Capítulo 12

Novos amigos, brigas antigas

- Acho que – E antes que pudesse terminar, Hermione desmaiou. Harry precisava soltar Rony e este precisava livrar-se dos braços do amigo. Draco estava livre e conseguiu rapidamente amparar a queda da morena.

- Solte-a, Malfoy.

- Vai sonhando, Weasley.

Antes que os amigos conseguissem dizer mais alguma coisa, ele aparou levando Hermione em seus braços.

- Filho da puta!

- Calma, Ron! Eles devem ter ido ao St. Mungus. Vamos para lá!

Draco aparata em casa gritando:

- CODY!

- Sim, meu senhor. Oh,... Mas o que aconteceu, meu senhor?

- Não sei. Leve para o quarto de hóspedes um frasco com poção revigorante, frutas, pães e suco. Rápido!

Imediatamente o elfo foi cumprir as ordens. Draco dirigiu-se a um amplo quarto e deitou Hermione na cama. Foi ao banheiro e pegou uma toalha. Umideceu-a e pôs sobre a testa da garota.

Alguns segundos depois, Cody apareceu no aposento. A poção foi ministrada por Draco que delicadamente derramou o líquido na boca de Hermione. Ela foi recuperando a cor até que acordou confusa.

- Onde estou? Malfoy?

- Sim, Granger. Você desmaiou. Sente-se com calma e coma alguma coisa.

- Mas, onde estou?

- Em minha casa. Não sei suas preferências, então tem uma variedade de frutas e pães.

- Não comi nada. Estava muito nervosa... – Hermione serviu-se de uma maçã. – E depois você e os meninos começaram aquela discussão e nisso... Espera, onde eles estão?

- Não sei, Granger. A hora que você desmaiou te peguei e aparatei para cá com você. Eles devem estar te procurando.

- Oh, não! Preciso levantar!

- Deixe disso – Ele a segurou pelo ombro – Primeiro coma.

Hermione assentiu. Não teria forças para levantar, muito menos para aparatar sabe-se lá para onde. Concordou calada. Após comer mais um pouco agradeceu.

- Obrigada novamente, Malfoy.

- Já está virando um hábito.

- Preciso ir atrás de Ron e Harry. – Levantou-se rápido e procurou pela saída.

- Levo você até a porta. Somente lá você poderá aparatar.

Hermione estava saindo quando Draco impediu-a.

- Espere. Desculpe por toda aquela gritaria. Mas Weasley começou a me acusar de algo que não sou e nunca fui. Cometi muitos erros, mas nunca participaria de algo relacionado a um estupro. Nunca.

- Acredito em você, Malfoy. Preciso ir.

Aparatou sem ouvir:

- Obrigado, Hermione.

- COMO NÃO ESTÁ AQUI, GINEVRA? – gritou, Rony.

- Quer fazer o favor de se acalmar e me explicar do que estão falando?

- Da Hermione! Hermione, Gina? Não sabe se ela está por aqui?

- Harry, e lá eu vou saber? Ela tirou licença para encontrar com VOCÊS no Ministério.

- É, mas aí

- O Malfoy apareceu

- E você não acredita!

- PAREM! Os dois! – os amigos calaram-se assustados.

- Não estou entendendo nada! Explique-me isso direito. – Eles iam começar a falar juntos, atropelados, confusos quando foram imediatamente interrompidos.

– Apenas um!

- Eu falo.

- Melhor... – Bufou Rony vermelho. Harry narrou toda a história.

- Então, ele aparatou com Mione nos braços? Que romântico!

- GINA! – exclamaram ambos.

- Ué... Não entendi. Afinal, quem começou a briga toda foi você Rony. – Antes que o ruivo pudesse dizer algo... – Hermione! Está tudo bem? – Os três correram até a amiga.

- Gatinha, tudo bem? Malfoy fez alguma coisa?

- Aonde ele te levou?

- Acalmem-se. Ele me levou para a casa dele.

- Casa dele? – questionou Rony.

- Sim. Parece que ele tinha algumas poções revigorantes.

- E qual a razão de não ter te trazido para o hospital?

- Sei lá, Harry. Talvez para evitar outro escândalo dos dois. Foi muito errado a acusação feita por vocês.

- Rony que começou. – defendeu-se Harry.

- E você continuou! Não estou no clima para esta discussão infantil.

- Como está se sentindo, amiga?

- Bem, Gi. Obrigada. Vou para casa dormir um pouco. Falo com vocês amanhã.

- Espere, Gatinha... Precisamos conversar.

- Amanhã, Ronald. Amanhã.

E saiu batendo os pés lembrando a garota de 11 anos na época de Hogwarts. Ninguém pensou em contradizer ou ir atrás da garota.

Draco sentou em seu escritório disposto a distrair-se. Abriu o Profeta Diário e ler as notícias do mundo bruxo. Desistiu não notar nenhuma notícia interessante e foi direto à página sobre quadribol.

Seus olhos iam e voltavam diversas vezes ao ler o anúncio sobre a nova conquista do grande jogador Vítor Krum. Natasha... É uma maluca, mas daí, a saber, que ela relacionava-se com um cara que quase estuprou uma mulher... Seria insensibilidade demais não avisar nada à ex-namorada.

Mandaria uma coruja naquela instante.

Natasha,

Sei que não nos falamos há muito tempo e espero que não guarde nenhum rancor pelo que fiz. Entro em contato depois de tanto tempo, pois acabei de ler a notícia que está com Vítor Krum. Afaste-se dele. O cara não é quem diz ser. Ele é acusado, aqui na Inglaterra, por agressão física e tentativa de estupro.

Cuide-se,

D. Malfoy.

Ao receber a carta, Natasha sorriu sozinha. Sim, seu plano estava dando certo. Ele ainda está interessado em mim... A búlgara mal sabia que outra mulher começava a habitar o pensamento e coração de Draco Malfoy. Aliás, nem ele mesmo pareceu notar esta mudança.

Pegou um pergaminho e respondeu na mesma hora.

Caro Draco,

A vida está muito boa por aqui. Já te perdoei pelo que aconteceu no passado e não entendo por qual razão entrou em contato comigo depois de tanto tempo e ainda para dizer calúnias sobre o MEU namorado. Não sei como conseguiu inventar algo tão ridículo. Demonstração de ciúmes neste momento não dá.

Escreva quando tiver algo de útil para falar.

N."

Já caindo de sono, Hermione foi até a cozinha para preparar um reconfortante chá de camomila. Teria um dia cheio no dia seguinte. Assim que o chá ficou pronto, foi para seu quarto e antes que pudesse deitar foi interrompida por uma coruja. Pegou o pergaminho e já ia abri-lo quando apareceu outra coruja em sua casa. Essa ela já conhecia e pertencia à Draco Malfoy.

A curiosidade venceu o sono e optou por ler a carta desconhecida:

Mione,

Como estão as coisas? Terei um jantar de negócios no próximo sábado aí na Inglaterra. Que tal marcarmos um almoço para sábado? Posso ir à sua casa preparar uma bela massa. O que acha?

Sei que esta coruja chegará tarde, mas não consigo me conter de saudades. Responda assim que possível.

Beijos,

Simas.

Fechou a carta com um sorriso nos lábios. Depois responderia à Simas. Abriu a outra carta:

Granger,

Espero que esteja bem e que tenha conseguido acalmar os nervos dos seus amigos esquentadinhos. Levarei você para almoçar amanhã. Espere-me na frente do Hospital.

Malfoy.

- Típico de Malfoy. Nem cogitou a ideia de eu ter outro compromisso. Folgado. Ficará lá me esperando. É muito abusado mesmo! – Disse sozinha e após beber o líquido praticamente gelado deitou com os pensamentos bem divididos.

O dia transcorreu normal no hospital. Hoje era dia de trabalho no pronto socorro e tudo estava calmo. Deve tempo de fofocar um pouco com Gina e contar os últimos acontecimentos.

- Acho que o Malfoy está a fim de você!

- Pare de dizer bobeiras!

- Não sei como não vê! Se não estivesse com Harry já teria dado em cima dele!

- Fala sério, Gina! – Hermione deu um leve tapa na mão da amiga.

- Ah, vai! Ele está lindo. E o corpo?

- É... Preciso concordar que ele está uma graça mesmo...

- Sabia! E vai almoçar com ele!

- Endoideceu! Ele estala o dedo e saio correndo?

- Nada a ver! Vai encontrar com ele sim!

- Nem vim preparada para isso.

- Dez minutos antes do seu horário de almoço encontre-me aqui!

- Vou almoçar contigo, Gina.

- Vai nada. Tenho uns relatórios para entregar, farei meu horário mais tarde.

- Mentirosa.

- Espero você! – Disse dando uma piscadela para a amiga.

Draco chegou alguns minutos adiantado. Não queria correr o risco de a garota sair correndo. Vestia uma roupa trouxa. Calça jeans azul, com uma camisa preta. Calçava tênis pretos e suava como nunca suou ao esperar uma garota. É apenas a Granger...

Enquanto isso Hermione recebia uma rápida arrumada de sua amiga.

- Se não veio preparada te preparamos!

- Você é doida!

- Não lavou o cabelo ontem?

- E lá tive tempo?

Com um rápido feitiço o cabelo que caia desarrumado juntou-se em um rabo-de-cavalo.

- Agora, esta blusa. Para que andar com algo tão maior que você? Só se arruma para sair, né? Devia se arrumar todos os dias! TODOS! – Encolheu a blusa de Hermione e abriu alguns botões deixando o colo nu. Era possível ver apenas os contornos dos peitos e logo se escondiam dentro do restante da blusa.

- Doida... Nunca andaria assim na rua!

- Esta calça está ótima... Só enfeitar com alguns detalhes em sua bunda. O sapato... Terrível! Parece os da minha tia Muriel! Troque comigo. Agora, faça uma maquiagem bem leve.

- Na hora do almoço?

- Algo discreto, Mione. Vai logo antes que eu mesma faça.

Assim que se aprontou, saiu para almoçar. Notou que alguns a olhavam fazendo comentários baixos. Sorriu internamente e pensou que Gina talvez pudesse ter razão.

Hermione avistou Draco. Ele olhava para os lados, parecia nervoso e ainda não havia notado a presença ou a proximidade de Hermione.

- Você é muito folgado, Malfoy. – Ele não conseguiu esconder o sorriso.

- E mesmo assim me atendeu prontamente. – Hermione ficou irritada com o comentário e virou as costas para voltar ao Hospital quando foi impedida pelas mãos de Draco. – Cadê seu senso de humor? É apenas uma brincadeira. Não quis ser folgado... Apenas uma vontade que surgiu de almoçar com você.

- Certo... Afinal, o que fez você mudar?

- Um dia te conto... Quem sabe, Granger.

Foram para um restaurante bem mais simples que da outra vez. Voltavam a pé para o hospital. Draco notava os olhares que a Granger recebia. Ficava orgulhoso de estar acompanhado de uma mulher que despertava olhares, mas também sentia algo novo surgir e seu estômago. Ele ainda ia demorar um pouco para assumir que sentia CIÚMES.

Ao chegaram ao hospital...

- Preciso ir, Malfoy.

- Eu também. Não fico totalmente seguro de deixar minha casa sob os cuidados de recém-formados.

- Entendo! Até mais então, Malfoy. – Virou-se quando a voz de Draco fez com que parasse.

- Granger! Vamos assumir um tratado de paz? Mudei. Não tenho aqueles velhos preconceitos. Você já me perdoou... Que tal... Se... Se tentássemos ser...

- Amigos?

- Isso... Amigos! – Ele olhou esperançoso para a garota a sua frente. Ela teria todos os motivos do mundo para odiá-lo. Nunca achou que fosse possível existir o perdão. O verdadeiro perdão em um relacionamento.

- Claro, Malfoy. – E ao invés de Hermione corresponder ao aperto de mão, aproximou-se de Draco e deu um leve beijo em seu rosto. – Seremos amigos, então.

- Tchau, Granger.

- Tchau, Malfoy.

A garota andou em direção ao hospital e antes de entrar virou-se para trás. Não sabia o por quê daquele gesto, mas virou-se e para seu espanto Draco ainda a olhava. Ela sorriu e fez um leve aceno com as mãos.

Ele só partiu quando Hermione havia entrado no hospital e a perdera de vista. Chegou em sua casa, viu que tudo ia de acordo com suas ordens e dirigiu-se ao seu escritório. Notou uma carta e pela letra reconheceu de quem era. Bufou ao ler as palavras de Natasha. Respondeu imediatamente:

Natasha,

Uma das razões do nosso rompimento é que você é uma tola. Já dei minha opinião sobre isso. Se quiser começar com outro joguinho, o problema é seu. Não se iluda achando que é ciúmes.

Nada mais a declarar,

Malfoy.

Bem longe dali algumas horas depois, uma mulher gritava de ódio e amassava o pergaminho que tinha em mãos. O plano não dera totalmente certo. Para ela, era apenas o começo de um outro plano. Combinara com Krum que se não desse certo terminariam e cada um continuaria sua vida. É um fraco, pensava. Queimou o pergaminho que tinha em mãos. Diria ao novo "namorado" que o plano estava dando certo.

Os dias passaram e chegou o final de semana. Hermione ficou sabendo sobre o novo relacionamento de Krum e só pôde lamentar pela garota. Harry e Rony estavam achando toda aquela proximidade com Malfoy um tanto quanto estranha, mas não tinham mais argumentos para convencer a amiga a afastar-se do sonserino. Em nome dos velhos tempos combinaram de jantar no sábado. Era um lugar que iam algumas vezes. Funcionava como restaurante até às 23h e depois disso algumas mesas eram afastadas e as pessoas podiam dançar na pista improvisada.

Harry apoiava o relacionamento com Simas, Gina fazia votos para Malfoy (causando grande descontentamento em Harry) e Rony dizia que era melhor ficar com Simas, mas cuidando para não se envolver demais.

Hermione apenas ria de toda situação, pensando que o que queria mesmo era ficar sozinha. Será?

- Você está muito estranho, cara! – exclamou Blaise sentado no sofá na casa de Draco.

- Estranho nada!

- Faz quanto tempo que não saímos?

- Verdade, cara. Vamos hoje. Jantar? – propôs Draco querendo afastar uma pessoa de seus pensamentos.

- Sim, mas no restaurante Duas Caras. – sugeriu Blaise animado e levantando-se prontamente.

- Que raio de lugar é esse?

- Ah, fala sério! Aquele que é restaurante até...

- Já sei! – o loiro interrompeu no meio da explicação - Boa ideia!

- Aonde irá nos levar, Finnigan?

- Um ótimo restaurante londrino. Depois da conversa séria poderemos relaxar dançando!

- Ótima ideia, garoto.

Ele precisava trabalhar na união dos diversos ministérios. Apesar de mais unidos após a grande guerra, algumas divergências ainda atrapalhavam as assinaturas de alguns acordos. Pensou, sabiamente, que nada como um jantar de negócios sério e também informal, para fazer com que mais bruxos assinassem aquilo que fosse requisitado.

O restaurante Duas Caras receberia três grupos diferentes. Vindos com objetivos diferentes, mas que por causa de uma pessoa se uniriam de alguma forma.