O SEGREDO DOS ANJOS – PARTE III
ASCENSÃO
Dama 9 e Hana-Lis
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Nota:
Os personagens de Saint Seiya não nos pertencem, pertencem a Masami Kurumada, Toei Animation e empresas licenciadas.
Apenas Diana e Aisty são personagens criadas única e exclusivamente por nós para essa trilogia.
Este é um trabalho de fã para fã sem fins lucrativos.
Uma boa leitura a todos!
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Importante!!!
Dama 9, Hana-Lis e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, ser plagiada ou utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!
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Capitulo 12: Anjos a Ascensão.
.I.
Perdera completamente o senso de tempo, apenas sabia que estava andando há muito tempo, mas o mais estranho era o fato de não se sentir cansada.
Aqui o tempo é relativo, criança;
Novamente aquela voz falando consigo, quem será que era? Sabia que aquela era a mesma voz que falara consigo quando caíra na cratera, mas não conseguia reconhecê-la.
Sabe que já nos falamos antes;
-"Sim, conhecia sim"; ela pensou. -Selene; Aisty falou, virando-se para trás, procurando pela Deusa.
Enquanto prender-se apenas a matéria e manter teus olhos fechados para as verdades que teme enxergar, jamais poderá me ver; a deusa falou.
-Como? –perguntou confusa. Como poderia estar com os olhos fechados? Isso era confuso; ela pensou, olhando para os lados, procurando por ela. -Droga, preciso sair logo daqui; ela murmurou, lembrando-se de Kamus, Saga e os demais que poderiam estar com problemas.
Só saíra daqui, quando realmente estiver preparada; a voz da deusa voltou a ecoar em sua mente.
-Não tenho tempo para esses joguinhos; a amazona falou.
Ouviu um riso suave, como se a deusa brincasse consigo. Serrou os orbes de maneira perigosa, elevando seu cosmo, mas surpreendeu-se quando o mesmo expandiu-se de forma que estava quase perdesse o controle.
Eu avisei; Selene falou.
Sentiu as pernas tremerem, fazendo com que fosse ao chão, sentindo o corpo mais pesado do que realmente era. Sua mente estava se turvando, se perdesse o controle agora, colocaria tudo a perder, não sabia onde estava e quem poderia ferir com isso.
Não poderia se permitir perder o controle, não agora... Não depois de todo o esforço que Saga e o irmão fizeram para lhe ajudar, não depois das mudanças que aconteceram em sua vida, quando novamente o destino dera uma guinada colocando tantas pessoas diferentes em seu caminho, que de uma forma ou de outra lhe abriram o coração e lhe deram uma nova perspectiva, lhe fazendo voltar a confiar... E amar.
As chamas em volta de si intensificaram-se, foi com surpresa que notou estar em meio ao deserto, o calor era sufocante e intenso. Sentiu gotas grossas de suor escorrerem por seu corpo, fazendo o vestido colar-se a ele.
Não sabia quando o vestira, trocando os jeans por eles, mas isso não importava agora.
-Preciso me concentrar; ela sussurrou, serrando os punhos sobre a areia, vendo as gotas de suor caírem sobre a superfície arenosa marcando-a.
Você não esta preparada para conquistar esse poder; Selene falou.
-Não me interessa; Aisty rebateu, se estava ou não, não poderia fazer nada agora.
Não pedira para ter esse dom, mas mesmo assim estava tentando controlá-lo. Não iria permitir que mais pessoas se ferissem por aqueles idiotas com pretensões insanas de destruir a terra.
Enquanto seu cosmo queimasse jamais desistiria...
As chamas aos poucos começaram a enegrecer envolvendo-a de forma que uma tempestade de areia se iniciasse, mas ao contrario do normal, que seria a areia lhe cobrir, ela estava se solidificando, tornando-se vidro devido à extrema temperatura.
Viu uma nuvem negra refletida entre os espelhos de areia em volta de si. Seu cosmo estava atingindo a oitava chama. Por isso o deserto; ela pensou, respirou fundo e elevou ainda mais seu cosmo, sabia que agora não perderia o controle.
Quanto mais intenso ele se tornava, mais tinha a certeza de que estava a um passo de controlá-lo.
-Queime! – ela sussurrou entre dentes. –QUEIME!
Uma imensa explosão aconteceu, era como se tal energia fosse capaz de pulverizar estrelas e cometer milagres, os espelhos de areia se quebraram como fragmentos de gelo caindo novamente sobre o chão.
Os cabelos esvoaçavam com o vento que a envolvia, mais vermelhos do que nunca, porém aos poucos ganhavam mechas prateadas, aquele era o limite. Abriu os olhos, estavam vermelhos.
Levantou-se com um pouco de dificuldade tentando manter o equilíbrio nos pés, respirou fundo, erguendo a mãos em frente aos olhos, uma chama negra envolvia-lhe os dedos.
Estalou-os em seguida, a chama apagou-se junto das demais. Estava acabado.
Você conseguiu;
A voz da deusa ecoou de forma satisfeita em sua mente, porém preferiu ignorar isso. Mal notou que seus olhos estavam fechados, não via mais o deserto e era como se seu corpo aos poucos voltasse a temperatura normal.
Abriu-os deparando-se novamente com o final da cratera, seu cosmo parecia acesso e quando se levantou o mesmo expandiu-se pulverizando tudo a sua volta, fazendo com que um templo surgisse a sua frente.
Os cavaleiros pareciam assombrados, pois era como se um tapete luminoso houvesse passado por eles varrendo todo aquele cenário verde de grutas e quartzo, revelando-lhes muito mais.
-Aisty; Saga falou, correndo até ela, porém estancou, não havia mais barreira, porém um circulo semelhante aquele que surgira em seu templo quando ela lhe engaiolara, apareceu.
Uma luz dourada saiu dos desenhos que formaram-se no chão gramado sobre as costas dela.
Todos aproximaram-se surpresos, tentando entender o que vinha depois.
Uma aura dourada envolveu o corpo dela e como se mãos invisíveis a segurassem o corpo da jovem foi suspenso do chão, erguendo-se lentamente. O cosmo dourado intensificou-se.
Voltaram-se em direção ao templo ao verem uma espécie de estrela cadente sair de lá caindo aos pés do circulo de transmutação. Para a surpresa de todos uma armadura revelou-se.
Era algo que nem em um milhão de anos, pensaram que pudessem ver. A forma dela era difícil de ser definida. Provavelmente aquela armadura deveria ser uma mistura de mitril e alguns minerais desconhecidos, pois não cintilava como ouro, mas o brilho era intenso e ofuscava-lhes a visão.
As asas eram longas e vermelhas como as de uma Fênix a incendiar as areias do deserto. O resto da armadura era branco com leves tons avermelhados em alguns detalhes.
A armadura se desprendeu adentrando rápidamente o circulo de luz, aos poucos envolvendo o corpo da amazona, moldando-lhe com extrema perfeição.
Segundos depois, seus pés voltaram a tocar o chão e o circulo de luz desapareceu, só agora conseguia enxergar o desenho de uma pequena chama no portal do templo. O templo de Fogo.
Era estranho que representasse elementos tão opostos como fogo e gelo, mas era melhor não tentar explicar o que as Deusas do Destino andavam tramando.
-Aisty; Kamus e Saga chamaram.
Voltou-se na direção dos dois, vendo o olhar espantado deles...
Sentia as asas vermelhas moverem-se com suavidade em suas costas, como se com o mais leve pensamento elas obedecessem até seu comando inconsciente. Uma tiara branca prendia parte dos cabelos, impedindo que a franja caísse sobre a testa, o peitoral e o cinturão prendiam-se perfeitamente no corpo, contrastando com a saia de pregas preta que ia até dois palmos acima do joelho. As botas eram altas e refinadas... Definitivamente nunca vira uma armadura como aquela.
-Consegui; ela sussurrou, fitando-os.
-...; os cavaleiros assentiram, sentindo uma nova explosão na ilha.
-Diana; eles falaram juntos.
Sem pensar muito desataram a correr, em busca da outra amazona, provavelmente Shura deveria estar com ela, agora, só faltava uma.
.II.
A movimentação era geral, os cavaleiros remanescentes organizavam-se preparando-se para o ataque.
-Estão sentindo essa energia? –Mú perguntou, voltando-se para Aiolia e Aldebaran a seu lado.
-Já estão aqui; o leonino falou, parando em frente ao templo de Áries.
-Vão para seus templos e avisem os demais no caminho; o ariano avisou.
-Vai ficar bem Mú? –Aldebaran perguntou preocupado.
-Vou, não se preocupem, agora vão; ele avisou.
Sentiu os cosmos se aproximarem.
-...; os dois assentiram, seguindo rapidamente para seus respectivos templos.
.III.
Isso... Continue, falta pouco...
Diana ouvia aquela voz suave em sua mente. Não conseguia ver mais nada diante de si, somente aquele imenso tufão a envolver seu corpo e destruir as paredes de mármore do templo. Se não parasse agora, aquela energia iria explodir levando consigo aquelas paredes.
Continue...
Mais uma vez a voz ecoou em sua mente. Sentia a força do vento esvoaçar-lhes os cabelos e zunir em seu ouvido. Aos poucos pequenos cortes iam surgindo em suas vestes e a frágil armadura que usava lentamente se desfazia, tornando-se pó junto aos pilares tombados.
Não podia permitir que mais pessoas sofressem por sua causa, pela sua fraqueza. Concentrou-se reunindo todas as forças que tinha e aura cintilante que lhe envolvia o corpo finalmente explodiu. Um estrondoso barulho chegou-lhe aos ouvidos, como se tudo tivesse ido a baixo. Abriu os orbes vendo as estruturas do templo tremerem e um intenso clarão tomou conta de tudo a sua volta, cegando-lhe temporariamente.
O que era aquilo tudo afinal? –ela indagou-se ainda de orbes fechados sentindo o corpo flutuar em meio ao intenso tufão, que apesar de sua força era como se lhe acalentasse. Teria morrido?
Não. Entretanto, já não estava mais naquele antigo templo em ruínas. Estava cercada por imensas dunas de areia que se levantavam como paredões a sua volta, aprisionando-a. E não havia nada mais que isso, um extenso e solitário deserto.
Continue...
Mais uma vez a voz, mas o que queria de si afinal? Estava cansada de tudo aquilo. De ser perseguida, de ter que fugir, de ter que... Ter que perder aqueles que amava...
A questão não é o que eu quero e sim o que você quer criança... Ouça seu coração, a resposta está dentro de si. E só assim toda essa balburdia, esse tormento terá fim...
O que queria? –Ela indagou-se e imediatamente um filme rodou diante de seus olhos. A vida sofrida, a morte dos pais... Fugir daquele monstro. Conhecer Aioros. Perder Aioros. O duro treinamento na ilha das amazonas, até ter que fugir de lá. Anos de perseguições. Morte. A jovem no beco escuro de Paris... Ódio.
A resposta era somente uma. Não queria que mais ninguém passasse por isso. Queria poder resgatar os anos que lhe foram roubados, resgatar o sentimento que há muito tempo havia esquecido, ou melhor, que sequer havia tido a oportunidade de conhecer...
O sentia florescer dentro do peito, um imenso deserto de ódio e mágoa onde um oásis havia se formado e começava a dar seus frutos. Não queria perder esse sentimento que só agora lhe fora apresentado, dádiva conferida somente aos homens e que os Deuses, como Apolo, insanos em sua supremacia jamais poderiam conhecer.
Simplesmente não podia perdê-lo; a amazona cerrou os punhos. Em sua mente seu cheiro, seu toque, seu gosto, misturados à imagem daqueles seres cadavéricos a quererem tirá-lo de si. Não permitiria que lhe tirassem de si, não agora que o tinha dentro do peito, o único quem fora capaz de abrir seu coração trancafiado em sua sela escura e trazê-lo de volta para a luz.
Intensificou sua cosmo-energia a ponto de explodir, sentindo pequenos cortes em sua pele, devido a força do vento, porem não podia parar. Pouco a pouco uma imensa cratera era aberta abaixo de si e as dunas iam ficando cada vez maiores, no entanto, o desafio havia apenas começado.
Sinuosa, a areia clara serpenteou em círculos em torno da amazona movimentando as dunas até que, a sua frente o que se assemelhava uma imensa serpente de areia se formou. O monstro arenoso poderia esmagá-la com uma só investida, com seus dentes enormes e pontiagudos, mesmo sendo feitos de areia. A única coisa que parecia não ser feita de areia ali eram os orbes dourados, que cintilavam perigosamente só aguardando pelo momento certo de dar o bote.
Afastou os braços para trás fazendo uma imensa cortina de areia se levantar atrás de si e no exato momento em que viu a serpente investir contra si, levou os braços de volta para frente transformando a cortina de areia num imenso pássaro que voou em direção a serpente e cravou ambas as garras nos orbes amarelos do monstro.
O grito ensurdecedor da serpente chegou-lhe aos ouvidos junto ao pio da imensa ave, um gavião, até que ambos se desfizeram. Primeiro a serpente que tombou no chão e voltou a ser uma sinuosa duna de areia e depois o pássaro, que se voltou para a amazona com as asas abertas e se desfez como se fosse soprado pelo vento.
Está pronta, não há mais o que temer, criança...
-Ártemis? –Ela murmurou confusa, ao deparar-se com a conhecida figura feminina a projetar-se pouco mais à frente em meio às dunas.
Boa sorte, Anjo dos Ventos... - disse a Deusa para instantes depois desaparecer.
-Ártemis; a jovem murmurou mais uma vez estendendo um dos braços em direção a Deusa, porém a mesma já havia sumido.
Sentiu aos poucos sua cosmo-energia diminuir, cessando aquele tufão até pudesse voltar a pisar no chão e nesse mesmo instante outro clarão lhe cegou. Uma luz dourada lhe envolveu como se a sugasse para uma dimensão diferente.
Sentiu seus pés tocarem o chão, que já não era mais feito de areia e após alguns instantes conseguiu finalmente abrir os orbes se deparando com nada mais nada menos que, uma das sete maravilhas do mundo antigo. O Templo de Ártemis.
Mas o templo de Ártemis ficava em Efeso, Turquia e... Não havia restado apenas uma solitária coluna após ser reerguido por Alexandre o Grande, devido aos sucessivos terremotos e saques? –A amazona se indagou confusa, mas o cheiro de absinto lhe confirmou que sim, aquele era o templo de Ártemis, talvez apenas escondido dos olhos humanos durante os séculos.
Caminhou por entre as colunas de mármore, vislumbrando inúmeras estátuas representando a deusa, até que chegou ao centro do templo onde haviam três estátuas, mas diferentes das demais. Uma de prata, uma de ébano e outra de ouro, lado a lado. Ao pé de cada uma delas, jazia uma espécie de bacia de pedra para oferendas.
Aproximou-se um pouco mais das estátuas e no mesmo instante recuou assustada. Da primeira estátua uma espécie de redemoinho, mas muito pequeno, começou a girar dentro da bacia de pedra e na última a de ouro, fora materializada uma generosa porção de areia que encheu o recipiente de terra. Porém na estátua central, nada havia acontecido.
A amazona mordeu levemente o canto dos lábios. Já sabia o que fazer. Esse era o último teste para saber se era merecedora de usar a armadura dos anjos. Elevou seu cosmo, ficando completamente envolta em uma aura prateada e com um leve movimento de ambas as mãos, fez com que o pequeno tufão e a areia do outro recipiente se fundissem, e daquela fusão, um pequeno pássaro se formou. O pássaro alçou vôo e pousou sobre o recipiente vazio em frente à estátua de ébano.
Só agora entendia o porque Ártemis desejava que aprendesse a controlar os opostos, ar e terra. Somente aquele que o fizesse conseguiria chegar até a sagrada armadura dos anjos, e certamente o mesmo estaria acontecendo a Aisty que tivera a dura missão de controlar água e fogo.
Agora aquilo podia parecer brincadeira de criança, mas não era algo tão simples assim; concluiu a amazona ao se relembrar do quão difícil fora aprender a controlar a nova habilidade.
O pássaro piou tirando a amazona de seus pensamentos e assim como no deserto com a serpente, se desfez após bater as asas. Ambas as estátuas cintilaram, cada uma em sua respectiva cor, prata, ébano e ouro e outro clarão se fez misturando todas as luzes.
Diana franziu o cenho levando um dos braços à frente do rosto, a luz provinda das estátuas chegava a cegar-lhe tamanha intensidade. Apertou os olhos no intuito de ver de o que significava aquela explosão de luz e só então percebeu o estava a sua frente.
-A armadura; Ela murmurou conseguindo finalmente vislumbrar o anjo prateado munido do seu arco e flecha nas mãos. Não havia mais nenhuma estátua ali.
Sobre o que poderia ser chamado de trono, jazia a armadura, toda prata com a exceção dos detalhes em ouro, pequenos filetes dourados que mais pareciam um fino bordado. Aproximou-se temerosa, diante das longas asas do anjo e instintivamente levou a ponta dos dedos até a armadura. Uma luz prateada oscilou percorrendo o corpo da amazona, tal qual uma corrente elétrica e no instante seguinte, uma a uma, as peças que compunham a armadura foram se desprendendo.
A jovem afastou-se confusa, porém não tivera tempo para pensar. Sentiu o corpo levitar e o que restara da antiga armadura, desprender-se de seu corpo para que então uma a uma as peças prateadas daquele anjo cintilante lhe cobrissem o corpo, junto á uma fina túnica alva, que lhe caiam feito uma fina saia de pregas pouco acima dos joelhos.
Fechou os orbes, sentindo uma estranha sensação de paz lhe invadir diante daquela onda cálida que lhe invadia. Arqueou o corpo para trás, alongando braços e pernas, sentindo as imensas asas prateadas se abrirem e então pousou no chão, sentindo-o abrir-se em pequenas fendas com o impacto.
Olhou para si mesma. Estava coberta de prata. Braceletes, corpete, ombreiras e longas botas também pratas. O arco pendurado nas costas.
Finalmente estava pronta. Pronta para dar fim na insanidade de Apolo, porem não podia desperdiçar mais templo. Alçou vôo para fora do templo ciente de onde devia ir.
.IV.
Por mais que tentasse, se esforçasse para sair dali, já não tinha forças. Sentia o corpo pesado, sendo esmagado por aquele batalhão de cadáveres com suas espadas e lanças, que pareciam ter sede em sugar até o seu último sopro de vida.
Já não sentia o seu braço direito e não podia usar a Excalibur. Se continuasse assim morreria, mas... Não podia se entregar tão facilmente. Tinha que encontrá-la; pensou cerrando os punhos e mais uma vez elevando seu cosmo, expulsando a pilha de esqueletos de cima de si.
Ouviu mais uma vez as pilhas de ossos se chocarem contra as paredes e caírem no chão, porém como das outras vezes, aqueles seres se refaziam e se multiplicavam indo pra cima de si. Aquilo não teria fim; pensou. E mais uma centena deles seria demais para suportar sem poder usar da lâmina dourada da excalibur.
Tentou se esquivar, mas fora inútil. Sentiu o peso dos inúmeros esqueletos a se aboletarem sobre si e tudo se tornar escuro, porem instantes depois tudo se iluminava. De relance viu uma luz prateada vir do céu iluminando aquele cômodo escuro e no instante seguinte os muitos esqueletos foram retirados de cima de si. Picou os olhos tentando enxergar além daquela luz, até que a viu.
O anjo de prata a pousar com suas longas asas abertas e o arco retesado nas mãos. A luz vinha dela; concluiu.
-Diana? –Ele indagou confuso, ao vislumbrar melhor os grandes orbes azuis. Pensou em se levantar e lhe avisar sobre os esqueletos, porém não fora preciso.
Viu mais algumas centenas deles se reerguerem atrás da amazona, que nem ao menos se deu ao trabalho de se voltar para trás. Acendeu o seu cosmo iluminando toda a sala enegrecida e pulverizando os esqueletos. Estranhamente a sala outrora escura e sem portas voltou a ser um templo comum com seus pilares de mármore branco.
A jovem alçou vôo e pousou em frente ao cavaleiro, que com dificuldade tentava se levantar.
-Pensei que tivesse perdido você; Ela disse ajoelhando-se ao lado do mesmo que havia se sentado.
-Eu também; ele disse, porem aliviado de ver a jovem ali.
-Jamais me perdoaria por isso, por...; A jovem ponderou vendo-o fitar-lhe com um olhar confuso. –Eu te amo; ela disse repentinamente e abraçando-o apertado. –Jamais me perdoaria por morrer sem lhe dizer isso; ela completou, sentindo grossas lágrimas escorrerem por sua face.
Shura apertou os braços em torno da cintura da jovem. Ouvir isso dela era bom de mais, era como um bálsamo que lhe ajudava a fechar as feridas e lhe acalentava.
-Também te amo; ele disse afastando-se parcialmente e fitando o rosto banhado de lágrimas da jovem. Levou o polegar ao rosto da mesma, apagando-lhe as marcas das lágrimas sobre a pele clara. –Desde o dia em que te conheci e você sabe disso; ele completou, aproximando os lábios dos dela num toque suave e terno.
-Temos que encontrar os demais; ela disse sentindo-o acariciar-lhe o rosto de forma suave. Por mais que aquele momento fosse único, não podiam se esquecer que ainda estavam em perigo e os demais também.
-Tem razão; ele disse vendo a jovem se levantar e estender o braço para lhe ajudar a levantar. Gemeu levando a mão ao braço direito, numa expressão de dor que não passou desapercebida pela amazona.
-Você está bem? –Ela indagou preocupada.
-Meu braço e...; Shura ponderou voltando-se para a jovem. –Enfim, não importa, pois qualquer dor se esvai quando tenho você por perto, o meu bálsamo...
-Isso não é hora para galanteios, Sr. Don Juan; a amazona ironizou e depois franziu o cenho contrariada. –Estou preocupada com você; ela disse abrandando o olhar e levando uma das mãos ao rosto do cavaleiro. –Desde que sofreu aquele ferimento na luta contra Hipólita que você está assim e...
-Não se preocupe, já te disse estou bem; ele respondeu segurando a mão da amazona em sua face. –Mas e agora como vamos sair daqui?
A amazona voltou os orbes para o céu e começou a caminhar para fora do templo, sob o olhar abismado do cavaleiro.
-Ah não; ele começou meio descrente. –Você ta brincando se pensa que...
-Vamos voando? –Ela indagou voltando-se para o cavaleiro e franzindo o cenho. –É isso mesmo, posso carregar você e não me diga que não e blá-blá-blá que sou uma mulher, porque aí eu mesma vou mandar o futuro pai dos meus filhos para o tártaro...
-Pai? Filhos? –Shura indagou sem conseguir conter um meio sorriso. –Não sabia que queria ter filhos comigo, mas... Adorei a idéia; Ele completou com um sorriso maroto. –Quando podemos começar a providenciá-los?
-É bem; ela balbuciou sem jeito sentindo ambas as faces esquentarem. Droga, por quê havia dito aquilo? –Enfim, chega de lero-lero, não é hora de bancar o machista e o palhaço, é hora de encontrarmos os nossos amigos e rápido, ou acha mesmo que a essas alturas Apolo ainda está sentadinho confortavelmente em seu trono sendo servido por belas ninfas? Hein? Hein? –Indagou balançando ambas as mãos de forma displicente.
-Acha que Apolo...; começou Shura, mas foi cortado.
-Deve estar preparando uma invasão no Santuário, já que não estamos lá ou coisa pior; ela disse.
-Está certo; respondeu Shura aproximando-se da jovem e a enlaçando de lado pela cintura, sentindo a mesma passar um dos braços por seu corpo, antes de alongar as enormes asas e alçar vôo.
-Mas sério, quando? - ele murmurou ao pé do ouvido da jovem de forma provocante e sorriu, sentindo-a arrepiar-se e momentaneamente perder o controle do vôo.
A amazona apenas suspirou, tentando manter a mente em branco. Ainda não acreditava que havia dito aquilo...
.V.
-Droga e agora? Como é que a gente vai sair daqui?
-Milo, você quer mesmo me dar um presente não quer? –indagou MDM, não tinha nem mesmo idéia de quantas vezes o amigo havia perguntado a mesma coisa.
-Calma pessoal; disse Kamus. –Além do que não podemos sair daqui sem a Diana e o Shura.
-Claro, mas bem que aquele lagarto gigante poderia aparecer e nos guiar para fora daqui, já que nos mostrou o caminho inverso; completou Milo com aparente desagrado.
-Olhem; disse Saga apontando para o céu e ambos acompanharam a direção apontada.
-É um pássaro? –Indagou MDM.
-Não e certamente também é o super-man também; comentou Milo, apertando os orbes para tentar discernir melhor.
-Diana; Aisty falou chamando a atenção dos demais.
As grandes asas prateadas moviam-se graciosamente, como se fossem realmente parte da amazona e não da armadura, porem moviam-se rapidamente e num vôo rasante ambos pousaram no chão.
-Que bom que encontramos vocês; disse Diana, sem perceber a expressão no mínimo contrariada de Shura ao seu lado.
O espanhol lançava um olhar assassino ao Escorpião que mantinha um sorriso jocoso nos lábios. Definitivamente não havia sido uma boa idéia deixar-se ser carregado pela amazona; pensou Shura.
-Diana; Aisty começou porém foi cortada.
-Pelos Deuses, que bom que encontrei vocês; A voz do ex-dragão chegou-lhes aos ouvidos.
-Alexie? –Indagou Aisty ao se deparar com o rapaz de longas melenas vermelhas e orbes castanhos.
-Puff; resmungou Saga recebendo um olhar entrecortado da amazona.
Não era hora pra tiques de ciúmes; pensou Aisty voltando-se para Alexie, que mantinha uma expressão preocupada.
-Será que poderia, por favor, nos tirar daqui? –Indagou Milo.
-É pra isso que vim; Alexie continuou. –Apolo pretende atacar o Santuário.
-Como? –Aisty indagou preocupada.
-Então é melhor irmos direto pra lá, não? –Indagou Kamus.
-Ao contrário; Alexie continuou. –Se pretendem conter Apolo devem ir imediatamente para Rodes. Ele e Hipólita estão planejando o ataque de lá.
-E como sabe disso tudo? –Indagou Diana.
-Ares; Ele disse recebendo uma chuva de olhares surpresos.
-Definitivamente o "Senhor da Guerra" deseja um mundo inteirinho pra destruir sozinho, daqui duzentos anos; Aisty murmurou sem conter o tom sarcástico, recebendo olhares ainda mais surpresos dos demais.
-Enfim, não temos tempo; murmurou Diana balançando a cabeça para ambos os lados.
-Por aqui, eu lhes mostro o caminho; Alexei inclinou-se numa leve mesura para que ambas as amazonas passassem, recebendo olhares cortantes de "alguns" dos presentes.
Continua...
