ridículo é isso? Eu sinto como se eu estivesse traindo você, quando todos nós sabemos que é ao contrário! Isso te faz ficar orgulhoso? Você gosta do fato que não tenho estado com um rapaz em anos? Que aos vinte e quatro anos eu fiz sexo uma vez, e que eu chorei durante o ato?" Edward estremeceu e eu entendi imediatamente a reação. "Oh, me desculpe, te aborrece pensar em mim com Jacob? Em nossos corpos quentes, suados, contorcendo enquanto ele tentava me dar o que você sempre-".
"Já chega, Bella," Edward implorou. Eu pude ver que eu realmente tinha o magoado, mas eu estava louca demais para sentir algo além de uma satisfação doentia.
"POR QUÊ?" Eu gritei. "Por que porra eu deveria parar? É apenas SEXO, por que o assunto te enoja tanto? Você estava claramente tendo muito dele com a sua puta loira, então por que você odeia falar sobre isso? Ou apenas eu que te causa repulsa?"
"Não! Não é assim, Tanya e eu não-"
"Quer saber? Eu não quero saber. Eu não me importo mais com o que você falar Edward, eu não dou a mínima. De qualquer forma, você mentiu para mim. Eu nem ao menos sei se você me amou no início, mas é certo como inferno que você não ama mais, porque se você amasse teria retornado antes de agora. Você me quebrou, ferrou com a minha vida e eficazmente me deixou para morrer, e agora você volta depois de seis anos – seis anos – e tenta agir como se tudo vai ficar bem? Bem, não. Você não pode curar esse tipo de ferida, e mesmo se você pudesse, você nunca seria capaz de reparar o que aconteceu com... o que aconteceu c-com... Br-rady". Eu estava tão perto agora – tão perto de ser reivindicada pela onda da maré de tristeza que ameaçava me invadir. Eu nunca tinha falado sobre aquela noite com ninguém além de Jacob, e mesmo com ele eu tinha evitado o máximo possível. Era como se eu estivesse caminhando em um precipício pelos últimos seis anos, sabendo o tempo todo que se eu perdesse o meu equilíbrio e caísse, eu teria que finalmente confrontar completamente o que tinha acontecido naquela noite.
"O que? Eu não entendo-"
"Não, claro que você não entende, porque você não estava lá. Se você estivesse, talvez nada disso tivesse acontecido". Foi isso que Jacob pensou; ele tinha sustentado desde o inicio que isso tudo foi culpa de Edward. Que isso foi os Cullens que tinham que me colocado em perigo em primeiro lugar. Eu nunca tinha concordado com ele, mas nesse momento e vez quando eu estava com tanta raiva de Edward, era simplesmente mais fácil culpá-lo. Fazendo isso não me faria uma pessoa mais terrível do que eu já era. Balancei minha cabeça, as lágrimas ainda caindo. "Você sabe o que é tão irônico nisso tudo? Que o seu plano completamente foi um tiro saído pela culatra".
"O que você quer dizer com 'meu plano'?" Ele olhou para mim aflito enquanto a confusão com minhas palavras penetrava em seus olhos.
"O seu plano de me manter segura e feliz e 'normal' – você devia também ter me deixado para James destruir". Edward recuou como se tivesse levado um tapa e todo o seu corpo tornou-se tenso.
"O que você quer dizer?" ele perguntou, e eu notei que ele parecia levemente assustado pela primeira vez.
Fechei meus olhos, querendo ter a força para falar o nome dela – o nome que tinha atormentado meus pesadelos nos últimos seis anos. Mesmo dizer o nome dela em voz alta tinha o poder de aterrorizar. "Victoria," Eu finalmente consegui pronunciar, em uma voz tão baixa que as palavras foram imediatamente retiradas de mim pelo vento barulhento. O corpo inteiro de Edward entrou em convulsão com o nome, seus pulsos apertados enquanto ele me fitava com horror.
"Victoria?" ele sibilou em descrença.
Eu assenti lentamente, tentando ignorar a maneira como minha garganta estava apertada com pânico. "Ela voltou por mim," Eu sussurrei, lembrando do primeiro dia que eu tinha visto o cabelo vermelho-chama de Victoria deslizando nas ondas em La Push. "No verão depois que você foi embora. Ela queria vingança pela morte de James e pensou que o melhor jeito de fazer isso era em me matar – para magoar você como você tinha a magoado; um companheiro por um companheiro" Eu estremeci assim que mais lembranças da noite tentada para me derrotar, mas eu as forcei a voltar. Eu tinha que contar a Edward o que tinha acontecido; eu tinha que fazê-lo entender as conseqüências de sua partida. "Ela se uniu a Laurent – o que significa que ele nunca foi até os Denali – e eles me perseguiram por semanas, tentando o melhor para me matar. Não parecia importar para Victoria que você tinha ido embora; isso apenas serviu para deixá-la com mais raiva. Ela não podia suportar que você tinha destruído James para me proteger, apenas para me largar de lado meses depois". Edward tentou me interromper, mas eu apenas balancei minha cabeça ferozmente. "Não! Não diga que você sente muito; eu não quero ouvir isso! Não importa quantas vezes você peça perdão, isso nunca irá desfazer o que acontecer. Então apenas não faça" Ele abriu sua boca de novo, mas a fechou firmemente, sua expressão torturada.
"Victoria e Laurent me seguiram por semanas. Não importava onde eu estava, se era na escola, no trabalho ou em casa, eles sempre estariam lá – um choque de cabelo vermelho-chama e pele pálida a espreita nas árvores. Mas ele não me atacaram; eles não podiam me atacar. Todo lugar que eu ia, eu era vigiada pelos lobisomens". Estreitei meus olhos para Edward. "Como isso te faz sentir? Enquanto você estava aproveitando as suas distrações e ficando longe 'para o meu próprio bem', a matilha estava arriscando a sua vida para me proteger; os mesmos 'imundos, perigosos, voláteis' lobisomens que você odeia tanto". Eu não queria esperar por uma resposta, parando apenas para respirar antes de eu terminar minha história. "Isso continuou por quase um mês; os lobisomens e vampiros jogando um jogo mortal de gato e rato, comigo sempre no meio. Eu não podia sair mais; eu estava aterrorizada demais para visitar qualquer pessoa, no caso de eu colocá-los em perigo. Eu não deixava Charlie sair da minha visão; eu estava com tanto medo de Laurent e Victoria o machucassem como uma forma de me pegar. Mas depois tudo parou; Victoria e Laurent apenas desapareceram. Nós não conseguimos acreditar no início; nós todos estávamos tão certos de que era apenas um truque, que eles apareceriam dentro de dias, mas outro mês passou sem nenhum absoluto sinal deles. Eu fiquei certa de que desta vez eles tinham ido embora por bem, que eu estava finalmente livre. Eu tentei persuadir os lobos que não havia mais necessidade de eles me vigiarem tanto. Eu já sentia culpa por eles estarem gastando tanto tempo me protegendo; eles todos estavam exaustos e Jacob mal ia em casa por meses. Eles recusaram no inicio; eles não queriam compartilhar da minha crença que o perigo tinha passado".
"Mas então... um dos anciões da matilha morreu. Claro que os lobos quiseram ir para o funeral, mas eles estavam com medo de me deixar. Eu implorei para Sam – o alfa – para deixar os garotos irem; eu falei para eles que eu não estava mais em perigo, que eu ficaria bem por uma noite". Eu balancei minha cabeça com auto-aversão. "Eu fui tão boba," Eu sussurrei. Edward ainda estava me olhando, dor e sofrimento em seus olhos. "Depois de horas de persuasão, Sam concordou em reduzir minha guarda por uma noite. Ele me deixou com um dos mais jovens lobisomens... Brady". Eu estremeci. "Ele tinha apenas 13 naquela época; ele não era esperado para assistir o funeral de qualquer maneira. Então ele ficou comigo". Deixei escapar minha respiração em um grande whoosh, lançando meus olhos até o céu da noite cheio de neve. O destino de Brady tinha sido inteiramente a minha culpa; se eu não tivesse feito Sam deixá-lo comigo, nada disso teria acontecido. "No inicio tudo estava bem; Brady esperou na beira da floresta do lado de fora da minha casa, enquanto eu me arrumava para ir para a cama sem nenhum sinal de perigo. Quando eu dormi, fiquei satisfeita que eu estive certa em pensar que Victoria e Laurent estavam muito longe".
"Mas eu acordei meia-noite e instantaneamente soube que algo estava errado. Tudo estava tão quieto... como se alguém tivesse colocado o mundo em silêncio. Eu olhei para cima e ela estava lá, no meu quarto". Edward deixou escapar um rosnado raivoso e eu tremi com a memória. Os olhos vermelho-sangue de Victoria e a mortal pele branca brilhando na luz da lua enquanto ela olhava com maldade para mim da minha janela quebrada; sua gargalhada divertida a medida que eu gritava e caia da minha cama, correndo para a minha porta e praticamente caindo na escada... "Ela parecia aproveitar me ver tentar correr, como se ela soubesse que não havia maneira alguma que eu pudesse escapar dela no final. Eu corri para fora e de algum lugar na floresta eu ouvi os sons de Brady lutando com Laurent, os rosnados deles me deixavam surda enquanto eu tentava fugir de Victoria. Eu estava gritando o tempo todo, aterrorizada de que ninguém pudesse me ouvir, mas ainda com mais medo de que eles viessem correndo e fossem colocados em perigo também. Eu tropecei e cai e sabia que isso era o fim – que o jogo estava terminado. Eu iria morrer". Eu parei, absorvida pela memória. "Depois Brady veio de não sei onde para salvar; ele tinha conseguido matar Laurent e a vitória da sua primeira morte tinha feito o sentir invencível. Ele se lançou até Victoria e começou a lutar com ela, mas ele subestimou a sua habilidade". Eu lembrei do jeito que ela tinha torcido e virado, incontrolável como fogo, com mãos como garras e reluzentes dentes afiados. Brady parecia pequeno em comparação, apesar do seu tamanho colossal. Eu tremi. Havia tanto sangue. "Era óbvio que Brady iria perder; ele estava muito ferido e eu sabia que faltavam apenas alguns minutos até que Victoria o matasse e viesse até mim. Eu tentei levantar e fazer alguma coisa, qualquer coisa, para distraí-la de machucá-lo, mas no minuto que eu dei um passo na direção deles, Brady resmungou, avisando-me para ficar longe. Mas era como se o meu movimento tivesse lembrado Victoria de que eu estava lá; ela virou-se e avançou até mim, eu cambaleei para trás e cai, forte, batendo minha cabeça contra uma pedra. A única coisa que eu sabia, tudo ficou escuro". Fechei meus olhos, lembrando-me de como fui acordada, minutos depois, pelos gritos de pânico de Jacob.
"Bella?! BELLA!" A voz aterrorizada de Jake esmagou a noite, puxando-me fortemente das profundezas da minha inconsciência. Suas mãos impossivelmente quentes agarraram meus ombros, me balançando fortemente para ficar acordada, enquanto ele continuava a soluçar intermitentemente da outra terrivelmente silenciosa noite. "BELLA! Oh Deus, Bella, por favor, acorda!".
Senti meus olhos se abrirem para vê-lo pairado a centímetros acima de mim. "Jake..." Eu falei.
"Bella!"
"Jake, Victoria veio atrás de mim, ela estava no meu quarto! Ela me atacou enquanto eu estava dormindo, eu não pude-".
"Eu sei querida, eu sei-".
"Eu sinto muito, eu não deveria ter dito para o Sam que estava seguro, eu não deveria ter colocado Brady em perigo," Eu parei, horrorizada. "B-brady! Jake, onde ele está?!" Eu comecei a chorar histericamente, meus olhos procurando ferozmente. Eles caíram em um grupo de figuras parado na escuridão entre as árvores. Alguns estavam de joelhos, alguns de pé; todos tinham olhares idênticos de tristeza nos rostos sombrios. Eu tentei ver a coisa que eles estavam ao redor, mas estava escuro demais. Jake, no entanto, tinha uma visão perfeita.
"Oh, Deus…" ele sufucou, lançando-se para a frente e correndo e batendo no chão enquanto ia em direção do grupo. Eu olhei de soslaio quando ele corria e o vi se juntar ao resto da matilha, empurrando os outros no seu caminho. À medida que eles se mexiam, eu finalmente consegui dar uma olhada na coisa que eles estavam ao redor – um amontoado de pele áspera e sangue gotejando. Eu gritei quando percebi quem era e não parei, até mesmo quando Charlie veio correndo de nossa casa.
Brady.
Eu abri meus olhos de novo e quase fiquei surpresa de me encontrar tremendo na neve de Rochester, ao invés da floresta em Forks. Eu tentei explicar o que eu tinha acabado de lembrar. "O resto dos lobos percebeu o que estava acontecendo e foram correndo. Uma vez que a matilha inteira estava lá, Victoria não teve uma chance; eles a mataram dentro de segundos. Mas Brady..." Deixei escapar um soluço dolorido e olhei para cima para ver Edward me olhando, horrorizado.
"Ele foi morto?"
Eu balancei minha cabeça, lágrimas de vergonha caindo pelas minhas bochechas. "Não, foi muito pior".
"Pior?".
Eu assenti, minha garganta quase seca para falar. "A príncipio parecia que ele ficaria bem; os lobisomens curam rapidamente e uma vez que seus ferimentos tinham se endireitado, ele era capaz de voltar para a sua forma humana. A matilha estava tão orgulhosa dele; por uma semana eles o trataram como um herói, surpresos que ele tinha conseguido matar Laurent e afastado Victoria até que eles chegassem. Eles tentaram ignorar o fato de que algo sobre Brady tinha mudado, certos de que ele estava apenas abalado pela coisa toda e que ele ficaria melhor. Mas isso logo tornou-se aparente de que algumas feridas estavam profundas demais para curar".
A testa de Edward de franziu. "Eu não entendo".
"Ele perdeu a memória, Edward," Eu respondi, mordendo meu lábio para me impedir de soluçar de novo. "Ele era jovem demais e sem experiência; ele não tinha ideia de como lidar com o horror do ataque de Victoria. Ela fez tudo além de torturá-lo, tanto mentalmente como fisicamente e isso foi demais para ele aguentar. Ele tornou-se sem resposta e não falava com ninguém, nem mesmo com a matilha; era como se ele não reconhecesse mais ninguém. Ele não mudava de fase, ele nem ao menos se mexia. Na maioria dos dias Jacob e os outros saiam na manhã e voltavam doze horas depois para encontrá-lo sentado exatamente no mesmo lugar, apenas olhando para o nada. Ele estava catatônico; ele não falava, ele não comia". Eu tremi de novo, "A matilha ficou perturbada. Eles não sabiam o que fazer ou o que dizer aos pais dele, que estavam ao lado deles com choque e aflição. Eles tentaram conseguir para ele uma ajuda médica, mas nada funcionou. E depois, no aniversário de terceiro mês do ataque de Victoria, eles desceram de manhã para encontrá-lo desaparecido. A tribo inteira foi mandada para procurar por ele; eles procuraram por horas, mas sem sorte. Era quase no cair da noite quando eles finalmente o encontraram – no topo de um dos mais altos penhascos de La Push, de pé bem na ponta, apenas fitando as ondas".
"Claro, não havia maneira alguma de que ele pudesse permanecer em casa depois disso. Os seus pais não poderiam olhá-lo 24 horas, então eles não tiveram escolha, além de colocá-lo na ala psiquiátrica no hospital. Ele tem estado lá desde então". Eu mal tinha notado que Edward tinha fechado a distância entre nós durante a minha última fala. Seu cabelo estava pintado com neve; havia flocos nos finais de seus cílios, emoldurando seus olhos dourados. Ele estava como uma estátua em um jardim coberto de neve, tão lindo que doía olhá-lo, mas com um ar frio e irreal para a sua aparência. Eu olhei para ele, meu coração doendo.
"Bella, sinto muito, eu não sabia…" ele se inclinou para me pegar em seus braços, mas eu o empurrei, ferozmente tentando afastar minhas lágrimas.
"Não, Edward! Você não pode apenas me tocar e fazer tudo ficar bem de novo; talvez isso devesse ter funcionado quando eu tinha dezoito, mas não agora; não depois de tudo o que aconteceu. Não depois de Victoria, depois de Brady. Eu estava tão apaixonada por você..." meus ombros afundaram-se, e eu sabia que não havia necessidade de fingir, "Eu ainda estou. Eu te odeio porque você foi embora e porque você não voltou; eu te odeio porque as suas razões para ir foram tão estúpidas, porque eu gastei os últimos seis anos da minha vida chorando por você e porque eu parti o coração de Jacob quando eu não podia esquecer de você. Mais do que tudo, eu te odeio por não perceber que Victoria voltaria atrás de m-mim e por Brady estar m-morrendo e por você não estar lá para m-me s-salvar como você sempre disse que faria," mais uma vez, eu estava perdendo a batalha contra minhas lágrimas, "Mas, apesar de tudo isso, eu ainda te amo muito que até machuca. Eu ainda faria qualquer coisa para ficar com você, para ser como se você nunca tivesse partido, para nós ficarmos juntos de novo. E eu me odeio por ser assim, por ser tão fraca e dependente e-".
Sem palavras de aviso, antes que eu pudesse fazer qualquer coisa para pará-lo, Edward me puxou para o seu peito, comprimindo-me contra ele e esmagando seus lábios contra os meus. Eu fiquei tão surpresa com sua ação, tão chocada por estar tocando-o deste jeito depois de todas as vezes que eu tinha ansiado por isso, que no inicio eu não podia fazer nada além de corresponder. Eu aprofundei o beijo e envolvi meus braços ao redor do seu pescoço, agarrando-me a ele como se eu nunca fosse largar. Seu beijo não era como os cuidadosos dos quais eu me lembrava; era desesperado e intenso, levando as minhas entranhas ao fogo e fazendo-me sentir mais viva do que eu tinha conseguido em anos. Mas depois de alguns segundos, assim que o choque tinha passado, eu comecei pegar nota da maneira que a parte racional da minha mente estava gritando em protesto. Não! Isso não é certo, isso não é como deveria ser. Tudo sobre esse beijo era errado; o tempo, o lugar – tudo isso. Eu nem ao menos tinha decidido se eu queria perdoar Edward, muito menos beijá-lo. Eu tinha que colocar meus sentimentos de lado e acabar com isso, antes que eu perdesse minha coragem. Exercendo toda a força que eu podia reunir, eu empurrei minhas mãos com força contra seu peito de ferro. Ele me largou quase imediatamente, seus olhos ardendo com emoções conflituosas. Eu o fitei, minhas bochechas vermelhas e minha respiração pesada; sem dúvida, eu olhei uma visão. Eu não sabia o que dizer; eu não tinha palavras para expressar a maneira que o meu coração estava batendo e meu corpo todo tremendo como se fosse eletrocutado. Ele me beijou, ele me beijou, ele me quer apesar de tudo o que eu disse! Minha mente falou incompreensivelmente enquanto eu ficava parada congelada. "Eu..." Eu parei, incapaz de vociferar como eu estava me sentindo. Eu não estou pronta para isso. Eu precisava de tempo para pensar, tempo para processar a totalidade de revelações da noite. De repente eu senti como se o mundo estivesse condensando, capturando-me. "Tenho que ir," Eu arfei, desviando o meu olhar do seu rosto, "M-me desculpe... Eu..." Eu não terminei a frase; eu não sabia como. Sem outra palavra ou olhar para trás, eu me virei e cobri os últimos poucos passos para onde minha moto esperava por mim, coberta por neve. Eu malmente para limpá-la, meramente raspando o guidão antes de me suspender no banco e ligar o motor. Se Edward estava me chamando, então suas palavras foram imediatamente perdidas sobre o barulho da moto e no choro do vento. Eu não olhei de volta para a casa enquanto me afastava, nem vi Edward quando eu desviava erraticamente em direção da auto-estrada. Graças às árvores altas alinhadas em cada lado da estrada, meu caminho estava relativamente livre de neve e eu fui capaz de dirigir em alta velocidade, deixando a casa e Edward muito atrás. Memórias de tudo o que tinha ocorrido naquela noite passou por minha mente: O telefonema de Jacob; as notícias sobre Brady; cortando minha mão; falando com Carlisle; sendo questionada por Tanya; o tocar furioso do piano de Edward; deixando escapar sobre os lobisomens; brigando com Edward; correndo para fora; ele gritando que me amava; minha dúvida e depois minhas lágrimas e acusações; recontando a história de Brady e finalmente aquele beijo...
Era como se tudo fosse alucinação agora; uma mistura do pior pesadelo e do mais perfeito sonho. Eu tentei ignorar isso e focar na estrada, mas eu não poderia banir a memória do rosto de Edward quando ele me falou que me amava, ou a sensação dos seus lábios nos meus... Distraída, impensadamente, eu virei bruscamente para fora da rodovia da estrada principal. Por uma fração de segundo, parecia vazio; havia alguns carros no outro lado da estrada, mas nada a minha frente. Então, tudo começou a acontecer de uma só vez. O grito de uma buzina rachou através do ar coberto de neve e quando eu virei, vi um monstruoso caminhão de carga derrapando na minha direção com ferocidade aterrorizante. Meu coração parou enquanto eu tentava desviar a moto para fora do caminho do veículo, mas sem utilidade; despercebido por mim, eu tinha virado bruscamente para um pedaço grosso de gelo preto, agravada pela camada de neve insípida. A moto gritou debaixo de minhas mãos e fez uma grande volta, inclinando pesadamente para um lado e tombando, comigo presa dolorosamente embaixo. Quando eu bati minha cabeça contra a fria e dura superfície da estrada, eu sabia que eu estava perdida. Cega pelos holofotes brilhantes do caminhão, pude sentir minha consciência escapulir. De longe, como se através de uma densa nuvem, eu ouvi uma cacofonia de sons: o grito da buzina do caminhão, o coro de berros e gritos, o gritar de pneus, um rugido desesperado, um ensurdecedor e gritante triturar... e eu não sabia de mais nada.
Então, aqui vai a parte 2 e final do capítulo 10!
O que acharam do beijo? Morreram? Precisaram de um remédio ou de um desfibrilador? É, o beijo que tantos esperavam.
Bom, eu nunca tive a oportunidade de responder as reviews, né? Cheguei a responder algumas, mas acho que vocês não viram, então vou responder algumas perguntas por aqui, pra virar uma rotina. Vamos lá:
Liih Cullen: Se Edward e Bella vão ficar juntos? Isso não posso te responder, são cenas dos próximos capítulos ;)
L: A fic até o momento tem dezoito capítulos, mas no total são vinte.
Lyka Cullen: Sei que é complicado ler parágrafos compridos, mas sigo o modelo de escrita da autora e como ela escreve em grandes parágrafos, faço o mesmo. O meu trabalho aqui é só traduzir.
Espero ter respondido as perguntas de vocês, meninas!
Quanto ao resto, muito obrigada por dar reviews. Vocês sabem que elas são preciosas!
Até o próximo capítulo,
Beijos,
Fran.
