Capítulo Xl
O diretor escolheu a cena em que se conhecem, e se apaixonam. Konan estava afiando sua espada, sentado na sombra de uma árvore e com o olhar perdido no horizonte. Ele percebe um barulho e já fica cauteloso, mas se acalma ao ver uma linda dama alegre se aproximar:
- Que espada bonita, posso vê-la? - ela perguntou.
- Você já está vendo. - ele disse friamente.
- Então deixe-me segurá-la? - ela corrigiu.
- Só os samurais da guarda real podem erguer essa Katana.
- Ah, você é um espadashin da guarda real? - ela o admirou .
- Eu sou o capitão Konan Hijikata - se apresentou a contra-gosto.
- O capitão? Que legal! Então é você quem manda por lá?
- O rei quem manda, nós só obedecemos - ele disse sério.
- Entendi, deve ser um trabalho muito difícil. - ela concluiu.
- Foi o que escolhi para mim. - ele parecia um pouco frustrado.
- E você está bem com essa escolha? - ela indagou curiosa.
- Isso não faz diferença. - ele deu de ombros.
Kykyo avaliou sua expressão e ficou pensativa. Resolveu sentar-se ao lado dele.
- Posso ficar um pouco com você? - ela perguntou.
- Faça o que quiser. - ele suspirou.
Eles ficaram em silêncio. Konan continuou a polir Katana enquanto lhe assistia concentrada.
- Quer parar por favor? - ele parecia bravo.
- Nani?
- Pare de me encarar, está me deixando desconfortável.
- Gomenasai. Eu só pensei ser fascinante ser um capitão. - ela sorriu imaginando.
- Não é grande coisa, muito trabalho pouca retribuição. Só meus companheiros me importam, não sei porque me comprometo a defender essa realeza tão impiedosa e sedenta por poder - ele se conteve ao perceber estar contando seus problemas a uma desconhecida.
- Nem todos da realeza são assim, a princesa poderia mudar isso tudo. - ela disse esperançosa.
- Hime-sama? Ela deve ser só uma garota mimada e mandona.
- Você não a conhece para saber. - ela se irritou de repente
- Nem pretendo - ele disse indiferente
- Por que você é tão frio? - ela se levantou exaltada
- Por que você se preocupa? - ele perguntou ainda sentado
- Eu preciso de uma razão? É natural se preocupar com os outros! - ela exclama nervosa.
- Não preciso de sua preocupação, obrigado - ele a cortou.
- Hunf! Seu grosso! Eu só estava tentando lhe ajudar - ela fez cara feia.
- Não há o que ajudar, você está me atrapalhando - ele disse irritado.
- Pois bem, desculpe pelo incômodo, até nunca mais capitão! - ela saiu batendo os pés
- Vai tarde. – ele disse ríspido
Nessa cena Kykyo deveria tropeçar nas pedras e Konan iria correr e segurá-la, evitando a queda. Assim eles acabariam se abraçando, seria o momento em que o coração do capitão seria tomado por ela.
Agora, como ela faria isso? Kyoko olhou para os lados, incerta do que fazer. Ela continuou a andar, fingindo-se irritada e distraída, ali ela tinha que dar um jeito de tropeçar. Mas daria para Ren alcançá-la a tempo? Ela deveria simplesmente se deixar cair? Não seria muito problemático para Ren? Ela deu um rápido olhar receoso para seu sempai e o viu encarando-a com segurança. Foi como se ele dissesse "Confie em mim". Foi o que bastou. Ela não teve mais dúvidas. Kykyo caminhou estupefata quando pisou em falso, estava para cair quando sentiu um braço a agarrar pela cintura. Ren a puxou contra si, mas algo inesperado aconteceu, eles se desequilibraram e Kyoko caiu em cima dele.
- Hijikata-san! Essa não, você se machucou? - ela perguntou preocupada
Ren havia batido seu cotovelo no chão, mas a dor logo se esvairou ao sentir sua amada em seus braços. Novamente ele perdeu seu juízo e a abraçou mais forte, como naquela vez em seu apartamento. Ainda bem que a cena pedia algo parecido, se não o diretor já a teria cortado.
-Hijikata-san! Você não consegue se mover? – "Déjà vu?" – kyoko improvisou sem saber mais o que fazer
Ela sentia seu coração palpitar, Tsuruga-san estava a centímetros de seu rosto. Ela podia sentir sua fragrância inebriante, seus braços fortes a envolvendo. Seu olhar era tão penetrante, ela fica paralisada, esquece de respirar. E eis que o inesperado novamente acontece, ele desliza seus braços em sua cintura e vai fechando os olhos ao se aproximar. Ele para a milímetros de seus lábios, ela podia até sentir sua respiração. Mas Ren recupera seu senso e simplesmente solta uma risada fraca e a larga. Não, eles estavam gravando. Ele era um profissional então deveria agir como um, não se deixaria levar, a cena não pedia nada mais que isso.
- Qual o seu problema? Quer morrer, sua baka? – ele estava furioso
- Agora você se importa? Por que não me deixou cair? – ela revidou ao se levantar
- Alguém me disse que é natural se preocupar com os outros. – ele soltou um longo suspiro, parecia aliviado
-Olhá só! Você até que tem um lado bom escondido atrás dessa amargura.- ela comentou rindo
-Não enche guria – ele chuta uma pedra imaginária sem jeito
-Bem, talvez eu deva um agradecimento a você. Muito obrigada capitão – ela abriu um largo sorriso
Ele ficou estático, contemplando aquele sorriso, hipnotizado. Por sorte era essa a reação esperada de konan. O guerreiro se virou de costas, evitando encará-la.
-De nada, agora vá embora e tente não tropeçar mais por favor – ele pediu cruzando os braços
-Eu tentaria tropeçar só para você me segurar de novo - ela confessa corando
-Não fique tão cheia de si, eu não lhe ajudaria uma segunda vez – ele fecha a cara
-Etto, mesmo assim sou grata! A gente se vê por aí Hijikata-san. – ela se despede
Kykyo se vira e vai caminhando até ser parada por uma mão em seu pulso
-Ei! Qual o seu nome?
-Logo você saberá – ela sorriu e foi embora
-Corta! Isso foi lindo! Várias falhas no percurso, mas eu adorei! Alguns imprevistos também, e muita "improvisação" não foi Ren? – ele o indaga totalmente insinuante – Mas está tudo bem, ficou ainda melhor assim. Agora vocês podem ficar à vontade. Eu vou resolver uns assuntos com os figurantes. Ah, Ren? – ele chama sua atenção
-Hai?
-Tente se controlar mais - Takumi se aproxima e fala em seu ouvido para só ele ouvir – mas só nas telas rapaz – ele pisca
Ren se surpreende e fica sem saber o que dizer. O diretor pareceu ter gostado de sua reação, ele bateu em seu ombro e deu uma risada escancarada enquanto se afastava deixando os dois a sós.
