Aqui está, logo tem mais, prometo!
Capitulo XII
POV BELLA
Eu mal podia crer que havíamos conseguido, estávamos finalmente saindo daquele tormento, mas comemorei cedo demais, ao sairmos daquele salão que cheirava a morte, senti Edward me apertar ainda mais contra si, quando um grupo de humanos cruzou conosco, eles iam em direção ao salão. Deus isso não seria possível? Em meio aquele aglomerado de pessoas, havia uma mulher, uma senhora que segurava um rosário nas mãos, ela falava uma língua estranha, mas dava pra ver que implorava a Demetri para não entrar lá.
Seus olhos encontraram os meus, havia pavor ali, Edward virou meu rosto para seu peito apertando o passo, mas antes que as enormes portas se fechassem um som pavoroso saiu de lá, eram gritos de clemência e horror, aquilo ecoou em minha mente, senti meus olhos embaçados e um chiado perturbador preenchia aquele hall de entrada. Meus dentes batiam uns contra os outros, um soluço rompeu com força trazendo um choro convulsivo, Edward sustentava meu peso, já que eu tropeçava em meus próprios pés.
- Você está bem? – perguntou visivelmente preocupado, mas eu não conseguia responder, eu sentia tanta coisa ao mesmo tempo, raiva, medo, alegria, tristeza... Estava tudo confuso, meu corpo todo doía, estava exausta, mas não queria dormir, não queria fechar meus olhos.
Ele estava aqui diante de mim, seus braços estava em volta do meu corpo, queria aproveitar ao máximo esse contato, depois que estivéssemos seguros, Edward voltaria para ela. Não me importava que meu peito partisse ao meio, havia tantas perguntas a serem feitas, eu queria minhas respostas.
- É melhor fazê-la senta- se antes que caia, ela vai desmoronar. – dizia Alice também preocupada, eu tinha consciência de tudo que acontecia a minha volta, só não conseguia parar de chorar. Ele nos guiou para uns sofás que havia ali, me sentando em seu colo, os soluços ficaram cada vez mais fortes.
- Acho que ela está ficando histérica. – disse Alice. - Talvez você devesse dar um tapa nela. – eu podia imaginar a cara de Edward ao ouvir aquilo e sinceramente minha vontade foi de rir. Engoli o choro, olhei para Edward o vendo mesmo pela primeira vez desde aquele dia em que me deixou. Na praça, quando me beijou foi tão bom senti-lo, porque fez aquilo, se não me ama? Ele se sentia tão culpado assim? Seus olhos estavam negros, estava ainda mais pálido e visivelmente abatido, mesmo assim lindo.
- Está tudo bem, está segura agora. – dizia me envolvendo com o manto. – Está segura agora Bella. – afirmou, meu choro havia cessado, mas as lágrimas não, eu não conseguia falar ainda, mas notei a conversa entre os dois, os lábios dele se moviam rapidamente, mas era impossível ouvir algo. - Está tudo bem, você está segura. Vai dar tudo certo. – repetia ele, me apertando contra si, às vezes acariciava meu rosto, outra beijava o topo da minha cabeça.
- Todas aquelas pessoas... – tentei dizer, o medo nos olhos daquela senhora, havia crianças ali, me agarrei ao manto, eu não conseguia falar.
- Eu sei... Eu sei Bella. – ele parecia não saber o que me dizer.
- Aquilo é horrível... – disse com a voz tremida, eu estava tremendo inteira.
- Sim, é... Perdoe-me... Por ter presenciado algo assim. – havia dor em sua voz, ele devia estar se culpando por tudo, como sempre fazia. Eles voltaram àquela conversa silenciosa, parando quando a mulher da recepção se aproximou, Edward foi um tanto grosso com ela, o entendia bem, como ela poderia ficar com aquele sorriso, com o que estava acontecendo ali?
-Ela sabe o que está acontecendo aqui?- perguntei olhando em seus olhos negros.
- Sim. Ela sabe de tudo. - respondeu baixinho.
-Ela sabe que eles vão matá-la um dia?
- Ela sabe que é uma possibilidade. – ele me sondava - Está esperando que eles decidam ficar com ela- concluiu.
- Ela quer ser um deles? – como pode querer algo tão horrível? - Como aquela mulher pode assistir as pessoas fazerem fila para aquela sala horrível e querer ser parte daquilo? – seu olhar ficou triste.
- Não é o que você quer também? – disse Alice.
- Não! Quero ser como vocês, não como eles. – ele revirou os olhos, era bem diferente pra mim, Carlisle não era assim, nem Esme, Jazz, Alice, Emm, Rose e muito menos Edward. - Ah, Edward. – soltei envolvendo seu pescoço com meus braços, o puxando pra mim, era tão bom senti-lo.
- O que foi?- sussurrou acariciando meus cabelos.
- Estaria sendo muito egoísta se dissesse que estou feliz agora? – ele sorriu, era tão bom tê-lo ali comigo.
- Eu sei exatamente o que você quer dizer. – senti seus braços envolta do meu corpo, me apertando ainda mais e aquilo era tão bom. - Mas temos muitas razões para estarmos felizes, uma delas é estarmos vivos.
- Sim, essa é uma boa razão. – concordei.
- E juntos. – sussurrou, somente assenti, afundando meu rosto na curvatura do seu pescoço, sentindo aquele cheiro tão dele.
- E, com alguma sorte, ainda estaremos vivos amanhã. – disse Alice.
-Tomara. – falei olhando para ela que sorriu.
- As probabilidades são muito boas. – ela parecia bem animada, seu olhar ficou sem foco. - Verei Jasper em menos de 24 horas. – falou em seguida, com um sorriso. Não consegui ficar feliz com aquilo, quanto mais rápido voltarmos, mais rápido tudo acabaria e Edward partiria novamente, não consegui esconder minha tristeza com relação aquilo.
- Você parece tão cansada.
- E você com sede. – revidei.
- Não é nada. – respondeu dando de ombros.
- Tem certeza? Posso me sentar com Alice. – disse tentando me afastar, eu estava sendo egoísta, aquele contato poderia estar lhe custando muito.
- Não seja absurda! – resmungou recolocando meus braços envolta do seu pescoço. - Eu nunca estive em melhor controle dessa parte da minha natureza do que agora. – concluiu, voltei a encaixar meu rosto na curvatura do seu pescoço, inalando fundo novamente.
Como queria beijá-lo, senti-lo, mas ele não me desejava mais, não me queria... Talvez sua amizade quem sabe? Voltei a olhá-lo, ele me olhava de volta, estávamos perdidos um no olhar do outro, seus olhos cheios de perguntas, assim como os meus deveriam estar.
Havia tanto a falar, a perguntar a esclarecer, será que ele me ama? Alguma coisa ele deve sentir além de culpa, não é? Seus dedos percorreram pelo meu rosto de forma delicada, pelos meus cabelos emaranhados, eu estava um horror.
Ele desviou a atenção para Alice, com certeza outra conversa silenciosa, pelo que consegui pegar haveria outro roubo de carro envolvido. Me aconcheguei em seu peito, não cheguei a dormir, mas estava em um estado de relaxamento. Sentia os lábios de Edward às vezes tocar minha testa, meus cabelos, uma vez a ponta do nariz, enquanto Alice lhe contava algo. Não sei dizer quanto tempo passou, mas o som das portas se abrindo novamente me assustou, de lá o garoto Alec saiu.
- Vocês estão livres para sair agora. Pedimos que não se demorem na cidade. – como se fossemos ficar para as compras, vampiro idiota!
- Isso não será um problema. – respondeu Edward de imediato, eu realmente pensei que fossemos ter que fazer aquele caminho horroroso de novo, mas ele nos indicou os elevadores.
Uma vez fora das paredes do castelo, Edward sustentava meu peso apressando o passo, a festa ainda rolava com gente vestida de vampiros, rindo por todo lado e aquilo pareceu irritar Edward.
- Onde está Alice? – ela havia desaparecido.
- Foi pegar nossas bolsas e arrumar um carro. – dizia sem parar um instante, estávamos passando pelo arco que havia na entrada da cidade, Alice nos aguardava com um carro escuro.
- Imagino que não tenha alugado esse? – ela deu de ombros.
- Você não reclamou quando pegamos aquela beleza. – respondeu entrando no carro, Edward abriu a porta de trás pra mim e pra minha surpresa entrou ao meu lado.
- Pegamos Alice? Eu dei dois passos e você apareceu com aquela aberração. – ele segurava o sorriso.
- Ele era demais, acho que terei que adquirir um daqueles de maneira legal. – revirei os olhos.
- Realmente era um belo carro, lhe darei um no natal. – olhei para Edward sem acreditar, o que aconteceu com os presentes simples? – Pode dormir agora Bella, estamos livres.
- Não quero dormir, não estou cansada. – teimei.
- Tente. – insistiu, depositando um beijo atrás da minha orelha, fazendo meus pelos eriçarem, estremeci com aquele contato. - Você ainda é tão teimosa. - emendou quando viu que não me renderia fácil.
Alice e ele iniciaram uma pequena discussão, ela queria passar em Florença para comprar algumas roupas, mas ele achava melhor irmos direto para o aeroporto, como sempre Alice venceu, parando diante de uma daquelas lojas caríssimas.
- Eu tenho uma troca em minha bolsa Alice...
- Aquela camiseta de dormir do Ed não conta Bella, precisamos de uma roupa apresentável. – meus olhos só faltaram saltar.
- Alice! – ralhei.
- Desculpe. - falou saindo do carro sacudindo um cartão negro.
- Uma camiseta minha? – perguntou divertido.
- Nem havia notado... – falei dando de ombros. - Alice quem disse que era sua. – menti, ele sorriu meneando a cabeça, saindo do carro. Ela escolheu tanto a minha roupa como a de Edward, que ficou lindo.
Deixamos o carro lá e pegamos um taxi até o aeroporto, lá fiz questão de tomar o máximo de coca que consegui, precisava me manter acordada. Finalmente pegamos o avião, Edward esteve o tempo todo ao meu lado, sai para ir ao banheiro, já que havia exagerado na coca, Alice e Edward estavam conversando, provavelmente planejando nosso retorno. Estava muito cansada, mas me recusava a dormir, a aeromoça passou e pedi outra coca.
- Bella. – gemeu Edward contrariado.
- Eu não quero dormir Edward. – será que ele não entendia? - Se eu fechar meus olhos agora verei coisas que não quero ver, terei pesadelos. – seu olhar ficou triste e somente assentiu, depois de beber outra coca, me recostei novamente em seu peito, onde me sentia tão segura.
Ele entrelaçou seus dedos nos meus, os levando até seus lábios, beijando os nós dos meus. O que estava fazendo? Ficamos novamente ali sem dizer uma palavra, um admirando o outro, não sei dizer quanto tempo ficamos daquele jeito, um arrepio de frio atravessou meu corpo e Edward não deixou aquilo passar.
-Está com frio? Vou pedir outra manta pra você... – sua mão estava indo em direção ao botão laranja.
- Não precisa Edward, eu estou bem. – lhe assegurei, segurando sua mão.
- Eu já volto. – disse me levantando para ir ao banheiro de novo, ele parecia não querer se apartar de mim? Ou seria mais uma ilusão minha? Ao retornar para o meu acento, vi Alice sozinha no acento de trás, me aproximei dela, colocando a mão em seu ombro. – Obrigada Alice.
- De nada Bella, mas não acha sou eu quem deveria lhe agradecer. - eu queria lhe perguntar o que ela via com relação a mim e Edward, mas com o faria com ele ali? Acabei desistindo.
-Fique tranqüila, vai dar tudo certo. – dizia minha amiga imortal acariciando minha mão, sorri pra ela voltando para meu lugar. Voltando a me aconchegar nos braços dele, Edward perguntou se eu queria ver um filme, mas eu não queria nada além de olhar pra ele.
Seu olhar encontrou o meu, havia tantas perguntas fervilhando em minha mente, mas como as faria? Ele foi se inclinando lentamente em minha direção, pude sentir seu hálito bater contra meu rosto, meu coração martelava no peito. Mas não seria certo seria? O que aconteceria quando chegarmos lá? Mas ele recuou beijando minha testa delicadamente.
Me lembrei de Jake, meu pai deveria estar furioso, com certeza vai me internar dessa vez...E o que fará com Edward? Minha mão oscilou, mas toquei seu rosto, tão lindo, aquele nariz afinalado que eu tanto amava e aqueles lábios perfeitos, seu queixo... Como pode ser tão perfeito?
Fizemos uma pausa em Atlanta e de lá seguimos para Seattle, nosso tempo estava se esgotando, será que poderíamos ser pelo menos amigos? Não sei se conseguiria ser apenas amiga dele, o desejava com todo meu ser, o amava mais que tudo, mas ele me amava? Ele me queria ao seu lado? Edward hesitou quando Aro lhe perguntou?
Seria somente culpa esse carinho desmedido com que está me tratando? Ou gratidão? O Outro vôo se seguiu igual ao anterior, várias idas ao banheiro, meu coração se comprimiu ao ouvir o piloto anunciar que havíamos chegado ao nosso destino. Destino... Ele foi tão cruel conosco... Comigo. Alice não escondia a ansiedade para ver Jasper, a entendia bem. Assim que saímos do avião, soltei um suspiro de alivio, olhei para Edward que sorriu, havíamos chegado em casa e vivos.
Quando Alice o viu perto da saída do portão de desembarque saiu correndo o abraçando, não havia beijos nem mesmo aquela coisa de cena de cinema, mas havia tanto amor em seu olhar, assim como no de Jazz que me fez suspirar. Casais em torno de nós, de repente se abraçavam ou se beijavam, sucumbindo aos efeitos do amor entre aqueles dois. Sorri com o fato de Jazz estar fazendo aquilo. Mais atrás vi Esme vindo em nossa direção, pensei que ela fosse abraçar Edward, mas para minha surpresa abraçou a mim.
- Obrigada Bella! Obrigada filha, por trazer meu filho de volta para nós. – fechei os olhos e a abracei de volta, era tão bom senti-la novamente, todo esse tempo... Ela me fez muita falta, minha mãe, como queria poder chamá-la assim. - Eu não sei o que faríamos se perdêssemos você, Edward. – ralhou com ele enquanto o esmagava em um abraço apertado. Carlisle se aproximou de Edward, com certeza ele falava em pensamento, mas havia tanta emoção nos olhos de ambos.
- Bella! Obrigado. – ele me deu um abraço carinhoso, também sentia falta dele. - Nós te devemos tanto, poucos teriam feito o que você fez. – disse em meu ouvido, mas tenho certeza que todos ali ouviram.
- Está me dando muito crédito. – o vi revirar os olhos como Edward fazia.
-Ela mal pode ficar de pé, vamos levá-la para casa. – dizia Esme acariciando meu rosto.
Quando nos aproximamos do estacionamento, Emmett, Rose e uma mulher aguardavam próximos ao carro, Edward ficou tenso, seus olhos se estreitaram na direção de Rose.
- A culpa não foi dela Edward, foi minha. – falei chamando sua atenção. – Não ouse culpá-la pelo que aconteceu, sua irmã não tem culpa pelas decisões que tomamos. - ele travou a mandíbula.
- Obrigada Bella! Por trazer nosso irmão de volta. – dizia a loira me abraçando apertado. Ela olhou para ele, com certeza falava em pensamento, era muito estranho tenho que confessar.
- Tudo bem Rose, Bella está certa, só tenho a mim pra culpar. – revirei os olhos, eu sabia. Senti meus pés se levantarem do chão, Emmett me segurava firme em seus braços.
- Bellinha, estou tão feliz em te ver, garota só você mesmo pra trazer esse cabeça dura de volta. – dizia ele sem me soltar, pela primeira vez nesses dias eu ri de verdade.
- Senti sua falta grandão. – falei estalando um beijo em sua bochecha, minha atenção foi para a mulher que correu em direção a Edward.
- Ed! Que bom que voltou querido. – disse se pendurando no pescoço dele, meu sorriso se desfez e a realidade me atingiu em cheio, ela era tão ou mais linda que Rose, seus cabelos em um loiro morango caiam pelas costas, um rosto perfeito assim como o corpo, seios fartos que saltavam de seu decote. Era uma bofetada na auto-estima de qualquer mulher, ele retirou os braços dela de cima dele, com um sorriso constrangido, disse algo pra ela em um tom que certamente eu não ouvisse.
- Acho bom eu ir pra casa, meu pai deve estar uma fera. – disse quando Emm me colocou no chão.
- Vou com você. – falou vindo em minha direção.
- Não! Não precisa. – respondi com raiva de mim mesma, a quem eu queria enganar?
- Bella? Acho melhor acompanharmos você filha, não sei se seu pai está em sua casa ou na reserva, avisei a ele de sua chegada. – disse Carlisle.
- Tudo bem Carlisle, pode deixar que eu me acerto com ele. – acho que todos ali notaram minha mudança de humor.
- Tanya o que faz aqui? – perguntou Alice para a mulher, essa era a tal Tanya, meus joelhos fraquejaram.
- Bella você está exausta, venha vamos pra casa filha. – dizia Carlisle me pegando em seus braços, o cansaço começava a me dominar, Esme foi ao meu lado, não consegui conter as lágrimas e dei graças por Edward estar no outro carro.
- Não fique assim Bella, relaxe filha, durma vai te fazer bem. – Esme fazia um carinho gostoso em meus cabelos enquanto falava baixinho, não demorou muito para que o carro parasse em frente a minha casa.
- Bella? Bella minha filha o que aconteceu com você? – dizia meu pai me abraçando forte, Seth e Sue estavam com ele.
- Pai? Oh pai. – o abracei com o pouco de força que me restava.
- O que aconteceu com ela? Porque está assim? – ele perguntava para alguém.
- Ela está cansada Charlie, não quis descansar na viagem de volta, ela está bem, só precisa dormir um pouco. – ouvi a voz de Carlisle dizer.
- Como faz isso sua maluca? – soltou Seth me pegando em um abraço de urso, quente e aconchegante.
- Oi maninho. – foi o que consegui dizer.
- COMO TEM CORAGEM DE APARECER AQUI, DEPOIS DE TUDO QUE FEZ? – os gritos do meu pai me fez despertar, que olhava colérico para Edward, o que ele fazia aqui?
- Para pai. - mas ele simplesmente me ignorou. - Para pai. PARA PAI! – ele me olhou espantado, todos me olharam.
- Você vai comigo pra reserva agora. – disse mandão fazendo sinal para Seth.
- Não, eu não vou. – falei fincando o pé no chão.
- Me obedeça Isabella, não está em condições de ficar sozinha aqui. – ordenou.
- Esta é minha casa, é aqui que vou ficar, nem o senhor e nem ninguém vai me tirar daqui. – eu podia sentir os olhos de todos em mim, Esme, Alice, Carlisle, Jazz e Edward estavam lá.
- Bella tem que descansar filha, não discutam agora, por favor. – pediu Sue ao lado do meu pai.
- Seth pode ficar comigo se quiser, mas não vou voltar pra reserva. – meu pai meneava a cabeça bufando como um touro bravo.
- Viu o que seu garoto fez com ela? Ela está perdendo o juízo Carlisle. – doeu ouvir aquilo.
- Me interne então, devo mesmo ser louca não é? – disse me virando para entrar em casa, mas tudo rodou e a escuridão me atingiu.
POV EDWARD
Sentir os braços de minha mãe envolta de mim novamente, foi uma sensação indescritível assim como os de Carlisle, Esme nos levou para a passarela sombreada que levava para o estacionamento.
"Ele está tão magra e com olheiras" - pensou, olhando para mim, concordei, mas não devolvi o olhar. Bella estava pendurada entre nós como uma boneca de pano, sua cabeça pendendo de um lado para o outro como se a guerra contra o sono chegasse ao fim.
Carlisle seguiu atrás, catalogando, a os sintomas da desnutrição que Bella expôs. "Nenhum dos dois parece bem". - pensou tristemente.
Ele já havia ligado para Charlie, dizendo-lhe que estávamos a caminho e foi severamente repreendido pelo pai de Bella. Carlisle se preocupava com a maneira que seu pai reagiria a tudo que aconteceu, mas independentemente de quão bem ele a trancasse longe de mim, eu sempre estaria lá, nas sombras e ao luar, mantendo-a segura.
"Ela só queria que você voltasse para casa, não queria que nada disso acontecesse. Você sabe que Rose nunca iria querer que você fosse aos Volturi, Edward." - os pensamentos de Emmett eram um estrondo baixo harmonizando.
"Alice disse que ela tinha ido embora. Ninguém disse nada até que fosse tarde demais. Nós… Eu queria você de volta. Isso é tudo." - dizia Rosalie me chamando à atenção do outro lado do estacionamento. "Eu sinto muito, de verdade."- pediu, seus lábios se curvaram para baixo em um beicinho que Emmett pensou que era adorável.
- A culpa não foi dela Edward, foi minha. – disse Bella chamando minha atenção. – Não ouse culpá-la pelo que aconteceu, sua irmã não tem culpa pelas decisões que tomamos. – e ela ainda me dá um pito?
- Obrigada Bella! Por trazer nosso irmão de volta. – agradeceu Rose, Bella tinha razão só tinha a mim mesmo pra culpar.
"Me perdoe meu irmão, não queria causar nenhum problema maior, sinto muito mesmo." – insistiu Rose, um cheiro familiar chamou minha atenção, o que ela fazia aqui?
- Tudo bem Rose, Bella está certa, só tenho a mim pra culpar. – Bella revirou os olhos enquanto Emm a pegava em um abraço esmagador. Sorri ao ouvir Bella rindo aquela risada gostosa, jogando a cabeça pra trás, enquanto saudava meu irmão. Fiquei tão fascinado na cena, que me assustei ao sentir os braços de Tanya em meu pescoço, o riso contagiante de Bella parou no mesmo instante.
- Ed! Que bom que voltou querido. – dizia ela em alto e bom tom.
"Que loucura foi essa? Ainda bem que a garota te trouxe de volta." – pensou de forma carinhosa, delicadamente me soltei de seu abraço, para não magoá-la.
- Acho bom eu ir pra casa, meu pai deve estar uma fera. – disse Bella de repente.
"O que ta rolando?" – se perguntava Emm sem entender, na realidade nem Rose, muito menos Carlisle e Esme sabiam o que estava acontecendo, nem mesmo Tanya.
- Vou com você. –falei me aproximando, mas Bella se retraiu.
- Não! Não precisa. – sua voz saiu acida.
- Bella? Acho melhor acompanharmos você filha, não sei se seu pai está em sua casa ou na reserva, avisei a ele de sua chegada. – dizia Carlisle. "O que aconteceu? Porque ela está assim?"
- Depois explico. – sussurrei em um tom inaudível.
- Tudo bem Carlisle, pode deixar que eu me acerto com ele. – revirei os olhos, ela estava mesmo furiosa.
"PODE ME DIZER O QUE ELA FAZ AQUI?" – berrou Alice em minha mente.
-Não previu isso? – retruquei entre os dentes.
"Na realidade não, me desculpe."
- Tanya o que faz aqui? – perguntou atravessado, mas Bella balançou e quase caiu, meu pai a pegou rapidamente.
- Bella você está exausta, venha vamos pra casa filha. – disse a colocando na Mercedes, minha mãe entrou ao seu lado, fiz menção de ir com eles, mas Alice me impediu.
"Acho que não é uma boa idéia."– somente assenti.
- Então Tanya o que faz aqui? – insistiu na pergunta enquanto íamos para os carros.
- Fiquei preocupada com o Ed, quando soube que foi ver os Volturi, fiquei tão preocupada, não queria causar problemas. – dizia Tanya.
"Me desculpe Ed, não queria te prejudicar." – pedia em pensamento, Alice tinha os olhos estreitados em sua direção.
- Não se preocupe Tanya, a culpa foi minha. – aquilo já estava ficando freqüente. O caminho todo Alice foi buzinando em meu ouvido coisas como, você tem que falar com ela, não deixa a coisa crescer ainda mais, implore se for necessário, não ouse se afastar dela de novo. Mas eu estava mesmo concentrado no carro da frente.
"Não fique assim Bella, relaxe filha, durma vai te fazer bem." – dizia Esme acariciando seus cabelos, pela mente da minha mãe pude vê-la chorando, o que será que estava se passando naquela cabecinha?
"Não devemos todos aparecer na casa de Charlie, viu como ela reagiu a Tanya?"– somente assenti positivamente. Alice viu que a reação de Charlie não seria das melhores. "Isso não vai ser nada bonito." Alice pensou enquanto o Volvo rolava até parar atrás de nós
- Você quer minha ajuda? - Jasper se ofereceu.
-Não, obrigado, ele vai me odiar, não importa o que aconteça. - Alice valorizava o respeito de Charlie mais do que ninguém e se culpava por não tê-lo avisado quando partiram, a versão de Jacob dos fatos não deve ter sido das melhores.
Dei graças por Emm e Rose levarem Tanya direto pra casa, seguimos Carlisle até a casa de Charlie. Jazz estava calado o tempo todo, sua mente girava apenas ao redor de Alice, não o culpava depois da forma que o tratei.
"Que ela esteja bem meu Deus." – pensava Sue preocupada com Charlie.
"Porque ela fez uma loucura dessas? Como se aquele desgraçado merecesse." - engoli seco ao ouvir aquele pensamento.
"Tomara que ela esteja bem, senão Jake vai acabar com ele." - soltei um rosnado ao ouvir aquilo, em sua mente Seth não condenava a atitude de Bella, mas entendia a revolta de Jacob.
- O que foi isso? – perguntou Alice sem entender minha atitude, Seth estava com eles, por isso suas visões estavam nubladas. Assim que o carro de Carlisle parou, Esme a ajudou descer, Charlie correu pra ela, eu e meus irmãos continuamos no carro.
- Bella? Bella minha filha o que aconteceu com você? "Deus como está abatida, de novo não." – imagens dela jogada na cama, sem comer, sem beber, sem falar passou por sua mente, aquilo me queimava como o fogo de Jane.
- Pai? Oh pai. – ela o abraçou cambaleante.
- O que aconteceu com ela? Porque está assim? – Charlie não entendia o porquê.
- Ela está cansada Charlie, se recusou a dormir na viagem de volta, ela está bem, só precisa dormir um pouco. – meu pai explicou, ela se soltou de Charlie indo em direção a Seth.
- Como faz isso sua maluca? – o garoto a pegou nos braços em um abraço carinhoso. "O que rolou lá pra ela estar tão abatida? Será que ele a dispensou de novo?"
- Oi maninho. – disse com a voz fraca, saímos do carro e quando me viu Charlie ficou furioso, suas narinas inflaram e seus olhos queimavam de raiva, pelo menos ele direcionou toda sua ira a mim, não aos meus pais e Alice.
- COMO TEM CORAGEM DE APARECER AQUI DEPOIS DE TUDO QUE FEZ? – gritou em plenos pulmões, Bella olhou em nossa direção indo para junto dele, tentando o conter, já que ele vinha pra cima de mim.
- Para pai. Para pai. PARA PAI! – seu grito ecoou na rua vazia, ele não entendia sua reação, na realidade nenhum de nós.
- Você vai comigo pra reserva agora. – se Bella fosse pra reserva eu não teria acesso a ela e eu precisava falar com ela de todo o jeito.
- Não eu não vou. – respondeu de imediato. "Como não vai? O que esse garoto fez com a cabeça dela?" – se perguntava estranhando sua reação.
- Me obedeça Isabella, não está em condições de ficar sozinha aqui. – ordenou.
- Esta é minha casa, é aqui que vou ficar, nem o senhor e nem ninguém vai me tirar daqui.
"Ela está estressada e exausta, precisa descansar." – pensava meu pai preocupado. Os pensamentos de todos ali giravam em torno de suas reações, Bella sempre foi tão meiga, tão doce.
- Bella tem que descansar filha, não discutam agora, por favor. – pediu Sue ao lado de Charlie, ela se preocupava com a saúde dele.
- Seth pode ficar comigo se quiser, mas não vou voltar pra reserva. – Charlie estava contrariado, ele queria mantê-la longe de mim e sabia que a reserva era o único lugar onde não tenho acesso.
- Viu o que seu garoto fez com ela? Ela está perdendo o juízo Carlisle. – disse se voltando para o meu pai, a dor no rosto de Bella ao ouvir aquilo fez meu peito doer ainda mais.
"Ela está no limite, vai cair a qualquer momento, esteja preparado Ed." – avisou Alice, meus olhos não saiam de Bella.
- Me interne então, devo mesmo ser louca, não é? – retrucou se virando em direção a casa, ela se inclinou pra frente e pra trás como se estivesse no convés de um barco, tentando encontrar seu senso, seu equilíbrio, Bella não deu mais um passo e sucumbiu, fui mais rápido que Seth e a peguei antes que atingisse o chão.
- O que aconteceu? – perguntou Charlie apavorado.
- Calma Charlie, ela está dormindo, se recusou a fechar os olhos a viagem inteira foi cansativa e estressante demais pra ela, amanhã Bella estará bem. – assegurou Alice.
- Tem certeza Alice, não quero passar por aquilo de novo... Não suportaria vê-la naquele estado. – o homem se abraçou a minha irmã, ele estava realmente assustado, olhei para Jazz, mas ele não estava usando seu dom.
Quantas vidas mais foram prejudicadas por minha tentativa errônea de proteger Bella?
Havia tantas desculpas a pedir e a principal delas... Não sabia nem por onde começar.
- Ela precisa dormir me permita levá-la pra cima Charlie. – ele me olhou com raiva.
- A entregue para Seth, ele pode levá-la. – fiz menção de passá-la para Seth, mas Bella se agarrou a mim de tal forma.
- Acho melhor ele levá-la Charlie. – disse Seth, vendo como ela estava.
- A coloque na cama e depois desapareça, não quero ver você perto dela novamente. – não queria enfrentá-lo ali, então assenti somente.
"Como se a Bells fosse obedecer, depois de correr pra Itália só pra salvá-lo, mesmo depois de tudo que ele fez? A quem Charlie quer enganar?"– pensava Seth perdido em pensamentos.
Seu quarto estava diferente do que costumava ser, uma de suas gavetas estava aberta, uma blusa vermelha para fora, algumas peças jogadas no chão como evidência de sua partida abrupta. Se essas anomalias fossem corrigidas, seria impossível dizer quem vivia ali, ou se alguém vivia. Não havia mais livros ou CDs, sua coleção de Elvis que era sua paixão, suas cópias esfarrapadas de Austen e seu preferido Drácula de Brian Stocker.
Ler era mais que um passatempo para Bella, era uma paixão, ela havia apagado com a minha partida, perdido sua luz própria. Soltei suas mãos da minha camisa e Bella se enrolou como uma bola na cama, abraçada a si mesma, a cobri e tirei seus sapatos.
- Será que um dia vai poder me perdoar meu amor? – sussurrei em seu ouvido.
- Acho melhor você ir Ed, de tempo ao Charlie. – disse Seth, por incrível que pareça ele não me odiava, aquele garoto apesar de ser meu inimigo natural, não me acusava... Em sua mente eu havia cometido um erro, mas passível de perdão, na mente daquele garoto, eu era o melhor para Bella e ela pra mim, aquilo me deixou surpreso e confuso.
- Sinto muito... Eu nunca quis… - tentei dizer ao chegar à sala, onde Charlie estava com os outros, o rosto dele mudou de vermelho para roxo enquanto se esforçava para encontrar palavras fortes o suficiente para expressar sua raiva.
-Você nunca quis o quê? Nunca quis machucá-la? Você acha que porque a trouxe de volta inteira dessa vez, você é algum tipo de herói? Apenas por ela não estar sangrando por fora não significa que não esteja estraçalhada por dentro. - ele estava coberto de razão, suas mãos estavam em punho, mas elas jamais poderiam me ferir como suas palavras. - Você tem alguma idéia do que sua pequena ceninha de desaparecimento fez com ela? Chego a pensar que James a feriu menos do que você... - segurei o soluço que insistia em romper por meus lábios. – Você sugou a vida dela, olhe pra ela... Não se parece em nada aquela menina cheia de vida e sonhos que era antes de te conhecer. Você sugou a vida dela... E tem coragem de pedir desculpa?
"Releve meu irmão, ele está assustado."– pediu Alice.
- Você não trouxe nada além de dor e sofrimento para uma garota amável e altruísta. - sua voz se tornou fria como gelo. - E eu não vou permitir que você a machuque mais, se alguma vez eu te vir entrando por aquela porta de novo, juro que te mato.
"Logo a raiva dele passa, vai ver." – insistia Alice.
Eles ainda ficaram para tentar acalmá-lo, sai e fiquei aguardando no carro, me concentrando no som do coração dela batendo forte lá em cima, tentando ignorar a conversa deles no andar de baixo. Alice explicava para Charlie o que havia acontecido realmente, o homem estava em choque, ele não sabia sobre o penhasco e todas as outras coisas que Bella fez. Falaram sobre Laurent e Victória, o que deixou meu pai muito preocupado, minha mãe estava em choque, pela reação de Bella a nossa partida e o remorso tomou conta dela como de Carlisle.
Aos poucos eles iam tendo noção do que realmente aconteceu ali, Carlisle pediu pra que eu fosse com eles, mas eu não podia deixá-la, precisava falar com ela assim que acordasse, precisava ouvir de seus lábios que me perdoava ou que me odiava. Havia muitas perguntas sem respostas e creio que pra ela também, fiquei escondido na floresta próximo a casa. Seth sabia que eu estava li, mas ficou na dele, Sue convenceu Charlie a voltar para a reserva, relutante ele aceitou, deixando-a sob os cuidados de Seth.
Aproximei-me da casa, estava empoleirado na árvore próxima ao seu quarto, ouvindo Bella balbuciar palavras soltas, meu nome era o mais constante. Senti a presença de Jazz e me perguntava o que ele queria ali?
"Acho que você não sabe como ser feliz... Tinha tudo em suas mãos, o par perfeito e a jogou fora como lixo" – acusou irritado.
- Jasper me deixe em paz, por favor. Sei que está furioso comigo, mas...
- Você quase a matou Edward, as duas, Alice quase morreu por sua culpa, tem idéia do quanto estou furioso?
- Uma leve noção, já que fez o mesmo. – retruquei. – Não pedi pra Alice ir atrás de mim Jasper... Não compare as coisas... Você quase a matou no aniversário dela, jamais avancei em Alice sedento por seu sangue.
-Não tem idéia de como Alice ficou quando viu Bella saltar... Foi como se ela morresse com Bella, Edward, compreende? – em sua mente ele revivia o momento em que Alice teve a visão, a dor e o desespero de minha irmã, a tristeza lhe rasgando o peito, os olhos curiosos de Carlisle, Esme, Emmett e Rose. Quando Alice contou o que viu a dor se intensificou em todos e Jasper absorveu tudo.
O arrependimento e o remorso de Carlisle, a dor que minha mãe sentiu como se tivesse sido um de nós, a dor de Emm por perder sua irmã desastrada assim como a dor de Rose, que sentia pelo que estaria por vir com a morte dela.
- Você afetou a todos com suas decisões equivocadas. – me lembrou revivendo outro momento.
A discussão entre Rose e Alice, ela não queria me contar, sabia como aquilo me afetaria, mas Rose e Tanya achavam que eu deveria saber, assim voltaria pra casa. Carlisle e Esme compartilhavam da opinião de Alice, assim como Emmett que estava preocupado comigo, querendo me encontrar onde eu estava.
- Quando souberam que Alice havia se equivocado, que o garoto lobo a tirou da água, já era tarde demais... – novamente ele abriu sua mente me mostrando o exato momento em que souberam de minha decisão... O remorso e a dor de Rose, que correu floresta adentro desesperada, a dor do meu irmão que queria ir para Itália compartilhar do meu destino ou tentar me impedir se possível, o choro descontrolado de Tanya, pois ela havia insistido para que Rose me avisasse, o desespero e a dor nos olhos de Esme e Carlisle, assim como nos de Alice.
- Ela não pensou em nada nem ninguém além de você naquele momento, ligou avisando que estava levando Bella para impedir que você cometesse aquela sandice... Você expôs a todos nós com sua atitude Edward, todos nós seriamos punidos se não fosse por Alice. – meu irmão estava coberto de razão e eu não tinha argumento contra aquilo. - Alice te avisou... Quantas vezes ela disse que sua decisão acabaria com Bella, mas você simplesmente ignorou. Sem contar que Alice foi forçada a escolher entre você e eu. Talvez eu nunca possa te perdoar por isso, você quase a matou, você tem alguma idéia de como isso me faz sentir?
- Eu... Eu... Eu não posso viver sem ela. - murmurei, sem desculpas. Havia me dado conta de que por mais que eu lutasse, por mais que eu tentasse, jamais conseguiria mantê-la longe de mim o suficiente. No tempo que desperdicei longe dela, no quanto Bella sofreu assim como os outros. O ciúme que não tinha nada a ver, brotou a níveis insanos, eu deveria estar ali com ela. O que eu havia feito? Minha vontade era de subir lá e levá-la comigo pra sempre. Ele me conteve, me segurando firme, olhei para meu irmão sentindo toda a carga, todo o peso de minhas escolhas erradas.
-Acalmem-se, Edward. – pediu sentindo toda a minha dor se fundir a dele. - É a sede! Você realmente precisa caçar, nunca vi você tão volátil. - meu irmão estava certo, mas eu estava longe de Bella, mais do que eu poderia suportar.
- Eu sei por que fez isso meu irmão, você pensou que estava sozinho, mas estava errado Edward, você tem uma família que te ama e que ama aquela garota lá em cima.
- Não vou pedir perdão a você Jazz, porque sei que não mereço isso. – disse com um fio de voz.
- Só me garanta que se decidir encontrar a morte novamente, não vai envolvê-la e se for isso mesmo que deseja, tenha certeza que encontrará seu fim. – acenei positivamente me perguntando se ele faria mesmo isso em caso de necessidade. Ele havia matado centenas, talvez milhares de vampiros, faria com que fosse rápido e relativamente indolor, eu tinha certeza. Mas não teria que sobrecarregá-lo com a minha execução, afinal, aquele cachorro o faria com prazer.
Um suspiro de Bella dissipou meus pensamentos sobre a morte, me endireitei esperando uma oportunidade de diminuir a distancia entre nós e tê-la em meus braços novamente. Ficamos lado a lado, sem falar nada, a noite já se fazia, o ar úmido abafando um bando de pássaros. Estava imerso na visão de Bella adormecida pelos olhos e Seth, enquanto Jasper revivia o momento em que viu Alice atravessando o saguão em direção a ele. Cada um dos nossos mundos foi definido pela mulher que amávamos, não havia outra maneira.
- Estou feliz que você não tenha virado fumaça afinal, Edward. – disse se virando pra mim, um sorriso brincando em seu rosto, ali estava meu amigo e irmão novamente. - E não apenas porque Alice voltou para casa segura. – ele me deu um abraço fraternal, aquilo me fez muito bem, seu telefone vibrou.
"Jazz, me deixe falar com ele." – ouvi a voz de Alice dizer do outro lado, peguei o telefone estendido pra mim. "Vá caçar, depois venha pra casa tome um belo banho pra estar apresentável quando Bella acordar, ela gosta de seus olhos cor de âmbar esqueceu?" – sorri com seu modo de falar. "Ela vai demorar a acordar Ed, aproveite a companhia do meu Jazz, se cuida maninho." – disse desligando em seguida, olhei para Jazz que sorria meneado a cabeça.
- Alice! – falou simplesmente. Eu não iria muito longe, caçaria por ali mesmo, tive que me contentar com um bando de cervos, depois de devidamente alimentado, fui pra casa e tomei um banho voltando para Bella em seguida.
Lá estava eu enfrente a janela dela, podia ouvir seu coração bater acelerado, o ronco de Seth no outro quarto, em um salto eu estava dentro do quarto, Bella dormia e seu sono era agitado, não tranqüilo como costumava ser.
- Edward... Edward... - chamou balbuciando algo inteligível até pra mim, se remexeu se descobrindo, ela usava somente uma camiseta minha? Sorri me lembrando do que Alice disse em Florença.
Com certeza deve ter acordado enquanto estive fora, seu cheiro me invadiu, fechei os olhos esperando as reações tão comuns quando ficava longe dela, mas a ardência não veio, assim como minha boca não se encheu de veneno, não que seu sangue não fosse mais atrativo pra mim, mas a questão era que a sede estava completamente controlada.
Havia outras coisas em Bella que me atraia infinitamente mais, suas pernas estavam sobre a coberta, suas coxas grossas e macias, seus cabelos úmidos espalhados sobre o travesseiro exalavam aquele cheiro delicioso de morango. Estava tão concentrado nela que não vi Seth parado me olhando da porta.
- Charlie vai me esfolar vivo, se te vir aqui. – disse recostando no batente, ele falava em um tom inaudível para Bella.
- Desculpe, mas não resisti, preciso falar com ela, Bella tem que me ouvir. – ele fez careta.
- Pelo jeito a conversa vai ser longa não é? – em sua mente ponderava se me deixava sozinho com ela ou não.
- Sinceramente? Não faço idéia, espero que ela possa me perdoar... Porque não sei o que vou fazer sem ela.
- Deveria ter pensado nisso antes... Mas conhecendo ela como conheço e depois de tudo que fez por sua causa... Creio que você tem grandes chances. – disse sorrindo.
- Acho que não será tão fácil assim. – não estava tão esperançoso.
- Não a magoe de novo, senão quem vai atrás de você desta vez sou eu. – ameaçou com um tom divertido. – Vou dar uma volta na cidade. – falou saindo.
Voltei meu olhar para Bella que havia se mexido novamente, agora estava de lado, sua mão estendida em minha direção, seus dedos relaxados tão convidativos. Seria muito atrevimento tocá-la? Esperava que ela abrisse aquele sorriso lindo e me chamasse pra ficar ali embaixo com ela, como sempre fazia.
Sem suportar mais a distancia entre nós cai sobre os joelhos diante dela, suas sobrancelhas estavam unidas, o que estaria se passando pela sua cabeça? Toquei de leve o ponto desfazendo a ruga de preocupação, contornei seus lábios macios e quentes. Como queria beijá-la, como queria tê-la em meus braços e jamais deixá-la sair, prendê-la comigo pra sempre.
- Edward... – sussurrou novamente como se sentisse minha presença ali.
- Estou aqui meu amor. – sussurrei de volta, mas ela não me ouviu. Eu era egoísta ao ponto de querer acordá-la com meus lábios contra o dela, como em um conto de fadas, mas era bem provável dela me bater, assim que abrisse os olhos. Fechei meus olhos voltando no tempo, exatamente em setembro... Ela estaria em meus braços, contando como havia sido seu sonho, ou me enchendo de perguntas. Eu cantaria para que voltasse a dormir e a acordaria com beijos como fazia antes... Um vampiro pode sonhar afinal. Algum tempo depois, Bella começou com seu monólogo inconsciente, para mim que não tinha acesso a sua mente, era um verdadeiro deleite.
-Rápido Alice... Piazza dei Priori... Veja Alice... Veja... – será que revivia aquele tormento? O que se passava em sua mente? - Saia do caminho... Edward... Não faça isso... Por favor... Edward não... – sussurrou agitada. – Está molhado... Frio... Edward... Por que... Não vá... Fica comigo... – havia angustia em sua voz, ela estava agitada demais, me sentei ao seu lado como fazia antes e logo ela se aninhou em mim, se acalmando lentamente.
- Alice... Ele não... Ela é linda... – aquele bico de choro se fez em seus lábios. - Edward, não...!- Bella se acalmou por um tempo voltando a se mexer novamente.
- Desculpe Jake... Ele precisa de mim... Não Jake... – ela sorriu um sorriso largo. Olhei para Bella hesitante, a insegurança voltou com força total desta vez e o ciúme me corroia por dentro, não era o que você queria? Tinha que ser com ele, justo com ele?
- Ela é linda... Ele a ama... Eu fui um erro... Não sou boa pra ele... – sua voz desta vez saiu chorosa, eu me consumia em curiosidade, queria saber o que se passava com ela.
- Estamos em casa... Ele vai me deixar... - disse claramente desta vez. – será que ela o ama? Não importa... Jamais me afastarei dela a não ser que Bella peça, acariciei seus cabelos um tanto triste.
- Shhh... Durma meu amor. – ela somente sorriu se aconchegando.
- Me conte uma história. – pediu.
- O que você quer ouvir?- perguntei em seu ouvido, buscando em minha mente seus romances preferidos, com certeza uma história com final feliz.
- Romeu e Julieta. – respondeu.
- Ou não. - ela moveu a cabeça de forma que seu rosto ficou a centímetros do meu, seus olhos ainda fechados. Bella não falava comigo e sim com alguém em seu sonho, seu rosto tão próximo, me tentando, estava a poucos centímetros daqueles lábios que eu tanto desejava. De repente, o sonho mudou de canal e o rosto dela se contorceu, como se algo a ferisse, me perguntava o que seria? A resposta veio quase que imediata.
- Jane... Vadia sádica! – a vontade de rir era quase insuportável. – Aro? – ela fez careta.
- Animais... Deixe-o em paz... Não... Félix, seu maldito... Vampiro dos infernos... – Bella parecia com raiva dos Volturi, chegava a ser engraçado.
- Não precisa se preocupar mais com ela. - prometi, afagando seu rosto delicado. Bella havia sido tão forte, me perguntava que outro talento poderia guardar a mente dela? Eu, Aro e Jane, totalmente bloqueados, Marcus e Jasper, não. Chelsea... Talvez, deve haver um padrão, uma chave para que libere sua mente.
Já passava da meia-noite quando o murmúrio recomeçou e desta vez era algo inteligível, ela respirou profundamente, seu ritmo cardíaco mais acelerado. Seus dedos contorceram a coberta, ela se encolhia lentamente. Beijei sua testa tentando dissipar sua dor, seus olhos ainda mais apertados como se estivesse lutando para sair de um pesadelo.
Sua respiração ficou suspensa por um instante, lentamente foi abrindo os olhos, levou três décimos de segundos para que reconhecesse meu rosto.
