EPÍLOGO

— Está pronta?

— Sim — respondeu Rin simplesmente. Dentro de minutos, ela desceria a escadaria em

curva ao lado de Sango e sairia para o jardim, onde Sesshy estava esperando por ela na presença de seus pais, Miroku e o pastor.

— Você está linda — elogiou Sango com sinceridade, tocando o rosto da irmã com o seu. — Desejo-lhe toda a felicidade do mundo — completou a irmã, gentilmente. — E espero que seja tão feliz para o resto de sua vida o quanto é hoje.

— Se disser mais qualquer coisa, você vai me fazer chorar, mana!

— Nem pense nisso. Acabaria com toda sua maquiagem — aconselhou Sango.

Os últimos dias se passaram como se fossem um sonho, refletiu Rin. Sesshy tinha organizado tudo com admirável facilidade. Algo realmente incrível, e que só fez aumentar sua admiração por ele.

Uma hora depois de entrarem na casa dele, em Sovereign Islands, na quarta-feira de manhã, um consultor de moda havia chegado com uma pasta enorme com modelos de vestidos e amostra de tecidos, dos quais Rin escolheu um vestido simples de seda cor marfim. Rosas brancas foram as flores escolhidas para seu buquê de noiva e decorações florais. Tudo foi encomendado de um bufê de festas particular e o bolo de casamento confeccionado por uma renomada doceira.

O tempo estava perfeito. Céu claro, raios de sol brandos de início de verão com uma leve brisa que soprava do mar.

— Vamos acabar logo com isso — disse Sango.

Levaram apenas alguns minutos para descer as escadas e cruzar a grande sala da casa que as levaria ao jardim. As enormes janelas abertas exibiam um gramado impecável e belíssimas palmeiras-imperiais. Além do assoalho de mármore, que, sem dúvida, era um dos grandes atrativos da decoração.

Um tapete vermelho coberto com pétalas de rosas brancas levava à pérgula, também lindamente decorada com , onde Sesshy estava de pé, esperando por ela.

Ele mais parecia um deus grego diretamente vindo do Olimpo do que um noivo australiano, ali vestido num terno preto impecável.

Quase por instinto, ele voltou-se para ela e a fez sentir-se como se seu coração tivesse parado por um segundo antes que disparasse.

Era bastante evidente a extensão das emoções de Sesshy quando ela vagarosamente caminhou no tapete para ele.

Aquilo a fez querer rir e chorar ao mesmo tempo. Uma sensação maravilhosa de plena alegria e felicidade.

— Uau! — resumiu Sango numa única palavra.

Era possível que ela estivesse flutuando? Rin sentia-se como se seus pés não tocassem o chão.

O sorriso alargou-se, iluminando suas feições e emprestando aos olhos azuis uma luminosidade maravilhosa quando ela chegou até Sesshy e ambos entrelaçaram os dedos.

Sem pensar em ninguém mais, Sesshy abaixou a cabeça e beijou-lhe a boca com um ardor não muito apropriado para a ocasião.

Foi uma cerimônia belíssima e todos os que estavam presentes a aplaudiram.

O olhar de amor que Sesshy deu à noiva e a maneira como ele prometeu amá-la e protegê-la em todos os dias de sua vida quando colocou o anel de diamantes no dedo da mão esquerda de Rin encheram o coração dela de felicidade. Era um êxtase total.

As palavras que ela repetiu para ele, quando, por sua vez, pegou a mão esquerda dele e colocou uma aliança de ouro, fizeram o peito de Sesshy contrair-se. Sim, ele também estava emocionado com a ocasião.

Risadas, sorrisos e abraços eram dados e trocados tendo como fundo o mar brilhante e o céu azul.

Houve fotografias e brindes com champanhe, mas a noiva declinou, em favor de um refrigerante. Os canapés mais pareciam medalhas decoradas. Eram praticamente obras de arte. Tudo seguido, mais tarde, por um almoço suntuoso dentro de casa.

Os pais do noivo pareciam verdadeiramente encantados com a nora e pela perspectiva de virem a ser avós.

Tão logo se despediram dos últimos convidados, no fim da noite, Rin disse a Sesshy que estava imensamente agradecida por tudo.

Sesshy passou um braço pela cintura dela quando a conduziu para o andar superior.

— Apenas seus pais, minha irmã e meu cunhado e mais alguns amigos íntimos foram capazes de elaborar um sonho particular. Nunca imaginei que isso fosse possível — revelou Rin.

Ele roçou o rosto no dela, dando-lhe um leve beijo na face.

— Kagura e eu crescemos na sombra um do outro, mas sempre como amigos e nunca como amantes.

Não no que dependesse de Kagura, pensou Rin em silêncio. Mas, com certeza, aquele nome e tudo o que ele pudesse acarretar era algo pertencente ao passado. Rin agora tinha o futuro nas mãos.

Havia apenas hoje e todos os amanhãs que compartilharia com o homem que era o amor de sua vida. Naquele instante, ela teve certeza de que a felicidade era algo real.

Em menos de sete meses, haveria uma criança... uma dádiva preciosa exclusivamente deles.

A vida tinha sido boa para ela. Pensamentos assim estavam sendo constantes na mente de Rin. Ela deu um suspiro de satisfação. Era um milagre muito especial.

— Cansada? — Sesshy ergueu a mão, passando com delicadeza os dedos no queixo dela. — Ainda temos a noite toda.

Ela virou o rosto na palma da mão dele e, olhando-o fixamente, pensou que era sempre divertido provocar um pouco.

— Humm, isto é um convite ou uma promessa?

— Ambos.

A suave risada dela, como sempre, o cativou, e num rápido movimento Sesshy a ergueu nos braços, carregando-a para dentro da suíte.

— Táticas de homem das cavernas? Por que será que todos vocês gostam de parecer primitivos?

Ele tirou-lhe a fivela dos cabelos e deixou o leve peso de suas madeixas caírem sobre seus ombros.

— Não. Tudo isso pode ser chamado simplesmente de desejo — disse Sesshy com suavidade. — E apenas por você.

Os olhos azuis de Rin brilharam um pouco enquanto ela lhe oferecia um sorriso maravilhoso.

— Eu também, meu amor.

Eram palavras simples, vindas do fundo dó coração.