FIOS DA DESILUSÃO

ShiryuForever94 e Akane Mitsuko Amast Sagahara Tange

(ShiryuMitsuko)

Beta: Akane

Gênero: Yaoi/Angst nada leve

Classificação: Não aconselhável para menores de 18 anos.

Casais: Radamanthys de Wyvern e Valentine de Harpia

Sylphid de Basilisco e Lune de Balron

Minos de Griffon e Ayacos de Garuda

Localização temporal: Após a Saga de Hades.

Atenção: Fanfiction yaoi contendo relacionamento homoafetivo entre pessoas do sexo masculino. Esta estória é desaconselhável para menores de 18 anos. Todos os direitos de Saint Seiya, Cavaleiros do Zodíaco, pertencem a seu criador, Masami Kurumada. Esta estória não possui fins lucrativos e é vedada sua reprodução parcial ou integral em sites ou fóruns sem prévia autorização das autoras.

Cenas do Capítulo Anterior

- "Diga sinceramente o que acha de toda a idéia. Sei que é bem arriscado, mas talvez consigamos finalmente ficar em paz." Valentine começou a imaginar como ficaria um mês sem seu filho. Aquilo doía.

- "Sim, é muito arriscado, mas não acho que há outro modo de termos certeza de que ele não voltará a fazer algo a Valentine. Ou que não tentará fazer algo a Lune."

- "Eu não vou perdoar o que Minos fez ao meu marido, Sylphid. Nem em mil anos." Wyvern sabia que era o que tinham que fazer.

- "Eu entendo. E aceito." Basilisco suspirou. – "E vou falar com Lune."

- "Estamos de acordo então." O Kyoto trincou os dentes, faltava algo. – "Diga a Lune que sinto pelo que eu disse antes a ele. Compreendo que ele estava sofrendo. E se você, Sylphid, ficar com esse ar de riso por eu estar me desculpando, ficará uns tempos no hospital." Orgulhoso como sempre, Radamanthys saiu pela porta indo conversar com outros espectros e traçar estratégias.

Fim das cenas do capítulo anterior

Capítulo 12

O Processo

Para desgosto de Radamanthys, sua capacidade de prever como as coisas se dariam mostrou-se mais uma vez correta.

O processo fora aberto a seu pedido, feito diretamente a Pandora e sob o controle do Imperador Hades.

A primeira consequência foi que Radamanthys e sua família, bem como Sylphid e sua família, receberam ordens para retornar imediatamente ao meikai e assim o fizeram.

Logo no primeiro dia, quando todo o meikai foi avisado de que pesavam acusações contra a capacidade de ser um kyoto de Minos, muitos olhavam sem acreditar para o imperial Kyoto de Wyvern que andava com sua postura indômita por seus domínios.

Passaram-se algumas poucas semanas, mas o assunto não deixava de ser trazido à baila enquanto Hades e outros espectros tomavam providências para todo o processo que seria iniciado em breve.

Os exércitos de Minos se dividiram entre a fidelidade ao seu general e o fato de que andavam desconfiados da sanidade mental do Kyoto de Griffon.

Alguns espectros menores cumprimentavam Radamanthys com clara hostilidade, que o inglês relevava por saber que seria um longo e doloroso caminho até que se chegasse a alguma solução.

Valentine de Harpia tentava como podia esconder as cicatrizes em seu corpo, e retornara a vigiar o Cocytes, com quase a mesma eficiência, mas era comum achá-lo parado, perdido em pensamentos, assombrado pelos ventos uivantes e pelos lamentos das almas.

O cipriota tinha dificuldades em ficar sozinho e vivia a olhar por cima de seu ombro, como se pressentindo um ataque de Minos.

Sylphid retomara algumas de suas tarefas, mas não descuidava de sua filha, já que haviam tentado sequestrá-la na superfície.

Quem estava em pior situação era Lune de Balron, que fora indicado como testemunha e cujo nome estava na comunicação feita a Minos.

Como substituto do Kyoto de Griffon, para retornar ao trabalho o espectro de Balron teve que ir ao encontro de seu superior e estremeceu ao ver os orbes amarelecidos do homem que dominava a arte de fios torturadores invisíveis refulgirem de ódio e ressentimento.

- "Lune de Balron, um bom filho que retorna a esta nobre missão, qual seja a de julgar almas. Agora, me responda, minha cara criança, quem há de julgar você?"

Para quem estivesse apenas ouvindo, poderia parecer uma conversa comum. Só que para Lune, era ameaça suficiente. Embora tentasse permanecer calmo e controlado, a alma de Balron ardia de medo. Não que fosse um covarde, nem que fosse fraco, mas não podia ignorar o fato de que aquele homem parado à sua frente com uma postura assassina estava bem distante de si em termos de poder.

- "Senhor Kyoto, vim servi-lo, como sempre." Foi a resposta humilde do bonito rapaz.

- "Servir-me? Ora, como se eu não soubesse que tipo de serviço você está fazendo pelas minhas costas. Traição é algo grave, mas tenho certeza que sabe muito bem disso. Somente não compreendo o que você e seus amigos desejam provar. Não há nenhuma conduta estranha de minha parte. Repense suas alegações, meu caro Lune. Aliás, pense muito bem..."

E o majestoso Kyoto de Griffon deu as costas para Lune, como se ele fosse um inseto inoportuno. – "Ah, Lune, como vai sua linda filha? Fiquei sabendo que Sylphid seria interrogado hoje de tarde, será o primeiro, a pedido meu. Não é uma coincidência que você não possa cuidar de sua filha também hoje, visto que eu deixei tarefas suficientes por uma semana para você? Não é interessante?"

Um fio gelado de terror correu pela espinha de Lune! Sua filha! O que aquele maníaco estava planejando? – "C-como?"

- "Nada mais tenho a dizer. Guarde seus titubeios para o tribunal, isso é, se eu chegar a ser julgado..." Uma risada fria.

Lune apavorou-se grandemente. O que iria fazer? Como lidaria com aquilo? Radamanthys! Era o único capaz de ajudar. Enviou uma mensagem urgente para o Kyoto, temendo que não houvesse mais tempo e aguardou por minutos doloridos até ver Myuu de Papillon entrar na primeira prisão com Seth no colo.

- "Entrega especial a mando do Kyoto de Wyvern."

- "SETH!" Lune se agarrou à filha como um lobo protegendo sua cria. – "Houve algo de estranho, Myuu?"

Papillon ficou muito sério. – "Havia vários espectros cercando sua casa assim que Sylphid saiu. Radamanthys foi mais rápido que eles e resolveu que ia cuidar de sua "afilhada" por hoje. Eles não tiveram alternativa a não ser ir embora. Há algo que queira me contar quanto a Minos? Não compreendo toda essa raiva dele quanto a você e, não faça essa cara, só poderia ter sido ele."

- "Há algumas coisas, mas como nem Sylphid sabe, eu não quero que ninguém saiba. Obrigado por tudo. Vai levar Seth?"

- "Compreendo." Myuu deu um longo suspiro. Tinha mensagens para Lune. – "O Kyoto de Wyvern o espera hoje à noite em seu castelo. Parece que houve resposta de Kanon quanto a algum pedido que foi feito."

Lune sentiu uma pequena dor no peito e abraçou mais a filha. Sabia o que significava. Que seria decidido naquela noite se sua pequena e linda filha iria para longe de sua família. Sentiu lágrimas virem aos olhos, mas segurou-as a tempo. – "Estarei lá, com Sylphid."

Enquanto isso, um espectro ruivo de postura altiva andava em meio ao gelado frio cortante do Cocytes.

Os dias não vinham sendo fáceis.

Houve falatórios, não obstante o Imperador haver ordenado discrição e calma e Valentine viu-se sendo apontado em suas rondas no Cocytes, as quais retomara com alguma dificuldade, dado seus ferimentos que demoravam a ficar inteiramente curados, não obstante o tempo que se passara desde a agressão.

Queen tinha uma teoria para aquilo.

A dor de Valentine era psíquica.

A memória da dor o impedia de se mover sem sentir os fios de Minos. O tempo seria o único remédio, pois não havia mais tecido inchado ou macerado, mas diversas marcas e fios finos na pele antes lisa.

Harpia não conseguia esquecer e, portanto, não conseguia deixar que a dor desaparecesse. Um dano psíquico imenso, que Queen e Radamanthys ainda pesquisavam como curar. Como cicatrizar.

O ruivo cipriota não parava de pensar em tudo que ainda teriam que passar e, vez por outra, tinha um medo tão indescritível que chegava a duvidar de sua sanidade.

Harpia só conseguia relaxar quando Radamanthys estava novamente com ele, perto dele. Infelizmente era o máximo que conseguia: abraços e beijos. Não obtinha sucesso se as carícias do marido avançavam um pouco mais, ou se ele demorava-se em beijos um tanto a mais. Seu corpo se crispava como se perfurado por agulhas e arfava apavorado.

Radamanthys...

Seu marido era compreensivo ao extremo e, apesar de um ou outro suspiro mais longo, não demonstrava raiva, nem rancor. Apenas o cobria e dormiam, se estivessem na cama à noite, ou saíam para algum lugar, ou simplesmente ele, o poderoso Kyoto, mudava de assunto.

Agradecia a ele por isso e ao mesmo tempo tinha certeza que teria que ficar mais forte, que se entender consigo mesmo e superar aquilo. Sentia tanta falta dele... Seu marido...

- "Senhor Valentine?"

O espectro de Harpia virou-se alarmado. A voz de Stand de Besouro Mortal era poderosa tanto quanto o corpo imenso. O que ele...

- "O que faz aqui, Stand?"

- "Estou passeando." Um olhar duro do espectro de mais de dois metros de altura e Valentine compreendeu tudo.

- "Ele te mandou cuidar de mim, não foi?"

- "Não sei do que está falando, senhor Valentine." Stand não esperaria menos do marido do Kyoto. Era óbvio que se conheciam bem e, logicamente que estava ali para cuidar de Valentine.

- "Não me chame assim, meu nome é somente Valentine." Reparou no olhar de pouco caso de Stand para suas palavras. – "Não tem como, não é? Aquele Kyoto não tem jeito..." O ruivo suspirou. Não tinha opção. Desde que se casara com Radamanthys que passara a ser "Senhor Valentine" para os membros do exército dele. Era algo que o incomodava, mas nada podia fazer.

- "Está quase de noite, se é que podemos dizer isso, pois aqui o céu nunca muda. O Kyoto o espera em casa, haverá uma pequena reunião com Sylphid e Lune presentes."

- "Reunião?" O franzir do cenho do cipriota foi seguido de entendimento. – "Seth e Angel..."

- "Como?" Stand não sabia dos detalhes e, para ser sincero, também nem perguntara.

- "Não é nada, Stand. Precisamos ir. Vai comigo, eu presumo."

- "Unha e carne, Senhor Valentine, tal e qual unha e carne."

- "Radamanthys é um exagerado." Valentine começou a andar em direção ao castelo do marido.

- "Se o Senhor acha..."

A reunião no castelo do Kyoto foi um tanto tensa. E triste.

- "Então, como já decidimos, nossos filhos sairão do meikai e serão entregues a Kanon." A voz imperiosa de Radamanthys dessa vez soava baixa. Estava triste, mas sabia que era o que precisavam fazer.

- "E Kanon lá tem jeito para isso, Radamanthys? O que sabe realmente sobre ele? Onde nossos filhos ficarão?" Lune embalava a filha já sentindo a dor da separação. – "Quando?"

- "Na verdade, Lune, quem vai ficar com eles eu não sei ao certo, por medida de segurança Kanon não quis me contar. Ele acha que se não soubermos, não poderemos contar se formos interrogados. Você compreende?"

- "Como assim não sabe quem vai ficar com eles? Você enlouqueceu, Rada?" Valentine alarmou-se. Estavam ali na biblioteca do Kyoto apenas Sylphid, Lune, ele e Radamanthys, com os filhos de ambos os casais.

- "Cuidado com o tom de suas palavras, Valentine. Eu sei bem o que estou fazendo. Kanon é uma boa pessoa e não irá nos desapontar. Ele é bem maquiavélico, tenho certeza que tudo que está fazendo tem uma motivação bastante firme."

- "Por que confia nele tanto assim?" Valentine estreitou os olhos.

- "Por que morri com ele. E nossas almas não puderam mais se esconder uma da outra. Quer mais alguma explicação para sanar seu ciúme?" Rada falava de maneira calma e baixa. Um leve sorriso. Valentine estava se mordendo de ciúmes...

Harpia ficou imediatamente corado. Era geralmente mais discreto. Não demonstrava seu ciúme, mas até que... Gostara de saber que o outro não mentia. Ficou um tanto zangado com a história de almas se comunicando, mas enfim, não era assunto tão importante, ao menos não naquele momento. Baixou o olhar e abraçou Angel com mais afeto ainda. – "Quando eles irão?"

- "Em uma hora. Stand, Myuu e Gordon irão com eles. Ox de Górgona ficou encarregado de funcionar como batedor e, atrás deles, irá Fiodor de Mandrágora."

- "Fiodor? Ele não tinha morrido? Quer dizer, Queen é o sucessor dele. Não entendo, Radamanthys..." Sylphid franziu o cenho.

- "Nós fomos ressuscitados com nossas almas de espectros. Só que nosso Senhor Hades resolveu que, se no Santuário de Atena estão convivendo os cavaleiros da antiga e da nova geração, porque o mesmo não poderia acontecer aqui? Sei que a maioria não sabe, pois eles passam muito mais tempo em outros serviços que nós, mas estão todos de volta."

- "Por que justamente ele, Rada?" Valentine estava curioso.

- "Simples." Um ar maléfico no belo rosto do inglês. – "Se alguém os seguir, ou tentar emboscá-los, creio que sabem que Fiodor combate com uma face em sua súrplice, que emana um grito mortal. Não queiram ouvir o brado da mandrágora..."

- "O Grito Dilacerante! Tem razão, Kyoto. É um ótimo ataque, pois o impacto é capaz de dilacerar armaduras e também produzir danos internos." Lune de Balron admirou-se. Realmente Radamanthys tinha que ser um Kyoto. Ele pensava em tudo antes de elaborar uma defesa, ou um ataque.

- "Está esperando problemas, não está?" Harpia estava bastante agoniado.

- "E você não?" Foi a resposta do loiro inglês.

- "Infelizmente, não é algo que eu possa negar. Creio que nossos convidados chegaram." Valentine abriu a porta e viu a "escolta" dos filhos dos dois casais entrar. Cumprimentou Fiodor, reparando na súrplice um tanto mais escura que seria o usual. Devia ser alguma escolha de Hades.

- "Todos entendem a importância do que pedi a vocês?" Radamanthys perguntou e ouviu a resposta positiva de todos eles. Despediu-se do filho com o coração bastante apertado e viu Lune derramar lágrimas de agonia ao entregar Seth para um incrivelmente gentil Stand de Besouro Mortal.

- "Cumpriremos nossa missão, Senhor Kyoto." Com essas palavras, Myuu desapareceu com os demais, deixando para trás quatro pais com aperto no coração.

OOoOoOoOoOoO

Mais uma semana se passara desde que os filhos de Radamanthys e Valentine, e de Lune e Sylphid, haviam saído do Meikai.

Deveria ser um dia como qualquer outro no Meikai.

Deveria.

Tropas de espectros menores foram enviadas para o castelo de Radamanthys e para a residência de Sylphid e Lune.

Todos os quatro foram levados para Giudecca e aprisionados em locais separados, vigiados o tempo inteiro, interrogados e examinados.

O processo finalmente iria, efetivamente, começar.

E a provação dos casais também...


Nota das autoras: Sabemos que está curtinho, mas é que melhor que deixar vocês esperando meses... Certo? Obrigada, demais, pelos comentários e, se quiserem e puderem, podem deixar mais reviews, a gente ADORA! XD Grande abraço a todos e prometo um capítulo maior na semana que vem... (digamos que resolvemos terminar essa fanfic antes de todas as outras. XD)