Capítulo 11- Edward
Depois do jantar diferente com a família de Alice, ela me arrastou para a sala dizendo que queria ver a reprise de um episódio da série 'Glee' que ela amava.
Sentamos no sofá enquanto ela ligava a televisão e colocava no canal. O episódio começou e eu logo percebi que já tinha o visto. Era o episódio 'Balada' em que a personagem Rachel Berry se apaixona por seu professor. Bufei e a fuzilei com os olhos. Ela apenas sorriu para mim e soprou um beijo. Idiota.
Ficamos assistindo a série até umas nove da noite, já que era uma maratona, quando Edward entrou na sala e se sentou no sofá ao meu lado, sua expressão triste e transtornada. Virei-me para ele franzindo o cenho, como em uma pergunta silenciosa. Ele apenas balançou a cabeça negativamente e me deu um sorriso fraco.
- Bella, eu vou lá em cima falar com a minha mãe. Não vou demorar muito. Você vai ficar bem? – Alice disse já se levantando e indo em direção as escadas.
Eu sabia o que ela estava tentando fazer, mas assenti de qualquer maneira. Segui seus passos com o olhar até ela desaparecer no topo da escada. Virei-me para Edward.
- Então, vai me contar o que está te chateando? – ele suspirou.
- Não é nada de mais. – disse quase em um sussurro. – Eu... tive uma conversa com Carlisle que me lembrou umas coisas, só isso.
Essa era a primeira vez que eu via Edward desse jeito. Ele nunca me pareceu tão inseguro como agora.
- Quer conversar? – disse hesitando. Ele riu baixo.
- Está tudo bem, Bella. De verdade.
Suspirei pesadamente.
- Não, não está. – disse tocando seu braço. – Você sabe que pode contar comigo pra qualquer coisa, certo? – ele riu denovo.
- Você tem mesmo dezessete anos? – disse. – Parece que você é a adulta aqui. – foi a minha vez de rir.
- É o que a minha mãe sempre diz. – sorri. Ele riu mais ainda, mas logo ficou sério e fixou seu olhar na porta. Levantou-se.
- Vamos. – foi em direção a porta enquanto eu o seguia.
Saímos da casa e fomos os fundos da mesma, onde ficava um pequeno jardim. Ele sentou-se em um banco, dando tapinhas no espaço ao seu lado. Sentei-me.
- Eu não acho que deveria estar te contando isso. – suspirou. – Já faz muito tempo que aconteceu.
Ajeitei-me no banco de modo que pudesse estar de frente para ele.
- Se te preocupa tanto é claro que você deveria. – ele deu um meio sorriso.
- Certo. – disse – Não sei por onde começar.
- Hm.. – comecei tentando aliviar um pouco a tensão. – Pode me contar como se fosse um fato histórico sabe, como na escola. Deve ficar mais fácil desse jeito.
Ele me olhou chateado.
- Fato histórico? Bella, quantos anos você acha que eu tenho?
Franzi o cenho.
- O que? Eu... – só então percebi que a frase não tinha ficado com o significado que eu imaginava. – Oh! Não! Eu não queria dizer desse jeito, eu estava só... – eu já devia estar corando em uns mil tons de vermelho.
Ele jogou sua cabeça para trás, rindo.
- Relaxe, Bella. Eu estava só brincando. – olhou-me e começou.- Edward Cullen tinha apenas dezesseis anos e já estava no último ano da LA High.
Eu ri.
- Tudo bem, não precisa me contar desse jeito. – ele riu. – LA High? Vocês moravam em Los Angeles? – ele assentiu. – Você pulou dois anos do colegial? – ele assentiu novamente, rindo dessa vez, mas seu semblante logo ficou sério.
- Eu tinha dezesseis anos e estava terminando o High School. Apesar de ser mais novo e ter as notas perfeitas por causa do meu sonho de ser professor, eu era popular e jogava no time de futebol americano da escola. Também saía com várias garotas mais velhas, o que fazia com que os garotos mais velhos que eu chamava de "amigos" me achassem legal. – bufou. – Bem, na verdade tinha um propósito para eu sair com várias garotas. Eu queria impressionar uma em especial. Tanya Denali. – seu rosto ficou ainda mais sério.
- Tanya era o sonho de consumo de qualquer garoto daquela escola. Era alta, loira, tinha os olhos verdes e era a chefe das líderes de torcida, além de ser a garota mais popular da escola. – me senti meio mal com isso. Como eu podia competir com essa tal de Tanya? Não que eu achasse que tivesse competição, claro.
"Um dia, Tanya veio falar comigo no vestiário no final do treino de futebol americano. Ela me perguntou por que eu nunca a chamei para sair. Eu me lembro de estar com um sorriso enorme no rosto, vendo que meu plano tinha realmente funcionado. Naquele mesmo dia, eu a chamei para sair.
Nós saímos por duas semanas quando eu a pedi em namoro e ela aceitou. Desse dia em diante nós nos tornamos o casal mais popular da escola. Íamos às melhores festas do colégio, conhecíamos todos e nós até ganhamos como 'Rei e Rainha do Baile de Outono'. Eu já até a tinha apresentado a minha família e todos gostavam dela. Exceto por Alice, que mesmo com onze anos sempre a odiou. Ela dizia que ela não era boa o suficiente para mim e que ela iria me machucar. Eu queria ter a ouvido mais...
Depois da semana sem aulas do Ano Novo, a professora de Francês teve um filho e estava de licença à maternidade e imediatamente ganhamos um substituto: Jensen Baileys. Ele tinha mais ou menos uns trinta anos, mas todas as garotas eram apaixonadas por ele, mas eu achava que Tanya era a exceção.
Três meses passaram e eu e Tanya já estávamos caminhando para um relacionamento um pouco mais... hm... físico. Duas semanas depois de... bem, depois de termos dormido juntos, eu a procurei e disse que precisava falar com ela. Eu ia dizer que a amava e quando ela disse que também precisava falar comigo eu achei que ela iria fazer o mesmo. No horário do almoço combinamos de nos encontrar atrás do ginásio. Ela chegou lá mais nervosa do que o normal e disse algo que não esperava ouvir. Ela me disse que estava grávida.
Eu fiquei eufórico e a disse que era impossível, já que tínhamos nos protegido. Ela disse que a camisinha deveria ter furado ou algo assim. Apesar de estar muito assustado, eu tinha ficado feliz por isso e já estava me imaginando como pai. Eu queria aquela criança, Bella. Eu já tinha até ido em casa com Tanya e contado para Esme e Carlisle. Eles não aceitaram muito bem de início, mas logo depois até ficaram um pouco felizes com a notícia, pois conheciam Tanya muito bem desde que começamos a namorar e sabiam que tínhamos condições para criar essa criança. Alguns dias depois Tanya me deu a pior notícia: disse que iria tirá-la. Disse que não podia contar aos seus pais que estava grávida. Eu surtei com isso e tentei a convencer do contrário, mas ela não mudou de ideia.
Era uma sexta feira quando a ouvi falar com Kate, sua irmã que era a única de sua família que sabia de tudo, que o bebê tinha quase dois meses e precisava tirá-lo imediatamente porque sua barriga já começava a crescer e seus pais já estavam percebendo que ela tinha engordado. Eu não liguei muito para aquilo, achei que ela só estivesse mentindo para convencer a irmã a ajudá-la com o aborto, o que eu ainda tentava convencê-la de não fazer. No final do mesmo dia eu tinha esquecido meu livro na sala de francês e voltei para buscá-lo na sala quando eu vi Tanya e o Sr. Baileys se beijando através do vidro da sala. Eu não pude acreditar naquilo. Mas o pior veio depois. Ele se abaixou e colocou a mão na barriga praticamente lisa dela e se abaixou para beijá-la.
Eu entrei na sala furioso, gritando com Tanya e pedindo explicações. Ela tentou negar, mas acabou me contando toda a verdade. Ela e o professor mantinham uma relação desde os primeiros dias em que ele chegou à escola e que o bebê tinha realmente quase dois meses e que era dele e não meu. Ela me implorou desculpas chorando e pediu, junto com o , para que eu não contasse para ninguém. Naquele dia eu fui para casa e fiquei no quarto até o dia seguinte. Eu realmente a amava, ou pelo menos achava que amava.
Depois disso eu me tornei a pessoa mais anti-social possível, tanto que até perdi meus "amigos" e passei a me concentrar ainda mais nos estudos. Alice foi quem mais me ajudou, sempre dizendo que eu não deveria sofrer por ela, já que ela não me amava realmente e que algum dia eu iria encontrar a pessoa certa.
Pouco tempo depois eu soube que Tanya resolveu contar aos seus pais sobre o bebê e sobre o verdadeiro pai uma semana depois. Ela tinha decidido a ficar com ele. Os pais dela a expulsaram de casa e ela passou a morar com o Sr. Baileys, que fora expulso da escola por seus envolvimento com uma aluna.
Algum tempo se passou e alguns dias antes da formatura quando eu tive a notícia de que Tanya tinha caído de uma escada e sofrido um aborto espontâneo. A única notícia que tive dela depois disso foi que ela tinha se mudado para Boston com o professor e estavam vivendo juntos.
Assim que sai de LA High entrei em Darthmont e daí em diante nunca mais me envolvi com ninguém, mas voltei ao meu estado normal. E tudo graças, principalmente, à Alice."
Eu estava chocada com a história. Eu não conseguia dizer nenhuma palavra, então eu apenas coloquei minha mão no ombro de Edward e o afaguei.
- Sinto muito.
- Obrigado. – suspirou e me olhou. – É por isso que eu estava chateado. – disse e eu franzi o cenho. – Não vê, Bella? O que estamos fazendo é errado!
Eu o olhei, incrédula e me afastei. Essa era a parte em que ele me dizia para me afastar.
- Não é o mesmo caso aqui. Não há nada de errado em sermos amigos. – tentei dizer. – Você tem uma vida fora daquela escola também.
Ele colocou a cabeça entre as mãos.
- Eu sei. E mesmo se a nossa relação fosse a mesma deles eu seria bem mais cuidadoso que ele. – ele hesitou e respirou fundo. – Desculpe, eu não quis insinuar nada.
Toquei seu ombro.
- Eu sei disso. Está tudo bem. – tentei sorrir, mas saiu meio falso.
Ele continuou com a cabeça baixa.
- Hey. – chamei-o, apertando de leve seu braço. – Estamos bem, certo?
Ele tirou o rosto das mãos, me olhando com um sorriso um pouco triste e me abraçou forte.
- Obrigado. – disse. – E... desculpe por isso tudo. – riu.
Sorri me afastando e logo sentindo falta de seus braços em volta de mim.
- Claro.
Ele sorriu triste e olhou para a casa.
- É melhor voltarmos. – assenti e me levantei.
Entramos de volta e Alice já estava na sala esparramada no sofá com um pote de pipoca nas mãos e com os olhos fixados na televisão. Sentei-me junto com Edward no outro sofá. Ela desviou os olhos da televisão e nos olhou.
- Vocês demoraram. – disse, seu olhar alternando entre nós dois. Encheu uma mão com pipoca e a colocou na boca. – O que fizeram?
Ouvi Edward suspirar do meu lado.
- Eu contei a ela sobre Tanya.
Alice sentou-se imediatamente e quase derrubando o pote de pipoca.
- Contou? – ele assentiu. – Bom, pelo menos agora ela sabe a verdade sobre a vad...
- Alice. – Edward a interrompeu.
Ela revirou os olhos.
- Mas é verdade!
- Eu sei. – ele riu. – Mas isso já não importa mais.
Alice deu de ombros e colocou os pés em cima da mesinha de centro.
- Como quiser. – colocou mais pipoca na boca e voltou sua atenção a televisão.
Edward pigarreou, mas ela continuou olhando prestando atenção na tela.
- Vai me ignorar? – ela não se moveu. – Está bem. Vamos, Bella. – pegou minha mão e começou a me levar para as escadas, mas a mão de Alice nos parou.
- Não! – ela levantou e me abraçou. Edward jogou a cabeça para trás rindo. – Nós vamos subir. – ela o fuzilou com o olhar. – E você fica! – mandou o empurrando com uma mão.
Ele riu, mas assentiu.
Eu só tive tempo de acenar para Edward que ainda ria e depois subimos para o quarto de Alice.
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N/A: Capítulo curtinho, mas se ficasse muito grande ia ficar um pouco sem nexo, e eu queria que ele se focasse mais na história do Edward, então...
Devo dizer que eu tenho pena do Edward. Também devo dizer que sempre odiei a Tanya, haha.
Ah! O beijo está beem próximo (: Acho que vai ser no treze.
Uma pergunta pra vocês: eu estava pensando em mudar o nome da fic para "To Sir, With Love". É o nome de uma música que quase todo mundo já ouviu, mas nunca se lembram de onde. A música também tem uma versão cantada pelo elenco de 'Glee' ( que já deu para perceber pelo capítulo que eu sou apaixonada haha), que eu gosto bem mais do que a original. Eu acho que o nome fica perfeito para fic, mas eu quero a opnião de vocês. O que acham?
Obrigada pelas reviews do capítulo anterior e continuem mandando. Ah, tem muita gente adicionando a fic como favorita ou alerta. Obrigada, mas mandem reviews também! Assim o capítulo chega mais rápido já que eu já tenho um pouco dele escrito...
Ok, ok, chega de chantagem.
Beijos,
The OSC.
