Capítulo Onze

An Unlikely Allegiance

(Uma Fidelidade Improvável)

Ostendere me omnia, Harry pensou. Sua visão piscou e houve um brilho de luz, antes de piscar mais uma vez e voltar ao normal.

— O pirralho nem chegou perto dessa vez — Monstro resmungou. Ele tinha voltado ao seu desgostar ativo de Padfoot e à sua tolerância de Harry depois de ajudar Padfoot a encontrá-lo no começo do mês; as proteções de Grimmauld eram tão amplas que elas rastreavam qualquer pessoa que saísse da casa por um meio mágico, e Monstro conseguira lê-las quando Padfoot pedira.

Por causa disso, Padfoot era muito mais agradável com o velho elfo — e por que ele tinha voltado a cozinhar e a limpar — e até tolerava a obsessão dele com a sala de visitas.

— Nem um pouco? — Harry quis saber.

— Nem um pouco — Monstro lhe disse. — É claro que a inaptidão do Mestre é contagiosa. Monstro espera que Monstro também não a pegue...

— Estou tentando, está bem? — Harry ralhou.

— É difícil aparatar — Padfoot tinha avisado quando Harry apresentara-lhe a ideia há algumas semanas. — Alguns bruxos completamente desenvolvidos não conseguem; por outro lado, os elfos domésticos aprendem a aparatar antes de aprender a andar.

Padfoot estava observando com uma expressão extremamente irritada; Harry pedira que ele parecesse chateado com isso tudo para que Monstro ficasse feliz, porque o único jeito de fazer Monstro concordar com isso era lhe dizendo que Padfoot achava que era uma péssima ideia.

Na verdade, Padfoot achava que essa era uma ideia fantástica, porque, enquanto ele era limitado pelas proteções, Monstro não era e Padfoot esperava que ele conseguisse ensinar essa habilidade a Harry. Padfoot tentara convencer Monstro a lhe ensinar a ver as proteções e como burlá-las para aparatar — para que ele mesmo pudesse ensinar a Harry —, mas isso tinha terminado em uma batalha de gritos e animosidade entre eles que durara por dias até que Harry, cansado do mau-humor de Padfoot e dos resmungos de Monstro, forçou-os a esquecer o assunto.

— O pirralho insiste em gastar o tempo de Monstro — Monstro murmurou.

Franzindo o cenho, Harry segurou melhor sua varinha — elfos domésticos não precisavam de uma, mas os bruxos, sim — e voltou a murmurar o encantamento; se quisesse aparatar em Grimmauld Place, precisava conseguir ver as proteções. De acordo com Monstro, os elfos domésticos conseguiam vê-las por natureza, mas as pessoas precisavam de um encantamento e Harry demorara quase uma semana para conseguir encontrar um.

Por fim, achara-o em um dos livros no quarto de Regulus, intitulado Marcas e Auras: Veja a Magia ao Seu Redor. Na opinião de Harry, era uma leitura interessante, e nenhum dos encantamos pedia uma varinha; apenas concentração e habilidade mágica inata. Até agora, era com a parte da concentração que Harry tinha dificuldade.

— Tente falar o encantamento em voz alta — Padfoot sugeriu.

— O livro diz para pensar nele — Harry ralhou.

— Tente — Padfoot insistiu com paciência.

Ostendere me omnia — Harry disse, revirando os olhos para seu padrinho. Ficou boquiaberto. A sala toda ganhara vida e pulsava com luz e magia.

— Está funcionando? — Padfoot perguntou. Harry notou que a magia dele tinha um tom vibrante de vermelho e parecia com o mar em um dia agitado, constantemente girando ao seu redor, ondulando e concentrando-se, antes de sumir e ir para outro lugar. A de Monstro era de um verde claro tão pálido que era quase branco e frágil, Harry pensou, apesar de não conseguir explicar por que ou como. A magia dele não se mexia muito, mas era bastante concentrada.

A magia do próprio Harry era vermelha e dourada, feita de pequenas faíscas, como as que saíram de sua varinha no dia em que a comprara. Até as paredes tinham magia; conseguia ver uma onda complexa da magia verde musgo e negra de Orion Black em padrões finos que se interlaçavam com a vermelha de Padfoot vez ou outra, e com a vermelha e dourada de Harry, presumidamente do Fidelius.

As proteções se moviam como uma entidade pulsante. Agora Harry entendia o que Monstro quisera dizer sobre elas estarem vivas, mas não entendia como, pelo amor de Godric, ia conseguir achar uma brecha nelas.

Finite — disse. As cores sumiram e a sala de treinamento voltou à sua cor normal e completamente sem graça. — É brilhante — disse. — E desculpe por ter explodido — Padfoot sorriu.

— Não... — mas Harry nunca descobriu o que Padfoot ia dizer. Nesse momento, um alto estalo soou do lado de fora e uma figura encapuzada apareceu na rua. A figura abaixou o capuz, revelando um homem de cabelo negro até os ombros (quase como os de Padfoot) e um rosto magro. Não era possível ver suas outras feições, mas Padfoot ficou boquiaberto. — Não — murmurou, correndo até a janela para ver melhor.

— Quem é? — Harry quis saber, seguindo seu padrinho até a janela.

O homem olhou para o número treze e para o número onze. Então, ele se virou e olhou para o número doze. Ele conseguia ver a casa, é claro, já que o feitiço não a escondia; normalmente, esse era um dos benefícios do Fidelius, mas Padfoot falara que se fizessem o número doze sumir, isso chamaria atenção, e Harry concordava.

O que o Fidelius escondia era Harry e Padfoot; as pessoas podiam entrar no número doze e procurar em todos os cômodos e não os encontrar, porque, enquanto Harry e Padfoot estivessem dentro da casa, o feitiço esconderia suas existências. Padfoot dissera que o próprio Dumbledore poderia ficar no mesmo lugar que eles e não saberia que eles estavam ali.

— Aquele — Padfoot rosnou — é o Seboso.

Harry apenas olhou.

Aquele é ele? O que ele está fazendo aqui?

Padfoot soltou um assobio alto; depois de ouvir a bruxa da loja do Beco Diagonal, Padfoot tentara treinar Hedwig para provar que cachorros eram companheiros melhores. Ela aprendera a vir quando era chamada, mas desdenhara dos outros truques que Padfoot tentara lhe ensinar — pessoalmente, Harry não achava necessário que uma coruja soubesse piar quando mandassem nem que soubesse capturar a própria cauda. Ele se gabara dessa vitória por dias.

Um momento depois, ela voou para dentro da sala de treino e pousou no peitoril da janela. Padfoot convocara pena e pergaminho do outro lado da sala e escrevia um bilhete. Harry conseguiu lê-lo quando Padfoot o passou para a coruja.

O que você quer?, estava escrito na letra elegante e bem desenhada.

Harry abriu a boca para questionar se confirmar que estavam lá — ainda que ele não conseguisse encontrá-los se Harry não lhe falasse que estavam ali — era uma boa ideia, mas achou que poderia ser um pouco tarde demais para isso; o Seboso — Snape era seu verdadeiro nome, Harry se lembrou — observava o número doze com uma mistura de alegria e desprezo e parecia tentar decidir se iria entrar ou não.

— Manda a pena, também — Harry sugeriu.

Padfoot assentiu, tenso, e entregou a pena à Hedwig. Harry abriu a janela e ela saiu voando, o que assustou Snape. Ele escreveu algo e mandou-a de volta.

Padfoot abriu o bilhete e Harry esticou o pescoço para ler. Conversar, Snape escrevera em um rabisco.

Então fale, Padfoot escreveu.

Aí dentro.

Entre, então. Harry conseguiu notar o desafio por trás das palavras.

Eu vou conseguir?

Tente.

Snape olhou para o bilhete por quase um minuto antes de rabiscar uma resposta.

Acredito que vou precisar de um acompanhante.

— O que acha? — Padfoot perguntou a Harry, os olhos nunca abandonando o homem na rua.

— Er... Eu não sei... Podemos confiar nele?

Padfoot riu com zombaria, mas sua expressão era pensativa. Mande a varinha com a coruja, Padfoot escreveu nas costas do pergaminho.

— Vai deixar que ele entre? — Harry perguntou.

— Ele sabe que estamos aqui — Padfoot disse —, mas ele não está preso pelo Fidelius, então ele pode contar a quem ele quiser onde estamos. Ninguém conseguiria nos achar aqui, mas eu nem quero que procurem. Se contarmos o segredo a ele, ele ficará preso ao feitiço e não poderá falar.

— Oh — Harry voltou a olhar para Snape pela janela; Snape estava olhando feio do bilhete para a casa.

Um momento depois, Hedwig voltou com uma longa varinha feita de uma madeira avermelhada. Quebre-a e eu vou te matar com as minhas próprias mãos, dizia o bilhete que a acompanhava.

— Carvalho vermelho — Padfoot murmurou, deixando o pergaminho de lado. — E fibra de coração de dragão, eu acho.

— Como sabe?

Ele riu com desdém e guardou a varinha no bolso.

— O número de vezes que Prongs e eu roubamos essa coisa... Eu te conto depois. Nosso... visitante... está esperando — Harry e Padfoot foram até a porta da frente. — Obscuro — Padfoot disse com calma. Uma venda apareceu e cobriu os olhos de Snape. O outro homem pareceu aborrecido, mas não resistiu. Padfoot e Harry desceram as escadas; cada um segurou um braço do homem e guiaram-no escada acima e entraram na casa. Levaram-no ao escritório e Padfoot trancou a porta com um feitiço e fechou as cortinas.

Só então tirou a venda. Os olhos negros e frios de Snape correram pelo escritório, notando a porta fechada, as janelas cobertas por cortinas e, por fim, pousaram em Padfoot, cheios de desprezo. Um momento depois, ele os focou em Harry. Era como se Snape houvesse sido estapeado. Harry retribuiu o olhar com desafio. Snape moveu os olhos para fixá-los nos seus e não em seu rosto ou cabelo; ele engoliu em seco e desviou o olhar.

— Como nos encontrou? — Padfoot quis saber.

— Eu sonhei — Snape disse suscintamente. Harry notou que seus olhos estavam presos no nariz torto e no cabelo ensebado do homem; eles eram tão ruins quanto Padfoot sempre falara.

— Você sonhou sobre a casa? — Padfoot perguntou sem rodeios.

— Sobre seu irmão, na verdade — Snape disse. — Fui eu que contei a sua mãe sobre a morte dele. Sabia disso? — Padfoot mostrou os dentes. — Parece que não. Eu me lembrei do seu elfo e dessa casa. De que outra forma poderia enganar o Rastreador? Você não é estúpido, Black, mas não é competente o bastante para enganar um feitiço de monitoramento do Ministério, nem é competente o bastante para se virar sem magia...

— Sim, mas como você soube?

— Você abriu a janela — Snape disse lentamente.

— Não, eu perguntei...

— Eu ouvi na primeira vez, Black — Snape respondeu com impaciência. — Eu presto atenção, sabe. É uma habilidade muito útil...

Padfoot rosnou e deu um passo na direção do outro bruxo.

— Que Merlin me ajude, Seboso...

— Eu suspeitei que pudesse estar aqui — Snape disse com um sorriso desagradável. — Mas nada mais, até ter mandado seu pássaro. Ouvi tantas vezes, fui assegurado tantas vezes de que você odeia tanto essa casa que nunca sonharia em colocar os pés aqui — a expressão de Snape ficou amargurada. — Eu sugeri que você poderia ter vindo para cá, ainda que apenas pelos vizinhos, mas Dumbledore me garantiu de que esse não era o caso; que a casa tinha sido vasculhada antes de você pegar o menino... — os olhos de Snape foram para Harry. — E que estavam vigiando o lugar desde então.

— Ainda que apenas pelos vizinhos? — Padfoot perguntou com confusão.

— Estou certo de que sabe — Snape disse lentamente. Padfoot e Harry trocaram um olhar confuso. Snape os estudou, antes de erguer uma sobrancelha. — Fascinante. Parece, Black, que seus poderes de observação são tão pateticamente limitados quanto a última vez que nos vimos...

— Por que veio? — Padfoot perguntou com frieza. — Por que sozinho? Pensei que você traria uns cem Dementadores, Dumbledore e o Ministério.

— Não me tente — Snape disse com um brilho nos olhos escuros. — Ainda não há nada que eu gostaria mais do que te entregar aos Dementadores, Black.

— Então, por que não entregou? — Harry perguntou, enquanto Padfoot ficava bravo.

Snape o observou com curiosidade.

— Acontece que sei a verdade.

— Você? — Padfoot zombou.

— Eu — Snape respondeu com um sorriso maldoso que mostrava seus dentes amarelados. — Nunca te vi como um traidor, Black...

— Estou emocionado — Padfoot comentou em um tom que sugeria que isso não era verdade.

Snape rosnou para ele.

— Um assassino, sim, como poderia não achar? Mas nunca um traidor. Pelo menos, não com Potter. E, então, por acaso, eu trombei com um antigo colega de escola. Um que eu achava estar morto.

— Peter — Padfoot sibilou. Um dos lampiões explodiu na parede. — Onde? Onde ele estava?

— A essa altura, ele pode estar em qualquer lugar, tenho certeza — Snape disse com um olhar para o lampião. — Isso foi há duas semanas.

Reparo — Harry murmurou. O lampião se consertou, mas ele parecia mais com um mosaico do que com o vidro liso que tinha sido antes. Snape o olhou por um momento, antes de voltar-se para Padfoot.

— Então, você descobriu — Padfoot disse. Convocou uma poltrona do canto do escritório e sentou-se pesadamente. — Quem mais sabe?

— Ninguém.

— E eu deveria acreditar nisso? — Padfoot perguntou, incrédulo. — Depois de tudo o que aconteceu entre nós na escola, eu deveria acreditar que nos faria um favor, Seboso?

Os olhos de Snape foram para Harry.

— Acredite no que quiser — disse suscintamente.

Padfoot pareceu brigar consigo mesmo por um momento, antes de rosnar uma vez e, por fim, perguntar com irritação:

— Por quê?

— Pelos mesmos motivos de você não ter dito — Snape disse. — Não há nenhuma evidência além de nossas palavras. Dumbledore pode acreditar em mim, talvez até mesmo Lupin, mas isso não resolve nada. Eles não podem limpar seu nome. Mesmo que o Ministério acredite que você não era o fiel do segredo, eles ainda irão te acusar de todo o resto. Se espera conquistar sua liberdade, eles mesmos terão de se dar conta de que estão errados. Só quando eles estiverem se desculpando é que você terá uma chance — ele parecia esperar que esse dia nunca acontecesse.

— E para que eles se deem conta de que estão errados, preciso de Peter — Padfoot murmurou.

— Exatamente. E mesmo que eu diga alguma coisa ao Ministério ou mande alguém em meu nome, eles certamente vão descobrir que fui eu quem falou e serei forçado a explicar por que estou lhe defendendo. O Ministério é completamente incompetente, mas nem mesmo eles vão deixar passar o fato de que um antigo Comensal da Morte está defendendo alguém que eles acreditam ser um Comensal ativo... — balançou a cabeça. — Eu trabalhei duro para me redimir depois da guerra e morrerei antes de jogar tudo fora por alguém como você.

Padfoot observou Snape como um cachorro observaria um gato; Snape era a caça, mas Padfoot também não queria um nariz todo arranhado.

— Então, por que veio? — perguntou por fim. — Por que não ficou quieto e fingiu não saber de nada?

Snape voltou a olhar para Harry.

— Eu precisava ver como o menino está.

— Desde quando você se importa com o filho de James? — Padfoot perguntou.

Houve uma pausa. Os olhos de Snape voltaram a encontrar os de Harry.

— Não me importo com a cria de Potter — disse por fim, desviando os olhos. — Mas ainda que seja inocente da morte de Potter e... — ele pigarreou. — Dos Potter, você cometeu outros crimes. Não permitirei que uma criança, qualquer criança, fique em um ambiente no qual não está confortável.

— Estou — Harry disse na mesma hora. Snape o olhou. — Confortável, quero dizer.

— Você gosta da companhia de Black?

— Ele é muito melhor que os Dursley.

Um brilho de irritação passou pelo rosto de Snape com a menção aos Dursley, mas esse brilho sumiu pouco depois.

— Muito bem — voltou a olhar para Padfoot. — Ele irá frequentar Hogwarts?

— É claro! — Harry e Padfoot responderam em uníssono.

— Então, fiz o que vim fazer — Snape disse, tirando poeira de suas vestes. Virou-se para Harry. — Saiba que eu o tratarei como trato os outros alunos — Harry assentiu. Aviso recebido. Ele irá me odiar porque odeia Padfoot e meu pai. Snape ergueu uma mão. Por um momento, Harry achou que Snape queria que Padfoot a apertasse, mas ele meramente disse: — Minha varinha.

— Ficará em silêncio sobre o que aconteceu aqui? — Padfoot perguntou, tirando a varinha do bolso.

— Como eu disse, não tenho nenhuma vontade de me envolver — Padfoot acenou a própria varinha e a porta foi aberta. — Isso também significa que não deve esperar minha ajuda se você cometer um erro e acabar em Azkaban.

— E nem ia querer — Padfoot retorquiu.

Pessoalmente, Harry concordava, mas ainda assim deu uma cotovelada em seu padrinho. Padfoot o olhou feio. Acompanharam Snape até a porta e, então, Padfoot lhe devolveu a varinha e permitiu que fosse embora.

— Idiota — Padfoot resmungou, olhando para a silhueta de Snape, que se afastava. — "Não espere minha ajuda" — disse numa péssima imitação da voz de Snape.

— Achei que você disse que não queria a ajuda dele — Harry comentou, os lábios se torcendo.

Padfoot bufou.

— Não quero. Mas ele também não precisava falar — torceu o nariz. — Sabe, acho que ele não lava o cabelo desde que o vi pela última vez.

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— E aí — Padfoot disse com lágrimas nos olhos —, Prongs foi até o Seboso e jogou xampu nele! — Harry riu. A visita de Snape no dia anterior parecia ter feito Padfoot querer reviver todas as suas lembranças que o envolviam. Não que Harry se importasse; ficava feliz em ouvir histórias sobre seu pai, seu padrinho e, se fosse acreditar em Padfoot, sobre o homem que era sua "madrinha", Remus Lupin; que Padfoot jurava que não era como Harry vira em Londres.

Incomodava-o um pouco ouvir sobre como eles tinham sido cruéis com Snape, mas — com um pouco de incentivo — Padfoot revelara que Snape era capaz de entregar algo tão bom quanto recebia, se não melhor. Ainda assim, depois de tudo o que ouvira, não achava difícil de entender o motivo de Snape odiar Padfoot e seu pai, ou porque ele próprio era odiado.

— Aqui — Padfoot disse.

Harry, que estivera lendo a tapeçaria da família Black — e desistira de entender os nomes desconhecidos e começara a contar os membros (havia quase quinhentos) —, ergueu os olhos.

— Er... Obrigado? — Harry disse, olhando para os óculos de leitura quebrados.

Padfoot riu.

— Pense neles como um presente adiantado de aniversário.

— E também sei onde colocá-los — Harry disse, colocando-os no saco de lixo.

— Não vai ficar com eles? — Padfoot perguntou em um tom falsamente magoado.

Harry riu.

— Vou ficar com os meus, obrigado.

— Eu acho que esses eram da minha avó — Padfoot disse com um tremor. — Eles provavelmente mordem. Mulher horrível.

— Parece ser de família — Harry comentou. — Com exceção de Regulus, talvez.

— Sim... Ei! — Padfoot se virou, pronto para segurá-lo, mas Harry tinha antecipado isso e saíra de seu alcance. — Ora, seu pequeno... — Padfoot murmurou.

— Pequeno o quê? — Harry perguntou em um tom inocente.

— Menino. Um pequeno menino malvado — Harry sorriu. — Aqui... Ai! — Padfoot exclamou, derrubando uma caixa prateada de rapé que parecia tê-lo mordido. Ele examinou a mão com uma expressão curiosa; enquanto observava, sua pele ficou marrom e áspera. — Deve estar cheia de pó de Wartcap — disse por fim, acenando a varinha para a mão. Levitou a caixa até o saco de lixo. Um momento depois, uma Ordem de Merlin, primeira classe, dada ao avô de Padfoot, também foi para o lixo.

— Por serviços ao Ministério? — Harry perguntou.

— Ele deu um monte de ouro para eles — Padfoot disse com desdém, gesticulando para que Harry a colocasse de volta no lixo.

Havia outra cópia de A Nobreza da Natureza: Uma Genealogia de Bruxos.

— Quantas cópias desse livro você tem? — Harry perguntou; até agora, tinham encontrado a que estivera no quarto de Regulus, uma no escritório do térreo, uma na biblioteca e agora essa.

— Vai saber — Padfoot deu de ombros. — Mas a cada chance que minha mãe tinha de se lembrar de sua linhagem impecável... Oi! — alguma coisa prateada e fina rastejou para fora do armário e estava tentando perfurar Padfoot com uma de suas pernas pontudas. Ele a amassou com o livro; a coisa soltou um guincho agudo, antes de Padfoot pegá-la com cuidado e jogá-la no saco de lixo. O livro foi o próximo. Monstro choramingou. — Há outras duas cópias nessa casa — Padfoot disse, olhando com irritação para o elfo.

Monstro passara a maior parte da manhã parado à porta, observando o que estava sendo jogado fora. Ele tentara salvar algumas coisas; algumas, como uma foto de Walburga Black, Padfoot não permitira que ele salvasse ("Há uma foto enorme dela lá embaixo!", ele falara antes de mandar Monstro sair de lá), mas outros, como um anel dourado com o brasão dos Black, Harry convencera Padfoot a permitir que ele guardasse. Monstro soluçara por quase cinco minutos quando ficou sabendo que podia ficar com o anel e até curvou-se para Harry, antes de descer as escadas para guardá-lo em sua toca atrás da caldeira.

— Eurgh — Padfoot disse. — Olhe para essa coisa — um medalhão dourado e pesado pousou em seu colo. Harry estremeceu sem motivos. Havia um enorme "S" feito de esmeraldas na frente, mas, fora isso, era bem simples.

Harry tentou abri-lo, mas não conseguiu; franziu o cenho e devolveu-o a Padfoot.

— Não abre.

— Deve ter uma foto da minha mãe ou da minha avó — Padfoot disse, mas ele também não conseguiu abri-lo. — Ah, bem — Harry abriu o saco de lixo e Padfoot jogou o medalhão fora. Monstro urrou. — O quê? — Padfoot perguntou com irritação.

— O... O medalhão — Monstro conseguiu dizer. Ele cambaleou para dentro do cômodo e tirou o medalhão do saco.

— Solte-o — Padfoot mandou.

Monstro soltou o medalhão na mesma hora, mas parecia doer-lhe fazê-lo.

— Monstro... Pode ficar com o medalhão? — ele perguntou a Harry.

— Já lhe demos o anel — foi Padfoot quem respondeu.

— Monstro irá devolver o anel — Monstro disse, engatinhando até Padfoot para segurar-lhe a barra da calça. — Monstro devolverá o livro e a foto da senhora Cissy e da senhora Bella se Monstro puder ficar com o medalhão.

— Não — Padfoot respondeu. — O medalhão vai para o lixo — Monstro pegou o medalhão e apertou-o contra o peito. Padfoot forçou-o a soltar e Monstro explodiu em lágrimas. — Pare com isso — Padfoot falou com irritação, jogando o medalhão no saco de lixo. Monstro o olhou feio, antes mandar um olhar suplicante para Harry. — Não vai ficar com ele — Padfoot insistiu. O elfo soltou um soluço abafado.

— Por que você o quer? — Harry perguntou. — Por que ele é melhor do que o anel?

— Monstro prometeu — o elfo ofegou. Harry franziu o cenho e olhou com incerteza para Padfoot, que também franzia o cenho.

— Prometeu o quê? — Padfoot perguntou. — Conte-me.

O elfo tremeu, mas não conseguiu desobedecer.

— Destrui-lo. Monstro prometeu ao mestre, sim, prometeu, mas agora ele falhou, sim, falhou, e o mestre ruim, o mestre ruim não deixa Monstro ficar com o medalhão — o elfo se jogou no chão com um urro.

— Que mestre? — Padfoot quis saber. — Monstro, pare de chorar.

Monstro se sentou, fungando.

— M-mestre Regulus — o elfo urrou. Uma lágrima caiu de um de seus olhos e ele se jogou no chão, gritando. — Monstro mau! — exclamou, batendo a cabeça no chão.

— Monstro, fique quieto! — Padfoot mandou. — Você só irá se punir quando eu mandar! — Monstro congelou e olhou-os com os olhos avermelhados. — O que o mestre Regulus te disse?

— Para destruir o medalhão — o elfo gemeu, tirando o medalhão do saco. — Mestre Regulus...

— Solte-o. Sim, sabemos, o medalhão era do mestre Regulus — Padfoot falou com impaciência. — Quero que me conte tudo o que sabe sobre esse medalhão e o que Reg tinha a ver com ele.

— Mestre — Monstro disse em voz baixa — foi um menino malvado. O mestre quebrou o coração da senhora quando fugiu para ir morar com traidores de sangue. O mestre Regulus era um bom menino e orgulhoso e feliz, e sabia as obrigações de seu sangue e do nobre nome dos Black.

— Sim — Padfoot disse um revirar de olhos —, sabemos.

— Mestre Regulus observou o Lorde das Trevas por anos — Monstro disse em um tom respeitoso. Harry fez uma careta, lembrando-se de todos os artigos de jornal que tinham tirado da parede. — Quando o Mestre Regulus tinha dezesseis...

— Dezessete — Padfoot murmurou.

Monstro e Harry o olharam feio.

— Mestre Regulus se juntou ao Lorde das Trevas e ele estava feliz, ele estava orgulhoso em servir. E um dia, um ano depois dele ter se juntado, mestre Regulus entrou na cozinha para ver Monstro e mestre Regulus... Mestre Regulus disse que o Lorde das Trevas precisava de um elfo.

— Um elfo? — Padfoot repetiu, franzindo o cenho para Harry, mas seus olhos estavam desfocados.

— Um elfo — Monstro concordou pateticamente — e mestre Regulus tinha oferecido Monstro. Mestre Regulus disse que era uma honra para Monstro e para Mestre Regulus, e que Monstro devia fazer o que o Lorde das Trevas mandasse e, depois, devia v-voltar para casa — Monstro começou a se balançar com os braços ao redor de suas pernas finas e sua respiração estava ofegante.

"Então Monstro foi ao Lorde das Trevas. O Lorde das Trevas não disse a Monstro o que eles iam fazer, mas Monstro e o Lorde das Trevas foram a uma caverna. Uma caverna à beira-mar e, além da caverna, estava outra caverna e, nessa caverna, tinha um lago. Um lago enorme e negro. Havia um barco, e o Lorde das Trevas e Monstro usaram o barco para chegar a uma ilha."

Harry estava se sentindo nauseado. Padfoot parecia inquieto.

— E então? — Padfoot incentivou em uma voz baixa e em um tom quase gentil.

— Tinha uma b-bacia cheia de poção na ilha — Monstro estremeceu. — O Lorde das Trevas fez Monstro beber... Monstro bebeu e Monstro viu coisas terríveis. O lado de dentro de Monstro estava pegando fogo. Monstro chamou pelo mestre Regulus e pela senhora Black, mas o Lorde das Trevas apenas riu e fez Monstro beber tudo... Monstro bebeu a poção... O Lorde das Trevas colocou o medalhão dentro da bacia vazia... Ele voltou a encher a bacia de poção. E, então, o L-lorde das Trevas usou o barco para ir embora e deixou Monstro na ilha — Monstro fungou e secou seu nariz.

"Monstro precisava de água e ele foi até a beirada da ilha e bebeu do lago negro... E mãos... Mãos mortas e frias saíram da água e levaram Monstro para debaixo da superfície."

— Mãos? — Padfoot questionou com severidade. — Que mãos?

— Mãos! — Monstro soluçou. — Mãos mortas e frias!

— Apenas mãos?

— Pessoas. Bruxos e bruxas — Monstro murmurou, os olhos desfocados.

— Inferis — Padfoot murmurou com os cantos da boca tensos.

— O que são Inferis? — Harry perguntou.

— Cor... Pessoas mortas que foram reanimadas para andar e atacar pessoas — Harry abriu a boca, enojado. — Eram Inferis, Monstro? — Padfoot insistiu.

— Monstro não sabe. Monstro nunca soube!

— Está bem! — Padfoot se apressou a dizer. — Como escapou? Você aparatou?

Monstro assentiu.

— Mestre Regulus disse para Monstro voltar para casa, então Monstro voltou.

— O que Reg fez?

— Mestre Regulus ficou preocupado, muito preocupado. Ele disse para Monstro se esconder e ficar na casa. Algum tempo depois, numa noite, mestre Regulus voltou a procurar Monstro. Mestre Regulus estava com a mente atordoada, Monstro notou. Mestre Regulus disse a Monstro para... Para... — Monstro fungou e parou de falar.

— Para o quê? — Padfoot perguntou.

— Monstro prometeu. Monstro prometeu ao mestre Regulus... Ninguém da família... Mestre... Família.

Harry ficou confuso, mas Padfoot pareceu entender.

— Conte ao Harry — mandou ao elfo. Padfoot chamou a atenção de Harry. — Se você quiser ouvir o resto?

Harry assentiu e Padfoot saiu.

— Então... Er... O que aconteceu?

Monstro se aproximou, sua voz saindo quase sem som.

— Mestre Regulus falou para Monstro levá-lo à caverna, na caverna em que Monstro fora com o Lorde das Trevas. Monstro obedeceu e o mestre Regulus bebeu a poção... Primeiro, ele mandou que Monstro trocasse os medalhões e reenchesse a bacia... Mestre Regulus tinha um medalhão igual ao do Lorde das Trevas... E ele disse ao Monstro que o medalhão tinha que ser destruído... Fez Monstro prometer...

"Aí, o mestre Regulus bebeu e bebeu e mandou Monstro ir embora... Sem ele... Nunca contar a senhora... E Monstro viu quando mestre Regulus foi arrastado... Para debaixo d'água... E... E..." Monstro urrou e jogou-se no chão, batendo os pulsos no carpete.

— Monstro, sente-se — Harry disse. — O que aconteceu quando voltou para casa?

— A senhora ficou doente de tristeza. A senhora não sabia por que o mestre Regulus nunca voltaria... A senhora só sabia que ele não voltaria... Porque Monstro foi p-p-proibido de contar, Monstro prometeu nunca contar a alguém da família o que aconteceu na c-caverna — tanto Harry quanto Monstro se viraram para o medalhão, que estava no chão ao lado do saco de lixo.

"Monstro tentou destruir o medalhão, Monstro conseguia ver a maldade, mas nada do que Monstro fez funcionou. Monstro estava certo de que a chave para destruir o medalhão era abri-lo, mas nada do que Monstro fizesse... Tantos feitiços poderosos... Nada funcionou... Monstro falhou!"

— Está tudo bem — Harry se apressou a dizer. — Não vamos jogar o medalhão fora, está bem? — Monstro parou em meio a um soluço e ergueu os olhos. — Sabe por que Regulus queria destruir o medalhão?

— Monstro não sabe. Monstro só sabe que mestre Regulus queria que fosse destruído. Monstro tentou!

— Eu sei! — Harry disse, tentando acalmá-lo. — Você er... Fez bem. Eu vou erm... Talvez eu possa conversar com Padfoot... Com o mestre Sirius... E ver se ele pode tentar destruir.

Monstro jogou-se aos pés de Harry com um urro. Harry lhe deu tapinhas desajeitados na cabeça até que Padfoot voltasse e, em um tom gentil, mas firme, mandasse Monstro voltar à sua toca para se acalmar.

Quando Monstro obedeceu, Harry explicou o que tinha acontecido na caverna. Padfoot parecia extremamente desgostoso e, quando Harry terminou, ele se sentou no sofá e massageou as têmporas.

— Monstro sabe o nome da poção que ele bebeu?

— Eu acho que não — Harry disse. — Por quê?

— Esperava achar um antídoto para ela.

— Para Monstro? É meio tarde, não...

— Para mim.

— Para você? — Harry piscou. — Você vai tentar?

— Eu quero saber o que Reg estava tentando fazer ao roubar o colar de Voldemort — Padfoot disse com um encolher de ombros.

— Talvez ele achou bonito?

— Mas é horrível — os dois olharam para o medalhão. — É importante. Monstro disse que sentiu a maldade e, não sei se você percebeu, garoto, mas você estremeceu quando o tocou.

— Estremeci?

Padfoot assentiu, desgostoso.

— Não pensei muito nisso, mas... Olha, seja lá o que for, foi importante o bastante para Reg morrer e se Monstro tentou destruir, então esse medalhão está sendo mantido vivo por magia negra.

— Está vivo?! — Harry exclamou.

— Não está vivo como você ou eu, mas também não é um pedaço de metal pintado de preto, né? Não é natural — uma das esmeraldas brilhou quando Harry inclinou a cabeça.

— Por que é tão importante? — perguntou, pegando-o.

— Voldemort o escondeu em uma caverna, em uma ilha cercada de Inferires, dentro da poção mais cruel que ele conseguiu achar. Está claro que ele achou que valia a pena protegê-lo... Reg sabia o motivo, mas nunca deixaria esse tipo de informação em qualquer lugar.

— Mas ele deixou — Harry falou lentamente. — Tinha aquele livro... O livro em que estava marcada a página da Poção do Dementador — Padfoot franziu o cenho. — Aposto qualquer coisa que foi essa a poção que Monstro bebeu. E aquele outro livro, aquele que falava sobre o medalhão, lembra? Você queria que eu procurasse por aquele anel.

Padfoot levantou-se e saiu. Quando ele voltou, segurava uma pilha de livros — Harry só podia imaginar como ele os encontrara, considerando quão bagunçada estava a biblioteca — que Harry se lembrava do dia em que limparam o quarto de Regulus. Harry pegou o livro que falava do medalhão e Padfoot folheou o livro de poções até encontrar a Poção do Dementador.

— Não fala nada sobre o medalhão ser mau — Harry disse. — Só fala que era de Sonserina.

— Então, fizeram algo com o medalhão — Padfoot refletiu.

— Regulus pode ter deixado outra dica — Harry disse. — Ou talvez Monstro...

— Se Reg fosse deixar dicas, teria deixado com as outras. Ele provavelmente achou que era perigoso demais.

— Mas essas dicas não estavam escondidas — Harry lembrou, recusando-se a ser desencorajado. — Ele pode...

Padfoot balançou a cabeça.

— A Poção do Dementador não é tão incomum assim... Era usada como um sedativo em Azkaban antes de usarem Dementadores de verdade. O uso foi criminalizado no começo dos anos setenta porque os efeitos são mais poderosos do que aqueles de um Dementador normal, mas muitos bruxos das trevas usaram a poção durante a guerra. E Regulus gostava de ler, então um livro sobre artefatos mágicos antigos não seria estranho, nem esses — Padfoot indicou os livros sobre proteções e magia defensiva.

Harry se sentiu desanimado.

— Então, ele não teria falado sobre o que o medalhão é para ninguém?

Padfoot balançou a cabeça lentamente.

— Isso não é... Não, acho que não — Padfoot se levantou abruptamente e começou a andar de um lado para o outro. — Pelo que Monstro disse, não acho que Reg planejasse sair vivo... — Harry estremeceu ao ouvir isso, imaginando como seria ir de encontro à própria morte sabendo que o estava fazendo. — Se ele não ia pedir para Monstro beber a poção, por que outro motivo o levaria? Não, ele sabia ou, pelo menos, era uma possibilidade e ele queria que alguém entendesse o motivo de ele ter feito isso...

— Quem?

Padfoot ficou quieto por um longo tempo e, então, disse:

— Voldemort.

— Muito engraçado.

— Não, é sério — Padfoot respondeu lentamente. — A quem mais ele contaria? A pessoa em quem ele confiasse estaria em perigo e por que ele contaria a quem ele não confiava?

— Mas Voldemort? Se o medalhão é tão importante quanto você acha ser, Voldemort o mataria assim que ficasse sabendo!

Padfoot franziu o cenho.

— Talvez ele contou depois... Deu um jeito de atrasar a mensagem...

— O que quer dizer?

— Se você tivesse um segredo importante e precisasse compartilhá-lo, mas não pudesse contar, como você faria?

— Escreveria? — Harry disse depois de alguns momentos. — Ele tinha um diário ou alguma coisa do tipo?

— Não. Eu... Er... Eu estava sempre roubando o diário dele para ler, e ele acabou desistindo de ter um. Mesmo que tivesse, duvido que iria querer que Voldemort o lesse... — os dois estremeceram. — E um bilhete? Em algum lugar seguro, onde apenas Voldemort pudesse encontrar.

— E não é perigoso deixar uma dica de onde encontrar o bilhete — Harry disse —, né? Ele pode ter deixado alguma coisa... Outro bilhete, uma foto, qualquer coisa.

— Eu vou procurar pela casa — Padfoot disse ao se levantar. — Não jogamos fora nada que fosse interessante ou incomum, então é provável que ainda esteja por aqui. Seria bom se você pudesse rever tudo o que separamos hoje, só para termos certeza.

Harry se virou para o saco de coisas que tinham tirado do armário e fuçou nele. Não encontrou nada nem remotamente interessante, então voltou a colocar tudo no saco, sentindo-se desapontado. Olhou para o medalhão.

— O que é você? — perguntou. O medalhão recusou-se a responder. Curioso, Harry decidiu tentar olhá-lo magicamente (depois do seu sucesso no dia anterior, estivera olhando para tudo de um ponto de visto mágico). — Ostendere me omnia — murmurou e sentiu sua visão mudar. A sala ao seu redor pulsou, viva (a tapeçaria na parede brilhou com um verde claro; o saco de lixo era uma mistura de prata, azul e marrom). Harry conseguia ver sua magia vermelha e dourada.

E, então, havia o medalhão. Preto, como uma sombra, mas não era como se bloqueasse a luz; era como se sugasse a luz. Fios verde e prata brilhavam dentro do preto, tão fracos que era quase como se não estivessem ali; e nunca ficavam no mesmo lugar por muito tempo. Harry o derrubou, sua pele formigando. Monstro estava certo, apesar de não ter duvidado. O medalhão era mau.

Finite — murmurou e a magia sumiu; ainda estava lá, só não conseguia vê-la. — O que você é? — voltou a perguntar. As esmeraldas brilharam com maldade. Harry voltou a pegar o medalhão e, segurando-o tão longe de seu corpo quanto seus braços permitiam, tentou abri-lo mais uma vez. Não funcionou. Harry franziu o cenho. — Abra — mandou, frustrado. — Abra. Abra — o medalhão abriu, assim como a porta.

Continua.

N/T: Obrigada pelos comentários no capítulo anterior e bem-vindo a quem é novo; espero que goste(m)!

E a quem falou sobre ter se visto shippando Remus e Sirius... Eu entendo! Hahahaha Spoiler: a fic não vai nessa direção, MAS BEM QUE PODIA! O relacionamento deles nessa fic é maravilhoso e dá muita vontade de vê-los como um casal hahahaa Enfim...

Até a próxima atualização!