ONZE
Isabella recuou um passo para apreciar o próprio trabalho. Um sorriso de satisfação iluminou-lhe o rosto. - Bem, Victoria o e que acha?
- Acho que faltou caiar este pequeno trecho – a criada observou apontado para um canto da parede perto ao chão. Isabella praguejou baixinho e espalhou a, mistura de cal sobre a área.
-pronto.
-Oh, ficou encantador! a moça elogiou com genuína admiração. Novamente, Isabella deu um passo para trás.
-Ficou mesmo, se me desculpa a falta de modéstia. Acredito que seque até amanhã, de forma, que poderemos pendurar as tapeçarias logo após ai missa.
-Se fosse a senhora esperaria mais um dia, por precaução - Victoria objetou.
-Sério? Meu pai deverá chegar dentro de dois dias. É difícil ser paciente.
-A senhora trabalhou bastante! Seria uma pena estragar, às tapeçarias com cal...
Isabella não podia deixar de concordar lançou um olhar desconsolado para a criada, reparando que sua roupa mostrava-se imaculada. Já o vestido dela, que fora apenas marrom, parecia, completamente estampado de branco.
-Suponho que eu esteja ansiosa demais para ver o salão terminado.
-Os homens farão o apainelamento amanhã à tarde?
-Sim, a esta parede que terminamos hoje, onde colocarei a mesa principal. Não dará tempo de fazermos mais nada antes da chegada das visitas.
-Oh, mas já será uma grande melhoria - Victoria assegurou-lhe. Isabella assentiu. O salão apresentava um aspecto que superava suas mais ousadas expectativas. Os conhecimentos de Victoria rivalizavam com os de qualquer carpinteiro e a moça trabalhava com afinco e em silêncio, duas qualidades que a agradavam sobremaneira. Isabella ajudara-a, aprendendo a desempenhar as tarefas com razoável eficiência, embora seu entusiasmo ainda fosse maior do que sua habilidade.
Rosalie percebeu uma mudança profunda no relacionamento entre a ama e o marido, o que lhe provocou um grande alívio, devolvendo-lhe a jovialidade.
De bom grado, varou as noites costurando as barras e bordando as guarnições de linho, além de tecer uma imensa tapeçaria que seria pendurada na parede, atrás da mesa. Isabella havia sonhado decorar toda a parede com tapetes, porém, cedendo ao seu habitual senso prático e realista, contentou-se com um grande, por ora. Sara, Osyth e Dena tinham excedido o próprio talento para culinária inventando receitas novas para impressionar os hóspedes. Algumas deram certo, outras, não. De qualquer modo, Isabella deixou de preocupar-se com o cardápio, confiante de que o trio daria conta do recado.
Assim, encarregou as duas servas de auxiliar Rosalie com o bordado, além de arear o chão e as mesas e até mesmo de construir duas camas. Em vez de apenas supervisionar o trabalho, Isabella arregaçou as mangas e pôs mãos à obra junto com as criadas. A princípio, enfrentou alguma dificuldade em admitir seu desconhecimento e aprender com as camponesas. Contudo, era inteligente e agradava-lhe desenvolver novas habilidades, o que serviu para fazê-la progredir em pouco tempo. Também descobriu que as moças apreciaram sua honestidade em reconhecer as limitações e, diferentemente do que esperara, não zombaram dela, passando a respeitá-la muito mais. Edward tinha razão, afinal. Isabella experimentou grande satisfação observando a maneira como as servas se dispunham a ensinar-lhe e exaltavam tudo o que a patroa realizava. Em contrapartida, escutavam com atenção e deferência as explicações da ama acerca do que desejava que fosse feito e como.
- Milady? Isabella interrompeu o trabalho e voltou-se para Victoria, que a fitava com ar preocupado.
-O que foi? – indagou receando que houvessem esquecido algum detalhe importante.
- Eu ouvi rumores... inquietantes. Sabedora de que Victoria não era de restar atenção aos mexericos do vilarejo, isabella pousou a broxa para escutá-la.
- Que rumores?
-Dizem que há alguém prestando ajuda aos rebeldes, gauleses. Alguém da vizinhança:
- Quem seria estúpido o bastante para apoiar os fora-da-lei?
- Há diversas famílias gaulesas morando tanto no vilarejo quanto no vale. Contudo, parece tratar-se de um normando. Isabella fitou com astúcia.
-Por que resolveu contar-me essa historiai neste momento?
- Por que tinha a esperança de que cessassem quando o seu marido veio para cá. Mas eles continuaram, milady, por isso eu acho que seria aconselhável que lorde Masen mantivesse patrulhas extraordinárias. -Eu sugerirei a ele que o faça – Isabella aquiesceu
– No entanto, Edward tem certeza de que esses bandoleiros foram embora... O comentário porém, não pareceu aliviar a criada.
-Queira Deus...
-Eu também rezo para que ele esteja certo – Isabella replicou, procurando tranqüilizar-se com a ideia de que a opinião do marido valia mais do que os boatos do vilarejo. Apanhando o balde, acrescentou:
- Creio que já basta, por hoje. Preciso colocar um vestido menos... colorido antes da ceia. Victoria brindou-a com um de seus raros sorrisos.
- Rosalie tem uma surpresa para a senhora. Acredito que gostará milady. O semblante de Isabella iluminou-se. -Oh, não me diga que ela transportou meus pertences para cá?
Edward havia insistido para contentamento dela, que os homens separassem uma área do andar superior para servi-lhes de quarto de dormir. Contudo, ficara decidido que só promoveriam a mudança na véspera da chegada de lorde swan.
-Não senhora.
- Deixe-me adivinhar... rosalie optou por seguir a carreira religiosa. Quando irá para o convento? A gargalhada de Victoria significou uma verdadeira recompensa para Isabella, que sempre se considerara desprovida de senso de humor. Também assinalava que a criada conseguira relaxar um pouco de sua preocupação com os rebeldes.
- Desisto. O que é?
-Não sei... vá e veja por si mesma – Victoria a ordenou, corando de imediato pelo atrevimento. - Eu levarei o balde, se me der licença, milady - acrescentou com reverência.
Isabella desceu as escadas correndo, sem conter a curiosidade, e atravessou o biombo. Estacou, deliciada, ao se deparar com uma enorme tina. Em seu interior, a água fumegava exalando um delicioso odor de ervas e flores campestres. Ao lado, havia uma ânfora com água fria para misturar e toalhas macias de linho para enxugar-se. Sem hesitar, Isabella desvencilhou-se da roupa e experimentou a temperatura com os dedos do pé. Estava demasiado quente. Então, despejou metade do liquido frio da ânfora e sentou-se dentro da tina, com um suspiro langoroso. Fora uma surpresa e tanto! Caiar a parede se constituía numa tarefa árdua, especialmente para pessoas inexperientes como ela. Entretanto, pensou enquanto afundava na água até o queixo, não deixava de ser gratificante. Estava desenvolvendo sua habilidade a cada dia e orgulhava-se dos resultados. Nesse instante, ouviu a familiar risadinha estridente. Sem abrir os olhos, Isabella murmurou em tom descontraído:
-Rosalie, aceite meu agradecimento pela brilhante ideia.
- Trouxe-lhe mais água, caso deseje lavar os cabelos - a criada replicou sorridente.
- Esta aqui está morninha.
- Maravilhoso! Pode despejá-la sobre a minha cabeça. Ótimo, obrigada, De quanto tempo disponho antes da ceia?
-Oh, ainda vai demorar um pouco para a comida ficar pronta.
-Perfeito.
-Eu vou auxiliar as meninas, milady. Se precisar de mim, basta chamar.
-Humm... - Isabella resmungou, lânguida demais para dizer qualquer coisa. Esfregou as madeixas douradas com sabão, massageando o couro cabeludo. Sem perceber, começou a cantarolar.
Estendeu a mão para apanhar a ânfora, a fim de enxaguá-las. Todavia, por mais que tateasse, não a localizava.
- Deixe-me ajuda-la.
- Edward?
-Bem, prefiro pensar que você não esperava outro homem, considerando-se o estado em que se encontra. Isabella sorriu.
- Oh, nesse caso, você serve. Pode enxaguar meus cabelos, por favor? A água morna deve estar. Um jato de água fria jorrou-lhe sobre a cabeça, fazendo-a gritar.
-Pare, estou congelando! - bradou, abrindo os olhos, que se encheram de sabão, e começaram a arder de imediato. Pestanejando, praguejou:
- Oh, pelas chagas de Cristo! Edward não conteve uma gargalhada. Sem dúvida, a esposa mudara muito nas últimas semanas.
-Perdoe-me, Isabella. Não era minha intenção. Pronto, irá aquecer-se num instante. A água agitou-se, esparramando-se por todos os lados e, antes o que ela pudesse acusá-lo de tentar afogá-la, percebeu que o marido havia entrado na tina.
-Edward !
-Desculpe-me pela balbúrdia. Chegou o seu aquecedor, cara senhora.
-Quem o convidou para o meu banho?
-Ninguém. Mas abater bois e vacas é um trabalho penoso e cansativo, além de desagradável. Não acha que eu mereço?
Embora não ignorasse que o marido estava despido, Isabella agora podia vê-lo em toda a sua beleza máscula. E senti-lo, também...
-A tina é demasiado pequena para nós dois - protestou, fingindo-se zangada.
-Oh, que pena! Sorte que não me incomodo com a falta de espaço – Edward replicou, sorrindo com malícia. Isabella não pôde conter-se e retribuiu o sorriso. Contudo, a visão - e o toque - da nudez do marido perturbava-a sobremaneira. Daquela forma, não conseguiria relaxar.
-Bem, pelo menos não terei motivos para afirmar que você cheira como um camponês. Só não sei o que os homens irão dizer do seu aroma de flores e ervas. Edward retorceu o rosto numa careta.
-Não havia pensado nisso.
-Tal era a sua vontade de juntar-se a mim?
- Hum, hum... - ele curvou-se sobre a esposa.
- Você fica tão linda sem roupa, com Os cabelos molhados.
-Você Vai Fazer atina virar...
-Não me importo.
-Mas eu sim.
Edward franziu o cenho e afastou-se o quanto era possível na banheira exígua.
-Está bem. Isabella puxou as mechas que lhe encobriam o rosto para trás.
-Conseguiu concluir o trabalho?
- Graças a Deus. Agora só no próximo ano, embora, com a ajuda divina, espero que tenhamos muito mais cabeças para abater.
- Teremos, sim. E quanto às galinhas? A epidemia está sob controle? Ainda não posso afirmar com certeza, mas não apareceu mais nenhuma com a doença Tentando ocultar a própria excitação, Isabella insistiu em manter a conversa sobre assuntos práticos.
-Nós Acabamos de caiar as paredes.
- Ótimo - Edward replicou, apoiando a cabeça na borda da tina.
-Cansado? Ele abriu os olhos e voltou a sentar-se ereto.
-Depende... o que sugere?
- rosalie pode entrar aqui a qualquer momento e a ceia será servida em breve. ela objetou.
- O´r annwyl!
- O que significa essa expressão, afinal? Você a repete com frequência.
- Ah, não pretende começar as aulas agora, não é?
- Por que não? Edward sorriu.
- Certo. Por que não? Bem, trata-se de uma interjeição que corresponde a "Valha-me Deus".
- Oh. Só isso?
- Pode apostar que sim. Próxima palavra... – Edward tocou-lhe os lábios com a
Ponta dos dedos -"ceg".
- Ceg - Liliana ecoou, procurando imitar-lhe a pronúncia. Edward deslizou os dedos até seu pescoço.
-"Gwddf" Ela suspirou e cerrou os olhos.
-O quê?
-Pescoço.
-Oh, seu idioma é muito agradável.
-"Bron". Seios. A respiração de Isabella acelerou-se. Ofegante, ela encolheu-se na borda da banheira.
-"Teth" - ele sussurrou, curvando-se sobre a esposa – Bico do seio - como para ilustrar a lição, acariciou com a língua o ponto anatômico em questão provocando-lhe, gemidos de prazer.
- Como posso dizer "faça amor comigo"? - ela indagou, num murmúrio rouco. Edward escorregou para debaixo dela.
-Seu corpo já disse isso... - replicou, segurando-lhe os quadris com firmeza. Em seguida, ergueu-a ligeiramente e guiou-a de forma a montar sobre ele, com as pernas flexionadas no lado de seu torso.
-Não há espaço suficiente – Isabella protestou sem convicção. Quando sentiu que ele a penetrava, mordeu os lábios para não gritar. De imediato, esqueceu o tamanho da tina, a possibilidade de Rosalie entrar e a ceia que seria servida dali a pouco. Só conseguia ter consciência do prazer inefável que experimentava nos braços do marido. Era incomparável, aquela sensação de completitude, de segurança e de amor! Aos poucos, adequou-se aos movimentos de Edward e passou a cavalgá-lo, aprendendo com rapidez como proceder. Arqueando-se, ofereceu-lhe os seios para que ele os mordiscasse com gentileza. Então, beijou-o com profundo ardor. A exaustão do trabalho árduo desapareceu. O prazer a revigorava mais do que o repouso. Os dois intensificaram o ritmo e a volúpia das carícias. Isabella e Edward gemiam juntos, afagando o corpo um do outro com sofreguidão, até que um espasmo violento contraiu-os, envolvendo-os numa onda de êxtase inigualável. Sem poder conter-se, Isabella gritou.
-Shhh, o que os criados vão pensar? Edward indagou ofegante.
-Isso não tem... a menor... importância - ela replicou, sem fôlego, pousando a cabeça em seu ombro. Edward acarinhou-lhe as costas, permanecendo dentro de seu corpo. Se lhe fosse possível, jamais sairia de lá.
-"O'r annwyl", mulher. Desta vez, você me apressou... Isabella ergueu o rosto sorridente.
- O tempo era curto. Além disso, precisamos sair desta banheira e nos vestirmos antes que Rosalie atravesse aquele biombo. O marido beijou-lhe os cabelos.
- Uma boa criada sempre percebe quando não deve interromper os patrões.
-Pois eu não apostaria na discrição de Rosalie.
-Até que ela guarda segredos muito bem.
-Como sabe? – Isabella indagou, saindo de sobre o marido, que suspirou, contrariado. Ignorando o protesto, ela abandonou a tina e enrolou-se na toalha.
-Se não é verdade, então me diga por quem ela está apaixonada? – Edward desafiou-a, colocando a perna para fora da banheira. Isabella estendeu-lhe outra toalha e deu-lhe um tapinha brincalhão.
-Contanto Que não seja o meu marido, pouco me importa.
-Você não esquece, hein? Sentada na beira da cama, ela começou a escovar os longos cabelos.
-Não há nada para esquecer. Ou há?
-Claro que não!
-Ótimo.
-Mas, Voltando ao assunto, rosalie se apaixonou por Emmett .
-Seu Amigo pastor de ovelhas?
-O próprio. Deixe que eu termine de escová-los para você - ofereceu-se, aparentemente sem lembrar que ainda estava despido.
- Adoro fazer isso. Isabella limitou-se a suspirar. Edward Masen era incorrigível. Se deixasse por sua conta, não faria mais nada na vida além de ocuparem-se um do outro. E sem roupas.
-Devo admitir que esta é uma experiência inédita. Jamais fui penteada por um, criado nu.
-Pois eu não consentiria que você fosse servida por um servo. A e nos que se tratasse de um eunuco.
-Coisa que você não é, como posso ver muito bem.
-Eis aí uma coisa que não deve esquecer. Isabella levantou o rosto para fitá-lo. Em seu olhar havia um brilho travesso.
-Oh, jamais esquecerei - prometeu, deslizando as mãos por suas pernas Musculosas e bem torneadas. –Nós não terminamos a aula de Gaulês.
-Já basta De lições, por algumas horas.
- Não concordo mestre. Como se chama esta parte do corpo, em seu idioma? Agora chegara a vez de Edward ofegar sob as carícias ousadas da esposa.
Deliciado e surpreso, conseguia reponde-lhe as perguntas atrevidas. - Bonita palavra, soa bem – ela comentou, beijando-lhe o ventre com suavidade.
-E qual o nome disso aqui? Edward gemeu baixinho. Perturbada, Isabella por fim afastou-se.
-O que está tentando fazer comigo Bella? Ela fitou-o com fingida inocência.
- Eu?! Nada milorde. Isto é, estou interessada, em aprender o belo idioma do seu povo. Você prometeu ensinar-me.
De súbito, ouviram um ruído estridente no salão, do outro lado do biombo.
-Viu? Eu lhe disse que você deixaria cair! Osyh esbravejou. Pelo jeito, estava bem próxima do quarto.
-A culpa foi sua! Quem mandou esbarra em min? Dena reclamou.
Isabella sentiu o rosto em chamas e edward correu para vestir a túnica. Ele também se sentia constrangido por ter sido surpreendido num momento tão íntimo.
-Oh, você enrubesceu! – Isabella observou admirada. Então, o marido não mentia ao confessar que era tímido. O fato agradou-a não só por provar a sinceridade dele, mas também por considerar adorável aquela faceta de seu caráter.
-Não tire conclusões precipitadas. Fiquei vermelho porque abaixei-me para apanhar a roupa dentro da arca, só isso – ele negou, esforçando-se para parecer sério. Seus olhos porém brilhavam de divertimento. – Por mais que deteste, sou obrigado a sugerir que abotoe o vestido, milady. Caso contrário, não me responsabilizo pelo que possa acontecer... – ameaçou em tom malicioso, enquanto se aproximava para fazer-lhe cócegas nas costas nuas.
Rindo, Isabella esquivou-se das mãos ávidas de Edward. - Ah, não vejo a hora de termos um quarto de verdade para nós. Essa falta de privacidade é terrível!
Edward lançou lhe um sorriso lúbrico.
-começo a crer que foi o maior erro que cometi na vida. Que idéia infeliz, a de não construir uma alcova onde ninguém nos interrompesse... de qualquer modo, as criadas já nos ouviram mesmo. Assim, por que não aproveitamos e fazemos o que elas já sabem que estamos fazendo?
Isabella balançou a cabeça em sinal de concordância e despiu o vestido. Torcendo os lábios num esgar de ódio, Lauren ergue a cabeça do pai e deixou-a cair novamente sobre a escalavrada mesa, produzindo um ruído surdo. O homem emitiu um grunhido, mas não despertou do estupor provocado pela embriaguez.
- Durma bem, papaizinho - murmurou com escárnio, sacudindo o jarro de vinho. Estava completamente vazio.
Dinheiro bem empregado, pensou com um sorriso satisfeito. Depois de suportar anos de miséria em consequência da devassidão do pai, Lauren descobriu que a melhor coisa a fazer era mantê-lo em estado de permanente intoxicação. Com esse objetivo, abstinha-se de comprar alimentos para assegurar que haveria bebida suficiente para os seus propósitos. Apesar da fome, valia a pena, pois assim ele a deixava em paz.
Quando a lua atingiu o meio do céu, ela vestiu o manto. A noite estava fria e úmida, mas ela precisava sair. Negócios importantes e também muito prazer, a aguardavam na floresta. Os poucos criados que restaram no castelo eram demasiado velhos ou estúpidos para prestarem atenção em suas atividades. Deviam estar na cozinha, queixando-se da falta de comida, como de hábito. Sem se incomodar com eles, Lauren apressou-se a ir ao encontro de seu amante. Nem o ar gelado do inverno podia espantar a excitação que lhe fervilhava o sangue com a simples antecipação das carícias que a esperavam. Lauren arrancou as roupas do namorado, empurrando-o para o chão enquanto o beijava com sofreguidão. Ele já se havia acostumado com seu jeito frenético e correspondeu com igual avidez, levantando a saia de seu vestido surrado para penetrá-la por inteiro com uma só estocada. Pouco depois, soltando um grito rouco, deu o ato de amor por encerrado e afastou-a, saciado. Em seguida, Ivor ap Rhodri levantou-se e, vestiu os calções e a túnica esfarrapada.
- Senti sua falta - comentou, imprimindo um tom de sinceridade às palavras. - Diga isso de uma forma que me convença - ela replicou. Ivor suspirou e satisfez-lhe o capricho. Pacientemente, proferiu as expressões normandas que ela lhe havia ensinado.
-Fiquei com muita saudade, meu amor. Contente, Lauren sentou-se e, com um gesto, chamou-o para acomodar-se a seu lado.
-Onde você estava?- inquiriu. Ele acocorou-se perto dela, embora não tão próximo que pudesse roçar seu corpo.
-Esta floresta é muito perigosa para mim.
-Antes não era.
-A presença de Masen faz muita diferença.
- Aquele bastardo! – Lauren exclamou em Normando. Embora não compreendesse os vocábulos, Ivor captou a fúria em sua voz
-Quanto tempo pode ficar comigo? Ivor sorriu. Embora não fosse uma mulher atraente, ela era prestativa e ansiava tanto por obedecer qualquer ordem que lhe desse que às vezes ele se indagava até onde a amante iria para agradá-lo.
- Não muito – replicou com uma ponta de genuíno pesar. – Você decerto saberia informar-me se lorde swan está vindo para cá.
-Ele virá sim. Edward Masen está preparando uma festa. Como se eu quisesse assistir ao comovente espetáculo amoroso do casal mais apaixonado do mundo! Oh, é repugnante! – Lauren desabafou.
- Uma festa?
-Suponho que gostem de me "proteger". Talvez pensem que, com isso, conquistam o reino dos céus. Como quando dão esmolas aos mendigos. Bem, dessa vez não lhes darei este prazer. Eu não irei. Ele relançou os olhos em sua direção, ignorando a tagarelice incessante pela qual não sentia o menor interesse. Lauren pareceu-lhe mais magra do que um cachorro vira-lata, rude, envelhecida e amarga. Comparada com à esposa de Edward Masen... bem não havia comparação. Ao lembrar-se da beldade loira que vira cavalgando como uma deusa sob o vento, ivor sentiu uma pontada na virilha. - Seu pai pretende comparecer a festa?
Como sempre ocorria quando mencionava lorde Mallory, ela fulminou-o com um Olhar homicida.
-Sim –sibilou.
-E você não?
-Já lhe disse que não.
-Mas você poderia obter informações importantes para mim. Preciso descobrir quando terminará a reconstrução do castelo de Masen e se lorde Swan lhe enviou mais homens. - Não quero ir - Lauren rebateu com impertinência - Não suporto esse homem, muito menos sua mimada mulherzinha. Ivor refletiu por alguns segundos e optou por não forçá-la. Lauren lhe havia ensinado um bocado do idioma normando, arranjava comida para ele e seu bando e mantinha-o a par de detalhes da vida dos nobres da região. O que ela lhe dissera já valia muito, e ainda lhe poderia ser útil por um bom tempo. Apesar de saber que, um dia, teria que livrar-se de Lauren. Uma amante ciumenta e ressentida constituía-se num verdadeiro perigo. Se por alguma razão, se sentisse ameaçada de perdê-lo, era bem capaz de contar o que não devia, às pessoas erradas, só para se vingar. E esse dia talvez estivesse próximo. Melhor não obrigá-la a ir a festa dos Masen.
- Você conhece a mulher dele? Lauren observou-o com astúcia.
-Por quê? Sem responder, Ivor sacudiu os ombros, simulando indiferença.
-Aquela bruxa estúpida e imprestável!
Mais uma vez, ele apreendeu o sentido mais pelo tom irado do que pelas palavras. Ainda se atrapalhava com o Normando, um idioma que desprezava. Quanto a fúria de Lauren, esta reforçava sua suspeita de que a amante nutria uma profunda inveja de lady Masen, por sua riqueza. Mas também pelo marido.
-Está bem, não precisa ir- declarou com serenidade. Ela Sorriu e subiu a mão ao logo do quadril dele.
- Não demore a procurar-me, meu querido. Anseio pelo momento de voltarmos a Ficar juntos...
-Quando é a festa?
-Dentro de dois dias. Ivor franziu A testa.
- Então, não poderei voltar logo. Não seria seguro, principalmente sozinho.
- Nem você nem seus homens têm nada temer de minha parte.
-Sei disso - ele aproximou-se e tirou o manto dos ombros de Lauren.
-Preciso de você - murmurou, colando os lábios nos dela. Com movimentos apressados, desatou os laços do vestido. Quando desnudou-lhe os seios diminutos e emurchecidos, a amante gemeu. Ivor deteve-se por um instante.
- Talvez eu devesse trazer meus homens. Eles podem quere-la também.
-Você me protegeria, não é?
-Protege-la?
-Salvar-me.
- Se você desejasse. Mas você apreciaria os rapazes, tenho certeza. Espero que a minha mulher seja...
-Condescendente? – havia um traço de aborrecimento no tom de Lauren.
-O que você quer dizer?
-Que você adoraria ficar observando enquanto entrego-me a seus companheiros. Não é isso? Ele assentiu com veemência, dardejando-lhe um olhar concupiscente. A volúpia que ela vislumbrou em sua expressão era o sentimento mais próximo do amor que já recebera.
- Ah, minha querida... você faz tudo que mando, satisfaz todas as minhas fantasias! Eu devia desposá-la. Com um sorriso lúbrico, Lauren Malorry deitou-se sobre as folhas do chão e puxou-o para cima de seu corpo esquálido.
-Quantos homens pretende trazer? – cochichou-lhe no ouvido.
