Disclaimer: Todos os personagens pertencem a J.K. Rowling e blá blá blá. Eu não ganho nada com isso, fora ver o Draco se roendo de ciúmes, o Bill tudo-de-bom- Weasley e o Harry se agarrando.

Agradecimentos especiais: a Amanda Saitou, minha beta querida. A Paula Lírio que, mesmo odiando quadribol, leu e opinou. A todos que continuam lendo.


Capítulo XI - Jogos

Harry e Bill tomavam café da manhã, quando Severus e Sirius chegaram.

Mal entrou na cozinha, Sirius já foi logo dizendo: - E então? Como foi ontem?

- Bom dia para você também, Sir. Severus.- Harry disse divertido.

- Bom dia, Harry, Bill. Como estão? - Severus perguntou enquanto se servia de café.

Os três conversaram sobre trivialidades e, quando notou que seu padrinho ia explodir de tanta ansiedade, resolveu, por fim, respondê-lo: - Correu tudo bem, Sir.

- Só? Nem vem! Eu quero saber de tudo. - Sirius demonstrava impaciência.

Harry começou a rir e, em seguida, respondeu: – Para ser honesto com vocês, eu só notei que Malfoy realmente estava na boate quando ele veio nos cumprimentar.

– Como é que é? Não era para você atrair a atenção da ratazana? - Sirius o olhou cheio de surpresa.

Harry apenas deu de ombros.

Antes que Sirius pudesse continuar falando, Bill disse: – Quando Harry chegou, Malfoy já estava lá, acompanhado de uma mulher. Segundo nos disse, era filha de um dos sócios do pai.

Em poucas palavras, Bill fez um resumo dos acontecimentos da noite, sendo interrompido ocasionalmente por Sirius que queria saber todos os detalhes.

Quando terminou de contar, Bill acrescentou: – Eu acho que a noite foi um sucesso. Se olhar matasse, acho que eu teria sofrido as mortes mais dolorosas possíveis ontem. Malfoy pareceu ficar bastante incomodado com a situação.

– Isso! – Sirius falou todo empolgado, dando um beijo no rosto de Severus que, assim como Harry, havia permanecido calado durante todo o relato.

Severus perguntou depois de um tempo. – E você não reparou no Malfoy em hora alguma, Harry?

Harry se remexeu, incomodado, na cadeira. Severus tinha esse dom irritante de ir diretamente ao ponto. – Não.

– Mas, Harry, o objetivo não era causar ciúmes em Malfoy? - Sirius o olhou desconfiado. - O que você ficou fazendo que não procurou localizar o alvo?

– Eu estava me divertindo, Sir.

Severus o encarou durante alguns minutos, antes de dizer: – Harry, se você mudou de idéia quanto a sua vingança, esse é momento perfeito para desistir.

Harry não pôde deixar de notar o modo como Severus colocou a mão sobre o braço de Sirius para impedi-lo de falar.

– Eu não desisti de nada. Só porque eu me diverti um pouco não significa que eu tenha mudado de idéia. Não sabia que deveria ser aborrecido para o plano dar certo.

– Não foi isso que eu disse e você sabe perfeitamente. Eu só quis dizer que Draco já sofreu com a azaração de Sirius, já viu vocês dois e não ficou nada feliz com isso. Recebeu aquela carta sua que deve ter sido um avada bem no orgulho dele. E, além disso, você e Bill estão juntos e parecem se dar bem.

Harry poderia esquecer a vingança, aproveitar seu namoro com Bill e seguir em frente. Ele entendia o ponto de vista que Severus expunha e aquilo o deixava mais furioso, aquela capacidade do outro perceber coisas que ele preferia ignorar.

Sua voz soou ríspida, devido à raiva mal contida. – É isso, então, Sevie? Eu devo esquecer o que Malfoy me fez? Esquecer a traição dele e viver feliz para sempre sabendo que fui magnânimo e o perdoei? Sinto, mas isso é impossível. Cada vez que olho para ele, eu lembro daquela manhã quando o encontrei com Seamus. Não posso seguir em frente enquanto não descarregar minha raiva. Se você não é capaz de entender como me sinto e quiser desistir, fique a vontade. Eu não posso. Só peço que não nos atrapalhe.

Encarou Severus desafiante, mas acabou abaixando os olhos, incomodado. O modo como Severus o olhava sempre o deixava com a impressão de que estava exposto. Apesar de já ser um excelente oclumente, Harry sentia como se cada pensamento seu pudesse ser desvendado pelo outro.

– Eu entendo muito bem como se sente, Harry. Eu prometi ajudá-lo e é o que farei. Não voltarei a tocar nesse assunto, já que você parece saber exatamente o que está fazendo e perdendo.

– Isso, Harry! Sevie, achei que você ia nos abandonar. Já estava ficando preocupado.

– Não, Sirius. Eu só achei melhor alertar antes que sigamos em frente.

– Já que está tudo certo de novo, qual o próximo passo? – Bill perguntou.

Severus e Sirius responderam juntos: – Quadribol.

--------------X--------------

Draco deu um olhar desgostoso para sua acompanhante. 'Lucius deve estar querendo me castigar.' Sair dois dias seguidos com a mesma pessoa já era uma anormalidade para ele, sair com a criatura era o fim. Sua reputação acabaria comprometida desse jeito. Se não fosse o risco de ser tocado por ela, faria um feitiço silenciador para se livrar do fluxo interminável de palavras da garota.

Havia sido questionado sobre tudo o respeito de quadribol. Não conseguia entender como uma garota puro sangue poderia ser tão ignorante. 'Será que ela é um aborto?' Deu uma olhada de rabo de olho e conteve a expressão de desgosto. Ela não era realmente feia, mas fazia cada careta para falar e tinha uma voz tão esganiçada que sua cabeça já estava começando a doer. 'Pode não ser um aborto, mas se fosse minha filha, manteria trancada. Pensando melhor, seria impossível, eu ter uma filha dessas.'

Draco estava começando a achar que havia feito uma péssima troca, quando aceitou vir ao jogo com a coisinha em vez de passar o dia trabalhando com Lucius. Estava cansado e querendo dormir, mas procurou se animar ante a perspectiva de um bom jogo de quadribol.

Sempre torceu para o Ballycastle Bats e eles estavam fazendo um excelente campeonato este ano. Com essa vitória, seriam campeões. Caso perdessem, a Taça iria diretamente para o Montrose Magpies que estava em segundo lugar. A disputa estava muito acirrada entre os dois times e os torcedores do Ballycastle já davam a vitória como certa, uma vez que o adversário de hoje, os Chudley Canons, estava fazendo uma campanha medíocre. E foi a possibilidade de ver seu time vencendo que fez com que acabasse aceitando o acordo com Lucius.

Deixou o olhar vagar pela torcida dos dois times, ignorando completamente a garota que continuava falando. Estava sentado em um camarote e tinha uma ampla visão do mar de torcedores. Observou, divertido, a profusão de cores das torcidas: de um lado tudo negro, do outro, laranja vivo, e as cores preto e branca de vários torcedores do Montrose Magpies.

Estava tão distraído olhando a confusão de alguns vendedores que levou um susto quando sentiu uma mão em seu ombro. Virou-se pronto para azarar a criatura por tê-lo tocado quando deu de cara com um rapaz de cabelos negros desconhecido.

–Draco Malfoy. Como vai? – O rapaz pegou sua mão e a apertou entusiasmado. – Não nos vemos há tanto tempo.

Draco retribuiu ao cumprimento tentando lembrar de onde poderia conhecer aquela pessoa. 'Definitivamente, não é caso antigo.' Draco estava vestido completamente de preto, apenas com um morcego vermelho, mascote do time, desenhado no peito. O outro rapaz, ao contrário, usava roupas pomposas demais, a ponto de serem bregas, na horrível cor laranja.

– Vou bem, obrigado. E você? Acredito que não nos vemos desde... – Draco deixou a frase por terminar na esperança que o outro desse alguma pista.

- Acredito que deva ter uns dois anos, desde aquelas férias na Grécia.

Draco gelou. Tinha passado férias na Grécia, mas eram tantas festas que havia passado a maior parte do tempo bebendo. Recusava-se a acreditar que, mesmo alcoolizado, houvesse tido um gosto tão duvidoso.

– Sim, Grécia. Acho que foi daquela vez mesmo.

Estava a ponto de mandar a boa educação às favas e perguntar quem raios era aquele sujeito, quando o rapaz falou, virando –se para Sophie: – Mas devo dizer que, apesar de você estar muito bem acompanhado na ocasião, por uma bela mulher, ela não se compara à dama que o acompanha hoje.'

'Ah, então daquela vez, eu estava com uma garota. Não faço idéia de quem seja, mas pelo menos era uma mulher e não ele.' Ficou um pouco mais aliviado ao notar que seu senso estético não tinha sido afetado pela bebida. Mas duvidou seriamente que o outro tivesse algum ao comparar a coisinha a uma de suas companhias.

Estarrecido, notou como ela enrubesceu e – milagre – ficou calada. Agora, estava numa situação difícil. Mandava a boa educação que os apresentasse, mas não fazia a menor idéia de quem era o sujeito. Foi socorrido quando com um movimento de varinha, o desconhecido conjurou um buquê de flores – 'argh' – e entregou a ela dizendo: – Justino Finch- Fletchley, a seu dispor senhorita.

'Além de cafona, não tem a menor noção de etiqueta, graças a Merlin.', Draco pensou.

Com certo fascínio, observou a interação entre os dois seres. Agora, havia se lembrado do rapaz da época em que estudava em Hogwarts, apesar de não fazer a menor idéia de qual casa ele era.

Quando Finch- Fletchley começou a discursar sobre quadribol e a coisinha parecia deleitada com as palavras dele, pediu licença e se afastou o máximo possível para o outro lado do camarote. Encostou-se na parede e voltou a observar a agitação ao redor.

De repente, ouviu uma risada familiar e procurou a origem do som. Potter estava sentado, abraçado com o ruivinho, no camarote ao lado. Ambos usavam as cores do verdadeiro adversário – o Montrose Magpies - e, ao contrário do Finch- Fletchley, tinha de admitir, estavam muito atraentes. Seus olhos encontraram os de Potter, que fez um aceno rápido com a cabeça. Naquele momento, o locutor chamou a atenção de todos para o início do jogo.

Se, depois da partida, perguntassem a Draco qual foi o melhor momento, não saberia dizer. No entanto, saberia contar o modo como Potter mordia o lábio inferior ou bagunçava ainda mais o cabelo quando estava nervoso. Como vibrava com cada lance e fazia comentários realmente inteligentes a respeito. Quantos beijos os dois trocaram – '46: Um para cada gol mais o pomo, apesar de que pelo tempo, o do pomo poderia valer por uns 10'- ou as comemorações e risadas que ele deu. Por mais que tentasse desviar os olhos e se concentrar no jogo, sempre acabava invariavelmente atraído para eles.

Viu quando o ruivinho se afastou e Potter veio em sua direção. Procurou disfarçar e manter a expressão fria. Havia uma meia divisória entre eles e quando estavam próximos, encararam-se.

– Olá, Malfoy. Tudo bem?

– Potter, estou ótimo. E você?

– Ah, eu estou muito bem. Meu time é campeão. - Potter disse isso rindo. – Está sozinho?

– Não, estou acompanhado. - Draco fez um gesto de indiferença em direção ao local onde supunha estar a coisinha. Não havia voltado para perto deles e sequer certificou se ela continuava sozinha ou acompanhada. – O Weasley não quis vir também? Afinal, ele é alucinado pelos Canons.

Harry franziu o cenho. – Qual Weasley? Ron?

Draco assentiu.

- Não, a Hermione queria ir ao teatro trouxa e ele foi com ela. – Harry falou, divertido.

- Ela devia estar realmente irritada para castiga-lo assim.

Everytime I see your face
Everytime you look my way
It's like it all falls into place
Everything feels right

Por uns momentos, os dois se encaram e sorriram. Draco se lembrou das inúmeras discussões daqueles dois que havia presenciado quando ainda namorava Potter. Pareceu que nada tinha mudado e ainda dividiam a mesma cumplicidade. Cada um costumava tomar partido de um deles – geralmente escolhia Granger – e virava uma verdadeira guerra entre os casais.

Draco achou que Potter também havia relembrado das reconciliações 'pós guerra'. No entanto, pensou que devia ter imaginado coisas quando o ex-namorado reassumiu uma voz e expressão indiferente, ao dizer: - Nós vamos sair para comemorar a vitória. Se quiserem vir conosco...

Apesar da oportunidade ser excelente, não iria sair carregando aquele traste atrás dele quando fosse conquistar Potter. Mentiu descaradamente.

– Infelizmente, terei de recusar. Sophie não estava se sentindo muito bem e quer ir para casa.

Potter franziu o cenho. – Sophie? A mesma garota de ontem?

Draco assentiu e viu o outro olhar para um ponto a suas costas. Teve até receio de se virar e descobrir o que a coisa fazia quando viu o sorriso que Potter com muito custo, continha.

– Parece que não está com sorte, Malfoy. Seu time fez o pior jogo de toda a temporada e acabou perdendo a Taça dos Campeões. Para completar sua namorada te troca por Justino Finch- Fletchley. É, parece que hoje não é seu dia.

'Namorada? Potter achava que aquela coisa era sua namorada?' Estava tão horrorizado com a idéia que a cena que viu demorou a ser registrada. 'O projeto de trasgo e o cafona sem classe estavam se beijando'. E o pior era que Potter acreditava que ela era sua namorada e o estava traindo. Potter e todo mundo, uma vez que todos a tinham visto chegar com ele e ir para o camarote de sua família. 'Era só o que me faltava.'

Estava pensando numa réplica a altura quando o ruivinho apareceu e o ignorou completamente. – Ei, amor. O pessoal está meio desanimado para sair. Sabe como é, domingo e tal. O que acha de irmos para casa, para uma comemoração particular?

Draco ficou contando mentalmente, aguardando o fim do beijo que se seguiu. Quando por fim, se separaram, Potter respondeu um 'adoraria' todo meloso. Sem sequer se despedir, afastou-se com o ruivo, apenas se voltando para um tchauzinho com a mão.

Se não fosse a certeza da fúria de Lucius teria saído sem nem olhar outra vez para aqueles seres. Quando foi chamar Sophie para ir embora com ele, foi completamente desprezado. Ficou tão surpreendido com a reação da coisa, que só ficou observando enquanto o estranho casal se afastava.

Foi em direção à saída, pensando que, realmente, não faltava mais nada acontecer a ele.

Ever since you walked away
Left my life in disaray
All I want is one more day
All I need is one more day with you


Comentários:

Música: Everytime, Simple Plan.

Gente, eu amo Quadribol. Vocês podem encontrar mais algumas informações sobre os times citados em 'Quadribol através dos séculos.'

Obrigada pelas reviews: milanesa, Sofiah Black, DW03, Amy Lupin, Kirina Malfoy, Hermione Seixas, Hanna Snape, Marck Evans, K-CHAN-Kaoru. E no LJ: Magalud, Paula Lírio, Nicolle Snape, Srta Mizuki.

Espero que tenha respondido a todos. Estou muito feliz! 100 reviews! 'olhos brilhantes e dançando na frente do pc'

Obrigada mesmo. Reviews são sempre ótimas para dar uma idéia do que estão achando da fic! Como vocês contribuíram tão bem para a Campanha 'Faça uma Ivi Feliz', vou ser boazinha: quem deixar review (e quiser) eu dou uma palhinha com as 'cenas do próximo capítulo'. Que tal? (mood: chantagista .') Só não esqueçam, para aqueles que não forem cadastrados no fanfiction, de deixar o email, ok?

Beijos e uma excelente semana!