LE MUSKETTERS

BY DAMA 9

Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaron, Ducase, D'Arjan, Anjou, Danette, Vincent e a Fraternidade Red Eyes são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.

Boa Leitura!


Capitulo 12: Hoje e Sempre.

.I.

Vestiu-se rapidamente e a seguiu em direção ao cavalo, Silvana não parecia nem um pouco disposta a lhe ouvir, mas não tinha outra alternativa, se não providenciar uma chance.

-Silvana, ouça; ele falou segurando-a antes que ela montasse.

-Aioros, será que você não entende? –a jovem exasperou.

-Não, não entendo porque você esta fugindo; o mosqueteiro respondeu.

-Não estou fugindo; Silvana rebateu com os orbes estreitos de maneira perigosa.

-Não é o que parece; Aioros falou em tom sério. -Do que tem medo? – ele indagou fitando-a intensamente.

-Eu quero ser livre Aioros, se nos casarmos, não vai demorar até você querer me trancar em uma torre e jogar a chave fora; a jovem falou desviando o olhar.

-Jamais kiria; ele sussurrou, tocando-lhe a face e fazendo-a erguer os orbes em sua direção. –Não sei como posso provar isso a você agora, mas peço apenas uma chance; o mosqueteiro falou. –Confie em mim;

Fitou-o longamente, tinha medo de admitir que realmente confiava, afinal, se não confiasse não estaria ali, ou se estivesse, ele não estaria vivo. Mas a questão era que, não tinha como prever o que seria do amanhã. Agora ele fazia promessas, mas seria realmente capaz de cumpri-las?

-Não posso prometer que vamos concordar sempre ou que tudo será apenas sorrisos; Aioros falou dando um baixo suspiro. –Mas não depende só de mim fazer dar certo; ele completou.

-Eu, bem...;

-Não diga nada agora, teremos tempos para resolver isso. Agora precisamos partir a chuva já esta diminuindo e nosso rastro pode ficar visível; Aioros falou afastando-se e indo apagar os últimos vestígios da fogueira.

-Não entendo; Silvana murmurou, chamando-lhe a atenção.

-O que?

-Porque eu? –ela indagou.

-Uhn?

-Dentre tantas damas dentro ou fora da corte, porque eu? –a jovem indagou confusa.

-Porque você foi à única que virou minha vida de cabeça para baixo com um sorriso; ele respondeu recolhendo a sacola de couro que ficara no chão, com os poucos pertences que haviam trazido na viagem.

Terminou tudo rapidamente sem notar o ar chocado da jovem e seu silêncio.

-Vamos; Aioros falou entregando-lhe as rédeas do cavalo enquanto ia afastar as folhagens que colocara tapando a entrada da caverna.

Ainda estava garoando, mas precisavam ser rápidos se quisessem chegar pelo menos até Calais a salvo, sem serem interceptados novamente.

Saíram da caverna e segurou as rédeas para que ela pudesse montar novamente, mas quando chegou a sua vez quase varou a cela, indo cair do outro lado com o que ela falou.

-Aceito casar com você;

-Como? –Aioros indagou, segurando-se na cela para não cair, mas a jovem não falou mais nada. Por um momento chegou a pensar que tivera uma alucinação ou coisa do tipo, mas podia jurar que ela falara.

Conteve um breve tremor ao senti-lo envolver-lhe a cintura e acomodar-se melhor atrás de si, antes de instigarem o cavalo a galopar.

Nunca fora muito boa em demonstrar sentimentos com palavras, alias, jamais tivera exemplos de casos bem sucedidos disso, por isso preferia manter-se calada com relação aquilo que vinha sentindo desde que se conheceram.

Quando fizeram amor, não precisou falar, a compatibilidade que tinha com ele era assombrosa e seus corpos falaram o que os lábios jamais pronunciariam. Fora tudo involuntário e instintivo. Pelo menos até ai não existia nenhuma teoria Shekespeareana, como ele mesmo dissera eram apenas um homem e uma mulher fazendo amor.

Entretanto, Aioros não fazia o tipo que aceitaria com facilidade a condição de amante e também, não queria outro homem em sua vida que não fosse ele. Agora, depois de muito tempo a Silvana racional resolvia aparecer para lhe dizer que se quisesse ter o melhor dos dois, só havia um caminho a seguir.

Ou se arriscava a perder a liberdade, mas ficava com o mosqueteiro. Ou continuava com sua liberdade e ficava sem ele. Entretanto, a última parte não era nada agradável e a primeira, nenhum pouco segura, porém Ducase já havia lhe alertado que não poderia ser Simon para sempre, então... O que lhe restava agora era apenas seguir seu destino.

-Assim que pegarmos a estrada de onde paramos, talvez chegaremos a Calais de madrugada; Aioros falou fitando o céu com olhar perscrutados ao ver que logo iria anoitecer.

-Temos de nos apressar então; Silvana respondeu instigando o cavalo a ir mais rápido, mas assim que atravessaram um arco de árvores, o cavalo derrapou.

Tentou se segurar, mas no segundo seguinte, os três foram ao chão num baque seco.

-O que foi isso? –Aioros indagou correndo até ela, para ver se havia se machucado, mas mal deu um passo ouviu uma arma ser engatilhada atrás de si.

-Ora. Ora. Ora. O que temos aqui? –uma voz prepotente falou atrás dele. –Quem diria que o capitão dos mosqueteiros iria ser pego num truque tão antigo quanto à corda amarrada nas árvores; o líder dos soldados de Vincent falou indicando-lhes uma corta amarrada entre as duas árvores que passaram, sendo ela a causadora da queda.

-Aioros; Silvana falou tencionando seguir até ele, mas parou ao ver uma horda de soltados surgirem dentre as árvores.

Fuja! Os olhos dele diziam, mas não podia deixá-lo ali, não agora; ela pensou tateando o chão em busca de seu florete.

-Soldados, peguem o cavalo. Vamos levar a lady de volta a Paris e esse aqui, jogue junto com os outros; o líder mandou.

Um grupo de soltados tencionou se aproximar da jovem, mas recuaram no momento que ela pegou o florete e avançou sobre eles. O que ajudou Aioros a reagir e esquivar-se do líder.

Com os orbes queimando de fúria, avançou contra os soldados, um a um eles foram caindo sob a lamina do capitão dos mosqueteiros. Teria acabado com o líder se um grito não houvesse lhe detido os movimentos.

-Silvana; ele falou virando-se para procurá-la, quando viu um soldado com uma adaga pressionada sob o pescoço dela.

-É melhor abaixar a arma capitão, detestaríamos que a jovem perdesse a cabeça; o líder falou com escárnio.

-Solte-a; Aioros mandou.

-Eu acho que não; outro soldado falou aparecendo por trás dele e dando-lhe uma coronhada com a pistola na nuca.

De repente tudo ficou escuro, ouviu Silvana gritar seu nome, mas já era tarde. Não tinha força o suficiente para continuar a lutar.

-Amarrem-na e vamos voltar. Lorde Vincent tem um casamento para celebrar; o líder falou com escárnio, enquanto chamava outros soltados para prenderem o mosqueteiro inconsciente.

-Aioros; Silvana sussurrou tentando se soltar, mas parou quando notou que o soldado que lhe segurava estava realmente disposto a lhe cortar com a adaga.

Agora só podia pedir aos deuses um milagre...

-o-o-o-o-o-o-

A chuva já havia passado, mantiveram-se ocultos ali até ela passar e não demorou para que logo vissem uma comitiva se aproximando.

-Soldados; Kamus murmurou, mantendo-se oculto pelas árvores.

-Estão trazendo mais alguém; Milo respondeu, observando atentamente.

Virem alguns guardas da prisão saírem e ajudarem-nos a tirar alguém que estava sobre um dos cavalos, com um capuz sobre a face, impedindo-o de enxergar o caminho que haviam percorrido.

-Aioros; Kamus falou surpreso ao reconhecê-lo.

-Droga! Como esses idiotas sem cérebro conseguiram pegar tantos mosqueteiros assim? –Milo exasperou indignado.

Observaram os soldados arrastarem o mosqueteiro para dentro da prisão de Melbourne, quando um ruído a suas costas os alertou que não estavam mais sozinhos, imediatamente puxaram os floretes, mas surpreenderam-se ao ver um mosqueteiro conhecido ali.

-Aldebaran? –eles falaram surpresos.

-Anjou falou que vocês precisariam de reforços; o mosqueteiro avisou, indicando mais um grupo que vinha logo atrás trazendo cavalos reservas.

-Uhn! Ele não perde tempo; Milo murmurou surpreso.

-O que disse? –Kamus indagou voltando-se para ele desconfiado.

-Disse que não podemos perder tempo; ele corrigiu-se rapidamente, sorrindo largamente. –E eu sei como tirá-los de lá;

-O que vai fazer? –Aldebaran indagou vendo-o tirar uma bolsa de couro de baixo da túnica.

-Vamos comemorar; ele falou enquanto começava a desatar um nó feito com uma fina tira de couro na bolsa.

-Milo, não é hora para se embebedar; Kamus o repreendeu.

-Meu caro amigo francês, me diga como os orientais comemoram o ano novo? –Milo indagou, ignorando o sarcasmo do outro.

-Com fogos, mas-...; ele parou ao vê-lo colocar sobre a mão vários grãos pretos que havia acabado de retirar da bolsa de couro.

-Pólvora preta, quando essa belezinha pegar fogo. BUM vai tudo pelos ares; Milo respondeu. –Mas vamos logo, não temos tempo a perder; ele falou adiantando-se.

Os demais assentiram e seguiram-no, compreendendo a origem do plano, para tirar os mosqueteiros de lá, só conseguiriam tira-los de lá derrubando as paredes, porque se corressem o risco de invadir a prisão, perderiam mais tempo do que tinham.

.II.

Recostou-se no acento estofado, enquanto a carruagem sacolejava suavemente pelas ruas francesas, estavam voltando a Versalhes novamente. Sabia que aquela tranqüilidade toda não iria durar muito. Outros como Vincent iriam aparecer, mas pelo menos, não iriam usar mais ninguém da família real nesse jogo de intrigas; ele pensou, cruzando as pernas elegantemente, enquanto apoiava um braço na janela.

-Ouvi alguns rumores, Mú; Shion começou, chamando-lhe a atenção.

-Disse algo, Majestade? –o mosqueteiro indagou voltando-se para ele.

-Falei que andei ouvindo alguns rumores;

-Sobre?

-Um certo jovem chamado Ducase; o rei falou cauteloso. –Sabe me dizer algo sobre ele?

-Ducase é um jovem bastante promissor, mas desde que entrou para o time dos mosqueteiros, prefere evitar a cede. Ele é o filho do meio, do embaixador da Itália; o conselheiro falou calmamente.

-Ares; Shion falou surpreso. –Pensei que todos os filhos dele vivessem na Grécia; ele comentou.

-Não, Anteros vive atualmente na França e os outros residem na Itália com o pai; Mú respondeu.

-Imagino que não deve ser fácil para eles, viverem num lugar onde a mãe esta envolvida numa serie de escândalos; Shion falou pensativo. –Mas o que eu quero saber é, agora que Aioros vai sair em lua de mel, quem ficara em seu lugar?

-Provavelmente Kamus ou Saga; Mú respondeu, mas parou por um segundo compreendendo aonde ele queria chegar. –Vossa Majestade-...;

-Os rumores que ouvi, é de que Kamus anda como posso dizer? Obcecado por nosso jovem Ducase, não que eu queria incentivar a rivalidade entre iguais, mas a cede precisa de sangue novo e imagino que Ducase fará um bom trabalho substituindo Aioros como capitão da guarda; ele comentou.

-Vou ver o que posso fazer majestade, mas não lhe prometo que conseguirei convencer Ducase; o mosqueteiro falou sério.

-Ao menos tente é só o que peço; Shion completou, enquanto desviava o olhar para a janela novamente.

.III.

Um pesado silêncio caiu sobre a igreja, os noivos já teriam ido embora se um dos mosqueteiros não houvesse aparecido arrastando o cadáver do duque.

-Por que isso Firenze? –Aiolia perguntou confuso.

-Quem de vocês deu o tiro? –o italiano perguntou, voltando-se para Aiolia e outros três mosqueteiros que estavam com ele no balcão do segundo andar.

-Não fui eu; o leão dourado respondeu e os outros três a seu lado apenas acenaram, dizendo que não foram eles também.

-Então, quem deu o tiro?

-Não fui eu; Aioros respondeu quando os olhares viraram em sua direção.

-Eu não estava lá em cima; Milo adiantou-se.

Todos trocaram um olhar confuso, esperando que alguém se manifestasse e dissesse quem era o autor do disparo, mas nada.

-Onde está Kamus? –Milo indagou vendo que o francês não estava entre eles.

-Ele estava aqui agora há pouco; Kanon falou olhando para seu lado, onde o mosqueteiro estava, mas não havia ninguém ali.

-Será? –todos indagaram ao mesmo tempo.

-o-o-o-o-o-

Desceu as escadas laterais da igreja e conseguiu sair enquanto ninguém estava olhando. Guardou a pistola de volta ao bolso lateral e teria chegado a Demon se um florete não houvesse sido apontado para sua garganta e tivesse de frear seus passos rapidamente.

Os orbes dourados cintilaram de maneira perigosa, quando encararam o francês de ar frio.

-Olha só quem temos aqui; Kamus falou movendo o florete que forma que fizesse o outro recuar um passo apenas por precaução.

-O que quer Kamus? –Anteros indagou em tom frio, ameaçou pegar seu florete, mas a lamina do outro tocou seu peito, na direção do coração. Recuou erguendo as mãos em sinal de rendição.

-Melhor assim; o mosqueteiro falou.

-Não faça nada de que se arrependa, Kamus; ele avisou recuando mais um passo.

Porque aquele idiota tinha de complicar tudo, Vincent já não estava morto? O rei não estava a salvo em Versalhes? Então, o que raios ele tinha de caçar pelo em ovo? –o mosqueteiro pensou irritado.

-Anteros mon amur; uma voz feminina falou, chamando-lhes a atenção.

Os dois mosqueteiros viraram a tempo de verem uma jovem de longas melenas vermelhas se aproximar e lançar-se aos braços do italiano.

-Aisty; os dois mosqueteiros gritaram, enquanto a jovem de maneira displicente abraçava ainda mais Ducase.

-Ah querido, estava morrendo de saudade; ela falou com um sorriso maroto nos lábios. –Ou você não?

-Ahn! Bem...; Anteros balbuciou, pela primeira vez sem saber o que fazer.

-Aisty, afaste-se dele agora; Kamus mandou, saindo do estupor do choque e ficando ainda mais fulo pelas atitudes impulsivas da irmã mais nova, que por sinal, ele nem sabia que ela estava em Paris.

-Kamus, chèrrie, você por aqui? - Aisty falou sorrindo, enquanto mantinha-se pendurada no pescoço de Anteros.

-Não piore as coisas Aisty; Anteros falou entre dentes, apenas para ela ouvir.

-Fique quietinho que eu seu o que estou fazendo; a jovem respondeu com um largo sorriso. –Maninho querido, ouvi rumores de que você tinha ido a Melbourne, não sabia que já tinha voltado; ela continuou.

-Cheguei há algumas horas, mas agora vai se afastando; Kamus respondeu acenando com o florete para ela recuar, mas ao contrario de Anteros, Aisty permaneceu no mesmo lugar.

-Ah sim, parece que Lady Kiriakos acabou de casar; ela falou de maneira pensativa.

-Aisty; Anteros e Kamus falaram em tom de aviso.

Se antes o francês já queria lhe matar, agora então; o italiano pensou.

-Antes que eu me esqueça, encontrei com o conselheiro do rei no caminho e ele me pediu para lhe entregar essa missiva; Aisty falou se afastando de Anteros apenas para retirar de uma pequena bolsa de mão um documento selado a cera.

-Como? –Anteros indagou tão surpreso quanto Kamus.

Rompeu o lacre de cera e rapidamente leu as instruções, franziu o cenho ao compreender o que o conselheiro queria dizer com aquela missiva. Mú deveria achar que era louco para entrar desarmado no meio da toca dos lobos; ele pensou, bufando exasperado.

-Então? –Aisty indagou como quem não quer nada.

-A resposta é não; Anteros respondeu devolvendo-lhe a missiva.

-Mas...;

-Aisty; ele falou fitando-a longamente, enquanto Kamus apenas olhava de um para outro. –A resposta é não, retransmita isso a ele por gentileza; o mosqueteiro completou antes de dar as costas aos dois e se afastar.

-Hei!

-Outro dia Kamus; Anteros falou sem se virar. –Vamos nos enfrentar e é melhor que esteja preparado pra beijar o chão que eu pisar; ele avisou, antes de puxar as rédeas de Demon, montar e rapidamente deixar o local.

-O que Mú queria? –Kamus indagou chamando-lhe a atenção.

.IV.

-O QUE?

Todos viraram-se na direção do grito ao mesmo tempo, vendo até mesmo alguns vitrais estremecerem.

-Parece que foi o Kamus; Aldebaran falou surpreso.

-Isso é insano; eles ouviram o francês esbravejar enquanto entrava na igreja acompanhado de alguém.

-Insano não, os mosqueteiros precisam de sangue novo e porque não Ducase? Ele já provou ser competente e até mesmo o rei acha isso, se não, não teria mandado essa missiva comunicando que-...; Aisty parou de agitar de maneira frenética o documento, enquanto seguia Kamus, quando deparou-se com vários olhares sobre si.

-Perda de tempo então; Kamus rebateu.

-Uhn! Quem é essa? –Kanon perguntou com um sorriso nos lábios que estava longe de ser inocente.

-Irmã do Kamus e vai tirando esse sorrisinho da cara, que ele mata você se chegar perto dela; Milo avisou enquanto afastava-se.

-Aff! Parece que você vive no tempo das cavernas irmãozinho, mas se quiser posso começar a numerar a infinidade de razões pelas quais, Ducase é o novo capitão dos mosqueteiros na ausência de Aioros; ela falou deixando todos chocados.

-Como é? –Saga indagou fitando-a com um olhar cortante.

-Uhn! –a jovem murmurou voltando-se para ele e piscando delicadamente, como se só agora houvesse se dado conta da presença dele ali.

-Não leve isso a sério Saga, minha querida irmãzinha bateu com a cabeça e não sabe o que fala, só isso; Kamus falou, mas soltou um fraco gemido dos lábios quando a jovem bateu com um leque na cabeça dele.

-Sei mais do que você, que estava prestes a matá-lo; ela rebateu furiosa.

-Eu concordo com o rei, Ducase é muito competente; Aioros falou, chamando-lhes a atenção.

-Mas...; Saga pretendia falar, mas Silvana se adiantou.

-Alem do mais, a cede precisa de sangue novo; a noiva falou com um fino sorriso nos lábios, piscando de maneira discreta para a irmã do francês, que apenas assentiu.

-De qualquer forma, ele se negou... Mas pelo que vi aqui; Aisty murmurou, enquanto abria o documento novamente. –Se Ducase se recusasse o convite iria ser estendido a Anjou e-...;

-Não; Guilherme praticamente gritou, todos os olhares se voltaram imediatamente para ele. –Ahn! Bem...;

-É impressão a minha ou você esta com medo dele, italiano? –Aldebaran provocou.

-Oras seu...;

-Bem, creio que vocês podem resolver isso la fora agora; Hyoga falou literalmente os expulsando da igreja. –Essa é a casa de Deus, não um lugar para vocês ficarem discutindo cargos políticos;

-Pensei que você não fosse padre; Silvana falou em tom de provocação.

-Deus me livre; o russo falou fazendo imediatamente o sinal da cruz.

-Concordo plenamente, seria um desperdício; Aisty falou com um sorriso matreiro nos lábios.

-Aisty, vamos; Kamus falou segurando-a pelo braço e guiando-a para fora da igreja.

-Essa garota ainda vai deixar o Kamus de cabelos brancos; Saga falou em tom reprovador.

-Não cuspa pra cima Saga; Shaka falou de maneira enigmática.

-Como?

-Nada não; ele desconversou, enquanto ia encontrar com Lancaster.

-o-o-o-o-o-

Abraçou o marido fortemente, enquanto abafava o riso. E pensar que tudo parecia tão mais claro agora, mesmo que os outros não fossem capazes de ver.

-Porque esta rindo? –Aioros indagou, afagando-lhe os cabelos.

-Estava só pensando; Silvana começou, enquanto uma carruagem parava em frente à igreja para levá-los até o porto.

Iriam até Calais como era o plano original, mas não iriam para Gretna Green na Escócia e sim para La Rochelle, uma linda ilha na costa escocesa, que pertencia a um misterioso amigo que lhes convidara para passarem um tempo lá.

-No que? –ele perguntou curioso.

-Que eu não fui à única a ter aquela idéia; ela sussurrou apenas para ele ouvir.

-Como? Não esta querendo dizer q-...; Aioros parou quando Silvana fez sinal para falar baixo, enquanto entravam na carruagem.

-Boa viagem; os amigos gritaram acenando enquanto eles se afastavam.

Da janela acenaram despedindo-se, logo estariam de volta, mas até lá, iriam aproveitar ao máximo o tempo que tinham só os dois.

-É, talvez essa seja a ironia da vida; Silvana falou sorrindo, enquanto recostava-se no acento estofado e apoiava a cabeça sobre o ombro dele.

-Um dia, um amigo me disse que esse mundo, estava cheio de Margaridas, Cleópatras, Olímpias e Lilith's, mas que nós precisaríamos estar preparados para entender o que isso significava; Aioros falou serio, puxando-a para sentar-se em seu colo. –Aquele dia na igreja eu compreendi o que ele queria dizer;

-Uhn! –ela murmurou confusa.

-Quando Vincent apareceu e você não hesitou em puxar o florete para ele, eu não sei, mas comecei a desconfiar que você não podia ser o Simon e depois, quando tive certeza disso, compreendi que se não fossem mulheres fortes como você, esse mundo não seria metade do que é hoje; o mosqueteiro falou pousando um leve beijo sobre seus lábios –Mulheres que deixam de lado a própria vida para lutar por algo maior, que não se conformam com os velhos paradigmas ou com as convenções, para irem em frente e construírem o próprio caminho. Enfim... São tantas Cleópatras, Margaridas e Olímpias;

-Acha mesmo? –a jovem indagou ansiosa.

-Tenho certeza; Aioros afirmou veemente. -Então senhora Kinaros, o que pretende ser agora? Mosqueteira ou dama? –ele indagou com um sorriso maroto.

-Não posso ser mosqueteiro, porque decidi me casar com você; Silvana falou casualmente, enquanto soltava o pequeno nó que prendia a túnica dele no pescoço. –Não posso ser uma dama, porque elas são cheias de frescuras; ela continuou.

-Uhn! Acho que podemos dar um jeito nisso então; ele falou sorrindo marotamente, antes de prender os dedos de maneira possessiva entre os longos cabelos castanhos e aproximá-la mais, até seus lábios se encontrarem.

-Verdade? –Silvana indagou quando o mosqueteiro roçou-lhe os lábios.

-Palavra de mosqueteiro; ele sussurrou, antes de beijar-lhe intensamente. –Hoje e sempre!

-o-o-o-o-o-

Desceram as escadarias de Notre Dame e viram a carruagem se afastar com os noivos.

-Alguém viu Anjou? –Milo perguntou vendo que o mosqueteiro também desaparecera.

-Não; Lancaster respondeu. –Não o vi desde que viemos para cá;

-Estranho; o grego murmurou pensativo.

Ouviu um baixo assovio e ao virar-se teve tempo de ver, na outra extremidade da rua três cavaleiros com capas negras acenarem e se afastarem. Fez um leve aceno em resposta, mesmo sabendo que daquela distancia eles não poderiam ter visto.

Voltou para dentro da igreja, a missão fora cumprida com sucesso, alias, mais uma missão, embora não a última. Sentou-se em um banco de madeira e apoiou os braços sobre as costas do banco da frente.

Ducase, Anjou e D'Arjan, iriam levar um bom tempo para aparecerem em Paris novamente, quem sabe quando surgisse uma nova missão, mas até lá, aqueles três mosqueteiros misteriosos seguiriam um caminho alheio ao deles.

-Em que esta pensando Milo? –Saga perguntou sentando-se ao lado dele.

-Nas ironias da vida, meu amigo; ele respondeu dando um baixo suspiro.

-Uhn!

-Você já percebeu, que as maiores revoluções da história aconteceram por causa de uma mulher? –Milo indagou como quem não quer nada.

-Ahn! Nunca reparei; o grego respondeu dando de ombros.

-É meu caro, esse mundo esta cheio de Helenas, Margaridas, Psiques, Liliths e Morganas. Mulheres que em sua própria maneira, fizeram do mundo o que ele é hoje. Algo em constante evolução; o mosqueteiro falou se levantando. –Mas onde está o Kamus?

-Foi levar a irmã embora, eles começaram a discutir e quando ela ameaçou pegar o florete dele e furá-lo com a ponta, ele teve que apelar; Saga respondeu com a sobrancelha levemente arqueada.

-Essa Aisty, só ela para fazer o Kamus voltar a andar no mundo dos mortais; ele comentou.

-Você a conhece há muito tempo? –Saga indagou curioso.

-Para quem quer parecer casual, você está muito interessado; Milo falou com um sorriso que estava longe de ser inocente.

-Só se eu fosse suicida; o geminiano resmungou.

Sua sanidade estaria comprometida se tivesse de lidar com uma garota tão atrevida quanto àquela e ainda tinham aqueles rumores que chegaram até si, que diziam que a jovem de melenas vermelhas tinha um caso com Ducase, o que era mais um motivo para querer distancia.

-Daqui a algum tempo, vou lhe lembrar disso; Milo avisou sorrindo, antes de se levantar e com um breve aceno, deixá-lo ali, a deriva com seus próprios pensamentos.

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