Bom dia, boa tarde ou boa noite a todos vocês que ainda me honram com sua atenção. Quebrei um pouco a cabeça com esse capítulo, mas, finalmente estou postando. Tem uma cena, em particular, que ainda me preocupa e espero que seus reviews consigam dissipar meus receios. Por isso são tão importantes!

Sadie (que dispensa apresentações, grata, por tirar leite de pedra e dar uma olhadinha no texto)

Reggie Jolie autora de Of Elves and Humans(Em português, apesar do título...)

Gessi - Ane Sekhmet (que andou dando sinais de fumaça. Espero que volte a escrever 'As Areias do Tempo')

Dani ( ATUALIZOU, ATUALIZOU, ATUALIZOU! "Se Você Partir", uma história cheia de surpresas e sustos deliciosos!)

Vindalf Dvergar, que tem compartilhado comigo essa paixão pelos khazâd. Sua Nova Fic 'Percepções de Fili' está uma delícia de fofa! Suas fics O Problema Com Kili e O Mundo de Acordo com Dis são minhas preferidas!

Marina, querida Marina, que me deixou alucinada com a idéia de desenhar Frigga! Mas só o carinho de suas reviews já me alegra demais!

Para você também, Marcela, que o ffnet não permite que deixe reviews, mas que sempre encontra um jeitinho de me inspirar! Saudades de suas postagens.

Gilda H, que a correria do dia-a-dia não a vença! Saudades suas também. (Cria uma conta no ffnet pra gente poder trocar umas idéias! bjs)

Danda, obrigada por estar acompanhando a fic. Você me deixa sem palavras.

Gostaria de mandar um abraço especial à minha querida Myriara(Que nos deixou um recado em 'O Retorno dos Cinco Anos' essa semana) minha eterna mestra, da qual sou fã incondicional. Sua Trilogia com Haldir e Darai e Daror e Míriel é insuperável. Que Mordor não a mantenha por muito tempo longe de nós.

Todas as fics indicadas estão nos meus favoritos. Cliquem e confiram que vale a pena! Um 'xero' nos que leram e não puderam comentar. Grata por me brindarem com seu carinho que lamento não poder agradecer à altura. E um grande abraço a todos do Tolkiengroup.

Reviews! Please! Deixem-me saber o que acharam. Sugestões, críticas, impressões e questionamentos serão vistos com carinho e respondidos no menor tempo possível.


A princesa surgiu no pórtico principal, donde pôde ver a multidão que aguardava pela cerimônia, e pela festa que se seguiria, naturalmente. Estava acompanhada pelos homens de sua família. O pai, ao lado. O avô e o irmão, logo atrás. Após os quais vinham as damas e alguns representantes do povo das Colinas de Ferro.

Frigga observou o salão. Maior e mais imponente que o de seu avô. Erebor impressionava. Uma cidade construída no interior da montanha. Somente os khazâd eram capazes de uma empreitada como aquela. Contudo, aos olhos da moça, tamanha pompa estava acompanhada de uma enorme frieza. Buscava por algo que lhe fosse familiar naquele universo tão novo, até que um brilho incomum chamou a atenção de seus olhos. Não houve necessidade de perguntar. Frigga sabia que só poderia se tratar da Joia do Reino. O Coração da Montanha. Era fabulosa. E logo abaixo, o trono do Soberano de Erebor.

Ao lado de Thrór podiam ser vistos seu filho e seu neto. Diante de tal imagem, Frigga agradeceu a Mahal pela iluminação que tivera de pedir para conhecer o noivo antes da cerimônia. O rapaz era a única referência familiar à jovem naquele ambiente totalmente estranho. Os outros membros da família também se encontravam próximos ao trono. Iduna, esposa de Thrór. Mara, a esposa de Thrain. Frerin e Dis, irmãos de Thorin. Contudo, não havia como Frigga reconhecê-los, pois tais apresentações ficariam para depois da cerimônia. A princesa poderia mesmo dar-se por satisfeita em lhe ter sido possível conhecer previamente o noivo.

Thorin era a encarnação da riqueza e garbo dos anões. Trajava uma roupa negra presa ao corpo por um cinto de ouro maciço. Um casaco, feito da pele de animais, igualmente escuro e enriquecido com bordas douradas. O metal precioso também estava presente nas botas. Duas tranças presas por anéis de ouro desciam rente à face. Uma peça também dourada prendia parte dos cabeços atrás da cabeça.

'Será que conseguirá andar com todo esse ouro por sobre o corpo?', refletiu a princesa. Apenas o nervosismo impediu Frigga de sorrir diante de tal indagação. E pareceu mesmo que o príncipe de Erebor ouvira sua pergunta silenciosa, pois mal a concluíra, a moça o viu caminhando em sua direção como se trajasse apenas uma roupa leve e não aquele amontoado de tecido e ouro.

Thorin caminhava de forma decidida. Olhos fixos naquela que, daquele momento em diante, passaria a ser sua esposa. A cada passo, o príncipe de Erebor refletia que, se já assumira sobre si várias obrigações, poderia, dali para frente, deixar de lado de uma vez por todas qualquer desejo de seguir suas vontades. Estaria a serviço de seu povo, da linhagem de Durin. Constituiria uma família. Para qualquer jovem khuzd de sua idade, seria considerada uma carga muito pesada. Mas não para ele. Não para Thorin, filho de Thrain, filho de Thrór. Algo em si lhe dizia que não fazia parte de sua história uma juventude despreocupada. A ele coubera o amadurecimento rápido.

Frigga via aproximar-se de si aquele que lhe fora escolhido. A jovem pode ouvir a voz do pai sussurrar-lhe: 'Não olhe para trás quando ele a levar consigo'. Fato era que já olhara para trás por diversas vezes desde que aquela aliança lhe fora proposta. Sua mãe fora arrancada de sua vida. Recentemente, perdera o amigo e mentor. E, naquele momento, era ela quem estava sendo tirada de seu povo e entregue a outro. E mesmo diante de tal constatação, lhe era vedado o direito de olhar para trás. A princesa fechou os olhos rapidamente, dizendo adeus à vida que tivera até então, para que pudesse abraçar o que Mahal lhe reservara. Ao abrir os olhos, viu diante de si a concretização de seu destino.

O rapaz subiu os poucos degraus que levavam à entrada do grande salão, pondo-se diante de Náin. O anão mais velho capturou o olhar do príncipe de uma forma que apenas os grandes senhores são capazes de fazê-lo. Thorin franziu levemente o cenho. O pai de Frigga olhou discretamente para o lado, apontando com o olhar para o colar no pescoço da filha, assentindo em gratidão. O príncipe compreendeu, retribuindo com uma leve reverê fitou o sogro que, dirigindo-se ao herdeiro de Erebor, deu início à cerimônia.

- Eu, Náin, filho de Grór, entrego em suas mãos, minha filha Frigga como esposa.

- Eu, Thorin, filho de Thrain, em minhas mãos a recebo – respondeu estendendo a mão à princesa.

A jovem correspondeu ao gesto, pondo-se ao lado do noivo. O desejo de olhar para trás contido pela recomendação paterna. Seria uma enorme falta de consideração demonstrar qualquer hesitação. Percorreram juntos o caminho de volta ao trono do rei.

Lá chegando, foi a vez de Thrain se pronunciar dirigindo-se à filha de Náin.

- Eu, Thrain, filho de Thrór a recebo como filha.

A princesa apenas cumprimentou os soberanos de Erebor respeitosamente. A ela não cabiam palavras.

Thrór levantou-se, fazendo cessar toda e qualquer conversa que estivesse se desenrolando naquele momento apenas com sua expressão austera. Apesar dos pesares, a presença do soberano de Erebor era poderosa por si só. Frigga e Thorin abaixaram as cabeças estendendo as mãos unidas. O rei deu voltas em torno delas com algo que se assemelhava a um tecido belíssimo.

Era costume entre os khazâd envolver as mãos dos noivos com uma corrente de ouro ou prata, muitas vezes cravejada de pedras preciosas. Entretanto, a riqueza em Erebor era tamanha que no lugar dos metais citados, tão abundantes entre os anões da Montanha Solitária, o Míthril foi a escolha de Thrór.

Mesmo para Frigga, tal demonstração do poder do Povo de Durin fora demais. A princesa viu-se encantada e seu amor pelas riquezas da terra, bem contido em seu coração domado, aflorou. E os olhos brilharam diante do metal tão leve quanto resistente.

- Que a união entre esses dois jovens seja tão impenetrável quanto o Míthril e tão duradoura quanto os laços que hoje unem a casa de Durin! – foram as palavras de Thrór, que não era senhor de longos discursos, todavia, era conhecido por suas sentenças incontestes.

Um grande clamor se fez ouvir nos salões de Erebor e, fora deles, aqueles que, por falta de espaço, não puderam adentrá-lo, lhe fizeram eco.

As festividades tiveram início. Música, dança, bebida e muita comida. Tudo bem ao estilo dos anões. A alegria duraria enquanto durasse a capacidade do povo de Durin de permanecer de pé. E mesmo dormindo eles sonhariam com a abundância dos dias de paz, pois os filhos de Mahal nunca sabiam ao certo até quando eles durariam. Por tal motivo festejavam. E Gror e Thrór conversavam e riam como quando eram meninos. Thrain e Náin instigavam Dáin a procurar entre as presentes uma noiva para que pudessem em breve estar novamente festejando mais uma aliança.

De longe Thorin mostrou à esposa sua mãe e avó conversando com as damas das Colinas de Ferro. Pelo que conhecia das anãs, já deveriam estar planejando uma visita aos ricos mercados de Valle para o dia seguinte. Procurou em vão pela irmã e pelo irmão. Jovens e descompromissados deveriam estar aproveitando o movimento da festa.

- Em breve terá oportunidade de conhecê-los – disse o príncipe de Erebor.

A princesa assentiu. Fato era que se sentia aliviada. Seria realmente preferível que as novidades fossem se apresentando aos poucos. Ter que conviver daquele dia em diante com um estranho já era o bastante para Frigga.

Thorin sorria discretamente ao lado da esposa. Sentados em uma mesa a parte. Alegrava-se com a felicidade de seu povo. Frigga observava o marido. Seu coração bateu mais forte ao ver-se olhando para aquele rapaz, que até algumas semanas era um completo estranho, e pensando nele como seu esposo. Olhava o sorriso tranquilo, ainda que esporádico, de Thorin. Ele ficava bem sorrindo. Surpreendera-se que, de fato, era a primeira vez que o via sorrir. E ela também sorriu, baixando o olhar diante de tão banal constatação.

A música cessou de repente. Frigga ergueu a cabeça. Todos olhavam para eles. Assustou-se. Buscou o rosto de Thorin.

- Chegou a hora – disse-lhe o marido.

- Hora de quê?

Contudo, a resposta não foi dada pelo príncipe de Erebor e sim pelos convivas.

- Queremos ver o casal dançar!

- Dança! Dança! Dança! Dança! – clamava a multidão entre batidas nas mesas, palmas e urros.

Frigga quis morrer. Quando mais jovem chegara a aprender alguns passos, contudo, após a morte da mãe, enfurnara-se em sua biblioteca em meio a livros e histórias, dando pouca atenção ao tema. Não cultivara a arte da dança, como era o costume entre seu povo.

Thorin sentiu a hesitação da esposa, embora ainda não soubesse o real motivo. Reclinou-se lhe falando ao ouvido.

- Também não me sinto muito a vontade em ocasiões como essa, mas se não formos não nos deixarão em paz – disse, buscando persuadir a moça.

A princesa viu-se encorajada a falar ao ouvido do marido. O rapaz aguçou a audição.

- Eu não sei dançar – sussurrou.

Thorin fitou a jovem com um olhar incrédulo.

A moça ergueu levemente os ombros.

O príncipe de Erebor, levantando-se, estendeu a mão a Frigga.

- Então chegou a hora de aprender.

A princesa hesitou por um momento, assimilando o significado das palavras e dos fatos que se descortinavam. Levantou-se e segurou a mão do marido. Não havia como escapar da situação vexatória em que se encontrava. Enquanto caminhavam em direção ao espaço para eles reservado ela achou por bem alertá-lo novamente.

- Não faço a menor ideia do que fazer.

- Apenas deixe-me conduzi-la.

- Nunca pensei no senhor como um mestre dançarino, devo confessar.

- Nem eu, tampouco – disse, enquanto se colocavam no meio do salão.

O alarido da multidão foi se acalmando enquanto os primeiros instrumentos começaram a tocar. Inicialmente, uma flauta entoou uma harmonia cadenciada e tranquila.

Frigga e Thorin estavam frente a frente. O rapaz segurou as mãos da moça nas suas. Ficaram lado a lado voltados para direções opostas e começaram a girar em sentido horário e anti-horário alternadamente a cada volta completada.

- Não tire seus olhos dos meus – ordenou o filho de Thrain.

- E para onde mais eu poderia olhar? – indagou Frigga.

- Para a multidão que nos observa? – propôs, atraindo para si o olhar inconformado da moça. Contudo, o príncipe conseguiu o que queria, fazendo a princesa abrandar a hesitação.

Após os momentos iniciais, a flauta foi acompanhada por uma harpa vibrante que obrigou o casal a mudar o passo.

Sempre sem que suas mãos se soltassem, Thorin fez com que Frigga girasse ao redor do próprio corpo de modo que este ficasse de costas junto ao seu. O príncipe desfez o movimento voltando a ficar frente a frente com a noiva e retomar o passo horário e -anti-horário. O casal permaneceu alternando ambos os passos seguindo o ritmo mais arrojado comandado pela vibração da harpa.

À alternância de movimentos seguiu-se o som de outros instrumentos de corda, aumentando ainda mais a intensidade da música que os cercava. O príncipe girou o corpo de Frigga uma última vez, segurando-a de costas junto a si, antes de começar a conduzi-la ao redor do salão acompanhando a melodia alegre.

Frigga chegou a esboçar um sorriso, surpresa que estava com a habilidade inesperada de seu par. Thorin percebeu.

- Não me parece assim tão alheia a arte da dança, minha noiva – comentou o príncipe.

- Pois saiba que o que já dançamos é muito mais do que eu o fiz desde que me entendo.

Thorin também esboçou um sorriso. A sinceridade da moça, desde o início, chamara sua atenção. Todavia não houve tempo para que o herdeiro de Erebor se debruçasse sobre tais reflexões. O ritmo forte de um tambor foi infringido ao casal.

- Agora é sua vez de solar.

- O quê?

Thorin percebeu que a princesa quedou-se de pé somente porque ele a segurava.

- Apenas continue o que estamos fazendo. Vá!

E Frigga sentiu Thorin girá-la para longe de si e dançou como se lembrava. Rodando as longas saias, batendo palmas por cima da cabeça e sapateando com os pés no chão, enquanto Thorin batia palmas acompanhando-a de perto. Os convivas começaram a invadir o espaço. Anões simplesmente não conseguiam resistir à música ou a qualquer outra exaltação da vida. Em poucos instantes a dança alegre tomou conta do ambiente.

Antes que se sentisse perdida em meio à multidão a jovem viu-se envolvida pelos braços do esposo.

- Agora que cumprimos com nossa missão, vamos sair daqui – ordenou.

Thorin conduziu Frigga de volta à mesa. O casal tomou novamente seus assentos, distante da multidão. A princesa estava lívida por conta da situação inusitada a qual fora submetida. O príncipe a observava, apercebendo-se de como seria difícil saber o que esperar de sua consorte. Até o momento, sua noiva rompera praticamente todas as suas expectativas de diferentes modos. Quais novas surpresas aquele casamento lhe reservava?

- Sobrevivemos, apesar de tudo – comentou o noivo.

A moça olhou-o.

- Nunca viu uma khuzd que não soubesse dançar?

- Nunca vi uma em nada parecida com você.

Miraram-se por algum tempo sem que mais palavras surgissem.

Thrain e Náin chegaram abraçados portanto cada qual uma caneca de cerveja.

- Sua filha é uma exímia dançarina, meu primo – disse Thrain, com a língua embolada.

- Seu filho a conduziu bem – respondeu Náin, tropeçando nas palavras.

- Mas o que é isso? Os pratos de vocês ainda estão limpos! – constatou Thrain – não vão comer nada?

- Estou sem fome, meu sogro – respondeu a princesa um pouco embaraçada.

- É claro! Eu também não pensei em comida alguma no dia do meu casamento – disse Náin, antes de dar uma larga gargalhada.

- Nem eu! Há coisas melhores do que a comida para se aproveitar em um casamento, principalmente se você é o noivo – confirmou Thrain às gargalhadas.

A princesa cobriu discretamente o rosto com uma das mãos sem saber para onde olhar. A espontaneidade dos Khazâd por vezes ia longe demais, principalmente quando instigada por um boa dose de cerveja, como era o caso do pai e do sogro. Todavia, tanto Thrain como Náin pareciam não se dar conta do efeito que suas palavras tiveram sobre os filhos.

Frigga evitara a todo custo pensar sobre o assunto. Não seria tão difícil se o conhecimento entre eles se houvesse dado como aqueles que se encontram nas estradas da vida e se dispõem a percorrê-las juntos. Contudo,tal não ocorrera ao casal. Foram postos um diante do outro enquanto lhes era dito: entendam-se.

A princesa evitou olhar para o marido após os comentários paternos. Até então, preocupara-se com um momento por vez. Os preparativos, as despedidas, a viagem, a cerimônia. Contudo, a realidade inconteste se impunha e ela não poderia fugir da noite, como não lhe fora possível evitar a dança.

'A dança', refletiu a princesa, recordando-se do comportamento do herdeiro de Thrór. Tão inesperado quanto habilidoso. Sem perceber, a jovem voltou os olhos em direção ao esposo e foi surpreendida pelo olhar de Thorin sobre si. Algo nela quis desviar o olhar a todo custo, porém um magnetismo inexplicável prendera o seu olhar ao dele. A respiração alterou-se ligeiramente enquanto a moça tentava adivinhar quais pensamentos havia por detrás daqueles olhos claros. 'Em que estará pensando?', indagou a si mesma, punindo-se em seguida. 'Em que acha que ele pode estar pensando, Frigga? Em diamantes?' A princesa quis sorrir imaginando que, de fato, dada a paixão de seu povo pelas riquezas da terra, talvez anões houvesse que se deixarvam seduzir mais pelas joias de uma dama do que por suas donas. Ainda sem conseguir tirar os olhos do rapaz, a princesa teve em si a certeza de que dificilmente este seria o caso de Thorin. Até então, o príncipe de Erebor não procurara cobrir-lhe de joias. Ganhara muito mais peças de pretendentes passageiros.

Frigga teve sua atenção atraída pelos movimentos da mão do esposo. Com as costas apoiadas na cadeira, o rapaz passava displicentemente os dedos pela borda do copo que jazia na mesa diante de si. Sentira seu toque quando lhe prendera o colar ao pescoço e o coração bateu mais forte ante alembrança do calor dos dedos de Thorin.

O khuzd observava atentamente a esposa que tinha diante de si. As palavras do pai e do sogro apenas descobriram o que não poderia ser negado. 'E quem negaria algo tão obvio?', refletiu forçando-se a evitar o sorriso que quase lhe viera aos lábios. A princesa o mirava como quem busca compreender um enigma. E Thorin não sabia ao certo se tal abordagem lhe era ou não agradável. Não era dado a aventuras amorosas. De fato, poucos o eram. Entre os khazâd, era um grande risco conquistar o bem-querer de uma consorte se não houvesse a intenção de um compromisso sério envolvido. Anãs, teimosas como eram, morreriam solteiras ou prefeririam escavar rochas no coração das montanhas, se aquele por elas escolhido não lhe correspondesse os sentimentos. Thorin sabia de algumas que, por infelicidade, tiveram tal destino por causa dele, ainda que nunca as houvesse encorajado. As amigas que sua irmã Dis sempre lhe apresentava eram testemunhas de tal fato.

Todavia, não era este o caso que tinha diante de si. A princesa das Colinas de Ferro viera até ele por uma decisão paterna e ainda que, aparentemente, não houvesse oferecido grande resistência, tampouco parecia cativada por sua coroa ou seus dotes, como o foram outras antes dela. Meninas de várias idades e origens. Contudo, nenhuma como Frigga. Se algum enigma havia a ser decifrado, tal seria sobre quais sentimentos nutria por ele essa filha de Mahal às avessas. Pelo pouco que conhecera até então, sua mente não correspondia à idade que lhe era atribuída. Havia mais nela do que encontrara em qualquer outra menina de sua idade. Menina. Tão nova para ser desposada. Fato era que ele mesmo, pelo que era de costume, poderia esperar ainda um bom número de anos antes de se comprometer daquela maneira. No entanto, mirando a jovem que tinha a sua frente, nenhuma nuvem de arrependimento por haver aceitado a decisão do pai lhe toldava a mente.

E assim, envolvidos pelo momento de alegria e esperança, Thorin e Frigga refletiam sobre o que os aguardava sem desconfiar que sua união lhes traria, a princípio, problemas com os quais eles nunca imaginaram lidar.

- Calem-se um instante! Parem a música – ordenou o pai de Thórin interrompendo os pensamentos do jovem casal – Está na hora de nos despedirmos dos noivos!

Enquanto Thorin e Frigga se levantavam, a multidão cumprimentava e desejava votos de felicidade e abundância.

- Viva a linhagem de Durin!

- Que tenham muitos filhos!

- Que sua casa dure para sempre!

Os noivos se retiraram deixando atrás de si uma multidão mais do que entusiasmada.

E os tambores começaram a soar novamente. Como já fora dito, enquanto eles conseguissem se conservar de pé, a festa prosseguiria.