Vocês foram lá no formspring da beta cobrar e ela me entregou o capítulo hoje. Continuem assim HAHA
Lembrando: Gincana de Páscoa valendo ovo de Amanhecer estará no ar dia 05/03 e espero todo mundo participando. Mais inforamções no Group (http : / / www . facebook . com / groups / 199081246828258 /).
Musiquinha, looks e mais uma pá de besteirinha postados no tumbrl (h t t p : / / adamaeovagabundofanfic . tumblr . com) assim como spoiler sempre que possível.
Show me the love, suaslindas!
11.
O tempo funciona de uma maneira engraçada. Quando a gente quer que ele voe, ele se arrasta e leva uma eternidade para cada minuto no relógio morrer. Mas basta ter algo em nossa vida nos fazendo desejar que o tempo congele para que ele passe em um piscar de olhos. Minhas últimas 48 horas em Oxford antes das férias de final de ano foram exatamente assim; no piscar de olhos. Só porque eu tinha Edward de volta a minha vida.
Eu o perdoei porque senti em sua voz o arrependimento de não ter me escutado direito quando contei sobre minha verdadeira identidade. Além da saudade absurda que eu senti, resolvi dar uma segunda chance para ele mostrar que nada entre nós dois mudaria agora que ele sabia que eu era uma princesa e tinha um trono me esperando. Eu queria que tudo desse certo, e pelo jeito que ele me tratou nos últimos momentos que tivemos juntos antes de eu viajar, ele também tinha essa vontade. Os almoços juntos voltaram, assim como seu braço jogado sobre meus ombros quando andávamos pelo campus e os beijos que pareciam não ter fim. Voltei a sorrir sem parar, a dormir abraçada com Vincent suspirando enquanto relembrava meus momentos com Edward, a escutar Beatles sem ter vontade de chorar. Eu estava novamente feliz no campo amoroso.
Mas minha felicidade a dois teria que tirar férias junto com minha última prova no dia 19. Até o começo de Janeiro, ficaria em San Marino e Edward continuaria em Oxford, trabalhando no pub e fazendo alguns quadros quando sua criatividade atacasse. Prometemos que manteríamos contato durante esse tempo, por telefonemas, mensagens no celular, e-mails, skype. A tecnologia estaria a nosso favor quando a saudade batesse forte, e eu sabia que bateria o tempo todo. Me sentia tão bem quando estava com ele que meus dias de férias iriam ser os mais tediosos do mundo sem sua presença constante em meu dia-dia. Se bem que, eu sabia que não pararia um minuto assim que pisasse em San Marino por causa da agenda que tinha que cumprir para mostrar ao Estado que a princesa Isabella II estava de volta e continuava a mesma garota perfeita e exemplar de sempre. Com um quase namorado, mais calças jeans no guarda-roupa e o primeiro porre da vida na sua lista de novidades que ninguém iria saber.
Minha última noite em Oxford foi ocupada por malas que nunca ficavam prontas apesar de eu já estar trabalhando nelas a alguns dias. Não poderia esquecer nada de importante e fiz uma lista de itens que precisava levar, deixando tudo arrumadinhos obre minha cama antes de encaixar nas duas malas Vermillon e em minha bolsa Michael Kors. Alice também estava terminando sua mala, mas com o som alto e cantando desafinada junto com a canção grudenta. Já estava ficando com dor de cabeça e quase pedindo para ela baixar um pouco o som, ou colocar o fone de ouvido, quando meu celular tocou em algum lugar do quarto cheio demais.
- Oi. - atendi ofegante depois de correr atrás do aparelho.
- Estou em sua porta há dez minutos batendo e ninguém me escuta por causa do som alto. - Edward disse do outro lado da linha. - Vocês estão dando alguma festa e não me convidaram?
- Desculpa. Alice resolveu espantar a preguiça e arrumar as malas com o som alto. Vou abrir a porta para você.
Mas antes de ir atendê-lo, esmurrei a porta de Alice e gritei que ela abaixasse um pouco. Ainda dava para escutar quando abri a porta para Edward e recebi um beijo em meus lábios, o deixando entrar e se livrar dos flocos de neve em seu cabelo bagunçado. Ele trazia duas sacolas de papelão na mão e se dirigiu sem cerimônias para a pequena cozinha que tinha no dormitório.
- Como eu sabia que você passaria a noite arrumando mala, trouxe seu jantar. - me informou colocando algumas garrafas de cerveja no frigobar.
- Que fofo... - murmurei corando com sua atenção. - Muito obrigada.
- De nada, minha querida. - Edward retrucou me segurando pela cintura e me beijando corretamente.
Gostava de pensar que quando estava o beijando meu coração iria derreter de tão confortável que era. Eu adorava o jeito que meus lábios queimavam com o atrito contra o dele, como suas mãos eram grandes o suficiente para esconder meu rosto ou encaixar em minha cintura magra, os barulhinhos que nós produzíamos em consequência do prazer que aquilo nos dava. Os tipos de coisas que me fariam falta nas próximas duas semanas.
- Falta muito para acabar de arrumar tudo? - ele perguntou quando eu brincava com seu cabelo espetando para todos os lados e com alguns floquinhos de neve.
- Só os últimos detalhes, o que é a pior parte. E eu ainda tenho que ver em qual mala irei levar minha... - mas parei antes de dizer "coroa" porque não queria entrar nesse assunto.
- O quê? - Edward insistiu e eu dei um longo suspiro antes de respondê-lo.
- Minha coroa.
- Entendi... - ele murmurou demonstrando incômodo com aquele assunto. - Então... você quer comer agora ou prefere terminar sua mala antes?
- Acho que prefiro terminar para depois ficar mais livre.
- Ótima idéia.
Entramos em meu quarto e Edward olhou ao redor em buscar de um lugar para sentar, já que a cama estava ocupada e a poltrona que tinha no local servia de cama para Vincent. Tirei o gato de lá para que Edward pudesse sentar e como vingança, ele pulou na cama e deitou dentro de minha mala aberta, em cima da pilha de roupas que eu já tinha colocado. Edward riu quando eu comecei a brigar com Vincent em italiano e o expulsei do quarto, fechando a porta para que ele não retornasse e me atrapalhasse ainda mais.
- Você fica adorável quando briga com alguém, sabia? - Edward comentou mesmo que eu ainda estivesse irritada.
- Não fico. - retruquei tentando me concentrar nos pares de salto-alto que separei e tentava fazer caber na mala menor.
- Tão adorável e enfezadinha...
- Edward, pára! Eu tenho que terminar essas malas e tirar o pêlo de Vincent das roupas antes que fique tarde demais e eu não possa ficar um minuto com você, e amanhã meu vôo é cedo demais então eu tenho quase certeza de que não vai dar tempo de fazer tudo e...
- Bella, respire fundo. - ele pediu ficando em pé e parando em minha frente. - Vai dar tempo de você terminar de arrumar as malas, organizar tudo e ficar comigo. Não precisa surtar dessa forma.
- É que... eu não quero ir para San Marino amanhã. - murmurei querendo buscar o calor de seu abraço e sentindo o perfume misturado com cigarro sempre constante em suas roupas, mas ainda tímida com esse tipo de contato mais profundo com ele. - Eu quero ver minha família de novo, mas vai ser um saco ter que voltar a ser a Bella princesa cheia de compromissos chatos e burocráticos.
- Duas semanas passam mais rápido do que você imagina. Logo você estará de volta com dois quilos a mais de tanto comer massa.
- Quando você vai parar de achar que minha dieta se resume a massa? - perguntei levantando o rosto para ele e rindo.
- É mais divertido achar que você é movida a carboidrato. Por isso trouxe fettuccine à carbonara do melhor restaurante italiano de Oxford, e que por acaso é de um amigo meu.
- Então eu vou correr para terminar essas malas e comer logo porque só de imaginar me deu fome.
- Quer ajuda com algo? - ele perguntou voltando ao seu lugar na poltrona.
- Não, obrigada. Sempre preferi fazer minhas malas sozinha. - respondi guardando os sapatos nos saquinhos individuais.
- Se você não se importar, vou pegar uma cerveja para mim. Quer alguma coisa para beber?
- Mais tarde... - murmurei concentrada demais na tarefa.
Enquanto eu terminava de arrumar a mala e meu quarto ao mesmo tempo, Edward ficava sentado na poltrona com sua cerveja de garrafa verde na mão e conversava comigo sobre o trabalho, sobre suas novas telas e coisas aleatórias. A conversa me distraiu e relaxou, agilizando o processo chato de dobrar, guardar, sentar sobre a mala para tentar fechá-la e empurrar tudo nos menores espaços disponíveis. Para uma viagem de duas semanas, eu estava levando coisas demais, mas eu aprendi com mamãe a estar preparada para qualquer mesmo que eu só fosse usar 30% das roupas, sapatos e bolsas que estava levando. Além de meu closet em San Marino ainda ter muitas peças que deixei para trás por serem formais demais, mas que serviriam para meus compromissos de férias.
Quando terminei de estocar meus cosméticos e maquiagem nas necessaires Chloé, quase chorei de emoção por ter acabado de arrumar minhas malas e poder aproveitar o resto da noite com Edward. Ele jogou os braços para cima comemorando junto comigo e tomou o último gole da cerveja quando eu me aproximei da poltrona, sentindo suas mãos me puxarem para mais perto pelas coxas. Tudo com ele era tão natural e simples agora que eu não ficava mais nervosa em dizer algo errado ou cometer algum erro, porque no final ele iria rir e me fazer relaxar mesmo quando eu fazia besteira.
- Liberada? - ele perguntou deslizando na poltrona para que sua cabeça ficasse apoiada no recosto.
- Sim, finalmente. - respondi inclinando meu corpo para beijá-lo, sentindo suas mãos acariciando minhas coxas e quadril. - Vamos comer.
Vincent resmungou através de um miado quando eu abri a porta e retornou ao seu lugar na poltrona como se quisesse dizer a Edward que ele que mandava no lugar. Era tão bonitinho o jeito que meu gato começava a demonstrar sentir ciúmes do homem que agora passava tempo demais em meu dormitório e às vezes Edward gostava de provocá-lo, brincando com algo que fizesse Vincent pular e correr atrás antes de ficar irritado demais. Um dia eles teriam que se entender, já que Edward estava cada vez mais ficando sério em minha vida.
- O que você fará no Natal? - perguntei sentando no sofá junto com ele, cada um com seus pratos cheios de massa e uma lata de Coca-cola na mão.
- Vou para Bristol visitar minha mãe. - ele respondeu com a boca meio cheia.
- Você é de lá?
- Sou de Londres, nascido e criado até vir para Oxford estudar. Minha mãe mora em Bristol com seu novo namorado desde o ano passado e agora eu vou para lá no Natal.
- Entendi...
- Nada de muito excitante. E como é o Natal com sua família?
- Já te contei como é.
- Mas isso foi antes de você me contar que é uma... princesa.
Respirei fundo porque ele nunca perguntava sobre minha vida de princesa, só falávamos sobre isso em momentos raros quando o assunto surgiu porque mamãe me ligou ou porque eu estava o contando sobre alguma viagem que fiz. Agora ele queria saber o que a família real de San Marino fazia no Natal.
- Quando eu chegar lá acontecerá um jantar de boas-vindas em minha homenagem, onde serei obrigada a falar com todas as pessoas que trabalham com papai e alguns parentes indesejados. Não tenho certeza, mas certamente precisarei dar alguma entrevista à imprensa local falando sobre meus primeiros meses na faculdade. E na véspera do Natal nós assistimos a missa na catedral depois da ceia na casa de vovó Isabella.
- Sua avó também se chama Isabella? - ele perguntou estranhando.
- Sim. Por isso eu sou Isabella II.
- Vocês não se confundem, sei lá?
- As pessoas se referem a ela como a Grã-Duquesa Isabella, enquanto eu sou a Princesa Isabella. Nunca nos confundimos.
- Então, até o dia 8 de Janeiro você será a princesa de San Marino... - Edward murmurou olhando para seu prato enquanto o garfo enrolava a massa.
- Mas quando eu voltar, serei apenas Bella. - garanti esperando seus olhos estarem em mim novamente e vendo meu sorriso. - Eu não vou mudar em duas semanas.
- Eu sei...
Eu tinha esse medinho estranho de voltar diferente daquelas férias, de me deixar ser levada pelo comodismo da vida que tinha em San Marino, mas o que me manteria com os pés no chão era saber que em Oxford estava alguém que acreditava que eu era mais que coroas de diamantes e títulos reais. Pensaria em Edward e em tudo que cresci nesses meses que o conheço, dessa forma ficaria mais fácil aguentar tudo: a saudade, os estresses com mamãe e toda a curiosidade gerada com meu retorno.
Terminei minha noite dormindo nos braços de Edward enquanto assistíamos qualquer coisa passando na TV. Eu estava tão cansada com a correria dos últimos dias que apaguei justamente no meu último momento ao lado dele, antes mesmo de dar meia noite. Só retornei a consciência quando já estava na cama, com o cobertor sobre meu corpo e as luzes apagadas. Olhei ao redor buscando por algum sinal de Edward, mas o que encontrei foi um bilhete sobre meu celular.
"Você estava tão adorável dormindo que não tive coragem de acordá-la. Nos vemos amanhã antes de você viajar.
E."
O jeito que ele me chamava de "adorável" já era suficiente para eu suspirar e voltar a dormir sonhando coisas fofas e felizes relacionadas a ele, no meio da madrugada apertando Vincent sem consciência do que fazia até que ele miasse para ser solto.
James e Laurent chegaram em Oxford pontualmente às 7 da manhã, e Alice e eu já estávamos na correria para nos arrumar e não esquecer nada. Como mamãe prometeu, eles vieram vestidos com roupas normais, nada de paletó, gravata, óculos escuro e microfones embutidos para não dar bandeira de que eu era uma pessoa importante que necessitava de segurança particular. Abracei cada um antes de voltar para meu quarto e pedir que eles esperassem mais um pouco.
Alice entrou no quarto quando eu estava fechando o zíper da capa que protegia o vestido que trocaria antes de chegar em San Marino para não se flagrada usando jeans e moletom. Ela estava com as mãos para trás e ficou parada ao meu lado esperando que eu terminasse.
- O que foi? - perguntei estranhando seu sorriso largo.
- Queria te dar isso antes de você viajar. - ela respondeu esticando uma caixa plana em minha direção. - Feliz Natal, bestie.
- Oh Alice... - murmurei emocionada com o presente inesperado.
- Eu não sabia o que comprar já que você tem tudo, ou pode ter, então escolhi algo que poderá ser útil e divertido...
Tirei a tampa da caixa e me deparei com várias skins para iPhone, com estampas coloridas e engraçadas. Meu iPhone era muito sem graça sem as capinhas fofinhas que as pessoas escolhiam, então seu presente foi incrivelmente útil e adorável.
- Eu adorei! - falei a abraçando forte. - Muito obrigada.
- Tem três skins que servem também para você não esquecer de algumas pessoas. - ela disse vasculhando na caixa e pegando três pacotinhos. - Essa da Itália é para você não esquecer suas origens, essa dos Estados Unidos é para você lembrar de mim e essa da Inglaterra é para lembrar de...
- Edward. - murmurei dando um sorriso apaixonado.
- Afinal, seu namorado é inglês e sua amiga é americana.
- Eu não vou esquecer vocês enquanto estiver em San Marino. - expliquei deixando a caixa sobre a cama e abrindo a gaveta de minha escrivaninha para pegar uma sacola. - Tanto que também comprei um presente de Natal para você.
- Você é tão perfeita, bestie. - Alice deu pulos de felicidade agarrando a sacola.
- Achei sua cara quando vi esse moletom em um site.
Era um moletom David and Goliath de cupcake. Eu sabia como Alice adorava cupcakes e vivia falando da lojinha que sua mãe tinha nos Estados Unidos. Não eram presentes incríveis, mas eu achei tão perfeitos para ela que resolvi comprá-los.
- Vou chegar em Seattle arrasando com meu moletom lindo. - ela disse já vestindo a peça e colocando o capuz em seu cabelo bagunçado. - Eu amei, Bella.
- Feliz Natal, bestie. - brinquei a abraçando forte. - Vou sentir sua falta esses dias.
- Eu também. - ela murmurou me apertando ainda mais.
Fomos interrompidas por batidas na porta e era Edward, mas sua expressão de desconfiança era meio estranha e eu soltei Alice para caminhar ao seu encontro.
- Quem são esses caras na sua sala? - ele perguntou indicando por cima do ombro e eu ri baixo.
- Eles são meu segurança e meu motorista particular. - expliquei o beijando na bochecha para relaxar mais.
- Isso explica o interrogatório que fizeram antes de me deixar entrar.
- Oh Deus... O que eles perguntaram?
- Meu nome, quem eu era e o que queria com você. Depois que eu expliquei que... Bem, nós estávamos juntos eles me liberaram.
- Não, Edward... - murmurei quase correndo para a sala.
- O que eu fiz? - ele perguntou me seguindo e vendo James e Laurent parados na porta com posturas sérias.
- Laurent, James... - disse ignorando Edward por alguns instantes. - Esse é Edward, meu... Hum... Nós estamos juntos e eu ficaria muito agradecida se vocês não comentassem sobre isso com ninguém, principalmente com meus pais se eles perguntarem qualquer coisa sobre Oxford.
- Certo, alteza. - eles disseram juntos.
- Obrigada. E nós poderemos sair em alguns instantes. Vocês podem pegar as malas em meu quarto e no de Alice, por favor.
- Com licença...
Os dois passaram por nós e entraram em meu quarto, me deixando sozinha com Edward. Ele ainda não tinha relaxado por completo com a presença de meus "criados" e eu também não me sentia confortável por ter James e Laurent por perto. Minha promessa de que eu continuaria a mesma Bella caía por terra quando eu tinha um segurança e um motorista particular me obedecendo e carregando minhas coisas para o carro estacionado fora do prédio. Mas quando ele se encostou no sofá e me puxou para me abraçar forte, eu esqueci dessa preocupação porque tinha uma maior: me despedir de Edward.
- Você não precisava acordar tão cedo. - murmurei sentindo sua respiração em meu pescoço conforme seu rosto era escondido por meu cabelo.
- Se eu soubesse que você não queria se despedir de mim... - ele retrucou rindo e levantou o rosto para mim. - É claro que eu viria antes de viajar. E eu precisava te dar meu presente de Natal.
- Não sabia que iríamos trocar presentes de Natal. - falei começando a ficar desesperada. - Eu não comprei nada para você, Edward...
- Não precisava comprar nada pra mim. É que eu vi esse colar em uma loja e achei que você pudesse gostar. Na verdade, foram os pingentes que eu achei interessante.
Ele colocou uma caixinha em minha mão e ficou assistindo minha reação quando a abri e tirei o colar com três pingentes; um avião, uma mala com "carimbos" de alguns países e uma arma. A corrente era grande o suficiente para que eu escondesse dentro da blusa caso não quisesse que ninguém visse e eu percebi qual era a intenção de Edward com o presente. Me fazer lembrar dele quando estivesse longe, saber que apenas uma viagem de avião me separava do que nós tínhamos em Oxford; Pulp Fiction e horas mágicas juntos.
- Eu prometo que trago algo de San Marino de presente para você. - murmurei o encarando séria e ele riu deslizando o indicador por meu nariz, algo que eu percebi que ele adorava fazer.
- Apenas volte. É só isso que eu quero.
Quase derrubei a caixinha de minha mão quando apertei seu pescoço em um abraço que eu não queria que terminasse, pois assim que eu me afastasse dele seria a hora de ir embora. Tinha pouco mais de 3 horas até o vôo de Alice para Washington, e de carro gastaríamos 1 hora e meia até Londres, então eu não podia mais adiar a despedida. Soltei lentamente meus braços de Edward, mas ele continuou com as mãos em minha cintura e sorriu ao ver meu olhar triste.
- Eu preciso ir antes que Alice perca o vôo dela.
- Sem problemas.
Tinha uma última missão antes de viajar: colocar Vincent na bolsa de viagem. Não iria correr o risco de chegar em San Marino toda arranhada por causa de um gato que odiava viajar de avião e até entrar no jatinho ele teria que ficar na bolsa por exigência do aeroporto. Parecia que Vincent adivinhou que eu iria "guardá-lo" quando entrei no quarto, porque se escondeu debaixo da cama e eu tive que me arrastar até o cantinho que ele estava encolhido e me ameaçando com as unhas. Dois arranhões pequenos no braço depois, ele estava resmungando dentro da bolsa e eu o carregava para fora do quarto junto com minha bolsa, meu casaco pesado e o vestido que usaria quando chegasse em San Marino.
- Só uma dúvida; você deixou alguma coisa aqui? - Edward perguntou me provocando. - Quer ajuda para carregar alguma coisa?
- Pode segurar minha bolsa e Vincent enquanto eu visto o casaco? Por favor. - pedi o entregando as duas bolsas.
- Vincent está aqui dentro? - ele retrucou olhando através da tela de proteção e escutando o miado reclamão. - Você se ferrou nessa, cara.
- Quero evitar chegar em San Marino cheia de arranhões. - comentei fechando os botões do casaco e colocando as luvas de couro. - Alice!
- Estou indo! - ela gritou de volta e sua porta abriu com um baque.
Como no nosso primeiro dia em Oxford, ela estava arrastando sua mochila enorme cheia de roupas como um cadáver e James - parado na porta me esperando - correu para ajudá-la, carregando a mochila com facilidade. Ela sorriu agradecendo e ajeitou o capuz do moletom de cupcake que eu havia lhe dado, me fazendo rir com o jeito desencanado que ela tinha.
- Pronto. Podemos ir. - anunciou colocando a mochila menor sobre o ombro.
Edward nos acompanhou até o carro estacionado no fim do gramado coberto com neve. Estava nevando um pouco no começo daquela manhã e eu me aqueci de todas as formas possíveis desejando logo estar no conforto do carro com aquecedor, ou no jatinho com um cobertor sobre meu corpo enquanto eu dormia. Só que minha mente me avisava o tempo todo que a melhor forma de ficar aquecida era estar nos braços de Edward, em meu sofá, vendo TV e sentindo sua mão áspera deslizando para cima e para baixo em meu braço... Dio, como sentiria falta dele.
See You Soon - Coldplay
- Vou te esperar no carro. - Alice murmurou quando paramos a alguns metros de onde James e Laurent estavam esperando. - Bom Natal, Edward.
- Bom Natal e boa viagem, Alice. - ele retrucou acenando e a observando junto comigo.
- Eu preciso ir agora... - minha voz quase não saía de tão baixo que eu disse aquilo, desejando não precisar falar aquela frase.
- Boa viagem. - Edward sussurrou segurando meu rosto com as duas mãos aquecidas por luvas de lã e sorrindo de canto, mas seu olhar era tão triste quanto o meu. - E coma muita massa por mim.
- Pode deixar. - ri sem vontade, segurando seu casaco como se não quisesse que ele fugisse.
- Até dia 8...
Nossas testas se colaram antes de Edward tomar meus lábios sem muita pressa, aproveitando cada segundo junto com cada milímetro de minha boca e minha pele sendo acariciada junto. O frio era quase insuportável, eu não poderia demorar muito para não atrasar Alice e nem deixar James e Laurent esperando muito tempo. Mas quem disse que eu queria desgrudar dele? Foi preciso, e era um sacrifício deixar que o beijo morresse lentamente até eu encará-lo com um sorriso.
- Só uma coisa antes. - ele pediu quando eu me afastei alguns centímetros de seu corpo. - Minha palavra.
- Claro que você não iria perder a oportunidade... - murmurei rindo e pensando rapidamente em alguma palavra ou expressão. - Que tal "Sant ocazzo"?
- Não podia ser uma mais fácil?
- No, perché, santo cazzo! Me mancherai. - retruquei rindo com sua expressão de confuso. - Santo cazzo é "puta merda".
- E o que você disse aí? - Edward insistiu sabendo que havia mais largo na frase que eu disse em italiano.
- "Puta merda, eu vou sentir sua falta". - expliquei sendo tomada em um beijo rápido.
- Santo cazzo, eu também.
- Agora eu realmente preciso ir. Tchau... - murmurei deslizando a mão para longe dele e perdendo de vez o contato físico.
Olhei uma última vez para Edward parado no gramado coberto de neve e ele acenou discretamente com a outra mão dentro do bolso do casaco. A cena fez meu coração apertar, mas respirei fundo sorrindo e acenei de volta. A porta do quarto foi fechada por James quando eu sentei ao lado da bolsa com Vincent entre Alice e eu, e ela esticou a mão por cima para que eu a segurasse. Senti conforto e segurança no aperto discreto que ela deu em meus dedos, exatamente o que eu estava precisando naquele momento tão emotivo de despedida.
- Quer que eu ligue o som, alteza? - Laurent perguntou me olhando pelo retrovisor e eu assenti.
- Coldplay, por favor.
Até chegarmos ao aeroporto Heathrow, Alice dormiu com a cabeça encostada no vidro e eu fiquei pensando no que estava deixando para trás. Poderia ser dramático demais estar sentindo que eu perdi um pedaço de mim ao me despedir de Edward para passar apenas alguns dias longe dele, mas eu me sentia bem quando estávamos juntos, tudo nele me fazia suspirar e sorrir sem parar. Até mesmo quando ele me irritava puxando o gorro para cobrir meus olhos ou mudava rapidamente de assunto quando eu comentava algo sobre meus deveres de princesa. Edward era tão fofo, perfeito, incrível que eu achava que era uma ilusão um homem como ele querer ficar comigo. Eu era extremamente sortuda por tê-lo, e Alice adorava dizer que ele era sortudo também por me ter.
Coldplay embalava minhas lembranças da maneira mais perfeita. O cheiro de sua pele sempre fria demais. Seus olhos cansados depois de passar a madrugada inteira trabalhando em alguma tela. Como ele pedia licença para fumar na janela do meu dormitório e voltava mascando um chiclete para eu não ficar incomodada com o gosto de cigarro em sua boca. As mensagens trocadas antes de dormir. Pouco mais de um mês juntos entre idas e vindas e eu já tinha memórias suficientes para me fazer suspirar e olhar a estrada passando cheia de neve durante a viagem.
O aeroporto estava insuportavelmente cheio já que faltava pouco tempo para o Natal, mas conseguimos chegar rápido ao balcão da empresa aérea que Alice viajaria com a ajuda de James e Laurent abrindo caminho entre as pessoas. Eles perguntaram se eu gostaria que a segurança do aeroporto me desse acesso a entrada especial e eu cortei logo a idéia para não parecer tão mimada e desprotegida como algumas pessoas já estavam achando. Não era a coisa mais comum do mundo duas garotas terem dois homens altos e fortes carregando suas malas e tirando as pessoas da frente para que passássemos.
- Tenho 30 minutos para embarcar. - Alice disse olhando o número do seu vôo na tela sobre o balcão de checkin da empresa.
- Só vou embarcar quando a torre de controle liberar o vôo do jatinho, então creio que ainda esperarei umas duas horas na sala de embarque. - comentei acostumada com aquele protocolo.
- Não quero me despedir de você, bestie. Já estou acostumada a conviver com você praticamente 24 horas do meu dia.
- Nem eu. Vou sentir tanto sua falta...
- Prometa que vai me ligar pelo menos uma vez por dia para me atualizar de tudo.
- Prometo.
- Boa viagem, Bella. - ela murmurou me apertando em um abraço esmagador.
- Obrigada. - retruquei beijando seu rosto.
- Vôo 4039 com destino a Seattle, Estados Unidos. Prioridade no check in. - uma mulher com o uniforme da companhia aérea gritou a alguns guichês de distância.
- É meu vôo. - Alice sussurrou jogando a mochila menor sobre o "cadáver" no carrinho. - Me mande uma mensagem quando você chegar.
- Você também. Addio.
- Precisamos ir, alteza. - James disse tocando meu ombro discretamente e eu assenti.
Vamos lá encarar horas de espera e de vôo...
Horas depois, o carro oficial com a bandeira de San Marino passava pelas ruas principais da Cidade de San Marino, onde o castelo da família real ficava. Minha casa. Na frente do Jaguar, duas motocicletas da polícia faziam minha escolta assim como outros dois policiais motorizados fechavam o comboio. Algumas ruas foram fechadas para que eu passasse sem problemas e pelas janelas escuras eu poderia ver as janelas dos prédios com bandeiras da nação, pessoas acenando, dando as boas vindas à princesa que retornava depois de 3 meses. Eu estava voltando pra casa por duas semanas e dei um sorriso de saudade da minha pequena cidade querida.
- Chegamos, prigo. - murmurei acariciando a orelha de Vincent deitado ao meu lado no banco quando avistei os portões de ferro abrirem para que passássemos.
No alto da escada principal, já consegui avistar a comitiva me esperando. Os secretários do Estado, Juliet - a responsável por minhas relações públicas - vovó Isabella sentada em uma cadeira e com sua bengala na mão esquerda, meus tios Marcus e Caius com suas respectivas esposas - Irina e Carmen - papai e mamãe com a postura elegante e sorrindo. Era uma parte de minha família e das pessoas que eu convivi desde cedo, mas era exatamente quem eu queria abraçar forte naquele momento e me sentir de vez em casa. Exceto os senhores chatos que trabalhavam com papai e insistiam em me tratar como seu eu ainda fosse a garotinha de 5 anos que corria pelo castelo e exigia que eles lessem as histórias que eu escrevia.
James abriu a porta para que eu descesse do carro e ajeitei meu vestido Valentino quando fiquei em pé, sorrindo ao encontrar o sorriso de meus pais. Por dentro do vestido eu guardava os três pingentes que Edward me deu e dentro de minha cluntch estava meu iPhone com a capa da Itália para lembrar de Alice. Os dois estavam comigo naquele momento e eu me senti mais aliviada para subir os 12 degraus sem pressa. Queria correr para os braços de papai e abraçá-lo até que meus pés saíssem do chão, mas um protocolo estúpido não nos permitia ter esse tipo de carinho entre pai e filha já que nossa família não era normal. Teria que esperar toda a formalidade ter fim e no final daquela noite poderia deitar no sofá de seu escritório com a cabeça em seu ombro e escutá-lo me atualizar sobre a política local.
- Bem vinda, alteza. - Juliet disse fazendo uma reverência antes de apertar minha mão.
- Obrigada, Juliet. - agradeci assentindo e tendo que controlar minha vontade de falar com meus pais. - Posso abraçar o rei ou terei que esperar mais um pouco?
- Pode falar com seus pais agora. - ela riu conhecendo meu jeito ansioso.
- Olá, mia principessa. - papai disse quando eu me aproximei dele e deixei que seus baços me envolvessem.
- Olá, papa. - sussurrei sentindo meu peito encher de calor e felicidade por estar o vendo depois de tanto tempo, por estar de vez em casa. - Estava morrendo de saudade.
- Eu também, querida. Mas você está em casa e por duas semanas inteiras. - ele retrucou segurando meu rosto com carinho e sorrindo.
- Bella... - mamãe disse sorrindo e me abraçando forte.
Naquele momento eu deixei de lado nossa relação difícil e como ela me tirava do sério sempre, matando a saudade de seu cheiro de Chanel nº 5 e sua mão acariciando meu cabelo. Eu entendia a pressão que ela sofria por ser a esposa de um rei e mãe de uma futura rainha, como suas exigências eram necessárias para que tudo fosse perfeito. Mamãe não queria minha infelicidade. Queria apenas me preparar para aguentar tudo quando papai se fosse e eu me tornasse a responsável por um Estado inteiro.
- Bem vinda, querida. Como foi de viagem?
- Cansativo. - respondi suspirando e deixando transparecer um pouco o cansaço que sentia. - Estou desde às 9 horas da manhã esperando para embarcar.
- Logo você estará liberada para comer e descansar um pouco antes do baile a noite. - ela me informou assumindo aquela postura de mãe responsável. - Lorenzo e Anna estão te esperando para fazer seu cabelo, maquiagem e te mostrar as opções de vestido.
- O quão formal será esse baile? - quis logo saber para me preparar psicologicamente.
- Pessoas importantes estarão aqui, se isso te responde.
- Entendi...
- Alteza... - Juliet murmurou parado ao meu lado. - Podemos seguir com o protocolo? Mais tarde você terá tempo para conversar com seus pais.
- Certo, Juliet. Desculpa.
O protocolo era falar com o restante da comitiva me esperando, apertar a mão de cada secretário e sorrir educadamente escutando as frases formadas de boas vindas. Falei com meus tios apesar de não gostar muito deles já que inveja e ganância eram presentes em qualquer família real e na minha não seria diferente. Obviamente eles não gostavam nada da idéia de que eu era a primeira na linha de sucessão, e poderia ser absurdo demais pensar que eles desejam que de alguma forma eu saísse de cena. Minha família tinha algumas histórias de assassinatos em nome do poder, um dos motivos que me levava a ter segurança particular até mesmo dentro do castelo. A única pessoa ali presente que me fez sorrir de verdade foi nonna Isabella, tão fofa e velhinha ficando em pé com a ajuda de sua "dama de companhia" para poder me abraçar.
- Ciao, nonna... - murmurei em italiano já que ela se recusava a falar comigo em outra língua apesar de saber inglês e francês muito bem.
- Você está brilhando, querida. - ela comentou rindo baixo. - Radiante.
- Estou?
- Será que algum rapaz inglês tem a ver com isso?
- Nonna! - murmurei ficando rosa rapidamente e olhando para os lados para saber se alguém a escutou, mas todos estavam mais preocupados em conversar entre si. - Não... Sem rapazes ingleses.
- Não é possível uma garota tão linda como você não ter encontrado um rapaz decente ainda.
- Estou focando apenas na minha formação acadêmica por enquanto. Sem rapazes.
- Isabella boba... - ela riu aproximando o rosto de mim e falando baixo. - Sempre arranjamos tempo para rapazes não importa o quanto estejamos ocupadas.
O passatempo de vovó Isabella era me convencer de que eu deveria casar logo, ou pelo menos ter um namorado. No começo eu ficava irritada, achando que era pressão para que eu enchesse o castelo de filhos e futuros reis, rainhas, príncipes e princesas, mas depois de um tempo entendi que ela só queria que eu fosse feliz por completo. Era quase uma tradição que as mulheres de minha família chegassem aos 25 anos já casadas e esperando o primeiro filho mesmo que nós estivéssemos no século XXI. Por isso o choque quando eu preferi estudar antes de ser mãe. Uma faculdade de 4 anos, mais especialização, doutorado e tudo mais tomaria muito do meu tempo e atrasaria ainda mais essa função clássica da mulher.
Eu queria falar de Edward pra ela, contar que existia um "rapaz inglês" em minha vida me fazendo feliz e radiante, porém, era arriscado. As paredes daquela casa tinham ouvidos e esses eram treinados para escutar os detalhes mais íntimos trocados em telefonemas e conversas, por isso teria que fingir nas próximas duas semanas que continuava a mesma Bella sem namorado. Era ridículo ter que esconder Edward dessa forma e mentir para minha família, mas imagine o alvoroço que seria caso alguém descobrisse que eu tinha alguém? Ainda mais quando Edward não era nada o que esperavam para o futuro marido de uma futura rainha; estudante de artes, revolucionário, contra a monarquia inglesa e barman em um pub. O que eles esperavam para mim era algum filho de conde ou duque, estudante de alguma universidade tradicional pelo mundo, com um futuro brilhante e de preferência político. O tipo de homem que me faria de dona de casa se possível e não aprovaria minha escolha de ser professora e escritora. Os garotos que eu conhecia bem de festas pomposas e que enganavam os pais sendo perfeitos para a sociedade e bebendo uísque importado e fumando maconha escondidos. Pelo menos Edward era "errado" sem medo de mostrar isso.
Por falar nele, tirei meu celular da clutch assim que fui liberada para descansar 1 hora antes de me preparar para o jantar. Minhas malas, minha bolsa e Vincent já esperavam no quarto que fez um pouco de falta, principalmente por causa da vista linda que tinha da varanda. Livrei meus pés cansados do salto Brian Atwood apesar do chão estar gelado e apoiei os antebraços na grade da varanda sentindo o vento gelado matando a saudade do vale que em tantas manhãs me passou calma antes de algum compromisso estressante. Agora ele estava coberto com uma camada fina de neve e muito mais lindo do que costumava ser, me fazendo tirar uma foto e enviar para Edward com uma mensagem:
"Te falei que a paisagem era inspiradora. Acabei de chegar em San Marino".
Com menos de cinco minutos meu celular tocou com sua chamada e eu atendi depois de pular discretamente comemorando.
- Oi...
- A paisagem é bonita, mas aposto que aí não tem o melhor macarrão com almôndegas feito por mim.
- Você cozinha? - perguntei surpresa com a novidade.
- Não, mas sei esquentar comida congelada como ninguém. Quando você voltar vou te mostrar esse dote culinário.
- Mal posso esperar para voltar. Falta muito?
- Apenas 19 dias... Estou contando. Mas tente se divertir enquanto estiver aí para não estragar suas férias.
- Vou estar tão ocupada com diversas coisas que nem sei se irei me divertir. Serão 19 dias de obrigações.
- Então vou te mandar uma foto por dia de algo daqui para você matar a saudade de Oxford, fechado?
- Fechado. Obrigada...
- Alteza. - uma voz feminina me chamou e eu vi uma das empregadas da casa entrando no quarto com uma bandeja.
- Tenho que descansar um pouco antes de minha primeira obrigação: ser adorável e sorridente para pessoas que eu não gosto. - resmunguei falando mais baixo para ela não me escutar, apesar de algumas empregas só falarem italiano ou algum dialeto mais tradicional.
- Não será tão difícil assim. You don't know how lovely you are... - Edward cantarolou rindo e me fazendo apertar os olhos sofrendo com tanta fofura.
Ele queria me matar de saudade logo no primeiro dia, sério. Porque não era possível ele cantar Coldplay no telefone e esperar que eu não sentisse meu coração batendo acelerado e pulando de alegria. Assim era Edward; me conquistando com pouca coisa, apenas com frases e gestos certeiros para me ter quase em devoção.
- Preciso ir... - murmurei quase choramingando. - A gente se fala mais tarde.
- Tenho que ir também porque ainda preciso comprar mais crayon para terminar alguns desenhos enquanto eu estiver em Bristol. Até mais.
Entrei novamente no quarto e fechei a porta da varanda para não congelar de frio, caminhando até a bandeja sobre uma mesa no canto. Era um dos meus pratos favoritos que o o chef do castelo fazia - filé de peixe com molho beurremeunière acompanhado de purê de batata baroa e legumes salteados em manteiga trufada - junto com suco de uva e hortelã. A sobremesa certamente seria cheesecake com couli de framboesa porque eu amava. Mamãe deve ter orientado os cozinheiros para prepararem o que eu gostava de comer e me sentir em casa, mas no fundo eu queria estar em Oxford comendo pizza fria com Alice, ou com Edward e seu "macarrão" com almôndegas. Cada garfada daquele prato requintado era acompanhada de um suspiro cheio de saudade.
19 dias... Eu também estava contando.
Nos vemos em 19 dias também. Brincadeirinha! LOL Mas dessa vez não rola preview por conta da gincana. Vocês saberão por que...
Alguns fatinhos que eu gosto de frisar depois da postagem: o "minha querida" que Edward usou nesse capítulo é equivalente a "my dear" com aquele sotaque inglês lindo. Já deu pra derreter as calcinhas de vocês? E o trechinho que ele cantou é da música The Scientist caso alguém não tenha reconhecido. Enfim... See you soon!
