Capitulo doze:

Remus… escorregadio ou cafetão

Harry descia correndo veloz as escadas para a masmorra, pelo menos tinha o pretexto de que sua detenção estava a ponto de começar, assim poderia chegar a interromper o que estivesse a passar sem acordar demasiadas suspeitas.

No entanto, ao chegar ao corredor que conduzia para o despacho de Snape, se deteve abruptamente. Remus já saía, e se via contente… demasiado contente. O coração deu-lhe um viro, não queria ter maus pressentimentos, mas talvez o licántropo tinha conseguido obter vantagem sobre ele.

— Olá, Harry. —saudou lhe Remus efusivamente.

— Porque estás tão feliz? —perguntou agoniado.

— Acabo de falar com Severus, e por suposto que tive que dizer de nossa conversa, Harry, o lamento, mas era melhor pôr as coisas em claro.

— Enojou-se comigo?

Remus sorriu enternecido pela preocupação manifesta de seu amigo e sorrindo-lhe ainda mais, negou com a cabeça.

— Harry, será melhor que entres a falar com ele… Severus vai dizer o que está a passar entre nós.

Harry retrocedeu sentindo um golpe no estômago ante essas palavras, teve muito medo de que ao passar essa porta se encontrasse com uma verdade que não queria escutar.

— Vamos, Harry, não te acovarde agora.

— Elegeu-te? —perguntou assustado. —É isso, verdade?... Elegeu estar contigo?

— Harry, entra de uma vez, ele vai dizer tudo.

— Mas… não pode te ter elegido sem sequer falar comigo. —farfalhou tremendo, a cada vez mais agoniado. —Pelo menos tem que me dar uma oportunidade de que falemos e depois já pode escolher… Remus, não pode te eleger sem falar comigo verdade?

Remus parecia estar-se divertindo com a extrema ansiedade de Harry que olhava a porta quase com terror, não se atrevia à traspassar. Finalmente, vendo que o garoto não se decidia, Lupin lhe sujeitou pelos ombros e lhe fez passar para em seguida se marchar.

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Hermione e Blaise caminhavam tomados da mão de regresso ao castelo. O garoto quis acompanhar até a Torre de Gryffindor e não aceitou negativas. Mas mal acabavam de entrar ao vestíbulo quando se toparão com Pansy esperando com os braços cruzados e em atitude francamente molesta.

— Disseste que ajudar-me-ias a estudar, Blaise.

— Eu?... ah, sinto-o, Pansy, esqueci-o. —desculpou-se o moreno sinceramente.

— Me dei conta disso, por suposto. E óbvio também que agora te preocupas mais por encontrar quem te ajude a melhorar tuas próprias notas.

— Não digas tolices. —protestou Blaise.

— Que, não te disse, Granger, que seu pai lhe ameaçou com lhe tirar vários de seus privilégios de herdeiro se não sacava melhores notas que ninguém?... seguramente por isso te procura, nem aches que é por que você é linda.

— O motivo pelo que me procura não é de sua incumbência, Pansy. —respondeu Hermione sem amedrontar se. —E se é necessário que o ajude e até faça suas tarefas para que fique com sua vassoura último modelo ou a mesada íntegra, pois não me custa nada o fazer… talvez até possamos as desfrutar juntos.

— Não te sintas muito segura do que tens, assim que consiga o que procura, ficarás esperando com as mãos vazias.

— Sim, suponho que em frente a mim tenho meu futuro personificado.

Pansy franziu o cenho ante o sorriso zombador de Hermione, e bufando molesta, girou sobre suas talones para dirigir para as masmorras. Ao ficar sozinhos, Blaise abraçou feliz à castanha, orgulhoso de que não se tivesse deixado intimidar por sua amiga.

— É sensacional, Hermione. —assegurou dando-lhe um suave beijo na bochecha.

— Escuta, Blaise Zabinni. —disse a garota separando-lhe com firmeza. —Sei bem o que teve entre vocês e espero que realmente seja coisa do passado…

— Prometo-o, isso se terminou faz tempo, e jamais foi nada sério!

— Vou dar-te uma oportunidade, mas só uma!... qualquer brincadeira que faças e te asseguro que se acaba tudo, não penso me pôr a sofrer por ninguém me entendeste?

— À perfeição, pequena!

Blaise não se preocupava, estava muito entusiasmado com a relação que recém começava, Pansy era coisa do passado, um passado que jamais lhe satisfez nem lhe fez tão feliz como se sentia nesses momentos… ademais, essa Hermione tão decidida e forte lhe fascinava, era muito melhor que a menina submissa que tinha pretendido ser.

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Harry estava apoiado sobre a porta do escritório, não se atrevia nem a levantar a mirada, mas podia sentir os olhos negros fixos nele. As pernas tremiam-lhe e por isso preferia ficar quieto e não se arriscar a caminhar cambaleando como idiota.

— Tu… tu vontades. —murmurou quase sem ar.

Severus não respondeu, não se esperava isso, nunca imaginou escutar a Harry com essa voz avariada mostrando sua derrota. Lentamente o garoto deslizou-se para abaixo enquanto cobria-se o rosto com suas mãos. Ao mesmo tempo, Snape levantou-se de seu assento, sentindo que o coração deter-se-lhe-ia para sempre ao ver aquilo.

— Farei o que me peças. —continuou Harry ficando sentado sobre o solo, com a espalmada apoiada na porta e o coração em suas mãos. —Romperei com Draco, prometo-o, mas…

— Cala.

Harry obedeceu apesar de que o tom que empregasse Snape não era para nada imperativo, mais bem se escutou agoniado e nervoso. Não levantou a mirada nem ainda que o escutou se aproximar para ele, mas assim que o sentiu se ajoelhar enfrente, se lançou ao abraçar pendurando de seu pescoço.

— Dá-me uma oportunidade de remediar meu erro, por favor.

— Não digas mais, Harry… não precisas uma oportunidade porque já me tens a mim, podes fazer comigo o que queiras. —afirmou estreitando com força. —Sinto muito ter-te forçado a chegar a isto, mas queria que admitisses que estavas a tomar uma má decisão te combinando com quem não queres.

— Romperei com ele… o prometo.

— Não tens que o prometer, eu te creio.

— E Remus? Também afastar-te-ás dele?

— Não há nada entre Remus e eu.

— Ele te quer. —comentou retirando-se um pouco para olhar aos olhos e observar sua reação, surpreendendo-lhe de vê-lo sorrir.

— Não, Harry, Lupin não está interessado em mim.

— Mas…

— Em realidade ele só tentava me ajudar contigo.

Harry piscou um par de vezes sem compreender o que Severus tentava lhe dizer. Aproveitando o momento, Severus acomodou-se sentando no solo e colocando ao garoto entre suas pernas para continuar abraçando-o carinhoso.

— Confessei-lhe a Lupin o que passava entre nós. Ao princípio pôs-se histérico, mas terminou compreendendo que não podia nos separar se nós não queríamos, por isso fingiu estar interessado em mim, pensamos que era a única maneira de que te decidisses a aceitar teus próprios sentimentos.

— Remus enganou-me? —perguntou franzindo o cenho.

— Espero que não estejas molesto.

— Os dois confabularão contra mim! —exclamou apartando-se um pouco para golpear no peito.

Snape assustou-se por um momento, sabia que era um risco que Harry se molestasse, mas aceitou o tomar, agora não estava seguro de ter feito o correto.

— Harry, lamento-o, mas…

— São uns malvados, os dois! —assegurou respirando agitado.

Severus estava disposto a pedir desculpas de todas as maneiras possíveis dantes de perder de novo sua oportunidade com Harry, mas nem tempo teve de dizer nada, o garoto voltou a lançar a seus braços o apertando com força.

— O ódio! —exclamou rindo feliz. —São uns malditos, mas obrigado, graças ao céu que não há nada entre vocês!

— Meu menino, obrigado por entendê-lo.

— Entendo-o e agradeço-o, estava tão confundido sem saber o que sentia, Severus, que…

— Disseste-me…

— Severus… posso te chamar assim, verdade?

— Claro que sim. —afirmou acariciando lhe amoroso as costas enquanto fechava os olhos recordando o bonito que se escutava seu nome naqueles doces lábios.

Depois de uns segundos de abraçá-lo, Severus acercou-se à orelha de Harry sussurrando lhe um "vamos ao nosso quarto". O garoto estremeceu-se de prazer, tanto pela sensação daquela varonil e sugestiva voz golpeando seus sentidos, como por saber que já tinham algo que compartilhar.

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Ron afundava seus dedos em sua abundante cabeleira vermelha, desesperado de não poder tirar a Draco da cabeça. Já nem pensar em Harry lhe ajudava, era demasiado saber que o loiro lhe amava para poder ficar tão tranquilo pretendendo que não passava nada.

Confiando em que em sua detenção Harry não poderia usar o mapa do maroto, Ron abandonou seu lugar em sua cama e saiu da torre de Gryffindor. Apesar de que sabia onde podia encontrar a Draco, compreendeu que tinha poucas oportunidades de poder lhe falar, no entanto, pelo menos faria a tentativa.

Depois de esperar por uns minutos cerca da entrada dos Slyhterin, observou a uns garotos de terceiro ano que não pareciam ser tão perigosos como o resto de seus colegas de casa, de modo que se arriscou e enviou com eles uma mensagem para o loiro.

Enquanto esperava a que Draco saísse, Ron quase se comia as unhas dos nervos, passeava de um lado a outro sem apartar a vista da porta por onde devia sair os de olhos cinzas. No entanto, passavam os minutos e este não aparecia, não queria pensar que ia ser capaz de deixar esperando e ainda que lhe chegasse o amanhecer, não mover-se-ia daí.

Não soube quanto tempo passou até que por fim viu que a porta se abria, e com o coração na boca esperou que se tratasse de Draco. Sorriu ao ver que era assim, e não pôde evitar admirar que a cada vez lhe parecia mais belo, ainda com seu pijama verde, recém banhado e o cabelo ao todo liberto, somente coberto por um longo abrigo negro de lã.

— Obrigado por sair. —disse-lhe acercando-se a tomar da mão, o loiro não o recusou, mas não sorriu também não.

— Não deveste vir, e muito menos me enviar um recado com esses meninos… qualquer pode suspeitar algo e se lhe dizem a Harry…

— Precisamente disso quero falar contigo. Vamos à masmorra.

Draco assentiu e caminhou junto ao ruivo sem soltar sua mão. Ao entrar à masmorra surpreendeu-se de não a encontrar como sempre. Ron tinha limpado exaustivamente e colocado ademais velas flutuantes pelos extremos, isso alumiava calidamente o lugar que de repente parecia bem mais agradável. No centro encontrava-se uma enorme cama onde poderiam falar.

— Parece que puseste algo de ordem. —comentou Draco com macieza.

— Assim estaremos mais cómodos.

— E já não terão aranhas suponho. —caçoou com carinho.

Ron sorriu envergonhado de recordar seu incidente, mas em seguida esqueceu-se dele para rodear ao loiro pela cintura e o conduzir à fofa cama. Ao sentar-se, o peso afundou a superfície obrigando-os a permanecer extremamente juntos, mas em lugar de incomodar-se por isso, Draco se amoldou ao peito do Gryffindor e este abraçou lhe atraindo suavemente para ele.

— Supõe-se que já nos tínhamos despedido, doninha… porque seguimos nos vendo?

— Porque amas-me e eu a ti.

— Sinto-me mau de estar-lhe fazendo isto a Harry, ele não lhe merece.

— Sei, e por isso lhe vamos pôr uma solução definitiva.

— Suponho que será o melhor. Talvez já nem sequer devamos nos falar, é muito difícil estar perto e ter que dissimular o que sentimos.

— Essa não é a solução, furãozinho.

Draco levantou a cara para olhar-lhe com curiosidade. Ron sorriu descobrindo que gostava a cada de gesto do loiro e aproveitando um descuido deste, baixou seu rosto para beija-lo. De imediato sentiu-se correspondido, mano-a direita do loiro dirigiu-se ao rosto de Ron para acariciá-lo enquanto suas línguas se roçavam suavemente a uma contra a outra, e seus lábios sugavam sem pressas, saboreando a cada segundo de um beijo que viviam desejando desde a primeira vez que romperam barreiras.

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Harry mantinha-se recostado sobre Severus na ampla cama deste, nenhum dos dois parecia ter a menor intenção de romper o beijo que tinha iniciado desde fazia minutos. O garoto desfrutava de sentir a poderosa língua de Snape percorrendo lhe a cada rincão de sua boca, sugando lhe com força, ele tentava corresponder da mesma maneira, mas ante a diferença compensava com marcada doçura, sem saber que era precisamente isso o que mais excitava ao mago maior.

As mãos de Snape acariciavam as costas e a cintura de Harry acima de sua roupa, sentindo um profundo desejo de despi-lo e voltar a tomá-lo até morrer. Harry ansiava o mesmo, mas nessa ocasião nenhum deu o seguinte passo, conformando com aquele intercâmbio de beijos e caricias inocentes.

— Devo ir-me. —disse Harry rompendo finalmente o beijo, mas só para terminar de recostar se no peito do homem aferrando se nele amoroso.

Severus não respondeu, mas fazendo girar a Harry para recosta-lo sobre a cama, lhe rodeou com braços e pernas se acomodando possessivamente unido a ele. Fechou os olhos como se dispondo a dormir, mas com a segurança de que não livrar-se-ia daquele abraço.

— Sev… devo ir-me, é tarde. —insistiu Harry, mas sem mover nem um músculo para separar-se, era-lhe tão grato sentir-se quase desvanecer naquele corpo.

— Como me chamou?

— Sev… não gostas como te chamei? —perguntou sorridente.

— O que gosto como me chama é sua voz… diga-me como te dê sua enjoativa e ridícula vontade.

Harry riu-se, incrédulo e feliz de escutar a seu Professor falar-lhe com tanto carinho escondido depois de suas toscas palavras, gostava esse Severus, tanto como gostava o Severus acossador, do resmungão, o sarcástico, o sério… gostava de tudo dele, absolutamente tudo.

— Para valer, tenho que me ir. —voltou a insistir.

— Deixa de dizê-lo, tu não queres te marchar, Potter.

— Não disse que quisesse, Snape… mas sim devo me ir. Que passará se nos descobrem?

— Eu assumo as consequências, mas te fica comigo esta noite.

Já não pôde se negar, uma petição feita com tanto desejo como a tinha formulado Severus era impossível de resistir e Harry sorriu assentindo para em seguida fechar os olhos, disposto a passar sua primeira noite dormindo com Severus Snape. Mas sobretudo, decidido a que ninguém jamais afastar-lhe-ia de sua vida.

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Draco repousava no peito de Ron e não podia deixar de pensar em Harry, os remordimentos não o deixavam muito tranquilo, e pelo mesmo não se entendia nem a si mesmo. Não deveria estar aí, quantas vezes se tinha despedido definitivamente de Ronald Weasley? Quantas vezes se prometeu tirar da cabeça e do coração?... E porque então não podia se resistir a seu chamado? Porque continuava em seus braços desejando que não se separar jamais dele?

— Ronald.

— Diga-me. —respondeu aconchegando mais ao loiro junto a seu corpo.

— Ajuda-me em isto… já não me procures mais. Não sei porque demónios me comporto tão débil contigo, mas se é necessário suplicar te, fá-lo-ei.

— Nem faça-lo porque já não penso renunciar a ti tão fácil.

Draco incorporou-se olhando-lhe temeroso, nunca se imaginou escutar ao ruivo tão determinado, teve medo pelo que estivesse a planear, o que fora seguramente lastimaria a Harry.

— Harry é teu amigo, não podes estar a falar em sério.

— Precisamente porque é meu amigo é que falo muito em sério, furão.

— Pensas dizer-lhe?

— Quero que ambos o façamos.

— Não! —negou firmemente. —Não posso, e não entendo como podes ser tão frio!... acho que o chapéu devia colocar-te em Slytherin.

— Encantar-me-ia se estivesse contigo, mas acho que então a ti pôr-te-ia em Gryffindor. Quero que saibas que te equivocas se pensas que não estou a pensar em minha amizade com Harry, é todo o contrário, o quero demasiado para o enganar.

— E por isso devemos nos separar!

— Não, por isso devemos ser sinceros com ele e não lhe fazer crer algo que não é verdadeiro. Harry merece saber a verdade e nós merecemos uma oportunidade para estar juntos.

Draco guardou silêncio compreendendo o ponto de Ron, mas tão só de pensar e chegar com Harry para dizer-lhe que não o amava e que agora queria estar com seu melhor amigo, se lhe abria um espaço no estômago.

— Harry não tomar-lhe-á bem, molestar-se-á e é provável que não queira saber nada de nós… e com toda a razão.

— É provável, mas finalmente recapacitará, conheço-o desde os onze anos e confio em que saberá o entender tarde ou temporão.

— Ron, eu o quero, apesar de tudo sim o quero e não sei se queira perder sua amizade.

— Sei que o queres, eu também, mas pensa se podes te imaginar uma vida completa a seu lado, ao lado de quem não amas.

Draco não respondeu, não quis lhe dizer que sim, que sim podia o imaginar, não era nada raro depois de ter vivido com seus pais, um casal que apesar de que não se amavam foram felizes juntos, pelo menos até o ano anterior em que sua mãe morresse. Desde que começou sua relação com Harry soube que era com ele com quem todo o mundo esperaria que se casasse para formar uma família, era o candidato perfeito para a sociedade na que se desenvolvia desde menino… A Draco jamais lhe tivesse pesado um casal sem amor, e não podia se sentir mais feliz de ter encontrado a alguém que gostava e desejasse como a Harry, disso era muito melhor do que achou que seria sua vida.

No entanto, agora tinha a Ron, soube a diferença. Tinha medo de não saber lutar por esse amor que nascia e crescia com força. Queria muito a Harry, mas amava a Ronald, e não sabia a quem devia lhe ser fiel.

— Preciso tempo para pensá-lo, Ron. —disse finalmente.

— De acordo, mas que não seja muito. Morro-me por não ter que te ver a escondidas!

Draco sorriu assentindo, mas quando voltou a recostar se sobre o peito do ruivo seu rosto se ensombreceu, talvez era um covarde do pior, em sua vida tinha tido tudo em bandeja de prata, jamais lutou por nada. Agora tinha que lutar pelo amor de Ron, e a seu passo, lastimar a Harry… Soube que não poderia o fazer, seu pai tinha razão, ele não sabia como ferir realmente, por isso jamais poderia se unir aos comensais, e até isso lhe devia a Harry, graças a esse namoro agora não levava em seu braço a horrível marca tenebrosa.

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Ainda não amanhecia quando Severus acordou sentindo algo umedecendo seu ombro.

— Harry?... Que passa? —perguntou alarmado de descobrir que chorava.

— Jura-me que não lhe vai passar nada a Draco! —exclamou olhando aos profundos olhos negros. —Por favor, Sev, jura-me!

— Mas, Harry…

— O fato de que sejamos noivos tem mudado algumas coisas que…

— Sei-o, isso o ajudou a não se converter em comensal.

— Voldemort acha que controla-me, e inclusive temos circulado alguns rumores, predominantemente entre os Slytherin filhos de comensais, Sev, tudo com a finalidade de dar pistas falsas a Voldemort. Mas que vai passar quando ele se inteire que rompi com Draco?

— Harry, ele tem que o saber alguma vez. —assegurou abraçando-o confortante. —Não quero que te chegues a culpar de nada, porque se tua vida não é junto a Draco não tens porque te sacrificar por ele.

— Cuidá-lo-ás, verdade? —pediu agoniado. —Impedirás que o marquem, verdade, Sev?

— Farei tudo quando esteja de minha parte.

Harry assentiu mas não luzia mais tranquilo. A luz do lustre de noite mostrou seus olhos verdes brilhando com uma enorme preocupação, de modo que Severus incorporou-se para sentar-se e abrigar mais calidamente ao garoto em seus braços.

— Não temas mais por Draco, Harry, te prometi que cuidá-lo-ia e sempre cumpro minha palavra.

— Sei-o, mas também me preocupas tu.

— Eu?

— Draco pode levar-se um grande castigo se sabe-se de nosso rompimento, talvez inclusive seja marcado por isso, mas nada se compara ao que passaria contigo se Voldemort sabe que estamos juntos… Contigo não seria um simples castigo, Sev, não teria outra oportunidade para quem cometa traição.

— Sei.

— Ninguém deve saber o que passa entre nós, Severus, nem sequer ainda que rompa com Draco, temos que seguir mantendo em segredo o que sentimos.

— Acho que será o mais conveniente. —aceitou com gravidade. —Também não seria muito seguro para ti.

Snape guardou silêncio uns segundos, apertou a Harry contra seu peito enquanto sua mirada perdia-se no nada. Não tinha pensado nisso, esteve disposto a correr qualquer risco por Harry e o seguia estando, mas o pôr a ele em perigo era algo preocupante. Não podia achar que não se tinha detido ao pensar antes.

Mas não podia se arrepender, inconscientemente apertou mais ao garoto contra seu corpo, como se fosse seu maior tesouro. Não podia nem ia permitir que nada mau lhe sucedesse por sua culpa, era capaz de qualquer coisa, de interpor entre qualquer maldição, de se submeter às piores torturas de Voldemort… do que seja!

— Sev? —chamou-lhe Harry sentindo-se preocupado pelo forte aperto que mal lhe deixava respirar—. Estás bem?

Severus assentiu e depois de afrouxar seu abraço, acomodou ao garoto sobre a cama para em seguida colocar-se em cima dele, sujeitando com suas mãos seu rosto ainda de menino e sem deixar de olhar fixamente a seus olhos.

— Escuta-me bem, Harry Potter… Jamais permitirei que saias lastimado por te ter trazido a meu lado! —exclamou com fervor. —Pode ser que seja um egoísta, quiçá deva renunciar ao nosso por teu bem, mas não posso. Vou lutar por ti e contigo… e nunca arrepender-te-ás de me ter dado uma oportunidade.

— Sev…

— Harry Potter… —continuou e sua voz escutou-se diferente, bem mais cálida e suave do que jamais tinha sucedido, seus olhos brilharam como nunca se afundando nas pupilas do garoto, viajando através delas até seu coração. —… Harry Potter, te amo!

Continuará…

Próximo capitulo: novos amores

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Notas finais:

Wiiiii... Vemos-nos amanhã para a continuação dessa tão esperada declaração de amor. *suspiro* XD.

Besitos.

Nota tradutor:

Nossa finalmente Severus Snape se declarou, Merlin que delicioso ouvir isso!

Quem gostou da um grito ai?!

Até breve moçada!