Dia 20:
Aquela manhã parecia ser como qualquer outra a príncipio.
Ali estava Leia adormecida em seus braços com uma expressão tão sublime e inocente que o hipnotizava.
Aquilo talvez teria tanto efeito naquela manhã porque naquela manhã se completavam vinte dias que estavam juntos na Millenium Falcon.
Vinte dias a menos que ainda tinha na companhia dela.
E todos os deuses sabiam que ele não queria deixá-la porque mesmo que tivesse se atormentado por semanas, já era fato consumado que estava completamente dependente da presença dela.
Adorava as coisas mais banais a respeito dela, como o som de sua respiração e a careta que fazia cada vez que eles tinham uma discussão.
E embora ela tentasse muito não parecer muito feminina, seus modos eram tão delicados que a cada vez que a assistia pentear os cabelos, parecia ver movimentos de uma dança.
Era estranho ter se apegado tanto à ela e mesmo assim sentir-se tão livre, tão seguro e ainda por cima havia se tornado alguém muito melhor graças a ela. E por isso seria eternamente grato. Pelo resto de sua vida.
De repente saiu do transe quando ela começou a resmungar se espreguiçando e abrindo os olhos vagarosamente.
- No que estava pensando? Perguntou ela, curiosa.
- Como sabe que eu estava pensando em algo? Perguntou ele abrindo um sorriso.
- Você sempre está pensando em algo. Disse ela beijando-lhe suavemente o lábio.
- Talvez isso seja uma herança da convivência com você. Provocou ele com um tom brincalhão, acariciando-lhe as costas nuas.
- Pois saiba que não tenho pensado muito nos últimos dias. Ela fez uma pausa. – Nas últimas semanas, na verdade. Riu.
- Está dizendo que só está comigo porque de fato não tem pensado no que isso implica?
- Não foi isso que eu disse. Leia se defendeu ao ver os olhos dele se nublarem.
- Sei que não sou bom o bastante para uma princesa. Ele continuou.
- Han, por favor! Disse ela com um tom ranzinza. – O fato de eu ser princesa não tem nada a ver com isso.
- Tem sim, você deveria se casar com um príncipe, um lorde, enfim alguém da realeza. Explicou ele, mais calmo.
- Eu acho que sei muito bem escolher o que é melhor pra mim. E ninguém pode ser melhor que você. Disse ela acariciando o rosto dele.
- Leia, sejamos realistas. Eu sou um ninguém.
- Você é um piloto. O melhor piloto. Disse ela corrigindo-o com orgulho. E eu agradeceria se você parasse de pensar em mim como Princesa Leia. Faz tanto tempo que ninguém me trata como algo abaixo dessa insígnia que eu temia nem lembrar meu nome. Disse ela com um tom no qual ele pode identificar certa mágoa.
- Eu quis dizer que não sou da realeza. Na verdade estou bem abaixo disso. Ele deu um breve sorriso e beijou-lhe o topo da cabeça.
- Talvez seja isso que eu goste em você. Leia confessou. – Você até agora não havia me tratado como se eu fosse da realeza.
- Como não? Acha que o tratamento que lhe dou não é digno de uma princesa? Agora ele suavizou e disse com uma piscadela.
- Espero que somente de uma. Eu. Disse ela rindo.
- Eu a amo, Leia. Assim sem mais nem menos ele disse a frase em meio a uma conversa na qual ela não esperava ouvir isso. Mas mesmo assim ela gostara. E como. Ao ponto de perder as palavras, permanecendo com os lábios semi-abertos olhando-o fixamente.
- Era sobre isso que estava pensando? Disse então após alguns segundos.
- Estava pensando que hoje faz vinte dias que estamos nessa nave juntos.
- É mesmo. Passou rápido. Ela sorriu.
- Rápido demais. Ele suspirou. – Não quero perdê-la Leia.
- Então não perca. Só depende de você, Han. Ela o abraçou mais forte.
- Você sabe que não depende só de mim.
- Pois então eu esperarei por você. Não importa o tempo que você demore. Eu estarei lhe esperando. Ela sussurrou no ouvido dele.
- Não posso exigir isso de você. Ele desviou o olhar.
- Você não está exigindo nada. Essa decisão é minha.
- Você pode conhecer outra pessoa. Ele cogitou.
- Não seja bobo, Han. Depois de você, há somente você. Ela provocou mordendo a orelha dele, fazendo-o arrepiar-se por inteiro e esquecer qualquer preocupação.
Amaram-se como faziam todas as manhãs, pois os dois consideravam a melhor maneira de começar o dia.
Depois disso Han e Chewie voltaram a pilotar enquanto Leia para sentir-se útil já que não havia nada que pudesse fazer na nave, resolveu fazer uma faxina na cabine de Han, pois desde que ela estava ali aparentemente ele nunca a limpara e aquele lugar cheirava a sexo. C3P0 só era ligado nos momentos em que Han ficava com Leia, para qe Chewie não ficasse tão sozinho e tivesse ajuda para cuidar da nave, embora Chewie achasse a companhia do andróide um pouco irritante os dois haviam se tornado amigos.
- Eu disse que a amo. Han disse de repente depois de Chewie fazer insinuações sobre a profundidade do relacionamento de Han e Leia.
- E ela sente o mesmo? Perguntou ele curioso.
- Eu sei que sim. Ela já disse. Ele sorriu com um ar nostálgico.
- Qual o problema então? Perguntou Chewie confuso.
- Você sabe qual é o problema. Não sei se poderei dar a ela o que ela espera. Não sei se sou o homem que ela precisa.
- Não seja idiota! Chewie protestou. – Você pode ser o que quiser ser. Você está com medo!
- Eu não estou com medo, ok? É por isso que estou assustado! Han gritou.
- Não entendi. Perguntou ele confuso.
- Você me conhece, Chewie. Já me viu alguma vez perder o sono por causa de alguma mulher? Já me viu cogitar a possibilidade de mudar de vida, me estabilizar, constituir uma família? Chewie permaneceu em silêncio então ele continuou. – Pois tudo isso aconteceu com relação a ela! E isso me assusta Chewie. Todas as coisas que fugi durante anos, com Leia me soam tão...
- Agradáveis? O wookie sugeriu satisfeito.
- É... Ele suspirou.
- Se você a ama e ela o ama. Não vejo qual o problema. Ela não quer essas coisas?
- Eu não sei... Mas não posso deixá-la me esperando. Ela é tão jovem... Tão bonita...
- Não seja estúpido, Han! Em três anos ela só teve olhos para você. O wookie xingou mais uma vez.
- E durante três anos ela invadiu meus pensamentos...
- Então não abra mão disso. Lute por ela. Livre-se de Jabba e comece uma nova vida.
- Você tem razão, Chewiebacca. Você sempre tem. Disse Han mais aliviado com aquela conversa.
- Que cheiro é esse? Perguntou Han ao entrar em sua cabine depois de ter ligado C3P0 e deixado-o com Chewie pois já estava ficando tarde e ele queria dormir cedo.
- Limpeza, eu acho. Leia sugeriu. – Esse lugar estava um pardieiro.
- Você limpou minha cabine? Perguntou ele em choque.
- Sim. Troquei aqueles lençóis nojentos, esfreguei o chão que descobri ser verde-água veja, e limpei as vidraças.
- Mas eu gostava dela como estava! Ele protestou.
- Estava com cheiro de sexo. Ela replicou.
- Exato! Agora parece quarto de mulher. Disse ele chateado.
- Por favor, porque está limpo é quarto de mulher? Sempre soube que homens eram selvagens, mas não a esse ponto. Disse Leia indignada.
- Desculpe Leia, não quis desmerecer seu trabalho, mas... Você me pegou de surpresa. Disse ele mais calmo, sentando na cama.
- Desculpe por ter mudado tudo, mas eu precisava me ocupar ou vou pirar. Ela explicou.
- Sabe, esse cheiro não é de limpeza. É você. Disse ele inspirando profundamente. – Como conseguirei dormir tendo seu cheiro impregnado no ar, nos meus lençóis...
- Melhor pensar em como conseguirá dormir, me tendo nua ao seu lado nessa cama. Provocou ela encarando-o fixamente.
- Simples, não dormirei pelos próximos sessenta dias. Ele brincou.
- E acostume-se porque a nossa cama quando estivermos fora dessa nave, eu não permitirei que fique com o mesmo lençol por mais que uma semana. Disse ela sorrindo e de repente se desvencilhando dele, percebendo que havia sugerido que dormiriam juntos após aquela estadia na nave.
- Que foi? Perguntou ele, confuso quando ela se virou.
- Nada, é que eu estou tão acostumada à você que não lembrei que teremos que nos separar assim que chegarmos a Bespin. Disse ela com um sorriso triste.
- Sinto-me da mesma maneira. Ele concordou com um beijo gentil na testa dela.
