Disclaimer: SM = dona dos personagens, eu só gosto de mudar as personalidades :D
A resposta para o capítulo até que não foi tão ruim. Mas por favor, continuem me motivando a escrever. Não dói deixar um carinho de review :D
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Capítulo 10 – Apartamento Edward e Jasper.
- Me deixa ir com você. – Edward pediu sentindo o coração apertado no peito.
- Eu te ligo. Eu preciso me acalmar primeiro, acalmar a Jane, ver o que aconteceu.
Bella mal conseguia organizar as próprias palavras enquanto se vestia nervosamente para voltar para casa. Ela não suportaria passar por tudo aquilo de novo, não teria mais forças para suportar outras manhãs recolhendo bebidas espalhadas pela casa, ou escutar algumas garrafas se quebrarem contra a parede no meio da madrugada. Era desgastante demais. Sentia-se ainda mais impotente por pensar que não agüentaria. Egoísta até por não querer que seu pai tivesse outro momento de fraqueza, que ele talvez estivesse necessitando. Tudo de certa forma nunca ficava cem por cento bem. As suposições que rondavam sua cabeça não lhe deixavam menos apreensiva. Quando a voz da irmã quebrou ao telefone, sentiu como se todo o oxigênio tivesse sido tirado dos pulmões e a sensação de desmaio foi forte. Mas com a adrenalina correndo no sangue, não lhe deu outro segundo para pensar em sair dali o mais rápido possível.
Edward assistia a namorada pegar as coisas com pressa, sem realmente saber o que fazer. Sentia-se perdido em toda aquela pressa de Bella de sair do apartamento para resolver outro problema que ela teria que lidar com mais idade mental do que a sua própria permitia. O medo estava estampado em seu rosto, mas ele estava de mãos atadas e nada podia fazer a respeito.
- Me liga assim que se resolver. – Edward implorou com os olhos quando pegou o pulso de Isabella. – E se não resolver também me liga. Não importa a hora, ok?
Ela assentiu e ele puxou o corpo dela para o seu tentando lhe passar com um possível abraço a única coisa que ele podia oferecer; a amizade acima de qualquer outra coisa. A lealdade e segurança que construíram com o tempo de convivência. Mas Bella se afastou com o rosto dolorido e se desculpou com os olhos.
- Se eu te abraçar agora eu desmorono, e eu não posso fazer isso ainda. – ele compreendeu mesmo que magoado e deixou que ela tomasse seu rumo, fechando a porta assim que ela saiu e encostando a testa na madeira, nada menos que preocupado.
Dormitório de Alice.
Os poucos alunos que ficaram em suas moradias na faculdade silenciavam o prédio que Alice morava. A pequena prendia seu rabo de cavalo em frente ao espelho de corpo inteiro dentro de seu quarto quando a batida na porta ecoou o pequeno dormitório. Ela andou pelo piso resfriado pelo ar condicionado ligado, por conta do calor, e foi em direção a porta encontrando Jasper sem o sorriso arregaçado estampado no rosto e levantou uma sobrancelha analisando já inconscientemente. Desde pequena observava demais o comportamento das pessoas e sabia dizer exatamente – quando a convivência lhe era bastante – o humor que lhes presenteava.
Jasper encontrou os olhos persas e o nariz afilado de Alice e não lhe deu tempo para uma palavra quando avançou em sua boca com fervor. A necessidade que tinha de aliviar de outro modo uma preocupação ou frustração sempre funcionara dessa maneira para ele, mas ela sabia contornar a situação e balancear quando era necessário. Assim que ele chutou a porta atrás de si e jogou a mochila no meio da sala, ela quebrou o beijo o olhando com repreensão.
- Vamos conversar, vem. – ela disse séria e o fez revirar os olhos.
- Não quero conversar.
- Não pedi, Jasper. – Alice continuou com o tom sério. – Eu sei que você precisa conversar, eu te conheço o suficiente pra isso.
E ele não teve como argumentar. Os dois jovens haviam se encontrado na vida ainda muito novos, por isso a relação aberta balanceou para que os exageros não transbordassem um amor que poderia ser cultivado aos poucos. Com a seriedade e a sensatez de Alice e a jovialidade de Jasper, os dois manejavam muito bem o que muitos casais há anos nunca conseguiram. Os dois sentaram no chão refrescado do quarto de Alice e ela o ouviu sem dizer uma palavra ou julgamento.
- Você sabe que pisou na bola, Jasper. – ela finalmente disse ao final.
- Sabia que você iria dizer isso. – resmungou balançando a cabeça.
- Claro que sabe. Porque sabe que está errado. – ela esticou o braço pegando um maço de cigarros e ele fez careta.
- Não tinha parado? – perguntou entediado.
- Aos poucos. – ela deu os ombros acendendo e tragando a nicotina antes de prosseguir. – Eu não acho certo o jeito que ele te trata, nem estou tomando partidos. Mas trancar uma matéria que você já repetiu pra evitar o mesmo erro não facilita as coisas pra vocês dois e você sabe disso. Nada que eu for falar é novidade, só que alguém tem que te mostrar o que você já sabe.
- É, Alice. Mas ele quer uma vida pra mim, e eu não quero nada que ele está me oferecendo. Não sou mais criança pra ter uma vida montada pra mim, pra ter alguém no meu pé o tempo todo.
- Mas não parece ser maduro o suficiente pra conseguir isso sozinho. – ela o cortou. Ele fez menção de argumentar já com raiva, mas ela levantou a mão para que ele aguardasse enquanto ela tragava mais uma vez. – Você precisa decidir o que quer pra conseguir enfrentá-lo. Não vai conseguir apenas dizendo que 'não sabe se quer isso'. Você aceitou que ele te coordenasse até metade do caminho e não pode abandonar agora. O que você quer afinal de contas?
- Não sei, Alice. Não sei. – ele jogou a cabeça para trás e encolheu os joelhos. – Não quero ser igual a ele. Só sei disso.
- Você não precisa ser igual a ele porque tem a mesma profissão. O que você vai fazer quando estiver na empresa vai ser sua vida e não a dele, independente do trabalho que vá ter. – ela terminou o cigarro e o apagou no cinzeiro de vidro. – Se você não quer nem essa profissão, tem que se descobrir um objetivo pra conseguir armas pra discutir com ele e ganhar. Sem saber de nada e ficar na indecisão só vai dar razão pra ele brigar.
Jasper suspirou cansado, mas absorvia e via a razão de Alice.
- Ele não vai te tirar de nada agora. Só acho que você tem que conversar com ele sobre o que você quer realmente. – ele a olhou já negando com a cabeça. – Quando você descobrir vai ter que conversar. Ele é seu pai, independente das merdas que fez. Ou deixou de fazer.
- É, acho que sim. – ele voltou os olhos para Alice que o observava com a seriedade de sempre e se aproximou para lhe beijar.
Alice subiu a mão por seu rosto acariciando a face com barba rala dele e a outra adentrou seus cachos loiros espessos, sentindo a boca preenchida de Jasper amaciar a sua.
- Agora a gente pode...? – ele sussurrou contra a boca de Alice, que riu mais aliviada por ele e assentiu sendo carregada para a cama.
Casa dos Swan.
As casas da ruazinha já recebiam a escuridão da noite com prontidão e luzes dos postes acesas. Bella mal estacionou o carro e correu para dentro da sala em breu, sendo guiada apenas pela fraca luz que escorria pelos degraus da escada marrom. A porta do quarto aberta expôs Charlie sentado na beirada da cama com um porta-retrato na mão e a expressão dolorida na face. Jane apareceu no corredor com os olhos chorosos e vermelhos mostrando a incerteza de tratar aquela situação. Isabella assentiu uma vez e entrou no cômodo cautelosa, porém ainda sentindo a adrenalina pulsar seu coração.
- Pai... – sua voz saiu trêmula quando Bella sentou ao seu lado olhando a foto da família em uma comemoração de Natal há alguns anos.
- Hey criança. – Charlie levantou o olhar devastado contrastando um sorriso forçado. Assim que sua filha percebeu o machucado no rosto, seus olhos arregalaram e por instinto ela levantou a mão até ele. – É só um machucado.
- Vou pegar alguma coisa para não inflamar. – seu pai assentiu e quando viu Jane na soleira da porta, pediu que se aproximasse.
- Desculpa ter te assustado. – ele pediu.
Sua voz suave e grave ao mesmo tempo mostravam o homem despido da amargura de sempre. Jane suspirou e sentou ao seu lado apoiando a cabeça no ombro do pai. Por ser a mais nova e talvez pelo contato social mais aberto com outras pessoas, tinha seus sentimentos mais aflorados e com a ajuda da pouca idade, suas lágrimas rolaram novamente ao se lembrar do grunhido doloroso que ouviu mais cedo. Bella voltou com o algodão e uma pomada ajoelhando-se na frente do pai.
~ The Rose – Piano ~
- O que houve na sua testa, pai? – Isabella corroia-se para saber mostrando a ansiedade na voz.
- Você lembra dessa foto, Bells? – o coração da menina logo estufou quando ouviu o apelido que passara anos sem escutar, ela sorriu e assentiu.
- Eu estava a uma semana de aparelho. Não queria sorrir para as fotos. – Charlie riu com a memória enquanto Bella prendia o curativo em sua testa.
- E minha Renée disse que não importava se você tivesse mil aparelhos e cinqüenta óculos, que continuaria linda em qualquer foto. – ele fungou ainda não recuperado da avalanche de emoções há pouco libertadas. – Vocês estão bem crescidas. E isso pode parecer uma coisa clichê de se falar, de algum pai muito apegado... Mas é a verdade. Eu ainda não me acostumei com o fato de se tornarem independentes. Não sei lidar com tantas responsabilidades e me sinto impotente quando as repreendo e não ter ninguém para me mostrar o lado positivo de alguma situação que vocês queiram passar.
- Pai, você...
- Não, Bells, deixe eu terminar. – Charlie interrompeu – Hoje eu prendi um homem que batia na mulher. Ela já aturava aquilo há mais de quinze anos e nunca disse a ninguém. Eu jamais encostaria o dedo sequer na mãe de vocês. Eu podia as vezes discutir por algo bobo, mas eu nunca conseguiria viver com a culpa de tê-la machucado. Não agüentaria ver os olhos dela com medo de mim quando estivesse por perto. E há quase cinco anos, eu não posso vê-los de maneira alguma.
O inevitável aconteceu e as duas meninas o escutavam com lágrimas nos olhos. Charlie nunca havia conversado sobre todo o sofrimento interno com ninguém. Muito menos com suas filhas. Tornara-se duro e amargo com os anos por não colocar para fora o que lhe incomodava o peito.
- Às vezes eu posso ser um pouco duro e exagerar na super-proteção. Ainda não consigo admitir que vocês estão indo para o mundo. – ele abaixou a cabeça voltando a olhar para a foto. – Nós temos que criar os filhos para o mundo, que é para onde eles vão quando amadurecerem. E minha Renée sabia fazer com que eu compreendesse isso desde quando vocês eram bebês e queriam aprender as coisas sem ajuda. Mesmo se machucando, ela deixava. Pra vocês aprenderem. Porque mesmo escutando, vocês às vezes não obedeciam.
- Que nem quando eu quis colocar o salto dela, e ela disse que daria bolhas porque era maior que o meu pé. Mas mesmo assim eu coloquei, e claro, tive bolhas por uma semana. – Jane recordou participando das lembranças.
Ouve uma pequena risada cúmplice entre a pequena família e Charlie suspirou deixando que o porta-retrato repousasse na cama.
- Eu não consigo mudar esse meu jeito por muito tempo, crianças. – ele continuou. – É difícil aceitar que vocês estejam crescidas, com seus respectivos namorados, planejando futuros longe de casa, em breve com maridos e adultas. É como se tudo que eu tenho estivesse indo aos poucos, com o passar dos anos. Que talvez meu tempo aqui já tenha acabado e tudo fosse finalizando devagar.
- Não fala isso, pai. – Bella pediu com raiva entre os dentes. – Não quero ouvir o senhor dizer isso de novo. Sem esperança, como se tudo já tivesse acabado. Você é o primeiro e vai ser sempre a pessoa que eu mais admiro nessa vida. E olhar você desistir tão fácil me machuca.
- Talvez eu esteja sendo dramático, Bells. – ele sorriu fraco. – Sim, estou sim. Mas esses pensamentos passam pela minha cabeça, não posso negar. O meu ponto é; eu não sei se vou conseguir mudar da água para o vinho, mas eu vou tentar ser menos radical, fechado. Quero que vocês tenham cuidado em quem confiam sempre. E peço para que tenham paciência comigo. Sei que é um pouco tarde, mas só agora eu aceitei, e só agora vou poder aceitar também as mudanças.
- Você não vai ficar sozinho, ok?
Charlie passou a mão no cabelo castanho e deu um beijo na testa da filha mais velha. Jane o abraçou pela cintura e sua mão buscou pela da irmã. E de alguma forma, o coração daqueles três seres aqueciam a lembrança da pessoa que lhes foi importante em suas vidas.
(...)
Jane saiu do banheiro antes de voltar para o quarto enxugando os cabelos com a toalha menor já com a roupa de dormir e encontrou Bella deitada em sua cama.
- Nunca mais vou comer lasanha. – ela murmurou, mas a irmã fez um sinal para que ela esperasse um pouco.
- Não, amor, não precisa. – Jane escutou e percebeu o telefone celular em seu ouvido.
Já passava das onze da noite e a família jantou a lasanha caseira que Bella sempre soube fazer até não agüentarem.
- Ok, tudo bem então. Manda uma mensagem quando chegar. Beijo.
Assim que Bella desligou o telefone, sentiu o corpo de Jane pular em cima do seu e os cabelos gelados, - por estarem molhados do banho – bateram em seu braço descoberto.
- Ele vai vir para cá agora?
- É, ele pediu para que eu ligasse quando tudo ficasse mais calmo. Mas acho que não vai dormir aqui não. – Bella explicou passando um braço pelas costas da irmã. – Melhor ir com calma com papai.
- Aquilo foi... intenso. – Jane suspirou virando o corpo para deitar ao lado de Isabella.
- Eu sei. – Bella olhou o celular, vendo o dia virar através das horas, antes de virar e abraçar a irmã como faziam todos os anos. – Parabéns! Tudo de bom. Te amo muito, ok? Muito, muito.
- Obrigada. Também te amo!
Depois de algum tempo entre conversas mais leves, o telefone vibrou entre as duas meninas e elas riram antes de Bella saltar da cama e descer para atender seu namorado preocupado. Apenas a luz da cozinha – há pouco usada - iluminava a sala e Edward mal enxergou quando os passos de Bella o despertaram da ansiedade de entrar.
~Lullaby – Creed~
A ação da maçaneta rodar e ao mesmo tempo um corpo entrar em colapso com o seu próprio chocou Edward por um instante até receber os braços apertados de Bella em volta de seu pescoço. Ele passou abraçou o corpo de volta respirando fundo apoiando a cabeça em seu ombro.
- Obrigada por ter vindo, mas sabe que não precisava... – Isabella sussurrou contra o pescoço do rapaz fazendo com que sua voz ficasse segura, um minuto antes de Edward afastar seus corpos e ver a contradição sendo despejada por seus olhos castanhos.
- Eu estava sozinho em casa de qualquer jeito. – ele deu os ombros arriscando um sorriso fraco. Bella aproximou seus rostos devagar sentindo a mesma sensação calorosa de seus rostos colados antes de encontrarem os lábios firmemente.
- Vem, entra. – ela pediu o levando pela mão.
O casal se ajeitou no sofá e Bella despejou o que aconteceu esclarecendo as coisas para Edward. Ele se sentia aliviado de não estar mais tempo com a sua mente maquinando possibilidades e cruzando com assuntos de suas próprias memórias. Mas agora ele conseguia diferenciar o alívio por Bella estar bem, simplesmente. E só por aquela sensação desvendou o grau de seus sentimentos. De se importar pelo bem estar de alguém além de seu mesmo. Alguém que ele se importasse.
- Eu pensei que fosse ser pior, sinceramente. – ela confessou. – Fiquei com medo de ele voltar ao estágio que estava até um ano e pouco, dois anos atrás. Tinha dia que eu não agüentava, era demais. Minha mãe já não estava mais aqui, mas ele também não estava diferente, sabe? – então suspirou. – Mas ter você aqui para eu pelo menos conversar... me dá confiança, entende? Eu confio em você.
- Obrigado por isso. – ele disse sincero entrelaçando seus dedos.
- E você sabe que pode confiar em mim também, não sabe? – Bella não esqueceria aquele assunto pendente. Sua necessidade de reciprocidade era maior.
- Eu sei, linda. – Edward puxou o corpo dela para si depois de pegar um elástico que tinha no bolso. – Aqui, você esqueceu lá em casa um dia desses.
- Ah, obrigada, amor. – ela agradeceu colocando o objeto no pulso, depois escutou um risinho de Edward e levantou a cabeça. – O que?
- Segunda vez que você me chama assim. – Bella ficou confusa inicialmente, mas logo seus olhos abriram em surpresa e ela fechou os olhos e riu. – Mas eu meio que gostei. Sabe por quê? – ele ajeitou o corpo de Bella moldando ao seu próprio novamente.
- Meio que não sei. – ela brincou sentindo os braços dele a sua volta e os lábios em sua orelha.
- Eu meio... – ele suspirou e ela pôde sentir os batimentos fortes dele contra as suas costas, fazendo o seu acelerar e as bochechas esquentarem precocemente. – Meio que te amo.
Os braços por instinto apertaram mais a sua cintura, mas ela conseguiu virar o corpo e deitar de frente para ele sorrindo abertamente. Edward sentiu o rosto esquentar e agradeceu o escuro que estavam mentalmente. Bella o pegou entre as mãos beijando-lhe os lábios. Não era apenas desejo, luxúria e paixão. Tinha importância, calma e paz sendo trocada entre as bocas que se movimentavam e se preenchiam com perfeição. Depois de longos minutos, eles suspiraram juntos antes de Edward perceber a lágrima no canto do olho dela.
- Sabe por que isso? – ela perguntou referindo-se a lágrima quando ele a enxugou sacudindo a cabeça. Bella sorriu. – Porque eu meio que te amo também.
Trocaram alguns carinhos até ficarem muito cansados para se moverem. Adormeceram abraçados no sofá pequeno que foi testemunha da recíproca verbal do sentimento entre os dois amantes igualmente apaixonados.
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