Fiquei sem office por um tempo, já que comprei um note e veio linux xD
Well, agora to com word de novo e já voltei a escrever. Agora com ais frequencia.
: D
Cap. 11 – Um desejo hedônico
Fui à casa de Lisbon no dia seguinte. Os olhos dela estavam inchados. Eu podia imaginar que tivesse chorado a noite toda. A vida de Lisbon estava destruída. Num piscar de olhos, toda uma carreira foi por agua abaixo. Seus sonhos de menina, a justiça que ela queria fazer valer para todos. Agora ela era uma criminosa. E o julgamento sera apenas praxe. Hightower havia permitido esperar em liberdade porque sabia que Lisbon seria condenada à morte.
Parecia pesadelo. Mas era real.
E as lágrimas dela comprovavam isso.
"Então… o que pretende fazer?"
"O que quer dizer? Vou esperar e então vou pra cadeia"
"Lisbon, você vai…"
"Pegar pena de morte, eu sei".
"Não posso deixar isso acontecer".
"Jane, não tente…"
"Não há a menor chance de eu simplesmente sentar e esperar sua sentença"
"Pare! Pare de querer consertar tudo! Você já disse que me odeia, não há mais nada pra ser feito! Acabou!"
"Sabe que não te odeio. Sabe que eu disse sem pensar, por raiva. E que eu estava errado."
"Eu achei que tivesse te salvado por amor. Por um tempo até pensei isso. Mas agora sei que foi por raiva. Eu queria você vivo pra pensar sobre sua estúpida vingança e saber que se dependesse de você, estaria morto agora. E Red John, vivo."
"Quer mesmo acreditar que se condenou à morte só pra que eu pensasse nessas coisas?"
"Raiva, Jane. Eu fiz sem pensar". Ela me deu um sorriso entre a ironia e a profunda tristeza que sentia. "E eu estava errada em fazê-lo. Você devia estar morto agora".
"Lisbon, eu… apenas não quero te ver indo pra cadeia."
"Não devia ter feito o que fez então. Foi você quem me derrubou do título de heróina direito pra criminosa. Você me tirou tudo. Tirou meu orgulho, me humilhando quando eu havia aberto meu coração pra você. Tirou minha alegria quando disse que me odiava. Destruiu meu peito quando achou que eu havia te enganado. Tirou meu emprego, e junto dele, todos os meus sonhos. E agora vai tirar minha vida." Ela fechou os punhos. "Eu realmente, realmente queria que estivesse morto. Por que fez isso comigo! Por que fez tudo isso comigo!" Ela chorava em desespero.
Havia um ponto cego na minha cabeça, um buraco em forma de bala, onde as respostas para Lisbon deveriam estar. Chame isso de negação. Eu queria cavar dentro do meu crânio e arrancar a dor dali. A verdade é que eu acabei destruindo Lisbon sem querer, sem haver motivo algum pra isso. Mas estava feito. O ponto sem volta.
"Eu nunca quis fazer essas coisas com você".
Uma vontade hedonista que me ocorreu naquele momento: beijá-la.
Eu nunca havia sentido essa vontade antes. Não como agora.
Mas havia uma explicação – ou eu queria que houvesse. Sempre que Lisbon estava realmente nervosa comigo, sentia que se a beijasse de repente, toda sua raiva sumiria, e ela se derreteria num beijo. Mas nunca houve realmente a pretenção em fazê-lo. No máximo, uma vontade contida de provocá-la e ver até onde ia numa situação dessas. Nunca foi um desejo meu. Ou nunca tinha pensado nisso dessa forma.
Agora eu realmente queria fazê-lo.
O que me impediu foi saber que ela me daria um soco, no mínimo, e me expulsaria de sua casa – e de sua vida.
Dessa vez não daria certo.
"Não acha que é um pouco tarde pra isso?"
"É a verdade"
"Dane-se a verdade. Eu vou pra pena de morte. Eu vou ser executada como uma criminosa qualquer. O que é que importa agora, Jane?"
"Não há como pedir pra pegar pena comum?"
"O quê? Você quer jogar uma ex-policial no meio de outras detentas? Quanto tempo acha que eu duraria na prisão onde tem mais de vinte mulheres que eu coloquei ali?"
"Lisbon, eu te entendo, mas…"
"Jane." Ela me interromepu. Raiva nos olhos. Expressão dura, musculos da face contraídos. "Sua vida continua. Vai pra cadeia, pegar dez anos, e então sairá. Tem charme, tem talento, a vida na penitenciária não será difícil, já foi pra lá antes. E até fugiu sozinho. Red John está morto, sua vingança acabou. Nunca se importou com aquele emprego, de qualquer forma." Ela deixou algumas lágrimas caírem sem mudar a expressão de ódio. "Você definitivamente não me entende. Eu vou pro corredor da morte. Eu vou viver o resto dos meus dias comendo comida de prisão, usando um uniforme sujo, vivendo com a consciencia de que tenho dia e hora marcada pra morrer. Você não me entende!"
A morte é inevitável. O que muda é o que você faz até ela.
E eu estava disposto a tornar a vida de Lisbon um pouco menos miserável.
Afinal, depois de tudo que fiz, a única coisa que se passava pela minha cabeça era uma promessa.
Não tinha a ver com Red John...
"Sempre vou te proteger, você querendo ou não".
"Acredite você ou não, Lisbon. Não vou deixar uma única gota da injeção letal entrar em sua corrente sanguinea."
Deixei a casa dela.
Suas palavras ainda rodando em minha cabeça.
Eu certamente havia perdido todo o respeito e o carinho que ela sentia por mim.
Mas eu merecia, então estava tudo bem.
Sonhei com a minha esposa de novo. No sonho, eu a matava para ficar com Lisbon.
Mais um pra acabar a parte um.
