Shun trava uma batalha muito difícil com Lil, a elemental de Ar. Na mansão, todos seguem aflitos por notícias dele, que não se comunicou com ninguém desde que saíra de Tóquio. Entre os inimigos, uma suspeita de traição está no ar. Saori sente em seu cosmo que Shun venceu, entretanto, uma dúvida sombria paira na cabeça de todos: será que o cavaleiro de Ândromeda sobreviveu?
Capítulo 12 - De Volta Pra Casa- Vamos, Manabu! Responde! E o Shun! Ele morreu?
- Não, Sr. Ikki. Ainda não. Ele está vivo, mas está muito mal.
- Mas o que aconteceu?
- Não sei dizer. Estávamos no avião e de repente uma série de ventanias nos atingiu, fazendo a aeronave cair. Sei que batemos, mas não sei o que aconteceu nem como saí de lá, porque desmaiei e, quando acordei, estava recostado em uma pedras. Fui procurar alguém e encontrei o Shun caído no chão, próximo a uma moça, ambos muito feridos. Então fui até o avião ver se o comunicador estava funcionando e, por sorte, estava. Aí avisei a polícia florestal que nos encontrou e trouxe até a cidade mais próxima.
- Onde você está agora?
- Estou em um hospital. Estão tratando Shun mas o caso dele é grave pelo que os médicos disseram. Nessa cidade não há muitos recursos para cuidarem dele, teremos que transferí-lo. Por isso liguei, queria saber se Saori não poderia disponibilizar um jato da Fundação.
- Quanto a isso não se preocupe, eu falo com ela. E a moça?
- Infelizmente não sobreviveu. Já estava morta quando os policiais chegaram.
- Ok Manabu, não se preocupe. Vamos tirá-los daí o mais rápido possível. Muito obrigado por ter socorrido o meu irmão.
- Não tem de quê, Sr. Ikki. Eu gosto muito de vocês, foi um prazer poder ajudar.
- Fico lisonjeado. Até logo, Manabu. Qualquer coisa, me ligue.
- Ligarei, Sr. Ikki. Até logo.
Todos olhavam para Ikki na maior expectativa. Pela cara dele era impossível saber o que tinha realmente acontecido. Um silêncio pairou na sala.
- E então? O que ele disse? - Hyoga quebrou o gelo.
- Shun está vivo.
- Graças a Zeus! - June expressou em palavras o alívio que todos estavam sentindo.
- Mas está muito ferido. Tem que ser transferido para um hospital que tenha mais recursos, pois onde ele está não tem muito mais que possa ser feito.
- O que aconteceu, Ikki? - Perguntou June.
- Explico mais tarde. Agora preciso falar com Saori para saber se posso usar um jato da Fundação para buscá-lo.
- Tenho certeza que Saori não se oporá, eu falarei com ela.
- Agradeço, Seiya. Mas, por favor, o mais rápido que puder.
Seiya nem respondeu, subiu as escadas correndo enquanto os outros relaxavam da tensão.
- Ikki, vou com você. Pode precisar de ajuda. - Hyoga falou.
- Não preciso de sua ajuda. - Ikki mal olhou para o russo. Ainda estava bravo pela história de não confiar em Shun.
- Ikki, aceite a juda dele. Nesse momento delicado é bom ter alguém que não tenha laços de família para ajudar. Alguém precisa ter cabeça fria para resolver o que o emocional não permite. - Shiryu tentou aliviar a situação.
Ikki nada disse. Apenas olhou para Hyoga que pegou as chaves de seu carro e saiu.
- Deixa que eu dirijo, você está muito nervoso.
Ikki apenas seguiu o loiro, sem nada dizer.
- Você... sempre com uma palavra para acalmar as coisas... - Shunrei dizia ao ouvido de Shiryu, abraçando-o por trás.
- Ikki é muito cabeça dura... Hyoga é o melhor amigo de Shun, goste ele ou não. Ele tem que aceitar. Às vezes, uma pessoa de fora ajuda mais do que aquele que está muito envolvido.
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No dia seguinte, todo o processo já tinha sido feito e Shun tinha sido transferido para um hospital maior, nos próprios EUA. Como Shiryu previra, Hyoga tinha cuidado de todas as questões burocráticas da liberação de Shun, uma vez que Ikki não tinha um pingo de cabeça para tal. Ambos tinham alugado dois quartos em um hotel nas redondezas. Iriam ficar lá até que Shun estivesse liberado para voltar ao Japão.
Na sacada de seu quarto, Hyoga pensava em tudo o que estava acontecendo. Estava acostumado com aquela vida pacata de cidadão normal, tinha encontrado a mulher da sua vida e, de repente, as coisas davam uma reviravolta e tudo voltava ao que era antes. Lutas, sangue... Sempre teve medo das derrotas, mas dessa vez seu medo de morrer era maior. Tinha mais alguém que sofreria muito se ele partisse. E tudo o que ele não queria era que ela sofresse.
Como se fosse uma transmissão de pensamentos, seu celular tocou. Sorriu. Fazia tempo que ele não sorria.
- Olá.
-Olá, meu amor. Como você está?
- Estou bem...
- Esse seu bem não me convenceu. Aconteceu alguma coisa?
Como explicaria a ela? Tinha que pensar em alguma coisa e rápido. Não podia contar sobre Athena e toda essa guerra que estava acontecendo. Tinha que ser convincente, e só tinha uma coisa que podia dizer:
- Houe outro ataque terrorista contra a Fundação. Dessa vez, pegaram o Shun.
- O Shun? Mas como ele está?
- Está mal, no hospital.
- Zeus... E os médicos, o que disseram?
- Que ele tem muitas chances de sobreviver. Entretanto, ainda corre risco de morte.
- Ai amor... Me aperta o coração escutar essas coisas! Só de pensar que está acontecendo tão perto de você... Por que não vem embora? Fique aqui na Austrália, comigo. Será mais seguro.
- Eu adoraria, mas não posso...
- Por que não? Que eu saiba a Srta. Kido tem muito seguranças particulares e da Fundação para cuidar desse tipo de problema, sem contar com a polícia.
- Naida... não é tão simples assim. Queria que fosse, mas não é.
- Não te entendo! Pra que ficar se arriscando? Mande os seguranças tomarem conta disso, não foi pra isso que a Srta. Kido os contratou?
Hyoga respirou fundo antes de prosseguir.
- Naida, eu... eu preciso de contar uma coisa. Uma coisa que não tinha te falado até agora para te proteger, não te quero envolvida nisso.
- Como assim? O que está acontecendo, Alexei? - Hyoga pôde perceber que a voz dela soou preocupada do outro lado da linha, quase chorosa.
- Eu faço parte da segurança de elite da Saori, juntamente com os outros rapazes que te apresentei. Por isso não posso sair. - Naida nada respondeu. Parecia nem respirar. Hyoga prosseguiu. - Queria ter te contado antes... Mas sabia que você ia ficar assim, preocupada... Somos secretos, quase ninguém sabe o que fazemos, só agimos em situações especiais, de alto risco, como essa... Naida? Está me escutando?
Hyoga só escutou os soluços dela do outro lado da linha. Estava em prantos.
- Sim... - foi tudo o que conseguiu responder.
- Meu amor... não fique assim! Eu te fiz uma promessa e vou cumprir!
- Vai mesmo? E se não depender de você cumprir esas promessas? E se esses ataques não pararem? Podia ter acontecido alguma coisa!
- Mas não aconteceu. Eu estou bem, sei me cuidar.
- Alexei, você não é imbatível. É um ser humano como outro qualquer. Pode morrer a qualquer momento! Esses terroristas são imprevisíveis!
Hyoga queria dizer a ela que tudo ia acabar bem. Mas ele mesmo não tinha essa certeza. Sabia que ela estava certa. Também tinha medo de morrer.
- Sabe como são esses ataques... Terminam da mesma forma que começaram, de repente. Sem muita explicação. Eu vou ficar bem, acredite.
- Gostaria de acreditar...
- Independente de qualquer coisa, quero que nunca se esuqeça de uma coisa. É a única coisa que preciso que você acredite, acima de qualquer outra.
- O que é?
- Eu te amo e sempre vou te amar, não importa o que aconteça.
- Não fale assim... - Naida já chorava do outro lado da linha - Parece que está se despedindo...
- Não, não estou. Quero apenas que me prometa que nunca vou duvidar do que sinto por você.
- Jamais... Eu também te amo, Alexei, muito. Estou sentindo sua falta. Queria acreditar que tudo vai ficar bem, mas... mas tenho medo de não nos vermos mais...
- O que está dizendo? Claro que vamos nos ver. Assom que tudo isso acabar vou correndo até você, aonde quer que esteja. Vamos nos ver e matar toda a saudade. Confie em mim! Já não disse que sei me cuidar?
- Eu confio... mas algo me diz que, se nos encontrarmos novamente, não será apenas para matar as saudades...
- Por que está dizendo isso?
- Nada... É só um pressentimento... - Naida suspirou longamente.
- Naida, por acaso você sabe de alguma coisa que eu não sei?
- Não, claro que não! Por quê? Há algo que eu deva saber por acaso?
- Não, não há nada... Pensei que no Instituto você tivesse sabido de alguma coisa... Olha, esquece. Foi besteira minha... Estou muito nervoso com tudo o que está acontecendo.
- Eu sei, meu amor. Não é fácil. Olha, não se preocupe. Eu apenas quis dizer que tenho medo de encontrá-lo num caixão, da próxima vez que nos vermos. Mas não quero gastar mais tempo me lamentando. Liguei pra dizer te amo, que estou morrendo de saudades e que preciso de você. Sei que sabe se virar, que vai se cuidar. Confio em você. Estou aqui rezando por você e desejando que tudo isso acabe o quanto antes.
- É muito bom escutar isso. Também te amo e tenho saudades. Isso vai acabar logo, você vai ver. E essa será uma das histórias que contaremos aos nossos filhos um dia.
Naida sorriu do outro lado da linha e Hyoga pôde perceber. Ela tinha ficado feliz com o fato de ver que ele planejava ter uma família com ela.
- Está certo, então... Cuide-se, tá? Não quero te perder.
- Não vai, nunca. Se precisar, me ligue. E, por favor, não volte a Tóquio ainda.
- Farei o que me pede, fique tranquilo.
- Eu te amo, meu amor.
- Também te amo. Até logo.
- Até.
Ao desligar o celular, Hyoga escutou alguém pigarreando atrás de si. Era Ikki. Nem o tinha visto entrar. Ficou pensando há quanto tempo ele estaria lá e quanto da conversa ele teria escutado. Sentiu-se envergonhado, pois nunca tinha aberto seu coração assim na frente de ninguém, a não ser de Shun. Nunca pensara em fazer isso na frente dos outros. Ainda mais na de Ikki. Ficou receoso, já imaginando qual seria a piadinha jocosa que viria, mas surpreendeu-se com a reação de Fênix:
- Ela ainda não sabe sobre Athena, sobre nós?
- Não quis contar... ela não entenderia, ficaria ainda mais preocupada. Achei melhor assim. Não quero fazê-la sofrer. Contei a verdade, mas não toda a verdade.
- Você realmente ama essa garota, não?
- Amo sim, Ikki. Como jamais pensei que pudesse amar alguém. - No momento em que Hyoga proferiu essas palavras, seus olhos brilharam. Ikki percebeu naquela hora o quão forte era o sentimento do cavaleiro de Cisne.
- Isso é bom, nos dá forças. Ainda mais em um momento como agora.
Hyoga notou a tristeza com que Ikki dizia essas palavras, enquanto olhava para as estrelas. Ele não o olhava nos olhos, mas Hyoga podia perceber que estavam se formando lágrimas no rosto de Ikki. Pensou em consolá-lo ou dizer alguma palavra de conforto, mas não lhe ocorreu nada. Não eram amigos íntimos. Se Ikki ao menos fosse como Shun, ele saberia o que fazer ou falar. Então achou melhor mudar de assunto. Não queria que a situação ficasse ainda mais embaraçosa do que já estava.
- Alguma notícia do Shun?
- Ah sim... Ligaram do hospital. Ele está melhor, já não corre mais risco de morte.
- Bom... pelo menos uma notícia boa nesses dias tão atribulados...
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Era noite no Santuário. Sorrateiramente, uma sombra se aproximava das Doze Casas.
Saga se preparava para viajar a Tóquio. Agora que a Elemental de Ar tinha sido destruída, não havia mais impedimentos para que ele e os cavaleiros de Libra e Aquário pudessem ajudar os guerreiros de bronze. De repente, sentiu um cosmo. Sabia que era um dos elementais. Saiu apressado, em direção à entrada da Casa de Gêmeos. Em segundos, estava trajando sua armadura dourada com o cosmo aceso em seu máximo. Como se fosse num passe de mágica, deixou de sentir o tal cosmo. Nada. Tudo como estava antes.
- Que diabos está acontecendo aqui? - Tenho certeza que tinha alguém... - Saga caminhava de um lado a outro, procurando alguém, porém, sem sucesso.
- Saga!
- Camus, você também sentiu?
- Sim, assim como Dohko e os outros. Exceto Aldebaran, Shaka e Shura.
- Então era Terra que estava aqui.
- Acredito que sim. Mas por que será que sumiu tão depressa? Acha que ele foi embora?
- Difícil acreditar nisso... Pela proximidade e velocidade em que estava... Não teria conseguido desaparecer no ar, ainda que se deslocasse à velocidade da luz.
- Tudo o que sei é que isso está muito estranho, Saga. E preciso que siga comigo, o Mestre está chamando a todos em seu salão.
- Então é coisa séria.
- Sim, receio que seja algo preocupante.
- Espero que não sejam mais más notícias...
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Em poucos minutos todos os dourados estavam no salão do mestre, para ouvir o pronunciamento de Dohko.
- Muito bem... Agora que Saga e Camus chegaram, podemos começar. Creio que todos sentiram a forte cosmo energia que nos rondou há momentos atrás. E por dedução, sabemos que era o elemental de Terra.
- Mas o que ele fazia aqui, mestre? - perguntou Aioria.
- Creio que tem algo a ver com a Mandala dos Elementos.
- Tem razão, Shaka, é isso mesmo.
- Mas o que é essa Mandala?
- Shura, a Mandala dos Elementos é o último recurso que nosso inimigo podia usar. Só é usado em momentos extremos. Se estão achando necessário apelar a isso, é porque notaram que os Cavaleiros de Bronze representam uma ameaça real e querem nos neutralizar para que não possamos ajudá-los.
- Ótimo, Mu... Excelente explicação. Mas será que dá para pararem de enrolar e explicarem o que é essa maldita Mandala? - Miro alterou-se, levantando da mesa e batendo os punhos sobre ela.
- Acalme-se, Miro... - Camus falou baixo, fazendo-o sentar-se novamente.
- Acalme-se? Você que é o cabeça fria por aqui, eu não!
- Eu sei... Mas acho bom ficar quietinho ou ficará com a cabeça gelada... literalmente.
Miro calou-se diante da ameça de Camus.
- Prossiga, Mestre.
- Obrigado, Camus. Bem, diz a lenda(1) que, quando todos os deuses regentes dos elementos foram derrotados por Athena, suas pedras protetoras foram partidas em quatro. Cada um deles pegou um pedaço da sua pedra e formou uma mandala.
- Doze, ao todo.
- Isso mesmo, Aldebaran. Essas mandalas tinham o poder de neutralizar o inimigo que fosse regido por qualquer um dos elementos, ainda que seu guerreiro protetor fosse derrotado.
- Criaram uma ferramenta de defesa a mais, para usarem quando tivessem que enfrentar Athena novamente.
- Não entendo isso, Shaka. O Mestre disse que o fator surpresa seria estarem atacando todos juntos. Achei que nunca tinha acontecido isso antes.
- Nós também, Máscara da Morte... Achei que não passasse de uma lenda. Mas essa é a única explicação que tenho para o que acabou de acontecer.
- Então, isso significa que se tentarmos lutar, acontecerá o mesmo que quando nosso elemental ainda estava vivo?
- Exatamente isso, Saga.
- Sem contar que além de ficarmos fracos, não conseguiremos identicar ou sentir seus cosmos, ainda que estejam bem atrás de nós. - completou Shaka.
- Mas como podemos destruir essa Mandala?
- Esse é o grande problema, Afrodite. Não podemos. Somente a deusa Athena pode fazer isso.
- Ela ou qualquer outro deus que assim o desejar. - completou Mu.
- Então só nos resta rezar para que os Cavaleiros de Bronze consigam derrotá-los. - falou com pesar Aioros. Ele expressou em palvras a sensação amarga de derrota e impotência que todos os demais cavaleiros estavam sentindo.
Não longe dali, o elemental de Terra sorria. Tinha conseguido cumprir sua missão.
- É... esses cavaleiros não são nada burros. Mas de nada adiantará serem inteligentes, quando tudo de que Athena precisa é força. E não poder contar com seus cavaleiros mais fortes em uma situação como essa...
Levantou os olhos, orgulhoso de seu feito. De lá conseguia ver algumas das casas nas quais tinha colocado a mandala. Bem acima do símbolo zodiacal de cada uma.
- Vocês podem até descobrir aonde estão as mandalas... Mas jamais conseguirão removê-las ou destruí-las. E eu desconfio muito que Athena não sobreviverá para fazer isto por vocês... Quem sabe meu Mestre não tenha piedade e os coloque como guardas especiais dele, quando tudo acabar? Hahahahahahahahahaha!
O Elemental saiu de lá gargalhando, alto. Estava feito. Ele sabia que seria ouvido pelos Cavaleiros de Ouro, mas sabia também que nada poderiam fazer para alcançá-lo ou derrotá-lo. Pelo menos naquele momento, se sentia indestrutível. E de fato, era mesmo.
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Shun lentamente abriu os olhos. Não sabia onde estava e nem como tinha chegado ali. Sentiu que estava entubado, mas ainda não conseguia compreender claramente o que estava acontecendo. Sua vista estava embaçada, não conseguia distinguir as imagens. Eram apenas borrões. Parecia que seu cérebro estava, lentamente, pondo as coisas no lugar. Tentou continuar de onde parou: lembrou-se da academia, de June, do novo inimigo, de Lil, da luta, e...
- Athena! - levantou-se preocupado, totalmente alterado.
- Calma aí! Ainda não recebeu alta! - disse Ikki.
Ao olhar para o lado, Shun pôde identificar seu irmão e seu melhor amigo... juntos.
- Ikki? Hyoga? O que fazem aqui? Ou melhor, o que eu faço aqui? E Saori? O que aconteceu?
- Uma coisa de cada vez, Shun, tudo a seu tempo! - Hyoga riu - Você encontrou a Elemental de Ar e a venceu. Mas ficou muito ferido, então veio parar neste hospital. Saori está muito bem, mas assim como todos nós está muito preocupada com seu estado de saúde.
- Não consigo me lembrar de muita coisa... Estou meio grogue, parece que parei no tempo. Há quantos dias estou aqui?
- Uma semana. - respondeu Hyoga.
- Uma semana? Caramba!
- É, Shun. O médico disse que é normal se sentir confuso, que com o tempo você vai voltando ao normal.
- Disse também que é pra você repousar. Você entendeu bem o que disse? RE-POU-SAR. - Completou Ikki.
- Tá, tá... eu vou descansar... Mas e a Saori? Não posso deixá-la na mão.
- Não vai. Você fez a sua parte. Sem contar que eu acho que ela tem mais quatro cavaleiros em perfeitas condições de defendê-la uma vez que Seiya está totalmente recuperado. Você vai ajudá-la mais cuidando de si mesmo.
- O Hyoga tem razão... Caramba, nunca pensei que fosse dizer isso um dia! Só você mesmo pra conseguir tal milagre!
Todos riram do comentário de Ikki.
- Quanto tempo ainda vai demorar pra que eu tenha alta?
- Ainda não sabemos. Tudo ia depender de como você ia acordar.
- Estou bem, Ikki. Muito bem.
- Acreditamos em você. Resta saber se o médico vai concordar com seu parecer, "doutor".
- Muito engraçado, Hyoga... Quando ele vem?
- Assim que apertarmos esse botãozinho aqui... - Ikki apertou o alarme que chama o médico ou algum enfermeiro.
- Como estão as coisas? - Shun fechou a expressão, demonstrando preocupação.
- Na mesma... desde que você foi atacado o inimigo não deu mais as caras. Continuamos a tatear no escuro. - Hyoga falou desanimado.
- Não entendo... Por que não atacam logo de uma vez?
- Talvez porque não esperassem uma baixa... Devem estar revendo suas táticas e planos.
- Acha que isso é possível, Ikki?
- Sim, Shun. Lembro que Shiryu comentou que Mu e Shaka disseram que o inimigo nos achava fracos demais, preocupou-se apenas em neutralizar os Cavaleiros de Ouro.
- Não sei... Será?
- Seu irmão tem razão, Shun. Temos que tomar cuidado redobrado.
- Então voltamos à estaca zero... de novo. - Shun recostou-se na cama novamente. E, de repente, aliviou a expressão tensa e desanimada, trocando-a por uma grande gargalhada.
- Qual a graça, Shun?
- Não é nada, Ikki. Estava pensando que toda essa guerra me proporcionou realizar dois milagres.
- Como assim?
- Primeiro o Ikki concordou com você, Hyoga. E agora... você concordou com ele!
Os três começaram a rir novamente. era um raro momento de descontração diante de todos os tormentos que estavam enfrentando.
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Alguns dias depois, Ikki e Hyoga voltaram à Mansão, acompanhados de Shun, ainda não totalmente recuperado, mas já de alta.
- Nossa, está tudo tão quieto. Será que todos saíram?
- Não sei, Shun. Achei que iam nos esperar chegar. - Falou Ikki, enquanto empurrava a cadeira de rodas que carregava seu irmão.
- Odeio andar nesse negócio. Fico dando trabalho pra vocês.
- Dará mais trabalho se não seguir as recomendações médicas, Shun. - replicou Hyoga.
- E ele foi bem explícito quando disse que você tinha que andar o mínimo necessário. - completou Ikki.
- Está bem queridos enfermeiros...
- Surpresa!
Ao abrirem a porta, deram de cara com balões, uma mesa repleta de comida e uma grande faixa, com os dizeres: "Bem vindo de volta, Shun!".
- Puxa... tudo isso... pra mim? Eu não esperava! Não precisava!
- Se você esperasse, não seria uma surpresa. - Seiya falou enquanto colocava um chapeuzinho de festa na cabeça do amigo. - Gostou? Ah, não... Não vai chorar!
- Vocês são os melhores amigos que alguém podia ter... - Shun falou com os olhos cheios de lágrimas.
- E você é um dos melhores cavaleiros que eu podia desejar que me defendesse, Shun.
- Puxa vida, obrigado Saori!
- Ei, e nós? Não contamos não? - Seiya falou, emburrado.
- Que foi, cavalinho? Por acaso ficou com ciúmes? - ironizou Ikki.
- Cala a boca! Claro que não.
- Então, por que essa raivinha toda? Olha aí, está até vermelho, hahahahahahaha! E olha que nem dá pra dizer que é reflexo da camiseta, desta vez...
- Pare de provocá-lo, Ikki... - Shiryu interviu, rindo - Ela disse um dos cavaleiros e não o úncio, Seiya.
- Você até poderá ser o favorito um dia. Mas o único, acho difícil, Seiya. Pelo menos enquanto estivermos por aqui! - Hyoga completou. Nem percebeu que tanto Saori quanto Seiya ruborizaram violentamente diante do comentário.
A campainha tocou, de repente, atraindo a atenção de todos para a porta.
- Convidou mais alguém, Srta. Saori?
- Não, Tatsumi. Todos os que chamei já estão aqui.
- Deixa que eu abro, Tatsumi. Estou mais perto. - Hyoga correu em direção à porta e abriu-a. Seus olhos não podiam acdreditar no que estavam vendo.
- Naida? O que faz aqui?
- x - x - x - x - x - CONTINUA - x - x - x - x- x -
Notas Finais(1) = Essa "lenda" à qual me referi não existe de verdade. Foi apenas uma coisa que inventei para dificultar (ainda mais) a batalha dos Cavaleiros de Bronze. E melhorar a história, obviamente. Espero que tenha conseguido meu objetivo!Paste your document here...
