"Porque ele é um Black" foi a resposta de seu subconsciente, porém ela preferiu ignorá-lo. Admitir que isso poderia ser uma verdade trazia sérias conseqüências. Neowën continuava a lhe dizer coisas aveludadas no ouvido, porém a garota estava imersa em seus próprios pensamentos.
- Por que você insiste tanto em afirmar que não é uma Black? – perguntou o moreno com uma voz extremamente tentadora.
- Porque os Black não prestam! – afirmou enfaticamente.
- Eu não presto? – aquela voz aveludada juntamente com corpo dele que a prendia totalmente contra o chão não ajudava a pensar muito bem.
- Não – disse com uma voz extremamente fraca. O desgraçado podia estar preso há 12 anos, contudo ainda sabia usar sua lábia, sua enorme lábia.
- Aprenda pequena – ele começou mordicando a orelha da garota e sorriu marotamente ao vê-la se encolher abaixo de si – Não é um sobrenome que diz o que você é – ele desceu lambendo seu pescoço – E sim suas ações – ele sugou seu pescoço deixando um belo arroxeado que ela teria trabalho para esconder – Experiência própria – ele desceu ainda mais seus lábios arrancando mais alguns gemidos dela.
Chegava a ser irritante o modo como Sirius, de alguma forma, sempre voltava para sua vida. Não queria admitir, mas ambos estavam certos. Aquela porcaria de sobrenome não dizia quem ela realmente era.
- Você está certo – respirou devagar com medo de aspirar ainda mais aquele perfume – Só que no mundo bruxo as pessoas te julgam pelo seu sobrenome e a quantidade de ouro que você possui.
- Ser filho adotivo de Keenan não me faz menos filho dele. Pense nisso! – o rapaz deslizou a mão que segurava o braço direito dela pelo mesmo até chegar sua face e depositar um breve selinho sobre seus lábios.
A auror ficou estática na hora. Não esperava uma atitude assim no meio de tantas pessoas. Por suas costas sentia o olhar fulminante de Hallemberg e da garota loira. Separou os lábios, porém permaneceu abraçada a ele. Se pudesse não se afastaria nunca, porém ali não era hora nem lugar para definir sua relação.
- Edward tinha me dito que você não ia fazer nada – comentou baixinho com medo que algum deles ouvisse.
- Eu realmente não ia, mais te ver alterada daquele jeito e tão perto de mim fez com que eu perdesse o controle – sorriu serenamente e trouxe a garota para ainda mais perto de si. Ela conseguia sentir o carinho e a ternura presente no suave enlaço, ao contrário do que sentia com Sirius.
- Pode perder mais vezes – ele registrou a frase, mesmo que ela a tivesse dito num tom extremamente baixo, como se tivesse medo que ele ouvisse. Nesse ponto ele conseguia entender. A garota já havia sofrido demais durante toda a sua vida e claro que não queria mais problemas para si. Se a quisesse realmente teria que conter o ciúme exagerado de Rose.
- Acho melhor a gente ir pra aula, porque a Rose e aquela outra garota querer te matar – ele notou o olhar das duas em cima deles, porém estava imensamente feliz de tê-la em seus braços. Queria poder acreditar que estava ganhando de verdade o coração dela e que aquele brilho que havia nos olhos dela não era mentira.
- Concordo – ela afastou-se momentaneamente dele antes que Hallemberg a matasse com o olhar – E moça... – chamou a atenção da garota.
- Aliisia Keikkinen. E olha como fala comigo, eu sou filha...
- Eu não tenho nada com esse idiota, prefiro homens de verdade sabe? – piscou para ela. É claro que não poderia deixar seu sarcasmo de lado.
- A não ser um ódio muito intenso ao ponto de tentar me matar – ele ainda não tinha superado a tortura que ela o fez sofrer na Durmstrang. Ele descobriu naquele momento que o sarcasmo não era seu pior defeito.
- Você mereceu – ela jogou seus cabelos para trás e se afastou deixando todos intrigados. Neowën não pensava que essa garota poderia surpreendê-lo cada dia mais e a cada dia ele descobria que estava enganado.
O moreno, que estava longe de ser burro, seguiu sem contestar. Ouvir Rosalie despejar no seu ouvido que a garota não prestava, que ele estava cometendo uma loucura não era a coisa mais sensata a se fazer. Edward já tinha puxado sua garota e também seguiu Kammy sem pestanejar. Ter reencontros escolares também não era uma boa. Felizmente ou infelizmente ele havia conhecido Aliisia na escola. A garota era tão mimada que conseguiu que seu pai a transferisse para Hogwarts no meio do ano escolar.
- Você pegou pesado sabia? Seu chefe não vai ficar furioso? – indagou Nixon com um sorriso divertido na face. Podia não admitir, mais adorava a líagua afiada da auror.
- O dia em que Thicknesse se importar com que eu faço o mundo vai cair – ela fechou o rosto ao notar a aproximação de Rosalie do grupo. Havia algo na morena que não inspirava confiança, ao contrário dos demais.
- Você age sempre assim é? – perguntou Neowën com um sorriso zombateiro em seu rosto. Adorava essa face indomável dela. Trazia um ar de desafio para a relação deles.
- O que mais você esperava de uma assas...
- Complete essa frase e você vai se arrepender amargamente – ameaçou novamente a auror. O brilho presente em seus olhos deixava isso muito claro. Ela nunca teve problemas em cumprir suas ameaças e não pretendia começar agora. Se não fosse por seus novos amigos, ela já tinha dado um jeito na Hallemberg há dias.
- E você só sabe agir na base de ameaças? – indagou raivosa. Estava cansada desse jeito amedrontador e intimador dela. Rosalie sempre dava a última palavra em qualquer discussão, exceto com a garota a sua frente.
- Você também agiria assim se tivesse vivido uma vida como a minha – seus olhos estavam lacrimosos, porém ela não derrubava uma única lágrima – Você não sabe como é ser um comensal, como é estar lá no meio... – uma solitária lágrima escorreu por seu rosto.
- Eu também tive problemas, mas nem por isso agi como você! – devolveu num tom mais alto do que pretendia. Nem Neowën sabia todos os problemas pelos quais ela havia passado.
- Você não foi marcada com a Marca Negra aos três anos de idade, não foi perseguida a sua infância e adolescência por uma desequilibrada, não foi humilhada na escola por infelizmente pertencer a uma família que apóia Voldemort incondicionalmente! Você não sabe como é ser Kammy Black, então não abra a sua boca imunda pra tentar me humilhar – seus olhos ainda brilhavam de lágrimas, porém nenhuma delas caiu.
- Os relatórios dizem seis anos – o loiro estreitou os olhos. O que ela queria com essa conversa?
- Alguém acreditaria se eu dissesse que foi com três? – ela se virou e eles puderam ver os orbes azuis cheios de lágrimas – Somente Voldemort sabe o feitiço que implanta a Marca Negra a fogo na pele de seus súditos. Ele me marcou dois dias antes de perseguir os Potter e perder seus poderes – ela fechou os olhos como se quisesse impedir que as lágrimas. Virou-se e começou a caminhar em direção a aula.
- Kammy? – Neowën a chamou, porém a garota sumiu antes que ele pudesse segurar seu braço para impedi-la.
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Aliisia somente parou de bater no namorado quando seu pai a chamou para apresentá-la a seus novos guarda-costas. Ela não gostou nem um pouco da expressão fechada que eles exibiam, mas ou era isso ou ela teria que voltar para a Finlândia sem ter seu desejo realizado.
- Acho que ela está em boas mãos – o homem que parecia ser o chefe sorriu-lhe e a garota se viu obrigada a retribuir.
- Obrigado mais uma vez, Pius – o mais velho sorriu tranqüilo. Não lhe agradava muito o fato dela estar tão próxima dos acontecimentos, porém Oxford possuía mais proteção do que Cambridge e o Primeiro Ministro esperava que com isso ela e aquele namoradinho se afastassem. Mero engano – Agora você vai ter que me prometer que vai se comportar e não arranjar confusão, ouviu?
- Só se aquela garota sumir daqui – sorri serenamente para seu pai, o que fez Ciaran suspirar. Livrar-se de Kammy era uma coisa que ele desejaria imensamente. Coisa que não conseguiu fazer até hoje.
- Infelizmente nisso eu não posso ajudar. Ela tem ordens diretas de Scrimgeour para ficar ao lado do trouxa.
- O Ministro da Magia Inglês – adicionou seu pai ao ver o tom de confusão nos orbes azuis.
- Tem certeza? – tentou uma última vez antes de se render. Ela não sabia perder, definitivamente.
- Ela é altamente competente no que faz – encerrou Pius. Não iria abrir mão de uma auror altamente treinada para realizar o desejo de uma garota mimada.
- Bota competente nisso – ironizou McLaggen. Realmente a garota não brincava em serviço. Brincar com Kammy Black não era a coisa sensata a se fazer e ele descobriu isso da pior maneira (na própria pele). Depois daquele incidente na escola, ele tratou de ficar o mais distante possível dela, até hoje.
Aleksi beijou a testa de sua filha carinhosamente e dispensou um olhar de pura aversão para o namorado dela antes de desaparatar deixando os dois para trás. A garota logo queria descobrir aquele novo mundo e arrastou os três – seus dois guarda-costas e seu namorado – pelo campus. Ela primeiro conheceu cada prédio antes de finalmente se dirigir a secretária para fazer sua matrícula. O loiro decidiu fazer o mesmo que ela, só para permanecerem juntos e rezando para Merlim para que eles não cruzassem novamente com a auror.
Eles fizeram a matrícula e deixaram a universidade para seguir para sua nova casa. Era razoavelmente próximo dali o que significava que eles não precisariam acordar cedo todo dia. Ambos odiavam o fato de não ter seu sono em dia. Graças a Merlim, eles não encontraram a auror durante todo o trajeto, porém ele sabia que seus caminhos voltariam a se cruzar. Só não esperava que fosse tão cedo.
Uma semana mais tarde, quando já estavam quase acostumados aos nossos horários, eles cruzaram novamente o caminho com Kammy. Aliisia não a notou devido ao fato de estar resmungando pelo fato de ter tido que acordar mais cedo do que de costume. Ele gelou. Certamente se sua namorada notasse a presença da outra iria provocá-la e ele nem queria imaginar o que poderia acontecer.
Kammy estava recostada contra um Volvo, o carro que deveria pertencer ao rapaz que estava na frente dela, também recostado contra um carro, que ele reconheceu imediatamente como o Citroen que havia "vendido" a ela. Eles estavam tão próximo que Ciaran poderia ser capaz de apostar que não demoraria para o rapaz prensá-la contra a lataria reluzente do belo carro. Aproximavam-se cada vez mais do casal, o que permitiu que pudesse escutar a conversa deles.
- Você está fugindo de mim! – ele tentou demonstrar raiva, porém era claro o tom de riso em sua voz.
- Eu não estou fugindo de você, estou fugindo de Rose – em mais um dos seus psicóticos jogos – como Ciaran os definiu – ela aproximou-se ainda mais do rapaz muito próximo de beijá-lo.
- Dá pra largar o meu melhor amigo? – bradou uma voz irritada o que fez eles se separarem instantaneamente.
- Chegou o problema – ele ouviu-a dizer ao rapaz. Ela estava prestes a beijá-lo quando finalmente notou a presença de Ciaran e da comitiva de Aliisia. Afastou-se novamente do rapaz para cumprimentá-los.
- Olá... – antes que pudesse dizer mais alguma coisa, foi interrompida por um de seus colegas do Ministério
- Vou dizer pro chefinho que você não está trabalhando direito – debochou um dos guarda-costas da loira. Rosalie gargalhou enquanto Ciaran engoliu em seco. Ameaçar uma garota com um forte desequilíbrio mental não era uma coisa sensata a se fazer.
- Tente fazer isso e eu te mando pro St Mungus no mesmo estado que os Longbottom – o sorriso cálido adornava sua face juntamente com o brilho psicótico em seu olhar. McLaggen conhecia bem demais aquela expressão para não deixar de sentir uma ponta de medo.
- Se você fizer isso você vai estar seriamente encrencada – Edward finalmente resolveu se mexer da parede ao qual se escondia – Ela é filha do Primeiro-Ministro Finlandês e ele certamente não irá gostar nem um pouco se ela sofrer algum dano! – os olhos da Heikkinen brilharam suavemente ao vê-lo. Felizmente (para ela, é claro) eles haviam se conhecido em Hogwarts.
- Você acha que eu me importo com uma garotinha mimada que tem por namorado um traste como ele? – apontou sem alterar sua expressão.
- Você não deveria dizer isso – foi Neowën quem a repreendeu, não Nixon. Ao mesmo tempo que adorava essa face indomável dela, sentia um ponta de decepção ao ver o quão pouco ela se importava com as demais pessoas.
- Desculpa se isso te incomoda, mas eu não sei perdoar – cruzou os braços, irritada. Não sabia porque, contudo o simples fato de moreno não a aprovar mexia com suas atitudes.
- Deveria, principalmente Bellatrix – aproveitou a deixa para tocar naquele assunto tão delicado. Enquanto ela não perdoasse a irmã, ela nunca viveria sua vida completamente.
- Isso jamais – ela estava irredutível – É impossível perdoar aquela víbora – era impossível esquecer o quanto a morena havia destruído sua vida. Perder Sirius e seu filho na mesma noite havia sido demais para qualquer ser humano e isso a incluía.
- O que ela fez de mal para você? – Aliisia perguntou curiosa, deixando a raiva que sentia pela garota de lado. Ser curiosa era seu maior defeito, perdia inclusive para a sua possessividade.
- Me transformou numa comensal, acabou com a minha infância e matou o único homem que eu amei. Eu jamais vou conseguir perdoá-la.
- Quem? – perguntou os outros aurores curiosos e a loira se calou na hora. Quanto menos gente soubesse do seu envolvimento com Sirius seria melhor, apesar de que ela sabia que seu Ministro já deveria suspeitar que ela não era tão fiel assim ao Ministério.
- Nós temos aula, vamos – chamou o resto do grupo e todos a seguiram. Longe do ouro grupo, Isabelle foi a única a ter a coragem de perguntar o motivo daquela atitude. A Black respirou fundo antes de responder – Eles não sabem que eu sou um membro da Ordem da Phoenix.
- Por que esconder isso? – havia uma ponta de veneno na voz da Hallemberg. Não conseguia entender como uma garota como Kammy conseguia sempre vencer e ainda sim conquistar o homem que deveria ter sido seu.
- Porque a Ordem e o Ministério não se dão bem. Maneiras distintas de pensar – respondeu Ed. Ele sabia disso porque sua mão era um dos membros da Ordem – Eles mantêm uma fina relação de cordialidade por terem um inimigo em comum, porém nenhum aprova o modo de agir do outro. O Ministério quer tapar o sol com a peneira, mesmo que isso signifique fingir enquanto a Ordem prefere deixar tudo as claras, mesmo que signifique admitir a derrota.
- E se eles descobrirem que eu trabalho para os dois lados eles vão me tirar dessa missão e mandar outro em meu lugar – a menção da palavra missão fez o lado sombrio de Neo aparecer.
- Ah claro, a missão – Kammy parou na hora e virou-se para ele. Sabia muito bem o quanto essa palavra era desagradável para ele.
- Você sabe muito bem que para mim isso não é mais uma missão. Eu me importo com cada um de vocês, de verdade. Mas aos olhos de todo mundo eu sou a sua guarda-costas e não uma amiga de todos vocês.
- Amiga, sei – zombou Rose novamente.
- Quem sabe se ela não fosse tão birrenta e possessiva nós não poderíamos se tornar namorados – piscou para ele observando com prazer a morena espumar de raiva. Ninguém mandou querer tanto ferrar com a sua vida. Sorriu triunfante.
- Se você não amasse tanto o Sirius eu já teria te pedido em namoro – a garota ficou estática, com o queixo caído. Como assim ele a teria pedido em namoro? Como, de uma hora para outra, ela tinha perdido totalmente o controle da situação? Isso a não era uma coisa com a qual ela sabia lidar.
- COMO ASSIM? – berrou a morena sem se dar conta que havia elevado demais o seu tom de voz. Estava perdendo o garoto a sua frente mais uma vez. Pensou que acabando com a vida de Anne poderia tê-lo, mas pelo visto enganou-se redondamente. Anne era uma garota frágil, imatura e inconseqüente. Havia sido fácil manipulá-la, agora sua nova rival era perigosa, muito perigosa. E não era porque a loira era uma bruxa.
- Você vai me escutar de uma vez por todas e vai ser agora – seu tom inflexivo não dava margem para contestações. Isabelle puxou a loira para longe dali e deixou os dois sozinhos. Aquela conversa já deveria ter acontecido há tempos – Eu nunca neguei que o que eu sempre senti por você foi só amizade, mas você já está passando dos limites!
- Mas eu te amo Neowën, muito mais que aquela intrometida! – já lutava contra aquele sentimento há anos. Já estava mais do que na hora do moreno saber disso. Quem sabe assim ele não via o quanto ela estava apaixonada.
- Mais eu só te amo como amiga Rose, uma preciosa amiga que eu jamais quero perder. Você sempre esteve ao meu lado em todas as dificuldades, você é como se fosse a irmã que eu nunca tive.
- Mas eu...
- Sem mais. Ou você se conforma, ou eu vou ter que me separar de você.
- Não, isso não – agarrou a camisa dele desesperadamente.
- Então Rose você vai ter que aprender a ter somente a minha amizade – segurou as mãos dela no intuito de fazê-la soltar sua camisa – Porque eu não quero te deixar sozinha no meio de uma guerra.
- Que guerra? – olhou confusa em seus olhos, sem perceber o contato entre as mãos.
- Bruxos existem, isso não dá mais para negar – nisso ela era obrigada a concordar. Coisas estranhas acontecerem depois do show e isso já tinha se provado que não era puramente imaginação – Eles estão brigando entre si e logo vai nos atingir, nós que não temos sangue mágico. Eu não quero me afastar de você, contudo se não tiver outra alternativa eu serei obrigado a fazer isso. Acima de tudo eu te amo e quero o seu bem – ele beijou sua testa e a deixou para trás.
A morena sentiu as lágrimas rolando por seu rosto pela primeira vez na vida. Nem quando ele estava namorando Anne Taylor ela se abalou. Entretanto ela não iria desistir somente por sua adversária ser mais forte dessa vez. Precisaria fingir que havia entendido a situação e agir com mais cautela do que seria recomendado.
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As porta se abriram suavemente, como sempre. Somente as velas iluminavam o local já que as janelas estavam fechadas. Fawkes, a fênix, calou-se imediatamente assim que Snape se sentou em silêncio na cadeira.
- Harry não deve saber, não até o último momento, não até que seja necessário, de outra forma, como ele terá a força necessária para fazer o que deve ser feito?
- Mas o que ele deve fazer? – perguntou intrigado o professor, sem demonstrar.
- Isso é entre Harry e eu. Agora, ouça bem, Severo. Virá um tempo – depois de minha morte – não discuta, não interrompa! Virá um tempo em que Lord Voldemort parecerá temer pela vida de sua cobra.
- Por Nagini? – Snape olhou surpreso.
- Precisamente. Se esse tempo vier, quando Lord Voldemort parar de enviar a cobra para executar seus planos, e começar a mantê-la em segurança sob proteção mágica, então eu acredito que é seguro contar a Harry.
- Contar o que a ele? – novamente havia confusão nos orbes negros. O diretor respirou fundo e fechou os olhos. Aquela era a grande falha no plano. O único ponto em que ele poderia não dar certo.
- Conte a ele que na noite em que Lord Voldemort tentou matá-lo, quando Lily colocou a própria vida entre eles como um escudo, o Feitiço da Morte retornou a Lord Voldemort e um fragmento de sua alma se separou desta, e lançou-se na única alma viva na casa destruída. Parte de Voldemort vive dentro de Harry, e é isso que dá a ele o poder de falar com cobras, e a conexão com a mente de Voldemort que ele nunca entendeu. E, enquanto esse fragmento de alma, desconhecido por Voldemort, permanecer preso e protegido por Harry, Voldemort não poderá morrer.
- Então o garoto... o garoto deve morrer? – perguntou Snape bastante calmo.
- E o próprio Voldemort deve fazer isso, Severus. Isso é essencial – um longo silêncio se seguiu a isso, até que o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas voltou a falar.
- Eu pensei... todos esses anos... que nós estávamos protegendo ele por ela. Por Lily – a revolta estava atingindo sua voz e isso era palpável. Havia sacrificado anos de sua vida pelo garoto para descobrir no final que todo o seu esforço seria em vão. Sua última conecção Lily seria desfeita da forma mais cruel possível
- Nós o protegemos porque é essencial ensiná-lo, fazê-lo crescer, deixá-lo testar suas forças – disse Dumbledore, seus olhos ainda muito fechados – Enquanto isso, a conexão entre eles está cada vez mais forte, um crescimento parasita. Às vezes eu acho que ele próprio suspeita disso. Se eu conheço Harry, ele terá se preparado e quando ele puser-se a caminho de sua morte, isso realmente significará o fim de Voldemort – não esperava realmente que o homem a sua frente entendesse toda a magnitude da situação embora soubesse que Harry entenderia muito bem. Dumbledore abriu os olhos. Snape parecia horrorizado.
- Você o manteve vivo para que ele pudesse morrer no momento certo?
- Não fique chocado, Severus. Quantos homens e mulheres você assistiu morrer? – tinha a nítida impressão que finalmente havia criado um vínculo entre os dois.
- Ultimamente, somente aqueles os quais eu não pude salvar – disse o moreno enquanto se levantava – Você me usou.
- Isso significa?
- Eu tenho espionado para você e mentido por você, me colocado em perigo mortal por você. Tudo supostamente para manter o filho de Lily Potter a salvo. Agora você me diz que esteve fazendo o garoto crescer como um porco para o matadouro...
- Isso é tocante, Severus – disse Dumbledore sério – Você passou a se importar com o garoto, finalmente?
- Por ele? – gritou Snape – Expecto Patronum!
Da ponta de sua varinha emergiu uma corsa prateada. Ela aterrissou no chão da sala, caminhou por esta e se elevou para fora da janela. Dumbledore a assistiu ir embora, e quando seu brilho prateado desapareceu, ele se virou para Snape, e seus olhos estavam cheios de lágrimas.
- Depois de todo esse tempo?
- Sempre – disse Snape.
- Um dia você irá entender. Por hora só peço que aceite as duras missões que tenho inflingido a você.
- O garoto irá morrer? – perguntou sem emoção na voz.
- Se tudo correr conforme eu espero, Não – o diretor teve a nítida impressão de ver o outro relaxar a sua frente – Tenho mais uma missão para você – comentou num tom descontraído.
- Qual é a missão impossível da vez? – perguntou num tom raivoso.
- Ensinar oclumência a Kammy – girava despreocupadamente o anel no dedo enquanto esperava o mau-humor do outro.
- Com qual finalidade? – como já esperava ele não ficou nem um pouco feliz com isso.
- Voldemort vai tentar levá-la novamente para o lado dos comensais e eu não quero que isso aconteça.
- Que utilidade ela teria?
- Neowën Lancaster não é um trouxa. Ele está terminando de curar as feridas da Kammy, além de ser um modo de atacar diretamente a população não-bruxa. Kammy vai se entregar aos comensais se isso for salvá-lo e eu não quero imaginar o dano que isso poderá causar no cérebro dela. E é claro que a Ordem irá precisar de um novo espião para não deixar todo o plano ir para os ares.
- Em outras palavras você está dizendo que ela será minha substituta, é isso? – Snape estava longe de parecer irritado. Aquilo lhe trazia uma nova possibilidade. A auror era como ele. Ferido envolto numa casca que ninguém conseguiu romper ou ele não deixou que alguém a rompesse, porém a loira era carismática demais para ficar sozinha. Precisa entender como ela havia conseguido superar sua vida tão difícil e ainda ter forças para seguir em frente. Precisava reconstruir sua vida de algum jeito. Lily não iria querer que ele acabasse desse jeito e Kammy parecia ser a única resposta.
- Sim. Ela é a única, dentre os membros da Ordem que tem condições de assumir esse papel. Você só vai precisar fechar a mente dela e impedir que Bellatrix a mate. Será que você pode fazer isso por mim?
- Quando eu devo começar?
- Primeiro tente se aproximar dela, embora eu espere que o tempo dela voltar a se tornar uma comensal demore muito a chegar.
O diretor sabia que o rancor era uma coisa muito poderosa. Se elas voltassem a conviver novamente, a Black não iria deixar essa oportunidade de lado e iria acabar com a vida da outra. O que ela teria que sacrificar para chegar a esse ponto era o que o assustava.
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Rose estava tomando um demorado banho no andar de cima. Estava pensando num jeito arrasador e fulminante de acabar com aquele pseudo-romance. Quando desceu para o andar de baixo, percebeu que Kammy e Isabelle conversavam animadamente ouvindo o som estridente da guitarra, que a morena reconheceu como sendo Green Day.
- Pelo visto você está mesmo apaixonada pelo Neowën, né? – riu graciosamente quando viu o rubor cobrindo as bochechas da outra.
- Encantada – corrigiu-a. Embora soubesse que apaixonada estava muito mais próximo do que sentia por ele.
- Vou fingir que acredito que você já esqueceu o Sirius – debochou novamente, embora o tom de deboche e sarcasmo fosse muito mais a convivência com Edward do que seu jeito de ser.
- Eu não esqueceria o Sirius assim tão fácil. Foram emoções demais para serem esquecidas – não havia mais aquele tom amargurado e derrotado em sua voz quando falava dele.
- Primeiro amor, primeiro carinho, primeiro contato, primeiro sexo... O que mais?
- Primeiro filho – ela respondeu encabulada. Nunca havia admitido a ninguém que estava grávida de Sirius e não acreditava que havia contado isso a Belle, ainda mais que elas não eram exatamente amigas.
Depois que a surpresa passou, Rose começou a sorrir malignamente. Essa era uma informação que a morena tinha certeza que Neowën não sabia e que ficaria zangado quando soubesse. Subiu as escadas com cuidado enquanto pensavam num modo de colocar seu novo plano em prática.
Antes que Kammy pudesse se explicar, Neowën e Edward haviam chegado. Seus tons de vozes estavam alterados, fazendo as garotas se perguntarem o que havia acontecido.
- Mas o que...
- Cala a boca – responderam os dois juntos ao mesmo tempo que Edward puxou o moreno pela camisa e o levou para a cozinha.
- Mas o que será que aconteceu? – perguntou assustada e ao mesmo tempo curiosa, pois os meninos estavam falando muito baixo na cozinha para o estado que eles haviam chegado.
- Fique aqui que eu já volto – ordenou Kammy, que se deslocava silenciosamente para a cozinha sem que os dois percebessem sua presença.
- Porra, Neowën – xingou baixinho – Você me fez te levar a uma reunião da Ordem só pra saber algo sobre a Kammy – o loiro estava indignado com a situação. Era tão mais fácil ele deixar de ser idiota e perguntar as coisas para a garota.
- Eu gosto dessa garota, eu preciso saber algo sobre ela.
- Pergunte para ela, é tão mais simples – despejou ainda irritado.
- Ela não me responderia – fechou os olhos tentando se acalmar.
- Você não me perguntou para saber – ela se manifestou. Já estava mais do que na hora deles definerem o que sentiam um pelo outro.
- Merlim ouviu minhas preces – comemorou o loiro dirigindo-se para a porta para dar mais privacidade ao casal.
- Não era para você ter ouvido a conversa – virou a cabeça um pouco para o lado, como se tivesse medo do que encontraria em seus olhos.
- Estou achando que foi melhor sim – ela sentou-se no colo dele, o que provocou um arrepio por toda a sua coluna.
- Eu não quero que você ache que estou te espionando – respondeu ainda sem olhá-la.
- Eu escondo tudo de todo mundo. É natural que você procure outras maneiras saber algo sobre mim – segurou o rosto dele, fazendo-o olhar em seus olhos. Ao contrário do que esperava era carinho o sentimento contido em seus olhos azuis – Dá próxima vez que queira saber algo me procure antes.
- Com quantos caras você ficou? – resolveu testá-la
- Dois – ela sussurrou em seu ouvido para em seguida mordiscar sua orelha. Ele sentiu mais um arrepio percorrer sua espinha.
- Com quantos caras você transou? – mesmo que a pergunta foi feita num tom sério, ela conseguia ver o sorriso zombateiro (muito parecido com o sorriso maroto de Sirius) presente em seus lábios.
- Só o Sirius – ela agora desceu percorrendo até o pescoço com a língua e mordeu-o. Ele deixou um pequeno gemido escapar, agarrando com força a sua cintura.
- É melhor você parar – puxou-a ainda mais contra deixando-a bem em cima de sua ereção.
- Você não parece querer que eu pare – ela começou a se mover para cima e para baixo, atiçando-o ainda mais.
- Eu deveria te beijar antes de te levar para a cama – disse com a voz mais rouca que o normal.
- Então me beije – ela falou tão próxima a ele que o moreno podia sentir sua respiração também acelerada contra seu rosto.
