Only Time III
Dama das Rosas
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Eurin, Alister e Eraen são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 11: Quando a magia se quebra...
.I.
Mal pode esperar pra vê-la dormindo como um anjo, deixou a casa no mais completo silencio, procurando caminhos alternativos pelo bosque para que não corresse risco de ser vista.
Subiu a passadas apressadas a encosta de Bejunte, indo em direção ao ultimo templo, onde encontrara-se com Alister nos últimos dias.
Parou de andar ao avistá-lo sentando em uma pedra, fitando o mar com um olhar perdido, os longos cabelos vermelhos esvoaçavam com o vento. Por um momento hesitou em continuar, ao ter as palavras dele ecoando novamente em sua mente.
Será que ele estava falando realmente a verdade? Mas, por tudo aquilo que já havia acontecido com ambos nos últimos dias e pelo que conhecera dele, não conseguia acreditar na possibilidade de que ele poderia estar mentindo ou brincando.
Respirou fundo, aproximando-se...
-Alister!
Ele virou-se, fitando-lhe com o mesmo olhar intenso que a fazia sentir-se transparente quando estavam juntos, como se de nada adiantasse aquela mascara de prata para ocultar-lhe os sentimentos.
-Ahn! Eu preciso lhe dizer uma coisa; ela começou com a voz quase num sussurro.
-Eu também; o pisciano falou aproximando-se dela, tomou-lhe as mãos entre as suas. –Vem comigo; ele completou, puxando-a consigo.
Hesitou em continuar, mas já estava ali, seguiu a passos incertos com o cavaleiro, descendo uma pequena escada do terraço do ultimo templo solar, encontrando um dec rodeado de flores, onde estiveram da primeira vez.
Um banco de mármore quase tomado pelas eras foi limpo pelo cavaleiro, podendo assim permitir que os dois se sentassem.
-Alister; ela começou, tentando encontrar uma forma de falar antes que acabasse entrando em pânico.
Nunca pensou que fosse se sentir assim com ele, mas depois do que acontecer em Peixes, simplesmente não sabia como agir.
-Antes que diga alguma coisa, não me arrependo, muito menos foi algo precipitado; Alister adiantou-se num tom sério de voz.
-Uhn? –ela murmurou confusa.
-Sei que esta nervosa pelo que te disse; o cavaleiro falou fitando-a intensamente, fazendo-a congelar. –Mas acredite, não sou o tipo de pessoa que sai falando isso sem mais nem menos; ele completou num tom sério.
-...; ela assentiu silenciosamente sem saber o que dizer. –Eu-...;
-Eu entenderei se não compartilhar dos mesmos sentimentos, respeitarei isso; Alister a cortou.
-Você só me pegou de surpreso, só isso; Eurin falou num sussurro tão baixo que ele quase não pode ouvir. –Eu preciso te dizer uma coisa; ela continuou.
-O que? –o pisciano perguntou ansioso.
-Semana que vem vou voltar para Golthand; a amazona respondeu pausadamente.
-O QUE? –ele berrou levantando-se bruscamente.
-Alister; ela falou tentando se aproximar dele, porém o cavaleiro esquivou-se.
-Porque Eurin? –Alister perguntou voltando-se para ela com um olhar decepcionado.
-Para treinar minha irmã; Eurin respondeu sentindo o coração se apertar a cada palavra.
-Você pode treiná-la aqui, não precisa voltar para a Suécia, para isso; o pisciano falou. - Ou o motivo de ir embora é outro? –ele questionou quase num tom frio.
-Do que está falando? –ela perguntou cautelosa.
-De você usar isso para se livrar de mim; Alister rebateu.
-Que absurdo; a amazona exasperou.
-É a única coisa que posso pensar; e era, pois agora não havia outra coisa que passasse por sua cabeça para explicar aquela repentina decisão dela em voltar para Golthand.
-Foi o Grande Mestre que mandou; Eurin respondeu calmamente como se estivesse falando com uma criança. –Alem do mais, vou treinar uma outra pessoa alem de Aimê;
-Como? –Alister falou confuso.
-Para cavaleiro; ela falou, esperando pelo momento que ele perguntaria a que armadura seu pupilo concorreria.
-Pra que armadura?
-Peixes; Eurin respondeu com um largo sorriso por baixo da mascara.
-Você esta brincando, não é? –Alister perguntou incrédulo.
-...; ela negou com um aceno.
-Não sei quem é mais louco, você por aceitar isso ou o Grande Mestre por propor algo tão estúpido; ele falou com escárnio. –Um fedelho pra concorrer a minha armadura;
-Algum problema quanto a isso? –Eurin perguntou com o sorriso morrendo em seus lábios diante da reação completamente oposta a que esperava.
-Oras, logo vou treinar meu pupilo, duvido muito que outro consiga minha armadura tão facilmente; Alister debochou.
-É o que veremos; ela falou quase num sussurro, dando-lhe as costas para ir embora.
-Aonde vai? –o cavaleiro perguntou vendo-a se distanciar.
-Vou pra casa...;
-Mas...;
-Não tenho mais nada pra fazer aqui; ela completou num tom frio, fazendo-o praguejar ao perceber o que acabara de fazer.
-Eurin; Alister falou tencionando se aproximar, mas ela já descia as escadas do templo rumo à saída. –"Idiota"; ele pensou praguejando mentalmente enquanto apertava o passo.
Como não percebera? Ela vinha lhe falar que não tinha escolhas ao partir e dava uma daquelas, justamente quando ela parara para lhe explicar o porquê.
-Espera, por favor; ele pediu, segurando-lhe o pulso, impedindo-a de continuar.
-O que quer agora? –Eurin perguntou num tom irritado e porque não dizer decepcionado.
-Me perdoa; Alister falou quase num sussurro.
-Não tenho nada a perdoar, Alister; ela falou puxando a mão e se afastando, porém ele a deteve novamente.
-Por favor, não diga isso; ele pediu quase em tom suplicante. –Eu não... Me desculpe, fui um idiota, não?
-Quer realmente que eu responda? –a amazona perguntou sem esconder o sarcasmo.
Entreabriu os lábios para retrucar, porém palavra alguma saiu, não havia o que dizer sobre isso, ela estava certa.
-Nos vemos daqui seis anos; ela completou afastando-se.
-O que? –ele perguntou, piscando confuso.
-Quando meu pupilo vai acabar com o seu e se tornara o novo guardião de Peixes; Eurin completou num tom provocativo enquanto se afastava.
-Vai sonhando; Alister rebateu vendo-a desaparecer.
Deixaria para conversar com ela em outro momento, ainda precisava assimilar a idéia de que a teria como rival a partir dali. Não seria nada fácil, pelas técnicas que já a vira usar.
Eurin já era um perigo sozinha, agora com um pupilo com sétimo sentido aceso e potencial para cavaleiro de ouro, somado as técnicas dela. É, precisaria de alguém que pudesse competir com isso ou do contrario teria realmente que entregar a armadura para ela.
Seria interessante...; ele pensou com um sorriso enigmático nos lábios.
.II.
A semana transcorreu calma, isso é claro se ignorassem o que estava acontecendo a poucos passos dali.
-De novo; Shaka falou em meio a um suspiro cansado.
-É, já faz quase uma semana que eles estão assim; Aimê concordou sentada na arquibancada com o italiano e Shaka, que conversavam animados com a garota, contando historias sobre o santuário, quando foram interrompidos por vozes alteradas de um cavaleiro e uma amazona.
-Isso vai dar em casamento; o canceriano falou balançando a cabeça levemente para os lados.
-Se pelo menos esses dois se assumissem e saíssem do chove não molha; a garotinha falou com ar sério, fazendo os dois arquearem a sobrancelha. –O que foi? Vocês sabem que é verdade; ela reclamou.
-...; eles assentiram, não havia como negar.
-o-o-o-o-o-
-Você é patético; Eurin falou irritando-se com o cavaleiro.
-Eu, foi você que começou com isso; Alister rebateu enfezado. –Nunca pensei que você fosse dada a sonhar com coisas impossíveis, principalmente com um fedelho que acha que pode ficar com minha armadura;
-Ele não vai ficar com sua armadura Alister; ela falou em tom sério, quase o deixando aliviado, achando que ela poderia colocar fim aquela rivalidade. –Ele vai conquistá-la com todas as glorias possíveis, dando um passa fora no seu pupilo, isso é, se você tiver algum;
-Oras, acha que não sou capaz de treinar um pupilo, como você? –ele perguntou indignado.
-É você que esta falando; Eurin respondeu dando de ombros.
Alister bufou irado, estavam entrando num jogo perigoso onde deixar-se-iam levar apenas pelo orgulho e isso, mal sabiam eles que os levariam a trágicos caminhos no final.
-Pois bem, vamos ver quem fica com a armadura, meu pupilo ou sei; ele falou com os orbes faiscando antes de dar-lhe as costas e sair da arena em disparada.
-"O que ele vai fazer?"; ela se perguntou intrigada. Balançou a cabeça levemente para os lados, não deveria ser nada importante, voltou-se para Alanis e Lya e seguiu com o treinamento de rotina, dando a entender para qualquer amazona, que não estava disposta a comentar sobre o desentendimento do dia.
-o-o-o-o-o-
Massageou as temporas, tentando se concentrar, não agüentava mais Ares lhe torrando os nervos com reclamações sobre aqueles dois, já havia mandando Alister não se aproximar dela, mas parece que sua ordem foi ignorada quando a noticia de que Eurin treinaria um pupilo para Peixes se espalhou.
Precisava de um jeito de colocar aquele peixe metido a Escorpião na linha e talvez só houvesse uma forma; ele pensou, mas virou-se surpreso para a porta quando a mesma abriu-se com brusquidão e a causa de sua dor de cabeça entrou.
-Grande Mestre; Alister falou ofegando pela corrida que fez ao subir todos os templos na velocidade da luz.
-O que é isso Alister?-Shion exasperou levantando-se da mesa com ar irritado.
-Preciso lhe pedir algo importante; ele adiantou-se. –Quero um pupilo;
-O QUE? –o ariano berrou. –"Mais essa, ele bateu com a cabeça ou o que?"; Shion se perguntou.
-Isso mesmo, quero treinar um pupilo para minha armadura; Alister sentenciou.
-Alister, creio que essa seja uma atitude precipitada demais; Shion ponderou. Tudo bem que era a resolução de seus problemas, mas não era uma brincadeira de crianças assumir a responsabilidade de um pupilo.
-Pois eu não acho, tenho mais tempo de residente nesse santuário do que Eurin e exijo o direto de treinar um pupilo como meu sucessor; ele foi taxativo.
-Ahn! Se quer assim; Shion falou acalmando-se.
Alister iria para Viena, Eurin para Gotlhand, uma boa distancia entre ambos e pelo menos seis anos sem dores de cabeça. Isso seria perfeito; ele pensou quase saltando de alegria.
-Tome; o ariano falou pegando a primeira ficha que viu em cima da mesa. –Faça as malas, sábado lhe entrego as passagens e você parte, o garoto vai estar lhe esperando lá, haverá alguns emissários do santuário na região que lhe darão suporte; ele completou.
Alister assentiu maquinalmente, mais interessado em ver a ficha em suas mãos.
-Obrigado; ele falou se retirando, satisfeito consigo mesmo por conseguir o que queria, mal se dando conta do que isso realmente queria dizer.
.III.
A noite caia sobre o santuário, no dia seguinte muitos cavaleiros deixariam o santuário, com o destino de varias crianças em suas mãos, a nova geração seria treinada para dali a seis, sete anos estar de volta, para junto da deusa, prepararem-se para a batalha mais ferrenha que decidira o destino da Terra.
Estavam os dois sentados no terraço daquele templo, o pequeno paraíso que servira para os encontros que haviam tido nas ultimas semanas e que também, guardaria suas lembranças quando partissem.
-Que horas você vai? –Alister perguntou hesitante.
No começo deixou-se levar pela euforia de que agora tinha um pupilo, mas quando deu-se conta de que ficariam sem se ver por seis anos se não mais, lhe aterrorizou, fazendo-o realmente se arrepender pela decisão tomada, mas não havia como voltar atrás mais.
Essa era uma das lições que Eliot tentara ensinar ao pupilo, as reações que suas decisões desencadeariam. Para toda ação há uma reação; Eliot dissera a Alister uma vez, porém o garoto, em seu humor juvenil dissera ser apenas uma lei física pouco importante.
Tola criança...
-Depois do almoço; Eurin respondeu, enquanto sentia uma brisa suave esvoaçar os longos cabelos esverdeados. –E você?
-À noite; ele respondeu.
-E seu pupilo, como se chama? –ela perguntou tentando não deixar o silencio incomodo recair sobre eles.
-Sorento; Alister respondeu. –Ele é austríaco também, decidi que não vou ficar em Viena, minha família vai ficar muito em cima e pode atrapalhar o treinamento, vou treiná-lo numa cidade portuária no interior;
-Boa escolha; Eurin comentou.
-E você, porque Gotlahnd?
-Isabel me deixou uma casa lá, apesar de ter 'ex' parentes naquela cidade, acho que será bom para Aimê crescer ali, ela já esta acostumada com o ambiente e Filipe também pode ficar próximo a Visby;
-Seu pupilo; ele falou num resmungo torcendo o nariz.
-Algum problema Alister? –Eurin perguntou em tom de aviso.
-Não, problema algum; o cavaleiro apressou-se em responder. –Eu só... É estranho pensar nisso, mas...; ele ponderou.
-O que?
-Que só voltaremos aqui daqui seis anos; ele comentou com um olhar perdido para as águas do mar que quebravam entre os rochedos, tão agitadas quanto às batidas de seu coração inquieto. –Seis anos;
-...; ela assentiu silenciosamente.
Era estranho pensar que por um lado teria aquilo que desejava desde o começo, poder cuidar da irmã e impedir a opressão dos pais em cima dela, mas por outro, seis anos, não eram apenas seis dias, seis horas ou seis meses. Eram anos... Seis anos sem se verem!
-Vem se despedir amanhã? –Alister perguntou em tom esperançoso.
-Não sei; ela balbuciou, saindo de seus pensamentos com a voz dele.
-Vou sentir sua falta; o pisciano falou pousando a mão suavemente sobre a dela, sentindo logo dos dedos se entrelaçarem.
-Eu também; ela completou num sussurro tão baixo que ele mal pode acreditar no que ouvia.
Passaram o resto do tempo que dispunham ali, apenas sentindo a presença do outro, já que no dia seguinte, tomariam caminhos distintos e só às deusas do destino sabiam o quão extremos seriam esses caminhos.
.IV.
-Bom dia; Aimê falou animada, chacoalhando-a.
-Uhn? –Eurin murmurou abrindo os olhos, estava morrendo de sono, chegara muito tarde em casa, alias, bem cedo se fosse considerar a idéia de que chegara as quatro da manhã em casa por perder a hora por ficar conversando com Alister.
-Hora de acordar; a garotinha falou saltando em cima dela e pulando na cama.
-Aimê, o que é isso? –ela exasperou acordando completamente.
-É hoje, vamos pra casa; Aimê falou visivelmente animada por voltar à terra natal, agora para viver em paz.
-Sim, sim, agora me deixe dormir; Eurin falou, cobrindo a cabeça com uma coberta.
-Nossa, de onde vem esse cansaço todo? –a irmã comentou descendo da cama. –Isso que da ficar zanzando por ai ate tarde;
-O que? –a amazona perguntou abrindo um olho.
-Acha que eu não vi a hora que você chegou; Aimê falou batendo o pé no chão, fazendo a outra engolir em seco. –Mas tudo bem, se você estava com o Alister não tenho porque me preocupar; ela brincou, desviando de um travesseiro que a outra jogou em si.
-É melhor levantar; Eurin resmungou, ouvindo o riso infantil da irmã ecoando pela casa.
-o-o-o-o-o-
Desceu as escadas apressado, era quase hora do almoço, precisava ser rápido ou ela iria embora; ele pensou passando a mão nervosamente pelos cabelos castanhos, só na esperava trombar com alguém na descida de Áries.
-Ai;
-Desculpe; Helio apressou-se em falar.
-Tudo bem; Eurin respondeu levantando-se do chão e encontrando o olhar surpreso do cavaleiro sobre si.
-Eurin; ele murmurou ao vê-la ali, não esperava que fosse ter tanta sorte; o taurino pensou.
-Como vai Helio? –ela perguntou cordialmente, não podia se demorar.
Durante a noite, Alister não lhe dera sossego enquanto não prometesse subir a Peixes se despedir, se demorasse muito não conseguiria isso e ainda arriscaria se atrasar pra pegar o avião.
-Bem, eu estava indo falar com você; ele falou um pouco hesitante.
-Uhn?
-Pode vir comigo, não vou demorar; Helio falou indicando-lhe um caminho na lateral do santuário.
-Ahn! Bem...; Eurin balbuciou apontando para cima, como se dissesse que precisava ir.
-É rápido; ele falou veemente.
-...; ela assentiu seguindo com ele.
Não caminharam muito, mas chegaram a um lugar que nunca havia visitado, nem com Alister; ela pensou vendo-se em meio à subida de uma colina e ao topo avistou um belo jardim, ou melhor, um jardim divinamente belo.
Não só pelas flores que existiam ali, mas por algumas estatuas que começavam a fazer parte daquele pequeno paraíso.
-O jardim dos deuses ainda não esta pronto, a cada semestre, duas novas peças chegam ao santuário a pedido do grande mestre a um artesão do vilarejo. Quem sabe daqui sete anos todas as divindades já estejam aqui; o cavaleiro falou com um meio sorriso.
-...; ela assentiu silenciosamente, deixando os orbes correrem por toda sua volta.
-Eurin, eu queria lhe dizer uma coisa; Helio começou adquirindo um tom sério, mas que logo se suavizou e deu lugar a um doce sorriso. –Fico feliz que você tenha passado bem esse mês;
-Como? –Eurin perguntou confusa.
-Nossa, nem consigo acreditar que Alister tenha perdido e lhe dado sossego; ele continuou, ignorando a confusão dela.
-Ahn! Do que exatamente estamos falando? –ela perguntou gesticulando casualmente.
-Me desculpe, acredite, foi o único jeito que encontrei; Helio desculpou-se primeiro. –Não costumo brincar com a vida das pessoas, mas Alister precisava de uma lição; ele falou fazendo uma breve pausa. –Pouco tempo que você chegou, eu e Alister fizemos uma aposta e ele jurou por sua honra de cavaleiro que se perdesse, lhe deixaria em paz; o taurino completou. –E foi o que aconteceu pelo que vi;
-O que exatamente vocês apostaram? –a amazona perguntou com a voz tremula, pedindo intimamente a todos os deuses do mundo que não fosse o que estava pensando.
-Que se em um mês ele não lhe conquistasse, ele lhe deixaria em paz para sempre. Mesmo para ele isso é uma tarefa impossível, sabe por que Eurin? –Helio perguntou, mas não houve resposta por parte dela. –Você é uma pessoa racional, centrada e sabe quais são seus objetivos na vida e não iria se deixar levar por um idiota metido a Casa Nova; ele falou calmamente. –E ontem foi o termino de um mês e com isso o termino da aposta;
Sentiu o corpo tremer e qualquer racionalidade foi embora quando ele terminou de falar.
Tomou-lhe as mãos entre as suas, sentindo-as geladas, mas achou que fosse apenas pela temperatura do dia que estava realmente mais baixa.
-Espero que você fique bem em Gotlhand, torço para que retorne com o cavaleiro vencedor daqui seis anos, sei que será uma ótima mestra; ele falou confiante.
-Obrigada; ela conseguiu balbuciar, embora as demais palavras ficaram travadas em sua garganta.
-Adeus Eurin; Helio falou pousando um beijo suave nas costas de suas mãos, antes de se afastar.
-Adeus; ela respondeu vendo-o desaparecer pelo caminho que vieram anteriormente.
-o-o-o-o-o-
Desceu as escadas saltitando infantilmente, já havia passado por Virgem se despedir de Shaka e depois em Câncer para dar um ultimo 'tchau' ao italiano que simpatizara bastante naqueles dias que estivera ali.
Estava chegando à entrada do vilarejo quando viu de soslaio a irmã passar praticamente voando a seu lado e indo pra casa, batendo a porta com brusquidão.
-Eurin! - Aimê chamou, porém não houve resposta.
Bateu na porta seguidas vezes, mas novamente ficou sem saber o que aconteceu, deu a volta na casa, lembrando-se que a janela da cozinha poderia estar aberta.
Como de fato estava, saltou por ela e o que viu lhe assustou, a irmã estava encostada na porta de madeira fria, com os orbes vermelhos e lagrimas a caírem furiosas por sua face.
Pensou em chamá-la, mas viu-a encolher-se instintivamente e apoiar a cabeça entre os joelhos, abraçando as próprias pernas.
Algo lhe dizia que sabia o muito bem o motivo disso tudo o que acabou por despertar uma ira ainda inexistente em seu coração.
-o-o-o-o-
Alguns cavaleiros reuniam-se na arena a mando de Ares para as ultimas explicações sobre como iriam proceder na partida à noite. Shion havia decidido que as amazonas partiriam pela tarde e para ordenar melhor os demais, deixaria os cavaleiros para a noite.
-Vocês entenderam, alguma eventualidade entrem em contato com o santuário; Ares falou pela décima vez desde que chegara ali.
-Ta. Ta. Já entendemos; Alister resmungou.
Estava impaciente, queria vê-la, Eurin não aparecera na hora que haviam combinado e isso estava lhe preocupado, seu sexto sentido dizia que alguma coisa estava errada, ainda mais depois de levar um cutucão de Cadmo, que apontava Helio, que tinha um sorriso mais que satisfeito nos lábios.
-Eu ainda na-...; Ares parou de falar ao ver a garotinha de melenas verdes entrar literalmente 'cuspindo fogo' na arena. –Ahn! Aquela é a irmã de Eurin, não? –ele perguntou voltando-se para os demais.
-É; Giovanni respondeu estranhando, pensou que elas já deveriam estar no aeroporto pela hora.
-Isso não me cheira bem; Aaron falou preocupado.
-Alister; ela chamou aproximando-se do cavaleiro.
-Aconteceu alguma coisa? –ele apressou-se em perguntar, preocupado, pensando ter acontecido alguma coisa com Eurin.
-Pode abaixar-se um pouco, por favor; ela pediu com um ar quase angelical, embora a chama que queimava em seus olhos fosse capaz de assustar até Hades.
Franziu o cenho, mas fez o que ela pediu, ficando na mesma altura da garota, precisando apoiar o joelho no chão, mas mal o fez, sentiu os ossos do maxilar estalarem e o corpo deslizar pelo chão de terra com o soco que levara.
-Se aproxime de novo da minha irmã e te matarei com minhas próprias mãos; ela visou, massageando o punho levemente ferido pelo golpe dado no cavaleiro.
Se fosse uma amazona não sentiria o efeito daquilo, mas como ainda não era, não duvidava que havia quebrado algum dedo ou deslocado o punho.
A arena caiu no mais profundo silencio, enquanto ninguém acreditava no que estava acontecendo, ou melhor, naquilo que viam, enquanto a garotinha deixava a arena sem falar mais nada.
Virou-se para Cadmo como se buscasse uma resposta, mas o Escorpião deu de ombros, igualmente confuso, até que...
-Você é realmente patético, Alister; a voz de Helio chegou sarcástica em seus ouvidos.
-Você; ele falou levantando-se.
-Achou realmente que conseguiria vencer aquela aposta? –o taurino perguntou.
-Que aposta? –Cadmo perguntou, virando-se para Alister.
-De que o Casa Nova ai, conseguiria ficar com a Eurin; Helio respondeu pelo outro.
Virou-se para Alister e na hora compreendeu o que estava acontecendo ao ver os orbes do cavaleiro tornarem-se tão vermelhos quanto seus cabelos, mas pela iria que alastrava-se por seu coração e mente.
-MALDITO; ele berrou voando sobre o cavaleiro.
-ALISTER; Giovanni e Aaron gritaram tentando tira-lo de cima de Helio.
-Você perdeu; Helio falou com um olhar vitorioso, sem fazer o mínimo esforço de deter o cavaleiro que tinha as mãos sobre seu pescoço agora.
-EU MATO VOCÊ, DESGRAÇADO!
-Parem com isso; Ares falou tentando separa-los, porém mal pode notar quando Alister ergueu um dos punhos puxando o braço que ele segurava, jogando o ariano longe com um golpe inesperado.
A tensão era geral, nem mesmo Aaron e Giovanni conseguiam separar os dois, até que as nuvens fecharam-se e um trovão caiu do céu sobre os dois, fazendo com que ambos fossem jogados longe um do outro.
-PAREM COM ISSO; uma voz imponente chamou-lhes a atenção.
Todos viraram-se na direção da voz, vendo a silhueta esguia de uma jovem de longos cabelos azuis ondulados aproximar-se ao lado de Miguel.
-Diana; Ares falou surpreso ao reconhecer a amazona de longas unhas negras, que representavam as presas aviada da rainha das cobras.
-Quando dizem que as cobras têm sangue frio, é porque não conhecem essa gata; Cadmo falou com um sorriso nada inocente nos lábios, recebendo um olhar envenenado da amazona que o fez encolher-se.
-É melhor pararem com essa palhaçada, esse santuário não é um circo; ela vociferou, vendo os dois cavaleiros levantarem-se cambaleantes. –E acreditem, vocês terão sérios problemas se isso voltar a se repetir; a amazona completou vendo um aceno afirmativo de Ares. –Isso também vale pra você; ela falou dando-lhes as costas.
-Ela me da medo; Aaron murmurou quase escondendo-se atrás do italiano.
-Porque? –Alister perguntou, sentindo Cadmo segurar-lhe antes que voltasse a voar sobre o cavaleiro.
-Você não sabe dar valor para a vida e os sentimentos das pessoas, alguém tinha que colocar um basta nisso; Helio respondeu, passando as costas da mão pelo canto dos lábios, onde um fino filete vermelho escorria.
-Minha vida não é da sua conta; o pisciano rebateu.
-Não é de você que ele esta falando; Cadmo interrompeu. –Isso foi baixo Helio, nem mesmo eu poderia ser tão ordinário como você; ele falou pausadamente chamando a atenção dos demais.
-Do que está falando Cadmo? –Aaron perguntou vendo o olhar confuso do pisciano.
-Ela não podia ficar com ele; o taurino falou perdendo a calma inabalável que parecia ter.
-Por isso você mesmo se encarregou de destruir o que quer que estivesse acontecendo; o Escorpião falou, soltando Alister e indo ele mesmo pra cima do outro. –SEU IMBECIL, QUEM VOCÊ PENSA QUE É? –ele berrou segurando-o pelo pescoço, suspendendo-o a poucos centímetros do chão.
-Cadmo; Giovanni falou tentando solta-lo, enquanto Alister não conseguia entender do que os dois estavam falando.
-Eu não podia permitir; Helio falou num esganar de voz.
-Não podia permitir, isso não cabia a você decidir; o outro vociferou. –Ainda mais sendo um covarde;
-Solte-o Cadmo; Ares mandou, porém o Escorpião simplesmente não ouvia.
-Eu a amava;
-ISSO NÃO É AMOR; ele berrou apertando ainda mais a mão em volta de seu pescoço.
-Como se você soubesse o que é; o taurino rebateu com um olhar de iria.
-Bem mais do que você, tenha certeza que sim; Cadmo rebateu jogando-o contra o chão num baque seco.
Os orbes azuis jaziam enegrecidos de iria, tão ou mais do que a do pisciano.
-Você diz ser diferente de Alister, o julga por seus atos e não por seus pensamentos, sem ao menos um dia tê-lo tentado conhecer, mas quer saber, você é pior do que ele e eu juntos, porque em momento algum, nós trocamos um amigo por uma mulher, mesmo a amando demais; ele completou com um olhar gélido.
-Vamos, não vale a pena; Aaron falou quase num sussurro para ele, puxando-o para longe da arena com Alister, antes que eles voltassem a se atracar.
-o-o-o-o-o-o-
Voltou para casa encontrando a irmã jogando todos seus pertences dentro de uma mala, que por sinal, já deveria estar pronta na noite anterior.
-Eurin!
-Pegue as passagens em cima da mesa, já estamos atrasadas; Eurin mandou em tom frio.
-Mas...;
-Vamos logo Aimê, vamos perder o avião; ela falou sem dar tempo à pequena de falar mais nada.
Contrariara, Aimê pegou e logo deixavam o santuário, lançou um olhar para trás, um pouco triste, um pouco decepcionado. Esperava realmente poder ter dito aquele 'o prazer é meu' a Alister, mas ele magoara de alguma forma sua irmã, então, estava em sua lista de 'inimigos nº1' a partir agora.
Mas valera a pena conhecer o santuário, haveriam pessoas ali que jamais esqueceria...
Continua...
Penúltimo capitulo, eu sei q disse isso antes, mas agora é realmente o penúltimo, no próximo a historia de Alister e Eurin chega ao fim, mas isso não quer dizer que eles não iriam aparecer em outras histórias, claro que vão em muitas ainda.
Mas antes de ir, gostaria de agradecer a todos que tem acompanhado essa fic e as demais desde o começo.
Um forte abraço e até a próxima...
Ja ne...
