11. Nada Como o Destino...
"Droga, droga, droga!"
"Eu falei pra você andar mais rápido que ia cair um temporal..."
"Vamos...droga"
"...podia ter voltado pela rodovia principal... apesar do trânsito lento nesse horário, pelo menos estaríamos andando..."
"Se eu tentar voltar... um ré...não, vamos tentar indo pra frente...droga!"
"...não adianta, quanto mais você tentar, mais o carro vai patinar, ta virando a maior lama!"
"ok, sem dúvida vai ter que ser pela frente, vamos acelerar...vamos bebê, não me desaponte!"
"... homens! Ta vendo que não dá e continua teimando!"
"Você por acaso ta tentando me irritar Lea Michele?"
"Estava só comentando alto"
Cory e Lea tentaram escapar do temporal que se armou naquele final de dia, mas por mais que corressem, acabaram atolando o carro justamente quando já vinham voltando do atelier. Aquele era um horário de bastante tráfego na rodovia principal, que dava acesso à Los Angeles, e como na ida eles utilizaram um desvio o que facilitou muito, na volta eles optaram por vir pela mesma estrada, mesmo ela não sendo pavimentada, ou melhor, mesmo ela sendo de chão batido. Não demorou pra que o carro de Cory atolasse em meio a tanta lama provocada por toda aquela chuva forte e constante. Ele estava desesperado tentando sair de um buraco que provavelmente se formou devido ao mau tempo e que ele não percebeu e caiu dentro, mas por mais que tentasse, quanto mais acelerava, mais acabava ficando preso. E ainda por cima, tinha Lea resmungando do seu lado. 'Como ela falava sem parar, ainda mais quando estava nervosa!', ele pensava enquanto tentava de todas as formas sair dali.
"Não vai ter jeito...assume o volante, quando eu mandar você acelera, ok?"
"Aonde você vai? Ta caindo o mundo lá fora...você vai tomar um banho!"
"Vai querer ficar aqui até quando presa dentro desse carro?" antes mesmo dela responder qualquer coisa, ele abriu a porta e saiu naquele temporal. Chuva, vento e vários trovões clareavam a noite no meio daquela pequena estrada. Cory começou a empurrar o carro, indicando pra ela acelerar. Lea obedeceu, porém o plano não deu certo. A chuva era muito intensa, a lama formada estava cada vez mais densa, quase como uma 'areia movediça' sugando o carro. Eles tentaram por uma, duas, três vezes e nada! Lea abriu a janela do carro pra ver onde Cory estava, pois não conseguia vê-lo, o pára-brisas não vencia limpar os vidros. Ela quase soltou uma gargalhada ao encontrá-lo totalmente encharcado e todo sujo de lama, a camiseta branca que ele usava estava completamente marrom, mesmo estando sob uma jaqueta, sem contar as calças, ninguém poderia adivinhar que era jeans, parecia mais feita da própria lama! Propositalmente, ela deu mais uma acelerada. Como ela imaginava: os pneus patinando fizeram voar barro pra todo lado, principalmente pro lado dele!
"Pára!" ele gritou, limpando os olhos.
"Desculpe" ela respondeu contendo seu riso.
Ele tentava achar um pedaço da sua jaqueta sem sujeira pra limpar o rosto, mas era quase impossível. Nisso, seu jeitinho atrapalhado quase provocou um acidente. Sua jaqueta se prendeu em uma das rodas e puxou-o abruptamente. Lea tomou um susto, pensou que ele havia preso o braço. Ela pulou do carro desesperada. Mas não conseguiu chegar até ele. Dois passos e ela caiu um tombo em uma poça. E que tombo! Cory começou a rir da cena: quanto mais ela tentava se equilibrar em pé pra sair, mais ela ficava atolada!
"Cale a boca! Pare de rir!" ela ordenou.
"Calma que eu vou aí te ajudar" ele puxou daqui, dali, até que conseguiu rasgar a jaqueta, ficando livre. Cory foi até Lea, também já na mesma situação dele: encharcada de chuva e totalmente suja. Ele estendeu a mão pra ela se segurar. Ela olhou pra mão dele e sorrindo maldosamente, puxou-o, aproveitando sua distração. Ele caiu em cheio junto dela no meio de uma grande poça de lama. Voou barro pra todo lado. Lea imaginou que ele ia ficar irritado, esquecer por um segundo o cavalheiro que é, e encher ela de tapas, devido a cara que ele fez pra ela. Muito pelo contrário, ele abaixou a cabeça e começou a rir. Ela acompanhou-o. Fazia algum tempo que eles não compartilhavam uma boa gargalhada, por mais boba que fosse.
"Que droga! E agora, estamos literalmente atolados aqui!" Cory se ajeitou sentando-se no chão do lado dela.
"Não sei...pelo menos é lama... diz que faz bem pra pele..." Lea comentava, sarcasticamente, enquanto limpava o rosto, aproveitando a chuva que parecia cada vez mais forte.
Cory levantou-se, com muito custo, pois se ele já era desajeitado normalmente, naquele estado parecia pior! Depois ajudou Lea. Ambos conseguiram voltar pra perto do carro, sentando-se no capô.
"Eu só sei que não quero ninguém sujo desse jeito dentro do meu carro!"
"Mas se eu ficar aqui fora mais um pouco, posso pegar um resfriado... já pensou eu gripada? Sem voz e doente?"
"Se sadia às vezes você é insuportável, imagina doente!... pode ficar doente, eu agüento, mas meu carro não!"
Por um instante ela pensou que ele estava falando sério, mas logo ele não se agüentou e começou a rir. Ela acompanhou ele, rindo da desgraça deles.
"Pelo menos toda essa chuva vai servir pra alguma coisa... to quase limpa! Já escorreu todo o barro, to até vendo novamente meu vestido!... só falta os sapatos..." Lea batia os pés brincando com a chuva que caia. Cory olhou-a, parecia que estava se divertindo ali toda suja e molhada. Ela tinha um brilho no sorriso, zombeteiro e inocente, como uma criança encantada em brincar na chuva. Fazia tempo que ele não a via tão feliz, tão descontraída, tão tranqüila. Desde que brigaram, ele só via a figura de alguém triste e amargurado, e Cory não gostava nenhum pouco de vê-la assim, logo ela que sempre era tão alegre e extrovertida, no fundo ele sentia culpa por ter contribuído pra ela ficar assim. Mas o que ele podia fazer, se era como ele também se sentia, triste e infeliz.
"Se alguém me contasse, não acreditaria... parece que nossa Lea Michele, atriz glamurosa de Hollywood, sempre tão elegante e refinada, está feliz brincando na chuva e na lama! Quem diria! Pelo visto você tem tantos lados que ninguém nem imagina" ele zombava dela.
"Cale-se! Pode até contar pra alguém mas eu não vou confirmar nada! Quero ver quem vai acreditar" Lea não entregava os pontos, mas que ela estava se sentindo leve como uma criança ali, isso era certo.
"E se eu tiver provas? ... vou gravar"
"Não! Seu louco, fique quieto aí"
Ambos riam, um incomodando o outro, desfrutando daquele clima tão tranqüilo e descontraído entre eles, não se preocupando com o fato de estarem presos ali, no meio de uma estrada qualquer, onde até então não havia passado ninguém, sem contar a forte chuva que despencava.
"Cory nós podíamos entrar..."
"Não você ainda está muito suja!"
Eles brincavam.
"To não... olhe só, só estou um pouquinho encharcada, até meus sapatos estão limpos!" Lea balançava os pés mostrando-os. Cory olhou os sapatos dela, realmente estavam limpos, molhados claro. Instintivamente, ele foi subindo os olhos por todo o corpo dela, como que comprovando o que ela havia falado. Porém, era difícil apenas olhar Lea, ainda mais toda molhada, com o vestido colado ao corpo, acentuando a curva das suas coxas, quadris, a cintura fininha, e por incrível que pareça, os seis pareciam maiores do que ele havia gravado em sua mente. Ela era ainda mais linda daquele jeito. Simples. Simplesmente encantadora. Ele procurou ordenar seus pensamentos e fugir da súbita vontade de tocar aquele corpo tão perfeito, de beijar aquele sorriso tão Lea Michele de ser.
"Certo, o que é melhor: lama ou roupas encharcadas de água? ... os dois, com certeza!" ele implicava com ela.
"O que? Onde está seu cavalheirismo sr. Monteith? O cara que eu conhecia era mais amável, educado, nunca ele iria deixar uma dama se molhando pra fora do carro!" ela devolvia a implicância mesmo sabendo que aquele joguinho dos dois era apenas brincadeira. Por ele com certeza eles teriam já entrado pra dentro do carro há muito tempo. Mas era fato que tanto ela que demonstrava mais, como ele mais discretamente, estavam adorando aquele banho de chuva.
"Ok, você venceu!... odeio ver meninas choramingando!... Vamos entrar, depois você me paga a lavagem do carro", ele desceu do carro e estendeu a mão pra ajudá-la a descer. Lea quis fazer uma gracinha, não aceitando a ajuda dele e quase caiu. Por sorte, Cory estava atento e segurou-a antes que espatifasse no chão. Ele puxou-a drasticamente, fazendo com que ela fosse parar em cima dele. Ela já estava a salvo, mas ele ainda segurava-a firmemente junto do seu corpo. Ela agradeceu, instintivamente quando percebeu que o susto havia passado. Depois de alguns minutos, ela se tocou que ele ainda não havia lhe largado e aquela sensação lhe deixou incrivelmente excitada. Ela estava praticamente colada no corpo dele, podia sentir até sua respiração cada vez mais pesada, mais sufocada... Cory demorou pra perceber que podia largá-la, devido ao susto do quase acidente dela, mas quando percebeu que depois de algum tempo ainda tinha ela junto de si, sentindo sua pele tão macia e arrepiada provavelmente por estar molhada com frio, ou talvez, devido ao contato com a dele, ele só tinha a certeza de que não conseguia deixá-la ir.
Lea ergue a cabeça e encontrou dois olhos escuros olhando-a profundamente. Gotas de chuva que escorriam pelo cabelo totalmente molhado e despenteado, escorregavam pelo rosto dele, contornando-o como que desenhando no ar a perfeição daqueles traços tão fortes, tão masculinos. Assim como ela, ele também estava ensopado, e Lea sentiu um arrepio percorrer seus seios, mesmo por baixo do vestido molhado, quando eles tocaram o peito dele por sob a camiseta. Aqueles músculos estavam tão enrijecidos quanto seus seios. Podia ser frio, mas no caso deles, com certeza era muito mais do que frio a reação dos seus corpos. Finalmente Lea quebrou o silêncio.
"Você me disse naquele dia que achava que me conhecia, mas que na realidade não. Hoje você novamente não acreditou que eu podia brincar como uma boba me sujando, me molhando... mas parece que nossos corpos pelo contrário já se conhecem... não precisa muita coisa pra acendê-los!" Cory quando quis rebater o comentário dela, largando-a, foi surpreendido por mais uma de Lea. "Então, quero saber se você gosta dessa..." e ela puxou-o com força, vorazmente, com ânsia beijou-o. Desejo, sem pudor, sem preocupações... apenas uma fome de tê-lo, de sufocar com um simples beijo toda a saudade que seu corpo sentia do dele, que seu coração sentia de estar com ele. Ela capturou-o não deixando saída alguma pra ele fugir, não que ele quisesse, pelo contrário, ele se entregou à aqueles carinhos tão intensos. Lea beijava-o, deixando ele quase sem fôlego, com suas 'mil' mãos percorrendo todo aquele corpo molhado da chuva. Cory podia jurar que ela estava fora de si, nem quando da primeira vez no trailer onde ela fez loucuras com a boca dela no corpo dele, ele a viu assim, tão excitada, cheia de desejo e sem limite algum.
"E então... o que achou dessa Lea?" ela afastou-se dele, percebendo orgulhosa que ele estava quase tendo um orgasmo com apenas algumas simples caricias mais intensas dela. 'Ok, não tão simples assim, nem tão puras...' ela ria em pensamento vendo que havia conseguido seu intento: deixar aquele homem sempre tão seguro de si, tão discreto de suas emoções, mesmo sendo com ela, que amava, perdidamente louco!
Cory respirou fundo. Estava difícil seu corpo voltar ao normal, quem dirá seus pensamentos, seu coração. Eles haviam sido provocados, muito bem provocados. Ele olhou-a firmemente, pegando sua mão.
"Vem" abrindo a porta do carro.
"Onde? E o seu carro? Vamos sujá-lo..."
"Dane-se!" ele conduziu-a ao bando trazeiro, entrando logo em seguida, "tenho que provar por completo pra dar alguma opinião..." ele disse antes de puxá-la pra junto dele novamente, pra mais uns daqueles beijos cheios de luxuria e prazer. Pelo visto, o fato de estarem presos ali, naquela situação, com toda aquela chuva que não parava de cair, só estimulava os dois, excitando-os mais e mais. A noite estava apenas começando...
