A/N: Hello, minha galera boa! Não, eu não morri e ainda continuo escrevendo essa baixaria. Pois é, eu sei que sumi e devo explicações e tudo mais, mas realmente tinha desengrenado aqui e tive algumas coisas para resolver também. De todo modo, sinto muito pela demora.

Nessa delícia tem Santie, Faberry (não é brincadeira, sério mesmo) e o rolo das Brittana se apruma para uma resolução. A música do capítulo é 'Fix you', eu pensei na versão do Javier Colon porque sou under e acho mais melódica (.com/watch?v=7-Tibrg0o28). E, caso reparem, tem um * desses que quer dizer que a frase dita pela loira Quinn é do escritor francês Gustave Flaubert e na íntegra é: "O coração é uma riqueza que não se vende nem se compra. Presenteia-se." Pra quem tiver curiosidade.

No próximo, o barraco rola porque meu sangue mexicano fala mais alto. E eu estou ansiosa também pelo capítulo de volta ao Mckinley, mas deve ser só depois desse seguinte (haja coisa para acontecer na vida dessas pessoas). E teremos Finn, Santana barraqueando, Artie conversando com Britt e mais o que couber.

Obrigada pelas reviews, minha gente bonita! Sério mesmo e vocês são tão incríveis que daqui a pouco eu tô até lançando livro e me sentindo a J. K. (Juscelino Kubitschek - lançarei um livro de metas). E eu não vou pular desse barco, prometo. Enquanto vocês curtirem, aqui estarei. Boa semana, gente bacana. Xoxo.

Se eu tivesse Glee, a Lea e a Di teriam contrato vitalício.


O silêncio estava pesado como num entreato do teatro. Minha namorada tinha acabado de me falar sobre essa possibilidade de gravidez da Britt, mas o fato de ela ser agora a realidade fazia as coisas bem mais diferentes.

Como sou uma pessoa altruísta, dedicada, humanitária e preocupo-me sempre com o bem estar dos que me rodeiam (em outras palavras: eu, Rachel Berry, sou um exemplo a ser seguido e não apenas pelo meu inquestionável talento, mas por ser um ser humano exemplar), prestei atenção em Santana. Claro que ela ficaria devastada com essa notícia e aquela era uma situação horrível porque também tínhamos que cuidar da Britt, que agora gestava uma criança.

Bom, fugindo de todas as possíveis situações que eu tinha imaginado, Santana não saiu xingando Deus e o mundo, não quebrou a mesa da minha cozinha e não chutou as cadeiras. Peraí, a última é coisa do retardado do meu ex porque andar e chutar são as únicas coisas que ele consegue fazer com suas duas pernas esquerdas. Mas voltando, a latina apenas nos olhava a todos, de um a um, como quem procura a verdadeira face por trás de um mundo fútil e cheio de máscaras. Ou só estava olhando em nossos olhos para saber se aquilo era realmente verdade. Por pior que fosse, sim, aquela era a verdade. E ela se certificou da gravidade daquilo tudo quando desafiou Quinn a mentir, apenas com um olhar e minha loira apenas mordeu o lábio.

O mais estranho disso tudo - quero dizer, essa semana mal tinha começado e o mundo estava de pernas pro ar já – foi o fato de sua certeza se resumir a um aceno de cabeça da Katie. Não foi sua melhor amiga mordendo o lábio para não cair em lágrimas de culpa e nem sua antiga... hum, ficante? Que fosse! Nem Britt chorando de joelhos em sua frente e tentando tocá-la para buscar calma enquanto ela se esquivava como uma minhoca. Não, foi apenas um curto gesto de cabeça feito pela minha melhor amiga que a fez cair em si. Dali em diante, eu sentia que a manhã iria de ruim para péssima.

A latina passou a mão pelo rosto, não sabendo mesmo o que fazer e eu apertei a mão de Quinn que se sentia tão culpada que, se fosse possível e pela sua expressão, eu iria jurar que tinha sido ela quem havia engravidado a outra loira. Olhei para o Brandon que só comia. Ele ainda tinha o mau hábito de se jogar na comida quando não conseguia lidar com as situações. Não sei como ele ainda não estava obeso, mas acho que é só dar-lhe mais uma semana na cidade que veremos claramente as mudanças em seu corpo. Noah não sabia o que fazer, apenas olhava para as três. E o momento ficou suspenso até Santana cortá-lo, surpreendentemente, de modo delicado e frágil.

"Há quanto tempo?" Sua pergunta foi baixa e olhando fixamente para seu copo meio vazio (claro, isso resumia o nosso estado de espírito naquela mesa e, indo além, pelos próximos dias também. Porque, como todos já devem saber, metáforas são realmente importantes) de água. Quando se cansou do silêncio e de sua pergunta não ter tido uma resposta, ela pegou-o, virou e bateu com ele na mesa, se enfurecendo. "Eu fiz uma pergunta." Falou simples e olhando para seu copo, agora completamente vazio. Provavelmente como seu coração (se é que ela foi presenteada com um) depois de receber essa notícia avassaladora.

"E-eu não sei..." Entre soluços, essa foi a resposta da Britt, ainda ajoelhada e vendo Santana paquerando o meu copo, que sobreviveu a sua fúria.

"Está escrito no exame, provavelmente." Simples e direta a sua frase. Minha namorada ameaçou aproximar-se delas, mas segurei-a e abracei seu corpo. Levei-a, mudamente, para a pia onde me sentei na bancada, ficando da sua altura. Apoiei sua cabeça em meu ombro e acarinhei seus cabelos enquanto ela chorava e eu dava-lhe um abraço completo com braços e pernas, sussurrando doces coisas em seu ouvido.

"Três semanas." A voz da Katie me chamou a atenção e beijei a testa da minha loira e, apoiando meu rosto em sua cabeça, voltei a prestar atenção naquele barraco velado. O mesmo aconteceu com Santana que, após ouvir a voz da minha amiga, desgrudou seus olhos do copo e passou a observá-la minuciosamente.

"Como você sabe?" Perguntou ignorando a Brittany soluçando, que não sei como, mas acabou parando no colo do Brandon e ele fazia com ela o mesmo que eu estava fazendo com minha ex-líder de torcida. Acariciava seu rosto e balançava com ela no colo, como se estivesse ninando um bebê. O que foi ótimo, já que isso interrompeu sua comilância, que já estava me dando voltas no estômago. "Você soube esse tempo todo então e só estava brincando, não é? Eu deveria imaginar que..." Estranhíssimo o fato de a latina ter se sentido traída pela minha amiga e sua raiva ter se virado pra ela e não para seu ex-affair. Não fui só eu que achei isso e pude ver até Britt levantando o rosto para olhar para seu antigo caso tendo uma crise de ciúmes.

Katie se aproximou e tocou seu braço, Santana, claro, fez como havia feito com sua antiga loira e se afastou com um 'não me toque' mais do que raivoso. Minha amiga se fez de surda e abraçou-a à força enquanto a latina se debatia tentando fugir do abraço.

"Você acertou quando disse que estava escrito no exame e eu sei ler." Foi sussurrado no ouvido da morena mais baixa e ninguém além de mim pareceu ouvir. Claro que eu ouviria, ora bolas! Afinal, que tipo de diva da Broadway eu seria se não tivesse uma audição mais do que incrível? O que nunca e nem por um segundo fazia de mim uma fofoqueira, porque isso eu não era mesmo.

Santana se afastou o suficiente para olhar nos olhos verdes da morena mais alta e pareceu se satisfazer com a resposta, assentindo com a cabeça. Britt observou a cena toda e resolveu intervir e chamá-la. Assim o fez, levantando a cabeça do colo do antigo eclesiástico.

"San, eu posso explicar..." Ao ouvir aquela frase, Santana se virou e observou-a, como se fosse pela primeira vez. Sem seus usuais olhos de amor e devoção, ela olhava a loira com curiosidade, como se a estivesse medindo. A voz da doce loira fez a minha loira levantar a cabeça do meu colo e olhar nos meus olhos, com olhos vermelhos. Dei um sorriso triste e teatral e ela apenas balançou a cabeça.

Como eu sempre imaginei, ela sabia quando eu sorria de verdade e quando fazia apenas por necessidade e sua negação não verbal me dizia que não era aquilo que ela estava precisando naquele momento. Com suas duas mãos em meu rosto e seus lábios colados nos meus com fome e força, eu descobri o que ela queria e precisava. Ela precisava de mim e eu também necessitava dela, se não do mesmo modo, muito mais do que eu mesma pensei ser possível. Por isso me doei no beijo, que tinha se tornado agressivo no momento. Minhas pernas estavam prendendo seu corpo no meu tão forte e perto que eu podia sentir seu corpo trabalhando ao inspirar e expirar. Suas duas mãos agarravam minha cintura com força o suficiente para me deixar com a marca de seus dedos mais tarde e eu não me incomodava nem um pouco com esse fato. Ou melhor, eu gostava desse fato e, só de pensar nisso, uma onda de calor passou pelo meu corpo, me fazendo apertá-la ainda mais em mim com minha mão e pernas, enquanto a outra mão ia puxando seu cabelo. Meus pulmões estavam queimando e pareciam querer explodir e eu sentia sua respiração acelerada e falhada em minha boca porque ela, assim como eu, não queria cortar o beijo. Se aquilo que tínhamos não era química, que Barbra perdoe quem inventou a tabela periódica!

Como nem tudo que era bom durava para sempre, fomos interrompidas de acabarmos nuas no meio da minha cozinha por Santana nos brindando com sua grosseria. Eu já não fazia a menor idéia do que estava acontecendo ali, depois daquele beijo que era para ser apenas uma muda promessa de que não a abandonaria jamais e tinha virado uma preliminar, eu não sabia nem do meu nome – por sorte, depois que nos casarmos e morarmos em Nova Iorque, eu serei famosa o suficiente para ter fãs lembrando meu nome por mim, porque se eu realmente for (e vou) viver com essa menina, eu iria precisar de agenda e tratamento para memória. Seus olhos estavam num verde tão limpo com suas pupilas extremamente dilatadas (talvez tanto quanto as minhas, se a temperatura do meu corpo quisesse dizer algo) que me perdi da realidade e sorri. Ela me deu seu sorriso mais bonito de volta e mordi o lábio, subitamente envergonhada por estar tão excitada num caso como o que estava acontecendo naquela cozinha. Seu sorriso se abriu como um nascer do sol e sua expressão foi de vulnerável a cheia de si antes que eu pudesse dizer 'Barbra'. Emburrei a cara, sua resposta foi beijar meu nariz e apoiar sua testa na minha, até terminar de carregar meu coração sussurrando e me olhando nos olhos.

"Eu já te disse que você me salvou?" Minha resposta foi um mero aceno de cabeça em negativa. Ela afastou seu rosto para me olhar nos olhos enquanto passava uma mão pelos contornos da minha face. "Pois é, foi o que você fez, Rach. Não só desses fantasmas idiotas, mas num conceito geral, você está me salvando desde quando te conheci." Abri a boca para perguntar o porquê daquela confissão ou para saber se ela estava falando do dia da flor ou do nosso reencontro na escola, ainda no ensino fundamental, quando ela passou a me destratar, mas seu indicador selou meus lábios. "Lembra daquela peça que você interpretou a Dorothy?" Assenti com a cabeça. Menos pelo fato de ter sido meu primeiro papel principal na escola, eu me lembrava vividamente daquele dia, pois foi quando eu a conheci. "Pela sua expressão, você deve lembrar de que foi quando nos conhecemos, né?" Concordei depressa com a cabeça, sorrindo como uma boba apaixonada (porque eu era uma) e ela sorriu leve, beijando meu nariz. "Eu me apaixonei por você ali." Falou sorrindo e balançando a cabeça, como quem não acredita no que está dizendo. E eu não acreditava como eu poderia estar viva ainda se meu coração tinha apertado tanto as batidas que poderia muito bem bater por nós duas. "É engraçado pensar nisso, essa bobagem de crianças." Voltou a me olhar e meu coração parou e se partiu no meio. Ela deve ter visto minha expressão porque voltou a acariciar meu rosto e sorrir mole. "Ou era o que eu imaginava por esse tempo todo. Vamos lá, quem conhece o amor da sua vida aos, vejamos, oito anos? Melhor ainda, sendo essa pessoa que iria segurar todo o rumo da nossa vida nas mãos sendo, também, uma garota?" Ela falou sincera e eu olhei em seus olhos com tudo o que tinha. Pois é, acho que todos já sabem que eu a amava desde essa peça, desde os meus oito anos. "É disso que estou falando, Rach, não é fácil. Ou melhor, não foi fácil pra mim..." Falou abaixando a cabeça e me aproximei dela, passando a mão em seu rosto e encostando minha testa na sua.

"Quinn, mas nós agora..." Juro que tentei assegurá-la de que tudo hoje em dia estava diferente e certificá-la de que eu não usaria tudo o que passamos, as torturas, as raspadinhas e o que fosse contra ela. Eu entendia suas ações perfeitamente. Pensando nisso, agora vejo que eu sempre a entendi, por isso tantas vezes me dispus a ela. Bem, meu discurso foi cortado por seu beijo rápido.

"Acho que estamos perdendo um pouco o foco aqui." Disse brincando e sorrindo. "Eu estava dizendo que naquele dia você me salvou e foi o começo. Me salvou de ser como meu pai, ou pior, ter continuado sendo a capitã das líderes de torcida que te maltratava. Eu quero dizer com isso que minha mudança não se deu somente por termos perdido as Nationals, pelo imbecil do Finn ter desmanchado nosso namoro por eu não sentir absolutamente nada. Bem, essa acabou sendo a atitude mais acertada que ele teve e provavelmente vai ter em toda sua vida medíocre." Sua cara de desprezo foi tão linda que eu ri baixinho e ela me virou sorrindo. "Enfim, eu me lembrei daquele dia da peça. Você sempre disse que ser parte de algo especial nos faz especial, Rach, e eu concordo plenamente com isso. E eu me lembrei dessa frase quando conversei com a S. e a B. e mais ainda daqueles bastidores há, hum... nove anos, né?" Só sacudi a cabeça concordando porque não conseguia, pela minha vida, pensar em algo a dizer e estragar seu discurso. "Então, foi naquele momento que comecei a me sentir especial, só por fazer parte da sua vida. Demais pro ódio, não?" Eu ri baixinho enquanto chorava e ela secava minhas lágrimas, ainda sorrindo. "O que eu estou tentando te dizer, Rach, é que sempre foi você. A primeira pessoa na minha vida, quem me fez me apaixonar pela música, me sentir mais forte e livre e ao mesmo tempo mais diferente e vulnerável se eu me pegar pensando por muito tempo nesse sentimento de poder que você sempre me deu. Isso explica o fato de eu ter sido péssima contigo por todos esses anos? Não estou te culpando, o que fiz foi inescusável e a culpa sempre será minha, mas a força que você me dava, só com um olhar, mesmo depois de tudo que as pessoas te fizeram passar... Depois do que eu te fiz passar." Ela abaixou o rosto e levantei-o, sorrindo e secando suas duas lágrimas que caíram.

"Eu estou aqui com você." Sussurrei baixo, olhando sinceramente em seus olhos e tentando passar o que só as entrelinhas daquela frase poderiam dizer. Com um balanço breve de cabeça, ela continuou.

"E eu digo que não poderia me arrepender e pedir perdão o suficiente, porque eu poderia fazer isso pelo resto da minha vida e eu ainda não estaria satisfeita com o que fiz." Sacudi a cabeça em negativa, ela não precisava daquilo, não mesmo. "É, eu sei que você já me perdoou antes mesmo de eu ter te pedido perdão, mas acho que sou eu que preciso me perdoar, né?" Mordi o lábio e concordei pra que ela continuasse. "De todo modo, eu estava falando... Ah sim, eu me sinto incrível fazendo parte do Glee Club, que isso fique claro. Só que nesses anos todos, eu não consegui sentir novamente o que eu tinha sentido naquele dia, no meio do corredor e com uma flor roubada na mão. Eu não consegui sentir por ninguém o mesmo que senti e sinto por você, Rach, e eu juro que tentei. Não consegui me sentir em casa, como se eu finalmente pertencesse a algum lugar, sabe? Não como me senti naquela platéia, te vendo dar um novo sentido a minha vida e a de todas aquelas pessoas naquele lugar. Se fazer parte de algo especial faz de nós especiais, ser sua namorada, hoje, faz de mim invencível e esse é o melhor sentimento do mundo. De longe!" Eu já estava chorando livremente e ela limpava minhas lágrimas, ainda sorrindo. "Eu li uma vez num livro que o coração não é como um bem material que nós podemos dar ou comprar, só podemos presenteá-lo*." Ela parou e riu um pouquinho e eu já sorria novamente, entre lágrimas. "Isso ou algo parecido. E eu não concordo completamente com isso porque eu não estou aqui te presenteando com o meu, Rach. Só vim me certificar de que você o queira e aceite o resto que vem com ele, porque, se eu for profundamente sincera nesse momento, posso afirmar que você já o roubou há exatos nove anos. E..." Não, eu não consegui deixar que ela terminasse a frase e dei-lhe um beijo agressivo, segurando seu rosto e colando nossos corpos. Depois que nos separamos, ela só me sorriu. "Viu só? Eu sabia que você adorava um romance, Berry." Revirei os olhos praquele balde de água fria.

"E eu também sabia, no fundo, no fundo, que você poderia entrar na minha corrida pelo prêmio de maiores discursos." Foi a vez dela de revirar os olhos e me aproveitei para falar antes que ela terminasse ainda mais com o clima. "Quinn, você sabe que eu te aceito como você é e eu passei esses mesmos nove anos esperando por esse momento, quando eu seria a sua namorada e iria cuidar de você. Como você pode ver e sinta-se surpresa se quiser, eu não sou boa com palavras para descrever sentimentos, não como você, mas vou tentar me explicar." Me ajeitei na bancada e afastei nossos rostos para olhá-la nos olhos. "Eu aceito tudo que venha de você, Quinn, independente do que seja e eu te esperei até ontem porque mesmo que nós não tivéssemos tido nada até então, é como se existisse um espaço em mim e ele só era ocupado por você porque mais ninguém se encaixava naquela lacuna. Por mais que eu tenha tentado fazer o Finn ter cabido nele, sempre foi você e eu nunca entendi isso muito bem de sentir falta de alguém sem ter tido essa pessoa. Mas era como eu te via, você ocupava todos os espaços em mim sem estar de fato presente neles. Consegue me entender?" Perguntei e sua resposta foi meu sorriso preferido, mais iluminado e acalentador que o próprio Sol. Sorri de volta e ela mordeu o lábio, me olhando.

"Você está tentando dizer que acredita em destino, Berry?" Revirei os olhos. É, essa menina funcionava em momentos e depois se fechava completamente. Loira difícil.

"Não, Quinn, eu estou tentando dizer que te amo desde que me conheço por gente." Falei desinteressada e só me liguei no que tinha acabado de dizer quando vi sua expressão de medo e surpresa. Rápido demais, agora ela vai achar que sou uma fácil. Desgraça! Maldita falta de filtro.

...

Pronto! Agora sim eu era a pessoa mais feliz da face da Terra! Internamente, eu fazia minha dancinha da vitória, mas externamente eu não devia estar com uma expressão das melhores porque a Rach correu para se explicar.

"Ah, minha santa Barbra! Quinn, me desculpa, eu sei que foi rápido demais e não tive a intenção de deixá-la desconfortável, mas aparentemente eu não tenho filtro mesmo e..." Sorrindo, eu cortei seu discurso.

"Não, definitivamente você não tem, Rach." Seu bico emburrado foi a melhor resposta que eu poderia ter tido naquele momento e fiz questão de beijá-lo rapidamente. "Mas isso é verdade?" Sussurrei com meu rosto ainda colado no dela e vi suas expressões brigando em seu rosto. "Seja sincera, Rach, eu não vou te julgar." Pedi ao ver a insegurança estampada em seu rosto e passei meus dedos levemente em suas feições para assegurá-la.

Mordendo o lábio, sua resposta foi um curto e lento aceno de cabeça que me deixou rindo e me levou às nuvens. E a minha resposta foi beijá-la como se minha vida dependesse disso. Comecei beijando seu nariz que eu tanto adorava e depois suguei seus lábios e beijei-os com força. Ela, pra acabar comigo, se empolgou e voltou a me comprimir junto ao seu corpo com aquela perdição de pernas longínquas e bem torneadas. Voltei a minha missão de agarrá-la pela cintura, segurando seus cabelos e sua mão foi parar no meu pescoço, desafiando a física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Engula essa, Newton! Enquanto nossos beijos me incendiavam, o verdadeiro fogo estava acontecendo ali na cozinha, por isso nos separamos ao ouvir Santana gritar.

"Fica longe de mim!" A frase da minha braço direito quebrou nosso beijo e me afastei da minha namorada, olhando bem sua expressão.

Seus cabelos estavam bagunçados e com um ar de quem tinha acabado de fazer sexo. Seu camisão de Harvard estava amassado e bem seguro entre meus dedos. Seus olhos estavam negros e líquidos, transparecendo um desejo animalesco que me deu calafrios por todo o corpo e seus lábios grossos estavam vermelhos e ainda mais inchados. Claro que isso não seria o suficiente, ela ainda resolveu mordê-los e me olhar de cima abaixo, me ateando fogo com uma facilidade assustadora. E, pelo seu olhar, algo me dizia que minha aparência não estava muito mais comportada que a sua. Antes que pudesse me lançar em seu corpo novamente, Britt resolveu gritar de volta para Santana e me virei, ouvindo um suspiro descontente da minha morena atrás de mim.

"Não faz isso comigo, San..." B. pedia chorosa para S. que estava enfurecida e marchava para fora da cozinha e saindo do abraço daquela vadia que se achava a oitava maravilha do mundo. Bem feito pra ela! Acha que é só valsar na situação assim e vai virar a queridinha de todo mundo? Idiota!

"E o que eu estou fazendo contigo, Brittany?" A resposta sarcástica e debochada da S. me fez deixar de detestar aquela safada por um momento e me virei pra Rach, mudamente dizendo que eu teria que pular no meio daquela confusão mais uma vez antes que acontecesse o pior. Sua resposta foi um compreensivo aceno de cabeça que devolvi. Beijei sua bochecha e sorri. Depois que recebi meu sorriso de volta, me virei e entrei naquele barraco.

"Eu sei que você está chateada, San, mas não é como você está pensando..." Britt falou se aproximando de Santana que deu dois passos para trás, se afastando com raiva. Resolvi intervir porque elas eram minhas melhores amigas e vê-las brigando me destruía, mesmo que elas não soubessem disso.

"S., por que você não escuta por um minuto?" Falei entrando no círculo que era composto por mim, Santana, Brittany e pela galinha que tentava acalmar a minha raivosa amiga. Essa menina não tinha o menor semancol mesmo, se metia em tudo que não lhe dizia respeito. Olhei para o lado e vi Puck de pé e me olhando com uma grande interrogação em sua testa. Não literalmente, claro, mas bem que poderia ter sido. Seus olhos me perguntavam o que ele devia fazer e eu dei de ombros porque nem eu sabia o que eu poderia fazer. Olhei para o antigo padre que estava comendo um pão e fingindo não estar nem naquela situação. Que porra de homem era aquele? Como ele conseguia ser tão egoísta e comer, ignorando uma situação como aquela? Ou melhor, como ele tinha conseguido ser padre se não ligava para os sentimentos dos outros, só para seu umbigo. Ou melhor, estômago. Estava com uma patada na língua para jogar em sua cara, mas a fúria de Santana se voltou pra mim.

"Ah claro, porque engravidar na adolescência é um caso para ser solucionado pela doutora Fabray, certo?" Ter ouvido aquilo me deu uma onda de raiva pelo corpo e olhei para o lado a tempo de ver a Rach segurar a minha mão depois de saltar da pia, procurando me acalmar. "Então, doutora, o que podemos fazer nessa situação? Qual é o seu diagnóstico?" Pronto, ela conseguiu me tirar do sério.

"Você diz isso porque teve sorte o suficiente pra não ter engravidado depois de dormir com a escola toda." Rebati nervosa e todos os olhos se voltaram para mim, mas não me incomodei. Meu problema era com a Santana que pareceu gostar da resposta e se aproximou.

"Isso se deve ao fato de eu ter um cérebro, quem sabe?" Sua resposta foi debochada e eu puxei minha mão que estava sendo apertada pela Rach e cerrei os punhos. "Sabe qual é o seu problema, Quinn? Você acha que ter passado por isso faz de você uma expert no assunto, mas não faz." Cada vez se aproximando mais, ela parou na minha frente e me olhou de cima a baixo até a Rach se jogar na minha frente, o que a fez balançar a cabeça em negativa e rir. "Aí está você, Fabray, sendo protegida pela garota que mais sofreu na sua mão. Quer me dizer como é isso? Ainda mais sabendo que ela consegue gostar de você de volta mesmo depois de ter comido o pão que o diabo amassou porque você estava jogada no fundo do armário. Então, como se sente?" Foi a partir dali que eu deixei de sentir raiva da minha melhor amiga, ela estava devastada e o seu modo de lidar com isso era atirando nos outros. E eu sei disso porque também fui assim. Coloquei uma mão no ombro da Rach e ameacei me aproximar da S. que, dessa vez, não se moveu. Mas suas palavras me pararam novamente. "Porque eu não estive ao seu lado quando você estava numa pior e eu sei o quanto isso te machucou. E eu seria hipócrita se dissesse que não me regozijei nem um pouquinho vendo a queda da perfeita Quinn Fabray, porque eu fiz isso. E aí, doutora Fabray, o que isso diz sobre mim?" Ela me olhou fundo nos olhos.

"Eu não sei..." Respondi sincera porque realmente não sabia. Sua resposta foi um simples aceno de cabeça e voltou ao seu discurso.

"Talvez eu possa dizer que eu sei explicar isso, Quinn. E não, não foi por você ter dormido com o estúpido do Puck porque eu não poderia me importar menos com os sentimentos dele. Mas com os seus eu me importava e você sabe disso. Você me decepcionou, Q., porque aquelas malditas raspadinhas na cara do seu hobbit não mexeram só com vocês duas e essa relação estranha que vocês tem, mas mexeram comigo também. Eu não te protegi só por causa do maldito do status, caso não saiba. E caso não tenha se ligado, aquela merda toda de sair jogando essa porra na cara dos outros só continuou porque eu estava ao seu lado pra te proteger no caso de eles se voltarem contra você. Então você transformou nós duas nas bitches que somos, que tal isso? Claro que eu não fui inocente e esse papel caiu como uma luva em mim e você sabe disso. Mas eu sempre estive lá pra você, mesmo quando você estava em negação, quando o filha da puta do seu pai era o estúpido de sempre e a sua mãe via isso tudo através do copo inseparável de uísque dela, era lá pra casa que você ia, se você não se lembra." Eu estava chorando ao ouvir aquilo tudo porque sim, ela estava certa e sabia disso. Dei dois passos pra frente e encostei minha mão em seu ombro, puxando-a para um abraço do qual ela fugiu.

"Eu sei e sinto muito, San..." Não terminei o meu discurso porque olhei em seus olhos cheios d'água que ela limpou depressa com a manga de sua camisa.

"Então, eu quero que você saiba que o melhor aconteceu quando você, ao invés de me contar sobre aquela porra de gravidez, resolveu fazer amizade com a bombom Whitney Houston. Isso foi de foder, Quinn. Mas sabe do melhor? Você nem se deu ao trabalho de estar ao meu lado e me explicar essa porra. Porque o seu negócio é fugir das situações e eu relevei essa merda toda porque eu sou assim também. Tanto que hoje estou aqui, protegendo o seu brinquedo de lego das malditas assombrações grudadas em seu calcanhar e vou estar amanhã quando aquele bando de imbecis do time de futebol resolver ir pra cima dela." Eu sei que era meio imbecil eu sorrir do fato da minha melhor chamar minha namorada desses apelidos todos, mas eu sempre soube que no fundo ela se importava com a Rach e isso que ela acabou de dizer exemplifica a situação. Na verdade, eu acho que ela só seguiu com as raspadinhas porque sabia que um dia eu cairia em mim e me confessaria pra minha diva. É, de fato, a S. era a melhor amiga que eu poderia ter sonhado em ter e era muito mais observadora do que ganhava crédito por.

"Obrigada..." Sussurrei baixo pra ela ouvir.

"Não me agradeça por essa merda toda, Q., não precisamos disso. E o hobbit tá querendo nos proteger, né? Essa é a minha maneira de agradecer ou o que for. Só não vem falando sobre o que eu devo ou não fazer porque ninguém tem o direito de se meter nisso. Eu não me meti quando ela estava lá trepando com o inválido e também nunca me meti na sua vida, então eu não quero que se metam na minha! Ficou claro isso?" Bem, o final do discurso foi bem raivoso e com um tanto de mágoa e somado ao seu olhar que passeou pela cozinha toda e parou na Britt, que abaixou a cabeça e engoliu em seco. Estranhamente, isso despertou ainda mais a raiva da S. que se virou nos calcanhares e marchou, fugindo daquilo tudo.

"S., espera!" Eu tentei chamá-la, mas ela não se virou e fez que não tinha ouvido.

"Deixa que eu vou atrás dela." Claro que seria aquela galinha que iria se meter em mais essa merda e ia fingir que estava salvando o mundo. Me aprumei para brigar com ela até sentir a Rach me puxando a mão e sussurrando para mim.

"Deixa que a Katie vai, baby. A Britt precisa de você..." Juro que senti um sentimento estranho no peito, como se a minha namorada estivesse escolhendo aquela outra. Mas durou só até olhar em seus olhos compreensivos e voltar meus olhos pra B., jogada no chão e chorando de soluçar. Assenti com a cabeça para a Rach e virei para a menina intrometida que só me acenou e rumou atrás da S., pra sabe Deus onde. Resolvi me focar no que eu podia solucionar no momento e andei para perto da Britt, me ajoelhando em sua frente e motivando-a a sentar-se no meu colo, coisa que ela fez e agarrou minha blusa, chorando com força.

"Calma, B., vai dar tudo certo..." Sussurrei em seu ouvido tentando acalmar seus soluços e lágrimas. Verdade seja dita, eu estava tentando acreditar em minhas próprias palavras.

...

Resolvi sair daquela desgraça que tinha se tornado a minha vida graças àquele seleto grupo liderado por Buffy e sua mania de ver mortos assassinos musicais onde não cabiam com passos fundos e fortes no chão e fui para o lugar onde sabia que ninguém me acharia. Ou melhor, imaginei que ninguém iria me encontrar. Todos, exceto uma certa morena que resolveu zoar com o meu coreto e aparecer ali, tentando fazer sabe Deus o quê.

"Trouxe uma toalha porque imaginei que você não fosse querer sentar sua beleza num lugar sujo como esse." Olhei para onde vinha aquela voz e a vi com um outro pano bizarro e cheio de bichinhos na mão. Que diabo de porcaria feia era aquela? "É, foi o primeiro que achei." Falou ao perceber que eu estava encarando aquele crime contra o bom senso, mas claro, vindo de Berry, aquilo deveria ser a última moda em seu mundo de insetos cantantes, tais como suas roupas que cegariam até o ciclope.

Bem, acenei com a cabeça para ela e a vi esticando aquele terror no chão e me chamando para me sentar ao seu lado. Obedeci porque não queria ficar em pé e, entre a opção de cair naquele pano e ser infectada com os germes de uma cantoria tão falida e baixa quanto a completa existência do Finnútil, ou pegar uma variedade de doenças desconhecidas me sentando naquele lugar mais sujo que pau de galinheiro, escolhi proteger minha saúde. É como dizem, dos males o menor, certo?

Durante o dia a vista daquela laje era admirável também, não tanto quanto era à noite, mas, bem, dava para me distrair e foi o que aconteceu. Só saí de minha viagem quando senti a miss mundo brincar de bater com seu ombro no meu e sorrir. Olhei para sua cara e arqueei uma sobrancelha. Não faço a menor idéia do que ela achou que eu estava querendo dizer, só sei que no momento seguinte, ela se aprumou em sua posição de índio e encostou-se na chaminé atrás de nós, onde Berry provavelmente espantava o velho gordoe sedentário do Natal com sua boca cantante e que nunca se fechava. Esse maldito me fez lembrar que Britt era a única pessoa que eu conhecia que ainda acreditava naquela falácia toda. Cerrei os punhos e engoli as lágrimas. Eu não iria chorar por ela, não mais. A modelo acendeu um cigarro da marca que vendia em seus comerciais e resolveu tagarelar pra me impedir de esquecer que eu ainda estava na casa do enfeite natalino de Fabray.

"A reunião de hoje foi bem interessante, sabia? Primeiro, os tais dos velhos tarados resolveram desafiar a minha paciência me perguntando se eu estava namorando e dizendo que eu tinha crescido subitamente desde a última vez que tinha aparecido em uma reunião com eles. É, eu sei, eles são uns, como você diria, bagaceiros, não é?" Falou e me virei para olhá-la, já que não podia socar uma meia em sua boca, pelo menos eu ia tentar fazer com que ela fechasse a matraca com um dos meus olhares fulminantes. Não, isso não funcionou. Na verdade, ela sorriu e se empolgou naquela história tão interessante quando um dos musicais antiquados de Berry, ou seja nada. "Depois, eu soube que as ações aqui estavam instáveis e que o movimento de saque de dinheiro estava maior que o próprio fator de recebimento em conta, o que nos levou a um déficit em 5,2%, aproximadamente. Uma situação desagradável e que não tinha visto ainda, já que a empresa presta serviço a muitas outras e a porcentagem de lucro em cima do trabalho que fazemos é de quase 200%. Antes que você me pergunte se isso é legal ou não, eu te digo que somos uma das três únicas empresas do país a prestar esse tipo de consultaria, por isso que o líquido obtido é tão grande." Ela disse como se eu fosse realmente me importar se ela estava lavando dinheiro, ou salvando as baleias cor de rosa do Reino do Nunca. "Enfim, eu sei que essa queda pode não parecer nada, mas dá uma diferença absurda se comparamos com as outras ações ao redor do mundo." E de onde ela achou que eu estava interessada em saber daquela porra de ações ou do caralho que fosse? Resolvi cortá-la antes que ela resolvesse me dar uma aula de economia e eu não estou com saco pra aprender a regra de três.

"E você quer chegar aonde?" Perguntei já olhando pra frente. Talvez se eu parasse de olhar em sua cara de pau, ela se ligasse que eu queria tanto estar ali quanto os judeus quiseram estar em Auschwitz na época do holocausto. Sua resposta foi me puxar pelo braço e me dar um meio abraço de lado enquanto eu sambava com a cabeça em seu colo e tentava recuperar meu balanço. Aquela menina era realmente forte.

"Isso nos leva ao fato de que minha irmãzinha anda brincando de mexer com as ações e resolveu quebrar a empresa." O que eu tinha a ver com aquela merda, só Deus sabe. Mas ela ainda estava com um braço passado pelo meu pescoço e eu resolvi me encostar naquela chaminé suja para apoiar meu corpo e me afastar o pouco que fosse dela. "O que, para sua infelicidade, quer dizer que eu vou ter que ficar mais tempo na cidade resolvendo esses problemas." Falou tragando e sorrindo leve. Puxei um veneno do maço dela e resolvi acendê-lo também, tudo para tentar me acalmar.

"Hum, é realmente uma pena..." Falei dando o primeiro trago e olhando em seus olhos profundos e misteriosos.

"É, é sim... Você vai ter que ficar mais tempo perto de mim..." Ela disse aproximando seu rosto do meu.

"É, eu não tenho sorte mesmo..." Falei baixo, já que seu rosto estava a uma distância quase nula e esquecendo o cigarro, porque a taquicardia de mais cedo tinha voltado com força total e eu não queria morrer ali. Sua mão roubou o cigarro da minha e, sem deixar de me fitar por um segundo que fosse, apagou aquela miséria na chaminé e atirou-o pelo telhado. Eu quase senti pena do pobre cigarro recém aceso, mas como o dinheiro jogado fora era dela mesmo, não consegui me esforçar nessa tarefa. Sua testa encostou-se na minha e, por causa de tanta proximidade, minha respiração começou a ficar falhada. Não por eu estar desejando-a, claro que não! Mas seu nariz ali colado estava roubando o meu ar e esse era o motivo.

"Nenhuma..." Foi a última coisa que ela disse antes de minha mão puxá-la pelos cabelos sem minha autorização (que isso fique bem claro!) e de sua boca parar colada na minha e me beijar como se nada mais importasse.

Que seja! Nada mais me importava naquele momento e eu beijei-a pela minha vida mesmo. Era quem eu tinha por mim e quem se importava comigo naquele momento, então que seja!

...

Conseguimos fazer a B. parar de chorar. Na verdade, isso foi coisa da Rach, que cantarolou uma canção de ninar para acalmá-la enquanto eu acariciava sua cabeça. O devorador desistiu de ignorar a situação e sentou-se em círculo, olhando minha amiga loira deitada no meu colo e com Puck ao seu lado.

"Está melhor?" Foi ousado o suficiente para perguntar e o 'não graças a você' ameaçou saltar da minha garganta, mas fui impedida pela minha namorada negando com a cabeça e por Britt assentindo. "Fico feliz por isso." Olhei para sua cara de pau que estava mastigando a casa toda e nos ignorando como se não estivéssemos ali, há meros dois minutos. Agora ele achava que estava tudo bem? Só porque tinha decidido se importar? Ah, mas isso estava muito errado... "Vem comigo, Britt, eu quero conversar com você lá em cima, que tal?" Me entreolhei com a Rach e com Puck e os dois concordaram – minha namorada com um aceno de cabeça e o ex-delinquente dando de ombros. A loira no meu colo me olhou e motivei-a a ir.

"Você acha mesmo, Q.?" Sua pergunta foi baixa.

"Acho sim, B., e nós estaremos aqui embaixo caso precise." Disse olhando em olhos para assegurá-la de que estaríamos ali pra ela. Se eu for sincera, não estava querendo que ela conversasse com aquele egoísta, mas como a Rach achava que faria bem, não iria impedir.

"Tudo bem, padre Brandon, vamos conversar." Britt falou se levantando do meu colo e olhando para o homem que tinha feito a sugestão. O ex-clérigo sorriu leve e acalentadoramente e esticou sua mão, que B. segurou.

"Sem o 'padre', por favor e isso não é uma confissão, okay? Só quero ouvir o que se passa contigo porque eu já passei por algumas coisas na vida, talvez eu possa ajudá-la." Britt sorriu para ele e enxugou as lágrimas. Concordando com a cabeça, colocou-se de pé junto com Brandon, que ainda segurava sua mão. Coisa que durou pouco, já que assim que os dois se olharam de pé, ela agarrou-o pela cintura e chorou em seu ombro. "Minha criança, tudo vai dar certo..." Ele disse afagando seus cabelos e ameacei pular em meus pés para ajudar minha amiga, mas Rach me segurou.

"Deixa eles conversarem primeiro." Foi seu sussurro em meu ouvido e virei meus olhos pra observá-la me olhando vulnerável e certa ao mesmo tempo. Mordi a bochecha e olhei pra B., que estava nos braços de Brandon, que a levava da cozinha. Abri a boca para perguntar pra onde iam, mas minha morena foi mais rápida. "Eles vão lá pro quarto dos meus pais conversarem." Disse entristecida e assenti com a cabeça. "E nós não vamos mais ver nosso filme..." Terminou mordendo o lábio e olhando pra baixo. Eu sorri só por ela ser tão adorável. Ou melhor, pela minha namorada ser a garota mais incrível do mundo. "Que foi?" Ela me perguntou depois de ver o meu sorriso de boba apaixonada. "Quinn Fabray, eu não acredito que você está feliz por nós não conseguirmos assistir ao filme? Ora essas, saiba você que Noviça Rebelde foi um filme aclamadíssimo, onde, além de ser magicamente interpretado pela maravilhosa Julie Andrews, que obviamente só perde pra Barbra em alguns pontos cruciais, mas disso todos sabemos, tinha todo um fundo histórico sobre o nazismo e..."

Não existe melhor maneira de deixar Rachel Berry calada do que com um beijo. Na verdade, tem sim, quando esse beijo vira dois, três e ela acaba te prensando na parede e sentada no seu colo, em pleno chão da cozinha.

...

"Espera, Santana!" Confesso que aquela frescura nem me chamou atenção, só fato de suas mãos estarem nos meus ombros. Mas de que diabo essa menina estava falando?

"Nossa, isso é quente!" Eu não quebrei o pescoço, mas foi por pouco. Aquela frase só poderia ter sido dita por alguém. Um alguém com pouco cérebro, uma boca bagaceira e que agora era do sexo indefinido. Abri a boca para mandá-lo se perder ou morrer, mas a morena embaixo de mim começou a se levantar e chamou minha atenção, até então naquela siliconizada figura estropiada em minha frente, com um sorriso tão cretino quanto sua pessoa e ameacei levantar e socá-lo embora de sua cara de pau. "Opa, desculpa atrapalhar." Não, o abuso dessa hermafrodita não tinha limites e ele foi pegar um cigarro da miss, que pareceu não ligar. "Só vim pegar um desses, já que vocês estão com a boca ocupada mesmo, não vão precisar." Safada e sacana essa trans, não perdia por esperar.

"Que bom que você não precisa de dentes na boca para fumar." Sim, eu já estava de pé e indo em sua direção para fazê-lo engolir sua piada escrota e seus dentes podres. A menina má ponto com resolveu largar sua burrice naquela laje e virar-se depressa em seus saltos quinze para voltar pra seu posto como cobaia de experiências falidas. Desisti quando o vi jogar seu corpo turbinado rumo ao telhado como o ardiloso bandido que havia sido antes de se entregar para o bisturi. Cruzei os braços com raiva ao vê-lo fugir sorridente com todo o maço de cigarros e me dar um aceno com a mão que quebrarei em breve. Rangi os dentes e reavaliei meu plano de terminar de picotá-lo como uma boneca de retalhos, mas a gargalhada sonora da sorridente me cortou e virei-me para observá-la. Com cabelos desgrenhados e dentes brancos, a top model estava sentada naquele pano de chão velho e sujo. Mas se eu for ser sincera, ela estava realmente linda. "O que foi?"

"Nada, você e o Noah se parecem bastante." Ora que abuso dessa mimada! Não satisfeita em me comparar com o Oompa Loompa ontem, ainda teve a indecência de me colocar no mesmo patamar de Priscilla, a rainha do deserto de Lima. Ah, mas isso estava muito errado! Marchei de volta e estacionei em sua frente, ainda de braços cruzados.

"O que você quer dizer com isso? Ontem eu era igual a Berry e hoje ao Puckerman, qual é a sua?" Perguntei com raiva. Não basta meu dia estar sendo desgraçado desde o momento em que abri os olhos e quase fui cega pela claridade maldita da janela quebrada do hobbit, ela ainda iria me rebaixar ao nível daquela asquerosa dupla Muttley e Dick Vigarista? Meu inferno astral não tinha limites mesmo. Vendo minha postura e minha cara fechada, ela resolveu esconder as canjicas e me responder hoje ainda.

"Ora, Santana, é bem simples, você fala tanto quanto a Rach, ainda mais quando resolve debochar de alguém. Sério, é só parar e reparar. E com o Noah é a simples postura que vocês demonstram ter: frios, insensíveis e durões, muito embora vocês só usem isso pra se proteger, já que se acostumaram a não ter quem o fizesse por vocês. Não acha?" Safada! Quem ela pensava que era? Só porque eu tinha acabado de beijá-la dei liberdade pra isso? Ou ela resolveu me analisar assim, do nada? Não, isso não estava nada certo. Nada estava certo ali e nem na minha vida. Absolutamente nada.

Não sei como, mas estava chorando e correndo daquela laje quando dei por mim. Nem a sua voz ao fundo me gritando interrompeu minha correria e foi quando descobri que a situação faz o ladrão (ou isso, ou algo parecido) porque consegui descer milagrosamente rápido e cheguei viva ao telhado. O primeiro passo errado foi acreditar que os astros tinham me dado uma trégua naquela roda viva que era a minha vida nos últimos dois dias. Mas um erro só sempre foi pouco para Santana Lopez, vamos errar até o final. Isso levou ao segundo passo errado que era confiar naquela telha bagaceira e escorregadia de Berry, esse foi um erro bem mais perigoso que o primeiro, confesso, já que a altura era relativamente grande e eu poderia facilmente quebrar meu lindo pescocinho, ou minhas pernas definidas...

"Você também poderia me ouvir e parar de me dar trabalho, o que acha?" Foi o que ouvi ser suspirado ofegantemente em meu ouvido. Abri os olhos ao sentir um braço me segurando pela cintura e me puxando para cima das telhas e em direção a maldita janela que quase destruiu minha vida novamente. Ela me ajudou a passar por aquele portal para minha morte e eu estava com as pernas bambas por causa da adrenalina, obviamente. "Sorte minha você ser leve como a Rach, porque se eu tivesse que soltar o parapeito da janela para segurá-la, cairíamos as duas." Olhei para seu rosto que ria da minha desgraça, me aprumei com o que sobrava de dignidade em meu corpo e me sentei no colchão, com ela ao meu lado.

"Poderia ter me deixado cair também, não seria a primeira mesmo." Falei desinteressada e regulando a minha respiração e minhas mãos trêmulas.

"Não tinha essa opção." Foi simples e sorridente a sua resposta e pegou minha mão na sua, mesmo depois que tentei puxá-la. O que essa menina estava querendo?

"O que você quer dizer com isso?" Minha vista estava turva e provavelmente foi por quase ter experimentado uma dessas coisas fantasmagóricas, meio 'Ghost', não sei. Dizem que isso mexe com os sentidos das pessoas, elas se tornam mais vulneráveis e...

"Que eu estou aqui pra salvá-la." Ao fim dessa frase, eu me encontrava no colo da menina e dessa vez nem fui eu que a agarrei contra a minha vontade, mas ela que me puxou e me abraçou como se eu fosse uma criança que precisasse ser ninada e cuidada. Levantei o rosto de seu pescoço para olhá-la e minha visão estava mais embaçada que vidros de carro na calefação, mas pude ver que ela me sorria. Ou isso, ou imaginei, mas aquela menina vivia rindo mesmo, então eu deveria estar certa. Falando nisso, será que ela fez algum botox errado e ficou assim, com um sorriso congelado? "Eu vou cuidar de você." Não, o sorriso não tinha congelado em sua cara plastificada, porque ela me olhava com uma certa tristeza e carinho. Do mesmo modo que minha vista não estava nebulosa pela minha proximidade de cruzar a linha do mundo dos mortos. É, era hora de ser sincera, pelo menos comigo.

Para me ajudar em meu momento emo, ela resolveu descer o nível e cantar em meu ouvido com aquela voz melódica e doce, numa cantoria derrotada que entristeceria até a maconheira cor de rosa da Pollyanna.

"When you try your best but you don't succeed

(quando você dá o seu melhor, mas não tem sucesso)

When you get what you want but not what you need

(quando você tem o que quer, mas não o que precisa)

When you feel so tired but you can't sleep

(quando você se sente tão cansada, mas não consegue dormir)

Stuck in reverse

(presa em contramão)

And the tears come streaming down your face

(e as lágrimas escorrem pelo seu rosto)

When you lose something you can't replace

(quando você perde algo que não pode ser substituído)

When you love someone but it goes to waste

(quando você ama alguém, mas o amor se esvai)

could it be worse?

(isso poderia ser pior?)

Lights will guide you home

(luzes vão te guiar para casa)

And ignite your bones

(e acalentar seus ossos)

And I will try to fix you

(e eu vou tentar te consertar)"

Dito isso, levantei meu olhar e olhei fundo em seus olhos. Ela apenas balançou a cabeça e limpou minhas lágrimas, continuando a me torturar.

"Tears stream down on your face

(lágrimas escorrem pelo seu rosto)

When you lose something you cannot replace

(quando você perde algo que não pode ser substituído)

Tears stream down on your face

(lágrimas escorrem pelo seu rosto)

And I

(e eu)

Tears stream down on your face

(lágrimas escorrem pelo seu rosto)

I promise you I will learn from my mistakes

(eu te prometo que vou aprender com meus erros)

Tears stream down on your face

(lágrimas escorrem pelo seu rosto)

And I

(e eu)"

Continuamos nos encarando de um modo sincero e revelador demais que me dava calafrios por toda a espinha. Até que ela balançou a cabeça e ajeitou uma mecha do meu cabelo que cismou em cair em meu rosto. Depois de me sorrir seu sorriso encantado, passou a mão em meu rosto e sussurrou devagar, ainda sorrindo.

"Lights will guide you home

(luzes vão te guiar para casa)

And ignite your bones

(e acalentar seus ossos)

And I will try to fix you

(e eu vou tentar te consertar)"

"Você vai fazer o que é certo, eu acredito em você, Santana." Me disse ao me abraçar apertado.

"E o que é certo?" Perguntei baixo porque não ia falar com aquela voz chorosa e de taquara rachada.

"Ficar ao lado da sua melhor amiga." Ok, alguém só podia ter drogado essa menina, não era possível. Afastei meu rosto do seu ombro e encarei-a sério, não era possível que ela estivesse me pedindo aquilo, não era!

"Você só pode estar brincando!" E era de um mau gosto que eu vou te contar, hein? Sua resposta foi balançar a cabeça e continuar acariciando meu rosto. Me afastei ainda mais dela porque aquilo era ridículo. "Ela me traiu, ok? Eu não vou simplesmente voltar a ser a madrinha daquele bebê com genes inválidos. Isso não é justo comigo, não é!" Sim, eu tinha acabado de me descontrolar novamente e a culpa era dela mais uma vez. Tentei me levantar, mas seu abraço era forte.

"Não, não é justo e eu sei disso." Rá! Essa menina era quem, Freud?

"E eu vou fazer isso porque todos merecem perdão, obviamente, e ela estar grávida do perneta foi um mero erro, que eu tenho que relevar porque ela sempre foi minha melhor amiga e porque eu caí no erro de me apaixonar por ela?" Talvez eu tenha gritado em sua cara, mas ela merecia e o maldito nó na garganta deixava minha voz estrangulada e era difícil falar e tudo mais. Sua resposta foi balançar a cabeça lentamente e limpar minhas lágrimas, sorrindo triste.

"Não, Santana, eu não estou te pedindo pra relevar nada, você não entendeu." Sério, a calma daquela menina me irritava e muito.

"E a explicação é?" Não estava no clima para joguinhos, não hoje.

"Você vai fazer isso porque você é a melhor amiga dela e sempre foi. Você vai fazer isso por si mesma e não por ela. Você vai fazer isso porque algum dia, no futuro, você vai olhar pra trás e se arrepender de não ter estado lá para ela, como foi com a Quinn. Por você, Santana, porque é o certo e sabemos disso e eu sei que você não dormirá caso não fizer." Pronto, agora sim, eu detestava aquela menina metida a sabichona com uma música deprimente sempre a me destruir, olhos verdes como folhas de floresta e rindo como se soubesse de tudo. Ela não sabia!

"Eu não me importo mais." Falei tentando me levantar.

"Você sempre vai se importar. Não cometa o mesmo erro duas vezes." Ah, mas era uma piadista essa menina! Por que não davam um show de stand up pra essa garota logo? Abri a boca para dar uma resposta atravessada em sua cara abusada, mas ela me cortou sem aquele sorriso saliente na cara, mas falando sério. "Você vai estar lá pra ela e eu vou estar aqui pra você, é como são as coisas." Tudo bem, talvez eu tenha me acalmado só um cadinho depois disso.

"Por que?" Perguntei baixo.

"O que?"

"Por que você vai cuidar de mim e quer que eu cuide da Brittany?" Não que eu esperasse um relacionamento com ela, mas veja bem, isso era ridículo! Como alguém pode sugerir isso? A menos que ela fosse realmente uma santa... Ay, Dios mío! Eu peguei uma santa! Somando isso aos outros pecados que devo ter cometido na vida, eu com certeza estou com uma entrada vip para o resto da minha eternidade no inferno.

"Porque eu só vou te deixar cuidar de mim quando tiver certeza de que você a poderá cuidar dela como amiga e não como amante. Nem eu sou assim tão altruísta, Santana." Ela falou sorrindo e revirando os olhos e eu sorri. Bem, pelo menos não tinha esse pecado pesado nas costas. "E então?" Ela me perguntou e respirei aliviada, encostando minha testa na dela, que sorriu.

"Acho que, além da Quinn, você é a única pessoa que já acreditou em mim. Não, a Berry também acreditou um vez..." Ora, eu precisava ser sincera e o hobbit realmente tinha me dado um voto de confiança quando eu não merecia nada vindo dela. A modelo só balançou a cabeça e sorriu. "Eu vou... tentar." Sussurrei baixo e de olhos fechados porque aquela frase era terrível de ser dita. Quando abri os olhos, me deparei com seu sorriso meigo. "Mas não vá se achando, mulher maravilha..." Avisei para que ficasse bem claro, não sou mulher de fazer mistérios.

"Não estou me achando, Lopez." Sorriu segurando minha cintura e eu beijei-a. Não foi como os outros beijos, não foi agressivo e nem repleto de necessidade de engolir sentimentos. Também não foi magoado como o último que troquei com a Brittany, mas foi acalentador. Daqueles que dão uma quentura estranha no peito e passam certa eletricidade pelo corpo todo. Não foi corrido também, e eu não me lembro de alguém ter me beijado com tanta ternura há tempos, foi romântico e, que Deus me perdoe, até vulnerável. Como esperado, parou o mundo todo ao redor por uma eternidade, ou só até nos separarmos, nos olhando fundo. Talvez eu até tivesse um sorriso que refletia o dela.

"San..." Olhei para trás e Brittany estava chorando na soleira da porta, atrás dela estava o cupim com uma mão em seu ombro e uma cara fechada. Voltei o olhar para a morena embaixo de mim que também não sorria. Sorrisos duram pouco, Santana Lopez, você melhor do que ninguém deveria saber.

...

Ela estava suspirando ofegante embaixo de mim e só me dei conta do que estávamos fazendo quando precisamos interromper o beijo por faltar de ar. Diferente das outras vezes, não encostei minha testa na sua, mas observei-a minuciosamente e a garota que eu amava era assim, linda. Sua respiração era rápida e seus cabelos loiros estavam bagunçados, com um ar sexy de cama. Mordi o lábio em instinto (sim, eu tenho essa mania) e continuei a analisá-la. Seus olhos cerrados demonstravam interesse em saber o porquê da minha apreciação repentina por sua pessoa. Não, na verdade, não tinha absolutamente nada de repentina naquela admiração e ambas sabíamos a essa altura. Só observá-la já não me era satisfatório, sendo assim, acariciei os contornos do seu rosto com a ponta dos dedos de uma das mãos que me ajudava a equilibrar-me em seu colo (claro que isso já não era necessário, afinal, suas mãos estavam ambas em minha cintura). Ao sentir meu toque, ela fechou os olhos e suspirou fundo. Sorri comigo e voltei a olhar seu rosto cautelosamente, tentando descobrir o que ninguém ainda tinha visto, algo que me assinalasse um 'eu descobri Quinn Fabray'. Parei com os dedos em seu supercílio e a vi abrir os olhos e me olhar confusa. Sorri levemente e beijei a ponta dos meus dedos antes de levá-los de volta a pequena cicatriz que se encontrava ali. Quando percebeu o que eu tentava mostrar com atos, minha loira sorriu.

"Eu caí de bicicleta com cinco anos. Nem lembrava que tinha cicatriz e foi um ponto só, mas eu confesso que a quantidade de sangue me fez chorar e entrar em pânico." Falou e se encabulou. Se eu pudesse escolher uma de suas expressões preferida, seria essa. Não só por suas bochechas ficarem coradas e pelas suas feições infantis, mas pela vulnerabilidade que me passa. Uma que me garante ter o que vem por baixo da Quinn Fabray conhecida e temida em toda escola e desejada por toda cidade. Ou melhor, por quem tivesse olhos. Ela me sorriu fofa, interrompendo meu devaneio.

"Você é linda, sabia?" Falei sem ao menos me dar conta.

"Eu te amo, sabia?" Não existe explicação que se aproxime do efeito que essa frase teve em mim. Nem se eu conseguisse ganhar todos os prêmios dispostos para todos os diferentes tipos de desempenho artístico (feito só realizado pela minha querida Barbra), nada poderia se comparar com aquilo. Minha cabeça estava nas nuvens, meu coração estava martelando minhas costelas como uma grande bateria, o ar me foi sugado dos pulmões e minha boca ficou seca, como se eu tivesse corrido por todo o mundo. Eu estava rindo como uma maníaca, me certifiquei quando a vi me sorrindo encabulada.

"É verdade?" A pergunta do prêmio, a mais valiosa até aqui. E os tambores rufavam dentro do meu peito, meu sangue pulsava como um vulcão em erupção, minhas mãos tremiam como se eu tivesse levado um choque...

"É verdade." Sua resposta demorou, mas veio. Ela provavelmente viu o meu estado de nervos esperando que respondesse. "Como eu poderia não amá-la?" Perguntou agora acariciando o meu rosto, posição contrária da que estávamos antes.

"Bem, é uma questão interessante, Quinn, mas eu tenho certeza de que existem muitos motivos para..." Seu dedo em meu lábio me calou.

"Existem motivos pra que eu não a ame, claro, e sempre haverão." Concordei com a cabeça porque era exatamente o que eu iria dizer, caso não tivesse sido interrompida. "E ninguém melhor que eu para listá-los." Certo, confesso que ouvir aquilo me deu calafrios de medo por todo o corpo. "Você não somente se exige, mas acaba exigindo demais dos outros e é perfeccionista demais. Além de ser uma diva quando quer, com todas aquelas saídas dramáticas e essas coisas das quais não entendo tanto. Temos o fato de você ser mimada também, você não consegue ouvir um 'não' e isso nos leva ao primeiro ponto, de acabar querendo muito dos outros. Você também não tem limites, vai até onde for preciso quando quer algo." Sim, o seu discurso estava me deixando boquiaberta. Tudo que já tinham reclamado comigo, ela estava ali, me jogando na cara. "Ah sim, sem contar o fato de que você se vestia numa combinação entre cinco e oitenta e cinco anos, né? Aquele tanto de crochê daria para aquecer o mundo no inverno." Revirei os olhos, pessoas exageradas essas e a rainha do drama ainda era eu. "Você demonstra muito os sentimentos também, não se protege, o que te torna uma presa fácil para pessoas mal intencionadas. Você é dramática e programa todos os dias da sua vida, desde o acordar até o dormir. Além de falar mais do que o suficiente. Bem mais inclusive. Estou errada?" Balancei a cabeça negando. Bem, ela não estava errada, mas pelo amor de Barbra! Eu tinha que ter alguma qualidade também, não era possível. "Que foi?" Me perguntou depois de me ver olhá-la atentamente.

"Eu tenho alguma qualidade?" Se era pra balancear, pelo menos deixasse o bom para o final.

"Esse é o problema em questão, Berry." Ooookay! Fitei seu rosto e deveria estar pálida e inexpressiva, já que senti meu sangue gelar em minhas veias. Depois de sua pausa assassina (porque aquilo não era uma pausa dramática, estava para além disso, rompendo as barreiras do humanamente suportável pela curiosidade de outra pessoa), resolveu poupar meu coração. "Veja bem, eu não encaro as coisas como defeitos ou qualidades. Não há como separar uma pessoa em duas caixas, o que fica e o que vai. Entende?" Não! Com isso ela queria dizer que eu não tinha qualidade nenhuma? Oras, e meu talento vocal e artístico? Eu duvido que ela encontre... "Você é tudo o que eu acabei de dizer, Rach, mas é ainda mais do que isso, entende?" Não, definitivamente eu não entendia. "Você é persistente com todos até o fim e eu a amo por isso, por simplesmente não desistir de mim como todos fizeram. Você também fala em parágrafos, mas acho isso incrivelmente adorável, principalmente quando eu consigo te roubar a fala. E você sabe que tenho meus métodos." Uma piscada seguiu esse discurso e, caso eu tivesse alguma dúvida, ela teria voado pela janela naquele momento, ou ficado presa em minha garganta. Ainda com sua mão em meu rosto, continuou. "Você não tem limite para nada e isso me faz acreditar que eu posso tudo quando estou contigo, sabe? Como se você fosse uma força motora que me impulsionasse ao alto. Porque pra pessoas como você, isso funciona de dentro pra fora e pra gente como eu é fora pra dentro. Você também não se protege e é extremamente expressiva, mas não precisa mais se preocupar com isso, eu estou aqui para cuidar de você e dos seus sentimentos. E eu adoro quando você verbaliza ou expressa o que te satisfaz..." Isso foi um sussurro e mordi o lábio com força para não gemer. Seu sorriso foi sacana e ela balançou a cabeça. "Hum... e suas saídas dramáticas. Sim! Bem, com elas eu tenho um problema mesmo..." Falou e voltou a me olhar séria.

"Qual..." Não foi uma pergunta porque minha voz tinha tirado férias desde que a minha loira resolveu começar o seu discurso. Ela sorriu ao ver o que fazia comigo.

"Não me deixar para trás numa dessas saídas. Promete que vai conversar comigo quando as coisas não derem certo? Porque eu não estou aqui para abrir mão de você, Rach, mas preciso que não saia dramaticamente da minha vida também." Ela olhou para baixo e eu estava concordando com a cabeça, eu sabia o quanto isso a havia magoado, o fato de todos terem ido embora de sua vida e de não poder confiar em ninguém.

"Quinn,..." Segurei seu rosto para que minha mensagem fosse bem entendida, menos pelas palavras e mais pelas ações e expressividade (tinha que me servir de algo, né?). Ela, enfim, olhou nos meus olhos. "Eu posso perder a minha carreira e a minha voz, mas não posso abrir mão de você. E acho que você tem idéia do quanto isso me importa, o que nos leva ao quanto você me importa..."

"Não, Rach, eu não quero nunca que você abra mão do seu sonho por mim, mesmo que eu não consiga..." Minha vez de silenciá-la com meu dedo.

"Não, Quinn, você não entendeu. Eu não estou aqui te dizendo que abriria mão de tudo isso por você. Porque, pelo que entendi, é por tudo isso que você me ama, não é?" Esperei sua resposta e minha hipótese estava correta. "E é exatamente onde eu quero chegar. Do mesmo modo que eu não posso desistir da minha voz e da minha carreira por serem quem eu sou, é menos possível ainda que eu possa sair da sua vida, ou deixá-la sair da minha. Entende?" Ela sorriu meiga e acordou com a cabeça. "Então, isso aqui é Rachel Berry: a garota de um talento inexplicável e que nunca deixaria seus objetivos, Nova Iorque, Broadway e ser aclamada e querida pelo mundo porque você sabe que eu sou uma diva." Sorrimos as duas. "E essa Rachel Berry sempre foi e sempre vai ser de uma certa Quinn Fabray, por maior que seja a fila do teatro e a quantidade de fãs, ou jornais, ou peças e prêmios. Porque eu sempre soube o que eu queria para mim e fui atrás dos meus sonhos. E eu sempre quis você, Quinn Fabray, e nunca cansei de te esperar e esperaria mais nove anos se fosse preciso e..." Meu discurso foi cortado por uma alegre e salgado beijo, mas dessa vez não me irritei. Pelo contrário, me senti completa na vida, como um quebra-cabeças montado. Sim, faltavam algumas pecinhas, mas a forma que era para ser tomada já estava pronta. Ou melhor, estava me beijando com paixão e vulnerabilidade embaixo de mim. O resto era uma simples questão de encaixe.

...

Brittany me balançava sua cabeça loira e chorava e a morena me motivava a ir atrás da loira enquanto a traça vestida me fuzilava com os olhos. Bem, é claro que o dia não estava ruim o suficiente, bobagem. Dito isso, Brittany correu para o corredor e permaneci estática, olhando para o espaço que ela tinha acabado de ocupar.

"Vai atrás dela, ela precisa de alguém." A morena me falou e olhei em seus olhos, buscando por alguma hesitação em seu pedido e, quando não achei nenhuma, voei daquele colchão e corri atrás da Britt a tempo de encontrá-la rumando para a porta de saída. Os mil degraus daquela escada infinita de Berry foram saltados de três a três. Certo, confesso que foi algo perigoso, mas cheguei ofegante e a tempo de segurá-la pelo braço.

"Precisamos conversar, Brittany." Disse séria e puxando-a para mim.

"Sobre o quê? Você vai me abandonar e ficar com ela?" Sua voz era chorosa e eu teria sentido raiva se não soubesse que ela estava naquela situação desagradável. Controlei meu gênio, não precisava de mais lágrimas hoje, ressecariam minha pele de pêssego.

"Eu estou aqui pra você e sou sua melhor amiga, não vou te abandonar." Certo, dizer essa frase me doeu profundamente, principalmente quando me lembrei de nossa conversa ontem, sobre levá-la ao altar para entregá-la ao aleijado hipócrita. Mas era disso que ela precisava e era o que eu podia oferecê-la. Só isso. Por mais que me partisse o coração, era o que precisávamos e como a modelo tinha me torturado cantando mais cedo, não é hora de ter o que eu quero e sim o que preciso.

"Mas e a Katie? Vocês..." A antiga Santana diria algo parecido com 'não é mais problema seu', mas a Britt merecia mais de mim. Se alguém merecia uma nova Santana, era ela. Mas eu também não esticaria minha perna além do que podia, porque aquela menina quase santa me fez perceber que eu também precisava de alguém e não era da Brittany ali, naquele momento. Eu merecia mais do que ele poderia me oferecer.

"O que quer que eu tenha com ela não vai nos afastar e eu vou estar aqui pra você." Falei tão sincera quanto pude e olhei fundo em seus olhos. Não sei o que estava acontecendo comigo, mas aquela aura de novela mexicana que envolvia a casa de Berry estava começando a me dar alergia, só isso explicaria o fato de ter ficado com a vista embaçada mais uma vez no mesmo dia. Percebendo isso, minha melhor amiga se jogou em meu colo.

"San, eu tô com tanto medo..." Foi seu choro em meu ombro.

"Eu também, Britt, eu também..." Não é a melhor frase para se reconfortar uma pessoa, mas era o que tinha pra hoje. Abracei-a forte e chorei em seu ombro. Porque aquilo me doía de tantos modos que eu não sabia nem enumerar. Não era simplesmente traição, nem coração partido, também não era só sofrimento pela minha melhor amiga, mas eu estava abrindo mão da garota que achei que seria para sempre o amor da minha vida desde a minha infância. Mas a gente cresce e tem aquela porcaria toda de escolhas e nem sempre somos nós que tomamos as decisões que mudam tudo, mas sem querer essas decisões mudam tudo na gente também. Situação escrota e desgraçada.

"O que a gente faz, San?" Ela se afastou e me olhou nos olhos. Limpei seu rosto e sorri, ou talvez tenha feito uma careta, não sei muito bem.

"Continuamos a nadar." Seu sorriso foi doce e triste e eu sei que ela se lembrou das incontáveis vezes que me fez assistir esse desenho desse peixe Nemo imbecil e perdido (porque ela costumava se dizer como Dory, o peixe desmemoriado que nadava sem saber pra onde ia, ou seja, lugar algum). Isso fez com que ela secasse os meus olhos e me olhasse sorrindo.

Me virei ao ouvir passos e lá se encontravam a modificada careca, o Pacman que devorava o que estivesse pela frente e a religiosa e santa, me dando um sorriso orgulhoso que me fez ficar embaraçada. Antes que pudesse me sentir culpada pelo que estava acontecendo naquele mausoléu, o herege e sua boca imperdoável degolaram o silêncio.

"Somos um grupo e trabalhamos como um, não é mesmo?" Depois dessa filosofia barata de boteco de rodoviária, motivou-nos todos a darmos um abraço em grupo, como aqueles perdedores do grupo de futebol fazem antes de nos envergonharem com tanta incapacidade atlética. "Nós cuidamos uns dos outros e não importa o que aconteça, estaremos juntos." Falou continuando seu discurso real e fiz questão de cortá-lo antes que resolvesse começar o tricô como se fôssemos um grupo de velhas surdas.

"Grupo ou karma, dá no mesmo. Agora vamos pedir algo pro almoço antes que eu morra de fome, já que você não perdoou nem os talheres." Joguei em sua cara perdedora mesmo, não sou de meias palavras.

"Eu tô morrendo de fome mesmo. Vamos pedir uma pizza? Vou pegar o telefone." Isso foi a marombada e depilada mucama de Berry, que soltou antes de ir pegar o número do botequim no qual nos faria comer.

"Peça uma vegana pra Q. e Berry e nós vemos outra pra nós, Puck." Falei para a marginalizada traveca de esquina que me sorriu cretinamente antes de voltar a seguir seu rumo torpe. Olhei ao redor e todos me olhavam como se tivessem visto um fantasma. Mais um, na verdade. Porque esse povo tem um olho de Tandera que deve ver até em raio-x. A boca arreganhada estava vazia pela primeira vez do dia e Brittany e a miss simpatia sorriam como se soubessem de algo. "O que é?" Perguntei fuzilando aqueles três, que balançaram a cabeça e se entreolharam, negando qualquer vínculo satânico que tenho certeza que os ligava. Segurei meu olhar nas esmeraldas claras em minha frente que, sorrindo, só se deu ao trabalho de abrir o braço e me enfiei entre ele.

"Eu estou orgulhosa de você, Santana Lopez." Foi o que me sussurrou antes de beijar minha testa. Talvez eu tenha corado, mas pode ter sido o reflexo de sua camisa de um vermelho que parecia estar aceso e flamejante, assim como a cabeça oca da sua irmã.

"Certo, que seja." Respondi depressa e com um quê de vergonha (porque aquele dia estava vergonhoso mesmo) e virei para Britt, que se sentava no sofá junto da boca nervosa do grupo e me sorria entre triste, contente e perdida. Respondi com o mesmo sorriso, não podia dar mais nada do que já tinha ali e, por mais triste que fosse, me senti melhor ao olhar o sorriso compreensivo da morena me abraçando (estou pra descobrir quantos mil tipos de sorriso essa menina tinha, porque eram muitos, muitos mesmo) e dei de ombros.

...

Aquele beijo que tinha começado de modo doce e gentil tinha virado algo que rumava para necessidade. E eu deveria estar acostumava com isso já. Não poderia existir ninguém além da Rach que acendesse todas as terminações nervosas do meu corpo. Não tinha existido até hoje e, depois de estar com ela, eu não iria apostar minhas fichas que pudesse existir tal ser com o poder físico que ela exercia sobre mim. Talvez não seja só comigo...

Dane-se! De agora em diante, seria só comigo e para provar meu ponto de vista, mordi seu pescoço com força (porque ela é minha e quero que todos saibam). Bom, a onde de proteção (porque eu não sou uma pessoa ciumenta, que fique claro) somada ao gemido grave e rouco que ela me deu incendiaram o meu corpo todo e me afastei para olhar em seus olhos. Só posso dizer que se meu objetivo era parar o que estávamos fazendo, o plano foi completamente por água abaixo. Mas meu bom senso só fugiu de mim quando ela resolveu me lançar seu sorriso torto e morder o lábio inferior. Respirei fundo e tentei acalmar os tremores elétricos que percorriam meu corpo e busquei beijá-la mais uma vez. Em vão, já que ela se afastou. Depois de uma breve confusão, entendi que ela estava se fazendo de difícil e esperei por seu próximo movimento.

"Sabe, baby, eu sempre tive uma espécie de fetiche com cozinha, o que acha?" Foi sussurrado em meu ouvido e minha única resposta foi gemer alto quando a senti morder minha orelha. Bem, isso pareceu ser a resposta certa, já que ouvi seu risinho baixo em seguida. "Acho que isso é um sim..." Continuou a me torturar assoprando rouca e lambendo meu pescoço em seguida.

Suas mãos estavam apoiadas na parede atrás de mim e desci as minhas de sua cintura para sua bunda, apertando-a com gosto, o que me deu o resultado desejado. Pois bem, eu tinha uma Rachel Berry arfando, gemendo e cavalgando em meu colo e fiz a única coisa sã que qualquer pessoa faria se conhecesse os amigos que tinha e a própria sorte.

"Rach, a gente precisa parar..." Sussurrei em seu ouvido e beijei seu pescoço. Não, isso não era eu apenas provocando, ela era assim, irresistível. Meu pedido não funcionou e no segundo seguinte sua mão estava em meu peito, colando-me na parede. Aproximou seu rosto do meu lentamente, mas quando fui beijá-la, simplesmente mordeu meu pescoço com força e em um ponto que não deveria ser mexido. Pois é, eu estava uma bagunça, entre gemidos e urros, ela só ria levemente no meu pescoço.

"Tem certeza, meu amor?" Não. Eu tinha certeza de que ia morrer se ela continuasse a brincar assim comigo. Passei minha mão por dentro de sua blusa e puxei-a com força para um beijo que era tudo, menos morno. Entre mordidas, gemidos e lambidas, ela resolveu continuar e colocou a mão por dentro da minha blusa.

"Rach..." Suspirei e pedi para o que fosse que ela entendesse aquilo como um 'pare', mas não tive tal sorte e sua mão arranhava a minha barriga. O melhor sempre acontece quando nós deixamos de lado as preocupações. Digo, na maioria dos casos, não nesse. Quando resolvi que não iria esperar até que ela não estivesse mais machucada e iria ignorar as pragas que tinham que estar ali, nós seríamos interrompidas. Puxei-a pelos cabelos com uma das mãos enquanto a outra tinha voltado para sua bunda, sua respiração forte e entrecortada, seus gemidos altos e roucos e sua mão que se preparava para tirar a minha blusa nos deixaram suando, sem contar em sua cavalgada no meu colo que estava me ajudando a perder água de outro modo... Até o desgraçado do meu destino de azar intervir mais uma vez.

"Opa, desculpa!" Uma frase que eu nunca odiei tanto em toda a minha vida e uma pessoa que estava pedindo para morrer tinham que cortar o momento. Não, Puckerman ainda resolveu derrubar uma cadeira com sua falta de habilidade e de timing. "Desculpa, de verdade! É que o pessoal tá com fome e nós resolvemos pedir uma pizza e eu vim pegar o telefone que fica na geladeira e achei que vocês estivessem no quarto fazendo... er, isso. Hum. Se eu soubesse..."

"Noah, cala a boca! Pela nossa amizade, só fica quieto." Minha morena disse tremendo em cima de mim e antes que eu pudesse ameaçá-lo ou jogar uma faca afiada em sua garganta. Ela abriu os olhos e balançou a cabeça, visivelmente tão irritada (e excitada) quanto eu e me sussurrou. "Você realmente falou sério sobre aquilo de drogá-los? Sabe de algo que funcione?" Eu tive que rir da sua fofura e beijei sua bochecha, me aproximando para dividir o segredo.

"Sei sim. Nós só precisamos achar a dosagem certa e..." Minha frase foi interrompida por seu grito.

"Quinn, rápido, vamos googlar isso! Alguém com certa sabe e vai poder divider conosco!" Falou pulando do meu colo e me oferecendo a mão, enquanto eu não sabia se ela estava brincando ou não, ela batia o pé, me esperando. "Vamos, Quinn, precisamos ser rápidas, sabe-se lá o que pode acontecer ainda e você sabe que sempre tem um assunto atrapalhando..." Antes que ela pudesse terminar o seu discurso, eu já estava de pé e segurei sua mão, puxando-a para fora daquele lugar para conseguirmos, enfim, o que precisávamos.

"Esperem aí, meninas! Vamos pedir pizza e fazer um grande almoço em família. A Santana e a Brittany se resolveram e precisamos comemorar as novas." Certo, saber sobre a situação da S. e da B. me fez parar e o mesmo aconteceu com a Rach, que me olhou.

"Não é bom pro bebê se dermos isso pra Britt não, né?" Sua pergunta foi sussurrada em meu ouvido e balancei a cabeça. Provavelmente não era bom. Quer dizer, grávidas não podem fazer nada e eu sei disso porque já estive do outro lado... Parei com meu devaneio ao olhar a cara emburrada e bicuda da minha namorada que virou sua raiva para mim. "A culpa é sua, Quinn!"

"Culpa de quê?" Perguntei me assustando enquanto Puck nos olhava como se fôssemos duas loucas.

"Shhhh! Você sabe muito bem do que estou falando!" Sua resposta revoltada a faz ignorar aquele empata, se virando para mim e voltamos aos sussurros. "Era pra termos feito isso ontem, nós devíamos ter visto isso tudo e acionado o plano já! Mas não, claro que não daria certo!" Puck cerrou o cenho me olhando e eu dei um sorriso amarelo pra ele antes de respondê-la.

"Rach, a Britt também estava grávida ontem, a diferença é que ela só descobriu hoje..." Sussurrei de volta e ela pareceu analisar o que disse, pois se calou por alguns segundos.

"Mas quando a gente não sabe também é errado? Quer dizer, ontem a gente não sabia e tudo mais..." Antes de ela entrar em mais uma de suas leituras, cortei-a rindo com gosto e se seu olhar matasse, bem, eu não estaria mais aqui. Tentei acalmá-la com um beijo na testa e voltei a nossa prosa baixa, com Puck nos vigiando e falando ao telefone.

"Meu amor, a gente vai chegar lá, prometo..." Disse em seu ouvido e a vi cruzar os braços. "Rach, eu quero tanto quanto você, mas vamos no nosso tempo, tudo bem? Sem correr com nada e..."

"Daqui a nove anos, Quinn Fabray! Você jura? Eu não acredito nisso, não é possível!" Foi seu grito antes de virar-se e marchar dramaticamente para fora da cozinha. Bom, eu fiquei parada no centro da cozinha como um dois de paus e sem contar na cara sacana de Puck me olhando, provavelmente sabendo do que estávamos falando.

"Relaxa, Quinnie, ela vai voltar daqui a pouquinho quando vir o que está acontecendo na sala." Foi de um deboche desgraçado sua frase desnecessária. Mas enfim, o que ele queria dizer com aquilo?

"O que é que está acontecendo na sala?" Antes que pudesse perguntar, minha namorada voltou marchando e nos olhou na expectativa. Tirei meu time de campo porque eu realmente não tinha nada a ver com o que quer que estivesse acontecendo ali. Puck apenas me olhou com um olhar vencedor e revirei os olhos pra ele, para que ficasse pianinho depois de nos atrapalhar e ainda querer vir dar uma de melhor do mundo. Se o meu humor estava péssimo, era cem por cento culpa dele.

"Você viu como as coisas estão divertidas? A Kay e a San..."

"Do que você ta falando, Noah?" Seu tricô foi interrompido pela minha revoltada namorada. "O que a Katie tem a ver com a Santana? Eu quero é saber o que o Finn, o Artie e o Kurt estão fazendo na minha sala. Pode me explicar?" Que diabo estava acontecendo ali agora? Segui o olhar de ira da minha diva e dei de cara com um Puck pálido e de boca aberta, ainda segurando o maldito telefone do inferno, que logo deixou cair e saiu voando da cozinha. Arqueei uma sobrancelha pra Rach que apenas me balançou a cabeça e voltou para perto de mim. "Por que tanto azar? Por que conosco?" Disse em seu gesto dramático, lançando suas mãos aos céus. Bem, eu tenho que concordar com ela, aquilo estava ridículo já não era possível. Fui pega de surpresa por seu corpo se jogando em meu colo e segurei-a com força. "Será que eles vão precisar voltar aqui para pegar algum maldito telefone ou podemos ter paz?" Me perguntou sinceramente entristecida.

"Depois do que vi o ex-padre fazendo hoje, eles vão precisar é da geladeira toda..." Respondi e beijei sua testa. "Que timing desgraçado é o desse povo, não é possível!" Reclamei sozinha e olhei para Rach que ria baixinho, balancei a cabeça sem entender nada. "O que foi, Rach?"

"A gente podia fugir, ou trancar a porta da cozinha..." Disse desgrudando seu rosto que estava afundado em meu ombro e beijei sua testa, afagando seus cabelos.

"Ou a gente podia se drogar e dormir pra ver se nos livrávamos disso..." Sugeri e ela me entreolhou enquanto medíamos a possibilidade daquela opção. Bem, nossos olhares duraram pouco, Santana gritando e um barulho de vidro quebrando nos fizeram descartar essa hipótese. Grandíssimo filho da puta era esse Finn!