Nota: vocês podem me matar pelo atraso, tá? Mas é que falta de inspiração acaba comigo... Tenho mania de não publicar o capítulo até que eu esteja satisfeita com que escrevi.

Nota 2: peço que dêem uma olhada no capitulo anterior, porque eu mudei a descrição da aparência de Wayne Norton, ok? Imaginem ele como Antonio Bandeiras *-*

Capítulo 11 – Não

Estranho pensar que lá fora a vida continuava e ninguém sabia que o que estava acontecendo dentro do antigo teatro. Os pedestres que passavam pela calçada não faziam idéia que no interior da construção, há muito tempo abandonada, o destino tomava um rumo completamente diferente do esperado.

Até porque, essa é uma área sobre a qual, nós humanos, não temos controle algum. Não se pode tentar controlar ou mudar o destino. O que tiver que ser, assim será. Ou pelo menos assim pensam grande parte das pessoas...

O calor era grande, fazendo com que os presentes se sentissem desconfortáveis em suas roupas. Wayne respirou profundamente e encarou o detetive e o jornalista sentados à sua frente.

-A vadia quem Jude chama de esposa, tirou a vida do meu irmão caçula. –ele parecia tentar se controlar. –Por essas e outras razões que desejo a destruição dele.

-E por que você acha que vamos ajudá-lo? –Hayden continuava firme, as sobrancelhas franzidas.

-Porque eu sei mais sobre a vida de vocês do que imaginam. –os olhos castanhos se estreitaram, ameaçadores. –A qualquer minuto, posso transformar o mundo que conhecem num verdadeiro inferno. Duvida?

O silêncio tomou conta do antigo teatro. O detetive conhecia o tipo de pessoa que Wayne era e do que ele era capaz de fazer, para manter os outros sobre seu controle. Por isso resolveu não retrucar mais, tinha medo do que pudesse acontecer com Ewan.

-Ele já teria sido eliminado há muito tempo... –o moreno falava, enquanto acendia um cigarro e fumava. –Mas tenho que tomar conta dos meus negócios...

-Quer que a gente faça o trabalho sujo por você, então?- Matt perguntou, sentindo o estômago se revirando com a idéia. –Seus homens não tomam conta desse assunto?

-Acho que você entendeu errado, meu caro. –o criminoso passou a mão pelo cabelo. –Não quero Jude morto... E sim numa prisão perpétua.

-Como assim? –o jornalista levantou uma das sobrancelhas, confuso.

-A vingança é um prato que se come frio... –Wayne fumou outra vez. –É muito melhor que ele sofra até o fim de sua vida, do que morrer rapidamente.

Ele soltou a fumaça lentamente, com um sorriso nos lábios. Parecia que finalmente iria conseguir dar um jeito no problema que lhe tirava o sono há anos. A mente de Hayden não parava de pensar, analisando a idéia de Wayne.

-E para que isso aconteça, você precisa de alguém que o investigue e prove que a ficha dele é suja. –ele pensou em voz alta.

-Não é à toa que você é um dos melhores detetives! –o moreno comentou, apontando para o peito do outro com o cigarro.

-Mas eu não vou participar disso. –Hayden foi firme, franzindo as sobrancelhas. –Você é tão culpado quanto ele. Por que eu deveria te favorecer?

-Ora, porque se você provar que Jude está envolvido num grande esquema de drogas, será considerado o herói da Califórnia! -Wayne aproximou-se, fumando. –Poderá finalmente ocupar o cargo que lhe pertence... Afinal, Morris é um incompetente.

-E o que nós temos haver com isso? –Matt perguntou, com um mau pressentimento.

-Você conseguirá a reportagem que irá elevar sua carreira e torná-lo famoso. –o moreno sorriu, parecendo seguro do que dizia. –Já imaginou ter seu próprio jornal?

Wayne usava tudo que tinha ao seu dispor para conseguir o que desejava. Precisava que Hayden e Matt o ajudassem, nem que para isso tivesse que matar aquele quem fazia refém.

Ewan estava suando frio, as mãos geladas e o coração acelerado. Estar sentado naquela cadeira, totalmente amarrado e amordaçado, tendo que ver seus amigos cederem às chantagens de Wayne realmente era horrível.

Fora que estava sob a mira da arma de um capanga desde que foi seqüestrado no dia anterior. Chegava a ser engraçado pensar em como as coisas foram dando errado ao longo do tempo.

-Vocês terão dinheiro, fama, mulheres... Tudo o que sempre desejaram. –Wayne continuava falando, enquanto fumava. –Além do que não vão prender uma pessoa inocente. Pelo contrário... Ele é tão sujo quanto eu.

-E o que você quer em troca? –Hayden sabia que tudo na vida tinha um preço.

-Para começar, seria bom que a policia saísse da minha área. –ele encarou o detetive. -Não quero ninguém perto do meu cassino ou me investigando.

-Sem problemas, é fácil. –estava sério, o corpo tensionado.

-Hayden, você tem certeza? –Matt perguntou baixinho para o amigo.

-Quero tirar Ewan daqui o mais rápido. -seu olhar ficava alternando entre o loiro e o criminoso. –Não me importo com o que eu tenho que fazer.

-Só mais uma coisa... –Wayne terminou de fumar e jogou a ponta do cigarro no chão, pisando em cima. –Vocês vão trabalhar para mim.

-O que?

Eles arregalaram os olhos, incrédulos no que acabaram de ouvir. O moreno pareceu se divertir com a reação que tiveram.

-Isso é mais do que justo, afinal eu vou entregar para vocês um dos maiores esquemas de corrupção que esse Estado já viu! –ele sorriu, colocando as mãos na calça social. –O mínimo que vocês podem fazer em troca é trabalhar para mim.

-É loucura!–Matt parecia indignado. –O que você pretende?

-Essa parte vocês não precisam saber. –Wayne aproximou-se de Ewan. –Aceitam a proposta ou não?

Hayden engoliu a seco, várias possibilidades passando em sua mente. Sabia que se aceitasse essa proposta, ficaria preso o resto da sua vida aos desejos de Wayne e provavelmente iria se afundando cada vez mais.

Ele teria que de ir contra tudo aquilo que achava correto, seus princípios e a ética do trabalho. Caso não aceitasse, tanto ele quanto os amigos acabariam mortos. O que não faria muita diferença para Wayne. Do jeito que era rico, conseguiria comprar outro detetive sem problemas.

Enquanto pensava, sentia que o suor escorria pelas têmporas. O mundo parecia estar girando em câmera lenta, os segundos se arrastavam, virando séculos. Seu olhar acabou se fixando no rosto de Ewan.

Era extremamente frustrante estar tão perto e ao mesmo tempo tão longe dele. Não poder tê-lo nos braços e aliviar todo o medo que ele deveria estar sentindo. As cordas que o prendiam à cadeira e machucavam a pele branca, cheia de pintas era um incômodo aos olhos de Hayden.

Fechou os olhos e repassou tudo em sua mente. De certa maneira, Wayne estava certo. Se aceitasse o acordo, teria informações suficientes para conseguir derrubar Jude e colocá-lo na cadeia. Isso iria melhorar ainda mais sua carreira e possibilitar que ficasse com o lugar de Morris.

Depois de pensar calmamente, respirou fundo e abriu os olhos. Estava certo do que iria escolher, mas não queria envolver os outros nisso. Era uma coisa que precisava fazer sozinho.

-Eu aceito sua proposta, mas meus amigos ficam de fora. –Hayden estava sério. –Não quero que eles se envolvam.

-Realmente é bonito da sua parte tentar salvá-los... -o sarcasmo de Wayne era evidente. -Mas não existe saída. Ou todos aceitam ou nada feito.

Matt encarou o amigo ao lado, parecendo um pouco confuso.

-Eu não quero ter que trabalhar para ele, mas não temos outra alternativa! –sussurrou, tentando se manter calmo. –O que você aceitar eu estou junto.

-Tenho certeza de que depois vamos conseguir dar um jeito. –respondeu, transparecendo confiança.

Mais uma vez, Hayden encarou Ewan, procurando uma resposta naqueles olhos azul-esverdeados, que tantas vezes lhe tiraram o sossego. O loiro acenou positivamente com a cabeça, concordando com a decisão que o detetive iria tomar.

-Antes de dar a resposta, eu queria saber porque quer que trabalhemos para você. –ele levantou uma das sobrancelhas, usando sua melhor tática.

-Vocês não vão fazer nada demais... –Wayne tinha um olhar maldoso. –Serão meus espiões dentro da imprensa e da polícia, só isso...

-Mais uma coisa. –Hayden encarou o moreno. –Prometa que você vai libertar Ewan e nada de mandar seus homens atrás de nós.

-Você faz muitas exigências para uma pessoa que está em desvantagem, sabia? –o criminoso reclamou, parecendo impaciente. –Tá, eu prometo.

-Então aceitamos a proposta.

-Finalmente! –Wayne comentou, sarcasticamente. -Estava começando a achar que precisaria matar o loiro para fazer você aceitar logo.

Os capangas soltaram Ewan rapidamente, cortando as cordas e tirando a fita isolante da boca. Ele massageou os punhos, que ficaram marcados, parecendo aliviado. Antes de deixar o teatro, Wayne revelou que o carro de Hayden e a moto do loiro estavam parados do lado de fora.

Também deixou claro ele iria achá-los aonde quer que fossem e mandaria as informações aos poucos, para não atrair a atenção de outras pessoas.

Demorou alguns minutos, até que os três percebessem que tudo havia acabado. Finalmente toda aquela tortura chegou ao fim. Não tinham muito que comemorar, afinal dali pra frente as coisas seriam diferentes e cada vez mais difíceis.

Pelo menos ninguém havia sido ferido e estavam juntos mais uma vez. Abraçaram-se ao mesmo tempo, aliviados que tudo deu certo. Chegaram a São Francisco no fim da tarde, o sol deixando o céu alaranjado sobre a ponte Golden Gate.

Antes de cada um ir para sua casa, resolveram para em um bar e tomar alguma bebida juntos. Afinal, quem é que se mete com Wayne Norton e sai vivo para contar a história? Provavelmente eram os únicos.

Após algumas rodadas de cerveja, Matt começou a sentir-se enjoado. Nunca foi muito forte para bebidas e tinha certeza de que mais tarde vomitaria tudo se continuasse bebendo.

Para evitar uma cena deplorável na frente dos amigos, decidiu ir para casa mais cedo, deixando Hayden e Ewan no bar. Voltou a pé para o apartamento onde morava, precisava colocar a bebida para fora. Assim que chegou em casa, acabou tombando na cama e dormindo profundamente, como uma criança.

Os outros dois permaneceram no bar e pediram mais uma cerveja.

-Então, onde você vai dormir? –Hayden perguntou, tomando um gole.

-Não sei... –ele parecia pensativo.

-Se quiser, pode ir lá pra casa. –ofereceu, com um sorriso nos lábios.

-Obrigado Hay. Você é um ótimo amigo... Mas acho que vou para casa.

Amigo... Amigo?

Por que Hayden sentiu-se incomodado ao ser chamado daquela forma? Ele respirou fundo e tentou não expressar a insatisfação que invadia seu peito. Pediu ao garçom uns petiscos.

Quando o pedido chegou, comeram no mais completo silêncio. Era como se tivesse uma barreira entre eles, que impedisse qualquer proximidade.

-O que está acontecendo entre nós? –o mais novo perguntou, largando os talheres.

-Nada. –o loiro ficou parado, com os braços cruzados. –Por quê?

-A questão é justamente essa! –ele parecia angustiado.

-E por acaso era para acontecer?

-Claro! Não percebe que eu... –seus olhos acinzentados desesperados. –Gosto de você?

Ewan sentiu suas certezas caírem por terra. Arregalou os olhos, sem saber o que fazer exatamente. Estava desprevenido para aquela revelação. Desde aquela noite, esperou que tivesse significado algo a mais... Que não tivesse sido apenas mais uma transa.

Mas se Hayden não admitia os próprios sentimentos, tentando transformar em algo diferente o amor que existia entre eles, então por que iria insistir naquilo? Só encontraria dor e mais angústia.

-Já parou para pensar que talvez possa ser tarde demais? –o loiro sentiu um nó crescendo na garganta, junto com a vontade de chorar.

Antes de levantar, colocou notas altas na mesa e deixou o bar. Andava rápido para que as outras pessoas não percebessem que estava chorando. Colocou o capacete e saiu dali deixando marcas no asfalto.

Estacionou a moto na garagem e entrou em casa, sentindo que as lágrimas molhavam o rosto. Jogou-se no sofá da sala e ficou ali, repassando tudo que aconteceu nos últimos dois anos.

Depois de tudo o que passou, sabia exatamente o que desejava da vida. E no momento, era ficar sozinho. Percebeu que os sentimentos que tinha em relação à esposa eram de carinho, respeito e admiração.

O amor que sentia, deu espaço para outras emoções. Seria torturante continuar com o casamento, sabendo que não a olhava da mesma maneira. Eve havia se tornado uma grande amiga, a quem desejava muito bem.

Enquanto que, era por Hayden que seu coração batia mais forte. Ele sim era o dono do seu amor, de corpo e alma. Mas era difícil ficar naquela situação, em que ele não admitia seus sentimentos e não queria uma relação séria. Ainda desejava ele ao seu lado, mas só quando o outro estivesse pronto para aquilo. Enquanto isso, iria vivendo sua vida como sempre fez.

Pegou o celular e ligou para Eve, precisava resolver logo sua situação com ela. A mulher atendeu logo e marcaram um encontro para mais tarde, iria passar na casa de Candice, onde estava hospedada com as filhas.

Ewan tomou um banho e trocou de roupa. Para evitar qualquer preocupação desnecessária, vestiu uma camisa de manga comprida, para esconder as marcas nos punhos.

Assim que bateu na porta da casa, Candice atendeu.

-Ah, oi. Tudo bem? –ela cumprimentou assim que abriu a porta. –Entra, por favor.

-Com licença. –o loiro entrou, sentindo-se um estranho no lugar.

-Eve está lá em cima, no primeiro quarto à esquerda. –a mulher sorriu, sendo simpática. –Fique à vontade.

-Obrigado.

No momento em que ia começar a subir os degraus, Esther e Clara apareceram de repente, no alto da escada e não acreditaram no que viram. Desceram rapidamente e jogaram-se em cima do pai.

Ewan acabou caindo no chão, com as meninas lhe distribuindo beijos e abraços apertados. Como tinha sentido saudades de todo aquele carinho e felicidade que elas lhe proporcionavam.

-Calma, meninas! Assim vocês vão acabar sufocando seu pai! –Eve pediu, descendo as escadas.

O loiro levantou-se com certa dificuldade, porque suas filhas não lhe largavam.

-Eu preciso conversar com a mãe de vocês agora, tudo bem? –ele se virou para as meninas. –Que tal vocês verem um pouco de televisão? Depois a gente fica um tempo juntos, tá?

-Tudo bem, mas você vai ter que brincar de cavalinho com a gente! –a mais nova disse, com um sorriso enorme.

-Sem problemas! –o loiro sorriu, dando um beijo na testa de cada uma.

-Pai, nós te amamos! –a mais velha o abraçou.

-Eu também. Vocês são tudo na minha vida. –ele as abraçou mais uma vez e subiu as escadas, atrás de Eve.

Entraram no quarto de hóspedes, onde poderiam ficar mais tranqüilos, sem serem incomodados. Ewan não sabia como começar a falar, tinha medo de acabar escolhendo as palavras erradas. Acabou sendo surpreendido, porque Eve foi direta.

-Então, pensou no que eu te falei? –ela tinha uma expressão calma.

-Pensei bastante... –aproximou-se, cauteloso nos movimentos. –Antes de tudo, quero que saiba que em nenhum momento pensei em te magoar propositalmente.

-Tudo bem... –Eve esboçou um sorriso fraco. -Pode falar, eu agüento

-Eu realmente estava escondendo algo de você. –Ewan a encarou, sendo o mais sincero que podia ser. –Há uma semana, eu saí com uma pessoa... E acabei te traindo.

Ela levou as mãos trêmulas à boca, conforme as lágrimas se formavam e caiam sobre seu rosto. Respirou fundo, controlando o choro e mantendo-se calma. Precisava fazer só mais uma pergunta, para que suas dúvidas fossem dissipadas completamente.

-Foi com o Hayden?

-Sim... –ele desviou o olhar, não agüentando encará-la.

Eve levantou-se e começou a caminhar pelo quarto. Sempre soube no fundo de sua alma que Hayden estava envolvido nisso, só não sabia o quanto. Era triste saber que seu marido preferiu outro homem a ela.

-Você o ama? –ela o encarou, enquanto as lágrimas caiam.

-Is... –começou a falar, mas foi interrompido

-Me responda sinceramente, Ewan. –limpou o rosto. –Você o ama?

-Amo... Com todo meu coração. –ele a encarou.

-Então promete que vai fazer tudo diferente dessa vez? –Eve sentou-se na cama, perto dele. -Que não vai deixar ele sair da sua vida?

-Sim, eu prometo. –o loiro sorriu, enquanto se abraçavam.

(...)

Hayden chegou em casa completamente irado. Como Ewan podia dizer que era tarde demais? Depois de tudo o que tinha feito por ele? Aquilo era demais, não agüentaria ficar quieto.

Estava sentindo algo fora do normal pelo escocês, nunca tinha se aberto daquela maneira antes. Até chegou ao ponto de transar com Laura pensando nele. E mesmo assim parecia que não era o suficiente...

Havia demorado tempo demais para admitir que Ewan tinha conquistado seu coração e que não parava de pensar nele. Agora o que poderia fazer? Nada... O loiro que arrebatou sua alma iria voltar para a mulher e ter um casamento feliz.

A fúria percorria o corpo de Hayden, quando ele jogou um porta-retrato no chão, espatifando o vidro em vários pedaços.

-Merda... –ele reclamou se arrependendo e catando os restos.

Abaixou-se e pegou a foto, neste momento foi impossível segurar as lágrimas que teimavam em escorrer pelo seu rosto. Na foto, ele estava subindo nas costas de Ewan, os dois não paravam de rir.

Hayden ficou ali, sentado no chão da sala, num choro silencioso. Como não acontecia há muitos anos.

Nota 3: esses dias eu estava procurando fotos para aumentar a minha coleção do Ewan e do Hayden, quando achei dois sites muito bons! Além de terem informações sempre atualizada sobre eles, também tem várias fotos maravilhosas! *-* Vou passar os endereços: (desiringhayden/net) e (ewanmcgregor/net). É só tirar dos parênteses, substituir a barra pelo ponto e colocar o www.

Espero que gostem ;)