À Beira do Abismo
Capítulo 11
Jeffrey estava em seu escritório da Stuart's Associated em Nova York, quando recebeu a ligação de Ty Olson, o segurança da sua casa em San Francisco, na manhã de sexta-feira.
Alguns objetos de cima da sua mesa foram empurrados para o chão com brutalidade, e o homem esbravejou, amaldiçoando a incompetência das pessoas que o rodeavam.
- Eu o deixei sob os seus cuidados por uma única maldita noite, e você o deixou fugir? - Jeffrey urrou ao telefone.
- Eu não sei o que houve, senhor. Eu pensei que ele estivesse no quarto, dormindo, e só percebi que não estava quando a Nancy foi levar a mamadeira da menina, e…
- Cale-se! - Morgan socou a mesa. - Eu não quero ouvir desculpas.
- O senhor quer que eu ligue pra polícia, ou…?
- Não. Nada de envolver a polícia. Eu estarei aí dentro de algumas horas - Jeffrey desligou o telefone e ligou para um amigo, que também era detetive particular, e lhe devia alguns favores. Ele se encarregaria de encontrar Jared, sem envolver as autoridades e sem causar nenhum escândalo.
Ao chegar em San Francisco, Jeffrey conversou com o detetive Henricksen pessoalmente e lhe entregou todo o histórico de Jared, assim como uma lista com os nomes dos seus amigos. O apartamento que Jared possuía em Nova York estava alugado, ele não tinha para onde ir, e se fosse procurar abrigo com algum amigo, Jeffrey o encontraria.
Depois de uma semana, nenhuma pista do paradeiro do moreno fora encontrada. O taxista que o havia levado perto de casa o tinha deixado em um bairro de San Francisco, e depois dele, Henricksen não conseguiu encontrar uma direção. Era como se tivesse desaparecido do mapa.
Seus amigos haviam sido sondados e estavam sendo vigiados, sua conta bancária era rastreada diariamente, mas não havia nenhuma movimentação. Parecia que Jared havia planejado aquilo com antecedência e Morgan não conseguia aceitar. Sentia como se tivesse sido apunhalado pelas costas. Jared era seu, ele tinha tudo o que precisava e o que podia querer naquela casa. Por que havia fugido logo agora?
Na semana seguinte, Morgan teve que voltar ao trabalho, mas seu dia estava sendo um verdadeiro inferno. Disse aos amigos que o seu relacionamento com Jared estava em crise, e que o moreno tinha ido passar algum tempo com o seu pai, para não ter que dar maiores explicações. Afinal, todos iriam questionar o motivo de Jared ter fugido, e isso não seria bom para a sua reputação. Tinha uma empresa e um nome a zelar.
E, para piorar, teria que comparecer no tribunal para representar um cliente no dia seguinte, pois Matt Cohen estaria ocupado, e sequer estava com cabeça para se inteirar do caso.
Brandon Jones lhe entregou os arquivos e esperou pela sua orientação. Morgan leu tudo rapidamente e percebeu o quanto o seu assistente era outro incompetente. Jeffrey já não aguentava mais aquilo tudo.
- Isso é o melhor que você conseguiu fazer? - Morgan jogou a pasta sobre a mesa, passando os dedos pela própria barba.
- Eu… é… f-fiz algo errado, senhor? - Brandom gaguejou.
- Esqueça… só me deixe sozinho - Jeffrey estava sem a menor paciência.
- Tem certeza que o senhor… - Brandom passou a língua pelos lábios e se aproximou, sugestivamente. - não precisa de mais nada?
Jeffrey o encarou por algum tempo - O que você está sugerindo?
- Eu… eu soube que Jared foi embora, e… Pensei que talvez o senhor…
- Humm - Jeffrey se recostou na cadeira, um pouco mais à vontade. - E você estaria disposto a me pagar um boquete, agora mesmo?
- Qualquer coisa que o senhor quiser - Brandom se aproximou ainda mais, enfiando os dedos pelos cabelos curtos de Jeffrey.
- Então você acha que pode substituir o Jared? - Jeffrey falou com a voz rouca, o rosto dele há centímetros do seu.
- Eu posso ser melhor do que ele - Brandom sussurrou, e sentiu Morgan agarrar seus cabelos com força, fazendo-o encará-lo.
- Ninguém substitui o Jared. Ninguém - Jeffrey falou num tom calmo, e ao mesmo tempo ameaçador. - Nem no trabalho, e muito menos na minha cama - Morgan o empurrou para longe. - Agora suma da minha sala antes que eu te coloque pra fora da empresa de uma vez!
Morgan ficou olhando a porta se fechar e empurrou os papéis de cima da sua mesa, com raiva.
Sentia falta de quando Jared trabalhava ao seu lado, com sua total atenção aos detalhes, sua redação impecável…
Jared.
Seu coração sangrava só de pensar nele e no que estaria fazendo… Mas não desistiria de encontrá-lo e o traria de volta para casa, nem que tivesse que fazer isso pessoalmente.
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Jared preferiu utilizar trens e ônibus, do que pegar um avião, pois nos aeroportos a vigilância sempre era maior. Viajou de cidade em cidade, parando em motéis para descansar, pois sua filha ficava aborrecida ao viajar por muitas horas.
Embora tivesse tomado todo o cuidado, o medo de estar sendo seguido, ou de ser reconhecido por alguém, era constante.
Às vezes, ficava um ou dois dias em uma cidade, em outras só passava algumas horas para esticar as pernas, e depois de duas semanas, estava em Houston, onde se encontrou com seu amigo Donald.
- Me chame de DJ, cara - O amigo reclamou, o abraçando.
- Eu nunca irei me acostumar com isso - Jared riu e colocou Angel sentada no tapete da sala do amigo, enquanto ambos se sentaram no sofá.
- Como foi a viagem?
- Cansativa. Principalmente por causa dela - Jared sorriu. - Muitas fraldas pra trocar.
- Ela é uma gracinha. Cara, eu ainda não acredito que você tem uma filha - Donald riu, pegando-a no colo.
- É… muita coisa mudou. Mas ela é a melhor coisa que aconteceu em minha vida - Jared falou com sinceridade.
- E o que você vai fazer agora, senhor Jared Campbell? - DJ brincou.
- Uau. Eu terei que me acostumar com isso - Jared olhou seus novos documentos, que pareciam mesmo verdadeiros.
- Está tudo aí… identidade, carteira de motorista, passaporte, histórico escolar…
- Eu não sei como agradecer, eu… - Jared ficou ligeiramente emocionado.
- Não tem o que agradecer - Donald segurou em seu ombro. Você sempre esteve lá quando eu precisei. Foi o único que ficou do meu lado, depois do acidente…
- Não foi culpa sua.
- Eu sei, mas eu estava dirigindo o carro, e meus amigos morreram, enquanto eu sobrevivi. Indiretamente, todos me culpavam, até mesmo pelo fato de eu estar vivo, eu acho.
- Você nunca mais voltou pra Nova York?
- Não. E nem pretendo voltar. Eu fiz novos amigos aqui, alguns são como uma família.
- Eles tem sorte em ter você - Jared sorriu, embora toda aquela história fosse triste. Donald dirigia o carro com mais dois amigos dentro e voltavam de uma festa, quando um carro se perdeu e invadiu a sua pista. Mesmo sem que ele fosse culpado, ainda podia se lembrar de como os colegas o olhavam na faculdade, e sabia que não tinha sido fácil para o amigo.
- Bom, mas e você? - Donald logo mudou de assunto. - Vai ficar alguns dias por aqui? Eu tenho um quarto de hóspedes, vocês serão bem vindos.
- Não, eu agradeço, mas não posso arriscar - Jared pegou suas coisas e se levantou. Era muito bom rever um rosto amigo, mas sabia que não poderia se demorar. Não queria colocar mais ninguém em risco.
- Eu sei que você sabe o que está fazendo, mas… Tem certeza que esta é a melhor solução?
- Eu não tenho certeza de nada. Mas é tudo o que eu posso fazer por ela e por mim mesmo, no momento. Obrigado por tudo, meu amigo - Jared o abraçou, se despedindo. - Foi muito bom rever você.
- Ah, espere - DJ pegou algo em sua carteira. - Se por acaso você não conseguir um emprego, a Samantha é uma velha amiga e tem um escritório de advocacia em Austin. Tenho certeza que ela vai poder te ajudar, sem… você sabe, fazer muitas perguntas.
Jared pegou o cartão e o guardou. Talvez pudesse ser útil algum dia, afinal, não sabia o que lhe esperava dali para frente.
Ao sair de Houston, Jared ficou por dois meses em San Antônio. Durante este tempo, ficou em uma pousada e saía muito pouco, apenas para passear com sua filha. Precisava ter certeza que Jeffrey não havia acionado a polícia, antes de sair à procura de um emprego.
Acreditava que Jeffrey não ia querer expor o seu nome, afinal, era um advogado muito bem conceituado. Mas para ter certeza, Donald estava rastreando qualquer informação, e manteria Jared informado.
Ainda assim, sentia medo. Tinha convivido todo aquele tempo com Morgan, mas não fazia ideia do que ele era capaz. Depois do incidente com o ácido, do qual carregaria marcas para o resto da vida, achava que ele era capaz de qualquer coisa. Temia, não pela sua vida, mas pela de Angel.
No fundo, tinha esperanças de que Jeffrey o esquecesse e encontrasse outra pessoa para infernizar a vida, embora duvidasse que teria tanta sorte.
Mas como o seu dinheiro não duraria muito tempo, Jared decidiu que era hora de procurar por um trabalho. E como depois de duas semanas, não encontrou nada em San Antônio, lembrou-se do cartão que Donald havia lhe entregado.
Austin. Já tinha estado lá uma vez, em um festival de música, com alguns amigos e tinha gostado muito da cidade. Por que não?
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Jensen havia trabalhado muito nas últimas semanas, e finalmente poderia tirar alguns dias de folga. Sentia falta dos seus amigos, então resolveu aproveitar e ir até Nova York.
Chegou na cidade no início da tarde, deixou suas coisas em seu apartamento, e foi até o escritório onde trabalhara, para visitar Sebastian e Mark Sheppard.
- Pensei que tivesse se esquecido dos amigos - Roché logo reclamou, mas lhe deu um abraço apertado.
Jensen gargalhou. - Eu também senti sua falta, Sebastian.
- Eu te indiquei a Samantha, pra você quebrar um galho, e não pra ela roubá-lo de nós - Mark se fez de zangado, mas não conseguiu esconder a felicidade em rever o amigo.
- Eu bem que voltaria, mas tem muitos homens bonitos no Texas - Jensen brincou. - Eu não resisto a um sotaque. O que eu posso fazer?
- Você não vale nada - Roché deu risadas. - Mas é bom te ver assim animado, novamente. Então é definitivo? Você vai mesmo ficar por lá? - Perguntou sério, desta vez.
- Sim. Eu não quero parecer ingrato, ou qualquer coisa assim, mas… Acho que ficarei lá por mais algum tempo, ainda.
- E pretende ficar quanto tempo por aqui? - Mark perguntou.
- Uma semana, talvez duas. Precisamos sair pra beber uma noite dessas.
Conversaram mais um pouco e Jensen logo voltou para o seu apartamento. Abriu as janelas e olhou ao redor, sendo grato pela equipe de limpeza que contratara ter feito um bom trabalho, pois o apartamento estivera fechado por muito tempo.
Foi para o chuveiro, tomou um banho quente e demorado e se deitou em sua cama, onde ficou zapeando os canais da televisão, tentando se distrair com algo e não pensar.
Aquele quarto ainda carregava muitas lembranças...
"Hey dorminhoco… quer um gole de café? - Jared beijava seu pescoço e sua nuca, e Jensen pensava que não deveria existir maneira melhor de acordar pela manhã.
- Só se você prometer que vai me deixar dormir um pouco mais, depois - O loiro falou com a voz sonolenta, mas ao mesmo tempo sorria.
Inclinou a cabeça e bebeu um gole da caneca que Jared segurava, fazendo uma careta. - Uau! Quanto açúcar coube dentro desta xícara? - Reclamou.
- Quer que eu pegue um puro pra você? - Jared ofereceu. Sabia que Jensen não gostava de açúcar no seu café, mas sempre tentava persuadí-lo.
- Não - Jensen pegou a caneca colocou-a sobre o criado mudo, ao lado da cama. - Eu prefiro sentir o sabor dele na sua boca - Segurou o rosto do moreno com as duas mãos e o beijou."
- Se eu tiver diabetes, a culpa será toda sua, Padalecki - Jensen falou para si mesmo, sorrindo, pois tomava o seu café muito doce desde então.
Afastou as lembranças, sabendo que aquilo só lhe traria sofrimento. Jared era passado e deveria permanecer no passado.
Pegou seu celular e ligou para Jason Manns. Queria muito rever seus amigos, então combinaram de se reunir ali mesmo, em seu apartamento, na noite seguinte.
Jason se encarregara de chamar Steve e Chris. Desde que fora embora, Jensen falara poucas vezes com Kane por telefone, e as conversas eram sempre muito estranhas e breves. Ter namorado com ele, era um dos piores arrependimentos de Jensen, pois sabia que sua amizade nunca mais seria a mesma.
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Como de costume, pediram pizzas e beberam muitas cervejas. Todos tinham novidades e queriam saber sobre a nova vida de Jensen, em Austin.
Jason logo percebeu a mudança no amigo, mas resolveu não comentar. O loiro tentava mostrar que estava tudo bem, que estava feliz, mas seus sorrisos não atingiam os olhos, e ele podia imaginar qual era o motivo.
Jensen também sempre fora romântico, de ter relacionamentos longos, e Jason sabia que aquela vida louca que ele estava tendo em Austin, era mais uma espécie de fuga, como tinha sido com Kane. Mas esperava que algum dia ele realmente conseguisse esquecer Jared e seguir em frente. Se aquele era o caminho, não seria ele quem iria discutir.
Christian estivera quieto ma maior parte do tempo, e mal conseguia olhar nos olhos de Jensen. Também tinha estranhado o comportamento do amigo, que já não parecia ser o mesmo. Jensen costumava beber socialmente, mas pelo que ele contara, agora a sua relação com o álcool era bem outra, e aquilo era preocupante. Não que ele fosse se tornar um alcólatra, mas as atitudes dele nada condiziam com quem Jensen realmente era. E Chris se sentia culpado, pois sabia que, de certa forma, tinha sido o pivô daquela decadência.
Infelizmente, nada tinha saído como gostaria. Não que tivesse alguma escolha, mas quando Jeffrey propôs, tinha parecido uma boa ideia. Pensou que se tirasse Jared do caminho, talvez Jensen o enxergasse, mas de nada havia adiantado.
Lembrou-se de cada momento, do quanto sofria cada vez que Jensen falava do seu aluno, com toda aquela empolgação. Desde a primeira vez que ouvira o nome de Jared numa roda de conversas, sabia que Jensen estava apaixonado. E aquilo doía como o inferno.
Por que Jared? Chris sempre estivera ali, desde a adolescência. Sempre dera o seu apoio, o seu ombro, sempre ouvira suas reclamações, seus problemas com o pai, sempre fora o seu confidente.
Estivera lá… esperando pelo dia em que Jensen percebesse que eram feitos um para o outro, que Jensen descobrisse que também o amava, mas isso nunca aconteceu. E vê-lo apaixonado por um garoto que era seu aluno, que não significava nada…
Lembrou-se do dia em que o conhecera, na festa em sua casa. Tinha que admitir que tinha algo de fascinante em Jared, além da beleza física. E ele e Jensen pareciam se entender tão bem… os olhares, a cumplicidade, até os sorrisos de Jensen eram diferentes. Era o que Chris queria para si, mas que nunca teria. E isso machucava tanto.
Então pensou que Jared podia ser um qualquer, que Jensen podia estar enganado quanto ao seu caráter, e deu em cima dele, pensando em mostrar para Jensen quem seu namorado realmente era. Mas, infelizmente, aquilo também não dera certo, pois Jared era tão apaixonado por Jensen, quanto o loiro era por ele.
Ainda assim, Christian o queria longe. Queria a atenção de Jensen para si, ainda que fossem apenas amigos. Mas então as noitadas entre amigos, que costumavam ser apenas deles, passaram a ter a presença de Jared também, e Chris já não podia mais suportar.
- Cris! - A voz de Steve o tirou de seus devaneios. - Hey, você está bem?
- Sim, eu… eu estou bem - Olhou para os seus três amigos, que também o olhavam, preocupados.
Mas então, sentindo o efeito do álcool em sua mente, somado à culpa e a todas aquelas lembranças, Christian começou a chorar. Soluços desesperados e cheios de dor.
- Hey. O que está acontecendo? - Jensen se sentou no sofá ao lado do amigo, e o puxou em seus braços, deixando-o chorar. Algo estava muito errado.
- Eu sou uma pessoa horrível, Jensen.
- O quê? - O loiro franziu o cenho, sem entender.
- Eu fui tão egoísta e eu… eu não fui um amigo verdadeiro.
- Chis, do que você está falando? - Jensen se afastou para olhá-lo, preocupado.
Kane enxugou as próprias lágrimas na manga da camisa e respirou fundo, passando as mãos pelo rosto.
- Você se lembra quando o meu irmão começou a andar com uma gangue barra pesada, e se meteu em um assalto, há alguns anos?
- Aquele em que um homem foi assassinado? Claro que me lembro - Jensen falou, muito sério. - E você sabe os motivos pelos quais eu me recusei a pegar o caso.
- Sim, eu sei. Mas eu não podia deixar o meu irmão apodrecer na cadeia, então… - Kane o olhou, envergonhado. - Eu pedi pro seu pai.
Jensen fez uma pausa, processando aquilo e tentando entender porque Christian nunca havia lhe contado. - Bom, pelo que conheço sobre o meu pai, isso não me surpreende - Concluiu.
- Ele fez um ótimo trabalho. Conseguiu encobrir as provas, e… - Chris continuou. - Meu irmão conseguiu uma pena de apenas seis meses, em segurança mínima.
- Eu soube sobre a pena. Que bom pra ele, não? - Jensen ironizou. Embora Chris fosse um dos seus melhores amigos, o que o irmão dele havia feito era grave demais. Não tinha sido um acidente, e Jensen jamais defenderia um bando de criminosos que mataram um homem, tentando obter dinheiro para comprar drogas.
- Mas o seu pai deixou claro que lhe devíamos uma, e que algum dia ele iria cobrar. Então depois daquele dia em que nós todos estávamos no bar, no ano passado, ele me contatou e exigiu o pagamento.
- Se você precisava de dinheiro, por que não falou comigo, Chris? - Jensen perguntou, sem entender.
- Não se trata de dinheiro, Jensen. O Jeffrey guardou todas as provas contra o meu irmão, e deixou bem claro que se eu não o ajudasse, ele iria enviar as provas anonimamente e colocá-lo de volta na cadeia.
- Do que você está falando?
- Ele queria afastar o Jared de você - Chris falou num fio de voz.
- O quê? - Jensen se levantou, sentindo o sangue ferver em suas veias.
- Só me ouça, por favor - Kane implorou. - Tudo o que ele me pediu era que indicasse alguém, de preferência algum aluno ou aluna sua, e que topasse fazer um serviço em troca de dinheiro. Eu não sabia pra que era exatamente, mas eu conhecia a Danneel, sabia de algumas histórias sobre ela, e que ela não tinha escrúpulos, então passei o contato dela pro seu pai. Então eu fiquei sabendo que ele a pagou para entrar no seu apartamento e fingir que estava tendo um caso com você.
- Então quer dizer que o Jared estava falando a verdade? - Jensen não conseguia acreditar. - Ele realmente viu a Danneel no meu apartamento? Mas... como?
- Seu pai conseguiu uma cópia da chave, então ele só esperou a hora certa, eu não sei exatamente, mas ele deve ter arranjado um jeito de fazer o Jared ir até lá no momento exato e flagrar a garota.
- Eu… - Jensen passou a mão pelos cabelos, nervoso. - Eu achei que ele tivesse inventado aquilo, para ter uma justificativa pra me trair com o meu pai… Achei que eles tivessem um caso - Jensen forçou uma risada, com lágrimas nos olhos. - Como você pode, Chris? - Olhou para aquele que sempre considerara um amigo, quase um irmão, mas só havia desprezo e decepção em seu olhar.
- Eu sei que errei. Sei que traí você, mas você não pode defendê-lo. Jared não te amava de verdade, ele sequer esperou e já foi se atirar nos braços do Jeffrey.
- Seu filho de uma puta! - Jensen não conseguiu controlar sua raiva e socou o rosto de Chris. Só não deu um segundo soco, porque Steve e Jason o seguraram. Os dois apenas ouviam a conversa, sem saber o que dizer. - Será que você não entende? Você acabou com a minha vida. Tudo podia ter sido diferente. Tudo…
- Eu sinto muito - Chris realmente sentia, mas sabia que era tarde demais.
- Sente muito? Ainda que você tivesse o rabo preso com o meu pai, você era meu amigo, era seu dever me contar a verdade, se tivesse um pingo de dignidade. Mas talvez você pensou que poderia ter uma chance, se tirasse o Jared do caminho, não é mesmo? - Jensen cuspia as palavras, a mágoa evidente em sua voz. Jared o alertara sobre Chris, e o loiro nunca realmente lhe deu ouvidos. - E o meu pai, ele… - Jensen riu, de uma maneira quase histérica. - Foi tudo planejado? Que tipo de pai faz uma coisa dessas? Eu vou tirar essa história a limpo, nem que eu tenha que socar a cara dele, até que me diga toda a verdade.
- Você não pode. Jen... se você confrontá-lo, ele vai saber que fui eu quem falou, e vai colocar o meu irmão de volta na prisão. Jensen, por favor… - Kane implorou.
- É muita cara de pau a sua, me pedir isso... Eu não sei como eu posso ter me enganado com você por tanto tempo. Saia da minha casa, Chris.
- Mas… Jensen, eu… - Lágrimas de arrependimento escorriam pelo seu rosto. - Eu estava cego de amor por você, eu só queria uma chance...
- Saia agora e não apareça na minha frente nunca mais! - Jensen deu as costas aos amigos e foi para o quarto.
- É melhor você ir, Chris - Jason falou, abrindo a porta do apartamento.
- Vocês também vão ficar contra mim? Eu não fiz por mal, eu só queria…
- Você só pensou em si mesmo, Kane - Steve falou. - Jensen confiava em você. Nós todos confiávamos. Olhe para ele agora... Está feliz com o que causou?
- Certo - Christian passou as mãos pelo rosto, secando as lágrimas. - Acho que eu mereço isso.
Depois que Kane saiu, Jason e Steve foram até o quarto. Jensen estava sentado na cama, com os olhos focados nas próprias mãos, mas a sua mente estava longe dali.
- O que você pretende fazer agora? - Jason se sentou ao lado do amigo, colocando a mão em seu joelho.
- Acho que de nada adianta eu ir atrás do meu pai agora, arranjar uma briga. Ele venceu - Jensen suspirou, derrotado. - Ele conseguiu o que queria; tirou o Jared de mim e eles são uma família, agora. Sinceramente, eu só espero que ele seja um pai melhor pra essa criança, do que foi para mim.
- Não existe uma chance de você e o Jared…?
- Na verdade, isso não muda nada. Eu não sei o que sentir, eu… Talvez fosse melhor se eu nunca tivesse sabido disso. Jared tem a própria família agora, e mesmo que não tivesse… Eu não quero dar razão ao Chris, mas em uma coisa ele estava certo… Jared não perdeu tempo, e foi correndo se atirar nos braços do meu pai. Eu vi com os meus próprios olhos...
- Às vezes as pessoas fazem as piores coisas na hora da raiva. Por vingança, ou sei lá… - Jason falou. Não que quisesse justificar, mas de certa forma, podia entender.
- Sim, eu entendo. Mas por que ele nunca me deu uma chance para explicar? Ele podia ter socado a minha cara, podia ter brigado, me mandado embora da sua vida, ou pro quinto dos infernos, mas ele sequer falou comigo - Apesar de todo o tempo que se passara, a dor e a mágoa ainda estavam presentes. - Então não, não existe uma chance. Tem coisas que não dá pra perdoar.
Continua…
Resposta às reviews sem login:
Acia cassimo: Concordo que Jared não podia mais viver daquela maneira, sempre com medo e sendo forçado a estar com alguém que não suporta. Isso não é vida. Jensen está tentando seguir com a vida, né? Vamos ver no que isso vai dar... Obrigada por comentar. Beijos!
Val: Acho que Jared não tinha muita opção, né? E envolver outras pessoas, podia acabar tornando as coisas mais difíceis. Olha, confesso que Joseph Morgan foi por acaso mesmo. Nem me ative ao sobrenome... rs. Fiz uma listinha de caras pegáveis pro Jensen. Olha como eu sou legal? Kkk. Jensen e Tahmoh não vai rolar. Ambos são Top!master... kkk. Acho que uma reconciliação não vai ser algo fácil, viu? Mas nada é impossível. Beijocas! Obrigada por comentar.
Sol Padackles: Realmente, acho que essa obsessão do Jeffrey beira a loucura, né? Triste de ver. Jared não tem provas e Jeffrey não confessou, mas no fundo ele sabe (ou pelo menos desconfia) que o lance da Danneel foi armação. Jared tá precisando de um pouco de paz, né? Apesar de que o medo sempre vai estar presente. Obrigada por comentar. Beijos!
Maria Aparecida: A Obsessão do Jeffrey é mesmo doentia. Jared se agarrou no amor que sente pela filha para tentar se levantar e lutar, porque o que ele tinha na casa de Jeffrey não era vida e ele merece ser feliz. Quanto ao Jensen, ele se fechou para o amor, e essa vida loka que ele está levando até pode ser divertida no início, mas não creio que vá fazê-lo feliz. Obrigada por comentar. Bjos!
Thais: Ahh… obrigada! Bem feliz com seu review! Não sei explicar o que Morgan tem, mas é uma obsessão doentia. Está ansiosa pelo reencontro? Ai gente… Talvez as coisas não sejam como todos estão esperando… rs. Obrigada por comentar. Bjo
Nicole: Quanto ao reencontro, dá pra ter uma ideia do que vem por aí, não? Coincidências demais, talvez, mas o que seria do mundo das fanfics sem as benditas coincidências? Kkk. Jeffrey é mesmo um monstro. E Jared fez bem em cuidar de si mesmo, se tratar e fugir daquela casa. Porque sabe-se lá do que esse homem é capaz, não? E Jared merece ser feliz. Que bom que está gostando, obrigada! Beijos!
