Beta: Carol Camui


Como esse capítulo já é o favorito da Carol, então vou dedicá-lo especialmente a ela.


Na manhã seguinte, Jensen entrou na escola com sua melhor pose. Exibia ainda uma pequena lesão no rosto, que mais parecia um troféu invés de uma punição. Avistou Jared em um corredor e passou por ele como se nada tivesse acontecido.

Genevieve encontrou com Jensen no meio do caminho e se agarrou ao pescoço do loiro, que revirou os olhos sem corresponder aos afagos da morena.

- O que aconteceu com você, Jen? – Genevieve perguntava, passando a mão delicadamente sobre o rosto do loiro.

- Porque não pergunta para o seu amigo? – Tirou a mão da garota e continuou andando.

- Que grosseria, Jensen! Só estou perguntando! – A morena andava atrás do loiro.

- Já te falei para quem você deve perguntar. – virou-se para encarar Genevieve - Me faz um favor e me deixa em paz!

A garota, sem entender nada, abria e fechava a boca sem conseguir pronunciar uma palavra. Jensen aproveitou a deixa e entrou na sala. Sentou-se ao lado de Misha, que o cumprimentou apenas com um sorriso tímido.

Jared entrou na sala e encontrou Genevieve sentada, com os braços cruzados e expressão fechada. Já imaginava o que poderia ter acontecido, mas como chegou quase ao mesmo tempo em que o professor, sentou-se calado próximo à amiga.

A aula transcorreu sem nenhum problema. Na hora do intervalo, Jensen jogou uma pequena quantidade de papel sobre a mesa de Jared.

- Nosso trabalho. Se quiser mudar alguma coisa, fique à vontade. – Jensen proferiu as palavras e saiu andando, sem esperar uma resposta.

Jared nem se importou. Depois da conversa com Misha, tinha aplacado um pouco a sua raiva pelo loiro. Estava tentando ignorar as atitudes de Jensen. Misha passou por ele, bagunçou seu cabelo e saiu rindo com a dificuldade do mais alto para se arrumar.

No final do intervalo, Jared ia saindo do banheiro e Misha ia entrando. Pararam alguns minutos para conversar ainda do lado de dentro. Estavam rindo com Misha imitando o professor da última aula, quando Jensen adentrou o local.

O loiro observou os dois se recuperando do ataque de risos e percebeu o quanto estavam próximos. Passou entre eles, deu um beijo leve nos lábios de Misha e encarou Jared. Foi em direção ao mictório, deixando os dois no meio do caminho.

Misha colocou as mãos na cintura, olhou para o chão e balançou a cabeça. Jensen não tinha jeito mesmo.

O moreno mais alto foi o primeiro a deixar o banheiro, dando um tapinha no ombro do outro moreno.

Misha ainda ficou esperando o loiro lavar as mãos para sair com ele. Secando as mãos, Jensen jogou o papel toalha no lixo e parou na frente do moreno. Misha mantinha um meio sorriso no rosto, como quem esperava uma resposta, que não veio. Estava se virando pra sair, quando sentiu a mão de Jensen lhe puxando. Sua boca foi tomada por um beijo voraz por parte do moreno que fez suas pernas bambearem. Ficaram se beijando da mesma forma, até Jensen encerrar o beijo da mesma forma que começou, do nada.

O loiro deu uma generosa lambida na boca do moreno e saiu do banheiro. – Estamos atrasados. – Falou enquanto fechava a porta.

...

Jensen fez questão de não procurar o professor John, como o diretor havia orientado. Se tivesse sorte, o diretor o cobraria por não cumprir suas ordens.

A próxima aula era sua favorita. Gostava daquela aula, pois as possibilidades de arranjar confusão eram incalculáveis. Na aula de química, resolveu utilizar um truque comum: bomba fedorenta. O único problema era que sofreria as consequências com o experimento e ficaria com um cheiro insuportável até o final do dia.

Misha não tinha conseguido sentar na mesma bancada de Jensen, devido ao atraso provocado pelo mesmo e sua cena no banheiro. Também não imaginava que ele fosse fazer aquilo. Quando observou uma movimentação na bancada de Jensen, já era tarde demais. Em segundos, toda a sala estava coberta por uma névoa branca com cheiro de ovo podre. Com o tumulto causado e uma cadeira estrategicamente deixada próxima a porta, os alunos não conseguiam deixar a sala, com um empurrando o outro. Quando a porta se abriu, os alunos saíram correndo e o cheiro se espalhou por toda a escola.

Em poucos minutos o prédio tinha sido evacuado e os detectores de fumaça fizeram seu papel, acionando o sistema de sprinklers do corredor principal. Jensen não esperava que o resultado da experiência que tinha encontrado na internet ia causar um caos tão grande. A nova receita era realmente arrebatadora.

Os bombeiros chegaram e viram que não passava de um alarme falso. Por sorte, apenas uma parte do sistema de incêndio tinha sido acionado, assim os prejuízos não seriam tão grandes.

O último a deixar a escola foi o diretor. Os alunos pararam para observar Jeffrey sair. Cabelos molhados, cabeça baixa, camisa branca colada ao corpo e um olhar matador. Todos saiam de seu caminho, com medo do ar assassino de Jeffrey.

Jeffrey foi se aproximando de um amontoado de alunos. Sabia que a causa do problema deveria estar bem no meio daquela roda.

Cercado por metade da escola estava Jensen. Alguns cumprimentavam o colega pela brilhante ideia. Outros, muito incomodados com o cheiro insuportável em suas peles, o xingavam de todos os nomes possíveis.

À medida que os alunos iam percebendo a aproximação do diretor, um corredor ia se formando para dar passagem. Uns iam alertando aos outros e se distanciando da multidão. Ninguém gostaria de sofrer as consequências da ira do diretor, não quando ele sustentava aquela expressão assustadora.

Chegando ao meio da roda, Jeffrey avistou Jensen, que nesse exato momento recebia um tapa na nuca de Misha.

Assim que colocou os olhos em Jeffrey, a alma de Jensen tentou abandonar o seu corpo. Isso foi o que ele achou que aconteceu, devido ao arrepio que correu sua espinha, desde a base, até a nuca.

- Quero você na minha sala! – Jeffrey falou com tanta convicção que nem ao menos foi necessário elevar o tom de voz.

- Acho que os bombeiros não vão autorizar. – Jensen não poderia perder a oportunidade de provocar o diretor.

A expressão de Jeffrey ficou ainda mais fechada e por pouco ele não pulou no pescoço de Jensen e o torceu até esgotar toda a raiva que estava sentindo. Respirou fundo e prosseguiu - Amanhã! No primeiro horário!

- Sim, senhor. – Sorriu de lado, testando os limites do diretor.

...

Jensen passou a tarde de molho na banheira. Pegou todos os sais caríssimos de sua mãe e despejou em grande quantidade na banheira para tentar tirar aquele cheiro horrível impregnado em seu corpo. Estava mais preocupado com a conversa que teria com o diretor no dia seguinte. A brincadeira era pra ficar apenas no laboratório, mas ela se espalhou pela escola inteira e ainda acionou o alarme de incêndio. O pior de tudo foi ver que o diretor tinha sido pego pela água do sistema de sprinklers. Dessa vez tinha se superado.

Estava imaginando a cara do diretor quando viu a movimentação e foi atingido em cheio pela água, como em uma chuva de verão que despenca de repente. Havia ainda o fato de ele usar uma camisa branca naquele dia. Agradeceu aos céus por essa escolha do diretor naquela manhã.

A camisa branca grudada ao corpo do diretor definiu muito melhor suas formas. O ombro largo e os braços fortes sendo coberto apenas por aquela camisa transparente colada.

Um calor delirante tomou conta de todo o corpo de Jensen. Desceu a mão desde o queixo, passando a ponta dos dedos pelo seu pescoço e parou um pouco para apertar um dos mamilos. A outra mão foi tocar parte de sua barriga, imaginando a pele quente de Jeffrey sobre a peça fria de roupa molhada.

O pensamento fixo em Jeffrey o estava deixando inebriado. Seu membro ficou duro apenas de se lembrar da cena do diretor chegando até si com aquela pose máscula e lábios cerrados.

Um gemido escapou de sua boca quando tocou apenas com a ponta dos dedos seu membro, partindo da base até a ponta. Apertou a parte superior e outro gemido não pôde ser contido. Com um vai e vem lento, estava torturando a si mesmo, contendo os gemidos que insistiam em sair sem consentimento. Quando se aproximava do clímax, iniciou um movimento mais intenso, imaginando como deveria ser estar na cama com Jeffrey. Seu corpo inteiro estremeceu, ficando relaxado logo em seguida. Deixou o corpo relaxar na banheira, se recuperando do orgasmo recente.

...

A quarta-feira amanheceu chuvosa. Jensen chegou cedo na escola para poder se preparar psicologicamente para a "conversa" com o diretor. Dessa vez ia tomar um verdadeiro "esporro". Foi até a diretoria e encontrou secretária do diretor já em sua mesa. Ela olhou para o garoto já sentindo pena dele e o avisou que para a sua sorte, o Sr. Morgan ainda não havia chegado. Abriu a porta do diretor e pediu que ele aguardasse dentro da sala, pois ele já estava a caminho.

Aproveitou a oportunidade para ver melhor a sala. Deu a volta na mesa de Jeffrey e reparou num porta retrato sobre a mesa. Havia um foto de Jeffrey abraçado a um cachorro e uma foto da esposa de Jeffrey. Tinha que admitir que ele tinha bom gosto para mulheres.

Viu alguns papeis sobre a mesa, mas nada que chamasse sua atenção. Por fim, voltou a cadeira de frente à mesa para evitar maiores conflitos. Ficou aguardando cerca de quinze minutos, até ouvir algumas vozes do lado de fora.

Jeffrey entrou na sala como um furacão. Estava vestindo um sobretudo preto, sobre uma blusa de lã grafite e gola "V", completando o visual com cachecol preto comprido, uma calça jeans escura e sapatos pretos.

Jensen apertava os braços da cadeira, tentando se controlar para não pular em cima daquele homem e arrancar toda aquela produção, até ele ficar nu em pelos.

Jeffrey tirava o sobretudo, ignorando a presença de Jensen. Sabia que ele estava lá, mas estava lutando com seus instintos para não matar aquele garoto. E também para não estourar seus tímpanos de tanto gritar. Tinha passado a noite toda se revirando na casa, pensando em como iria colocar juízo na cabeça daquela criatura. Agora era uma questão de honra: ele iria corrigir o comportamento de Jensen, ou seu nome não era Jeffrey Dean Morgan.

Sentando em sua cadeira, Jeffrey arrumou alguns papeis que estavam sobre a mesa e recostou-se na cadeira, cruzando os braços e encarando Jensen.

- O que eu faço com você? – Jeffrey perguntou, olhando diretamente nos olhos de Jensen.

A pergunta do diretor ecoou na cabeça de Jensen e logo tomou um rumo diferente do que o Jeffrey queria dizer. Pensou em inúmeras possibilidades do que Jeffrey poderia fazer com ele e sentiu seu baixo vente se aquecer. Remexeu-se na cadeira tentando esquecer o que havia pensado.

- Não era a minha intenção fazer aquele estrago todo... – Jensen falou e baixou a cabeça, não conseguindo sustentar o olhar de Jeffrey.

- Uau! Não sabe como isso me deixa mais tranquilo... – Jeffrey lançava todo o seu sarcasmo. – Fico imaginando o que você faria com toda a vontade.

- Não se preocupe, meu pai irá pagar por qualquer dano à escola.

- Isso não me preocupa mesmo. Sei que seu pai vai pagar sem nenhum problema. Só que o meu principal problema não são os danos à escola, eu prefiro agir na causa. – Jeffrey desencostou-se da cadeira, apoiou os cotovelos na mesa e o queixo sobre as mãos.

Jensen parecia chutar algumas pedrinhas invisíveis no chão.

- Qual é o seu problema, Jensen? Você acha que a vida é passar de uma cidade pra outra arrumando confusão até que todas as suas portas se fechem? Pular de escola em escola, ano após ano? O que é que você pensa da vida!

Jensen desencostou-se da cadeira e assumiu a mesma posição de Jeffrey, encarando-o novamente. – O que eu penso da vida? Eu não penso na vida! Eu apenas vivo! Diferente de todos vocês, super preocupados com suas vidinhas chatas! E se eu vou pular para outra escola, por que você está se importando tanto?

- É aí que você se engana! Você não vai sair daqui tão cedo.

Jensen ficou confuso com a afirmação do diretor.

- Vou falar com seu pai e não vou deixar ele te tirar daqui até que eu o faça se enquadrar nesse estilo de vidinha chata que todas as pessoas estão acostumadas.

Jensen começou a gargalhar com a pretensão de Jeffrey. Levantou-se da cadeira, deu a volta nela e apoiou o queixo no encosto. – Uau! Como você é poderoso! – Jensen imitava o sarcasmo de Jeffrey.

Jeffrey não sabia se jogava Jensen pela janela ou se apenas o empurrava porta a fora. Levantou-se e caminhou lentamente em sua direção. Num rompante, puxou o braço de Jensen e o segurou firme a sua frente.

- Eu não sou seu pai! Eu não tenho que aturar a sua arrogância! – Falava com a face bem próxima do rosto de Jensen.

Jensen mantinha um sorriso no rosto e, sem que Jeffrey pudesse reagir, lambeu vagarosamente a boca do mais velho. Jeffrey ficou tão aturdido que mal conseguiu reagir, apenas soltou o braço de Jensen e deu um passo para trás.

- Dê o fora daqui... – Falou dando mais alguns passos pra trás antes de se virar e ir para sua mesa.

Jensen saiu triunfante da sala de Jeffrey, com um sorriso estampado no rosto. A secretária ficou olhando o garoto sair com uma expressão confusa. Quem poderia entender esses alunos...


Mais um rapidinho!

Quase fiz a Carol morrer com esse. No final do capítulo tinha um emoticon deixado pela Carol: x_x

Obrigada, querida!

Gostaria de agradecer também as pessoas que não gostam muito da "suruba" que é essa fic, mas mesmo assim acompanham e me incentivam. É maravilhoso ver que mesmo não acertando as preferências pessoais, estou agradando de forma diferente. Obrigada de coração!


Reed Clow ()
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Obrigada por acompanhar! Adoro as suas reviews! Elas são cheias de observações pertinentes que me fazem observar melhor alguns detalhes da minha própria fic. Não tinha respondido o comentário do outro capítulo, mas fique sabendo que li e adorei.

Beijoooos =***